Um Bebê Para Lian & Key

Escrita porLelen
Editada por Lelen

Procedimentos, questões jurídicas e alguns acontecimentos podem não ter total relação com a realidade.


Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

Finalmente eles haviam liberado o processo para a adoção de Eva. Era dia da visita da assistente social à casa dos candidatos a pais. Julian e Mathias estavam completamente malucos e neuróticos com aquela notícia, precisavam causar uma boa impressão para passarem à próxima etapa do processo. As mãos de Lian estavam suando e Math não parava quieto no lugar. Estavam os dois uma pilha de nervos.
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  Julian estava indo preparar um café quando o interfone tocou e Mathias quase literalmente deu um pulo com o susto. Era isso, havia chegado a hora da verdade. Math foi atender ao interfone para deixar a assistente subir e então ambos trocaram olhares ansiosos.
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  A casa estava impecável. Não que normalmente ela já não fosse, mas os dois haviam reforçado um pouco mais na limpeza daquela vez. Estava tudo nos conformes, mas nada exagerado demais para que não parecesse artificial, para não dar a impressão de que tudo havia sido feito exclusivamente pela visita da assistente.
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  A campainha tocou e daquela vez os dois deram um salto. Mathias se endireitou e foi abrir a porta enquanto Julian secava o suor das mãos nas calças.
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  — Bom dia, Mathias, certo? — a assistente social o cumprimentou num aperto de mão animado. — Sou Dorothy Jones, a assistente do seu caso. — Sorriu.
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  — É um prazer finalmente conhecê-la, senhorita Jones.
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  A mulher encarou ao seu redor e fez algumas anotações na prancheta que carregava, depois ficou em silêncio como se estivesse esperando por algo.
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  — E então...? — Mathias perguntou um pouco sem jeito.
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  — Poderemos começar quando sua noiva Julia se juntar a nós. — Dorothy sorriu largamente e Lian parou onde estava, como uma estátua, absorvendo as palavras que aquela mulher havia acabado de proferir.
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  Mathias olhou em sua direção sem saber o que dizer e tampouco Julian sabia como se pronunciar com aquele pequeno erro...
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  — Hum... Bem... — Math murmurou um pouco sem jeito.
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  — O que foi? — a assistente perguntou inocentemente.
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  — Oi. — Deasey resolveu chamar a atenção da mulher para si. — Sou Julian, o noivo de Mathias. — Tentou ser o mais simpático possível.
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  O sorriso de Dorothy Jones foi se desfazendo aos poucos enquanto discretamente ia verificar sua ficha na prancheta.
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  — Oh... — ela murmurou erguendo as sobrancelhas. — Parece que esqueceram de uma letrinha aqui — disse encarando Lian, um sorriso falso nos lábios. — Sinto muito pela confusão.
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  O homem ia abrir a boca para se manifestar, mas Mathias foi mais rápido.
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  — Então, já que já nos conhecemos, podemos começar a visita? — perguntou esperançoso, tentando amenizar a situação desconfortante.
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  — Claro, claro. — Dorothy assentiu no mesmo instante, mas seus olhos pousaram sobre Julian novamente de uma forma que o incomodou um pouco.
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  Todo o apartamento foi apresentado e a assistente social ficou fazendo anotações em sua prancheta, então os três sentaram para conversar. Mathias e Julian ficaram lado a lado no sofá, de mãos dadas, enquanto Dorothy sentara-se na poltrona adjacente, encarando-os com uma postura superior que deveria ser intimidante.
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  — Bem, vocês... Pretendem casar quando? — perguntou, seus olhos se voltando ligeiramente para as mãos entrelaçadas de Mathias e Julian.
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  — Assim que tivermos uma resposta positiva sobre a adoção de Eva — Mathias murmurou com expectativa, de forma inocente e sonhadora. Mas Lian logo percebeu naqueles olhos escuros de Dorothy Jones que as chances eram mínimas se dependesse dela.
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  — Vi que o apartamento só tem um quarto, onde pretendem colocar a criança? — questionou, o tom amável e leve indo embora de sua voz.
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  — Estamos negociando um novo apartamento neste mesmo prédio, ele tem três quartos — Math disse radiante voltando-se para o noivo com um sorriso que o faria sorrir também se não fosse a assistente social os encarando. — E um dos quartos poderá ser o quartinho da bagunça de Eva! — Ele apertou firme a mão do companheiro de forma empolgada.
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  — Certo... — Dorothy murmurou fazendo mais anotações. — Vejo aqui que Mathias Wurfel trabalha como advogado. E quanto ao senhor, Julian Deasey?
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  — Sou pediatra numa clínica no centro e aos fins de semana faço plantão em um hospital comunitário — respondeu quase de forma ríspida, recebendo um leve cutucão da parte de Math.
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  Ela anotou mais alguma coisa e então se levantou.
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  — Muito bem, meu trabalho está feito por hoje — anunciou.
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  — Mas já? A senhora não gostaria de uma xícara de café ou chá? — Mathias perguntou levantando-se também.
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  Dorothy encarou o homem com certo ar de asco disfarçado e então recusou da forma mais educada que conseguira.
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  — Meu amor, a senhorita Jones deve ter mais casos para analisar, vamos deixá-la ir — Lian disse acompanhando a mulher até a porta.
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  — Mas...
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  — É a triste verdade, Math. Ela precisa ir — disse fechando a porta da forma menos delicada possível assim que a mulher botou os pés para fora do apartamento.
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  Julian foi até a cozinha pegar um café para tentar relaxar.
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  — O que foi, Lian? — Math foi a seu encontro com preocupação. — Foi por causa da confusão com os nomes?
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  Quem dera fosse apenas aquilo...
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  — Você percebeu a forma como ela nos olhou depois que descobriu que éramos um casal? — Deasey perguntou segurando a irritação.
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  — Julian, foi só um erro de grafia...
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  — Não, não foi um erro de grafia, Math! — exclamou. — Enquanto Dorothy pensava que eu era “Julia” ela foi completamente diferente de quando ela descobriu que eu era Julian — retrucou.
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  — A opinião pessoal dela sobre casais homossexuais não pode interferir no nosso processo — Mathias murmurou sério, agora compreendendo a situação.
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  Lian coçou a nuca e respirou fundo depois de engolir uma boa quantidade de café.
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  — Mas você sabe que vai... — retrucou largando sua caneca no balcão da cozinha e indo em direção à sala.
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  Mathias sentou-se ao seu lado no sofá e parecia frágil e angustiado.
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  — Por que precisa ser tão difícil assim? — questionou com a voz um tanto trêmula.
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  Julian o puxou para um abraço e ele se aninhou em seu peito.
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  — Nós sabíamos que seria complicado conseguirmos a guarda de uma criança — murmurou deixando de lado sua raiva pela assistente social para dar mais conforto a seu parceiro.
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  — Nós não vamos conseguir nossa Eva, vamos? — Math perguntou de forma deprimida, sem se desfazer do abraço.
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  Lian afagou seus cabelos e suspirou. Não podia deixar que a esperança dos dois morresse. Se um estava descrente o outro precisava acreditar. E naquele momento Julian precisava acreditar que tudo daria certo, que eles teriam sua garotinha com eles em breve.
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  — Vai dar tudo certo, meu amor — murmurou dando um beijo no topo de sua cabeça.
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  Depois de ficarem horas — haviam tirado o dia de folga dos trabalhos — conversando e tentando pensar positivo, Math decidiu ir visitar a casa da mãe para contar as “novidades” e Lian decidiu ir visitar Keira para tentar descontrair um pouco.
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  Quando chegou no andar da melhor amiga e tocou a campainha como sempre, Key abriu a porta com cara de acabada, pijamas e pantufas enormes nos pés.
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  — Tá tudo bem? — perguntou ele adentrando o apartamento.
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  — Tudo péssimo — ela resmungou indo se jogar no sofá.
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  — O que houve?
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  — Sinto como se tivesse sido violada — ela disse se encolhendo ao deitar.
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  — Como assim?
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  — Hoje foi o dia da inseminação... — resmungou.
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  — Você não deveria estar feliz? — Julian questionou indo se sentar numa poltrona perto de onde a cabeça de Keira se encontrava coberta por um lençol.
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  — Eu estou feliz — disse de forma abafada. — Mas dolorida — explicou.
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  Deasey ergueu a sobrancelha sem entender muito bem. O processo de inseminação costuma ser indolor…
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  — Mas…
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  — A doutora Pearson disse que usaria o cateter mais fino que tinha no consultório, mas que poderia ser um pouco desconfortável já que eu sou virgem...
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  Claro, como ele podia ter esquecido daquele pequeno detalhe?
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  Keira Christensen era virgem. E aquele processo de inseminação intrauterino deveria tê-la traumatizado... E agora ela estava mais abatida do que quando havia recebido a notícia de que não fora aceita como técnica de informática na empresa que ela mais almejava.
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  — Ah, Keikey, eu sinto muito por você ter de passar por isso... — Lian murmurou botando a mão em sua cabeça.
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  — Já está passando. — Ela meio que fungou e se endireitou para encarar o melhor amigo. — E como foi a visita da assistente? — perguntou abraçando uma almofada como uma criança.
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  Julian coçou a nuca um pouco desconfortável, mas contou como a visita tinha acontecido. Keira não escondeu a diversão sobre o fato de Dorothy ter chamado Julian de Julia, ela gargalhou até sentir falta de ar.
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  — Oh meu Deus, Lian! — exclamou entre risos. — Eu queria ter estado lá para ver a sua cara! — Gargalhou mais ainda.
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  — Haha. Besta — retrucou.
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  — Desculpe, mas foi engraçado — ela disse tentando se recompor.
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  — Poderia ter sido engraçado se fosse só a questão do nome — Lian murmurou sério, o que a fez parar de rir e olhar em sua direção. Então finalmente compreendeu.
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  — Ah, não... — Foi o que ela soltou com seu melhor tom de ultraje.
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  — Pois é…
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  — Essa Dorothy sei lá o que não pode se atrever...!
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  — Estamos nas mãos dela, Keikey. Não há nada que possamos fazer se ela decidir que nós não somos o casal perfeito para adotar Eva.
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  — Processem ela por homofobia! — Keira praticamente berrou, o rosto ficando avermelhado com a raiva que lhe subia.
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  — Não temos provas, Key. E além disso, pode ser só minha imaginação. — Julian tentou se convencer daquilo ao mesmo tempo em que falava.
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  Keira o encarou com os olhos semicerrados e bufou. Ela sabia que o amigo não era o tipo de cara que enxergava preconceito e homofobia em tudo e em todos, e se ele desconfiava de algo, ela sabia que na maior parte das vezes era real.
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  — Se vocês não forem aprovados para Eva, eu vou pessoalmente dar umas na cara dessa Dorothy — Keira disse cerrando os punhos e com ar de determinação, o que fez o homem rir. — O quê?
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  — Fiquei imaginando uma mulher grávida aos tapas com uma assistente social, só isso. — Riu novamente.
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  — Grávida ou não, ela vai apanhar! — Key disse fazendo sua expressão mais maquiavélica.
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  — Keira, querida. Melhor se acalmar — ele murmurou fazendo a amiga se deitar novamente.
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  — Mas eu quero que ela se ferre — a mulher resmungou, mas deixando que o amigo a deitasse.
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  — Tudo vai se resolver da melhor forma para todos nós. Espero — ele acrescentou no final.
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  Era engraçado o fato de Julian ter ido até Keira para desabafar e no final estar defendendo uma ideia nem tão negativa assim. Ele sentia bem lá no fundo que a adoção de Eva não daria certo naquele momento, mas também sentia que algo estava preparado para ele. Só restava esperar para saber o quê.
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  Nota: Nossa, acho que essa é a história longa com mais diálogos que eu já escrevi HSAOIHDOIASHD
  Por alguma razão eu acho que diálogos cabem mais do que descrições nessa história, então perdão, com o passar do tempo a gente vai amadurecendo as coisas (já é a 3ª revisão de Um Bebê e algumas coisas mudaram ligeiramente kkkkk).
  E bom, a merda foi jogada no ventilador. Daqui pra frente vai ter uns para trás, mas prometo que prosseguiremos com rapidez HAHAHAHAHAH

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Liv
Finalmente eles haviam liberado o processo para a adoção de Eva. Era dia da visita da assistente social à casa…" Leia mais »

to ansiosa junto com eles

Liv
  — Não, não foi só um erro de grafia, Math! — exclamou. — Enquanto Dorothy pensava que eu era “Julia”…" Leia mais »

Eu vou bater nela 😠😠😠😠

Liv
  — Vai dar tudo certo, meu amor — murmurou dando um beijo no topo de sua cabeça." Leia mais »

to torcendo por vcs!!!!!! de um jeito ou de outro, vai dar tudo certo 💜💜💜

Liv
  — Processem ela por homofobia! — Keira praticamente berrou, o rosto ficando avermelhado com a raiva que lhe subia." Leia mais »

eu assim lendo

Liv
  — Se vocês não forem aprovados para Eva, eu vou pessoalmente dar umas na cara dessa Dorothy — Keira disse…" Leia mais »

eu assim 2

Liv
  Era engraçado o fato de Julian ter ido até Keira para desabafar e no final estar defendendo uma ideia nem…" Leia mais »

um misto de tristeza com felicidade, né ajsjsjsjjsnssn

Liv

Já pode mandar o próximo capítulo 😌

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