The Hidden Depths


Escrita porVictoria Fideles
Revisada por Lelen


Capítulo 4

  Os dias se arrastavam na Divisão de Homicídios, e o caso de Leslie Walsh, a professora de jardim de infância brutalmente assassinada, pairava sobre a cabeça de %Alex% %Vance% como uma nuvem escura. A ausência de pistas concretas e a falta de progresso na investigação a consumiam. Ela folheava os relatórios, revisava as fotos da cena do crime no jardim de infância pela centésima vez, buscando um detalhe, uma anomalia que pudesse ter escapado. Mas era como olhar para uma parede em branco.
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  Liam Reid, seu parceiro, parecia ter aceitado a estagnação do caso com uma serenidade que irritava %Alex%. Ele continuava com sua rotina metódica, envolvido em outras investigações menos midiáticas, enquanto %Alex% se sentia presa em um labirinto sem saída. A confiança que ela depositava nele, sua mente afiada e sua calma, começava a ser testada pela insistência dele em desconsiderar certas pistas.
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  Foi então que uma ponta de esperança surgiu, tênue como a luz da madrugada. Uma equipe de análise de vídeos havia conseguido captar algo em uma câmera de segurança distante, a vários quarteirões do jardim de infância. A imagem, granulada e escura, mostrava um carro estacionado em uma rua lateral, e uma figura indistinta que parecia se aproximar e depois se afastar do veículo. Não era muito, mas era a primeira evidência de qualquer movimentação suspeita nas proximidades da cena do crime.
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  %Alex% sentiu um arrepio. Finalmente! Uma pista "quente". Ela convocou Liam para a sala de análise de vídeo, a excitação vibrando em sua voz.
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  — Liam, olha isso! Não é nítido, mas é alguma coisa! Um carro! Talvez possamos identificar o modelo, a placa... pode ser o dele!
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  Liam se aproximou do monitor, os olhos semicerrados enquanto observava a imagem desfocada. Ele inclinou a cabeça, analisando por um longo minuto.
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  — %Alex%, é uma imagem muito ruim. Praticamente impossível identificar o modelo do carro com certeza, muito menos uma placa. E a figura... poderia ser qualquer um. Um entregador, um morador, alguém que estava apenas de passagem.
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  %Alex% sentiu a frustração crescer.
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  — Mas é a única coisa que temos! Não podemos descartar assim. Podemos tentar amplificar, usar softwares de reconhecimento...
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  Liam colocou a mão no ombro dela, um gesto de aparente calma.
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  — Eu sei que você está frustrada, %Alex%. Mas precisamos ser realistas. Nossos recursos são limitados, e o tempo é precioso. Gastar horas, talvez dias, tentando decifrar uma imagem praticamente ilegível pode nos desviar de pistas mais concretas. Já pensou em quantos carros passam por ali à noite? É uma agulha num palheiro, %Alex%. De novo.
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  A forma como ele usava a expressão "agulha num palheiro" para desdenhar as pistas que ela considerava promissoras já estava começando a soar como um disco riscado para %Alex%. Ela confiava no julgamento dele, na sua lógica apurada. Eram parceiros, afinal. A voz dele era tão convincente, tão racional, que a dúvida começou a se instalar. Ele tinha um ponto: os recursos eram limitados. Talvez ele estivesse certo, e ela estivesse apenas desesperada por uma pista.
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  — Eu... eu sei, Liam — %Alex% respondeu, a voz mais baixa, a centelha de esperança diminuindo. — É que... eu odeio não ter respostas. Especialmente quando a vítima é uma professora de jardim de infância, alguém tão... inocente.
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  — Eu entendo, %Alex%. Mas precisamos focar no que é rastreável. Vamos continuar com as entrevistas, revisar as rotinas da vítima... Talvez tenha algo na vida dela que não estamos vendo. Uma pessoa que a quisesse morta. É mais provável do que um fantasma numa imagem borrada.
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  %Alex%, confiando na experiência de Liam e na aparente racionalidade de seu argumento, assentiu, a frustração persistindo, mas a determinação vacilando. A pista da câmera de segurança foi deixada de lado, arquivada como "pouco conclusiva", um esforço que parecia mais uma formalidade do que uma real tentativa de investigação.
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  Dias depois, em uma tarde de sábado ensolarada, %Alex% decidiu fazer uma caminhada pelo centro da cidade. Ela precisava de um tempo longe da delegacia, do peso dos casos, do cheiro de café requentado e dos relatórios. Enquanto caminhava pelas ruas movimentadas do bairro mais antigo da capital, admirando a arquitetura histórica e o movimento das pessoas, ela avistou um casal de longe. Seus corações quase pararam quando ela percebeu quem eram: Lorraine e John %Vance%.
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  Seus pais.
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  Mas o que eles estariam fazendo ali? Aquele não era um bairro que eles frequentavam com frequência. Era uma área mais antiga, conhecida por suas lojas de antiguidades e, curiosamente, por ser o local de alguns dos mais antigos "cold cases" da cidade, incluindo o de Emily Whitaker. %Alex% havia passado incontáveis horas pesquisando sobre aquele bairro e a história da família Whitaker.
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  %Alex% se aproximou, um sorriso no rosto.
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  — Mãe? Pai? Que surpresa boa! O que vocês estão fazendo por aqui? Resolvendo comprar alguma relíquia, por acaso? — ela brincou, mas uma ponta de curiosidade a atingiu.
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  Lorraine e John se viraram, e %Alex% notou um brilho de surpresa, quase de apreensão, nos olhos de sua mãe, que logo foi substituído por um sorriso forçado. John, sempre mais controlado, acenou com a cabeça.
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  — Ah, filha! Que coincidência! — Lorraine disse, a voz um pouco mais alta do que o normal. — Estávamos apenas... dando uma volta. Admirando os prédios antigos. É tão diferente da nossa área, não é? Resolvemos explorar um pouco.
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  John pigarreou, ajeitando a gola da camisa.
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  — É... estávamos sentindo falta de um pouco de ar puro, sabe. O jardim lá em casa está ficando pequeno. — Ele gesticulou vagamente para as ruas movimentadas.
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  %Alex% franziu a testa. Aquelas desculpas soavam um tanto... forçadas. Seus pais eram aposentados, sim, mas não eram o tipo de pessoa que saía "explorando" bairros aleatórios sem um motivo claro. E ar puro? O centro da capital era qualquer coisa, menos isso. Além disso, a casa deles tinha um quintal grande e bem cuidado, onde John passava horas cultivando seu jardim.
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  — Entendi — %Alex% disse, mas a desconfiança plantou uma pequena semente em sua mente. Ela não tinha motivo para duvidar dos pais, nunca. Eles eram a rocha dela, o porto seguro. Mas havia algo naquele desconversar que a deixou intrigada. Talvez fosse apenas o cansaço do trabalho a deixando paranoica.
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  — E você, querida? Passeando sozinha? — Lorraine perguntou, mudando rapidamente de assunto.
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  — Só precisava espairecer um pouco. A delegacia estava me sufocando — %Alex% admitiu, afastando os pensamentos sobre a atitude dos pais. Ela não queria estragar o raro momento de lazer.
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  Eles conversaram por mais alguns minutos, sobre amenidades, e logo %Alex% se despediu, continuando sua caminhada. Mas a imagem de seus pais naquele bairro, com a desculpa esfarrapada, persistia. Era estranho. Incomum. Ela decidiu ignorar, atribuindo à exaustão e à sua mente de detetive que buscava padrões em tudo.
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  No entanto, a coincidência de estar naquele bairro, tão ligado ao cold case de Emily Whitaker, não passou despercebida pela sua mente. %Alex% não sabia ainda, mas o fio que ligava seus pais àquele local e àquele desaparecimento era mais forte e mais perigoso do que ela poderia imaginar. E o silêncio de Liam sobre certas pistas não era apenas ceticismo; era uma orquestração meticulosa, uma dança de manipulação para manter %Alex% longe da verdade, da verdade sobre o Assassino do Pentagrama e, principalmente, da verdade sobre seu próprio passado.
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