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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Tilatie

Escrita porJosie
Revisada por Lelen

Capítulo 2

  — Não a nós, ó Senhor, não a nós, ao vosso nome, porém, seja a glória.
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  — Não a nós, ó Senhor, não a nós, ao vosso nome, porém, seja a glória, porque sois todo amor e verdade! Por que hão de dizer os pagãos: "Onde está o seu Deus, onde está?"
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  A Festa do Peão de Barretos é uma festa do peão de boiadeiro que acontece todos os anos na cidade de Barretos, no estado de São Paulo, Brasil. É o maior festival de rodeio da América Latina e atrai competidores de todo o mundo, além de milhares de turistas anualmente. Sediou a Copa do Mundo de Rodeio em 2009. A festa é tradicionalmente organizada e promovida no mês de agosto pelo clube "Os Independentes". Entre as tradições presentes na festa estão, além do rodeio, shows de música sertaneja, sendo o maior festival de música sertaneja do país, e a queima do alho. Esta grande festa tem suas raízes no transporte de gado pelas estradas de terra desde as pastagens de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, passando por Barretos em direção aos frigoríficos desta cidade. Os peões das "comitivas" que levavam estas boiadas se reuniam no entardecer para brincar de montar cavalos bravos, daí então surgindo este costume. A prática do rodeio em touros, hoje muito mais dinâmica que a de cavalos, foi trazida dos Estados Unidos. No ano de 1956, na cidade de Barretos, localizada no interior do estado de São Paulo, Brasil, um grupo de rapazes solteiros realizaram a primeira Festa do Peão de Boiadeiro que se tem notícia. Desde então esta grande festa ficou conhecida internacionalmente pela sua gigantesca estrutura e alta qualidade dos peões, cavalos e touros que ali se apresentam. E assim começou os anos 60...
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  ANOS 60

  — Irmã, vamos no show da festa de peão — pediu Malassa. — Ouvi dizer que as melhores festas acontecem ali.
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  — Eu quero ir — respondeu Isabela. — Mas você sabe como é o pai e a mãe. Eles não vão deixar.
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  — Não custa nada pedir permissão, vamos — pediu Malassa suplicante.
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  — Tudo bem, vamos — concordou Isabella, ganhando um sorriso de Malassa.
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Lá vai uma chalana
Bem longe se vai
Navegando no remanso
Do rio Paraguai

Oh, chalana, sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas
Vais levando meu amor

Oh, chalana, sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas
Vais levando meu amor

E assim ela se foi
Nem de mim se despediu
A chalana vai sumindo
Na curva lá do rio

E se ela vai magoada
Eu bem sei que tem razão
Fui ingrato, eu feri
O seu meigo coração

*****

  O ano era 1960. Mais uma manhã se iniciava em Dracena, São Paulo. O sol ainda estava tímido, mas já começava a iluminar as ruas de terra batida e os campos verdes que cercavam a cidade. O cheiro doce dos grãos começava a pairar no ar, uma mistura de terra molhada e o perfume dos frutos que amadureciam sob os raios solares. Era época de colheita, e muitas famílias do campo já se preparavam para a tarefa árdua que era apanhar os grãos e moê-los para a produção do alimento básico: o café.
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  Naquela manhã, a rotina seguia calma, mas o espírito dos anos 60 pulsava em cada esquina. As adolescentes Isabela e Malassa, que eram irmãs, observavam a movimentação na cidade com olhares sonhadores. Elas sonhavam com as luzes da festa de peão que aconteceria à noite. O rodeio, famoso na região, atraía jovens de todos os cantos, e a música sertaneja ecoava como um chamado irresistível.
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  Emanuel, o irmão mais velho, já se preparava para ir à escola. Ele passou pela cozinha, onde Maria, a mãe, estava chamuscando comida no fogão.
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  — Oi, mãe! Não vai demorar muito com o almoço, vai? — perguntou ele, com um brilho travesso nos olhos. — É que a festa do rodeio…
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  Maria interrompeu, sem olhar para ele.
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  — Tenha cuidado com suas palavras, Emanuel. A festa é só para quem trabalha e merece se divertir. Estude e ajude em casa primeiro.
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  Naquele momento, Isabela e Malassa trocaram olhares cúmplices. Elas sabiam que a autorização dos pais era quase impossível. O pai, Homes, estava em seu quarto, como de costume, bebendo e murmurando para si mesmo. Desde que as dificuldades financeiras aumentaram, ele se afundara no álcool, e isso tornava a vida na fazenda mais pesada.
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  — Precisamos dar um jeito de ir à festa — sussurrou Malassa com um brilho no olhar. — Afinal, será uma noite mágica! Não podemos deixar o pai estragar nossos sonhos.
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  Isabela assentiu, animada.
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  — Mas e se ele descobrir? Pode ser perigoso.
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  — É arriscado, mas se não tentarmos, nunca saberemos — Malassa insistiu. O rosto de Isabela, que até então estava sombrio, começou a se iluminar com a ideia da aventura.
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  Assim, depois de preparar o almoço, as horas se arrastaram. A tensão aumentava à medida que o sol se punha no horizonte. As duas meninas ajudaram Maria a limpar a cozinha e arrumar a casa, mas seus pensamentos estavam longe, nas danças e nas risadas da festa.
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  Quando a noite chegou, o céu estava estrelado e a lua cheia iluminava o caminho que levava até o centro da cidade. Isabela e Malassa se vestiram rapidamente, colocando seus melhores vestidos, que foram cuidadosamente guardados para ocasiões especiais. Isabela usou um vestido azul claro que sua mãe havia costurado para ela, enquanto Malassa optou por um tom rosa vibrante.
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  — Vamos, Isabela! É agora ou nunca! — Malassa puxou a irmã pela mão, e juntas elas saíram da casa, deslizando pela porta dos fundos, evitando o olhar do pai que, seguramente, ainda estava embriagado em seu quarto.
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  Assim que chegaram à estrada, sentiam a adrenalina correndo em suas veias. A música da festa já ressoava ao fundo, e as luzes piscantes pareciam um convite irrecusável. O caminho estava cheio de outros jovens que também se dirigiam para o rodeio, rindo e falando animadamente.
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  Entretanto, ao virarem a esquina, ouviram um grito.
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  — Onde vocês pensam que vão? — A voz era grossa e carregada de raiva. Era Homes, o pai, que as havia seguido, sem que elas percebessem.
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  Isabela parou abruptamente, seu coração disparando.
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  — Pai, nós só queríamos nos divertir um pouco! — tentou explicar.
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  Homes, já com os olhos semicerrados, avançou em direção às meninas.
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  — Divertir-se? Com o que você acha que eu sustento essa casa? Vocês não têm permissão para sair!
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  Desesperada, Malassa gritou:
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  — Mas pai, todos estão indo! Não é justo!
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  Mas seu apelo caiu em ouvidos surdos. Homes estava tomado pela fúria e pela bebida, e a raiva tomou conta dele.
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  Em um movimento brusco, ele agarrou o vestido de Isabela, rasgando-o com a mão, fazendo com que ela soltasse um grito de dor e espanto. As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto da menina, enquanto Malassa, em choque, tentou puxá-la para longe, mas o pai, enfurecido, não a soltava.
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  — Vocês não vão a lugar nenhum! Voltem para casa agora! — gritou ele, enquanto Isabela tentava cobrir seu corpo com o que restava do vestido.
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  As meninas estavam paralisadas, entre a tristeza e a revolta. Como poderiam ter sonhado com a festa, sabendo que a realidade era tão dura?
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  Mas a festa chamava. Elas ouviram a música, as vozes alegres e as risadas lá no centro da cidade, e a ideia de voltar para casa, com a humilhação e a dor, parecia insuportável.
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  — Vamos, Isabela. Eu não vou deixar ele vencer assim — Malassa disse, decidida. Apesar do medo, a amizade e a coragem começaram a tomar conta da situação. — Vamos dar um jeito, nós não podemos desistir do nosso sonho!
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  Com a determinação renovada, Isabela respirou fundo e, entre soluços, disse:
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  — Você está certa. Não vamos voltar agora!
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  As duas irmãs pegaram a mão uma da outra e, juntas, largaram a insegurança para trás. Sabiam que estavam fazendo algo perigoso, mas a vontade de viver aquela noite, de dançar, cantar e se sentir livres, era mais forte que qualquer medo.
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  E assim, com o coração acelerado, elas correram rumo à festa, deixando para trás a sombra de um pai bêbado e o peso da realidade que as prendia.  Elas sabiam que aquela noite seria uma lembrança eterna, um grito de liberdade em tempos difíceis. A música as aguardava, e com ela, a promessa de uma nova vida.
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  Enquanto dançavam sob as luzes brilhantes do rodeio, Isabela e Malassa sorriam. A vida poderia ser dura, mas naquele momento, elas eram apenas jovens, livres e felizes, prontas para encarar o que o futuro lhe reservasse.
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  O que mais poderia acontecer naquela noite? Isso, elas só descobririam com o passar do tempo, mas por ora, as risadas e a música eram suficientes para incendiar seus corações. E no calor da dança, as dores do passado começaram a se dissipar, como poeira levada pelo vento. A vida, apesar de tudo, continuava. Mas quando voltou para casa, naquela mesma noite, Isabela presenciaria uma cena que mudaria tudo em sua vida.
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