Um Bebê Para Lian & Key

Escrita porLelen
Editada por Lelen

Procedimentos, questões jurídicas e alguns acontecimentos podem não ter total relação com a realidade.


Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

Por Keira

Era segunda de manhã e eu estava ansiosa para entrar no consultório da doutora Pearson para que ela avaliasse meus exames e dissesse que tudo estava perfeitamente normal para que pudéssemos dar início aos preparativos da inseminação. Foram os dez minutos de espera mais longos da minha vida. Quando Sophia — a médica — finalmente me chamou, eu dei um pulo de minha poltrona na recepção e quase corri em sua direção.
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  — Você parece animada, Keira — a doutora Pearson comentou enquanto fechava a porta e ia em direção à sua mesa.
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  — Hoje é o começo do grande dia! — Esfreguei as mãos com empolgação e entreguei os resultados da bateria de exames que havia feito.
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  Sophia passou página por página dos exames de sangue, ultrassons e todas aquelas coisas em um silêncio que quase me matou de ansiedade.
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  — Sophia, pelo amor de Deus...
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  — Está tudo em ordem — ela murmurou guardando os últimos exames em seus devidos envelopes. Soltei um suspiro de alívio e me deixei relaxar na cadeira.
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  — Quando podemos começar? — perguntei sentindo a ansiedade retornar aos poucos em mim novamente.
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  — Poderemos iniciar os preparativos assim que você menstruar — a doutora explicou. — No segundo dia de sua menstruação começaremos a aplicação dos hormônios.
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  Fiz as contas nos dedos e ainda faltava meio mês para que eu finalmente menstruasse, seriam longos quinze dias e aquilo estava começando a me deixar nervosa.
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  — Querida, vai dar tudo certo — Sophia disse sorrindo. — E ansiedade só piora as coisas nesses momentos — pontuou.
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  Ela estava certa, eu não podia ficar ansiosa daquela forma. Eu bem sabia que quando alguma coisa incomum mexia com meu psicológico minha menstruação começava a desregular. E não era aquilo que eu queria. Respirei o mais fundo que consegui e depois de alguns segundos prendendo a respiração, expirei.
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  — Tudo bem, eu vou conseguir — murmurei para mim mesma.
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  — Volte aqui em... — A doutora olhou em seu computador. — Quinze dias, certo?
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  Assenti.
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  Saí do consultório da doutora Pearson feliz e ao mesmo tempo angustiada. Tão perto e tão longe! Eu não podia menstruar naquele exato momento e começar o tratamento no dia seguinte?
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  Peguei o carro no estacionamento e dirigi sem pressa para chegar em casa. Dirigir me fazia não pensar nas coisas. Eu apenas me sentava ao volante e tudo no que tinha que me concentrar era no meu caminho. Só. Então o telefone tocou e toda a concentração foi para o lixo. Aproveitei o farol fechado para colocar o telefone no viva-voz.
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  — E aí, como foi? — Ouvi a voz de Tricia soar animada e curiosa.
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  — Está tudo bem e em quinze dias poderei começar o tratamento.
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  — Quinze dias? Por que quinze dias?
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  Com um suspiro expliquei a Tris como todo o tratamento funcionava e como eu infelizmente precisava esperar o segundo dia da minha menstruação para poder começar tudo de verdade.
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  — Mas quinze dias passam rápido!
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  — Deus te ouça, Tris, Deus te ouça... — murmurei voltando minha atenção para o tráfego à minha frente. — Eu estou tão ansiosa! — exclamei.
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  — Amiga, você realmente é doida — Tricia rebateu. — Quer dizer, se tivesse um homem envolvido nessa história eu até entenderia a sua ansiedade, mas...
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  — Tecnicamente vai ter um homem. Eu só não vou saber quem é e nem vou ter que ter relações com ele.
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  — Aí é que está! Você vai pular a melhor parte!
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  Revirei os olhos. Acho que para pessoas “convencionais” como Tricia era realmente difícil de entender pessoas “nem-tão-convencionais” como eu. Eu, Keira Christensen, a mulher sem desejo sexual. Para Tris aquilo era tão esquisito quanto um cara dançando pelado no meio da rua. Para mim, beijar ou transar com um cara era tão esquisito quanto tudo isso era esquisito para Tricia.
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  — Você pode ficar com essa parte, Tris. Eu só quero o meu bebê — respondi.
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  — E você pode ficar com seu bebê, eu ainda sou muito nova para essas coisas — ela resmungou de volta.
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  Tris e eu tínhamos a mesma idade e por mais que agíssemos como adolescentes loucas de vez em quando, nós duas tínhamos ideais diferentes para nosso futuro. Ela queria diversão e alguns caras para amar antes de finalmente se estabelecer e talvez começar uma família. Eu queria uma família sem cara nenhum e só com meu bebê. Não era assim tão difícil de aceitar.
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  — Sério, você vai deixar um médico enfiar um tubo em você, mas não deixa um cara enfiar...
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  — Tricia, eu já decidi que vai ser assim e pronto — eu a interrompi antes que as coisas saíssem de controle.
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  — Você não tem jeito mesmo — ela murmurou. — Então só me resta esperar meu sobrinho sem pai.
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  — Ele vai ter um progenitor e uma mãe que vai amá-lo muito. É o bastante.
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  — Progenitor não é o mesmo que ter um pai! E sério, qual seria o problema em tentar da forma tradicional?
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  — Tchau, Tricia — eu disse desligando o celular. Havia acabado de chegar ao meu prédio.
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  Eu havia ligado para meus pais há algum tempo para contar meu plano de ser mãe. Meu pai logo saiu da ligação quando as coisas começaram a rumar para “coisas de mulher” dizendo que qualquer escolha que eu fizesse ele estaria apoiando, contanto que ele não tivesse que conhecer nenhum aproveitador barato interessado apenas em nosso dinheiro. Já minha mãe fizera a mesma pergunta que Tris “Qual era o problema em tentar da forma tradicional?” e lá fui eu tentar explicar mais uma vez à minha mãe qual era o problema.
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  Desde muito jovem tanto ela quanto eu sabíamos que eu não era lá “normal” com relação a namoros e relações mais íntimas. Fui obrigada a ir a médicos e psicólogos para tentar “sanar” o “problema”, mas aquilo não era um problema, aquilo era eu. Simplesmente como eu era e ainda sou.
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  Eu não teria um marido. Não teria um namorado. Não teria nem mesmo um caso de uma noite. Só teria a mim mesma e, contando com a sorte, meu bebê. E eu não precisava de mais nada. Talvez só um cachorro para ter mais companhia. Mas mais nada além disso para ser feliz.
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  Cheguei em casa e fui direto para minha máquina de café para tomar “um gás” e finalmente começar a trabalhar. Eu havia conseguido resolver o problema da Saunders Tech, mas agora eles queriam que eu mudasse a interface e o design de outro software para que a usabilidade dele se tornasse mais prática.
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  Quem diria que minhas aulas de web design e design digital serviriam para alguma coisa neste momento da minha vida. Ok. Julian havia me dito. E me obrigado a fazer os cursos dizendo que um dia eles seriam necessários para mim. E cá estou...
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  Fiz pesquisas e pensei de forma prática para poder enviar um esboço para a Saunders o mais rápido possível, porém, isso me tomou mais da metade do meu dia e, quando percebi, me vi ansiosa e apreensiva novamente pensando no meu futuro bebê e os quinze dias que me separavam de quase tê-lo.
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  Olhei para o relógio e decidi ligar para Julian. Eram quatro e meia e ele geralmente terminava seu expediente às quatro em dias normais na clínica, então não havia o problema de atrapalhar alguma consulta. A não ser é claro, se não fosse um dia normal na clínica. Mas decidi arriscar mesmo assim.
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  — E aí, Keikey? — Ouvi a voz de meu melhor amigo soar do outro lado da linha.
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  — Você está livre para falar? — perguntei torcendo para que estivesse.
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  — Estou terminando de ver algumas coisas na clínica, mas pode falar.
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  — Não é nada de mais, é só que eu estou muito ansiosa — murmurei começando a andar de um lado para o outro com o telefone na mão.
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  — Ansiosa para q... — Lian se interrompeu. — Ah, a coisa toda a inseminação! — exclamou se lembrando. Era por isso que eu amava Julian. — E então, deu certo?
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  — Tenho que esperar mais quinze dias para poder começar o tratamento — resmunguei.
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  — Mas por que é que... Ah! O ciclo menstrual... — Ele mesmo respondeu à pergunta.
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  — Estou ansiosa, Lian! — disse num tom completamente manhoso, preciso admitir. — São quinze dias! — reclamei e ele soltou um muxoxo.
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  — São apenas quinze dias — retrucou. E então me lembrei de quanto tempo Julian e Mathias estavam esperando pela guarda de Eva. Então me senti terrível e egoísta por estar ligando para Lian para reclamar dos meus quinze dias.
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  — Ai, Lian, me desculpe por te incomodar com uma besteira dessas... E quanto à Eva? — perguntei rezando para que não tivesse estragado ainda mais a conversa.
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  — Ainda estamos no mesmo pé. Ao menos parece que o pedido foi enviado para análise. Vamos ver quanto tempo mais teremos de esperar...
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  — Ah, Lian! — exclamei querendo me chutar. — Eu sinto muito. Eu nem deveria ter ligado para te atrapalhar. Eu sou uma péssima amiga — quase choraminguei.
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  — Key, ainda está um pouco cedo para sua TPM, querida — Julian murmurou um tanto desdenhoso e logo depois riu, o que me fez ficar um pouco mais aliviada.
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  — Eu só não queria te deixar preocupado com a história da Eva — expliquei.
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  Eva era um assunto delicado. Fazia mais ou menos quatro meses que Mathias e Lian haviam decidido adotá-la como um casal. Eles estavam pensando em adoção fazia mais de um ano e durante esse tempo ficaram indo de orfanato em orfanato à procura da criança que tocaria seus corações. E essa criança foi a pequena Eva, de um ano e meio. Lembro que “Eva” era o nome que Lian queria colocar em sua filha caso tivesse uma no futuro e por isso acho que essa menininha foi feita para esses dois. Mas não estava apenas nas mãos de Lian e Math a decisão de dar um lar para Eva. Precisavam do consentimento do juizado de menores e da assistente social que avaliariam se eles seriam uma boa família para a criança. O que nos leva à questão do preconceito. A porcentagem de aceitação de casais gays para adoção era muito baixa, apesar de haver algumas adoções aceitas. Todos nós tínhamos medo de que Julian e Mathias estivessem junto com a maioria dos casais homossexuais da lista.
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  — Keikey, lembra da minha filosofia? — Lian perguntou sério.
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  “Se for para ser, será...” murmuramos em uníssono. Era o que eu levava para mim também, mas o desejo de que tudo desse certo era ainda maior do que essa filosofia. Eu só queria ver meu melhor amigo podendo ser feliz e completo tanto quanto eu poderia ser e seria.
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  — Tudo vai dar certo, de um jeito ou de outro — Julian disse numa mistura de sentimentos, eu só não sabia distinguir quais...
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  Nota: Logo mais chegaremos ao momento em que a desgraça baterá à porta, mas acho que ela vai durar pouco YAY!

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Liv
  — Aí é que está! Você vai pular a melhor parte!" Leia mais »

cara, entendo que vc não entende mt bem, mas tu tá sendo chatona, pelo o amor

Liv
  — Sério, você vai deixar um médico enfiar um tubo em você, mas não deixa um cara enfiar..." Leia mais »

meu deus do céu, alguém para essa amiga

Liv
  — Tricia, eu já decidi que vai ser assim e pronto — eu a interrompi antes que as coisas saíssem…" Leia mais »

certissima!!!

Liv
  — Progenitor não é o mesmo que ter um pai! E sério, qual seria o problema em tentar da forma…" Leia mais »

CRL TU É MUITO CHATA NEM TENTA ENTENDER A SUA AMIGA POR DEUS

Liv
  Desde muito jovem tanto ela quanto eu sabíamos que eu não era lá “normal” com relação a namoros e relações…" Leia mais »

tadinha 🙁 mas que bom que ela se ama do jeito que é e sabe que não tem nada de errado

Liv

MULHER, QUE DESGRAÇA O QUE?????? TÁ DOIDA??????
eu to ansiosa para saber como que eles decidiram ter um baby juntos aaaaa

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