Um Bebê Para Lian & Key

Escrita porLelen
Editada por Lelen

Procedimentos, questões jurídicas e alguns acontecimentos podem não ter total relação com a realidade.


Capítulo 27

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

Por Keira
Dois anos depois

As coisas não poderiam estar mais maravilhosas em minha vida do que estavam naquele momento. Finn e Lian estavam com o casamento às mil maravilhas e apesar de Finn ainda não querer se impor muito como pai, estava fazendo um ótimo trabalho mesmo assim.
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  Marco já estava na primeira série e vivia fazendo perguntas que às vezes surpreendia e nos fazia ter que pensar bastante antes de responder.
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  — Mamãe, papais, por que eu tenho dois pais e uma mãe e a maioria dos meus colegas só tem um de cada? — Havia sido uma das perguntas que ele fizera.
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  Nós três nos entreolhamos e ficamos silenciosamente passando a bola um para o outro, mas, como sempre, o início da conversa sobrou para mim.
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  — Filho, por que está perguntando isso? — comecei.
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  — Nada, eu só estava observando e percebi. — Deu de ombros.
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  — Bem, meu amor... — Eu me abaixei para poder ficar de sua altura. — Às vezes existem alguns tipos de família que são diferentes — eu disse. — Isso te incomoda? — perguntei com certo medo da resposta.
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  — Não, mamãe. Eu amo você e os meus dois papais. — Ele sorriu e eu quis apertá-lo em meus braços.
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  — Marco, amor, na vida às vezes algumas pessoas não vão entender o nosso tipo de família, talvez digam coisas que podem te magoar. — Fui tentando explicar e ele balançou a cabeça.
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  — Um dia Luke disse que minha família era esquisita — Mac murmurou. — Eu fiquei chateado, mas logo nem dei bola porque eu sei o quanto vocês me amam. — Ele me abraçou. — E eu amo vocês — disse, e então Finlay e Julian vieram ao nosso encontro para nos abraçar também.
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  Eu tinha orgulho do nosso pequeno. Muito orgulho. Ele era um pequeno homem e só tinha seis anos e meio. O que mais pais babões como nós três poderiam querer?
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  Mas menos de um mês depois daquela conversa, recebi um bilhete no caderno de Marco e fiquei surpresa, já que o mesmo dizia que a diretora e a professora queriam fazer uma reunião comigo e com o pai de Mac para falarem sobre um ocorrido na sala de aula. Fiquei extremamente estupefata com aquele bilhete, já que Marco não era de briga e, desde o jardim de infância, eu não recebia bilhetes do tipo. A reunião seria naquela mesma tarde. Liguei para Lian e Finn e os dois vieram imediatamente, pegamos Mac e fomos até a escola.
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  A diretora nos acompanhou até uma sala de reuniões onde uma mulher e um garoto estavam sentados em um canto, e dois homens e um garoto em outro, todos em um silêncio de velório.
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  — Bem, agradeço por todos poderem ter vindo — a diretora disse. — Professora Anna, por favor…
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  — Boa tarde, senhores — a professora de meu filho nos cumprimentou. — Acho que já sabem por que pedi que os chamassem aqui, sim?
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  — Na verdade, não — respondi. — Seu bilhete foi muito vago, professora. Eu não faço a menor ideia do que está acontecendo — murmurei e vi Mac se encolher um pouco no colo de Finn.
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  — Então Marco não lhe contou o que aconteceu hoje de manhã?
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  — Não…
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  — Eu vou contar o que aconteceu! — A mulher com o menino ergueu a voz parecendo furiosa. — Esse seu filhinho
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  — Ah, desculpe, mas nos conhecemos? — perguntei à mulher. — Meu nome é Keira Christensen e esse meu “filhinho” se chama Marco — apresentei.
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  A mulher se calou enfezada em seu canto.
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  — Bem, senhora Christensen... — Anna continuou. — Hoje de manhã tivemos um pequeno incidente envolvendo Marco, Luke e Conrad — explicou. — Os três começaram a discutir e Marco... Bem, Marco fez Luke chorar.
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  Eu encarei Anna com o olhar bastante confuso. Estávamos tendo aquela reunião no meio da tarde só porque Luke chorou?
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  Pedi para que Finn soltasse Marco e eu me ajoelhei à sua frente.
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  — Filho, me conte o que aconteceu — pedi, ignorando a mulher, provavelmente mãe de Luke, que se exaltava em seu canto, sendo calada pela diretora que pediu silêncio.
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  — Mamãe, não briga comigo, eu juro que não fiz por mal... — Mac murmurou fazendo bico.
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  — Eu não vou brigar com você, mas precisa contar o que aconteceu — eu disse encarando-o séria.
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  Ele assentiu.
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  — Eu estava brincando com Conrad na hora do intervalo quando Luke veio dizer a Conrad que ele era esquisito por ter dois pais — Mac dizia e ia apontando para cada um para que eu soubesse quem era quem. Até ali eu não havia visto nada que pudesse fazer o pequeno Luke chorar.
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  — Continua, meu amor — pedi.
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  — Daí eu disse para Luke que Conrad e eu tínhamos muito mais sorte por termos dois pais do que ele que não tinha nenhum... — Marco terminou sua narrativa baixando a cabeça parecendo envergonhado.
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  — Ah, meu amor... — eu disse o abraçando.
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  — Ah, meu amor? — A mãe de Luke se levantou com raiva. — É assim que você educa seu filho quando ele faz uma coisa errada? — Ela apontou para mim de forma acusadora.
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  — Olha, senhora mãe do Luke, pelo que posso ver aqui, a única que fez algo errado foi a senhora ao educar Luke para ser intolerante às diferenças — murmurei me levantando para encarar aquela mulher que eu mal conhecia e já havia criado uma bela antipatia.
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  — Você não tem o menor direito de dizer como eu devo educar meu filho, sua esquisita! — a senhora exclamou como se fosse a dona da razão.
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  Eu queria muito responder àquilo mas engoli todas as ofensas que me vieram à mente e me virei à professora e à diretora.
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  — É só isso? — perguntei. — Porque eu não vi nada de mais no que meu filho fez, ele defendeu um amiguinho de um menino que mal saiu das fraldas e já tem traços preconceituosos. Não é culpa do meu filho a intolerância ou ignorância que os pais passam para os seus filhos em relação a isso. A única coisa que posso fazer é dizer a Marco que não é bonito diminuir os outros pelo que eles têm ou deixam de ter, mais nada porque ele não fez nada de errado — disse sentindo minhas bochechas corarem com a raiva me subindo.
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  — Sim, é só isso — a diretora disse sorrindo em minha direção.
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  — Como assim é só isso? Não é só isso! E quanto à vergonha que meu filho passou chorando na frente de todo mundo, hein?
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  Eu tamborilei meus dedos sobre meu braço quase bufando e me segurando para não voar no pescoço daquela mulher infeliz, mas quem se pronunciou foi Finn.
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  — Oi, senhora sei lá o que... — Ele sorriu com seu sorriso mais infantil do mundo. Que boboca. — Eu acho que a única pessoa que precisa pedir desculpas aqui ao seu filho é a senhora — ele murmurou como se desse de ombros —, afinal, por que o seu filho passaria vergonha por chorar? — ele questionou como se fosse óbvio. — E se ele pensa que chorar é uma vergonha, então a senhora ensinou tudo errado a ele. Ei, Luke — Finn chamou o garoto que parecia um pimentão de tanta vergonha —, não é vergonha chorar na frente dos outros. Os homens também choram. — Ele sorriu e eu quase pude ver um sorriso nascer nos lábios do pequeno Luke de volta, se não fosse a mãe dele o puxando com severidade para que levantasse.
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  — Ora. Eu não tenho que ficar aqui ouvindo como educar o meu filho por gente como você — ela disse arrastando o garoto consigo para fora da sala de reuniões.
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  Eu encarei a diretora e a professora que suspiraram com alívio.
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  — Foi a mãe de Luke que convocou a reunião, eu sinto muito. — A diretora foi a primeira a se pronunciar. — Ela acabou de se separar do marido e é bastante intolerante, devo dizer.
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  — Pobre menino... — um dos pais de Conrad murmurou se levantando. — Sou Mark e aquele é meu marido Jeff — eles nos cumprimentaram. — Queria agradecer por seu filho ter defendido o nosso.
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  — Queria que ele não tivesse de ter feito isso — murmurei um pouco chateada.
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  Ficamos conversando por algum tempo e Mark e Jeff explicaram que haviam adotado Conrad com pouco mais de seis meses, e nós explicamos como era a nossa família não-convencional. Me senti uma verdadeira mãe fazendo amizade com outros pais na escola do filho naquele momento e ver os dois homens da minha vida serem pais do meu garotinho fez com que um sorrisinho involuntário surgisse nos meus lábios.
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  Eu não sei o que houve com Luke depois daquela reunião, mas ao que parece, a mãe dele decidiu transferi-lo para uma escola com pessoas menos “esquisitas” do que aquela. Eu não podia ver final mais feliz para nós do que aquele, sinceramente…
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