Rosas e Violetas

Escrita porKelsea
Revisada por Lelen

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

  Phoebe acordou no dia seguinte com um sorriso no rosto, não evitando as lembranças da noite anterior que insistiam em invadir a sua mente. Seus lábios formavam um sorriso diante da imagem de Max jogando os cabelos da mesma forma que seu cantor favorito da adolescência, só podia ser brincadeira do destino. De toda forma, sua disposição naquela manhã tinha nada a ver com o fato de a faxina ter sido bem mais divertida e empolgante do que imaginava. Não, Phoebe estava radiante porque aquele, se não houvesse nenhuma surpresa desagradável vinda do vice-diretor Justin Bieber, seria seu primeiro dia de ensaio como uma bailarina profissional. Era a realização do maior sonho da Phoebe adolescente que chegou até mesmo a vender sanduíches na escola para conseguir dinheiro e uma sapatilha de ponta. Finalmente ela teria condições de dar a seu pai a vida que ele merecia ao mesmo tempo em que fazia o que mais amava. Certo, a senhorita Lily havia deixado bem claro que não poderia pagá-la por aquele espetáculo em questão, porém seria sua porta de entrada para que outros produtores artísticos vissem seu talento e a contratassem, oferecendo bons cachês, além da chance de ganhar uma bolsa de estudos na maior escola de dança do planeta. Seu currículo seria irresistível! Então, mesmo que não recebesse um centavo sequer financeiramente naquele momento, tudo valeria a pena em um futuro não muito distante. Quer dizer, quando pisasse no palco pela primeira vez usando a roupa do cisne branco, já teria sua recompensa, afinal sua paixão pela dança falava mais alto do que tudo.
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  Todavia, antes de ir ao ensaio teria que dar aulas, o que não era tão ruim, o problema era a enorme chance de esbarrar, sem querer, no vice-diretor Justin Bieber. Se isso acontecesse, sem dúvidas, seu coração teimaria novamente em virar uma bomba, enquanto suas bochechas tomariam uma coloração avermelhada em questão de instantes. Droga, o que estava acontecendo, ela nunca havia sido o tipo de garota que se deixava intimidar por uma paixonite? Paixonite? Ela, por Max? Não, isto estava fora de questão, não podia acontecer, por inúmeros motivos, e o mais recente que havia descoberto era o regulamento da escola. 
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  Como ela queria que a notícia dada por Cherry na noite anterior não a tivesse deixado tão incomodada. Até porque a última coisa que ela precisava naquele instante era um novo amor, afinal, em poucos meses, se tudo desse certo, estaria embarcando para o outro lado do mundo em busca de seu sonho. Sendo assim, precisava manter a cabeça no lugar e os olhos longe de um certo alguém. Assim, naquela tarde o universo atendeu seu pedido, as aulas correram da melhor forma possível e nem sinal de Max, talvez ele estivesse ocupado demais. Sua mente dizia que a situação devia faze-la suspirar de alívio, contudo, seu maldito coração insistia em indagar se ele a estaria evitando. Claro que não, quanta bobagem, se fosse o caso, melhor ainda! Certo? Certo! Tentou convencer a si mesma, sem sucesso.
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  Os dias se passaram dessa forma, Phoebe dividia seu tempo entre dar aulas, ensaiar e ajudar seu pai na lanchonete sempre que possível. Não era de se estranhar que ela chegasse exausta ao final do dia, porém esse era o caminho para uma vida melhor, a vida com a qual sua mãe havia sonhado e nunca pôde ter… um aperto surgia em seu peito toda vez que se lembrava da mãe… mas sua vida estava caminhando e isso era o mais importante.
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  Quanto a um certo diretor, para sua sorte ou tristeza, ele estava a uma distância segura de seu caminho, nas poucas vezes que se cruzavam nos corredores, ambos se limitavam a um leve aceno de cabeça, a atitude fazia Phoebe nutrir um pingo de esperança de que talvez o vice-diretor estivesse tão sem graça quanto ela, às vezes Max percebia que ela estava com curativos nos pés sem saber que estes eram cortesia de longos e cansativos ensaios, contudo não se atrevia a indagar o motivo.
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  Após algumas semanas de muito trabalho, dedicação e corretivo de pele para disfarçar olheiras, o dia da estreia do espetáculo finalmente havia chegado! Lá estava Phoebe experimentando sua roupa de cisne branco, mesmo sendo uma roupa cheia de penas, a fazia se sentir poderosa, capaz de chegar aonde quisesse. Alguns anos atrás, enquanto encarava sapatilhas de ballet na vitrine de lojas com os olhos brilhando, aquilo parecia tão distante de sua realidade, como se alguém com seus traumas e condições nunca fosse capaz de ter, mas agora, lá estava, prestes a protagonizar seu primeiro espetáculo profissional! Um misto de alegria e nervosismo tomava conta de seu peito, contudo não havia como ser diferente, se tudo desse certo, ela estaria mais perto do que nunca de se tornar alguém no mundo da dança, porém se falhasse, tudo pelo qual havia batalhado teria sido em vão. Por isso a escolha era óbvia.
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  Naquele momento também, a garota não pôde deixar de lembrar da mãe, com certeza a mesma estaria sentada na primeira fila ao lado de Hank, aplaudindo a filha a cada segundo. De alguma forma, a garota de cabelos castanhos sentia sua presença aconchegando e dando forças para subir naquele palco e dar o seu melhor. A ideia a fez abrir um sorriso involuntário que foi interrompido por uma batida na porta.
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  — Posso entrar? — Hank segurava uma rosa.
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  — Claro, pai!
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  — E então, preparada?
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  — Bem nervosa, mas com certeza tudo vai dar certo!
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  — Claro que vai, eu não tenho dúvidas! Ah, minha filha, eu estou tão orgulhoso de você, desde jovem lutou pelos sonhos e agora olha onde chegou!
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  — Eu não teria conseguido sem seu apoio, pai! Obrigada por ter entendido todas as vezes que eu saí mais cedo da lanchonete para ir às aulas!
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  — Ah, querida, não tinha como ser diferente, você é tão talentosa, seria um crime eu te prender naquela lanchonete para sempre!
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  — Não fala assim, o senhor sabe que eu não tenho vergonha alguma.
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  — Eu sei, mas é verdade, quer dizer, você tem tanto potencial e quando estiver se apresentando nos maiores palcos do mundo e quando seu espetáculo estiver passando na tevê, eu vou falar para os clientes todo orgulhoso. Olha lá! É a minha filha.
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  Phoebe deu uma leve risada.
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  — Te amo, pai! — declarou ela o abraçando.
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  — Eu também! Ah, antes que eu me esqueça, você sabe que se eu pudesse, te daria um colar de diamantes em uma ocasião como esta, mas espero que goste dessa rosa!
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  Phoebe pegou a flor de forma delicada.
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  — Era tudo que eu queria! Eu amei e vou guardá-la com todo carinho, pai, com certeza vai me dar sorte.
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  — Essa é a ideia! Bom, agora deixa eu ir para deixar minha estrela terminar de se preparar!
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  — Espera, pai, um último abraço!
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  Ela se aconchegou nos braços de Hank antes de dar um último sorriso. Era hora de respirar fundo, pois o espetáculo começaria em menos de uma hora. Terminando de se arrumar, Phoebe firmou o coque com gel fixador e olhou para os dois objetos minúsculos que estavam na penteadeira, lentes de contato. Se tivesse escolha, ela exibiria sem problemas seus belos olhos castanhos herdados dos avós, contudo, senhorita Lily havia feito a exigência alegando:
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  “Olhos verdes são chiques e atraem a atenção do público, além do mais, a nossa antiga protagonista possuía essa mesma cor de olhos” ela apontou para as lentes quando as mostrou a Phoebe pela primeira vez há alguns dias. A filha de Hank não teve como argumentar. O objeto “invasor” fez seus olhos arderem a princípio, eram preciso alguns segundos para que os mesmos assimilassem a nova realidade. Phoebe se olhou no espelho, ela até que ficava bem de olhos verdes, mesmo que não se sentisse cem por cento confortável com a ideia ainda, era como se fosse uma impostora tentando pegar o lugar de outra pessoa ou como se tivessem arrancado uma parte de sua identidade. Olhos verdes não eram para qualquer um, assim como a posição que estava ocupando.
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  Sua mente começava a se questionar se ela era realmente merecedora daquela oportunidade, afinal, por que mesmo que ela quisesse, nunca teve a chance de se dedicar cem por cento à dança como as outras garotas da turma que frequentava. Além do mais, a senhorita Lily sempre pegava mais em seu pé do que de qualquer outra, não somente quanto aos atrasos, mas durante todo o tempo. “Estique mais esses dedos, Phoebe”, “sua mão precisa ser corrigida”. Contudo, ao mesmo tempo, talvez isso fosse um bom sinal, sinal de que a professora enxergava potencial nela, e essa teoria tinha grandes chances de estar correta, considerando Phoebe entre todas, havia sido a escolhida para estar ali, apesar dos pensamentos intrusivos que teimavam em invadir sua mente. Era fato, a senhorita Lily a havia escolhido por livre e espontânea vontade, não por falta de opções.
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  Ao se sentir mais aliviada, a garota de cabelos castanhos abriu um sorriso antes de preencher o rosto com a última peça do figurino: Uma máscara branca cheia de penas. Outra vez ela se olhou no espelho, a máscara só deixava sua boca e os falsos olhos verdes visíveis, escondia suas imperfeições, como se ela fosse outra pessoa quando fosse entrar no palco e de certa forma era assim mesmo o que ela sentia, porém ao mesmo tempo ainda era a velha Phoebe, a garota da lanchonete, que por esforço havia se tornado uma dançarina, uma dançarina com sangue nos olhos, disposta a agarrar a oportunidade dada com todas as forças.
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  Max revisava os últimos planejamentos para a escola em seu quarto quando a voz de Chloe chamou sua atenção.
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  — Poxa, mãe, é sério mesmo?
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  — Eu sinto muito, minha filha, sei o quanto queria ir neste espetáculo, mas é uma emergência no trabalho, eu não posso deixar de atender.
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  Chloe suspirou frustrada, enquanto encarava o irmão mais velho que chegava para entender a situação.
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  — O que foi?
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  — Você lembra do espetáculo para o qual eu comprei dois ingressos há muito tempo?
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  — Sim, claro, O Lago dos Cisnes… Ele comentou relembrando a admiração da irmã pela arte da dança.
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  — Pois é, a mamãe está me dizendo agora que não vai poder me levar…
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  — É uma emergência de trabalho, não tem nada que eu possa fazer… — Seu tom de voz era suave e apresentava um certo tom de tristeza, afinal, Barb gostava de ser uma mãe presente.
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  — Que pena… mas eu posso ir sozinha?
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  — Claro que não, está maluca, Chloe? Você só tem treze anos — Barb lembrou a filha.
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  — É, mas eu sou bem madura para a minha idade. Por favor, mãe, eu quero tanto ir…
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  Barb cruzou os braços enquanto sua mente tentava pensar em uma solução, depois de alguns segundos, um sorriso se formou em seus lábios.
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  — Bom, sozinha você não vai, mas o seu irmão mais velho pode te levar.
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  Os olhos de Chloe brilharam ao encararem o vice-diretor.
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  Max suspirou ao perceber que provavelmente não teria escapatória.
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  — Ah, Chloe, amanhã eu vou para a escola cedo, estou cansado e …
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  Contudo, a irmã mais nova sabia ser convincente, sua expressão se tornou semelhante à de um cachorro abandonado, enquanto ela implorava.
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  — Por favor… Por favor, Max eu sou sua irmãzinha, é só hoje, não custa nada.
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  O garoto cruzou os braços enquanto refletia, talvez realmente fosse bom ele sair para espairecer um pouco e tentar manter a mente longe de uma certa professora de economia doméstica, que por algum motivo ocupava seus pensamentos de forma insistente. Além do mais, era só uma noite, que mal poderia fazer? Se bocejar demais no dia seguinte, era só regar o copo de café como sempre fazia, não havia mistério.
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  — Tudo bem, Chloe, você me convenceu, eu te levo!
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  A pré-adolescente pulou em euforia.
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  — Oba, obrigada, Max, você às vezes é um chato, mas neste momento te considero o melhor irmão mais velho do mundo!
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  O abraço de Chloe fazia qualquer sacrifício valer a pena, de certa forma, Max era sua única figura paterna e aquele instante o fez perceber que talvez devesse dar mais atenção a esse papel.
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  — Que bom ouvir isso, eu só vou me arrumar e já volto.
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  O vice-diretor pegou o casaco que estava em cima da mesa, sem saber que uma simples saída com sua irmãzinha para um espetáculo de ballet seria capaz de fazer seu coração acelerar e mudar tudo…
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Lelen

MEU DEUS, ACONTECE LOGO ESSE ENCONTRO FORA DA ESCOLA AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Kelsea

siiiiim!!!! garanto que vai épico!!!!

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