Um Bebê Para Lian & Key

Escrita porLelen
Editada por Lelen

Procedimentos, questões jurídicas e alguns acontecimentos podem não ter total relação com a realidade.


Capítulo 22

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

Por Keira

As primeiras semanas como mãe de primeira viagem me deixaram completamente perdida e sem energia. Graças a Deus Julian havia conseguido ficar com o apartamento ao lado do meu e, como havia prometido, conectou ambos com uma porta no meio do corredor de quartos. Eu havia decidido deixar o berço de Marco em meu quarto durante os primeiros meses já que estava com o sono pesado e tinha medo da babá eletrônica falhar ou eu simplesmente não escutar quando ele chorasse. Obviamente Lian vivia mais no meu apartamento do que no dele, mas nós dois já havíamos nos acostumado com aquilo. Vez ou outra era ele quem cuidava de Mac durante a madrugada me acordando apenas quando a questão era a amamentação. Julian estava se saindo um belo pai coruja e babão.
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  Meus pais decidiram vir me visitar já que eu havia realmente realizado a loucura de ter um filho sozinha. Lian cedeu seu lado do apartamento para que meus pais pudessem ficar o quanto tempo quisessem e minha mãe estava completamente louca com Marco. Ela havia trazido vários presentinhos que seriam úteis apenas futuramente, como um mordedor para quando os dentinhos estivessem nascendo, alguns bichinhos de pelúcia e roupas para bebês de três meses.
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  — Essas crianças crescem rápido demais! Você vai ver, quando menos esperar, vai estar usando essas roupas — ela disse analisando o que havia trazido para seu mais novo neto. — Eu ainda não acredito que você fez mesmo essa loucura de inseminação... — Ela balançava a cabeça negativamente. — Mas pelo menos meu netinho é lindo e saudável — mamãe murmurou lançando um olhar todo apaixonado na direção de Marco que estava em meu colo, sonolento.
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  Papai não ligou muito para como eu havia arranjado um bebê que ele podia chamar de neto, mas adorou poder segurar Marco pela primeira vez e, como sempre, o encanto dos recém-nascidos aconteceu. Todos estavam apaixonados por meu filho. Aliás, meu e de Julian.
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  — Senhor e senhora Christensen, os senhores podem ficar em meu apartamento, esta porta faz ligação entre os dois, então podem ir e vir à vontade — Lian disse todo cortês e educado.
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  — Senhor e senhora Christensen, Julian? — Mamãe virou-se para encarar meu amigo. — Nós te conhecemos desde que saiu das fraldas, pelo amor de Deus, menino! — ela retrucou caminhando para a parte de Julian do apartamento sem dar chance para que ele respondesse, eu apenas ri e ele coçou a nuca um tanto encabulado.
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  — É que já faz um bom tempo que eu não os vejo, né? — ele murmurou para mim que apenas dei tapinhas solidários em seu ombro.
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  — Papai e mamãe sempre te amaram, Lian. Você é como um segundo filho para eles. Devia chamá-los de tio e tia. — Revirei os olhos e ele gargalhou.
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  Ainda estava no primeiro mês com Marco e me acostumando aos seus horários de amamentação. Decidi deixar um despertador para que não me esquecesse e para que Mac não precisasse chorar para eu me lembrar de que precisava alimentá-lo. Quase na mesma semana em que meus pais chegaram, os pais de Lian também vieram ver a pequena surpresinha que seu filho resolveu aprontar. Claro que minha mãe e meu pai tinham um dedo no meio disso, já que os senhores Deasey não viriam até aqui pelo filho. Pelo menos não o senhor Deasey, o pai de Julian.
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  No início parecia que tudo estava indo muito bem, estávamos conversando sobre como as coisas estavam indo para cada um de nós e a mãe de Lian e minha mãe não paravam de ficar olhando para Marco e o pegando no colo quando uma delas percebia que ele estava acordado.
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  — Mas me expliquem vocês dois — a senhora Deasey exclamou apontando para mim e Julian — como foi que vocês me aprontaram isso? — perguntou erguendo a sobrancelha. — E o mais importante: por que eu não fui avisada antecipadamente que seria avó? — retrucou fazendo cara feia para o filho.
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  — Nós decidimos tentar de última hora, mãe... — Lian disse tentando evitar uma longa história a ser contada. — E eu não contei para a senhora porque... — Ele parou de falar e lançou um rápido olhar em direção ao pai que estava sentado com uma carranca nada agradável em minha poltrona.
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  — Ora, mas eu sou avó e tinha o direito de saber que meu filho ia ser pai! — a senhora Deasey exclamou. — Oh meu Deus, eu sou avó! — Ela abraçou minha mãe que estava sentada ao seu lado. — Eu nunca pensei que seria avó, Lian.
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  — Ah, Janet, eu menos ainda... — mamãe disse revirando os olhos e me fazendo lançar à ela um olhar nada amigável. — Ora, filha, você sempre me disse que não queria se casar e que não tinha o menor interesse em sexo… E Julian eu imaginava que acabaria adotando uma criança e eu estava preparada para isso, mas ter um neto sangue do meu sangue... Ah, isso é demais!
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  — Mas como foi que vocês decidiram fazer isso? — Janet, mãe de Julian, perguntou não querendo deixar o assunto morrer.
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  — Ah, bem... — eu murmurei vendo que Lian não estava lá muito confortável com a presença de seu pai. — Vocês sabem, nós somos melhores amigos desde criança, estávamos querendo a mesma coisa... Então por que não unir o útil ao agradável? — tentei resumir.
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  — Own, vocês formam um par perfeito! — mamãe exclamou toda boba. Agradeci mentalmente por ela não ter usado a palavra “casal”.
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  — Formariam se Julian não fosse aquele tipo de pessoa. — Pela primeira vez o pai de Lian se pronunciou e eu senti toda a alegria e harmonia do ambiente se esvaindo, até mesmo Marco se remexeu em meus braços e resmungou um pouco.
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  — E qual o problema nisso, senhor Deasey? — tomei a liberdade de perguntar.
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  — Não é natural. — O senhor carrancudo dirigiu seu olhar mais frio em minha direção.
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  — Pois eu acho que foi a melhor escolha para os dois — mamãe interveio ainda toda boba com Marco em meus braços.
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  — A melhor coisa? — o pai de Julian perguntou com certo asco na voz. — Garotinha, já imaginou o que fará se esse seu filho for aquele tipo de gente também? — O homem virou-se com tanta ira no olhar em minha direção que eu quase pude tocar o sentimento.
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  O recinto caiu em um silêncio incômodo até que Marco começou a se remexer e a chorar em meus braços eu o segurei com mais força contra meu peito e tentei niná-lo mesmo sentindo um pequeno ódio do avô paterno de meu filho.
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  — Senhor Deasey, use a palavra — eu disse um tanto entredentes. — Se Marco for gay eu vou ser a mãe dele e amá-lo da mesma forma que amarei se ele não for — respondi sentindo minha face esquentar um pouco com a raiva que vinha me subindo. Como depois de tantos anos aquele homem ainda continuava com uma concepção tão arcaica sobre o próprio filho? — O que o senhor deveria estar fazendo com seu filho. Julian é sangue do seu sangue e não é por sua teimosia que ele deixará de ser seu filho.
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  — Não sei do que está falando, garotinha. — O senhor Deasey desviou o olhar e fechou a cara novamente.
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  — O senhor deveria se orgulhar do filho que tem por seu caráter, por seu bom coração, pelas coisas boas que ele faz, e não odiá-lo por um simples detalhe que não muda nada do que ele é — eu disse com a raiva realmente subindo à cabeça. Eu apenas não havia levantado de onde estava porque Marco estava em meu colo e porque Julian segurava firmemente em meu braço.
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  — Ok, já chega — Janet murmurou antes que o marido abrisse a boca novamente. — Está na hora de deixarmos o bebê descansar.
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  — Oh, com certeza, já tomamos tempo demais aqui — mamãe concordou, puxando papai pelo braço em direção à porta que levava ao apartamento ao lado, Janet fazendo o mesmo. — Nos vemos mais tarde, ok, querida?
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  — Claro, mamãe... — respondi um pouco a contragosto.
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  Quando ficamos sozinhos Lian pediu para que eu passasse Marco para ele. Quando ele o pegou, percebi que lágrimas intensas escorriam de seus olhos e uma ou outra caía sobre a manta na qual Mac estava enrolado. Eu fiquei completamente sem ação ao ver aquela cena. Julian abraçou Marco com cuidado e continuou chorando de uma forma que me fez sentir uma pontada de dor no peito.
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  — Lian... Eu sinto muito... — murmurei me agachando com um pouco de dificuldade por conta dos pontos recentes da cesariana. — Eu não deveria ter dito aquelas coisas ao seu pai e...
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  — Não, Keikey, você foi perfeita... — ele murmurou entre uma fungada e outra.
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  — Então por que você está chorando assim? — perguntei confusa.
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  — Porque eu sei que meu filho vai ter apoio para o que quer que ele decida ou precise na vida, tanto da minha parte quanto da sua — ele disse fracamente. — Eu te amo, Keikey...
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  — Eu te amo, Lian... — murmurei dando um jeito de abraçar os dois, Lian e Marco, da posição em que me encontrava. E ficamos ali, aproveitando a companhia e a quentura daquele abraço de família.
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Liv
  — Porque eu sei que meu filho vai ter apoio para o que quer que ele decida ou precise na…" Leia mais »

eu tô chorando junto aaaaaa

Liv

eu amo os fechos que a keikey dá, tá certíssima!!!
não sei nem pq o pai dele veio, se fosse pra ficar assim era melhor nem ter vindo, escroto.
já quero ver mais dessa família hihihi e quero saber o segredo do lian

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