Capítulo Cinco
Tempo estimado de leitura: 24 minutos
Depois de mais algumas risadas e algumas cervejas, o grupo fez uma pausa estratégica para se hidratar com água. O calor estava imenso, e era necessário garantir que todos se mantivessem bem para aguentar o restante da folia. Após alguns minutos descansando e conversando, já mais revigorados, decidiram atacar uma rodada de caipirinhas em um dos quiosques que começavam a surgir nas esquinas. A bebida doce e refrescante caiu como uma luva para manter a energia.
Enquanto caminhavam e se divertiam pela cidade, a luz do dia começou a se despedir, com o céu tingido de laranja e rosa. A energia ainda estava alta, mas logo o estômago fez com que as garotas reclamassem de fome. Mingi e o grupo seguiram até uma barraca de comida típica, onde escolheram algumas opções rápidas para comer.
Enquanto esperavam a comida, dois garotos começaram a se aproximar de %Luísa% e %Clara%. Eles estavam claramente interessados nas meninas, começando a puxar conversa com uma vibe descontraída. A conversa fluiu fácil, mas logo %Julieta% percebeu que os rapazes estavam dando total atenção a elas, o que fez com que ela puxasse Mingi para mais perto de si, com um sorriso disfarçado. Ao fazer isso, ela se afastou um pouco, dando mais espaço para as amigas e deixando claro que estava mais focada no momento delas do que em interações com estranhos. Mingi, embora um pouco desconfortável com a situação, sentiu o toque de %Julieta% e sorriu, sem saber exatamente o que aquilo significava. No entanto, decidiu que ficaria ao lado dela, curtindo a companhia e o ritmo do carnaval, sem se preocupar com mais nada naquele momento.
Mas Mingi não pôde deixar de pensar um pouco mais sobre o que acabara de acontecer. Ele se pegou observando %Luísa% e %Clara% interagindo com os garotos, rindo e se divertindo, e algo em seu peito apertou. Uma sensação estranha, mas bem conhecida, começou a tomar conta dele.
Será que estava atrapalhando %Julieta%? Ele olhou para ela discretamente, tentando entender se o gesto de puxá-lo para perto foi por pura amizade ou se havia algo mais.
Ela gosta de estar com os amigos, é claro, mas será que ela está interessada em ficar com outros caras também? A ideia de vê-la flertando com alguém, ou até se envolvendo com outro garoto, começou a rondar seus pensamentos de maneira incômoda.
Por mais que tentasse se convencer de que o carnaval era feito para isso — para diversão, para conhecer novas pessoas e, quem sabe, viver momentos intensos — a ideia de vê-la com outro homem, trocando olhares e sorrisos, fez com que ele se sentisse…
inseguro.
Ao se perder nesses pensamentos, Mingi se aproximou dela, um pouco inquieto, e sem saber exatamente o que dizer, finalmente questionou, com a voz mais baixa:
— Estou atrapalhando você a fazer como suas amigas?
A dúvida e o receio estavam estampados em seus olhos, embora ele tentasse disfarçar, esperando que a resposta de %Julieta% pudesse acalmá-lo.
%Julieta% não conseguiu segurar a risada ao ouvir a pergunta de Mingi. Ela soltou uma gargalhada alta e espontânea, e logo em seguida, segurou os ombros dele com firmeza, olhando em seus olhos com um sorriso divertido no rosto.
— Porque me atrapalharia, Mingi? Relaxa, não se preocupe com essas coisas.
Ela deu um pequeno empurrãozinho nele, como se para aliviar a tensão no ar, e então, em um tom mais descontraído, ela perguntou, com um sorriso travesso nos lábios:
— Mas e eu? Estou atrapalhando você a paquerar as brasileiras?
A provocação estava ali, mas no fundo, %Julieta% sentiu um aperto em seu peito, exatamente a mesma sensação que Mingi sentia. Ela disfarçou o nervosismo com uma risada leve, tentando manter o tom de brincadeira para não deixar transparecer o que estava começando a incomodá-la. A ideia de Mingi ficando encantado por outras pessoas também não parecia tão boa quanto ela imaginara.
Ela se afastou um pouco, tentando disfarçar a leve ansiedade que se instalou em seu peito, mas estava claro que a brincadeira tinha tocado em algo mais profundo para ambos.
Mingi abriu a boca, claramente preparado para responder a provocação de %Julieta%. Ele queria dizer algo, talvez até se justificar, mas antes que as palavras saíssem, o cheiro delicioso da comida que eles haviam pedido invadiu o ar.
Os pratos finalmente chegaram à mesa, interrompendo o momento de tensão que se formava entre os dois. Mingi soltou uma risada suave, a expressão de leve frustração desaparecendo quando ele olhou para a comida à sua frente.
— Bem, parece que o destino tem suas prioridades, né? — Ele disse, tentando suavizar a situação, enquanto as garotas ao redor começavam a se servir, distraindo-se com o momento mais casual da noite.
%Julieta%, aliviada pela mudança de foco, sorriu e se preparou para pegar sua parte da refeição, mas ainda com uma sensação estranha na garganta. Ela não conseguiu deixar de notar que Mingi havia se calado, como se também tivesse algo mais a dizer, mas agora parecia estar deixando para lá. Ela desviou os olhos para o prato, tentando ignorar a curiosidade que pairava no ar entre eles.
🎉🎉🎉
Depois de terminarem de comer, todos se levantaram da mesa, rindo e conversando enquanto caminhavam para continuar a diversão. O clima de festa ainda estava no ar, mas algo no ambiente estava mais tranquilo, como se todos estivessem começando a desacelerar um pouco, permitindo-se curtir o momento.
O grupo foi se aproximando da praia, o som das ondas e o frescor do mar se misturando ao calor da noite. O sol já começava a se esconder no horizonte, tingindo o céu de tons de laranja e vermelho, criando uma paisagem de tirar o fôlego.
— Vamos parar por aqui? — sugeriu %Clara%, indicando o grupo de pedras mais próximas à água. — Esse pôr do sol está perfeito.
Mingi, ainda acostumado com o ritmo agitado das festas de carnaval, olhou para %Julieta%, e antes que ela respondesse, ele já sabia o que ela diria. Ele sorriu suavemente, como se estivesse aceitando mais um dos pedidos não ditos.
%Julieta% acenou positivamente, sorrindo para ele, mas sentindo um arrepio ao perceber que ele também estava observando o mar. Algo na maneira como ele olhava para o horizonte, como se quisesse guardar aquele momento para si, a tocou de maneira inesperada.
Eles sentaram na areia junto ao grupo. %Julieta% olhou para Mingi por um momento, com uma sensação estranha de familiaridade e de conexão ainda mais forte ali. As amigas estavam todas se acomodando ao redor, batendo papo, enquanto a visão do pôr do sol os deixava imersos na beleza do momento.
O som das ondas quebrando suavemente ao fundo e o brilho do final da tarde pareciam criar um espaço perfeito para pausarem, respirarem, e, por um momento, deixarem de lado a energia frenética das ruas de carnaval.
%Julieta% olhou para Mingi, e dessa vez, sem pressa, ele retribuiu o olhar. Ela podia sentir que algo diferente estava acontecendo ali, mas o que exatamente, ela ainda não sabia.
🎉🎉🎉
O calor ainda estava presente no ar, mas a brisa fresca do mar trazia um alívio gostoso. %Julieta% olhou para Mingi e, sem pensar muito, sugeriu:
Mingi olhou para ela, os olhos brilhando com a ideia. A praia estava mais vazia ali, um local perfeito para um momento mais íntimo. Ele sorriu, concordando com a cabeça.
Enquanto isso, %Clara% e o rapaz que a estava paquerando, desde o momento em que haviam se aproximado, pareciam cada vez mais à vontade um com o outro. Riam, conversavam e, de repente, o beijo aconteceu, uma explosão de sentimentos que, embora súbita, parecia perfeitamente natural, como se já tivesse sido esperado desde o primeiro olhar.
O som do beijo, o toque das ondas e o silêncio ao redor só faziam Mingi perceber o quanto aquele momento era mais significativo do que ele imaginava. Foi então que a pergunta de %Julieta%, que havia ficado ecoando na sua mente desde aquela tarde, veio à tona. Ela tinha brincado sobre ele estar ali para
“paquerar as brasileiras”, e agora ele se questionava: "
Será que ela está mesmo ali para curtir o carnaval e se divertir, ou há algo mais acontecendo entre eles?" Mingi sentiu um pequeno aperto no peito, o sentimento um pouco confuso, como se o que acabara de acontecer entre %Clara% e o rapaz tivesse acendido uma faísca em algo mais profundo, algo que ele ainda não queria admitir.
Ele deu um passo à frente, olhando para o mar por um momento e então se virou para %Julieta%, que ainda molhava os pés na água, a brisa fazendo os cabelos dela se movimentarem suavemente. Ele sentiu que era a hora de falar, de responder àquela pergunta, mesmo que não soubesse ainda o que exatamente sentia.
— %Julieta%... — ele começou, hesitante, mas, depois de um breve silêncio, se inclinou para ela, seu olhar sério e ao mesmo tempo vulnerável. — Não estou tentando atrapalhar você a se divertir. Mas... a verdade é que... não sei bem o que fazer com isso. Com o que está acontecendo.
Ele olhou para as ondas por um momento, buscando as palavras certas. Quando voltou a olhá-la, seu tom foi mais suave, como se estivesse tentando entender a si mesmo enquanto falava.
— Eu sei que não sou daqui, e talvez seja estranho eu me importar com isso, mas eu...
gostei de passar esse tempo com você. E... não sei... talvez tenha ficado com um pouco de ciúmes, mesmo sem querer.
%Julieta% o encarou, surpresa pela sinceridade e pela vulnerabilidade dele. O mar continuava batendo suavemente na areia, e, ao redor deles, o carnaval acontecia, mas, ali, naquele momento em que seus olhos se encontraram, parecia que o tempo havia desacelerado. Ela sentiu que também precisava ser honesta, não só com ele, mas consigo mesma.
— Eu... também gostei de passar esse tempo com você, Mingi — ela disse, a voz mais suave. — E não, você não está atrapalhando. Eu... gostei de estar com você também.
Aquele momento, entre as ondas e o som distante do carnaval, parecia criar uma conexão silenciosa entre eles, uma nova camada sendo adicionada ao que estava nascendo ali.
Mingi olhou para %Julieta% com uma expressão de dúvida por um momento, lembrando-se da pergunta dela outra vez... O tempo parecia estar se arrastando lentamente, como se o universo tivesse parado só para ele poder processar aquele momento. Ele queria responder, queria dizer que sim, estava sentindo algo diferente por ela, mas a hesitação ainda tomava conta de si.
Ele deu um passo em direção a ela, sua mão quase tocando a dela enquanto, com um sorriso tenso, começou a falar.
— Sobre sua pergunta de mais cedo… você... não está atrapalhando nada, %Julieta%. Pelo contrário, você tem me feito esquecer um pouco do que eu imaginei que seria esse carnaval. — Ele olhou nos olhos dela, a voz mais suave. — E quanto às brasileiras... — Ele deu uma pequena risada nervosa, tentando quebrar a tensão que estava se formando entre eles. — Eu já te disse, né? Não estou aqui só para paquerar. Acho que... talvez tenha me perdido um pouco nas suas risadas e... no jeito como você olha para as coisas.
%Julieta% sentiu seu coração bater mais rápido. As palavras de Mingi a tocavam mais do que ela imaginava. O calor da conexão entre eles aumentava, e ela quase podia sentir a energia no ar. Mingi estava ali, na sua frente, sendo vulnerável, e a maneira como ele a observava fazia tudo ao redor parecer um borrão.
Ela não sabia como reagir, mas seu sorriso apareceu sem esforço, como se fosse a única coisa a fazer naquele momento.
— Mingi... — ela disse, em um sussurro, e antes que ele pudesse dizer mais, ela se aproximou ainda mais dele, seu olhar focado nos olhos dele. — Eu também... não sei o que pensar sobre tudo isso, mas não me importa muito agora.
O silêncio entre eles ficou carregado de uma expectativa que parecia prestes a explodir, e ambos estavam cientes de que, talvez, o próximo passo fosse um beijo. Os corpos próximos, a respiração mais acelerada, os olhares trocados, tudo apontava para isso. %Julieta% se inclinou ligeiramente, sentindo a tensão aumentar. Mingi, com os olhos fixos nela, quase sem querer, começou a se aproximar também, os lábios a centímetros dos dela.
Foi quando, no último instante, uma onda especialmente forte se chocou contra a areia e se levantou com uma força inesperada. Ambos se viraram, o som da água os pegando de surpresa, e o choque foi tão forte que até o equilíbrio deles foi ameaçado. Mingi deu um passo para trás, rindo nervosamente, enquanto %Julieta% se afastava rapidamente, molhada até os joelhos, com os cabelos bagunçados pela força da onda.
— Ah, não! — %Julieta% exclamou, rindo, enquanto tentava se equilibrar, sem saber se ria ou se ficava indignada com a onda que os havia interrompido naquele momento tão perfeito.
Mingi riu também, aliviado por não ter sido ele a tropeçar primeiro, e se virou para ela, tentando dar a impressão de que tudo estava sob controle. Mas, no fundo, ele estava se perguntando se aquele momento era realmente o certo, ou se a onda só havia sido mais uma razão para ele ainda ter dúvidas sobre os sentimentos dele.
Eles se olharam por um segundo, a tensão ainda no ar, mas agora um pouco mais leve. Ambos sabiam o que quase aconteceu, mas o mar parecia ter dado a resposta de que o tempo deles ainda não havia chegado completamente.
— Eu... acho que a maré tem outros planos para nós, não? — Mingi disse, com uma risada abafada, tentando aliviar o clima.
%Julieta% sorriu de volta, um sorriso um pouco mais tímido agora, mas não menos intenso.
— Parece que sim. — Ela olhou para ele por um instante, a atmosfera ao redor ainda densa com o que eles estavam vivendo, mas, ao mesmo tempo, divertida e leve.
Ela se afastou um pouco para limpar a água que ainda estava escorrendo por suas pernas, mas, antes que ela pudesse dar mais um passo, ele se aproximou novamente, seus olhos se fixando nela com uma intensidade silenciosa. A resposta que ela tanto esperava ainda estava ali, mas o momento continuava a se desenrolar, desafiando-os a ser mais ousados ou a esperar ainda mais um pouco.
A noite estava longe de acabar, e o carnaval ainda tinha muito a oferecer.
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Depois de assistirem ao pôr do sol rindo e até com alguns deles entrando na água e claro, mais beijos sendo trocados entre os casais já formados no grupo — incluindo %Luísa% que não resistiu aos encantos do carinha que depois se descobriu chamar Lucas, eles resolveram andar atrás de mais diversão pelas ruas do Rio de Janeiro.
Enquanto caminhavam pelas ruas iluminadas pelas luzes dos postes e das fantasias brilhantes ao redor, Mingi e %Julieta% permaneciam próximos. O carnaval continuava pulsando ao redor deles, e a cidade parecia ainda mais viva à noite. O cheiro de comida de rua se misturava ao som da música que vinha de todos os lados, criando um cenário perfeito para a energia elétrica que pairava entre os dois.
Mingi sentia a presença de %Julieta% ao seu lado como uma corrente quente que passava por seu corpo toda vez que seus braços se encostavam, ainda que fosse apenas um esbarrão casual enquanto andavam. Ele queria dizer algo, qualquer coisa, mas todas as palavras que lhe vinham à mente pareciam insignificantes diante da tensão crescente entre eles.
%Julieta%, por outro lado, também não conseguia ignorar o fato de que desde a praia, desde aquela onda intrometida, havia algo não resolvido entre eles. Algo que ficava no ar, suspenso, prestes a acontecer, mas que nenhum dos dois se atrevia a dar o passo necessário.
Eles pararam em um bar de rua para mais uma rodada de bebidas. %Duda% e seu ex estavam trocando sorrisos apaixonados, %Luísa% e Lucas estavam ainda mais grudados, %Clara% se divertia com o garoto que a paquerava mais cedo. %Julieta% observava tudo com um sorriso, mas seu olhar sempre acabava voltando para Mingi, que estava ao seu lado, segurando um copo de caipirinha e mexendo distraidamente a bebida.
— Tá tudo bem? — ela perguntou, inclinando um pouco a cabeça para observá-lo melhor.
Ele virou o rosto para ela, surpreso com a pergunta.
Mingi soltou uma risada leve, esfregando a nuca.
— Só tô... curtindo o momento.
Ela sorriu, e por impulso, tocou o braço dele com a ponta dos dedos, um toque leve, passageiro, mas que fez a pele de Mingi arrepiar.
— Então continua curtindo. — Sua voz saiu mais baixa, como se quisesse testar até onde aquela tensão podia ir.
Mingi prendeu a respiração. Seus olhos caíram para a boca dela antes que ele pudesse evitar, e %Julieta% percebeu. Ela percebeu porque fez exatamente a mesma coisa — o olhar dela desceu até os lábios dele por um segundo antes de voltar para seus olhos, e naquele instante, tudo pareceu ficar mais lento.
O barulho da rua, a música, as pessoas ao redor, tudo se tornou um pano de fundo distante. Estava ali, acontecendo de novo. O momento perfeito para que um dos dois avançasse o sinal.
%Julieta% desviou o olhar primeiro, bebendo um gole de sua caipirinha, e Mingi soltou o ar preso nos pulmões, rindo baixinho de si mesmo. Era ridículo. Ele não era assim. Mas com ela, tudo parecia diferente.
— Vamos andar? — ela sugeriu, quebrando o silêncio carregado entre eles.
E assim, mais uma vez, eles continuaram a dançar nesse jogo silencioso de quase lá, mas ainda não.
Mingi e %Julieta% se afastaram um pouco do grupo, procurando um canto mais tranquilo. Encontraram um espaço na calçada, perto de uma lojinha fechada, onde algumas pessoas também descansavam entre um bloco e outro. O chão estava quente do sol que havia se posto há pouco tempo, e a brisa noturna trazia um alívio bem-vindo.
%Julieta% se sentou primeiro, puxando os joelhos para perto do corpo, enquanto Mingi se acomodava ao lado dela, esticando as pernas e apoiando os braços para trás. Eles observaram por alguns segundos as amigas envolvidas com seus respectivos paqueras, rindo, dançando, beijando… completamente imersas no espírito do carnaval.
— Acho que agora temos um momento de paz. — %Julieta% comentou, virando o rosto para ele.
Mingi sorriu, encarando-a de volta.
— Não que eu não esteja gostando da bagunça… Mas é bom ter um momento assim.
Ela concordou, girando o copo de plástico com o resto da sua caipirinha entre os dedos.
— Sabe… Eu nunca perguntei, mas o que te fez querer vir ao Brasil? Tipo… O que exatamente te fez decidir que queria passar o carnaval aqui?
Mingi riu, olhando para frente, observando a multidão que ainda vibrava ao redor deles.
— Eu sempre ouvi que o carnaval daqui era um dos melhores do mundo. Além disso… eu queria ver algo novo, viver algo que eu nunca vivi antes.
— E tá valendo a pena? — %Julieta% perguntou com um sorriso travesso.
Mingi virou o rosto para ela, inclinando levemente a cabeça, como se estivesse pensando na resposta. Seus olhos encontraram os dela de um jeito que fez %Julieta% prender a respiração.
Ela desviou o olhar rapidamente, tomando o último gole da sua bebida para disfarçar o impacto daquelas palavras.
%Julieta% sorriu, jogando a cabeça para trás e encarando o céu.
— Eu sempre gostei. Cresci assistindo aos desfiles na TV, e quando fui ficando mais velha, comecei a sair para os blocos. É um jeito de sentir a cidade de uma forma diferente. Não sei explicar direito, só sei que eu amo desde pequena, como te disse.
Mingi a observava atentamente. Gostava de ouvi-la falar sobre coisas que gostava. A paixão na voz dela, o brilho nos olhos…
— Acho que dá pra entender. Você realmente parece feliz aqui.
Ela o encarou de volta, seus sorrisos se encontrando de um jeito natural.
Ele segurou o olhar dela por alguns segundos antes de responder:
— Muito mais do que achei que estaria.
%Julieta% sentiu seu coração falhar uma batida. O jeito que ele disse aquilo, com a voz baixa e rouca, a fez querer desviar o olhar. Mas não desviou.
E ali ficaram, se olhando, no meio da folia, mas dentro de uma bolha onde só existiam os dois.
%Julieta% respirou fundo, criando coragem para fazer a pergunta que já estava martelando em sua mente há algum tempo.
— E quando você volta para a Coreia? — perguntou, tentando soar casual, mas sentindo o próprio coração acelerar.
Mingi desviou o olhar para a rua, como se ponderasse a resposta. Então, soltou um suspiro e voltou a encará-la.
— Na verdade… eu não volto para a Coreia em 2025.
%Julieta% franziu o cenho.
— Consegui um emprego temporário no México. Vou trabalhar com alguns artistas de lá por um tempo. Só volto para a Coreia em 2026.
Ela ficou em silêncio, processando aquela informação. Até então, não tinha parado para pensar na despedida. Não de verdade. Talvez porque, no fundo, assumisse que ele voltaria para casa logo, e que tudo aquilo—os dias de carnaval, os momentos ao lado dele—fosse apenas passageiro.
Mas um ano inteiro fora da Coreia? Ele estaria mais perto do Brasil, mas ainda assim… longe demais.
%Julieta% desviou o olhar, observando o fluxo de pessoas ao redor, os risos e a música ao fundo. Tudo continuava igual, mas dentro dela algo pareceu se retrair.
Valia a pena viver algo com prazo de validade? Porque, no fundo, ela sabia que já estava vivendo…
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