Capítulo 3 • As Duas %Sarai% — Parte I
"E fez descer fogo do céu na frente dos homens"
— Me chamo %Sarai% — responde %Sarai% II. — Mas pode me chamar de %Arai%.
— Fascinante — responde Abrão como se quisesse tocar o rosto da %Sarai% II. Seu olhar se demorou em seus olhos, como se visse sua esposa mais jovem.
A semelhança entre as duas %Sarai% era inquietante. Enquanto %Sarai% tinha seus trinta e dois anos e tinha uma certa beleza, %Arai% tinha uma beleza diferente. Era bonita sim, mas também carregava uma gentileza e uma cara séria que contrastava com sua face. A primeira %Sarai% começou a sentir ciúmes pela forma que %Arai% e Abrão se olhavam. Abrão parecia encantado por %Arai% enquanto %Arai% parecia apreciar as vestes azuis de Abrão. Abrão tinha quarenta e dois anos, mas tinha uma beleza diferente. Ainda parecia jovial. Seus cabelos negros e lisos pareciam muito bem penteados mesmo não sendo. Seu corpo alto condizia com seu olhar. %Irka% e %Niçus% observavam a cena com intensidade. Nunca esperaram estar ali, numa época tão diferente.
— Estes são meus primos %Irka% e %Niçus% — Apresenta %Arai%. — Então estamos mesmo em Ur dos Caldeus?
— Estamos — concorda %Sarai% vendo as ruas se movimentando. — Ur.
— ISSO é incrível — disse %Niçus%. — Será que podemos tirar fotos?
— Não é uma boa ideia irmão — diz %Irka% que observava alguns olhares estranhos a seu redor.
As pessoas da cidade estavam de fato olhando. Conforme andavam, a cidade se estendia à sua frente. Ur tinha ruas coloridas. Enquanto passavam, as pessoas os observavam curiosamente. %Irka% e Nicus queriam tirar fotos, mas a cada olhar entendiam que estavam em terra estrangeira, principalmente devido a suas roupas modernas. %Arai% que tinha seus vinte e dois anos, observava a cidade com curiosidade. Ur se estendia a frente, mas tinha suas particularidades. O sol agora deixava sinais de que começava a tarde. %Sarai% e Abrão apressaram o passo acompanhado dos viajantes. %Arai%, %Irka% e Nicus observavam tudo admirados. Finalmente conseguiram chegar à residência de Taré pai de Abrão e %Sarai%.
— Quem é está que é idêntica a sua mulher meu filho? — perguntou Terá ou Tare analisando a garota à sua frente..
— Me chamo %Arai% senhor — respondeu %Arai%.
Terá a analisou cuidadosamente. Era fascinante como a jovem se parecia com %Sarai%.
— Fascinante — diz Terá. — Tem meus olhos. Pretos. Fique conosco por um tempo.
— Não sei se posso senhor — responde %Arai%. — Não sei como vim parar aqui.
— Eu entendo — concorda Terá. — Mas tem meus olhos. Se parece com minha filha, deve ficar.
— Tudo bem — concorda %Arai% ao ver que Abrão e %Sarai% aprovam. — Meus dois primos podem ficar também?
— É claro — concorda Terá olhando os outros dois com um olhar calculista.
%Irka% e Nicus se olharam. Sabem que estão em terra estrangeira e a bênção de Terá ou Tare se estende apenas a prima deles, %Arai%. Mas ali tinham a oportunidade de recomeçar. Os dois aceitam viver ali, assim como a jovem %Arai%. Tare ou Terá começa a providenciar quartos para os três, assim como roupas antigas e outras coisas. %Arai% agora com um quarto, divide o mesmo com a prima %Irka%. Já Nicus dorme sozinho em um quarto só dele. E assim o dia começa a se passar.. No dia seguinte, %Arai% acorda cedo. Ela vê a serva Yafa começando a preparar o café da manhã.
— Bom dia senhora — deseja Yafa.
— Bom dia, quer ajuda com o café da manhã? — pergunta %Arai%.
— Não precisa senhora — responde Yafa.
— Eu faço questão — responde %Arai%.
— Tudo bem — concorda Yafa abrindo espaço para %Arai% passar.
%Arai% começa a ajudar Yafa com o café da manhã. Não demora muito para que o ambiente comece a cheirar a especiarias e coisas aromáticas. O café da manhã finalmente fica pronto. Abrão e %Sarai% logo começam a acordar. E assim mais um dia de inicia...
%Irka% e %Niçus% por sua vez ainda dormem... A manhã começa a se estender. Som de mercadores trabalhando, sons de carroças antigas passando. Mais a frente, na casa de Harã, Lot e seus irmãos adolescentes conversavam entre si. Milcah começava a demonstrar os primeiros sinais de sua primeira gravidez com o marido Naor. %Sarai% por sua vez não conseguia conceber. Naquela manhã, enquanto os mercadores vendiam suas mercadorias, os servos traziam coisas com cheiro de especiarias e o comércio agitava, vários destinos começaram a se impor. Anjos começavam a guiar o caminho daquela família.
Da ovelha a lã, da lã, o fio
Meu carretel não vai ficar vazio
No fio, a cor, na cor, o olhar
Já vai direto para o meu tear
Tosei, fiei, tingi, teci
Trançava os fios quando adormeci
No fim, até que ficou um primor
É uma túnica pro meu amor
— Bom dia! — desejou %Arai% para %Sarai% e Abrão servindo o café da manhã. Está tudo pronto.
— Acordou cedo, %Arai% — reparou Abrão.
— Verdade — concordou %Sarai% olhando para sua versão mais jovem.
%Arai% se sentou, começando a tomar o café da manhã com eles.