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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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The Ranch

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

🛈

Episódio 3

  Demetria ajudava o pai na organização das baias dos cavalos de seu rancho, quando achou necessário tocar em um assunto delicado.
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  — Pai, agora que a temporada das chuvas voltou… — O som da chuva caindo no lado de fora do estábulo, era por todos comemorado, pois as chuvas retornaram periodicamente a cair nos solos do Texas. — O senhor não acha que deveríamos replanejar as atividades do rancho?
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  — O que você quer dizer com isso? — Sam olhou-a ladino, deixando de carregar um quadrante de feno.
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  — O senhor mandou metade do pessoal embora, diminuiu as atividades lucrativas do rancho, manteve o mínimo da produção das vacas e interrompeu a venda dos cavalos por conta dos custos da criação… Ou seja, assim como a maioria dos rancheiros da região, por conta da seca, o senhor está muito perto de ter que vender o rancho. Eu estou aqui agora, me deixa ajudar na administração dele.
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  Sam não podia negar nada do que a filha dizia. Na verdade, ele ansiava há muito tempo por aquilo, mas não queria que Demetria assumisse a administração sozinha. Pelo contrário, queria passar a obrigação ao seu futuro genro. No entanto, os planos não caminharam da forma como pensara. Contudo, o velho Peterson não poderia ignorar o pedido da filha, visto que ele necessitava prepará-la para tomar conta do rancho.
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  Ele sabia que era o momento.
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  — Demetria, sabe que eu nunca quis te deixar um legado difícil, não sabe?
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  — Sei. — Ela suspirou aproximando-se do pai. — E não deixou. Me oportunizou estudar medicina veterinária, mesmo depois que a mamãe se foi. Segurou as pontas aqui no rancho, e apesar de desejar que eu tivesse um esposo para cuidar disso tudo do meu lado… Bem, não tenho um homem, pai. Então, temos de lidar com o presente. Não acha?
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  — E quanto à clínica? Você está trabalhando com o Dale e projetando a sua clínica, como vai administrar o rancho também?
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  — Ei, eu dou conta! — Demetria sorriu de um jeito convencido para o pai. — E, além disso, eu tenho o senhor aqui ainda! Não vai se aposentar se é isso que está pensando, senhor Peterson!
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  — Droga, então vou ter que continuar trabalhando e passar o comando pra você? — O pai ironizou. — Não quero ser mandado!
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  — Eu só vou te ajudar, pai, e aprender. Prometo — Demetria falou risonha.
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  Sam era muito abençoado e tinha muito orgulho da filha. Ele a abraçou como se lhe desse a resposta positiva que Demi queria ouvir, e precisava permitir.
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  — Como pensa em começar? — Sam perguntou.
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  — Acho que deveríamos retornar com a criação dos cavalos! E fortalecer e expandir o gado também. Pelo menos, você não vai ter custo com veterinário! — Demi explicou e voltou à atividade de unir os feixes de feno, e seu pai de carregar o que ela amarrava.
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  — Antes precisamos melhorar a terra! O pasto não vai melhorar só com a chuva… Eu também acho que se investirmos em alguma monocultura pode ser bom, já que é um retorno mais rápido do que a pecuária.
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  — Plantação? Hum… — Demetria ponderou. — Nossa região vive da carne, pai… Mas talvez possamos investir no algodão porque pelo menos sabemos que teremos mercado pra escoar.
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  — Somos um pequeno rancho, Demi. Os grandes produtores irão engolir nosso algodão. Acho que deveríamos apostar em algo que tem pouca oferta, já que estamos começando do zero.
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  — Trigo? Frutas? — Demi mordeu os lábios pensativa.
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  — Cevada — Peterson disse certeiro.
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  — Cevada? — Demi repetiu curiosa. — Hum… Cevada… Então, pai, precisamos de um agrônomo. Pra avaliar a terra e as possibilidades. O senhor conhece alguém ou eu posso procurar?
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  — Eu vou chamar o John — Peterson afirmou. — Queria mesmo que o conhecesse. Ele me ajudou bastante nesses tempos difíceis. E também estudou na sua faculdade.
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  — John? Ele é de Garrison?
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  — Não, ele é de Nevada. O pai veio proTexas quando ganhou uma bolada em um cassino, e desde então a família se envolveu com a indústria agrícola. Ele é engenheiro-agrônomo, e adivinha de quem ele é descendente?
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  — Alguém que o senhor deve ser muito fã para saber tanto sobre o rapaz — Demetria zombou pela maneira como o pai parecia ter a ficha inteira do tal “John”.
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  — A bisavó dele era neta de Emma Charlotte Velie!
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  Sam sorria de uma orelha a outra, admirado.
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  — Velie? — Demetria enrugou a testa tentando se recordar.
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  — Pouca gente associa o sobrenome materno “Velie”, mas Emma Charlotte era a filha mais velha de ninguém menos do que John Deere! O garoto é descendente dos Deere!
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  Demetria assentiu entendendo a empolgação do pai.
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  — Um Deere, que veio de Nevada e o pai ganhou uma bolada em um cassino? É alguém a quem se ter certo respeito… Ele deve ter uma estrela e tanto.
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  — Sorte é muito mais do que ele tem, o John é um bom homem! Íntegro, inteligente e humilde. Gosto dele.
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  — Como o senhor o conheceu? — Demetria estava curiosa com aquela figura relacionada ao seu pai.
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  — O pai dele veio para o Texas, mas apesar de investir em agricultura, não era um rancheiro. É uma família de engenheiros metalúrgicos, e você sabe… Deere! — Sam fez piada. — Então, eles arrendaram as terras daqui. O John era um garoto e foi estudar engenharia agronômica porque ele gosta do campo, e como a família produz maquinário industrial agrícola, fazia sentido para ele. Mas ele só veio pra cá mesmo quando descobriu que a seca estava impedindo a produção das terras. O pai dele, então, deu as propriedades da região como parte adiantada de uma herança em vida, e como um desafio pra ele recuperar. Os arrendatários da região não conseguiram manter. John chegou em Garrison na época em que você foi pra faculdade, recém formado e cheio de sonhos como você, e hoje, é um dos poucos rancheiros em Garrison e região que não precisou passar dificuldade com a seca.
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  — O que ele produz? — Demetria perguntou um tanto surpresa por toda aquela história.
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  — Algodão.
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  Sam terminou o trabalho e retirou as luvas, deixando-as pendurada em uma madeira do estábulo.
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  — Entendi — Demetria falou amarrando o último feixe de feno e levando para a pilha com os outros. — O senhor contou a história do tal John Deere, mas não contou como se conheceram.
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  — Ele prefere John Velie, querida. Ele é discreto, apesar de os pais terem dado a ele o sobrenome do tataravô, em homenagem. Nos conhecemos na barbearia de Garrison, por acaso. Ele me contou a história dele com seus ranchos, eu contei a situação do meu, então me ofereceu ajuda e só muito tempo depois ele me disse quem era. Não são todos em Garrison que sabem de quem ele descende.
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  — Vejo então que o senhor ficou amigo dele. — Demetria sorriu ao ver o fanatismo do pai pela família Deere. — Bom, então, talvez devêssemos mesmo pedir ajuda.
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  — Eu vou telefonar e saber se ele está em Garrison! Vai ser ótimo vocês se conhecerem!
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  Sam saiu vestindo o boné sem dar tempo para a filha falar qualquer coisa, mas Demetria percebeu o certo tom de conspiração do pai. Ela terminou o que fazia e seguiu de volta ao casarão do rancho.
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• T H E • R A N C H •

  Dois dias depois, ela caminhava pelo rancho com seu pai e John, a quem havia feito a visita técnica que Sam pediu. O homem era dez anos mais velho do que ela, mas era mesmo um tipo e tanto! As intenções de Sam não eram totalmente ingênuas. Ele percebia que John seria um ótimo partido para sua filha, e não escondeu isso de Demetria. No entanto, tanto John quanto Demi agiam com absoluto respeito e profissionalismo um com o outro.
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  — Bem, então depois de fazer tudo isso que você diz, acha que podemos começar a investir no plantio, John? — Sam perguntou enquanto os três caminhavam de volta para a caminhonete de Demi.
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  — São terras ótimas as suas, Sam! Aliás, a região tem boa terra para plantio e pecuária, os rancheiros só estão mais habituados a produzir sempre o mesmo, mas você tem uma boa projeção! Acho que podem investir em cevada, sim, e em trigo! Já que o solo pode produzir ambas culturas ao mesmo tempo. Quanto ao algodão… É uma plantação mais delicada para esse momento.
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  Sam riu e bateu no ombro do rapaz, amigavelmente:
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  — O algodão é coisa sua! — relatou. — Eu não vou me arriscar tanto agora, e tampouco competir com uma fazenda produtora tão grande como a sua. Comentei com a Demi que acho muito mais seguro apostar no grão da cevada.
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  — E não recusaremos ajuda, senhor John! — Demi falou. — Como sempre fomos criadores de cavalo e gado de corte, entrar na agricultura será uma novidade muito grande pra nós.
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  — Terei prazer em ajudar, senhorita Peterson! — John respondeu cortês.
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  — Você fica pra almoçar com a gente! — Sam deu o veredito entrando na própria caminhonete. — Enquanto eu me adianto pra ver o pernil que deixei no braseiro, Demi, mostre a ele o pasto e venha com John para casa em seguida.
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  A mulher assentiu e os dois esperaram o rancheiro entrar na própria picape para então eles irem até o pasto do gado.
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  — A chuva renovou a grama, mas papai disse que suas dicas mantiveram o mínimo de qualidade no pasto nos últimos anos, senhor John — Demetria comentou quando já estavam no carro e ela dirigia.
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  — Pode me chamar apenas de John, por favor. — Ele sorriu. — Fico feliz que pude ajudar o Sam. Ele também ajudou muita gente na região, segundo eu soube.
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  — Com certeza, menos os Bennett. — Demetria riu.
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  — Bennett? Do rancho vizinho? — John indagou e ela apenas concordou com a cabeça. — Bem, eu soube pelo velho Carpenter da loja de insumos que Sam falou para ele propositalmente tudo o que os Bennett souberam depois sobre como manter o rancho. Ele quis parecer como se fosse uma fofoca do Carpenter. É uma antiga rixa entre seu pai e o Bennett, não é?
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  — É sim. — Demetria sibilou uma meia-risada. — Garrison inteira sabe que Sam e Beau são amigos rivais de alguns anos.
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  — Bom, foi generoso da parte do Sam. E eu admiro muito por isso. Ele poderia ter guardado as informações que dei e lucrar ou sobreviver sozinho, mas ele tentou salvar tantos outros ranchos quanto pôde ao partilhar as técnicas.
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  — Quero o agradecer, John. Eu estava estudando, sabia da situação, mas não tudo. O meu pai escondia grande parte da realidade, e sempre que o visitava, as coisas pareciam normais no rancho. Eu só vim ter dimensão da situação real dois anos atrás, quando ia me casar.
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  — Ah, então… — John comentou observando curioso a mulher. — É casada?
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  — Não. Acabamos o noivado um pouco depois.
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  — Sinto muito. Também não tive sorte com relacionamentos — John comentou.
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  Demetria o encarou de lado e sentiu que entre os dois alguma coisa parecia gerar interesse mútuo.
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  — Como eu dizia… Obrigada! Você não precisava ser generoso com meu pai também, mas foi.
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  — Não me agradeça. — John sorriu e mordeu o lábio ponderando. — Ou melhor… Se quiser mesmo mostrar sua gratidão, aceite minha amizade e… Meu convite para jantar.
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  — Jantar? — Demetria comentou sorridente olhando para o verde pasto além de sua janela, assim que estacionou o carro. — É… Pode ser legal. Aceito sua amizade e o jantar.
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  Os dois sorriram e desceram do carro. John analisou a grama e o estado do solo do pasto, e quando viu que tudo estava indo bem, falou para Demi que, logo, o gado se recuperaria e ela poderia ficar otimista com todos os planos que tinha para seu rancho.
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  — Quanto lhe devemos pelas análises técnicas de hoje? — ela perguntou antes de retornarem para o carro.
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  — Ah bem, eu não vim pensando em cobrar ao Sam por quebrar um galho de dar uma avaliada nas terras dele, sabe? Mas, se você, assim como eu, não gosta de dívidas, então, o almoço de hoje já pode contar como um pagamento?
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  Demetria não conseguiu deixar de rir com a gentileza e maneira naturalmente galanteadora de John.
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  — Dois jantares! O almoço de hoje não conta, foi ideia do meu pai.
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  — Seu pai tem ótimas inspirações, pelo visto — John comentou deixando o sorriso ainda maior e sem receio de abrir a porta do motorista para Demetria entrar.
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  Ela subiu e sorria satisfeita enquanto o engenheiro dava a volta no carro para entrar do outro lado.
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• T H E • R A N C H •

  Beau e Colt voltavam do trabalho no pasto conversando, quando Galo chegou de moto e o pai perguntou:
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  — Chegando do treino?
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  — Treino? — Colt estranhou. — Está fingindo ser técnico do time de vôlei feminino do colégio de novo?
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  — Não, eles sacaram — Galo respondeu. — Estou como treinador da defesa do time de futebol americano do colégio. Pego mais líderes de torcida de 18 anos agora do que no colegial.
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  — Nunca pensei em você como técnico — Colt falou caminhando para dentro de casa.
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  — Nem eu. Mas o pai só me dá folga pra duas coisas.
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  — Funerais e futebol — Beau falou, seguindo Colt.
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  — Exatamente, e cinco anos atrás, quando o técnico de defesa morreu, consegui ambas — Galo explicou para o irmão.
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  Os três estavam na varanda da casa, terminando de chegar e ainda falando de futebol. Colt pegou uma bola de futebol que estava disposta ali em um canto, e perguntou ao irmão se o colégio Garrison ganharia do Norwood naquele ano, e Galo, otimista, explicava que esperava por aquilo.
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  — Detesto os Norwood, eles se acham tão superiores só porque tem um Walmart gigante e dois semáforos — Galo dizia em tom de rejeição.
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  — Tem uma loja John Deere em Norwood — contou Beau com certa ironia seguida de orgulho: — Ano passado me ofereceram desconto pra perdedor por pena de mim. Paguei o valor total.
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  — Tô confiante — Galo explicou. — Nosso time é incrível, o quarterback tem um braço fortíssimo. Chamam ele de próximo Colt Bennett.
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  — Então ele ainda vai estar morando com os pais aos 34 anos? — provocou Beau.
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  — O próximo Colt Bennett? — Desacreditou Colt, jogando a bola para o irmão e dando-lhe as costas, saindo da varandinha para o quintal da frente, e se posicionando distante em posição de pegada. — Dizem isso todo ano. Não vai ter outro Colt Bennett, lembra do cara que apareceu depois de mim?
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  Galo lançou a bola e ele pegou. Os irmãos começaram uma pequena disputa com a bola, lançando de um para o outro.
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  — Dubanowski, não era? O que ele táfazendo agora? — Colt perguntou sobre o cara que jurava que seria seu sucessor no colégio enquanto lançava a bola para Galo.
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  — É cirurgião. Separou gêmeas siamesas — contou Galo e lançou de novo a bola.
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  — E daí que ele separa coisas? — Colt falou com inveja. — Eu uni uma cidade toda e venci um Estadual, e tudo com esse braço. — Lançou a bola mais uma vez.
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  — Não esqueça quem você puxou — Beau comentou se levantando e juntou-se a eles. Pegou a bola da mão de Galo lançando com força para o filho caçula, e provocou Galo zombando de seus lançamentos fracos ao irmão: — Você puxou a sua mãe.
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  Colt receptou a bola e caminhou para perto de Beau, dizendo admirado:
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  — Achei que você era um linebacker, pai.
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  — Na minha época fazíamos de tudo. Jogávamos nos dois times — Beau disse orgulhoso se aproximando para se colocar em posição.
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  Galo, obviamente, não perdia uma piada nem mesmo quando era contra o seu pai ranzinza:
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  — É, isso significa outra coisa hoje em dia, pai.
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  — Então vamos jogar um pouco! — Colt animou-se estendendo a bola para Beau. — Pai, você passa a bola, Galo, você corre.
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  — Nem morto, sei qual é a sua — Galo disse.
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  — Como assim, idiota? — Colt perguntou confuso.
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  — Você me manda correr, e corre mais, entra em casa, se tranca e mergulha suas bolas no meu cereal.
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  Beau abaixa a cabeça negando por tamanha babaquice dos filhos, segurando uma risada.
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  — É hora do jantar, não vou colocar meu saco na sua sopa quente — Colt garantiu. — Esse é um erro que se comete só uma vez.
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  — Qual é o problema de vocês? — Beau perguntou com a mão na cintura olhando os dois. — Cresci com dois irmãos, e nunca vi o saco deles!
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  Os irmãos deram um risinho sacana, e Beau mandou:
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  — Galo, pode correr.
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  Mas ao abaixar-se para dar o primeiro lançamento da bola, Beau, no início do movimento deu um grito, a sua coluna travou.
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  — Você tá bem? — Colt perguntou assustado.
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  — Tá parecendo que eu tô bem, porra? — Beau gritou com as duas mãos segurando o chão e o quadril para o alto, e Galo, de novo, não engoliu a piada:
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  — Parece que você vai jogar para os dois times.
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  Beau, com dificuldade, se levantou apoiando nos joelhos e encarando o filho mais velho, enquanto Colt, numa espécie de ritual de gente velha, pegou terra e esfregou nas costas do pai.
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  — E então? A gente não vai mais jogar com o pai com as costas doendo — Galo comentou. — Vamos beber lá na mãe, isso aí é falta de lubrificação. E eu não estou fazendo piada agora.
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  — Vamos jantar primeiro e depois a gente vai — Colt falou.
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  Beau apenas concordou com tudo, e depois de jantarem, eles foram para o bar na cidade. O mais velho dos três Bennett, adentrou ainda com a mão “nas cadeiras”, dizendo estar bem, apesar de Colt reclamar pelo pai não o ter deixado dirigir.
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  — Cada vez que girava o volante pra direita, você gemia como uma jogadora de tênis, pai — Galo zombou.
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  — Beau, o que foi? — Maggie perguntou ao vê-los se aproximando do balcão. — Tá andando como se realmente estivesse com uma coisa enfiada na bunda.
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  — O pai deu um jeito na coluna — Colt explicou.
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  — Sabe o que é bom prascostas? — Hank, o bêbado, falou aos quatro: — Pilates.
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  Beau o encarou como se fosse bater nele.
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  — Não ajudou, Hank — Maggie comentou. — Você tem que ir ao médico, Beau.
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  — Eu tô bem — Beau falou desdenhoso, ainda de pé.
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  — Está bem? Então tá! — Maggie pegou três cervejas, colocou duas no balcão na frente dos filhos. — Aqui meninos. — E a terceira ela colocou no chão na frente de Beau. — Pode pegar.
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  Ele a olhou incrédulo, e ela deu de ombros voltando para trás do balcão dizendo:
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  — Vai ao médico!
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  — E ter que pagar mais 200 dólares em uma consulta? Não, obrigado! Se não melhorar até semana que vem, eu vou ao veterinário e pego uns comprimidos — decretou e se apoiou na bancada, cutucando o filho. — Galo, pode pegar minha cerveja?
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  — Posso.
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  — Jameson, se você tocar nessa cerveja, nunca mais beberá neste bar. — Maggie ameaçou.
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  — Desculpa, pai. — Galo olhou para Beau, que também o encarava. — Eu te amo, mas é cerveja grátis.
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  — Colt? — Beau olhou o outro filho, suplicante.
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  Colt encarou pai e mãe, e com uma expressão de surpresa, ele se levantou, abaixou-se e pegou a garrafa. Quando o pai estendeu a mão, ele virou a bebida na própria boca.
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  Demetria estava de passagem na cidade e decidiu entrar no bar naquele momento, e flagrou a cena sem entender muita coisa.
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  — Ok, acho que você roubou a cerveja do seu pai. É isso mesmo?
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  Os quatro olharam para ela, e Beau explicou com raiva dos filhos:
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  — Botei dois bostas no mundo que roubam a cerveja do pai entrevado da coluna.
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  — Bem, a veterinária chegou. Peça os comprimidos. — Galo deu de ombros ao pai.
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  — Uau, vocês são mesmo uns filhos de merda. — Demi ria dos garotos, e foi até o balcão pedindo uma bebida para Maggie.
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  E assim que a mulher passou a garrafa, Demetria entregou-a a Beau.
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  — Olha… Você deveria ser minha filha. Falta muito pra ficar órfã de pai e eu te adotar? — Beau sorriu para ela a abraçando.
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  — Jogo sujo, Demi — Maggie reclamou estendendo outra bebida à moça.
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  — Felizmente, espero que meu pai ainda viva bastante — ela respondeu para Beau. — Mas eu aceito ser tratada como filha. O senhor pode passar a herança do Galo para mim.
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  — Ei! — Galo reclamou. — Se quiser parte da nossa herança, precisa se casar com um de nós. E eu já aviso, a pior escolha é o Colt. Ele é um fracassado, e o pai não vai deixar muito pra ele.
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  Colt deu uma cotovelada em Galo. Maggie riu e Beau sentou-se no balcão devagar, ao lado de Demi.
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  — É, o Colt é mesmo pouco confiável — Demi concordou com Galo.
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  — Ei, do que está falando, Demetria? — Colt indagou ofendido.
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  — Eu disse para você sair do celeiro antes do meu pai acordar — ela devolveu a reclamação pela ajuda do outro dia. — Eu mesma deveria atirar na sua bunda magra e pálida!
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  — Quer dizer que a bunda do Colt é magra e pálida? — Galo gargalhou.
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  — Olha, eu não tenho culpa, o Peterson acorda cedo demais, e depois… Tava quentinho no feno…
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  — Seu pai não acerta o Colt de propósito ou ele é mesmo ruim de mira? — Galo perguntou.
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  — Tô começando a achar que é só pelo prazer de poder atirar várias vezes e torturar o Colt.
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  — Nem vem, ele é um homicida. Atirou bem perto do meu pé dessa vez!
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  — Quem é um homicida? — John perguntou baixinho no ouvido da mulher, chegando observador à conversa, e sentando-se ao lado de Demi.
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  Ela virou-se surpresa para ele, e abriu um largo sorriso.
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  Beau cumprimentou o homem, o conhecia de vista. Maggie perguntou o que ele beberia e o serviu assim que ele respondeu. E Colt e Galo ficaram o encarando. Um surpreso e o outro confuso.
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  — Meu pai atira no Colt Bennett há anos, e ainda não acertou — Demi explicou para ele. — Era do que falávamos.
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  John olhou para os dois rapazes e sorriu, curioso.
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  — Bennett? O Sam odeia vocês, não é?
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  — E você, ele não odeia? — Colt perguntou desconfiado.
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  — Na verdade, meu pai adora o John — Demi respondeu risonha e provocante.
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  — Oh-oh — Galo sibilou para Colt. — Acho que já entendi tudo.
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  — Cala a boca, Galo — Colt mandou cochichando também.
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  — Então, você é o John! O agrônomo que ajudou o Sam? — Beau perguntou coçando a nuca.
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  — Isso mesmo, e apesar da rivalidade, não hesite se precisar dos meus serviços, senhor Bennett. — John estendeu um cartão para Beau.
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  Maggie observava Demi e o rapaz, de um modo sugestiva, escondendo um risinho. Beau leu o cartão dele, o encarando com surpresa.
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  — John Velie? O algodão produzido nas fazendas Velie são seus?
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  — Ah, isso mesmo. — Ele sorriu sem graça. — Pouca gente em Garrison sabe quem sou, já que eu não fico o tempo todo por aqui.
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  — É, são muitas fazendas pra administrar — Maggie comentou também surpresa.
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  — Dementadora, como você arranjou o magnata do algodão do estado? — Galo perguntou em tom de surpresa e interesse.
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  — Dementadora? — John perguntou para ela.
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  Demetria deu de ombros revirando os olhos, dizendo para John ignorar Galo e explicou:
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  — Não arranjei o magnata. Somos amigos — explicou.
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  John sorriu para ela, como quem quisesse dizer “por enquanto”, mas apenas bebeu um gole de sua cerveja.
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  — Grande coisa. Ele planta algodão, e eu sou Colt Bennett, venci um Super Bowl. — Colt estava morrendo de ciúme, mas não reconhecia aquele sentimento.
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  — Você não vai querer competir legado com o John — Demi avisou, sorrindo tal qual o homem.
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  — Bom, é sempre útil ter contatos — Beau falou para o empreendedor fazendeiro, guardando o cartão dele na carteira. — E sendo amigo da Demi, é meu amigo também. Ela é como uma filha pra mim.
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  — Pra mim também — Maggie respondeu.
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  Galo soltou um resmungo com a atitude dos pais:
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  — Tsc… Eles não fazem nem questão de fingir que gostam mais da filha do Peterson do que de nós. Vamos, Colt, vamos beber longe desses traidores.
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  E arrastou o irmão para longe do balcão. Maggie, Beau, Demi e John sorriram achando cômico os filhos enciumados, e conversaram entre si. No outro ponto do bar, Colt parou de encarar o tal “John” com Demi, e teve sua atenção voltada para Kenny.
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  — Ah, droga, e mais essa… — ele reclamou e Galo encarou o irmão sem entender. — É o Kenny ali.
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  — Você é mesmo um puta azarado. Suas ex-namoradas arrumaram caras bem melhores que você, e você esbarra neles no bar da sua mãe. Pelo menos você não paga a cerveja! — Galo deu de ombros e observou: — Tátentando evitar ele?
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  — É, tôsim — explicou Colt.
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  — Não te culpo. — Galo fingiu compreensão para em seguida gritar: — E aí, Kenny! Tudo certo aí?
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  Colt quase engasgou com a bebida.
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  — Galo, Colt! E aí, como estão? — Kenny se aproximou dos dois.
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  Galo e ele trocaram breves palavras enquanto Colt só acenou e bebia suas duas cervejas: a que roubou do pai, e a que bebia antes.
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  — Está tudo bem com você e a Abby? — Galo perguntou provocando. — Espero que sim, porque vocês dois formam um casal muito, muito bonitinho.
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  O jogador seria capaz de espancar o irmão se estivessem sozinhos.
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  — Ela é incrível! — Kenny declarou sorrindo. — Ela me entende!
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  — É, eu sei porque a Abby ama você. — Galo continuou provocando o irmão em um diálogo com Kenny. — Mas por que não conta pra mim e para o Colt por que você ama a Abby?
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  Kenny sorriu e Colt se viu preso com o irmão e o atual de sua ex-namorada, sentado em uma das mesas do bar conversando sobre ela como se fossem amigos. Mas felizmente, após elogiar a namorada, Kenny mudou o assunto contando que foi eleito o presidente do clube de futebol americano do Colégio Garrison. E, para iniciar a temporada, eles iriam fazer um jantar italiano, e convidou Colt para ir ao evento dar uma palavra de incentivo aos novos jogadores. Afinal, ele era a lenda de Garrison.
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  Colt, no entanto, negou. Kenny, sem jeito, perguntou se ele poderia doar algo para a rifa, que seria bacana uma foto autografada dele e do novo quarterback, e ele até considerou a proposta, e brincou:
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  — Se quiser, pode fazer um “ganhe um encontro com Colt Bennett”, desde que eu escolha a vencedora.
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  Galo fez piadas sem graça, Kenny continuou sorrindo e conversando com eles, até que Demi, se aproximando da mesa, chamou a atenção dos três.
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  — Ei, garotos — ela falou para os Bennett e cumprimentou Kenny: — E aí, Kenny.
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  — Oi, Demi, você está mesmo ótima! — Kenny sorriu e se levantou para cumprimentar ela com dois beijos no rosto.
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  — Obrigada, mas não deixa sua namorada saber disso. Ela tem certo trauma comigo — Demi zombou, Galo riu, Kenny não entendeu, e Colt bufou.
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  — Vim me despedir, Bennett — ela falou e, encarando o Colt, explicou: — Porque, como eu te disse, quem chega depois que cumprimenta e se despede.
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  — Você vai conferir se o algodão do John é fofinho? — Galo zombou.
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  — Eu não acho que “fofinho” combine com o estilo do John — Demetria provocou Galo ao dizer. — Ele é bem másculo se não notou. Diferente de você que deixa a barba crescer e não toma banho para parecer um homem das cavernas.
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  — Olha só, ela defendendo o coroa do algodão, Colt! — Galo zombou.
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  Colt estava sentindo-se sem ar com tudo aquilo.
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  — Bem lembrado! — Colt comentou: — Aliás, Demi, esse cara não é muito velho para você?
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  — Como é, Colt Bennett? — Demi encarou-o jogando o cabelo para trás, descrente, e com a mão em um dos quadris. — Vou fingir que você não confundiu as coisas. Aliás, meu pai está em casa e mesmo ele não faz perguntas ridículas assim.
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  — É, Colt, a Demi não tem preconceito ou sequer fala das garotas de 18 anos que você pegava. — Galo saiu em defesa da amiga, apenas para provocar mais o irmão.
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  — Eu não pego garotas de 18 anos.
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  — É verdade, a Heather tem 20 — Galo entregou.
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  Colt ficou vermelho e suspirou.
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  — Olha só, Demi…
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  — Até depois, Bennetts! — Demi interrompeu o que quer que fosse a fala de Colt, acenando e saindo em direção ao balcão, onde John se despedia de Beau e a aguardava.
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  — Ah, ótimo! Agora o pai e a mãe também gostaram dele? — Colt reclamou se levantando.
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  — Eu não sabia que você e a Demi tiveram algo… — Kenny comentou surpreso pela reação de Colt.
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  Galo começou a rir e aconselhou Kenny:
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  — Você devia contar isso para a Abby!
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  — Ah, é? Por quê?
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  Colt encarou o irmão com fúria, e viu Kenny com uma expressão de paspalho e não suportava mais, precisava sair dali, e foi o que ele fez após se despedir de qualquer jeito.
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• T H E • R A N C H •

  Durante dias, Beau continuou trabalhando no rancho sentindo dor nas costas. E só quando a dor começou a limitar ainda mais sua capacidade de trabalho, foi que ele decidiu ir ao médico. Estava no consultório do Dr. Boyd, quando foi surpreendido por uma doutora. Ele não curtiu nada a mudança, mas descobriu que seu médico de confiança havia morrido há doze anos e quem atendia agora era a filha dele: Dra. Boyd. A médica reconheceu imediatamente o paciente rabugento “Beau Bennett” de quem ouvia histórias do pai assim que Beau lhe deu a primeira resposta mal-educada.
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  — Há quanto tempo suas costas doem?
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  — Não é da sua conta.
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  — Ah! Beau Bennett! Entendi! — A médica riu e foi mais direta com Beau: — Vou examinar suas costas, pedir um raio-x e verificamos o que está causando dor. Aproveitaremos pra fazer um check-up.
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  — Não preciso de check-up, todo resto está ótimo.
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  — Faz doze anos que o senhor não vem ao médico, não seria profissional da minha parte não fazer um check-up. Além disso, a boa notícia é que desde que virei médica, só matei três pacientes — brincou.
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  — Ah, e ainda por cima é engraçadinha — Beau respondeu ranzinza de novo.
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  — Tudo bem, vou te passar a receita. — A doutora Boyd anotou no papel e ao entregar para o paciente, sacanamente, ela colocou no chão para o ranzinza pegar. Encarando o homem sentado na maca, disse: — Pode pegar e ir embora, mas se não conseguir, vou fazer os exames.
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  Beau bufou vencido. Depois de fazer os exames, a doutora Boyd retornou o elogiando:
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  — Senhor Bennett, olha, preciso admitir. No geral, sua saúde é ótima!
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  — Quando levo minha caminhonete no mecânico e não há nada de errado, eles não me cobram — Beau soltou a indireta com um sorrisinho sacana.
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  A médica sorriu, ignorando a tentativa e se aproximou dando a receita para ele:
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  — Tome isso até a dor nas costas passar, o senhor deve ficar bem em alguns dias.
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  — Tudo bem. — Beau se levantou e agradeceu: — Nos vemos daqui 12 anos.
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  — Eu não acabei — a médica falou. — Precisamos falar da sua pressão alta. O senhor tem hipertensão de estágio 2, que pode causar AVC, infarto ou insuficiência renal, a menos que mude seu estilo de vida.
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  — Eu não vou fazer Pilates. — Beau já foi logo se adiantando com a mão na porta.
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  — Comece pela alimentação. Diminua a carne vermelha — a médica aconselhou.
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  — Esquece — negou Beau.
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  — Vai ter que cortar a bebida alcoólica.
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  — Vai sonhando.
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  — E o estresse? O que faz para aliviá-lo? — a médica perguntou.
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  — Como bife e bebo uísque — Beau respondeu bem certeiro.
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  — Senhor Bennett, por favor, é sério — com toda educação e simpatia do mundo, a médica insistiu.
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  — Olha, meu estresse vai diminuir quando eu vender os meus bezerros.
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  — Até lá, corte o sódio e coma mais verduras.
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  — Nosso papo terminou. Obrigado — Beau declarou saindo da sala da médica.
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• T H E • R A N C H •

  Colt estava no Colégio, ao lado de Galo, conversavam e ficaram secando duas garotas que descobriram que eram alunas e não professoras, e logo foram abordados pelo antigo técnico do time, o treinador Fitz, e o novo quarterback, Josh. Colt estava ali para tirar a tal foto com o garoto, que seria usada na rifa.
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  Eles foram apresentados e enquanto o garoto elogiava Bennett, o ego de Colt inflava. Em uma tentativa de parecer um pouco mais descolado, Colt começou a contar a história de quando desobedeceu um comando do técnico e o time foi campeão, assim, empolgando o adolescente que passava a encará-lo ainda mais com admiração. Josh disse que Colt precisava contar aquela história no jantar italiano do time, o convidando, e dessa vez ele aceitou.
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  O que o ex-jogador colegial não notou, mas Galo sim, foi a expressão descontente do treinador Fitz ao ver Colt motivar o garoto com um de seus exemplos de rebeldia. Depois que Colt e Galo estavam sós em seu rancho, o ex-jogador brincava com o cachorro da casa, quando Galo chegou e se aproximou dele sem jeito. Colt notou que o irmão estava dando voltas em torno dele para falar alguma coisa, e então, Jameson contou que o treinador lhe disse, contundente, sobre não querer e tampouco aprovar que Colt Bennett ficasse próximo do time da escola, tudo por ele ser um mau exemplo.
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  Colt ficou revoltado:
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  — Aquele idiota que se foda! Dei o único título estadual dele!
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  — Colt, você foi lá e contou uma história de cinco minutos com a moral: “não ouça o treinador e vença o estadual”. Que tipo de mensagem passa ao time?
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  — A que acaba com “vença o campeonato estadual”! — Colt explicou deixando claro o seu descontentamento com o julgamento do treinador Fitz. — Quer saber? O azar é dele. Azar do time e da cidade se não me querem ajudando os garotos!
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  — Você está sendo infantil, e um cretino e um cuzão — Galo corrigiu o irmão, e estava coberto de razão.
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  Colt não gostava de admitir quando estava errado, mas sabia que Galo estava certo e até entendia o ponto de vista do treinador. Enquanto refletia, escorado na pilastra dos degraus da varanda, Colt percebeu a picape de Abby entrando no rancho de novo. Ele não pôde deixar de sentir seu humor melhorar um pouco, e surpreendeu-se quando Abby retirou a antiga jaqueta colegial do time de futebol de Colt de dentro do carro.
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  — Uau, você ainda guardou isso?
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  — É… Achei uma boa ideia te devolver e você usar no jantar italiano.
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  — Bacana… — Colt sorriu admirado, e ficou por um tempo encarando-a.
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  A troca de olhares entre eles carregava uma antiga tensão romântica, na qual Colt, levado pela nostalgia, se aproximou mais de Abby e tentou beijá-la na boca. Mas a loira, rápida e surpresa, o afastou.
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  Demetria chegava a pé. Ela havia atravessado entre os ranchos pela cerca que os dividia na parte de trás. Estava em sua casa arrumando a maleta veterinária, quando encontrou uma pomada que poderia ser de bom uso para a dor de Beau, e com isso, decidiu montar no cavalo e cavalgar até os limites do rancho. Deixou a égua do lado de dentro de sua fazenda, e a equina voltou sozinha o caminho para o estábulo, como já estava habituada há anos, e Demi sorriu ao notar que o animal ainda sabia acobertar as fugas dela.
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  Atravessou a cerca de arame farpado, e foi caminhando passeando pelo rancho Bennett até chegar na parte de trás da varanda, onde se surpreendeu ao ver Colt tentando beijar Abby. Ela parou um pouco distante dos dois, mas não muito, de forma que Abby viu a chegada dela, e Colt também. Mas o jogador pouco se importou com a presença de Demetria ali. Ele ficou irado com Abby negando sua aproximação.
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  — Colt, não! — Abby espalmou o peito dele. — Tenho namorado! E amo o Kenny.
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  — Ah, é? Então por que fica arrumando desculpazinhas para vir aqui?
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  — Quer saber? — Abby falou ultrajada e constrangida porque Demetria estava parada perto e vendo tudo. — Esquece! Eu só estava tentando ser sua amiga, mas não se preocupe, isso não vai se repetir!
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  Abby entrou no carro e Colt observava a saída dela com desprezo em seus olhos. Ele pegou um copo na mesinha de centro com a garrafa de uísque que ali estava e serviu-se de dose suficiente para um gole. Enquanto virou a dose em sua garganta, descendo rascante o líquido, Colt olhava para o carro de Abby passando pela porteira. Irado, ele lançou o copo de vidro ao chão, estilhaçando-o tal como sua raiva.
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  Demi, que assistiu a tudo quieta, meneou a cabeça em sinal de negação ao presenciar a atitude de Colt. Ele não amadureceria, nunca?
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  — Eu queria entender por que você segue obcecado por ela se foi você quem terminou anos atrás.
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  A veterinária falou se aproximando, com as duas mãos nos bolsos da frente de seu jeans, uma regata preta colada ao corpo, com seu típico blusão de flanela xadrez amarrado na cintura.
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  Demi parou em frente a Colt, que tinha a mesma expressão de birra que ela sempre viu no amigo, desde a infância. Suspirou decepcionada e olhou para o chão, ajeitando seus longos cabelos escuros e ondulados para trás, quando o encarou de novo.
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  — Não enche, Demetria — Colt falou depois de ficar em silêncio observando a reação dela após a pergunta.
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  — Relaxa, eu não vim aqui para te encher.
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  — Tá fazendo o que aqui também? — Colt perguntou ríspido.
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  — Não é da sua conta — ela respondeu simples, passando por ele na varanda da casa e entrou.
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  Colt bufou mordendo o lábio inferior e observando a mulher entrar. Ela era a única que sempre o colocou no lugar dele, e Colt jamais conseguia sentir raiva de Demetria. Pelo contrário, ele sentia que ela era o seu refúgio.
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  — Você quer se mudar pracá? — Entrou em sua cozinha, já falando com a mulher em um tom menos mal-humorado e vendo-a abrir a geladeira e pegar bebida.
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  — Já está mais calmo? — Demi perguntou ignorando a piada dele.
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  Ela abriu a bebida com a blusa, e escorou-se na ilha da cozinha. Colt ficou de pé na frente dela, agora, sendo ele a ter as mãos no bolso da frente da calça, arrependido.
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  — Foi mal descontar em você.
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  — Não descontou em mim. — Deu de ombros. — Descontou no copo e deixou vários cacos de vidro no chão, e vai logo limpar antes que alguém se machuque.
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  — Você continua mandona.
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  — E você continua pirracento.
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  Os dois se encaravam de um jeito intenso, um jeito reconhecível e antigo. Colt suspirou e pegou a garrafa da mão dela bebendo um gole e a devolvendo.
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  — Acho que não tem ninguém em casa, não é? — Demi falou dando uma olhada no silêncio ao redor.
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  — Galo já chegou. Por quê? Não quer ficar a sós comigo também? — Colt perguntou com certa implicância.
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  — Isso nunca foi um problema para mim, eu sei muito bem o que quero e quando quero ao se tratar das pessoas. Não preciso ficar criando desculpas para estar perto de ninguém, e nem tentar criar clima com nenhum ex — Demetria disse séria, madura e até, de certo modo, fria. — Embora, você não seja exatamente um “ex”.
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  Colt bufou.
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  — Você tá mesmo diferente, se achando muito melhor do que eu, não é, Demetria?
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  — É o que você acha, Colt. É você que olha para todo mundo como se as pessoas estivessem te julgando o tempo todo. Eu não me acho melhor do que ninguém.
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  Colt engoliu a frase dela e deu as costas, mudo. Pegou vassoura, pá, e foi limpar os cacos de vidro da entrada. Enquanto isso, Galo desceu as escadas sem camisa se surpreendendo com Demi ali.
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  — Dementadora?
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  — Cai fora. Preciso dar uma dura no seu irmão — ela falou.
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  — O que ele aprontou?
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  — Tentou beijar a Abby, jogou um copo no chão e está agindo como um bebê chorão.
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  — Que merda, cara… — Galo pegou uma garrafa na geladeira abrindo e comentando com Demi: — Eu não sei por que ele está tão frustrado com a Abby e o Kenny, e com você e o John.
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  — Não viaja, Galo. O problema do Colt é a Abby, sempre foi.
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  — Você parece ter superado mesmo o Colt — Galo disse sério, como poucas vezes conversava com Demi, se aproximando escorando na bancada também.
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  — É que eu sempre fui mais inteligente do que ele, não é? — Ela deu um meio sorriso. — É sério… Ele está somatizando um monte de fracassos nessa volta para o rancho e jogando em quem quer jogar. Essa parada dele com o Kenny e a Abby não tem a ver só com a Abby.
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  — Tem razão. Ele não está aceitando qualquer coisa que digam contra as atitudes dele. — Galo contou para Demi: — Ele deu um péssimo exemplo ao Josh na frente do treinador Fitz, e ficou com raiva quando contei que o treinador não quer que ele auxilie o novo quarterback, e nem fique perto do time.
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  — O Colt sabe que está errado, e é por isso que ele faz pirraça. Se estivesse certo, estaria se fazendo de vítima incompreendida — Demi definiu.
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  — UAU.
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  — O quê? — Ela percebeu Galo a encarando com uma expressão de tamanha surpresa.
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  — Você conhece mesmo o Colt, até melhor do que a mamãe! Você deve ter…
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  — Não termina a frase ou eu posso te deixar brocha por um tempo — Demi ameaçou.
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  Galo riu e se aproximou de Demi tentando a abraçar.
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  — Não encosta em mim sem vestir uma camisa, é nojento.
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  — Se fosse o John você não recuava — provocou o amigo.
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  — Não mesmo.
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  Ela respondeu zoando e Colt voltou com vassoura e pá na mão, e encarou os dois ficando confuso.
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  — Galo… Tá fazendo o que sem camisa aqui embaixo? Demi… Você não fica enjoada? — provocou.
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  — Eu já vi animais de todo tipo, dos menos nojentos até o tipo do Galo — Demi zombou fazendo os irmãos rirem.
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  — Eu só vim pegar uma cerveja antes de subir e mandar uns nudes para umas gatinhas — Galo explicou ao irmão. — Vou deixar vocês a sós, mas tentem não se pegar na mesa e nem na bancada da ilha, a gente prepara comida nesses lugares.
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  — Vá se foder — Demi e Colt falaram juntos.
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  — Estou indo. — Galo riu e deixou os dois.
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  — Ele é nojento — Demi comentou suspirando com um sorriso. Olhou para Colt, que estava parado ao lado dela, escorado na bancada e ela deu a garrafa que bebia para ele, e foi pegar outra cerveja. — Tá a fim de conversar?
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  — Com você eu sempre tôa fim — Colt respondeu observando a amiga de costas.
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  — Não caio mais nas suas cantadas, Bennett.
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  — O John é melhor de cantada do que eu? Aliás… Ele…
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  — Colt — Demi o interrompeu. — Não é da sua conta. Não fica metendo o John no assunto, e para com essa porra de ficar se comparando com os exou atuais das mulheres com quem dormiu. O que você está tentando provar a si?
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  — Eu não tento provar nada pra mim! Do que está falando?
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  Ele odiava que Demi sempre era a mais madura, a mais destemida, e até a mais digna de confiança de todos do que ele. Porém, mesmo odiando tudo isso, ele não conseguia deixar de admirá-la e querê-la por perto.
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  — Tálegal. Eu… — Colt assumiu. — Não sei por que estou tão incomodado com a Abby e o Kenny. É só que… Sei lá, é o Kenny!
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  — Você acha o Kenny um idiota e não aceita que a Abby veja algo nele que a faça ser leal. Ao mesmo tempo, você também acha que ele é melhor do que você em alguns aspectos. E saber que apesar do seu rostinho bonito e corpinho gostoso, ela escolheu um cara mais inteligente emocionalmente te deixa com raiva.
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  — Obrigado pelo “corpinho gostoso” — zombou Colt —, mas eu não sei se é isso.
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  — Por que terminou com a Abby se ainda gosta dela?
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  A pergunta de Demi mexeu com memórias e sentimentos antigos de Colt.
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  — Eu ia embora, você sabe.
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  — Isso não era motivo. Distância é só uma variável.
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  — Não era pra mim. Eu não conseguia me imaginar namorando uma garota que estava a quilômetros.
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  — Ok, entendi. Mas acha justo voltar agora e tentar estragar o que ela tem?
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  — Olha só, Demi, não sou eu que fico indo atrás dela! — Colt se defendeu com raiva.
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  — Tudo bem, pode até ser, mas… Tentar beijá-la e não colocar um limite também é falta de responsabilidade sua. Então se você deixar uma barra de ouro que é sua perto de mim, eu não tenho culpa se eu a levar?
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  Demetria tirou o corpo que estava escorado na bancada da ilha, e Colt ao seu lado se afastou também, parando na frente dela. Os dois ficaram de pé em silêncio, se encarando. Colt se aproximou um passo e abraçou Demi de surpresa.
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  — Eu… Estou confuso com tanta coisa.
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  Demi sentiu o aperto dele em seu corpo como não sentia há anos. O rosto dele afundou no pescoço dela, e um arrepio involuntário percorreu as costas de Demi. Ela segurou os ombros de Colt, como se o quisesse afastar.
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  — Você é a única pessoa que sempre me entendeu, Demi.
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  Aquela frase desarmou-a. Ao mesmo tempo que ela sentiu vontade de rebater dizendo-lhe: “mas você nunca me entendeu”.
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  — Colt, olha só — ela falou, o obrigando a soltá-la um pouco. Colt desceu as mãos para os quadris de Demi, soltando-se de um abraço, mas sem se afastarem totalmente. Ele a olhava nos olhos, curioso com o que ela diria. — Se sentir confuso é normal, você tinha tudo e de repente não tem mais a vida de antes, voltou pra casa dos pais e ainda não realizou um monte de coisas na vida. Eu sei que a cobrança externa e interna sobre você é grande, mas porra, Colt! Você precisa crescer. Escolher o que quer da vida e agir como um homem.
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  — Você tem razão. Mas esse é o problema, o que quero da vida não é nada disso que tenho agora.
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  — Então vai atrás do que quer. O time em Denver, por exemplo. Se você mostrar esforço, talvez as coisas melhorem.
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  — Sou só um estepe protreinador! E nos jogos e treinos eu sirvo de “rostinho popular e bonito” pra motivar a equipe e torcida.
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  — Colt, ninguém vai te dizer o que deve fazer. Isso é responsabilidade e decisão sua, ok? — Demi suspirou tocando o rosto dele com as duas mãos.
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  Colt sentiu a mão quente dela em seu rosto e fechou os olhos, se deixando levar por um momento pela nostalgia. As mãos que estavam no quadril dela avançaram para a bunda de Demi, que sorriu ladina pela tentativa abusadinha dele, mas Colt estranhou o objeto no bolso de trás e abriu os olhos, assustado:
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  — O que você está levando no bolso de trás da sua calça?
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  — O que parece pra você? — Ela sacaneou rindo.
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  — A porra de um consolo!
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  — Por que eu carregaria um consolo no bolso da calça, Colt Bennett? Pareço precisar de um pinto de borracha? — Demi zombou ainda mais e se afastou de Colt, que estava boquiaberto a olhando confuso, ela levou a mão até seu bolso e sacou o tubo cilíndrico e grande de aerossol veterinário. — É um spray para o seu pai.
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  Colt franziu o cenho e pegou o tubo lendo: “Calminex, relaxante para dores e contusões de uso animal”.
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  — Pomada pra cavalo? — Colt riu. — Tenho certeza que agora é o remédio certo.
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  — Ele não está, então vou deixar isso aí com você. — Ela desamarrou a blusa de flanela da cintura para a vestir, e Colt acompanhava cada movimento dela, checando de novo o corpo de Demi. — Até mais, Bennett.
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  — Ei Demi. — Colt segurou o punho a impedindo de ir, e ela apenas o encarava aguardando a fala seguinte. — Er… Você… Deixa. Deixa pralá.
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  — A gente se vê por aí, Colt.
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  Demi não insistiu em saber. Ela deu as costas e saiu da casa dos Bennett certa de que pela primeira vez desde que voltou, o coração dela falhou com a proximidade de Colt. E era um péssimo sinal.
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• T H E • R A N C H •

  O dia do jantar italiano havia chegado. Todos haviam ido: Maggie, Beau, Galo, Demi, e estavam na mesma mesa. Até Abby estava com Kenny, mas em mesa oposta. Quando Abby avistou Demetria sozinha perto do ponche, ela aproveitou o momento para se aproximar. Parou ao lado da Peterson, e pigarreou sem muito rodeio:
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  — Demetria, podemos nos falar um minuto?
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  Demi escutou o seu nome na voz de Abby e queria esfregar a carinha sonsa da loira na parede. Ela sabia o quanto Demi não gostava de ser chamada pelos outros de Demetria, a não ser sua família e pessoas íntimas.
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  — Não sei o que você pode ter a falar comigo, mas diga — Demi disse friamente sem encarar Abby, terminando de servir os ponches de sua mesa.
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  — Olha, é sobre o outro dia, no rancho. A gente pode falar em outro lugar?
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  Demi suspirou e então assentiu, largando as bebidas e seguindo Abby até um corredor vazio do colégio.
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  — Eu só queria te pedir que não comentasse com ninguém o que você viu e ouviu — Abby pediu com o rosto culpado e gesticulando muito. — Aquilo foi…
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  — Tenho cara de fofoqueira? — Demi perguntou cortando-a secamente.
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  — Como?
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  — Que interesse eu teria em ficar espalhando fofocas sobre a sua vida por aí, Abby? Aliás… Alguma vez eu já me interessei por algum assunto sobre você?
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  Abby abriu e fechou a boca, espantada. Ela não esperava que Demi se ofendesse, respirou calmamente e pediu desculpas.
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  — Desculpa, eu não quis insinuar que você…
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  — Não tenta explicar, pode ficar pior. Eu não sei de nada, não vi e nem ouvi nada — Demi cortou de novo. — Se era isso que te preocupava, fica tranquila. Seja lá o que o Kenny tiver que saber, não é minha obrigação contar.
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  — Obrigada — Abby comentou.
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  Demetria virou-se para sair, mas Abby soltou:
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  — Você me odeia por causa do Colt, não é?
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  Demi estalou a língua e virou-se para ela.
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  — Você não acha que isso é dar poder demais ao Colt, e importância demais a você?
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  — Acho, mas eu sei que você não gosta de mim. E o único motivo que posso imaginar é porque no passado ele e eu namoramos. Vocês sempre negaram um envolvimento, mas… É bem nítido para mim.
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  — Se já tem suas conclusões, por que faz perguntas inconvenientes às pessoas? — Demetria respondeu e então saiu sem retórica.
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  Ela tentou ocultar o sentimento passado por Abby, mentindo que não a odiava na adolescência por ciúme, mas pareceu que o mesmo sentimento ainda a perturbava. Só que agora era ainda mais vergonhoso enfrentar aquilo. Fosse por Colt no passado, ou por uma mágoa no presente, o fato era que Abby continuava sendo muito irritante aos olhos de Demi.
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  A Peterson voltou ao ponche, pegou novos copos e serviu-os. Maggie, Beau e Galo estavam retornando a mesa após os jantares servidos, e Galo zombava do pai pelo prato repleto apenas de salada.
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  — O que está acontecendo? — Demi perguntou ao juntar-se a eles. Chegou na mesa, estendeu para Maggie e Beau as bebidas, já que Galo não queria “beber suquinho”.
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  — O pai tá puto porque só tem mato no prato dele. — Galo riu e mostrou o celular para ela. — Registrei o momento.
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  Demi riu ao ver a foto de Maggie ao lado de Beau, seu prato de salada em evidência, e o velho com o dedo do meio estendido na foto.
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  — Querida, eu trouxe um prato de macarronada e almondegas para você. — Maggie estendeu a ela.
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  — Demi, vinte dólares se trocar de prato comigo — Beau pediu.
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  — Foi mal, senhor Bennett, mas dessa vez é pela sua saúde.
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  — Droga, você é mesmo uma Peterson — Beau zombou enfiando a garfada de alface na boca.
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  — E o Colt? — Demi perguntou.
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  — Sei lá, ele disse que estava vindo, mas não o vi ainda — Galo comentou.
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  Kenny subiu ao palco, chamando a atenção de todos e Demi olhou ao redor. Abby estava sentada novamente na mesa onde antes estava seu namorado.
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  — Boa noite, pessoal, antes de chamar o treinador Fitzgerald, vamos sortear o primeiro prêmio da rifa? Uma noite de graça em qualquer Courtyard by Marriott — Kenny falou e todos aplaudiram, em seguida fez o sorteio: — E o prêmio vai para… Maggie Bennett!
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  Maggie ficou muito feliz, e Beau sorria para ela incentivando-a a buscar o prêmio, mas a empolgação dele era apenas para roubar a carne do prato de Maggie, contudo, a dona do bar foi esperta e voltou tirando o prato da frente de Beau. Demetria e Galo riram daquilo.
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  — E agora, uma enorme surpresa para todo mundo! O melhor quarterback da história do colégio Garrison, Colt Bennett! — Kenny anunciou com empolgação.
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  Todos os presentes no salão aplaudiram e ovacionaram a presença de Colt, e sua família vislumbrou, admirados, Colt subindo ao palco para dar algumas palavras de incentivo e motivação para o time do colégio.
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  — Obrigado! — Colt falou com a voz um pouco arrastada. — Respondam uma coisa!
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  — Ele está bêbado? — Demi perguntou baixinho para Galo ao seu lado.
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  — Quando ele não está bêbado? — o irmão zombou despreocupado.
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  — Qual é o melhor time de futebol estudantil do estado do Texas? — Colt gritou a todos no microfone.
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  — Garrison! — E a plateia respondeu vibrante.
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  — E quem é que vai dar uma surra no Norwood esta semana?! — ele gritou de novo.
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  Demetria observava a situação um pouco tensa. Ela lia no rosto de Colt que ele não estava “bem”.
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  — Garrison! — gritaram em resposta, mais uma vez.
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  — Quem vai procampeonato estadual!? — Colt gritou ainda mais, cambaleante.
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  Demi trocou olhares desconfiados e preocupados com Maggie, que também tinha o cenho franzido olhando para o filho.
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  — Garrison! — A plateia era puro orgulho.
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  — Quem vai terminar a temporada e perceber que a melhor época de suas vidas ficou para trás?
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  Pronto. Ali as coisas começaram a degringolar mesmo.
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  — Garrison! — No automático, Galo e mais uma pessoa responderam, só se dando conta da pergunta depois.
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  Demi se remexeu inquieta na cadeira, Galo olhou confuso para o irmão, Maggie continuou imóvel com o semblante preocupado, e Beau já não sorria, estando sério e decepcionado.
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  — E quem vai fracassar como jogador profissional de futebol e ter que voltar a morar com o pai? — ele disse frustrado olhando para Beau, que o encarou com pena, mas Colt continuou o desabafo: — E depois descobrir que a ex-namorada tácom um cara que era da banda?! — finalizou em tom de total deboche.
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  Ninguém comentava nada, apenas o olhavam com desprezo, pena ou vergonha. Abby estava decepcionadíssima e séria o encarando.
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  — Garrison! — Colt gritou em resposta, soltando o microfone e saiu cambaleante e revoltado palco afora, depois de roubar o prato de macarrão de um dos jogadores juvenis.
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  Maggie se levantou para ir atrás de Colt, mas Demi arrastou a cadeira antes e pediu aos Bennett:
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  — Deixa que eu vou. Falo com ele.
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  Beau então segurou a mão de Maggie, e Demetria saiu à procura de Colt. Ela o encontrou chorando revoltado, e jogando o prato intocado em uma lixeira, já na saída do colégio.
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  — Colt! — gritou, mas ele não ouviu.
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  Demi decidiu seguir ele devagar, mas se espantou quando viu Colt subindo em um tratorzinho de mini arado que estava estacionado em uma rua da vizinhança escolar, e saiu dirigindo.
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  — Merda, Bennett! — ela murmurou e correu de volta ao estacionamento do colégio onde estava sua picape.
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  A veterinária conseguiu alcançar Colt, que já estava na autoestrada com o trator, mas antes que ela o interpelasse, um carro da polícia local passou por ela mais acelerado, e seguindo o jogador, que foi parado metros à sua frente. Demi estacionou e observou um pouco de dentro da picape antes de descer.
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  — Eu posso explicar tudo, senhor! — Colt disse arrastado ao policial que lhe jogava uma lanterna no rosto. — Eu não tavanem correndo. Olha, eu quero um advogado, ela disse que tinha 18 anos.
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  — Bennett? — O policial sorriu apagando a lanterna e Demi não entendeu nada da cena que apenas via e não escutava. — É você?
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  Colt abriu um sorriso, se jogou de cima do trator abraçando o policial:
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  — Billy Litrão!
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  Ele se separaram, e Colt encostou no trator continuando a conversa despretensiosa, e bêbado:
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  — Nossa! Como é que vai a vida?
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  — Tentei entrar na faculdade, cara — respondeu o policial. — Não consegui. Tentei trabalhar em alguns fast foods, não consegui. Daí, agora sou policial.
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  — Aí! O que táfazendo pra esses lados? — perguntou Colt totalmente fora de si.
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  — Parando um bêbado dirigindo um trator.
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  — Que coisa… — Colt riu. — Eu tôum pouco bêbado, tôdirigindo um trator e acabei de ser parado por um policial… Parece que estamos fazendo a mesma coisa! Aí… tive uma ideia, vamos jogar um pouquinho?
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  — E o que você acha de entrar no banco traseiro da viatura e não vomitar? — Billy falava paciente e tolerante com Colt.
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  — Essa é uma ideia, mas antes… — Colt roubou o quepe policial de Billy e começou a correr em volta dele.
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  — O que eles estão fazendo? — Demetria perguntou a si mesma, confusa, e decidiu descer do carro.
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  Billy pegou de volta e deu uma bronca em Colt sobre ele estar ridicularizando um policial, e foi nesse momento que Demetria se aproximou.
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  — Billy! — ela gritou. — Demetria Peterson!
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  — Demi? — Colt perguntou arrastado.
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  O policial se virou para ela, e então suspirou:
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  — Eu tôlevando o Bennett, Demi. Ele infringiu dirigindo bêbado e….
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  — Eu sei, Billy, eu sei — Demetria explicou como se aquilo fosse amenizar tudo. — Ele tomou um porre depois de descobrir que foi trocado pelo Kenny.
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  Billy olhou para Colt com expressão de pena.
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  — É, vamos, entra na viatura Colt — Billy falou o puxando.
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  — Qual é, vai me prender só porque brinquei com você um pouquinho.
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  — Não vou te prender, vou te levar pra casa — Billy explicou.
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  — Eu levo, Billy — Demi se intrometeu.
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  — Tem certeza, Demetria? Ele está podre de bêbado.
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  — Eu tôacostumada com o Colt na pior e melhor versão dele, relaxa.
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  Billy ainda um pouco em dúvida permitiu. Colt abraçou Demetria beijando o rosto dela várias vezes, e então ela o afastou duramente:
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  — Vamos, seu pudim de merda! — Demi o empurrou. — Vou te levar pra casa!
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  Billy ajudou a colocar ele no carro de Demi, e antes que ela saísse, avisou que iria escoltá-los.
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  — O trator é dos Bennett?
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  — Não, ele pegou na avenida principal perto do Colégio Garrison.
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  Beau, Maggie e Galo estavam reunidos e preocupados na varanda do rancho, esperando por notícias dele. Haviam ido embora envergonhados do evento, logo após a saída de Demetria.
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  — Falem o que quiser, ninguém vai esquecer aquele discurso — disse Galo para os pais.
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  — A gente tem que sentar e conversar com ele! — Maggie falou séria, preocupada e brava.
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  — Nem sei mais o que fazer, já tentei de tudo — Beau justificou.
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  — Você só tentou gritar e expulsar ele de casa — Maggie falou.
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  — Como eu disse, já tentei de tudo — Beau repetiu.
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  — Lá vem o Litrão, e a Demi — Galo comentou vendo os veículos na entrada da porteira.
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  — Se alguém tinha que pará-lo, fico feliz que foi o Billy. — Maggie suspirou.
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  — E a Demi continua carregando o Colt nas costas — Beau comentou entortando o bigode com desaprovação.
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  Os carros entraram devagar, e Demetria ouvia Colt grunhir como se fosse vomitar logo no instante que chegavam, e foi dura com ele:
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  — Colt, se vomitar na minha picape, eu arranco as suas bolas — Demetria ameaçou.
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  — Você não sabe fazer isso… — Ele ria e zombava.
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  — Sou veterinária e já fiz castrações em animais de grande porte, tem certeza que não sei fazer isso?
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  Colt parou de rir e sentiu-se enjoado.
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  — Porra, Demi, tá tudo rodando…
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  — Chegamos, aguenta aí.
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  Ela estacionou, abriu a porta e ajudou Colt a sair. Ele se apoiava nela e não tirou os olhos dos peitos dela, até que riu largamente dizendo:
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  — Você tem peitos muito grandes ou tem muitos peitos grandes?
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  — Cala a boca.
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  — Eu não lembro deles serem assim grandões e redondos… — Colt riu passando um dedo pelo pescoço de Demi até o seu decote. — Ops, licença…
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  — Vou te matar, Bennett!
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  — Eu levo ele! Antes, sopra aqui, Bennett. — Billy surgiu descido da viatura, e fez Colt soprar o bafômetro antes de tirá-lo do apoio da Peterson.
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  Em seguida, arrastou Colt até a varanda, com Demi ao seu lado, livre de Colt.
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  Assim que se aproximaram, Galo se levantou e chegou perto do Billy dizendo:
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  — E aí Litrão, vai me pagar os 50 dólares?
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  — Você continua vendendo maconha para adolescentes, Galo? — O policial deu a indireta.
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  — Tábom, já me pagou… — desconversou Galo.
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  Colt comentava ainda pendurado no ombro de Litrão:
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  — É sério, eu posso fazer ainda mais pontos!
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  — Não é videogame, Colt, é um bafômetro! — Demi corrigiu, porque minutos antes ele achou que o bafômetro era uma competição. A Peterson explicou aos pais dele: — Achamos ele na rota 68, com um trator que roubou de alguém na cidade.
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  — E eu ainda tenho que voltar lá e guinchar aquilo. Droga! — Billy reclamou e deu as costas como se voltasse para a viatura.
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  Colt, de pé apoiado em Galo agora, fez sinal de silêncio para o irmão que o olhou suspeito perguntando:
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  — Que foi?
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  — Roubei o taser do Billy. — Colt ria tirando de seu bolso a arma de choque policial.
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  Galo não conseguiu evitar rir com o bêbado e Demi bufou se aproximando e tomando o taser da mão de Colt.
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  — Francamente!
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  — Não tem graça, Colt! — Billy se aproximou da Peterson pegando a arma de volta e olhou para Colt dando bronca nele: — Se eu perder mais um, estou fora da polícia! E na próxima eu te levo preso!
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  O policial saiu e Demi suspirou se aproximando da poltrona da varanda.
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  — Galo, coloque o Colt sentado aí, precisamos conversar! — Maggie ralhou.
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  — Mãe — Colt iniciou, falando embolado ainda: —, eu não quero ouvir não. Eu já sei o que vão dizer!
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  E emendando as vozes de cada um da família, Colt debochou:
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  — “Colt, tô, preocupada com você!” — imitou a voz doce da mãe. — “Colt, estou bravo com você!” — imitou a voz grossa do pai. — “Colt, blá-blá-blá,” — e por fim imitou a voz rouca de Galo.
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  Galo zombou o irmão, dizendo que a imitação dele seria um “blá-blá-blá” seguido de vômito, dois minutos no futuro. E como se fosse premonição, Colt tentou responder o irmão, mas veio o enjoo e ele correu para dentro a fim de vomitar, contudo, bateu no vidro da porta fechada e caiu de cara no chão.
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  — Leva esse monte de merda que eu e sua mãe fizemos para dentro, Galo — Beau ordenou.
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  Então, Galo carregou Colt. Demetria se levantou pronta a ir embora depois de suspirar e reclamar:
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  — Esse idiota me fez sair do evento sem comer meu jantar, tôfaminta.
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  — Oh, querida, me desculpe por isso. Quer que eu prepare algo? — Maggie falou cuidadosa.
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  — Não, Maggie. Eu vou para casa, obrigada.
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  — Obrigada você, Demi. É a segunda vez que ajuda o Colt — Maggie falou abraçando a mulher.
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  — É, eu só não digo que o tenho como um irmão porque, bem… Seria estranho, não é? — Ela gargalhou ao pensar no quão absurdo era dizer aquilo dado o passado deles.
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  — Demi, eu posso te falar uma coisa? — Beau perguntou a ela, sério. A veterinária assentiu. — Pare de carregar o Colt nas costas. Ele não valoriza seus esforços, me preocupa que você se decepcione.
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  — Beau… — Demi suspirou. — Eu não sou mais a garotinha que foi apaixonada pelo Colt, fique tranquilo.
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  — Concordo com o Beau, querida. Mas confio que você sabe que o Colt não é homem pra você — Maggie também afirmou.
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  A Peterson abraçou o casal e foi para casa. Quando chegou, Sam estava preocupado em por quais motivos ela demorou tanto no jantar do time de futebol da cidade.
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  — Colt deu um vexame, e eu ajudei a procurar ele. Mas amanhã te conto melhor, tá,papai?
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  Sam observou a filha beijar o rosto dele, e segurou sua mão aconselhando:
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  — Eu sei que não é burra, Demetria. Sabe que Colt Bennett não é homem para você, não sabe?
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  — Sei, sim, pai, mas o senhor também sabe que amo aquela família e os tenho com uma estima de amigos, não é? E também, por mais que o senhor não goste, Beau e Maggie me tratam com muito carinho.
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  Sam suspirou e ponderou. Ele se lembrava do passado, da amizade entre os rancheiros e filhos, e até do apoio silencioso e oculto que a filha tivera dos vizinhos após a morte de Laci.
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  — Eu sei, não gosto do Bennett, mas se tem alguém que sei que cuidaria de você na minha ausência, é o Beau.
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  — Pois é, não que vá ser preciso, pai. — Demi sorriu e abraçou o pai antes de ir para o seu quarto.
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  O velho Peterson apagou a luz e foi para o dele também.
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• T H E • R A N C H •

  Na manhã seguinte, Beau tomava café e lia o jornal na mesa da cozinha e Colt descia as escadas se vestindo, totalmente ressaqueado. Quando viu o pai sentado, virou-se sorrateiro, tentando voltar ao quarto, pé por pé.
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  — Bom dia! — Mas Beau notou, e cumprimentou em tom firme de voz.
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  — Droga… — sussurrou Colt, e falando voltou-se para perto do pai: — Tá legal, você tá bravo. Me desculpa, eu sei que fiz papel de idiota. Envergonhei você e deixei nossa família constrangida.
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  — Você também passou pelo drive-thru da sorveteria com o trator dos Miller — Beau contou irônico.
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  Colt assentiu surpreso, e com falsa postura de vergonha. Passou as mãos nos cabelos, deixou o boné sobre a mesa e sentou-se na cadeira, dizendo ao pai:
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  — Tá legal, quer saber? Já que vai gritar comigo, pode gritar e acabar logo com isso.
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  — Isso não ajudou em muita coisa até agora. — Beau olhava para ele analisando-o, e tinha a voz firme, mas calma, e soube que precisaria ser franco com Colt.
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  — Quê? — Colt perguntou desacreditado à reação do pai.
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  — Quando voltei do Vietnã, eu não tinha a mínima ideia do que eu ia fazer da vida — Beau começou a contar para o filho, pacientemente. — Tinha 22 anos e era soldado. Era tudo o que eu sabia fazer. Só sabia disso. Eu era um garoto perdido voltando da guerra. A única coisa que eu tinha estava bem aqui. Então voltei pra casa.
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  — O vô também encheu o saco por você morar com ele? — Colt perguntou, já não conseguindo encarar seu pai de vergonha.
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  — Não, acho que não. Ele ficou feliz por ter alguém pra ajudar, ajuda que ele não precisava pagar. Estávamos todos agradecidos por eu voltar inteiro. Logo depois disso, seu avô morreu. Minha mãe ficou sozinha. De repente! — Beau dizia tudo calmamente, mas o olhar que lançava ao filho era tão intenso, tão cortante, tão desesperado quanto um pai que tentava a última ficha para salvar um filho de si mesmo. — Mas o trabalho não morreu com ele. Eu soube naquela hora quem eu era: um rancheiro. E, pra mim, isso era certo.
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  — É… — Colt falou tímido, mas sentindo-se entre a própria decepção e o orgulho. — Eu só não sei se o rancho é o certo pra mim.
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  — Olha, Colt… — O pai encarou a mesa, um pouco derrotado, mas suspirou e disse olhando o filho nos olhos: — Não sou inteligente o suficiente pra dizer como viver a sua vida, cabe a você descobrir. Mas acredito que um dia desses você vai acordar sabendo quem realmente você é. Tomara que eu viva o suficiente pra ver isso, mas por enquanto, você tem um lugar pra ficar…
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  Colt já sentia a lágrima encher os seus olhos com a forma como seu pai estava, cuidadosamente, dando conselhos que pesavam mais do que uma bronca.
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  — … E trabalho de que se orgulhar — continuou Beau, vendo o filho emotivo.
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  Colt apontou o dedo ao pai, pigarreou como um homem que não deveria chorar e disse sincero:
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  — Muito obrigado.
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  Beau voltou a inclinar-se sobre seu prato de café da manhã, e completou o conselho com uma piada para quebrar o clima:
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  — Ou você vai acordar um dia e vai se pegar comendo quinoa.
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  Colt escondeu um risinho debochado ao ver a colher cheia de quinoa de um velho rancheiro carnívoro, contrariado, que o encarou em seguida, e disse:
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  — Sei nem que porra é essa!
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