Peça 08 • O Grande dia do Concerto
A sala de ensaio parecia suspensa no tempo, iluminada por tons dourados que o entardecer projetava através das janelas altas. A luz brincava sobre o piso de madeira polida, refletindo um brilho cálido que envolvia %Claire% e %Gabriel% em um cenário quase onírico. %Claire% ajustava as cordas do violino com a precisão de quem lidava com algo precioso, enquanto %Gabriel% a observava em silêncio. Ele estava recostado no piano, os braços cruzados, mas seus olhos não desviavam dela. O som das cordas sendo afinadas e o leve farfalhar das partituras criavam um pano de fundo sereno, quase hipnótico.
%Claire% finalmente ergueu o olhar, um misto de nervosismo e expectativa reluzindo em seus olhos.
— Pronto. Acho que terminei — falou ela suavemente, como se o momento exigisse reverência. — Está preparado para ouvir a versão final?
%Gabriel% inclinou-se para frente, um sorriso tranquilizador surgindo em seu rosto.
— Sempre estive. Mas já vou avisando: aposto que está perfeita.
%Claire% riu, um som breve, mas cheio de fragilidade. Ela ergueu o arco, seus dedos pairando sobre o violino como se estivesse prestes a liberar algo sagrado.
— Só... não ria se não for tudo isso. Eu fiquei com medo de estragar depois da nossa conversa.
%Gabriel% negou com a cabeça, o sorriso agora mais aberto.
— %Claire%, do jeito que você é talentosa, isso está fora de cogitação.
Algo no tom dele a tranquilizou. %Claire% fechou os olhos, permitindo-se mergulhar naquele momento. Então, começou a tocar.
As primeiras notas eram suaves, hesitantes, como uma porta que se abre lentamente para revelar um segredo. Mas logo a melodia ganhou força, transformando-se em uma narrativa rica, cheia de emoção. Cada mudança de tom parecia contar uma história: os medos, as lutas, as esperanças. Era como se o violino fosse a extensão da alma de %Claire%, e a música, uma confissão que ela só poderia fazer naquele instante.
%Gabriel% ficou imóvel, os olhos fixos nela. Ele não apenas ouvia a música; ele vivia cada nota. Era como se estivesse descobrindo partes de %Claire% que nem ela sabia que existiam. O tempo parecia parar, e ele percebeu que estava prendendo a respiração até que a última nota se dissolvesse no ar.
%Claire% abaixou o arco devagar, mantendo os olhos fechados por mais um instante, como se precisasse de coragem para voltar à realidade.
— E então? — perguntou ela, a voz baixa, ainda impregnada de emoção.
%Gabriel% levantou-se do banco do piano, caminhando até ela com uma calma que parecia estudada.
— %Claire%... — começou ele, mas hesitou, buscando as palavras. — Isso foi... mais do que lindo. Foi você. Completa. Autêntica.
Ela corou, desviando o olhar, mas %Gabriel% não permitiu que ela se escondesse. Ele tocou seu queixo com delicadeza, erguendo seu rosto para que ela o encarasse.
— Não se esconda. Essa música merece ser ouvida. Você merece ser ouvida.
Os olhos de %Claire% brilharam com um misto de vulnerabilidade e gratidão.
— Eu nunca teria conseguido sem você — murmurou ela, a voz embargada.
%Gabriel% balançou a cabeça, um sorriso suave surgindo.
— Não. Isso sempre esteve dentro de você. Eu só tive o privilégio de estar aqui para ver você encontrar.
%Claire% sorriu, uma lágrima solitária escapando antes que ela pudesse contê-la. %Gabriel% afastou uma mecha de cabelo que caía em seu rosto, o gesto tão gentil que parecia parte da música.
— Quer saber o que acho? — perguntou ele, inclinando-se ligeiramente.
— O quê? — respondeu %Claire%, a respiração presa.
— Acho que essa música é sua... mas também é nossa. — Ele sorriu, e algo em seus olhos fez o coração de %Claire% disparar. Ela riu, baixinho, mas com intensidade.
— Talvez seja. Não sei se consigo separar mais a música do que sinto por você.
%Gabriel% não disse nada. Ele inclinou-se devagar, observando cada detalhe do rosto dela, como se quisesse guardar aquele momento para sempre. Quando seus lábios finalmente se encontraram, foi como a última nota de uma melodia perfeita — delicada, mas carregada de significado.
O beijo foi breve, mas intenso, um instante que encapsulava tudo o que as palavras não conseguiam expressar. Quando se afastaram, %Claire% encostou a testa na dele, ainda segurando o violino.
— Acho que acabei de compor a melhor parte dessa música — sussurrou ela, um sorriso suave brincando em seus lábios. %Gabriel% riu baixinho, passando as mãos pela cintura dela.
— Então promete que vai tocá-la para o mundo?
— Só se você estiver no palco comigo. — Ele sorriu, o olhar fixo no dela.
— Sempre, %Claire%. Sempre.
Eles selaram o momento com mais um beijo, enquanto a luz do entardecer os envolvia, como se o universo também reconhecesse que aquilo era o começo de algo extraordinário.
🎻🎹
O mês que antecedeu a apresentação foi um verdadeiro turbilhão emocional e criativo para %Claire% e %Gabriel%. Os dias eram preenchidos com ensaios intensos, ajustes minuciosos nas composições e reuniões exaustivas com a organização do concerto. Ainda assim, em meio à correria, encontravam momentos preciosos de tranquilidade no jardim do conservatório, onde o som suave das folhas ao vento parecia compor uma melodia própria. Era nesses momentos que a parceria deles florescia de maneira mais profunda, como se a música fosse apenas um reflexo do vínculo que crescia entre eles. %Gabriel% explorava novas combinações no piano com um entusiasmo renovado, enquanto %Claire% deixava transparecer uma autoconfiança que nunca tinha visto antes — cada nota que ela tocava parecia carregar não apenas técnica, mas uma história pessoal.
Apesar desse progresso, nem tudo eram vitórias. A relação de %Gabriel% com seu pai continuava presa em um ciclo de tensão e distanciamento. As poucas conversas que tinham eram pontuadas por cobranças e silêncios pesados, e cada palavra dita parecia ampliar o abismo entre eles. %Claire%, por mais que quisesse ajudar, sabia que essa reconciliação precisava vir dos dois lados e se limitava a estar ao lado de %Gabriel%, oferecendo apoio em silêncio ou com palavras gentis nos momentos mais difíceis.
Por outro lado, %Claire% encontrou uma fonte inesperada de força na relação com sua irmã, Isis. Aos poucos, o afastamento entre elas foi substituído por uma cumplicidade genuína. Conversas até tarde da noite revelaram à %Claire% uma Isis que poucos conheciam: vulnerável, engraçada e cheia de sonhos próprios. %Claire% começou a admirar não apenas a violinista prodigiosa, mas também a mulher que enfrentava seus próprios medos e inseguranças. Isis, por sua vez, parecia orgulhosa da evolução de %Claire%, sempre pronta para oferecer conselhos práticos ou palavras de incentivo que, apesar de simples, tinham o poder de dissipar as dúvidas que atormentavam a irmã.
Essas pequenas vitórias emocionais e artísticas os conduziram à noite do grande concerto final. O Conservatório Saint-Helena estava tomado por um frenesi silencioso, onde a tensão e a expectativa se misturavam ao som de músicos afinando seus instrumentos. Nos bastidores, %Claire% e %Gabriel% encontraram um instante raro de paz. O palco à frente parecia um símbolo de tudo o que haviam conquistado juntos, um espaço onde música e emoções se encontrariam em um ápice perfeito.
— Calma, %Claire%, daqui a pouco você faz um buraco nesse chão — disse %Gabriel%, rindo suavemente enquanto segurava a mão dela.
%Claire% parou de andar de um lado para o outro, mas seu nervosismo era evidente. A mão que segurava o violino tremia, e seu olhar parecia perdido em uma tempestade de pensamentos.
— Fácil para você dizer, já que com certeza já se apresentou várias vezes — respondeu ela, tentando soar confiante, mas sua voz vacilou.
%Gabriel% puxou-a suavemente para se sentar em seu colo, um gesto que a pegou de surpresa, mas a fez relaxar. Ele depositou um beijo delicado em sua têmpora, seu toque mais reconfortante do que qualquer palavra.
— Não é bem assim,
meu bem — disse ele, sua voz baixa e carinhosa, enquanto %Claire% sentia as bochechas corarem com o apelido. — Estou tão nervoso quanto você. A diferença é que andar de um lado para o outro não vai mudar nada. E, do jeito que está, você pode acabar tropeçando e se machucando.
Antes que ela pudesse protestar, ele inclinou-se e a beijou brevemente, um gesto rápido, mas cheio de afeto.
— Inclusive, você está linda — disse ele, sorrindo enquanto a olhava nos olhos, deixando claro o quanto era sincero.
%Claire% riu de leve, olhando para si mesma. O vestido longo de cetim azul que usava brilhava suavemente sob a luz, e o decote em formato de coração destacava sua elegância natural.
— E você está maravilhoso — respondeu ela, devolvendo o elogio com um sorriso tímido, mas genuíno.
%Gabriel% usava um terno preto impecável, complementado por uma gravata slim e abotoaduras prateadas em forma de notas musicais.
— Chegou a hora, pessoal. — A organizadora do evento apareceu à entrada dos bastidores, chamando-os.
%Claire% respirou fundo, trocando um último olhar com %Gabriel% antes de se levantarem. Ele apertou sua mão uma última vez, sussurrando:
E juntos, eles caminharam para o palco, prontos para transformar toda a intensidade daquela jornada em música.
Se quiser ler ouvindo a peça, é só clicar aqui.
%Claire% e %Gabriel% entrelaçaram as mãos. Ela pegou seu violino e o arco, e juntos caminharam para o palco. O auditório estava lotado, mas o silêncio era quase absoluto, uma reverência ao momento que estava por vir.
As luzes focaram no piano de cauda e no centro do palco, onde %Claire% se posicionou. Trocaram um olhar — não havia palavras, mas elas não eram necessárias. A confiança mútua era inabalável.
%Gabriel% começou a tocar. As primeiras notas eram suaves, quase tímidas, preparando o terreno para algo maior. %Claire% fechou os olhos, permitindo que o som do piano a conduzisse. Quando ela entrou com o violino, cada movimento parecia carregado de propósito.
A melodia crescia e fluía, refletindo a jornada que haviam compartilhado. Cada nota era uma declaração de sentimentos não ditos. A intensidade das passagens contrastava com momentos de ternura, e a sala parecia respirar com eles.
No clímax da peça, seus olhares se encontraram novamente, e naquele instante, o mundo exterior deixou de existir. A música era uma extensão deles — de seus medos, de suas vitórias, e de algo mais profundo que finalmente começavam a entender.
A última nota pairou no ar como uma promessa antes de desaparecer. Por um momento, o silêncio foi absoluto, antes que os aplausos irrompessem em uma onda avassaladora. O público aplaudia de pé, visivelmente emocionado.
O som dos aplausos ainda ecoava na mente de %Claire% enquanto ela e %Gabriel% saíam do palco, deixando para trás não apenas uma apresentação memorável, mas uma prova viva de transformação e parceria. Nos bastidores, enquanto o burburinho do público diminuía, %Claire% avistou sua mãe e sua irmã, Isis, vindo em sua direção. Ambas seguravam buquês de rosas vermelhas, suas pétalas brilhando sob a luz suave do corredor.
%Gabriel% parou, percebendo que aquele era um momento entre mãe e filhas. Com um aceno discreto, deu espaço para %Claire% seguir em frente sozinha. Ela respirou fundo, ainda tentando processar o turbilhão de emoções, enquanto a presença de sua mãe e de Isis parecia carregada de algo novo — uma mistura de orgulho e reconciliação.
Jessica foi a primeira a falar, estendendo o buquê com um sorriso contido.
— Foi... foi lindo, %Claire%. Você tocou maravilhosamente bem. — %Claire% aceitou o buquê, a garganta apertada.
— Obrigada, mãe. Isso significa muito para mim. — Isis se aproximou, colocando seu próprio buquê ao lado do que a irmã segurava.
— Você brilhou lá, %Claire%. Finalmente parecia que era você na música. Não estava apenas tocando, estava se expressando.
%Claire% piscou rápido, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair.
— Eu finalmente entendi o que você quis dizer aquele dia, Isis. E não teria conseguido sem você. — Jessica olhou para as filhas, como se tentasse compreender a profundidade daquele momento.
— Isis também já esteve onde você está agora, %Claire%. Ela sabe o quanto é difícil. — A voz dela estava mais suave do que o normal, quase como uma confissão. %Claire% assentiu.
— Eu sei, mãe. Mas hoje foi diferente. Eu toquei para mim mesma. E, pela primeira vez, senti que isso era o suficiente.
Jessica ficou em silêncio, absorvendo as palavras da filha. Depois de um momento, ela deu um passo à frente, colocando a mão no ombro de %Claire%.
— E foi mais do que suficiente. Você foi maravilhosa, minha filha. — Aquele sorriso carregava anos de expectativas que, finalmente, haviam sido superadas. Isis cruzou os braços, observando com um brilho satisfeito nos olhos.
— Bem, agora você tem dois buquês para lidar. Boa sorte com isso. — A brincadeira quebrou a tensão, fazendo as três rirem.
%Claire% sentiu as lágrimas deslizarem pelas bochechas enquanto apertava os buquês contra o peito.
— Hoje, até isso parece fácil.
Por um instante, o corredor silencioso pareceu se encher de algo intangível: reconciliação, orgulho e uma conexão genuína entre mãe e filhas.
Enquanto isso, %Gabriel% tentou entrar discretamente para pegar sua mochila, seu celular estava lá e ele precisava dele, mas %Claire% o viu e sorriu. Com um gesto de mão, chamou-o para se juntar ao grupo. Ele hesitou, incerto se deveria interromper, mas, diante do olhar insistente de %Claire%, cedeu.
— Mãe, Isis, quero apresentar alguém. Este é %Gabriel%. Ele foi meu parceiro na apresentação hoje e... muito mais do que isso — disse %Claire%, seu tom carregado de significado. %Gabriel% sorriu calorosamente e estendeu a mão para Jessica.
— É um prazer conhecê-las. %Claire% fala muito sobre ambas. — Jessica avaliou o rapaz por um momento antes de apertar sua mão.
— Obrigada por ajudar minha filha a encontrar sua música.
— Ela já tinha tudo dentro dela. Eu só a ajudei a enxergar — respondeu %Gabriel%, seu olhar sincero fixo em %Claire%. Isis, com um sorriso de lado, comentou:
— Então você é o famoso %Gabriel%. Finalmente conhecemos o rapaz por trás dos elogios. E devo dizer, vocês foram uma dupla incrível lá no palco. — %Gabriel% riu, um pouco envergonhado.
— %Claire% é a verdadeira estrela. Eu só acompanhei. — %Claire% desviou o olhar, as bochechas quentes, mas não conseguiu esconder o sorriso.
— Nós dois fizemos isso juntos. Foi algo... especial — murmurou ela, seu tom carregado de emoção. Isis arqueou uma sobrancelha, divertida.
— Parece que você trouxe algo novo para a música da minha irmã. Talvez devêssemos ter trazido um terceiro buquê. Pronto, %Claire%. Dá um buquê para ele — brincou Isis, rindo.
%Claire% riu junto, estendendo um dos buquês para %Gabriel%. Ele pegou o ramalhete, fingindo formalidade.
— Não sei se mereço isso, mas aceito.
O pequeno grupo riu, e, por um momento, tudo parecia perfeito. O encontro era apenas o começo de novas conexões — tanto na música quanto na vida —, e %Claire% sabia que, com %Gabriel% ao seu lado, ela estava pronta para o que viesse a seguir.
Assim que Isis e Jessica saíram do camarim improvisado, %Gabriel% suspirou, nervoso.
— Eu sei que você está exausta, mas eu... Eu preciso que você venha comigo. Tem algo que eu preciso te mostrar. — %Gabriel% olhou para ela, com uma expressão suave.
%Claire%, ainda com o corpo relaxado pela emoção da apresentação, seguiu-o sem hesitar. Eles passaram pelos corredores iluminados suavemente até chegarem à Sala de Música, onde o silêncio da noite parecia envolver o ambiente. O piano estava ali, o mesmo onde haviam praticado tantas vezes juntos, a mesma sala que se tornara testemunha da evolução de sua parceria.
— Eu compus uma música. Para você. — %Gabriel% virou-se para ela, enquanto a porta se fechava atrás deles.
%Claire%, surpresa, olhou-o com uma mistura de curiosidade e antecipação. Ela nunca imaginaria que, depois de toda a intensidade da apresentação, ainda teria algo mais a vivenciar naquela noite. Ele se aproximou do piano e, com um gesto simples, tocou as primeiras notas de uma melodia suave e envolvente.
— Você já ouviu essa melodia, certo? — %Claire% lembrou-se do dia que sentou-se ao lado dele no jardim e ele lhe mostrou a música. Ela assentiu com a cabeça. — Agora você também vai conhecer a letra dela, letra essa que eu criei depois que te conheci.
%Gabriel% recomeçou a música, dessa vez sua voz acompanharia o piano:
Se quiser pode ouvir a música aqui, tirei a estrofe inicial na fic, então não estranhem.
%Claire% sentiu seu coração acelerar. Ansiosa para o que estava por vir. %Gabriel% era incrível tocando, mas cantando… ele conseguia ser melhor. O piano com certeza era a sua segunda voz, eles se encaixavam muito bem.
I was all alone with the love of my life
Eu estava completamente sozinho com o amor da minha vida
She's got glitter for skin, my radiant beam in the night
Ela tem brilho na pele, meu feixe radiante na noite
I don't need no light to see you
Eu não preciso de luz alguma para te ver
Shine
Brilhar
It's your golden hour (oh)
É a sua hora dourada (oh)
You slow down time
Você desacelera o tempo
In your golden hour (oh)
Na sua hora dourada (oh)
%Claire% tentou segurar as lágrimas, mas foi impossível. Era como se, em meio a todas as inseguranças e dificuldades, ela finalmente estivesse sendo vista por ele da maneira mais pura e verdadeira. Ela sorriu emocionada, levemente envergonhada, mas ao mesmo tempo incrivelmente feliz. As palavras dele, cantadas com tanto sentimento, fizeram com que %Claire% se sentisse mais amada e mais viva do que jamais imaginou ser possível. Ela não precisava de mais nada, ele estava ali, e saber que ele a considerava o amor de sua vida era tudo o que ela desejava.
We were just two lovers
Éramos apenas dois amantes
Feet up on the dash, drivin' nowhere fast, burnin' through the summer
Pés sobre o painel, dirigindo rápido para lugar nenhum, queimando durante o verão
Radio on blast, make the moment last, she got solar power
Rádio no último volume, faça o momento durar, ela tem poder solar
Minutes feel like hours
Os minutos parecem ser horas
She knew she was the baddest
Ela sabia que era a melhor
Can you even imagine fallin' like I did?
Será que você sequer consegue imaginar se apaixonar como eu me apaixonei?
%Claire% assentiu com a cabeça no último trecho da música, limpando as lágrimas de seu rosto. Ela imaginava sim se apaixonar como ele tinha se apaixonado, pois era o que ela sentia naquele momento. Estava completamente e irrevogavelmente apaixonada por %Gabriel% %Irvine%.
For the love of my life
Pelo amor da minha vida
She's got glow on her face, a glorious look in her eyes
Ela tem um brilho no rosto, um olhar glorioso em seus olhos
My angel of light
Meu anjo de luz
I was all alone with the love of my life
Eu estava completamente sozinho com o amor da minha vida
She's got glitter for skin, my radiant beam in the night
Ela tem brilho na pele, meu feixe radiante na noite
I don't need no light to see you
Eu não preciso de luz alguma para te ver
Shine
Brilhar
It's your golden hour (oh)
É a sua hora dourada (oh)
You slow down time
Você desacelera o tempo
In your golden hour (oh)
Na sua hora dourada (oh)
A melodia parecia flutuar no ar, e as palavras que ele cantava eram apenas para ela, cada sílaba carregando a sinceridade que ele mal podia esconder. %Claire% ficou em silêncio, absorvendo cada nota, cada palavra que parecia fazer parte dela, de uma forma inexplicável.
Ele terminou a música e se virou para ela, os olhos fixos nos dela, iluminados pela luz suave da sala. %Claire% sentiu uma onda de emoções contidas e, por um momento, o mundo ao redor desapareceu.
— %Claire%… — o pianista hesitou por um momento antes de falar com mais firmeza. — Eu quero que você saiba o quanto você significa para mim, não só como parceira musical, mas como a pessoa com quem eu quero compartilhar cada momento daqui em diante.
%Claire% sentiu uma emoção profunda se apoderar dela. Ela sabia o que ele queria dizer, sabia o quanto ele estava se expondo, e, naquele momento, ela também sentiu que era mais do que suficiente para ele, e que ele era tudo o que ela sempre buscou.
— %Claire%... Eu quero saber se você aceita ser minha namorada? — comentou %Gabriel% com a voz mais baixa, agora com mais intensidade.
O silêncio entre eles foi preenchido apenas pela respiração ofegante e chorosa de %Claire%. Ela olhou para ele, sentindo seu coração bater mais rápido a cada segundo que passava. Ele estava ali, diante dela, vulnerável e sincero, com a música como prova de seus sentimentos.
%Claire% deu um passo à frente, seus olhos brilhando com a certeza que ela sentia agora. Ela sorriu, emocionada, mas não foi apenas um sorriso. Era um sorriso cheio de todas as emoções que ela não sabia que poderia expressar.
— %Gabriel%, meu Deus. — Ela tinha a voz embargada. — Isso foi tão precioso. A música por inteira mexeu completamente com as minhas estruturas, eu estou tão feliz de saber que você me enxerga brilhar. Você não tem ideia do quanto isso me emocionou. — Ela soltou um soluço. %Gabriel% sorriu, levantando-se para limpar o rosto da garota que gostava. — Eu sei que estou enrolando demais para te dar uma resposta, mas eu acho que ela é meio óbvia, não é? — Eles sorriram. — Eu aceito — comentou %Claire% com um brilho no olhar e a voz suave.
Quando ela disse essas palavras, um peso enorme foi levantado dos ombros dele. %Gabriel% deu um passo à frente e, com um sorriso que ela nunca esqueceria, tomou sua mão. Eles se aproximaram lentamente, como se todo o resto do mundo tivesse desaparecido ao redor deles. Sem dizer mais nada, %Gabriel% a abraçou suavemente, e %Claire% sentiu o calor do seu corpo, o vínculo que haviam criado através da música e da conexão que finalmente tinham um ao outro. O silêncio entre eles era carregado de significado, de algo profundo e inegável.
Então, com um gesto suave e decidido, %Gabriel% levou a mão de %Claire% até seu rosto e, com delicadeza, tocou sua bochecha. Seus olhos se encontraram, e, por um momento, o mundo pareceu parar novamente. Ele inclinou-se lentamente, até que os lábios deles se encontraram, em um beijo suave, mas cheio de intensidade. Era como se todo o amor e a emoção que haviam acumulado durante aquele tempo juntos fossem transmitidos naquele único gesto.
O beijo era uma promessa, uma entrega mútua, e %Claire% se sentiu envolvida por um calor que não vinha apenas do toque, mas de tudo o que estava entre eles. Quando se separaram, ainda próximos, o olhar de %Gabriel% dizia tudo o que as palavras não eram capazes de expressar.
Nota da autora: Finalmente a apresentação aconteceu, né? O tão aguardado momento, %Gabriel% conheceu a sogrinha e a cunhadinha hhaha e ainda pediu a %Claire% em namoro. Foi lindinho! <3