Uma Viagem Pode Mudar Um Destino


Escrita porThatzFer
Revisada por Carol S.


Capítulo 30

  Nunca tinha sentido tanta vontade de estar com Thaís como sentia agora. Ele, que sempre fora solitário, tivera poucas namoradas e nenhuma despertara nele aquelas sensações, aqueles sentimentos. E o que mais o surpreendia era que ela era uma fã dele e, apesar disso, parecia gostar dele não como um ídolo, não como o vocalista da banda Tokio Hotel, parecia gostar dele simplesmente como ele era, simplesmente o Bill, aquele garoto que havia em baixo de toda aquela maquiagem e aqueles cabelos espetados.
  – Tás pensando em quê? – Perguntou Thaís acariciando o rosto do garoto.
  – Em você. Em... Nós. – Respondeu Bill, segurando a mão da garota e dando-lhe um beijo.
  – Em nós? – Perguntou ela, levantando uma sobrancelha.
  – É que você parece me conhecer tão bem... Parece que não...
  – Te vejo como o Bill Kaulitz, o famoso vocalista de uma banda alemã? – Interrompeu Thaís com um sorriso.
  – Isso. – Assentiu ele.
  – E é assim mesmo que eu tento te ver Bill. Para mim, você é muito mais que isso. Você acima de tudo é o Bill. Alguém lindo, carinhoso, romântico...
  – Tá. Não precisa falar minhas qualidades. – Interrompeu Bill, sorrindo.
  – Quer que eu fale seus defeitos? – Perguntou Thaís com um olhar malicioso.
  – Não. Quero que você me beije. – Disse ele, sério.
  – Uma ordem, é? – Falou ela rindo antes de segurar o rosto do garoto e beijá-lo.
  – Desculpa interromper, gente! Mas é que eu não sei que roupa eu visto! Tha, vem me ajudar! – Exclamou Vick, aparecendo no corredor.
  – Ai Jesus! Tá. Peraí. – Falou Thaís, soltando-se de Bill e dando logo depois um rápido selinho nele, antes de sair atrás de Victória.
  – Vocês dois estavam tão fofos, Tha. – Comentou Vick com um sorrisinho.
  – Ow, obrigada, Vick. – Disse Thaís com os olhos brilhando.
  – Sim, mas o que você acha? Essa blusa com o short bege ou com o preto? – Perguntou Vick apontando as roupas que estavam em cima da cama.
  – Hum... Prefiro teu vestidinho branco. – Opinou Thaís.
  – Ah! Ótima ideia! Tudo bem que foi tudo a ver com o que eu perguntei, né?! – Riu-se Victória.
  Thaís riu junto com a amiga.
  – Vou tomar um banho rápido e me trocar. É o tempo que a Duda chega. – Falou Tha, indo para o banheiro.
  Algum tempo depois, as meninas estavam prontas. Vick vestia o vestido branco que Thaís tinha indicado, enquanto esta usava um short azul e uma camiseta preta soltinha com um top azul por baixo.
  – Uhul! Gatonas! – Exclamou Vick olhando-se no espelho.
  – Oi gente. – Falou Duda entrando no quarto.
  Vestia um short branco com uma blusa lilás de alça com um pequeno decote.
  – Duda! – Exclamaram as meninas abraçando-a.
  – Minha filha, me conte direito essa história de você ter saído daqui. – Disse Thaís.
  – Eu já disse que foi porque eu não queria mais ficar aqui. Agora vamos que todo mundo está esperando vocês na sala. – Falou Duda, sem esperar resposta, saindo do quarto.
  Duda mal olhou para Tom quando chegou à sala e muito menos no percurso de carro até o parque, onde ele sentou-se ao seu lado.
  Quando as meninas desceram do carro, olharam o parque à sua frente e perderam-se em sua imensidão. Havia várias pessoas no parque àquela hora. Algumas crianças correndo atrás de uma bola, alguns adolescentes fazendo um piquenique, alguns idosos namoravam como se o tempo nunca tivesse passado para eles.
  – Ei! Vocês chegaram! – Falou um garoto com o cabelo raspado e os olhos profundamente azuis.
  – Olá Andreas! Essas são Victória, Eduarda e Thaís. – Disse Georg, fazendo as devidas apresentações.
  – Prazer, garotas! – Exclamou Andreas com um sorriso no rosto.
  Logo o menino rumou para o grupo de adolescentes que faziam piquenique. Os outros o seguiram e, depois de todas as apresentações, Vick e Duda foram caminhar um pouco para conhecerem melhor o parque e conversar, é claro.
  – Finalmente, por que você saiu da casa dos gêmeos? – Perguntou Vick quando já estavam longe o suficiente para que ninguém pudesse escutar. – E não minta para mim.
  – Ah... Tudo bem, vou ser sincera com você. Maurren me contou que Tom iria me expulsar e eu resolvi sair antes que ele tivesse a chance de fazer isso.
  – E você acreditou nela?
  – Bem, ela não tinha porque mentir. E isso é bem a cara do Tom, vamos combinar. – Falou Duda demonstrando uma leve irritação na voz.
  – Pelo que escutei, parece que ele queria mesmo que você fosse embora, mas que ele não iria te expulsar não.
  – Sinceramente? Não me interessa. Eu já saí de lá mesmo e não tenho a mínima vontade de voltar. Mas vamos mudar de assunto, e você e o Gustav, hein? – Perguntou Duda.
  – E eu e ele o que? Sei de nada disso não! - Falou Vick, rindo.
  – Ah, Vick! Fala! Então tá, o que você acha dele? – Insistiu Duda.
  – Assim... Ele é um fofo, né?! E é muito tímido! Mas é legal... E bonitinho também. – Respondeu Victória e as duas começaram a rir.
  – Hum... Então ele tem chance! – Exclamou Duda, feliz.
  – Assim... – Riu-se Victória. – Pode ser, né?! Pelo menos ele não parece nada com aquele idiota. – Concluiu Vick, lembrando-se do ex-namorado.
  – Não mesmo. – Concordou Duda. – Vamos voltar pra lá e você pede a ele pra dar um passeiozinho contigo pelo parque.
  – Sei... Um passeiozinho, né?! – Disse Vick, piscando o olho para Duda.
  As meninas então deram meia-volta e caminharam até onde estavam os outros, conversando. Aproximaram-se do grupo e Duda pôde escutar um pedaço da conversa entre Tom e Andreas.
  –... Elas são muito bonitas, Tom!
  – Obrigada! – Falou Duda, abaixando-se sorrindo ao lado do garoto.
  – Er... Não vi que você estava aí. – Disse Andreas com um sorriso meio envergonhado.
  – Não tem problema. – Falou Duda sorrindo e viu de relance Vick sair com Gustav pelo parque, piscando para ela. Duda abriu um sorriso ainda maior para a garota, mas quando continuou acompanhando-a com o olhar, seu sorriso se desmanchou. Viu Bill e Thaís sentados mais afastados, conversando de mãos dadas.
  – Senta aqui com a gente. – Falou Andreas fazendo com que Duda voltasse seu olhar para ele e retomasse seu habitual sorriso.
  – Tudo bem. – Falou Duda, mas ao olhar para Tom que a fitava fuzilando, mudou de ideia. – Er... Acho melhor não.
  Andreas compreendeu e olhou para Tom repreendendo-o.
  – Não. Eu faço questão que você sente aqui. – Falou ele, voltando-se para a garota.
  – Nesse caso, eu vou andar um pouco. – Falou Tom.
  – Não. Pode deixar que eu vou. – Disse Duda.
  – Não! Os dois vão ficar aqui. – Falou Andreas exigente, voltando depois a sorrir. – Vem, senta aqui.
  – Tá. – Falou Duda obediente, sentando-se ao lado de Andreas.
  – A gente estava aqui falando sobre uma festinha que os meninos estavam pensando em fazer hoje à noite. – Disse Andreas.
  – E vai dar tempo de organizar tudo? – Perguntou Duda, levantando uma sobrancelha.
  – Você esqueceu que a gente está falando de uma festa da banda Tokio Hotel?! – Perguntou Tom com um sorrisinho de deboche.
  – E vocês estão pensando em chamar quem? – Perguntou Duda, fingindo não ter escutado o garoto.
  – Algumas pessoas do fã clube aqui da Alemanha e alguns amigos só. – Respondeu Andreas.
  – Ah! Então até para uma pessoa que não fosse famosa seria uma festa rápida para organizar. – Falou Duda olhando para Tom que fechou a cara.
  – De qualquer forma, tudo pra gente é mais fácil. – Retrucou ele.
  – Você sempre consegue tudo o que quer, não é Tom? – Perguntou Duda.
  – É. – Confirmou o garoto.
  – Que bom então que as coisas nem sempre acontecem como você quer.
  – Claro que acontecem. Do que você está falando? – Perguntou Tom sem entender onde Duda queria chegar.
  – Eu soube que você queria me expulsar. Que bom que eu saí com minhas próprias pernas. – Falou Duda com um leve tom de irritação na voz.
  – Quem te falou isso?
  Andreas apenas observava, achava que era melhor que eles resolvessem aquilo sem a intromissão de ninguém.
  – Todo mundo sabe disso. Qualquer pessoa poderia ter me contado. Você não fez questão de esconder isso de ninguém. – Respondeu Duda com a voz um pouco alterada.
  Tom não percebeu, mas a garota demonstrava mágoa em cada palavra que pronunciava.
  – Você não pode falar nada, você não sabe se eu ia mesmo lhe expulsar. – Falou Tom também alterando a voz.
  – E daí? A vontade já basta pra mim. E você iria acabar me expulsando mesmo, uma hora ou outra. Sabe por quê? Porque você não consegue conviver com as diferenças. Você só pensa em você. Você não presta Tom! – Já gritava Duda.
  – Olha quem fala! Você não vale nada! – Gritava Tom também.
  – Que é que tá havendo aqui? – Perguntou Thaís, que acabava de chegar ao local com Bill, alertados pelas vozes alteradas dos outros dois.
  – Nada demais. Estávamos apenas trocando umas ideias. – Respondeu Duda forçando um sorriso e levantando-se logo depois. – Já vou indo. Até mais tarde gente. Foi um prazer conhecer você Andreas, e desculpa por qualquer coisa. – Falou Duda dando um beijo no rosto do garoto e acenando para o resto das pessoas no local.
  Quando Duda saiu, Thaís virou-se para Tom.
  – Agora me diga. O que foi isso?
  – Nada não, Tha. – Limitou-se Tom a responder.
  – Realmente não deve ter sido nada para vocês estarem gritando no meio do parque, né? – Disse Thaís.
  – Não foi nada que lhe interesse. Melhor agora? – Falou Tom, irritado.
  – Ei Tom, calma aí. – Falou Bill.
  Tom fez uma careta e levantou-se dizendo que ia comprar uma água.
  – Olhe, seu irmão está precisando de uma surra bem dada para ele deixar de ser malcriado. – Disse Thaís, chateada com a grosseria de Tom.
  – Ele está cada vez pior. – Comentou Bill, abraçando Thaís.
  – Ele só está aborrecido com a discussão que teve com a Duda. Mas foi melhor agora do que se tivessem deixado para depois. – Comentou Andreas.
  Nessa hora Tom passou por eles e sentou-se mais afastado. Abriu a garrafa e bebeu metade do seu conteúdo. Como se não surtisse o efeito que esperava, derramou o resto do líquido em sua cabeça.
  – Acho que alguém deveria ir falar com o Tom... – Falou Thaís, olhando para o garoto, preocupada.
  – Acho melhor não, amor. O Tom está precisando ficar sozinho. – Falou Bill, abraçando a garota.
  – Então tá. Eita! E a festa de hoje? Sai mesmo? Porque com a cara que o tom tá... Eu tenho minhas dúvidas...
  – Ninguém vai acabar com a minha festa, muito menos aquela garota. – Falou a voz irritada de Tom atrás de Thaís.
  – Dá para você parar de falar desse jeito, Tom? Porque eu não me lembro de ter te dado motivo para isso. – Falou Thaís, virando-se para o garoto.
  – Aquela sua irmã me tira do sério. – Falou ele em tom de desculpas.
  – Tá desculpado. – Falou Tha. – Mas cuidado com o seu jeito, pode ter alguém que não aceite suas desculpas.
  Tom apenas assentiu, com um sorrisinho no canto da boca.
  – Sim, e como vai ser a festa, hein? – Perguntou Bill, mudando de assunto.
  – Vai ser muito boa. Espere e verás. – Falou Andreas, rindo.
  – Não vejo a hora! Eu vou dançar muito! – Falou Thaís, animada.
  – Só dançar? – Perguntou Bill, com um olhar malicioso para a garota.
  – O que mais você sugere? – Perguntou Thaís devolvendo o olhar.
  – Não queira nem saber. Quando você chegar ao quarto dele, vai descobrir. – Interrompeu Tom, fazendo Bill fitá-lo com um olhar mortal.

  – Está gostando daqui? – Perguntou Gustav.
  – Estou adorando! Duda acertou quando me pediu para vir para cá. Eu realmente esqueci todos os meus problemas. – Respondeu Vick, sorrindo.
  – E você tinha tantos problemas assim? – Indagou ele, curioso.
  – Um em especial. – Falou Vick, baixando a cabeça e depois voltando a olhar para Gustav com um sorriso no rosto.
  – Hum... Quer me contar?
  – Bem, você vai achar besteira, mas é que meu namorado acabou comigo. E foram quase três anos juntos, sabe? Eu gostava muito dele e estava sofrendo muito. Mas agora eu já sei que ele é um idiota. – Disse Vick.
  – Eu acredito em você quando diz que ele é um idiota. Se não fosse, não te faria sofrer assim. Você merece alguém melhor...
  – Também acho! – Riu-se Victória. – Alguma sugestão?
  – Aí estão vocês! Nós estávamos esperando-os para irmos embora! – Gritou Thaís interrompendo Gustav que já havia aberto a boca para responder.

Capítulo 30
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