Capítulo Quatro
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Rio de Janeiro, Brasil, 2 de Março de 2025:
Na manhã seguinte, o celular de %Julieta% vibrou algumas vezes antes que ela finalmente criasse coragem para abrir os olhos. O sol entrava pelas frestas da cortina, iluminando o quarto com uma luz dourada, e sua cabeça ainda estava um pouco pesada da noite anterior.
Ela tateou o celular na mesinha de cabeceira e, ao desbloqueá-lo, viu várias notificações no grupo das amigas. Mas o que chamou sua atenção foi um número novo enviando mensagens… Ele havia sido adicionado ao grupo por ela ontem a noite mesmo, antes de ela tomar um banho:
Mingi: Bom dia, pessoal! Todo mundo sobreviveu à folia de ontem? %Clara%: Sobreviver eu sobrevivi, mas minha dignidade ficou em algum bloco por aí… %Duda%: Bom diaaa! Sobrevivemos, mas tô aqui pensando se vale a pena levantar da cama. %Julieta%: Bom dia! Tô viva, mas sinto que fui atropelada por um trio elétrico. Mingi: Isso significa que vamos pular carnaval de novo hoje ou que devo respeitar o luto de vocês? %Luísa%: Olha ele, já viciado no carnaval! Eu gostei disso. %Duda%: Hahaha! Eu topo sair de novo, mas não podemos começar muito cedo, por favor. %Julieta%: Concordo. Umas 15h tá bom? Mingi: Perfeito! Onde nos encontramos? %Clara%: Podemos nos encontrar no mesmo lugar de ontem e ver para onde a folia nos leva. Mingi: Fechado! Vejo vocês mais tarde. %Julieta% sorriu para a tela e se espreguiçou na cama. A ideia de reviver a energia da noite anterior com Mingi e as amigas parecia promissora. O carnaval ainda tinha muita magia para oferecer, e ela estava disposta a aproveitar cada momento.
Ela desceu para a cozinha ainda sentindo os resquícios da noite anterior em seu corpo. O cheiro de café fresco preenchia o ambiente, e ela serviu uma xícara antes de se sentar à mesa, mexendo lentamente a bebida enquanto seus pensamentos vagavam.
A cena de ontem voltou à sua mente com clareza. O calor sufocante do dia, a alegria pulsante das ruas, o som ininterrupto dos blocos… e então, o choque do líquido derramado, o olhar surpreso de Mingi e o sorriso tímido que ele deu depois.
Ela riu sozinha ao lembrar do momento em que tentou secá-lo instintivamente, apenas piorando a situação. Quem diria que aquele turista desajeitado, perdido no meio do carnaval carioca, acabaria grudado no seu grupo como se já fosse parte dele?
Mas o que mais ficou na sua mente não foi o incidente da bebida ou o fato de ele ter topado cada nova experiência sem hesitar. Foi o jeito como ele olhava para as coisas. Para o carnaval, para as amigas dela, para a energia da cidade... e, em alguns momentos, para ela.
Tomou um gole do café, deixando o calor da bebida despertar seu corpo. Mingi era diferente. Ele tinha um olhar curioso, quase encantado, para tudo ao seu redor, como se estivesse descobrindo um mundo novo. E %Julieta% gostava da ideia de ser parte disso.
Seu celular vibrou na mesa, trazendo-a de volta à realidade. Era uma mensagem no grupo, confirmando os planos para a tarde. Ela sorriu, terminou seu café e se levantou com um ânimo novo. O carnaval ainda estava longe de acabar, e ela mal podia esperar para reencontrá-lo.
%Julieta% pegou o celular mais uma vez antes de sair da cozinha, vendo uma nova notificação da mãe.
Mãe: “Bom dia, filha! Como foi a noite de ontem?” Ela sorriu, já esperando a pergunta.
%Julieta%: “Bom dia, mãe! Foi ótima, estou destruída, mas valeu a pena.” Mãe: “Só não esquece de se alimentar direito e se hidratar, hein?” %Julieta%: “
Pode deixar!” Mãe: “
Te amo, aproveita por mim também!” %Julieta%: “Te amo também!” Com um sorriso no rosto, ela largou o celular na mesa e foi até a geladeira, abrindo-a com a esperança de encontrar algo que parecesse minimamente apetitoso. Seu corpo ainda estava cansado da maratona de ontem, mas precisava comer algo antes de sair para mais um dia de folia.
— O que eu posso fazer rapidinho? — murmurou para si mesma, analisando as opções.
Talvez um omelete com pão e suco? Ou quem sabe uma tapioca? Ela não queria nada muito pesado, só o suficiente para aguentar bem até a tarde.
🎉🎉🎉
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Mingi terminava seu café da manhã no hotel. O restaurante do lugar estava tranquilo, alguns poucos turistas espalhados pelas mesas, e ele saboreava um café forte com um pedaço de bolo de milho que tinha pego para experimentar.
O gosto era diferente do que estava acostumado, mas gostoso. Assim como tudo que estava descobrindo nessa viagem.
Depois de terminar a refeição, ele subiu para o quarto e começou a organizar suas coisas para mais um dia. Tirou algumas roupas limpas da mala e, ao se abaixar para juntar as peças sujas acumuladas num canto, seus olhos pousaram sobre a camiseta manchada da noite anterior.
Ele pegou o tecido e passou os dedos pelo pano já seco, lembrando da confusão, do pedido de desculpas apressado, do toque inesperado de %Julieta% tentando limpar a bagunça…
E, principalmente, do jeito que ela o puxou pela mão, sem hesitar, como se já fossem amigos há tempos.
Um sorriso escapou de seus lábios sem que percebesse.
Essa viagem já estava valendo a pena de um jeito que ele não esperava.
Mingi jogou a camiseta no cesto de roupas sujas e se espreguiçou, sentindo os músculos do corpo ainda um pouco cansados da maratona de ontem. Mas, ao invés de querer descansar mais, ele estava animado para viver o segundo dia de carnaval.
Pegou o celular, desbloqueou a tela e abriu o aplicativo de mensagens. Rolou a conversa com seus amigos na Coreia e viu algumas mensagens não lidas de Yunho, perguntando como estava sendo a viagem.
Sem pensar muito, apertou o botão de chamada de vídeo.
Não demorou muito para a tela exibir o rosto sonolento de Yunho, que piscou algumas vezes antes de rir.
— Você sabe que aqui já é tarde da noite, né? — Yunho disse, cobrindo um bocejo. — O que foi? Tá perdido aí no Brasil já?
— Não tô perdido. Aliás, tô me virando muito bem, obrigado.
— É mesmo? Então me conta, como foi o primeiro dia? Carnaval é tudo isso que dizem?
Mingi passou a mão pelos cabelos ainda um pouco úmidos do banho e sorriu.
— É muito mais do que eu imaginava. Cara, é uma loucura. As ruas ficam lotadas, tem música por toda parte, e as pessoas... Elas têm uma energia surreal!
— Você foi sozinho mesmo?
Mingi negou com a cabeça.
— Não exatamente. Acabei conhecendo umas garotas e passei o dia com elas.
Yunho arqueou as sobrancelhas, interessado.
— Um grupo de amigas, na verdade. Mas uma delas... — Mingi hesitou por um instante antes de soltar um sorriso de canto. — Foi a responsável por eu acabar me juntando a elas.
Yunho estreitou os olhos.
— Agora eu quero detalhes.
Mingi riu e se acomodou melhor na cama, contando sobre o momento em que %Julieta% derramou bebida nele, o jeito desajeitado dela tentando limpar a bagunça e como, no final, ele acabou passando o dia todo grudado naquele grupo.
— Cara, foi um dos dias mais divertidos da minha vida. E eu mal posso esperar pelo de hoje.
Yunho o observou por alguns segundos antes de abrir um sorriso sugestivo.
— Eu tô achando que não é só o carnaval que tá te deixando animado assim.
Mingi rolou os olhos, mas não conseguiu evitar a risada.
— Só digo uma coisa: aproveita. Quando você vai ter outra chance de viver algo assim de novo?
Mingi assentiu, sabendo que o amigo tinha razão.
— Pode deixar. Eu vou aproveitar cada segundo.
Eles conversaram mais alguns minutos até que Yunho começou a bocejar demais e Mingi decidiu deixá-lo voltar a dormir.
Quando encerrou a chamada, ele jogou o celular na cama e se levantou, sentindo a animação crescer dentro dele.
O segundo dia de carnaval prometia. E, se fosse tão bom quanto o primeiro, ele já sabia que essa viagem seria inesquecível.
🎉🎉🎉
%Julieta% conferiu o próprio reflexo no espelho uma última vez antes de pegar o celular e abrir o grupo com as amigas.
%Julieta%: “Tô saindo de casa agora! Onde a gente vai se encontrar mesmo?” Enquanto esperava resposta, colocou os brincos e pegou a bolsa, checando se tinha tudo: celular, dinheiro, protetor solar, um leque para aliviar o calor e, claro, os óculos escuros.
O celular vibrou na mesa, e ela pegou rapidamente para ver as mensagens chegando.
%Clara%: “A gente vai se encontrar naquele mesmo ponto de ontem. Mas acho que só vou mais tarde, tô morta ainda.” %Duda%: “Eu também. Talvez eu vá mais tarde encontrar vocês!” %Luísa%: “Eu vou, mas vou sair daqui a pouco. Te encontro lá, Ju!” %Julieta% revirou os olhos com um sorriso. Sempre era assim: no primeiro dia, todas animadas, mas no segundo, começavam a sentir o cansaço e iam desistindo aos poucos.
%Julieta%: “Bando de fracas!” %Clara%: “Amiga, a gente já não tem mais 18 anos, precisamos de descanso kkkkk” %Julieta%: “Vocês que lutem. Tô indo!” Ela pegou as chaves e saiu, sentindo a animação crescer.
Era mais um dia de carnaval, e ela tinha certeza de que seria tão incrível quanto o primeiro.
%Julieta% se acomodou no banco do carro de aplicativo e olhou pela janela, observando as ruas já começando a se encher de foliões. O sol estava forte, a energia do carnaval no ar… Mas, por algum motivo, ela sentia que algo estava faltando.
Ela desbloqueou o celular e abriu o grupo, digitando sem rodeios:
%Julieta%: “E Mingi, cadê você?” Mingi: “Pedindo um carro agora! Espera por mim antes de ir para o bloco?” %Julieta%: “Beleza, mas se demorar muito eu vou te deixar pra trás!” Mingi: “Já tô saindo, prometo que não vou te dar esse trabalho!” Ela riu baixinho, balançando a cabeça.
Definitivamente, a presença dele fazia diferença.
🎉🎉🎉
%Julieta% chegou ao ponto de encontro e saiu do carro, sentindo o calor abraçá-la assim que pisou na calçada. O sol estava forte, e a rua já fervilhava com o movimento de foliões indo e vindo, blocos tocando ao fundo e vendedores ambulantes espalhados pela calçada.
Ela colocou os óculos escuros e se encostou em um poste, esperando Mingi. Enquanto observava o fluxo de gente, percebeu a quantidade de adereços carnavalescos que as pessoas usavam: chapéus coloridos, tiaras chamativas, óculos extravagantes…
Foi quando seus olhos caíram sobre uma pequena barraca improvisada, onde um senhor vendia acessórios de carnaval. Tiara de plumas, chapéus de glitter, bonés decorados...
Mingi tinha que entrar ainda mais no clima.
Seguiu até a barraca, analisando as opções. Havia um chapéu de palha estilizado, cheio de fitas coloridas, que parecia combinar com ele. Pegou o acessório e mostrou ao vendedor.
Ela pagou sem pensar muito e, com o chapéu na mão, voltou ao ponto de encontro, já imaginando a cara de Mingi quando o visse.
Agora era só esperar por ele.
Mingi estava no banco do carro de aplicativo, apoiando o braço na janela aberta enquanto observava a cidade ganhar vida ao seu redor. O Rio de Janeiro tinha uma energia única, vibrante, que parecia pulsar em cada esquina.
As ruas estavam cheias de foliões vestidos com purpurina, fantasias criativas e adereços coloridos. Alguns já dançavam ao som dos blocos que passavam, enquanto outros se reuniam em pequenos grupos, bebendo e rindo. Ele via vendedores ambulantes empurrando carrinhos cheios de bebidas geladas, churrasquinhos e espetinhos de queijo assado, enquanto turistas paravam para tirar fotos dos prédios históricos decorados para o carnaval.
A cidade era um espetáculo à parte, e Mingi se sentia mais animado a cada segundo.
Desbloqueou o celular e abriu o grupo, vendo que %Julieta% já estava no ponto de encontro. Um sorriso surgiu em seus lábios.
Guardou o celular no bolso e voltou a olhar para a rua, aproveitando cada detalhe. Essa viagem já estava sendo melhor do que ele imaginava.
Assim que o carro parou, Mingi agradeceu ao motorista e saiu, ajeitando a roupa antes de erguer o olhar para a movimentação ao redor. O local já estava cheio de gente, com foliões passando apressados, vendedores ambulantes chamando clientes e a música ecoando de algum bloco próximo.
Ele passou os olhos pela multidão, procurando por %Julieta%.
O problema era que, no meio de tanta cor e fantasia, encontrar alguém não era tão simples.
Ele franziu o cenho, girando levemente o corpo enquanto escaneava o ambiente. Até que, finalmente, seus olhos encontraram uma silhueta conhecida encostada em um poste, óculos escuros no rosto e um sorriso de canto.
Ela não estava sozinha. Segurava algo nas mãos.
Quando ele começou a se aproximar, %Julieta% ergueu o que parecia ser um chapéu de palha cheio de fitas coloridas e balançou no ar.
— Achei que você precisava de um acessório de carnaval — ela brincou, divertida.
Mingi riu, sentindo o calor subir para o rosto.
— Você quer me fantasiar agora?
— Claro! — Ela sorriu e se aproximou, ficando na ponta dos pés e colocando o chapéu na cabeça dele. — Pronto. Agora sim tá no clima!
Ele riu mais uma vez, sentindo que, de alguma forma, aquela mulher fazia o carnaval parecer ainda mais especial.
%Julieta% ajeitou o chapéu na cabeça de Mingi e deu um passo para trás, analisando sua “obra”.
— Olha só para você, um verdadeiro folião!
Mingi riu, passando a mão pelo acessório.
— Vou confiar no seu senso de moda.
— Bom, já que confiou nisso, que tal confiar em mais uma coisa? — Ela cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha.
— Depende… O que você tá planejando?
— Ontem seguimos um caminho, hoje podemos fazer o oposto. Explorar outras ruas, ver outros blocos… O que acha?
Mingi não hesitou nem por um segundo antes de sorrir e concordar:
— A ideia é ótima. Mostra o caminho, guia turística.
%Julieta% riu e pegou a mão dele sem pensar muito.
— Então vamos nessa! Hoje o carnaval é por aqui!
Sem soltar a mão dele, ela puxou Mingi para a folia, pronta para mais um dia inesquecível.
Mingi sentiu o calor da mão de %Julieta% envolver a sua, e um sorriso involuntário surgiu em seus lábios.
Era engraçado como aquele simples gesto já parecia natural entre eles. No dia anterior, ela também o puxou pela mão sem hesitar, e agora fazia de novo, como se fosse o mais óbvio dos movimentos.
Ele não se importava nem um pouco.
Havia algo reconfortante na forma como os dedos dela se encaixavam nos seus, como se já estivessem acostumados. O toque era leve, mas ao mesmo tempo firme, como se ela tivesse certeza de que ele a seguiria — e, claro, ele seguiria.
Enquanto caminhavam pela rua movimentada, Mingi não se preocupou em soltar sua mão. Pelo contrário, apertou um pouco mais, como se quisesse prolongar aquela sensação por mais tempo.
E %Julieta%, pelo jeito, também não parecia com pressa de soltá-lo.
Depois de alguns minutos caminhando e se misturando à multidão animada, %Julieta% parou ao avistar um vendedor com um isopor repleto de latas geladas.
— Vamos pegar uma cerveja? — ela sugeriu, virando-se para Mingi.
Ele assentiu prontamente.
— Claro. Quero a experiência completa.
%Julieta% riu e pediu duas latas ao vendedor, entregando uma a Mingi antes de abrir a própria. O som do gás escapando se misturou ao burburinho do carnaval.
— Saúde! — ela ergueu a lata em um brinde improvisado.
— Saúde! — Ele bateu a sua contra a dela antes de tomar um gole.
Enquanto ele bebia, %Julieta% se pegou observando-o.
Mingi parecia completamente à vontade, apesar de estar em um país diferente e rodeado por um mar de desconhecidos. O chapéu de palha que ela comprou para ele estava um pouco torto em sua cabeça, e os fios úmidos de suor grudavam em sua testa. Mesmo assim, ele parecia tão bonito quanto no dia anterior — ou talvez até mais.
Havia algo nele que chamava atenção, mas não apenas pela aparência. Era o jeito como ele olhava para tudo com curiosidade genuína, como se estivesse absorvendo cada detalhe da experiência. Era o sorriso fácil que surgia toda vez que via algo novo.
E, naquele momento, era o jeito como ele, sem perceber, segurava a lata de cerveja com uma das mãos, enquanto a outra ainda mantinha os dedos entrelaçados nos dela.
%Julieta% tomou um gole da cerveja, mas sua atenção permaneceu em Mingi. A forma como ele franzia levemente a testa ao sentir o gosto gelado da bebida contrastando com o calor intenso era sutil, mas adorável. Seus olhos escuros analisavam o movimento ao redor com curiosidade, como se absorvessem cada detalhe do carnaval.
Ela notou também que ele parecia sempre atento ao que acontecia ao redor, mas sem pressa, como se estivesse saboreando cada momento. Havia algo genuíno nele, algo que não era comum encontrar em turistas que apenas vinham para a folia e iam embora sem realmente se conectar ao lugar.
Os dedos longos seguravam a lata de cerveja de maneira relaxada, enquanto a outra mão ainda estava entrelaçada à dela, um detalhe que a fez sorrir sozinha. Ele nem sequer tentava se afastar ou soltar. Pelo contrário, apertava levemente os dedos dela de vez em quando, como se quisesse ter certeza de que ela ainda estava ali.
%Julieta% também reparou na forma como a pele bronzeada dele brilhava sob o sol, reluzindo com um leve suor que tornava seu visual ainda mais cativante. O colar prata que usava refletia a luz em pequenos lampejos, destacando ainda mais sua clavícula bem definida.
E então veio o sorriso. Aquele sorriso genuíno, aberto, que surgia toda vez que algo o encantava, fosse um grupo de foliões fantasiados dançando em roda, fosse uma música que ele reconhecia de ontem ou, como naquele instante, o simples fato de estar ali, segurando a mão dela no meio da multidão.
%Julieta% sentiu o coração acelerar um pouco e desviou o olhar por um segundo, tentando ignorar a constatação que lhe veio à mente. Mingi não era apenas um turista aleatório vivendo um carnaval inesquecível. Ele estava se tornando parte da experiência dela também.
%Julieta% sentiu o peso daquele pensamento se instalar em sua mente, e a melhor maneira que encontrou de afastá-lo foi se movimentando.
— Vamos andar mais um pouco? — sugeriu, apertando de leve a mão de Mingi antes de começar a puxá-lo pela rua.
Ele a seguiu sem hesitação, deixando-se guiar por ela no meio da multidão. As pessoas riam, dançavam, cantavam. O som da percussão vibrava no ar, misturado ao calor do sol que ainda brilhava forte no céu.
%Julieta% tentava se concentrar no movimento ao redor, no ritmo do bloco que passava próximo, mas sua atenção voltava constantemente para a presença ao seu lado. Mingi era alto, então era fácil para ela sentir sua presença mesmo quando estavam no meio de tanta gente. Além disso, ele não soltava sua mão, o que a fazia ter plena consciência do toque quente dele contra sua pele.
— Para onde estamos indo? — ele perguntou, levemente divertido, inclinando o rosto para mais perto dela.
— Só andando. Você disse que queria ver o carnaval por todos os ângulos, não disse? — respondeu, jogando um olhar rápido para ele, sem desacelerar o passo.
Mingi riu, balançando a cabeça.
— Isso eu disse. Mas estou começando a achar que você está fugindo de alguma coisa.
%Julieta% prendeu a respiração por um segundo, sentindo o coração disparar, mas rapidamente disfarçou com um sorriso travesso.
— Não estou fugindo de nada. Só quero aproveitar o dia, turista.
— Então vamos aproveitar. — Ele apertou levemente sua mão e a puxou de volta para perto, agora caminhando ao lado dela em vez de apenas segui-la.
%Julieta% sentiu uma onda de calor subir por seu corpo, e desta vez não tinha nada a ver com o sol escaldante do Rio.
🎉🎉🎉
%Julieta% e Mingi logo se encontraram no meio de um bloco animado, onde uma banda tocava clássicas marchinhas de carnaval. O clima era contagiante — pessoas fantasiadas cantavam e dançavam sem preocupações, e Mingi, cada vez mais imerso na festa, tentava acompanhar as letras com a ajuda de %Julieta%, que ria ao vê-lo se esforçando.
Entre um gole e outro de cerveja gelada, eles pulavam ao ritmo da música, aproveitando cada segundo da folia. No meio da agitação, %Julieta% ouviu alguém chamando seu nome e, ao se virar, encontrou %Luísa% e %Duda% se aproximando.
— Até que enfim encontramos vocês! — %Luísa% exclamou, já pegando a cerveja da mão de %Julieta% sem cerimônia.
— Estão prontos para mais um dia de festa? — %Duda% perguntou, piscando para Mingi, que sorriu, levantando sua latinha como um brinde.
— Sempre! — %Julieta% respondeu, rindo antes de puxar Mingi para mais perto e se perder novamente na energia vibrante do carnaval.
No meio da conversa animada, Mingi percebeu que a cerveja de %Julieta% havia sido tomada por %Luísa%, enquanto a dele ainda estava pela metade. Sem pensar duas vezes, ele estendeu sua latinha para ela.
— Toma, pode ficar com essa. Vou pegar outra pra mim.
— Tem certeza? — %Julieta% perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Sim, e já trago uma pra %Duda% também — ele disse, piscando para a garota ao lado.
Antes que ela pudesse responder, Mingi já estava se afastando, caminhando com facilidade pelo meio da multidão. %Julieta% o observou desaparecer entre as pessoas, o porte alto facilitando sua localização, mesmo à distância.
— Ele é um fofo — %Duda% comentou, cruzando os braços e sorrindo de lado.
%Julieta% apenas riu, levando a lata à boca e tentando ignorar o súbito calor que subiu pelo seu rosto.
Alguns minutos depois, enquanto as garotas ainda conversavam sobre ele e sobre o que %Julieta% havia descoberto do “gringo misterioso”, Mingi reapareceu no meio da multidão, segurando duas latas de cerveja recém-abertas. Ele entregou uma para %Duda% e deu um gole na sua antes de olhar para %Julieta% com um sorriso satisfeito.
— Você é coreano né? Obrigada,
oppa! — %Duda% brincou, piscando para ele antes de brindar sua lata com a dele.
%Julieta% apenas sorriu, observando como Mingi já parecia completamente à vontade no meio delas, rindo e curtindo a festa como se fosse um local. Com as bebidas em mãos, eles voltaram a se perder na energia contagiante do bloco, pulando, cantando as marchinhas e se deixando levar pela animação.
No meio da bagunça, %Julieta% sentiu o celular vibrar no bolso e, ao verificar, viu que era uma mensagem de %Clara% no grupo:
%Clara%: "Tô chegando!! Onde vocês estão?? Não saiam daí até eu encontrar vocês!" %Julieta% riu e olhou para as amigas.
— %Clara% tá chegando e mandou a gente ficar aqui esperando por ela.
— O que mais tem no carnaval é gente perdida — %Luísa% comentou, rindo. — Vamos segurar a posição.
Mingi, que estava com o braço erguido balançando ao ritmo da música, apenas assentiu.
— Melhor, assim ela não tem que ficar procurando muito.
Eles continuaram curtindo, agora atentos ao movimento ao redor, esperando por %Clara% enquanto a festa seguia com toda a sua energia vibrante.
🎉🎉🎉
%Clara% andava pelo meio da multidão, desviando das pessoas enquanto tentava encontrar o grupo. O som das marchinhas misturava-se ao burburinho animado do bloco, dificultando ainda mais a comunicação pelo celular.
Ela olhava de um lado para o outro, procurando qualquer rosto familiar, mas foi um detalhe específico que chamou sua atenção: um chapéu extravagante balançando acima da multidão.
— Achei vocês! — ela gritou, rindo, enquanto se aproximava.
%Julieta% virou a cabeça e viu %Clara% vindo em sua direção, abrindo caminho com certa dificuldade.
— Como você conseguiu achar a gente tão rápido? — %Duda% perguntou, surpresa.
— Foi fácil — %Clara% riu. — Esse homem aqui é praticamente um farol no meio do carnaval! Alto desse jeito e ainda usando esse chapéu? Foi só seguir o caminho.
Mingi, que bebia um gole da sua cerveja, arqueou as sobrancelhas e tocou o próprio chapéu, fingindo indignação.
— Então eu sou chamativo assim?
— Demais! — %Clara% confirmou, rindo. — Mas isso foi ótimo, porque eu teria demorado muito mais sem essa referência.
%Julieta% riu junto com ela e cutucou Mingi de leve.
— Viu? O chapéu foi uma excelente escolha.
Ele sorriu, balançando a cabeça antes de erguer a lata de cerveja em um brinde.
— Se me ajudou a ser encontrado, então valeu a pena.
Agora com o grupo completo, eles voltaram a curtir o bloco juntos, aproveitando cada momento da festa.
Enquanto caminhavam em busca de outro bloco, %Duda%, que andava um pouco à frente, parou de repente. Seu olhar fixou-se em um rapaz alto, de cabelo levemente bagunçado e sorriso fácil, que estava encostado em um poste bebendo cerveja.
— Ai, meu Deus… — ela murmurou, parando no meio da calçada.
— O que foi? — %Julieta% perguntou, seguindo o olhar da amiga.
— Ah, não — %Clara% riu, já entendendo o que estava por vir. — Você ainda tem uma quedinha por ele, né?
%Duda% não respondeu, apenas ajeitou o cabelo e respirou fundo antes de se aproximar. O grupo automaticamente parou também, observando a cena. O ex-namorado de %Duda% a viu e abriu um sorriso surpreso. Eles trocaram algumas palavras, rindo de algo que só os dois entendiam, e em menos de cinco minutos já estavam próximos demais, as mãos dele na cintura dela e os rostos quase colados.
Então, sem aviso, eles se beijaram.
Mingi, que observava tudo com sua cerveja na mão, arregalou um pouco os olhos e desviou o olhar, visivelmente sem jeito. Ele coçou a nuca e olhou para %Julieta%, como se esperasse uma explicação.
— Isso… acontece muito por aqui? — ele perguntou, baixinho, sem querer parecer rude.
%Clara% riu antes de responder.
— É carnaval, Mingi. Isso aqui é basicamente um "vale tudo" de beijos e encontros casuais.
— As pessoas se beijam assim, do nada?
— Mais ou menos — %Julieta% explicou, se divertindo com a confusão dele. — Às vezes é só pelo momento, pela vibe da festa. Às vezes tem história, como esses dois aí.
Mingi assentiu lentamente, ainda parecendo incerto.
— Então… se alguém quiser te beijar no carnaval, só acontece?
— Basicamente — %Clara% confirmou, bebendo um gole de sua cerveja.
Ele desviou o olhar para %Duda% e o ex, que continuavam completamente imersos um no outro.
— Interessante… — murmurou, antes de olhar de relance para %Julieta%, um brilho curioso nos olhos.
O grupo decidiu não sair dali, respeitando o momento de %Duda% e seu ex. Eles se afastaram apenas o suficiente para dar um pouco de privacidade aos dois, mas ainda estavam perto o bastante para chamar a amiga quando decidissem seguir em frente.
— Acho que ficamos por aqui um tempo, né? — %Clara% comentou, apoiando-se em um dos gradis que cercavam a rua.
— Sim, deixa ela aproveitar — %Julieta% concordou, tomando um gole da cerveja que Mingi lhe dera mais cedo.
Enquanto isso, Mingi voltou a reparar no que acontecia ao redor deles. A energia do carnaval ainda o fascinava, e ele gostava de observar os detalhes que talvez passassem despercebidos para quem já estava acostumado com aquilo.
Notou um grupo de pessoas fantasiadas de personagens de desenhos animados, dançando e pulando animadamente ao som da banda que tocava marchinhas clássicas. Mais adiante, viu um casal que parecia ter se encontrado ali por acaso, rindo e se abraçando como se fossem velhos conhecidos.
O cheiro de comida de rua misturava-se ao aroma da cerveja derramada no asfalto quente. Um ambulante passou vendendo espetinhos e pipoca, enquanto outro equilibrava uma bandeja cheia de drinks coloridos.
Mingi também prestou atenção nas expressões das pessoas. Havia sorrisos e gargalhadas por toda parte. Até os desconhecidos se tratavam como amigos, brindando juntos e se abraçando como se fossem parte de uma mesma festa, de um mesmo momento.
Ele olhou para %Julieta% ao seu lado, que também observava tudo com um pequeno sorriso nos lábios. A maneira como ela parecia à vontade ali, como se fizesse parte do próprio carnaval, o fez sorrir também.
— Você realmente ama isso, né? — ele perguntou, puxando-a suavemente de volta dos pensamentos.
Ela olhou para ele e riu, assentindo.
Mingi olhou ao redor mais uma vez antes de responder, e então voltou a encará-la.
— Acho que estou começando a amar também.
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%Duda% e o ex pareciam ter se desligado completamente do resto do mundo. Entre sorrisos cúmplices e conversas ao pé do ouvido, os dois estavam cada vez mais grudados, e logo já não disfarçavam os beijos intensos entre um gole e outro da cerveja. As amigas observavam a cena com diversão, sem surpresa alguma.
— Pelo jeito, %Duda% já garantiu a noite dela — %Luísa% brincou, rindo.
— Eu sabia que isso ia acontecer — %Clara% comentou, cruzando os braços. — Só era questão de tempo.
%Julieta% apenas riu, balançando a cabeça. Enquanto isso, o grupo seguia curtindo o momento. Entre um brinde e outro, elas cantavam alto as marchinhas que ecoavam pelo bloco, abraçando-se e girando em meio à multidão.
Mingi continuava observando tudo, absorvendo cada detalhe. Mas, sem perceber, seus olhos sempre acabavam voltando para %Julieta%.
Havia algo nela que o prendia mais do que qualquer outra coisa ao redor. O jeito que os olhos dela brilhavam sob as luzes da rua, como se refletissem a própria alegria do carnaval. O modo como ela se movimentava, leve e solta, sem se preocupar com nada além do agora. Até os pequenos gestos, como quando jogava a cabeça para trás ao rir ou como segurava o copo de cerveja distraidamente, chamavam sua atenção.
Em determinado momento, %Julieta% puxou a mão dele para girá-lo no meio da folia, fazendo com que ele risse, ainda um pouco desajeitado.
— Você leva jeito! — ela brincou, piscando.
Ele riu, sem saber se ela estava falando da dança ou de outra coisa.
Mas uma coisa Mingi sabia:
quanto mais tempo passava, mais ele queria estar perto dela. %Duda% finalmente se desgrudou do ex por alguns instantes e voltou até as amigas, mas ainda estava de mãos dadas com ele, o que deixou claro que ele ficaria com o grupo.
— Meninas, vocês já conhecem o Alexandre, mas Mingi ainda não! — ela disse animada. — Alê, esse é o Mingi, nosso novo amigo.
Gustavo estendeu a mão para Mingi com um sorriso amigável.
Mingi apertou a mão dele e assentiu.
%Duda% riu do jeito um pouco formal de Mingi e passou um braço pelo ombro dele.
— Vamos atrás de mais um trio? Agora que a galera está completa, precisamos aproveitar!
Todos concordaram e voltaram a andar pelas ruas, acompanhando o som distante de outro bloco que começava a animar a região. As ruas continuavam cheias de gente fantasiada, confetes pelo chão e o cheiro de carnaval no ar: cerveja, suor, comida de rua e aquela energia vibrante que fazia tudo parecer uma grande festa sem fim.
Mingi, agora mais ambientado, seguia o grupo com passos confiantes, rindo das conversas, sentindo a animação do momento e, claro, sem deixar de reparar em %Julieta%. Cada vez mais, ele sentia que a verdadeira magia do Carnaval não estava apenas na música e na festa, mas na maneira como ela vivia aquilo. E ele queria continuar acompanhando tudo ao lado dela.
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