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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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The Ranch

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

🛈

Episódio 4

  — Eu já estava achando que você havia desistido de jantar comigo, John.
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  Demetria proferiu sorrindo largamente, de modo que seus dentes brancos e o batom vermelho deixavam a sua boca bastante convidativa — na opinião de Velie. Estavam na segunda taça de vinho e o jantar acabara de chegar.
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  — Eu seria louco em deixar uma mulher como você sem um jantar. — John Velie Deere sorriu, mostrando as covinhas, embora escondidas pela barba rala e bem-feita, também tornando seu sorriso um espelho charmoso em que Demetria passava a se interessar cada vez mais.
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  — Entendo que administrar as suas propriedades e empreendimentos não deve ser fácil, por isso te perdoo pela demora de três semanas. Até o meu pai achou estranho você não tocar mais no assunto.
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  — O Sam… — John riu. — Tenho a aprovação dele pelo visto?
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  — Aprovação para o que, Velie? — Demetria sorriu provocante.
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  — Talvez… Me tornar mais próximo da filha dele.
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  — Ah, sim, você tem. Não só a aprovação dele, inclusive. — Demi baixou o olhar com uma expressão brincalhona de quem se divertia em flertar sinceramente, após tanto tempo. — Sabe… Preciso perguntar! Você é um partido e tanto, Velie! Disse que não teve sorte em relacionamentos, então… Me conte sobre o fracasso que permitiu que nós dois estivéssemos exatamente aqui.
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  John gostava que Demetria era uma mulher muito bem resolvida, apesar de dez anos mais jovem que ele. Era madura. Tinha os pés no chão, mas o coração com asas e muita coragem. Não só escutara de outras pessoas, bastava alguns dias conversando com a mulher para notar que Demetria Peterson era cristalina. Suas atitudes revelavam sua personalidade, sem qualquer receio ou máscara.
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  Aquela era a primeira vez em cinco anos que John se interessava verdadeiramente por conhecer uma mulher mais do que a cama poderia contar.
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  — Bom, foi uma sucessão de fracassos, talvez.
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  — Uau, experiência é ouro! Sou toda ouvidos.
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  — Tem certeza? O jantar acabou de chegar, não quero te deixar com indigestão. — Ele riu.
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  — Tenho estômago forte, John! — Demi riu mordendo o pedaço do seu bife recém-cortado, encarando-o com a força de uma mulher que já passara bons bocados.
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  — Certo… — O herdeiro de uma das indústrias mais milionárias do país observou a veterinária de olhar cheio de fogo, mas não era um fogo sensual… Era algo vívido, um fulgor em estar ali na sua presença, e contou: — Eu me casei pela primeira vez aos vinte e seis anos com a minha primeira namorada, foi mais um… Casamento familiar do que amor realmente. Não deu certo, ela não queria filhos. Bem, eu queria. Não precisávamos do dinheiro um do outro e encerramos tudo três anos depois, por pura incompatibilidade, fora que… Demos um passo imaturo em nos casar.
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  Demi balançou a cabeça, atenciosa, em compreensão. Eles fizeram uma pausa para comer um pouco mais, até que John continuou:
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  — A segunda vez foi aos trinta e cinco, com a mulher que eu realmente mais amei até então.
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  — O que houve? — Demi sentiu a voz dele tornar-se nostálgica, quase melancólica.
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  — Ela faleceu de um maldito câncer no estômago.
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  — Ai meu Deus, que bola fora! — Demi soltou os talheres e mordeu os lábios, segurando uma risada nervosa que lhe subiu a garganta.
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  — Pode rir, Demi. — John começou a rir ao notar a reação dela.
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  — Era mentira?
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  — Não, é verdade, mas seu constrangimento foi engraçado.
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  — Que merda, John! Me desculpa, foi muita gafe citar um fracasso amoroso, quando, na verdade, foi uma perda!
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  John não se conteve, ele soltou devagar os talheres, rindo ainda mais da expressão de Demetria que escondia o rosto entre as mãos. Bebeu um gole do seu vinho, percebendo que era a primeira vez que falava de Daniely desde sua morte, mas sorrindo.
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  — Sinto muito mesmo — Demetria pediu, mais composta.
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  — Tudo bem, você não teria como saber. Além disso, é a primeira vez que alguém me faz rir depois de contar que sou viúvo.
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  — É o mínimo que eu poderia fazer, não é? — Ela riu leve, retomando o jantar assim como ele. — Posso perguntar mais um pouco?
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  — O que quiser.
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  — Então, vocês não tiveram filhos?
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  — Não. Não deu tempo. Ela partiu há cinco anos.
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  — Não perca a esperança, a…
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  — Daniely.
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  — A Daniely não foi a sua última chance, tenho certeza disso.
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  — Tem é? — John comentou com um sorriso ladino, e Demetria arqueou a sobrancelha. — Bom, e a sua história? Qual o nome do ex-noivo que me deu a oportunidade de jantar com você?
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  — William. Ele me traiu com a recepcionista da nossa clínica no lavabo canino. Não é uma história tão triste ou honrosa como a sua, é bem pior. É vexatório. Para ele, óbvio, porque para mim… Foi um livramento.
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  — Sem dúvida, um livramento. Um homem que transa na banheira do cachorro… É… Mesmo um livramento.
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  Os dois começaram a rir ainda mais animados, até que Demi escutou uma voz conhecida se aproximando ao lado da mesa onde estavam.
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  — Demi? — Colt olhava para os dois, um pouco estranho, em sua expressão abobalhada de alguém que não fazia ideia do que estaria acontecendo.
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  — Colt? O que faz aqui? — Demi o olhou e então se levantou da mesa, educada, assim como John.
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  — Ah, eu… Estamos em Denver, esqueceu? — Colt disse recebendo o abraço em cumprimento da amiga.
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  — Isso! O time, claro! Teve treino então? — Ela sorriu animada afastando-se.
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  — É quase isso, depois te conto, mas… Vocês vieram até aqui só para jantar?
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  — Ah, é mesmo! — Demi reapresentou os dois. — Vocês já se conhecem, Colt, John, John e Colt. Bem, sim, viemos jantar. Este é o único restaurante melhorzinho próximo a Garrison.
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  — Bem, é o melhor restaurante para um encontro, mais próximo a Garrison. — Colt tocou a mão de John em um cumprimento que o outro correspondeu amigável, e compreendeu tudo, em súbito: — Ah, tá! Entendi! É um encontro! Uau… Eu, não vou atrapalhar mais vocês. Só vim jantar antes de seguir estrada.
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  — Está tudo bem, Colt? — Demi indagou notando o semblante dele um pouco arrasado.
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  — Claro! Claro, só estou com fome. Bom, nos vemos depois… — O Bennett assentiu para ambos, ajeitando o boné na cabeça.
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  Demi e John acenaram e logo que Colt deu-lhes as costas, sentaram-se de novo. A Peterson viu que Colt foi sentar-se em uma mesa bem afastada deles, em outra ala do restaurante, mas ainda era possível que se vissem.
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  — Tudo bem ele nos ver juntos? — John perguntou, notando o cenho preocupado de Demetria que observava o amigo distante.
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  — O Colt? — ela perguntou surpresa. — Mas é claro! Ah, não. Nada a ver, ele é só meu amigo de infância.
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  — Achei que ele seria sua segunda história de fracasso romântico. Contei duas.
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  — Bem, ele é a primeira — Demetria então revelou. — Mas não tem que se preocupar com isso. Somos muito próximos, mas não desse jeito.
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  John olhou para trás, percebeu que o Bennett discretamente os observava, enquanto também analisava o restante do restaurante.
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  — Entendi — John respondeu para Demi, embora não convencido do que ela disse.
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  — Também não tive filhos, quem sabe um dia — Demi continuou a conversa mudando o foco de Colt para o que diziam anterior a sua chegada.
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  — Você tem anos a menos prase preocupar, eu já estou ficando velho para brincar com crianças.
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  — Relaxa! — A veterinária bebeu seu vinho risonha ao consolar: — Meu pai e o senhor Bennett foram pais um pouco além da sua idade, não brincaram vigorosamente com os filhos, mas todos nós sobrevivemos. Embora, eu dei mais certo do que os Bennett, isso é fato.
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  John riu, e os dois voltaram a comer e conversar sobre suas vidas. Finalizando o jantar, pediram uma última taça de vinho e Velie pagou a conta. Ele saiu da mesa primeiro, sendo cavalheiro com Demetria, e guiando-a com a mão nas costas, sussurrou no ouvido dela ao saírem:
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  — Espero não passarmos em nenhuma blitz de bafômetro!
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  — Em Garrison, ao menos, eu garanto! Tenho um amigo policial. Mas aqui em Denver… Bem, você já ofereceu propina a algum? — Demi brincou.
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  Eles gargalhavam saindo e Colt assistiu tudo aquilo, Demetria inclusive acenou para ele em despedida enquanto saía, e John apenas meneou a cabeça em um cumprimento educado.
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  Colt Bennett abaixou o rosto entre as mãos logo que viu o casal sair. Inspirou e expirou, frustrado.
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  — Que dia de merda, Colt — sibilou a si.
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  Ficou ali, até o seu jantar chegar, remoendo o que havia acabado de decidir quanto ao time de Denver, assim também, comeu engasgado com algum sentimento estranho inominável, a cada vez que via Demetria ou Abby com John e Kenny.
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• T H E • R A N C H •

  — Demetria? — Sam chamou assim que, da cozinha, escutou a porta do casarão abrir.
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  — Oi, pai!
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  — Olá, Sam. — John surgiu logo atrás dela, surpreendendo o pai da veterinária.
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  — John! — Sam abriu um sorriso largo ao vê-lo. — Que bom que veio me cumprimentar! Achei mesmo que ficaria envergonhado em só deixar a minha filha em casa.
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  — Eu não saí com ela escondido de você. — John se aproximou para abraçar o rancheiro. — Ou você não contou ao seu pai que eu te levaria para jantar?
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  — Ele sabia. — Demi riu, finalmente escorando-se na bancada da ilha da cozinha do pai. — E posso saber o que faz acordado ainda, pai?
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  — Oh, planejava entrar com ele enquanto eu dormia, é? Por favor, Demetria, um pouco de respeito!
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  John gargalhou ao ver o rosto da filha de Peterson ruborizando.
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  — Sam Peterson! Não fale desse jeito, o que o John vai pensar da sua filha?
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  Os dois homens gargalharam.
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  — Você não é mais uma garotinha, embora eu deteste admitir isso — Sam falou abraçando a filha. — E então, John? Vai ficar?
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  — Não, não, Sam! — o agrônomo respondeu imediato. — Só vim mesmo te cumprimentar. Vimos que a TV estava ligada pela janela lá fora.
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  — Ah, então foi isso. — Sam estendeu a ele um copo do uísque que fabricava.
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  — Não bebe essa merda, John — Demi advertiu.
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  — É só uísque — Sam explicou.
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  Assim que John virou o gole, Demetria sorriu negando e Velie deixou escapar a expressão de alguém que parecia beber a urina do capeta.
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  — Que porra de uísque é este, Peterson?
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  — Fabricação caseira, coisa fina! — Sam falou rindo alto e batendo no braço do homem como se o aprovasse ainda mais.
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  — Se for fermentar uma bebida ruim desse jeito com a cevada que plantarem é melhor nem começar!
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  — Ele não vai, Velie — Demi advertiu, lançando um olhar reprovador ao pai. — Bem, não beba o resto. Ou vai ter que pagar mais propina no caminho.
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  — Mas e aí, vocês não vão me dizer nada? — Sam perguntou com a mão na cintura olhando aos dois. — Qual é? Estão namorando? Se beijaram pelo menos?
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  — Está desesperado para me empurrar aos braços de alguém, pai?
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  — Não, claro que não! Mas o Velie está te olhando como se fosse te pedir pra voltar de onde vieram!
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  John então mordeu o lábio de um modo tímido. Sam também era transparente como a filha. Deere se aproximou de Demetria, tocando a mão dela de um jeito educado.
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  — Ele está certo, melhor eu ir antes que te leve de novo. A gente se vê?
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  — É claro — Demi respondeu sorrindo.
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  Os olhares deles estavam carregados de um silêncio que conversava.
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  — Bem, eu vou voltar para a TV e em cinco minutos, vou subir. Se quiser esperar, apenas saia antes de eu acordar, John.
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  Filha e amigo riram da deixa de saída do pai dela.
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  — Te acompanho até o carro, Velie.
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  Demetria falou, puxando ele pela mão para fora de casa até a picape do fazendeiro. Quando John já havia aberto a porta do lado do motorista, encarou Demi mais uma vez, e os dois ficaram em silêncio, olhos nos olhos, depois olhos nos lábios. Demi deu um passo na direção dele, ele tocou singelo o rosto dela, e respeitoso aproximou os seus rostos.
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  — Não é muito cedo para um beijo então?
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  — Você levou três semanas pra me levar ao jantar, Velie.
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  — Ok, fico feliz que concordamos nisso. Porque quero mesmo borrar este batom — John declarou e uniu seus lábios de forma calma, experiente, e levou a mão na cintura dela de um jeito firme, conduzindo as reações dos seus corpos, quase como um mestre. — Até depois, vou querer outro desses — ele disse ao ajeitar o cabelo dela atrás da orelha e piscar.
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  — Combinado.
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  Demetria suspirou dando espaço a ele para entrar no carro, e assim que John fechou a porta ainda a observando, ambos risonhos, ela sentiu que na próxima vez, talvez o fizesse ficar sob a regra dos “cinco minutos antes e depois” do pai.
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  O carro de John Deere saiu de seu rancho e Demetria mordeu o lábio inferior com um sorriso de canto de boca, muito satisfeita. Ela levou a mão aos cabelos, agitando-os, e fez um gesto comedido de “yeah!”, como se parabenizasse a si pela noite. Logo que entrou em casa, seu pai já havia mesmo subido.
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• T H E • R A N C H •

  — Pai, Colt! Ajuda aqui! — Galo gritava entrando, calmo, embora curioso, pela porta de entrada que já dava para a cozinha da casa.
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  — Mas que porra é essa, prendeu seu pinto no zíper de novo? — Colt perguntou mal-humorado, desde a noite anterior.
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  Beau, como de costume, continuou a tomar o seu brunch da manhã indiferente às implicâncias dos filhos.
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  — Pai, a galinha está engasgada com um osso de galinha!
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  — Desde quando galinhas comem ossos, ainda mais das colegas? — Colt olhou para o animal como se ela fosse uma canibal da espécie.
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  — Eu não sei, Colt! Mas abri o bico dela, parece um pedaço do osso, sem falar que a meliante estava ciscando perto da bacia de comida do cachorro.
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  Galo se aproximou do irmão apertando a ave entre o braço esquerdo e com a mão direita abrindo o bico dela para que Colt visse do que ele falava.
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  — Hum — Colt ironizou. — Achei que papai só dava o bife para o cachorro e o osso pra nós.
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  Beau encarou Colt com sua expressão de quem até achava graça naquela sacanagenzinha, mas estranhava o humor do mais novo.
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  — O que aconteceu ontem, Colt? — Beau perguntou baixo e analítico, movimentando lentamente os bigodes. — Nenhuma mulher quis dormir com você?
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  — É, cara, você tá parecendo o papai. — Galo deixou a galinácea em seus braços bem segura, mas deu mais atenção ao drama familiar.
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  — Não foi nada — Colt disse terminando de servir seu prato com ovos mexidos e pedaços de carne e bacon.
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  — Galo, que porra está fazendo com essa ave? — Beau deixou os talheres de lado, e ainda incomodado observando Colt, decidiu dar atenção ao mais velho.
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  — Ela tá engasgada — respondeu como se julgasse o pai por não ouvir sua reclamação quando entrou.
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  — E você quer que eu pare de comer para degolar ela? Faça você mesmo.
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  — Pai! — Galo comentou um pouco surpreso. — Achei que deveríamos levar a Meliante no veterinário. Quantas vezes o senhor já viu uma galinha engolir um osso de uma irmã? Ela pode ser a ovelha Dolly do rancho, e a gente passa a cobrar pra virem tirar foto dela!
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  — Por Deus, quem é essa galinha perto da Dolly, Galo! — Colt zombou rindo só um pouco, e então olhou o irmão e começou a achar graça: — Caralho, isso é bizarro! Pai, estamos diante do Galo, segurando uma galinha engasgada com um osso de galinha.
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  — E eu não morro antes de ver essas merdas… — Beau suspirou zombando junto com Colt.
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  — Olha só! Por que as vacas e outros animais da fazenda merecem uma consulta e uma galinha não?
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  — Você está se doendo muito pela franguinha, qual é!? É a sua namorada? — Colt perguntou.
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  O mais velho lhe estendeu o dedo do meio e Beau limpou o bigode com um guardanapo, escorando-se relaxado em sua cadeira e dizendo para o filho:
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  — Não vamos gastar dinheiro em consulta pra uma galinha, Galo. Ela é nosso jantar. É assim que funciona, esqueceu? Os animais têm duas serventias nesse rancho: nos proporcionar o dinheiro no qual vamos comprar nossos alimentos, ou serem eles os nossos alimentos.
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  — Se o pessoal do Greenpeace aparecer aqui de novo, eu vou dizer que você teve preconceito com a galinha, pai.
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  — Mate logo essa galinha. Seu irmão acabou de comer o restante da carne que seria o seu almoço.
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  Galo observou o pouco caso dos dois, e ajustou o cinto na calça dizendo como um salvador da pátria:
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  — Sabe que foi ela que botou os ovos que estão comendo, não é?
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  — E as asinhas ela vai botar no nosso prato mais tarde — Beau comentou com seu sorriso sacana.
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  — Por Deus, Galo! É só a porra de uma galinha! — Colt comentou impaciente. — Você tá se importando tanto por quê?
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  — Ei, qual é, Colt? Por que está gritando!? — Galo deu uma dura no irmão. — Eu vou levar ela pra Demetria, tenho certeza que ela não se importaria em dar uma olhada!
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  — Se ela estiver em casa! — Colt murmurou bufante.
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  Foi naquele momento que Beau e Galo notaram que entre outras coisas, Demi, provavelmente era a razão da cara de cu de Colt.
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  — O que aconteceu com você e a Demi? — Galo perguntou.
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  Beau podia sentir os pelos da nuca eriçarem de irritação em imaginar que Demi estivesse dando ideia para o bosta do seu filho de novo.
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  — Comigo nada, mas o tal John Velie… — Bufou. — Eles estavam juntos no Denver Grill ontem à noite, em um encontro! Esbarrei neles quando estava voltando.
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  — Ah… Então é isso. Tem um fazendeiro milionário e boa pinta comendo a garota que você deixou escapar. E a sua ex-namorada está feliz e graciosa com o cara que você achava ser um perdedor, mas tem a vida melhor que a sua — Galo comentou em tom de humilhação: — Vira o disco, Colt! Supera.
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  Beau fez sinal para Galo sair e alertou:
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  — Vá com sua galinha para outro lugar, mas já deixo claro que eu não vou bancar nenhuma consulta, ouviu?
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  Os dois observaram Galo saindo e Colt terminou de comer sob os olhos julgadores do pai.
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  — Pai, qual é? Vai ficar me encarando como se eu tivesse feito merda?
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  — Você fez alguma merda?
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  — Se estou aqui, acho que muitas, não é? — ironizou de novo.
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  — Tô falando de ontem, com a Demi e o John. Ou com a Abby.
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  Colt murmurou enquanto arrastava a cadeira tirando os pratos da mesa:
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  — Não. Ficaria orgulhoso em ver como cumprimentei educadamente os dois. E não vejo a Abby desde o dia do vexame...
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  — Colt, eu juro que não entendo — Beau começou com os braços cruzados. — Você gosta da Abby ou da Demetria?
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  — Eu não gosto delas, quer dizer… Não é assim, pai. Não é igual! A Abby eu sinto que perdi por que voltei tarde demais e a Demi… Bem, é só a Demi. Me preocupo com ela, esse cara, esse tal Velie! Ele é mesmo bom pra ela?
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  — Isso é ela quem tem que saber, e acho que todos concordam que… Qualquer outro é melhor do que você para ela.
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  — Eu nunca fui opção para a Peterson, pai — Colt comentou.
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  A frase dele fizera Beau pensar se o filho era cego, burro, ou se estava falando na própria percepção de quem nunca havia se considerado ao alcance daquela mulher.
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  — Tá, então esse mau humor tem a ver com o encontro da Demi?
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  — Não. — Colt terminou de lavar a louça e caminhou até a bancada pegando seu boné e vestindo. — Tem a ver com o time de Denver. Eu saí.
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  Beau mal conseguia acreditar que Colt disse que “saiu” e não que “foi chutado”.
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  — Você estava certo da sua decisão? — o pai perguntou e ele assentiu em silêncio positivamente. — Então não há por que ficar com cara de quem comeu e não gostou. Quando um homem toma uma decisão, ele tira a poeira das botas e segue em frente.
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• T H E • R A N C H •

  Demetria havia terminado de aplicar a injeção contra carrapatos no velho pastor alemão de seu pai, Brutus. O animal estava tão velho quanto Sam Peterson, e acostumado com as mãos suaves de Demi, sequer latiu pela agulhadinha. No entanto, latiu fraco, como se estivesse com preguiça, ao ver Galo Bennett se aproximando da entrada do casarão.
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  — Hei, Dementadora! — gritou Galo. — Esse pulguento ainda está vivo?
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  Demi olhou para o outro já erguendo o dedo do meio, e iria responder, quando Sam surgiu na varanda gritando de volta:
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  — O que acha que está fazendo invadindo meu rancho com essa audácia e xingando o meu cachorro, seu idiota Bennet?
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  — Olá, Sam, você também está demorando para morrer, não é, velho? Está competindo com o pulguento quem dura mais?
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  — Galo! — Demetria se aproximou dando bronca. — Não fala assim com meu pai, seu merda!
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  — Calma aí, Demi. Eu vim em paz.
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  — Meu maior desgosto com você — Sam falava apontando e aproximando-se de Brutus — é não ter aprendido a atacar essa corja de Bennett!
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  E olhou de soslaio para Galo que ria debochado, Demetria virou-se para o pai e o guiou pela varanda a entrar:
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  — Entra, pai, já deixei o almoço pronto e estou indo para a cidade.
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  — Antes, segura o Galo e a namorada dele aí, vou pegar minha espingarda.
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  — Nunca acertou um tiro em Colt quando ainda tinha bons olhos, que dirá agora, Matusalém — Galo respondeu a Sam, com seu humor ácido e risadinha sacana.
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  Demi foi empurrando o pai para dentro de casa contra a vontade dele, enquanto ele xingava Galo e o Bennett dizia: “Até mais, Sam, é bom te ver vivo!”. Quando ela retornou de dentro da casa com sua maleta veterinária na mão, parou diante de Galo e lhe deu um chute na canela.
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  — É difícil ser uma mulher madura e adulta diante de você, Galo.
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  — Percebi pelo seu chute de menininha. — Ele fingia segurando os lábios em dor.
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  — O que faz aqui? Você nunca pisa no rancho Peterson.
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  — Trouxe a Meliante para você dar uma olhada. Está engasgada com um osso de galinha, o pai mandou eu matá-la pro jantar, mas… Eu acho que ela pode ser uma aberração que nos fará ganhar uns trocados. Onde já se viu uma galinha comer osso de galinha?
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  — Por Deus, eu não sei nem o que dizer… — Demetria estranhou o fato de ele trazer o animal, mais do que o motivo. No rancho Bennett, aquela ave já estaria sendo depenada se fosse Colt ou Beau. — Seu pai sabe que veio procurar meus serviços veterinários por isso?
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  Demi fez sinal com a cabeça para que Galo a acompanhasse até a varanda, para onde ela voltou e abriu a mala veterinária. O Bennett sentou no toco que ali havia, e continuou segurando firme a galinha entre seus braços abrindo o bico dela.
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  — Vai me dizer para sacrificar a coitada também? Que tipo de médica de bichos é você?
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  — Só estou estranhando, Beau acharia isso ridículo.
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  — Ele achou, mas preferiu não discutir para lidar com a mais nova crise adolescente do Colt.
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  — Hm… — Demi murmurou colocando a lanterna para ver o papo da galinácea. — É um pedaço de osso mesmo, e grande demais para uma galinha.
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  — Dá para tirar?
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  — Não sem degolar ela. Ela vai morrer se continuar tentando comer com esse ossinho atravessado, pouco a pouco ele pode ferir o tecido e não vai passar de qualquer jeito. Acabe com o sofrimento da bichinha logo.
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  — Não! — Galo lamentou e olhou para a galinha compadecido e disse: — Meliante, não acredito que até você vai morrer antes do Brutus!
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  O cachorro deu um latido como se o tivesse entendido.
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  — Bem, já que é assim… — Galo suspirou. — Você vai morrer com dignidade.
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  — Minha nossa, você é muito estranho. — Demi riu fechando a maleta de novo e se encaminhando para fora da varanda, onde há alguns metros entraria na sua caminhonete.
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  — Ei, espera! — Galo a seguiu. — O que houve entre você e o Colt ontem à noite?
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  Demetria esperou o Bennett a alcançar, e os dois voltaram a caminhar até a porteira do rancho, lado a lado falando do irmão dele.
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  — Nada. Por quê? Ele está rebelde e me culpando?
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  — Ele parece meio puto porque te encontrou ontem com o tal John… Estava em um date, é? — Galo deu uma risadinha. — Rolaram nos algodões das fazendas dele, é?
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  Demetria até tentava, mas às vezes não conseguia evitar o riso pelas bobagens de Galo.
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  — Minha vida amorosa não te interessa. E não sei por que o Colt ficaria puto com isso, John e eu fomos muito educados com ele.
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  — Eu acho que o Colt está sentindo remorso pelas coisas que aconteceram na vida dele… Essa coisa de reencontrar a Abby com o nerd do Kenny, e talvez, o fato de você não dar uma brecha para ele vir escondido pra cá dar umazinha com você como nos velhos tempos…
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  Galo gargalhou e Demi deu-lhe um tapa na nuca, rolando os olhos.
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  — O que o Colt está sentindo é o peso do fracasso. Ele sabe que perdeu muitas oportunidades e está no auge dos 34 anos buscando uma razão para continuar, mas também não sabe para onde seguir… — Demi suspirou abrindo a porta da sua caminhonete. — Ele estava vindo de Denver ontem quando parou no Grill, e sabe… Ele já estava com uma cara péssima. Não tem a ver comigo ou John.
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  — Me dá uma carona até minha porteira, vim andando pela cerca dos fundos — Galo pediu já abrindo a porta do carona e entrando. — Ele te falou alguma coisa sobre o treino ontem?
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  — Não, só nos cumprimentou rapidamente e nos deixou. John e eu saímos logo em seguida.
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  Galo suspirou e continuou a olhando analítico, e então, teve um dos poucos lapsos de preocupação com a velha amiga:
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  — Dementadora, esse cara te faz feliz?
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  — Há muito tempo eu não espero que um homem me faça feliz, Galo — respondeu calma e sincera. — E não tem muito tempo que o conheci, estou vivendo. Vamos ver onde vai dar… Mas ele é um cara legal.
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  — Se ele pisar na bola como o outro, ou… como o idiota do meu irmão, você pode falar que eu… Você sabe… Posso errar um tiro melhor do que o seu pai.
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  Demetria sentiu um sorrisinho sacana surgir aos poucos nos seus lábios, e encarou o amigo de forma jocosa.
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  — Você não tem provas que eu disse nada disso — Galo se defendeu logo antes dela falar qualquer coisa.
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  — Obrigada, Galo. Eu sei que no fundo você tem um bom coração, tentou até salvar uma galinha de ser o jantar da sua família!
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  — Quando eu descobrir o que aconteceu com o Colt ontem, eu te conto — disse Galo um pouco preocupado com o irmão, e sabendo que Demi também estaria.
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  Os dois deram risinhos e seguiram falando besteira até a entrada do rancho Bennett, onde Galo desceu e Demi seguiu para a clínica de Dale.
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• T H E • R A N C H •

  Outro dia havia se passado em Garrison sem eventos extenuantes, e era noite. No rancho Bennett, Colt e Galo assistiam a um jogo de futebol americano pela TV enquanto Beau, aparecia na cozinha colocando sua caixa de ferramentas sobre a bancada e perguntou:
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  — Alguém viu o meu martelo?
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  — Vi! — Colt respondeu puxando a ferramenta que estava na mesa ao lado do braço do sofá. — Está aqui! — E abriu a tampa da cerveja longneck com os dentes do martelo, entregando ao pai em seguida. Beau que assistia aquilo, respondeu surpreso:
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  — Usando um martelo para abrir uma tampa de rosca. Devia patentear isso. — Virou-se guardando a ferramenta e avisou: — Eu vou à casa da mãe de vocês.
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  — Com um martelo!? — Galo indagou confuso e irônico. — Vamos aparecer no noticiário?
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  — Quando fala merda o dia todo, vai para cama orgulhoso? — Beau perguntou de volta ao filho mais velho, com tom de quem iria mandá-lo se foder.
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  — Vou sim senhor — Galo respondeu, esperou o pai se afastar um pouco e falou ao irmão ao seu lado: — Aí faço outra coisa na cama e sinto vergonha.
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  Colt não segurou uma risadinha ladina, mas olhou para trás checando que o pai havia saído e perguntou direto ao irmão:
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  — Aí, o que acontece entre o pai e a mãe? Continuam casados, só que não moram juntos, mas ainda transam…
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  — É, já perguntei pro pai e ele resmungou — Galo começou a explicar. — Aí perguntei pra mãe e ela ficou falando uns 45 minutos, eu não consegui entender nada. Mas usou o termo “almas gêmeas sexuais”.
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  Colt riu achando bem típico do comportamento da mãe, enquanto Galo desconversou perguntando se ele queria terminar de ver o jogo no bar de Maggie.
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  — Não, não tô a fim — disse Colt.
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  — Não tá a fim de beber? Sua herpes voltou?
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  — Eu tô bebendo agora! — respondeu atravessado Colt. — Além disso, dá para beber quando se tem herpes.
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  — RÁ! — Galo zombou. — Você disse que não tem!
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  — Acabou?
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  — Acabei, mas posso voltar a qualquer hora. Que nem sua herpes. — Riu e bateu na perna do irmão, insistindo e se levantando. — Qual é, cara, vamos lá? Chamei a Demi por mensagem, mas ela disse que tem um encontro com o John.
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  — De novo?! — Colt ironizou. — A coisa é séria entre eles?
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  — Talvez ainda não, mas acho que vai ficar… — Galo deu de ombros. — Anda, levanta.
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  — Eu já falei que não quero ir!
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  — Colt, se não quer ir ao bar ver futebol e ficar bêbado, então realmente vou ficar preocupado com você! — Galo estranhou apontando ao irmão de pé em sua frente.
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  — Ah… — Como um cachorro que caiu da mudança, Colt explicou: — É que eu não quero encontrar a Abby…
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  — Por quê? O que você fez? Passou herpes pra ela?
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  — É, eu tenho herpes. — Irritou-se Colt, pegando a garrafa que o irmão bebia e esfregando a língua nela e zombando: — Vai fundo, bebe agora!
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  — Se ferrou, agora você tem herpes. — Riu zombeteiro, Galo, mas logo voltou a focar no assunto sério: — Por que não quer ver a Abby?
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  — Ah, uma noite aí a gente estava conversando, eu achei que ela tava a fim de mim e tentei dar um beijo, mas ela me deu um fora.
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  — Só isso? Cara, se eu fosse evitar toda mulher que eu tentei beijar, eu não poderia ir ao banco, nem ao dentista, nem à escola. — Com a última informação, Colt encarou o irmão com choque e reprovação e Galo explicou: — Calma, pervertido, foi a guarda de trânsito que trabalha na frente do colégio. Mas e aí, você vem ou não?
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  — Não preciso ir ao bar pra me divertir!
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  — A cerveja da casa acabou.
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  Galo explicou finalmente e se virou dando de ombros e mais do que imediatamente o irmão o seguiu. Enquanto caminhavam até a porta, Colt riu e perguntou:
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  — Hehehe… Guarda de trânsito? É sério que tentou beijar uma mulher segurando uma placa vermelha escrita “pare”?
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  — É, devia ter entendido a placa. Ela é quem me passou herpes.
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  Enquanto os garotos discutiam em casa e até fazerem o percurso do bar, Beau estava no trailer de Maggie tentando consertar o micro-ondas dela.
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  — Deu tudo certo aí? — ela perguntou ao marido/ex.
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  — Novinho em folha. — Se vangloriou e tentou ligar o aparelho que não acendeu.
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  — Mas quando estava novo ele ligava, Beau — Maggie zombou.
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  — Ah, por que será que nossos filhos são tão sarcásticos? — Beau perguntou com uma pontada de atrevimento. — Bem, melhor abrir tudo e começar do zero.
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  — Beau, isso tem vinte anos, é só eu comprar um novo! — Maggie reclamou.
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  — E vai comprar um novo a cada vinte anos? Eles podem fazer essas coisas pra durar mil anos, mas não fazem! Por causa de idiotas como você.
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  — É! Ou é o cartel internacional de eletrodomésticos, ou o fato de eu ter fumado maconha e ter posto uma frigideira no micro-ondas? — Maggie comentou, e logo interrompeu qualquer discussão que viria entregando a Beau uma cesta de verduras e legumes. — Toma, isso é pra você. Direto da minha horta.
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  — Isso é um castigo por eu não consertar o micro-ondas?
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  Os dois riram e Beau se afastou do aparelho segurando a bacia, e indo sentar-se em uma poltrona olhando os legumes, frustrado.
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  — Poxa, você tem que se cuidar um pouco! — advertiu Maggie ajeitando um pouco o local.
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  — Que ótimo! — começou a resmungar. — Os meninos serão obrigados a comer bife, mas eles é que vão perder porque eu vou comer um delicioso… — Remexeu a bacia e pegou, dizendo com ironia: — Nabo!
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  — Comer vegetais vai deixar você tão irritado assim? — Maggie indagou com as mãos na cintura, em pose de quem estava achando ridícula a resistência de Beau. — Além do mais, isso é um rabanete!
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  Os dois se olharam provocantes, Beau deixou a bacia de lado e encarava o rabanete em sua mão enquanto ouvia Maggie lhe perguntar se ele não queria fazer algo diferente naquela noite. Ele, apontando o vegetal pra ela com um sorriso sacana no rosto, respondeu que, da última vez que ela fizera um convite daquele, havia o feito comer “comida exótica”. Maggie riu, sacudindo a cabeça:
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  — Beau, era comida mexicana… Mas não… Eu estava pensando em usar aquela noite que ganhei no Marriott, no dia da macarronada do time.
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  — Hotel é negócio pra empresário e prostituta, Maggie… — Beau resistia.
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  — Nós podemos fazer um teatrinho se você quiser — Maggie respondeu brincalhona e piscou para o velho ex-marido, que não escondeu um farto sorriso sob os bigodes. — Poxa, Beau, quando foi a última vez que fez uma coisa espontânea?
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  — Outro dia mesmo, no caixa da loja de ração. Comprei chicletes. Sabe que eu nem me importei?!
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  — Ai, Beau, é sério! Você só trabalha! Merece férias!
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  — É que eu não trouxe outra roupa. — O velho Bennett deu uma desculpa mal dada.
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  — Não vai precisar de roupa! — Maggie no entanto, dizia insistente e cheia de malícia.
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  — Maggie… São 50 quilômetros!
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  — Eu dirijo!
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  — O veterinário vai ao rancho às 6:30! — Outra desculpa dele.
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  — Eu te deixo em casa às 6! — E ela rebateu.
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  — Eu vou ter que ir, né? — Beau suspirou, dando-se por vencido e Maggie sorriu, virando-se vencedora ao dizer:
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  — Vou pegar um casaco.
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  Beau deu um risinho baixo, olhou pro rabanete em sua mão dizendo ao legume:
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  — Vá se foder.
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• T H E • R A N C H •

  — Não vai andar na garupa da minha moto de novo se ficar gritando — reclamava Galo enquanto ele e Colt entravam no bar.
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  — Eu não estava gritando — se defendeu o caçula sentando no banco do balcão ao lado do irmão.
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  — Qual é? “Cara, para, não tem graça! Cara, vá devagar, não tem graça!” — Galo imitava Colt forçando uma voz afeminada.
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  — Eu estava quase caindo da garupa, tentando não deixar meu pinto encostar na sua bunda! — explicou com orgulho, Colt.
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  Hank, o bêbado que já havia se tornado parte da decoração do bar, estava ao lado deles e os escutava rindo quando os meninos o cumprimentaram. Hank olhou para o atendente substituto que Maggie arranjou naquela noite, e explicou:
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  — Eles são filhos da Maggie, e bebem de graça. Vão querer três cervejas — ordenou ao garçom.
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  O rapaz fez o que ele disse, e Colt e Galo apenas riram dando uma olhada em volta. Então Galo avistou Abby, e cutucou o irmão, avisando-o. A ex-namorada de Colt estava sozinha, e ele confessou para Galo:
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  — Cara… Eu sei que tenho que falar com ela, mas eu não quero.
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  — Você gosta dela e se sente mal. — Galo pegou sua garrafa servida e tentou ser o irmão mais velho que aconselha: — Seguinte, fala com seu coração. E fala a verdade. Pode ser difícil, mas ela vai te respeitar.
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  Colt observou ele virando um gole após o conselho, e nem acreditava que palavras maduras saíram da boca de Galo Bennett.
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  — De onde é que veio isso? — perguntou assustado.
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  — Eu brinco, mas no fundo eu sou bonzinho. Demi também acha — Galo explicou e virou-se para olhar melhor quem estava no bar, avistando uma garota. — Agora, espera aí. Já volto. Vou ali naquela gatinha dizer que sou superdotado e moro em uma mansão.
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  Ignorando a saída do irmão e se levantando com a cerveja como um antídoto à própria culpa e vergonha, Colt virou-se ao bêbado do lado dizendo:
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  — Hank! Me deseje sorte.
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  O ex-jogador de futebol americano caminhou até a mesa onde Abby estava sentada.
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  — Oi, Abby.
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  — O que você quer, Colt? — ela perguntou bravia, sem ao menos encará-lo. Sua expressão denotando a raiva pelo acontecido anterior.
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  — Quebraria o gelo se eu dissesse “um beijo”? — Colt respondeu.
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  Imediatamente, ela largou o copo com a própria bebida sobre a mesa, e encarou Colt de modo que se os olhos fossem armas, ele teria levado dois tiros.
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  — Olha, Abby… Eu sinto muito. Desculpa… Eu- eu passei dos limites. Naquele dia eu bebi demais e me deixei levar pelo momento. — Mudando o tom para um mais sacana ele completou: — E também por esses seus lindos olhos azuis…
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  Abby no entanto, não mudou a expressão de reprovação.
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  — Nada ainda? — Ele deu uma risadinha. — Que tal me dar um sinal quando estiver pronta para piadinhas?
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  Abby ergueu o dedo do meio para ele.
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  — Ah… Estamos de boa? — Colt zombou novamente com a expressão chocada pela atitude dela. — Não, Abby, olha… É sério, eu... eu sinto muito mesmo. Fui um idiota e não vai se repetir. Eu quero ser seu amigo e amigos não fazem isso. Acho que é hora de eu crescer…
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  — E por que eu devo acreditar em você? — Abby finalmente falou.
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  — Porque você é uma pessoa melhor do que eu? — ele respondeu depois de pensar um pouco.
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  — Nisso eu acredito! — Ela riu depois de um tempo séria e explicou, igualmente sincera para ele: — É que eu preciso que você leve a sério meu namoro com o Kenny, Colt.
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  — É claro, você está certa.
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  — Mesmo ele tendo sido um nerd da banda!
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  — Ah, aí! — Colt tentou puxar saco e não fazer um comentário cheio de bullying: — Tem vários Kennys legais de bandas! Kenny Chesney, Kenny Loggins, Kenny G…
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  Abby não aguentou, levou as mãos ao rosto apoiando os braços na mesa escondendo a risada. Colt riu satisfeito e propôs que eles recomeçassem a amizade do zero.
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  — Ok, Colt, mas… Eu estou falando sério! O Kenny é meu namorado e nada vai mudar isso!
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  — Beleza, eu entendi a mensagem!
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  — E outra coisa… — Abby suspirou mordendo os lábios tentando se policiar se dizia algo sobre aquilo ou não.
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  — O que foi?
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  — Demetria nos viu naquele dia.
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  — O que é que tem? — Colt arqueou a sobrancelha confuso.
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  — Ela… Não ia sair comentando, não é?
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  — Demi não é esse tipo, achei que você soubesse — Colt comentou em um tom um pouco ofendido. — Quero dizer, você também a conhece há anos!
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  — Não tanto quanto acho que você conhece — Abby falou dando de ombros.
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  Um breve silêncio constrangedor surgiu, Colt não entendia de onde ou por qual razão acontecia aquilo.
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  — Olha, se tem medo que o Kenny saiba… Pode ficar tranquila. Tenho certeza que de todas as pessoas em Garrison, Demi é a única que não daria a mínima pra sua vida particular ou para qualquer fofoca.
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  — Ela ainda me odeia, não é? — Abby perguntou e Colt a encarou confuso, como se aquilo fosse absurdo. — Qual é, Colt, ela e eu nunca fomos amigas.
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  — Isso não quer dizer nada, Demi nunca teve n ada contra você. Tá certo que ela perdia um pouco a paciência quando você estava junto ou aparecia, mas era por minha culpa. Eu ficava alugando os ouvidos dela falando ou pedindo conselhos sobre você.
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  Abby o encarou surpresa com a informação.
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  — Falavam de mim? Do nosso namoro?
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  — Sim, o que é que tem? Demi sempre foi a minha melhor amiga.
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  Por mais ingênuo que parecesse aquilo, Abby sentiu uma fagulha antiga de ciúme daquela relação de amizade que Colt tinha com Demi e parecia permanecer após tantos anos. Além disso, ela passou a compreender melhor o motivo pelo qual a veterinária não tinha muita tendência a simpatizar com ela. Colt era absolutamente inconveniente se ficava mesmo falando de Abby para Demi.
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  — Ah… Tá, não, nada — Abby desconversou.
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  Colt deu um sorrisinho, e a atenção dos dois foi tomada pela presença de outra loira que se aproximava da mesa.
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  — Oi, Colt! Senhorita Philipps, camisa legal! — Heather os cumprimentou.
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  — Ah, é? Oi, Heather! — Abby cumprimentou a garota.
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  Bennett arregalou os olhos um pouco aéreo com as duas loiras se falando.
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  — Uau… Heather… — ele cumprimentou de volta sem tirar os olhos do par de seios na camisa justa da jovem. — Vocês se conhecem?
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  — Pera aí, vocês se conhecem? — Abby devolveu a pergunta olhando pra Colt, um pouco surpresa.
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  — É! — Heather se aproximou dele, sem saber a situação e tocou no ombro de Colt explicando para ele e para ela: — Ela foi minha professora de história, Colt. E o Colt e eu ficamos, senhorita Phillips.
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  — Claro… Bom saber — Abby ironizou, virando um gole.
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  — Só pra deixar claro, a gente não chegou nos finalmente — Colt justificou-se envergonhado.
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  — É! Porque o pai dele entrou no quarto quando íamos começar a transar. — Heather não estava com maldade alguma, apenas a impetuosidade sincera de quem não deve nada a ninguém.
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  Abby fez uma careta e tentou desviar o assunto:
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  — Então, Heather, quando foi mesmo a última vez que nos vimos? Quatro anos atrás? No colégio? — Mas a pergunta saiu com um tom de julgamento tal qual o olhar que ela lançava pra Colt.
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  — A identidade falsa funcionou, Heather! — Uma garota se aproximou da mesa dizendo direto para Heather, e então olhou para Abby e Colt cumprimentando: — Oi, sou Nikki!
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  — Nos conhecemos, Nikki, fui sua professora de história no primeiro ano. Duas vezes.
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  — Repetiu história no primeiro ano também, saquei! — Colt deu uma risadinha e fez um highfive com a garota.
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  — Aí, cara, o pai mandou uma mensagem! — Galo chegou com o celular na mão, mas quando levantou a cabeça e viu Nikki e Heather ao lado de Colt e Abby na mesa, ele flertou sem disfarçar com a Nikki, que correspondeu com um risinho. Em seguida continuou: — Enfim! O pai disse que vai levar a mãe pro Marriott em Telluride.
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  — Ai, mentira! — Nikki comentou animada. — Meu Deus! Nossa formatura foi lá!
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  — Que demais… — ironizou Abby.
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  — A casa está vazia. Estão a fim de fazer uma resenha por lá? — Galo convidou as meninas.
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  — Mas é claro! — Heather sorriu.
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  — Aí, quer ir com o Kenny? — Colt convidou Abby.
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  — Não, desculpa, não vai dar. Estou esperando por ele, vamos levar comida pra mãe dele que não está muito bem.
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  — Ah, mas ele topou — Galo comentou erguendo o celular mostrando que conversava com ele. — O Kenny vai levar a cerveja.
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  — Tá, então eu acho que nós vamos. — Abby riu como todos os outros por ter sido pega na mentira.
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  Os cinco se encaminharam a sair do bar, e quando Heather falou que gostaria que os pais saíssem para ela dar uma festa em casa, Abby sentiu-se revoltada comentando sarcástica para Colt:
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  — Eu sou a única aqui que não mora com os pais?
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  Colt riu e deu de ombros. E eles seguiram para o rancho Bennett. Antes de subir na moto, Galo falou:
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  — Nikki, pode vir comigo. Abby, tudo bem você dar uma carona pro Colt e a Heather?
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  — Ah, claro. Só preciso pegar o Kenny antes — Abby falou um pouco sem graça. — Seremos só nós então?
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  Galo digitava no celular, parado na frente da moto e respondeu animado:
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  — Demi também.
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  — O quê? Ela vai? Mas ela negou vir pro bar! — Colt achou estranho.
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  — Chamei ela e o Kenny na mesma hora, e os dois confirmaram. A Demi está com o John no rancho dela, e é claro que ela pode levar ele. Até porque estamos todos em casal.
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  Nikki deu uma risadinha pela audácia divertida de Galo, e Colt assentiu sem argumentos, sentindo Heather entrelaçar seu braço ao dele, toda felizinha.
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  — Ah… Então vamos — Abby comentou sem se lembrar de nenhum John na cidade.
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Lelen

Eu fiquei chateada pela Meliante. Podia ter vivido, a pobi 😭
E eu quero só ver como vai ser esse “encontro de casais”, tô só antecipando a confusão 😂

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