Um Bebê Para Lian & Key

Escrita porLelen
Editada por Lelen

Procedimentos, questões jurídicas e alguns acontecimentos podem não ter total relação com a realidade.


Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

Julian encarava as crianças na fila de espera do hospital em que estava dando plantão no momento, ele sentia seu coração bater com alegria ao vê-las — ao menos em sua maioria — alegres e brincalhonas umas com as outras. Ele sempre quis ser pai, pelo menos desde que era criança e brincava de casinha com Keira no quintal dela. Mas também sempre soube que seria uma coisa bastante difícil de se alcançar da forma "tradicional" dada a sua orientação sexual. Lian é gay e desde pequeno sabia que era diferente dos garotos dados como “normais”, e como a maioria bem sabe — mas gosta de fingir que não — pessoas “diferentes” tendem a ser encaradas com certo asco pela sociedade, mesmo que atualmente haja toda uma luta de direitos iguais, não a preconceitos e todo o resto, a mente de uma boa parcela da população ainda não está preparada para realmente aceitar que um homem ou uma mulher gays podem e têm o direito de serem felizes com quem quiserem com os mesmos direitos de pessoas heterossexuais.
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  Lian tinha um tio que havia dito aos familiares que era gay quando Julian tinha pouco mais de dez anos. Ele viu o quanto o tio sofria com os preconceitos até da própria família. Jackson havia sido casado por longos quinze anos e tivera um casal de filhos. Tia Molly, sua esposa, o apoiou naquele momento como sempre havia feito durante toda a vida de casados, mas os avós de Julian haviam ficado horrorizados em saber que tinham um filho “daquele tipo” como costumavam rotular os homossexuais e qualquer outra coisa que fugisse do parâmetro "branco, rico, heterossexual". Os primos, filhos de Jackson, ficaram bastante confusos na época, mas por terem um pai gay, aprenderam desde cedo a serem mais respeitosos com o “diferente”.
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  Lian, por outro lado, ficou bastante assustado com a reação do restante da família, o que incluía o próprio pai que, por um bom tempo, se manteve afastado do irmão. Por aquele motivo, Julian resolveu que não deixaria o seu eu “daquele tipo” transparecer. Seria um menino perfeitamente normal. E por vários anos ele realmente fez bem aquele papel — embora só tenha beijado duas garotas na vida — até completar dezessete anos e decidir “sair do armário”. Sua mãe aceitou o fato com certo pesar, mas sempre com aquele jeito de mãe “Eu sempre vou te amar, não importa como”; já o pai quase derrubou a casa dizendo que não admitiria mais um do tipo de Jackson em sua família. Por sorte Keira estava com Julian naquele momento.
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  Ah, Keira. Keira Christensen era a melhor amiga de Julian Deasey desde sempre, e havia sido ela a última garota que ele tinha beijado na vida. Sim, ele tinha beijado a melhor amiga. Depois de ter contado a ela que era gay.
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  — Vamos só testar, oras — ela disse quando propôs o beijo.
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  — Keikey, eu já disse que garotas não são muito a minha praia — Julian respondeu encostado no muro do colégio, todos os alunos já haviam saído e os dois ainda estavam lá sabe-se lá por qual motivo.
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  — Eu não sou uma garota, eu sou sua melhor amiga!
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  O garoto revirou os olhos com a resposta.
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  — Tudo bem então — respondeu. Ele suspeitava que na verdade Keira só estivesse querendo beijar pela primeira vez, mas que mal poderia haver em um simples beijo?
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  Keira avançou na direção do amigo, o que o surpreendeu, e então o primeiro beijo mais desajeitado e esquisito do mundo aconteceu em frente ao portão da escola. Não demorou mais do que cinco segundos até os dois se separarem de bom grado e murmurarem um “eca” em uníssono.
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  — Definitivamente não — Julian disse limpando a boca com as costas da mão.
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  — Definitivamente — Key concordou fazendo o mesmo.
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  Lian tinha a leve impressão de que aquele foi o momento em que a melhor amiga começou a pensar em não ter um namorado ou casar. Às vezes ele se sentia um pouco culpado ao pensar na situação. Talvez ele tivesse estragado a concepção de amor “normal” para a melhor amiga, mas depois disso, Adam surgiu.
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  Adam foi o primeiro e único namorado de Keira, mas os dois terminaram com pouco mais de seis meses de namoro. De início a garota não queria se abrir com o melhor amigo sobre o término, mas depois finalmente explicou que não sentia atração sexual pelo parceiro. E por nenhuma outra pessoa.
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  Ambos eram um casal de amigos bastante peculiar
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  Lian foi até a recepção e chamou pelo nome de sua próxima paciente: Eva Woods.
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  Eva era um dos nomes que ele gostaria de dar para sua filha e, coincidentemente, era o nome da garotinha que ele e Mathias estavam tentando adotar.
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  — Olá, pequenina — murmurou para a criança no colo da mãe que riu para ele e logo escondeu o rosto entre os cabelos da mulher.
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  — Diz oi para o doutor, Eva.
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  A garotinha sorriu um pouco acanhada e deu um oi com as mãozinhas gorduchas.
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  — E então, o que as trazem aqui? — Julian perguntou guiando as duas para a sala de atendimento.
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  — Ah, Eva está com uma tosse seca faz alguns dias...
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  Julian havia decidido fazer medicina e se especializar em pediatria quando percebeu que se dava bem com crianças e elas pareciam gostar de sua companhia. Trabalhar ajudando-as, de alguma forma, era gratificante.
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  Ele acabou optando por trabalhar numa clínica pediátrica durante a semana e no hospital comunitário durante os fins de semana para famílias carentes. Queria poder ajudar ao máximo aqueles pequenos que seriam o futuro do mundo.
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  O turno de Deasey terminou às seis e antes de ir para casa, ele decidiu passar no apartamento de Keira, que ficava no mesmo prédio em que ele e o noivo moravam.
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  Tocou a campainha e Key o atendeu como sempre atendia: abriu a porta e saiu andando.
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  — E então, como vão os planos? — Lian perguntou fechando a porta e acompanhando a amiga que foi se sentar em frente ao computador no qual vivia trabalhando.
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  — Vou fazer os exames amanhã de manhã! — anunciou com animação, mesmo sem olhar para o homem.
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  Keira estava no processo de exames para fazer uma inseminação artificial, a maneira que ela encontrara para realizar seu sonho de ser mãe sem ter de arranjar um parceiro.
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  — Isso é ótimo — Julian murmurou puxando uma cadeira para se sentar ao lado da mulher e observar o que ela fazia. Códigos e mais códigos. Deus, como ela conseguia entender qualquer coisa daquilo?
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  — Só vai ser ótimo quando os resultados saírem e indicarem que estou perfeitamente bem para ter um filho — Keira murmurou virando-se para o melhor amigo. Ela parecia um pouquinho preocupada.
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  — Vai dar certo, assim como vai dar certo comigo e com Mathias, lembra? — Lian a cutucou lembrando de todo o positivismo que ela tivera semanas antes quando ele estava sem muitas expectativas com relação ao processo de adoção de Eva.
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  Keira sorriu cansada e o abraçou. Ela parecia com medo de as coisas não darem certo, assim como ele havia sentido antes.
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  Era engraçado o quanto os dois conseguiam “equilibrar” um ao outro... Quando um estava mal, o outro estava bem o bastante para alegrar a ambos, e quando os dois estavam bem, era pura festa. O que mais podia se querer da vida?
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  Os dois ficaram conversando por algum tempo até Julian olhar o relógio e perceber que eram quase sete e meia. Mathias deveria estar esperando. O homem se despediu de uma Keira cansada e preocupada com os exames do dia seguinte e rumou para o elevador, apertando o número 11, andar do apartamento que morava com o noivo.
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  Quando ele adentrou o lugar, encontrou Mathias sentado à mesa com seu notebook, concentrado no que estava fazendo, tanto que mal havia percebido sua chegada.
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  — Boa noite, meu amor — Lian murmurou deixando sua maleta de lado e indo na direção do noivo.
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  — Ah, boa noite — respondeu parecendo um pouco desapontado com o que estava vendo na tela de seu notebook.
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  — O que houve?
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  — Nosso processo continua parado... — soltou completamente desanimado.
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  Havia meses Mathias e Julian haviam entrado com o processo de adoção de Eva, e como Math era advogado, havia pedido a um amigo para fazer todos os requerimentos necessários para o início do processo de adoção. Apesar de não ter sido o requerente direto, Mathias tinha acesso ao status do processo, o que o deixava ainda mais ansioso, verificando praticamente todos os dias como estava o andamento.
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  — Math, precisa parar de ficar olhando isso todas as vezes — Lian murmurou sentando-se na cadeira ao lado do homem. — Vai acabar ficando paranoico — disse acariciando sua mão.
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  — Eu sei, eu sei! — exclamou. — Mas já fazem meses e não temos resposta alguma — disse frustrado.
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  — Hei, quer saber do meu dia hoje? — Julian perguntou quase de forma retórica. — Atendi uma menininha linda chamada Eva. E imaginei como nossa Eva vai ser quando a tivermos conosco. — Sorriu encarando o noivo, que sorriu de volta um pouco triste.
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  — Não sei se vamos conseguir, Lian...
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  — Shh — retrucou o outro. — Nós vamos conseguir, Math. Nós vamos. — Lian havia repetido aquele mantra milhares de vezes na própria mente durante semanas e agora ele realmente pensava que conseguiriam.
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  — E se não conseguirmos? — Mathias andava bastante pessimista ultimamente, o que deixava o companheiro um tanto irritado.
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  — Se não conseguirmos tentaremos de novo. E se não conseguirmos de novo, tentaremos outra coisa — respondeu um pouco ríspido.
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  — Desculpe. Eu sei o quanto você detesta quando eu fico negativo demais, mas é que isso anda demorando tanto que está me deixando maluco! — exclamou passando as mãos pelos cabelos. Deasey se sentiu culpado por ter sido tão grosseiro, afinal, os dois estavam no mesmo barco esperando pela Eva deles, mas Lian tinha seu trabalho para dispersar os pensamentos sobre o assunto pelo menos por algumas horas do seu dia, já Mathias... Bem, o trabalho dele era pensar em como andava o processo jurídico tanto da adoção de Eva quanto outros processos de outros clientes. Ele não tinha escapatória quanto a isso.
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  — Me perdoe, Math — murmurou segurando a mão do noivo com firmeza. — Eu deveria saber o quanto é difícil ter que lidar com isso todos os dias, mesmo sem querer.
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  Mathias suspirou um pouco consternado e massageou a base de seu nariz.
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  — Vem, me ajude a fazer nosso jantar. — Julian levantou dando um beijo na testa do companheiro.
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  — Já vou — ele murmurou um pouco desanimado, mas já se levantando. — O que vamos fazer?
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  — Grude à carbonara? — perguntou sorrindo de lado.
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  Mathias riu e assentiu.
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  — Que tal um pouco de vinho hoje? — ele sugeriu.
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  Os dois gargalharam e concordaram com o vinho.
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  Nota: Essa história vai ser atualizada com maior frequência porque já está finalizada #alegria.
  Esse começo vai ser um pouquinho parado, mas espero que consigam passar da metade da história e aproveitar o meio pro fim que são minhas partes favoritas HAHAHAH

  Sinto que algumas questões dessa história ainda estão muito cruas e não tão maduras, mas sabe quando a gente relê uma história antiga e pensa "nah, tá bom assim"? Pois é, estou nesse pé com Um Bebê kkkkk
  Um dia eu prometo que vou melhorar nisso, não desistam de mim :B

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