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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Quando você me viu

Escrita porAven Lore
Editada por Lelen

Capítulo Dois

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

  %Niki% encarava o próprio reflexo no espelho. O suor escorria por seu pescoço e costas, ele estava ofegante, o peito subia e descia descompassado. Havia sido intenso o ensaio que ele havia feito sozinho na sala de práticas, e ele estava satisfeito. Pelo menos até o momento em que revisse a gravação, nesse momento ele sempre encontrava mil defeitos que na verdade nem existiam.
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  %Niki% era o aluno mais competitivo do curso de dança da faculdade de Seul, consequentemente ele era um poço de perfeccionismo. O que era bom, e ruim na mesma medida.
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  %Jungwon% se aproximou do amigo, colocando uma das mãos sobre seu ombro, também ofegante.
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  — Uau, foi intenso hoje! Você mandou muito bem, cara! Como sempre.
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  %Niki% balançou a cabeça para o amigo e então começou a assistir a gravação da aula no celular, com %Jungwon% ao lado.
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  — Você também mandou bem tampinha, olha só esse movimento e o seu controle corporal. Insano!
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  %Jungwon% sorriu satisfeito com o elogio do mais novo. Mesmo sendo de períodos diferentes, os dois ainda se encontravam em algumas aulas, e assim a amizade surgiu. %Niki% meio fechado, observador demais, demorou um pouco para confiar em %Jungwon%.
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  — Acho que quanto mais perto da nossa participação no festival universitário vai ficando, mais nervoso eu fico. Não quero deixar isso transparecer na minha dança… alguma dica? Como você consegue?
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  %Jungwon% respirou fundo antes de responder, apoiando as mãos na cintura enquanto também encarava o próprio reflexo no espelho.
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  — Eu não consigo — disse, sincero. — Só aprendi a não lutar contra isso.
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  %Niki% desviou o olhar da tela do celular, finalmente encarando o amigo.
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  — Como assim?
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  — O nervosismo. A pressão. O medo de errar. — %Jungwon% deu de ombros. — Se você tenta esconder, ele aparece no corpo. No ombro duro, na respiração curta. Mas se você aceita… ele vira energia.
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  %Niki% franziu o cenho, pensativo.
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  — Você dança com o nervosismo, não apesar dele — completou %Jungwon%, com um meio sorriso. — Deixa ele te empurrar, não te travar.
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  %Niki% voltou os olhos para a gravação. Pela primeira vez, não procurando erros, mas sensações.
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  — Eu sempre tive medo de não ser suficiente — admitiu, quase num sussurro. — De chegar até aqui e ainda assim falhar.
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  %Jungwon% apertou levemente o ombro dele.
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  — Você já é suficiente. Só esquece disso quando começa a se cobrar demais.
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  O silêncio que se seguiu não era desconfortável. Era o tipo de silêncio que acolhe.
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  — Ei — %Jungwon% acrescentou, quebrando-o com suavidade. — No festival, dança como se estivesse sozinho naquela sala. Sem plateia. Sem julgamento.
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  %Niki% assentiu devagar.
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  — Vou tentar.
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  E, pela primeira vez naquele dia, ele acreditou que talvez fosse possível.
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⭐⭐⭐

  %Niki% chegou em casa e largou a mochila sobre a pequena mesa de centro e depois se livrou do moletom acinzentado, abrindo o zíper. Jogou o mesmo sobre o sofá e então caminhou pelo corredor escuro, sem se dar ao trabalho de acender as luzes. Acendeu apenas a do banheiro, retirou o restante das roupas suadas das aulas e dos ensaios e então ligou o chuveiro, ajustando a temperatura.
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  Deixou que a água quente descesse pelos músculos de suas costas, começando a relaxar. O vapor logo tomou conta do pequeno banheiro, embaçando o espelho e abafando qualquer som que viesse de fora. Era ali, naquele silêncio interrompido apenas pelo barulho constante da água, que seus pensamentos sempre encontravam espaço para se espalhar.
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  Fechou os olhos, apoiando uma das mãos na parede fria, sentindo o contraste com o calor do chuveiro. O corpo pedia descanso, mas a mente insistia em voltar aos mesmos pontos: a coreografia, os passos que poderiam ter sido melhores, o festival se aproximando rápido demais.
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  Inspirou fundo, deixando a água escorrer pelo rosto, como se pudesse levar embora a tensão acumulada no dia. Ainda assim, uma imagem insistente surgia sem ser convidada — a sensação de estar sendo observado, mesmo quando dançava sozinho. Um arrepio percorreu-lhe a espinha, não de medo, mas de algo que ele não soube nomear.
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  Talvez fosse só cansaço, pensou. Ou talvez fosse o incômodo estranho de saber que, em algum lugar, havia um olhar que o tinha visto de verdade.
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  Ele afastou a ideia, passando a mão pelos cabelos molhados, decidido a não pensar mais nisso. Amanhã seria outro dia. Outro ensaio. Outra chance de acertar.
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  Mas, mesmo com a água quente caindo sobre si, %Niki% não conseguiu afastar completamente a sensação de que algo havia mudado.
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⭐⭐⭐

  — Vai queimar as panquecas %Nari%! Presta atenção! — %Sunoo% puxou levemente os cabelos da melhor amiga, para chamar sua atenção.
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  — Ai, seu veadinho! — %Nari% levou uma das mãos até a cabeça, no ponto onde havia ficado dolorido pelo puxão.
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  — Sou mesmo!
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  Os dois gargalharam alto, jogando as cabeças para trás e %Nari% se virou para o fogão, deixando de mexer no celular antes que as panquecas realmente se queimassem.
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  Os dois moravam juntos desde o primeiro período de faculdade, a afinidade foi quase instantânea e desde então um não existe sem o outro. Os dois costumavam dizer que um era a versão feminina/masculina um do outro e por isso davam tão certo. Eles eram a “alma gêmea da amizade” um do outro.
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  — Já conseguiu as fotografias perfeitas para o festival %Sunoo%? Você disse que faltava só uma… eu ainda estou empacada em três. Nada tem me chamado a atenção desde ontem.
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  %Sunoo% engoliu seco ao pegar a jarra de água de dentro da geladeira.
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  — Preciso conversar com você sobre isso.
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  — Porque, o que houve?
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  Os dois trocaram um olhar e %Sunoo% levou o copo cheio d’água até os lábios, tomando a água toda numa grande golada.
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  — Tirei uma foto perfeita de um aluno do curso de dança que nunca vi na minha vida, mas não falei com ele sobre a fotografia. Uso ela no festival ou não?
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  — Me mostra essa foto assim que a gente jantar, te digo se usa ou não.
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  %Nari% piscou travessa para o melhor amigo, que sorriu para ela.
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⭐⭐⭐

  %Nari% analisou a fotografia em silêncio por longos segundos.
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  — Ai %Nari%! Anda logo! O que tanto você analisa?
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  %Nari% ergueu os olhos da câmera para ele.
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  — Vai me dizer que você já não babou horrores nessas fotos? Olha só esse gatinho, %Sunoo%!
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  — É nisso que você tá reparando sua safada? E não no quanto essa foto exala… — %Sunoo% parou no meio da frase, procurando a palavra certa. — Verdade. Entrega. Alma.
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  %Nari% inclinou a cabeça, um sorriso lento surgindo nos lábios.
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  — Ah, então é pior do que eu pensei.
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  — Pior como?
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  — Você não só achou ele bonito. Você sentiu algo. — Ela apontou para a tela da câmera. — Essa foto não é só técnica, %Sunoo%. Ela é íntima.
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  %Sunoo% desviou o olhar, passando a mão pelos cabelos.
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  — Eu sei. É exatamente por isso que eu tô em dúvida.
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  — Porque você viu algo que não era pra ver? — %Nari% perguntou, mais séria agora.
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  — Porque eu capturei algo que ele não me deu permissão pra tocar.
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  %Nari% suspirou, apoiando os cotovelos na mesa.
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  — Olha… como fotógrafa em formação, eu diria que essa imagem merece ser vista. Como sua melhor amiga, eu digo que você precisa falar com ele antes. — Ela deu de ombros. — Se você usar essa foto sem consentimento, isso vai te corroer por dentro.
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  %Sunoo% mordeu o lábio inferior.
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  — E se ele odiar?
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  — Então você apaga. — %Nari% respondeu, simples. — Mas se ele entender… — o sorriso travesso voltou — …talvez essa foto seja só o começo de alguma coisa.
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  %Sunoo% voltou a olhar para a imagem na tela.
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  O dançarino parecia distante, perdido em si mesmo.
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  — Eu nem sei o nome dele — murmurou.
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  %Nari% sorriu.
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  — Ainda.
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Lelen

Esse encontro vai ser poético, já tá sendo poético, né?
E já amei uma amizade HAHAHAH <3

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