Capítulo 19
Tempo estimado de leitura: 7 minutos
Enquanto isso, Georg, Thaís, Bill e Gustav decidiam para que restaurante iriam.
– Err, deu vontade de ir pra praia agora... – disse Thaís, pensativa. Todos olharam para ela, espantados.
– De noite?! – perguntou Georg, fazendo uma careta.
– Qual o problema?! Mas ok, se vocês não quiserem... – respondeu ela, dando um sorriso no canto da boca, desviando o olhar para a paisagem por fora do carro.
– Que é que você tem, Tha? – perguntou Bill, que estava sentado ao lado da garota. Ela virou-se para encarar aqueles olhos pintados, afundava-se neles.
– Não sei... – respondeu Thaís, baixando o olhar.
Ela via que Bill gostava de Duda e não sabia o que fazer em relação a isso. A irmã havia prometido a ela que não ficaria com ele, mas e ele?! Qual era a garantia de que ELE fosse gostar dela? Essa dúvida ela precisaria tirar, mas ainda não sabia como...
– Você não tá bem, Tha, me conta o que você tem, por favor... – pediu Bill, baixinho, só pra Thaís ouvir.
Ele estava preocupado, ela estava daquele jeito já havia algum tempo, e ele não queria vê-la assim. Queria vê-la como no dia em que ela e a irmã cantaram para ele. Com um sorriso estampado no rosto. Mas não um sorriso qualquer, um sorriso sincero como só ela tinha. Thaís apreciava a preocupação. Ele era um bom amigo, disso não havia dúvida. Mas ela não poderia baixar tanto a guarda, simplesmente não poderia revelar tudo o que sentia por ele, em relação a ele. Era cedo demais. Thaís se sentia num beco sem saída. E resolveu reagir.
– Vamos ao Jimmy’s? – disse a garota, olhando para os rapazes.
– O que é isso? – perguntou Gustav, que dirigia.
– Um restaurante que tem lá na beira-mar! Já que vocês não querem ir pra praia, vamos pra beira da praia! – disse Thaís, um pouco mais animada.
– Vamos! – respondeu Bill, pra levantar o astral de Thaís.
– S’imbooooora! – falou Georg, rindo.
– Sim, mas, você pegou essa mania comigo foi?! – perguntou Thaís, que agora ria também.
– É, né, é a convivência! – respondeu Georg.
Chegaram ao Jimmy’s, realmente, era um restaurante muito bonito, beira-mar, bastante aconchegante. Tocava uma música ambiente muito acolhedora, então o grupo desceu do carro.
Thaís desceu primeiro, e aí os rapazes perceberam como ela estava bonita. Vestia um vestido preto simples, um pouco acima dos joelhos, com um decote razoavelmente comportado; calçava uma sandália de salto fino preta, o que aumentava consideravelmente sua altura – ela estava do tamanho de Georg -, e usava os cabelos soltos, caindo nos ombros. Bill desceu logo depois dela, e pôde observar com mais clareza a garota. Ele não tinha notado o quão bonita uma moça poderia ficar com um simples vestido preto, ou seria porque era Thaís a moça com o vestido preto?
– Ei, acorda. – disse Thaís, libertando Bill de seus pensamentos.
– Desculpa, err, eu tava te observando... – disse ele, dando um pequeno sorriso.
Cada vez mais ele percebia como Thaís era diferente de Duda. Falava menos, era mais calma, mais serena, mas ao mesmo tempo, tinha uma energia incrível, dava pra notar pelos olhos dela, sempre brilhantes e ativos. Duda era mais fácil de conversar, isso era verdade, Thaís era um tanto mais delicada, carecia de cuidado com as palavras.
– Ah... Venha, vamos entrar. – disse Thaís, sorrindo e puxando a mão de Bill, delicadamente, que a seguiu.
Entraram e dirigiram-se a uma mesa mais reservada, de frente para o mar. Georg e Gustav conversavam animadamente sobre umas garotas que estavam sentadas perto deles.
– Aquela ali é bem bonita, hein! Vou chegar... – disse Gustav, apontando para uma garota de cabelos pretos espetadinhos, que sorria para ele agora.
– Gustav?! Até você?! – riu Thaís, espantada com a atitude de Gustav, que para ela, era o mais reservado e fofo do grupo.
– O que foi? Eu sou homem, lembra? – disse ele, rindo também.
– Ah, é...! – respondeu Thaís, piscando pra ele, de brincadeira.
Então o grupo se sentou, fez os pedidos, mas depois de alguns minutos de flerte entre Gustav e a moça, ele resolveu sair ao ataque, seguido por Georg, que flertava com a amiga da garota. Então ficaram só Bill e Thaís, olhando para o mar e tomando Coca-Cola.
– Imagino o quanto Duda deve estar irritando Tom lá em casa... – comentou a garota, imaginando um Tom decepcionado com as tentativas frustradas de ficar com Duda. Esse comentário, de alguma forma, aliviou Bill, mesmo que Duda tivesse dito que eles seriam só amigos.
– É... Meu irmão não desiste... Nem acredito que saímos do mesmo lugar. – disse Bill, entre dois goles de refrigerante.
– Pois é, mas eu não acredito que saí do mesmo lugar que Duda, né. Acho que é coisa de gêmeos, um sempre é oposto ao outro, apesar das semelhanças... – disse Thaís.
– Deve ser... – concordou Bill.
Então, começou a tocar uma música lenta, muito bonita.
– Die erste Träne. – disse Thaís, abrindo um sorriso.
– Você conhece essa música?! – perguntou Bill, surpreso, pois achava que só ele conhecia, já que a banda que tocava Die erste Träne era alemã e não muito conhecida.
– Conheço, sim. Na verdade, foi vendo uns vídeos que as fãs brasileiras fazem pra você que eu ouvi essa música. Linda, não é? – disse Thaís, sorrindo, virando-se para Bill.
– Venha, vamos dançar! – disse o rapaz, levantando-se e fazendo uma mesura para Thaís.
– Dançar?! Não era você que relutava até a morte pra dançar?! – perguntou Thaís, surpresa e um tanto apreensiva com o convite.
– Eu mesmo! Mas agora eu quero dançar, você vem comigo? – disse Bill, sorrindo.
– Então tá! – respondeu Thaís, segurando a mão de Bill.
Os dois então começaram a dançar, com movimentos lentos, de acordo com a música. Bill pousava uma mão delicadamente na cintura de Thaís, que descansava a cabeça no peito do rapaz, sentindo a música. Bill sentia-se feliz ali, estava ainda pensativo sobre Duda, mas refletia que ela realmente poderia estar certa. Ele já não tinha se enganado com outras garotas? Lembrou-se de Ina, sua primeira namorada. É, ele parecia ter se enganado de novo. Mas agora não importava tanto, na verdade, nada importava, ele estava ali, olhando para a lua cheia e prateada, dançando com Thaís, e sentia-se feliz assim.
Beijou o topo da cabeça da garota, que sorriu para ele. Sorriu aquele sorriso sincero e verdadeiro que só ela conseguia sorrir. E isso hipnotizava Bill. Ele se perguntava por que estava sentindo-se assim, afinal, ele gostava de Duda, não gostava? Mesmo que ela não o quisesse, mas ele ainda gostava dela. Mas também gostava de Thaís, ela, que havia ficado com seu irmão, parecia tão neutra, ao contrário das garotas que ficavam com Tom e depois corriam atrás dele, pedindo bis. Thaís era diferente. Ela não estava atrás de Tom, ela o tratava da mesma maneira como sempre tinha tratado, e não parecia nem um pouco constrangida com a presença dele e as investidas dele para Duda. Bill sentia uma simpatia enorme por ela, na verdade, era mais do que simpatia, era uma sensação que ele não conseguia descrever.
E ela continuou sorrindo ali, mais para ela mesma do que para ele, e os dois continuaram dançando, quando Bill olhou diretamente para os olhos de Thaís, puxando seu queixo com a mão. “Thaís.”, alertou-a sua consciência. Numa fração de segundo, seus lábios colaram nos lábios macios da garota, num selinho delicado, que logo foi interrompido por Bill.
– Preciso ir ao banheiro. – disse ele, atordoado, deixando uma Thaís pensativa para trás. “O que foi isso...? Ah, Bill, rápido demais. Você se arrependeu...?”, pensava Thaís, com mil perguntas em sua cabeça.