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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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NDA

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

🛈

CAPÍTULO 01 • SOLO

Tempo estimado de leitura: 44 minutos

  ESTOU ME AFOGANDO OUTRA VEZ, TODAVIA NÃO HÁ NINGUÉM PARA RESGATAR-ME AGORA. ESTOU SOZINHO E ISSO ASSUSTA. QUANTO TEMPO ATÉ QUE TUDO DÊ ERRADO?
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  Há um gosto amargo pungente em minha língua, se espalha como bile por minha boca, revira o estômago; não sei se veio dos resquícios da bebida que havia acabado de ingerir, a mistura de sabores, algo entre pimenta e chocolate misturava-se ao sabor puro do whisky, ou se era a nauseante certeza de que, após quase cinco anos limpos, havia acabado de jogar tudo pelo ralo com um maldito copo. A culpa é imediata, sufocante, espalha-se por meu peito, corrosiva, congela-me no lugar, prende-me apenas naquele único ponto focal em minhas mãos.
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  O copo de cristal vazio, reluzindo suavemente conforme as luzes estroboscópicas se espalhavam pelo espaço, fazendo projetar pequenos losangos e figuras abstratas contra o dorso pálido, ressalta discretamente os calos que agora se formam pelas falanges dos meus dedos, marcando o esforço e disfarçando as cicatrizes que haviam ali. A maioria havia desaparecido com o tempo, deixando para trás apenas uma pequena linha, uma imperfeição minúscula facilmente disfarçada com maquiagem. A superfície irregular do vidro exibia uma arte intrínseca, com padrões em losangos cuidadosamente modelados, que lembram vagamente a uma composição Art Deco. Opulência pura em seu cerne.
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  O gosto amargo do whisky ainda parece pulsar em minha língua, enviando-me uma mistura de culpa e satisfação que há muito havia conseguido me livrar de sentir; ignoro a culpa, concentro-me no sabor, é impossível desligar a parte de meu corpo que implora por mais. Mais um copo não faria mal, posso ouvir ao fundo da minha mente, tentando ignorar como isso muito provavelmente faria. Mas é o calor que se espalha por minha corrente sanguínea que sinto falta, como os músculos tensos de meu corpo relaxam, como sinto-me mais leve, como o peso de meus próprios pensamentos se dissipa para apenas uma névoa distorcida de satisfação e quase desorientação com a música e luzes pulsando ao meu redor. A sensação de finalmente conseguir distanciar-me da minha própria mente.
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  Ironicamente, é um erro comum que costumo cometer: beber para esquecer-me de todo o resto, das acusações de meu pai, dos olhares de soslaio desgostosos de minha mãe, da voz baixa de Suho na parte de trás de minha cabeça, questionando sempre “por que ele, não eu” — também gostaria de saber, e, surpreendentemente, esquecer era a única coisa que não fazia. Pelo contrário, quanto mais desesperado pelo álcool ficava, quanto mais tomava, mais voltava para a superfície. Um mar obscurecido pela desorientação de sorrisos falsos, de olhares divertidos e até mesmo flerte sem intenção alguma, permeado por corpos putrefatos que havia deixado para trás. Não demorava muito para que estes voltassem à superfície para assombrar-me, tampouco para que suas garras fincassem em minha carne, puxando-me para mais fundo naquele oceano obscuro e terrivelmente silencioso que há anos tornara-me náufrago.
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  A voz suave da atendente desperta minha atenção, e forço um sorriso despreocupado, ignorando como ela se inclina para frente para que seus seios avantajados capturem minha atenção. Talvez, em um outro momento, até mesmo o tivessem feito, mas naquele momento tudo o que eu conseguia ouvir ao fundo de minha mente era o contínuo “por que eu, não você?” de Suho. Meu irmão mais velho teria dado tudo para estar em um lugar como esse, eu consigo facilmente imaginá-lo na pista de dança agora, encantando ou até mesmo permitindo-se uma noite de liberdade completa, sem donos, sem regras, apenas bebida o suficiente para mantê-lo desperto e um corpo quente para o envolver. Suho era esse tipo de pessoa, encaixava-se em qualquer lugar como uma peça de quebra-cabeça que faltava, era sempre a vida na sala, o riso solto que contagiava, o olhar preocupado que o fazia sentir-se visto, o rosto meigo que encantava. Em um mundo justo, seria ele a estar aqui, cercado de celebridades e estrelas que por muito tempo acreditamos que só existiam dentro de um vídeo de celular, dentro da televisão ou de uma fotografia. Deuses tão intocáveis que jamais se poderia imaginar como seria ser reconhecido brevemente em uma multidão, quiçá conhecê-los em pessoa. E era eu que deveria estar em uma urna agora.
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  Peço por mais um copo de whisky, sentindo o peso da desistência afundar-me mais no abismo que havia me atirado. Era sempre assim, o primeiro copo sempre era o problema, se eu não cedesse de imediato, se eu conseguisse resistir mais um dia, então estaria seguro. Mas se eu o tomasse… então amanhã eu poderia tentar ficar sóbrio, então amanhã eu poderia lidar com o arrependimento e a culpa. Amanhã.
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  A atendente abre um sorriso encantador, seus dedos acariciam o dorso de minha mão quando retira o copo de cristal para enchê-lo de novo, e me lança um sorriso travesso. Tento suprimir um bufar baixo, forçando um sorriso divertido na direção dela, antes de batucar distraidamente contra o balcão. Giro impaciente os anéis em meus dedos, desconfortável com as roupas, com a minha própria pele. Preciso sair daqui, antes que faça alguma merda pior, antes que…
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  — Olha, se quer saber, em todos os meus anos frequentando este lugar, essa é a primeira vez que vejo Eleanor Reeds sendo legal com alguém, tenho que admitir, estou morrendo de inveja. — Uma voz feminina se projeta à minha direita, baixa, arrastada com um sotaque pesado, lembra um pouco o britânico, mas a maneira com que pronuncia as palavras, como se as palavras se enrolassem em sua língua, não de um jeito ruim. Percebo que é irlandês, quando volto meu olhar na direção da mulher e me deparo com ninguém mais e ninguém menos que %Erin% %VanHelsing% escorada preguiçosamente contra o balcão de madeira, como se fosse uma pintura personificada ao meu lado.
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  Sou tomado por seu perfume, uma mistura intensa de flores com algo mais ácido, disfarçado, mas presente; pimenta, percebo. Os lábios cheios, tingidos por um tom profundo de vermelho escuro se curvam em um sorriso torto, convidativo e traiçoeiro. Seus olhos cintilam, e entendo agora por que quase todo mundo que a conhece a assimila com uma gata.
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  — Comigo? Ela sempre ameaça cuspir no copo, acho que já fez algumas vezes, não que me importe. — Observo-a dar de ombros com indiferença, mas o duplo sentido em suas palavras não passa despercebido. — Mas com você, ela fica manhosa como uma gatinha, só posso imaginar o porquê. — %Erin% %VanHelsing% abre um sorriso perigoso, dentes brancos expostos, parecendo achar divertido observar minha interação com a atendente, a tal Eleanor.
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  Tenho vontade de revirar os olhos, mas não consigo desviar meu olhar. Ela se inclina para trás, um pouco mais, interceptando meu copo da mão da atendente com um sorriso largo, quase infantil. Só consigo encará-la, as palavras desaparecem de minha mente como um mal funcionamento, mesmo que tente forçá-las para fora.
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  — Então, ela tem chance?
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  Agradeço mentalmente por não ter recebido a bebida antes, porque certamente teria me afogado. Acho que realmente me afogo com a minha própria saliva porque por um momento quase começo a tossir, obrigo-me a inspirar fundo e cometo o erro mais estúpido que poderia ter feito, o perfume dela invade minhas narinas, obstruindo tudo pelo caminho, e percebo o quão bom é. Sinto meu corpo se aquecer, enquanto forço-me a voltar em sua direção, determinado a encará-la de frente, no fundo de seus olhos, e este é meu maior erro.
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  %Erin% %VanHelsing% é de tirar o fôlego.
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  Sempre havia sido, quer dizer, lembro-me dos posters espalhados pelo quarto de Suho, ou dos clipes que assistia às escondidas no fundo de casa — era meu pai quem não acreditava que era apropriado assistir os vídeos. Mas estar assim tão perto dela… parece que torna tudo pior.
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  Porque finalmente compreendo o que Suho via; e se não é mil vezes melhor do que uma câmera seria capaz de capturar. Seja os olhos profundos, as íris tonalizadas em uma cor difícil de definir, parece alterar-se conforme as luzes estroboscópicas espalhadas pelo espaço se moviam, mais claras quando o vermelho e amarelo tocavam seu rosto, mais escuras quando o azul e verde o tocavam, intensos, vibrantes, envoltos por uma longa camadas de cílios curvados, destacados por um rímel que borra nas laterais dos olhos, imperfeito. Os cabelos longos, densos e desalinhados, emolduram seu rosto delicado, falsamente passando a imagem de uma fragilidade produzida inexistente, pendendo em cachos grossos, volumosos e bem definidos. A pele perfeita, uniforme e de aparência terrivelmente macia, sempre parecia perfeita demais nos videoclipes, ou até mesmo nas fotografias postadas dela em redes sociais, mas agora de perto, posso ver as pequenas imperfeições que se espalham, e roubam meu fôlego.
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  Há uma pequena camada de cicatrizes em seu rosto, tão imperceptíveis que passariam facilmente despercebidas, mas estando perto dela, agora, posso observar com uma ponta de surpresa. Uma no supercílio que deveria ter deixado sua sobrancelha falhada, mas que a maquiagem aparentemente havia consertado, outra no canto direito de seu lábio inferior. Evidências silenciosas de sua personalidade problemática, é claro, se não as cicatrizes, certamente as inúmeras tatuagens espalhadas por seu corpo provam o ponto; padrões e desenhos que não pareciam ter significado algum se não os literais que se apresentava de imediato. Havia tantas que uma parte de minha mente se desvirtua para um caminho perigoso, tentando imaginar até onde elas iam, até onde cobriam sua pele. Minha garganta subitamente está mais seca do que deveria, controlo minha respiração, tentando mantê-la uniforme e baixa, sou obrigado a tensionar minha mandíbula, tensionando os músculos de meu corpo outra vez, em busca de algo que eu possa me agarrar, que me mantenha centrado — mas estou em queda livre, e a culpa é inteiramente dela.
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  E ela parece perceber isso.
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  Seus lábios carnudos, cobertos por um batom vermelho escuro, quase preto, se torcem por alguns segundos antes de se curvarem em um sorriso torto, entretido, quase desdenhoso; um pequeno desafio velado, um incentivo silencioso para algo que rastejou por minha pele, quente, arrepiante e frustrante. Fincou suas garras em minha pele e fez-me refém de seu olhar. Uma de suas sobrancelhas angulosas se curva para cima, suavemente, em uma pergunta silenciosa. O riso suave, depreciativo e afiado, escapa por sua garganta, discretamente, mas ainda assim audível para meus ouvidos, retorce meu estômago, inflama minhas veias com um incômodo inconveniente e desproporcional para a situação; é a maneira com que soa, é o desafio, o desaforo, o olhar de desprezo por baixo do tom aveludado, do convite doce com fundo amargo, irrecusável. Não é apenas uma criatura com corpo escultural, provocante em suas roupas que mal esforça-se para cobri-la de fato, era a eloquência arrebatadora.
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  %Erin% %VanHelsing% pulsa a palavra “problema”. Grande, vermelho, sem nenhum tipo de problema. É inegável o perigo que parece esvair-se com cada subir e descer de seu peito acompanhando o ritmo de sua respiração. E se não a torna ainda mais convidativa.
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  — O quê? O gato já comeu sua língua, Encantado — ela provoca, e algo em meu peito se aquece. Não é bom; queima, frio e remexe-se desconfortavelmente, o gosto amargo em minha língua torna-se mais intenso, a pulsação aumenta, reverberando por meus ouvidos suavemente, como um fundo musical marcado, fazendo com que o restante da festa desaparecesse. Fazendo com que até mesmo Suho sumisse de minha mente, ainda que por um breve segundo.
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  Está provocando, quer minha reação, mas seja lá qual o interesse dela ali, não sou do tipo que aceita algo calado — não mais. Estreito meus olhos, apoiando meu cotovelo esquerdo sobre o balcão de mogno, observando seu rosto por um longo e deliberado momento. É o meu silêncio que a deixa desconfortável? Ou a minha falta de reação? Estou entrando por baixo de sua pele como está tentando fazer comigo, %VanHelsing%? Que jogo era aquele? Movo minha mandíbula, frustrado, não com ela, mas comigo mesmo. Não tenho resposta para a provocação dela porque ela atinge no ponto certo.
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  — Costuma roubar a bebida dos outros também, ou sou o privilegiado da noite? Com tanto dinheiro que você faz, %Erin% %VanHelsing% em pessoa, não deveria pagar pela sua própria bebida? — obrigo-me a cuspir as palavras, forçando-me a usar todo meu charme com ela, embora minhas palavras sejam enviesadas.
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  Observo aqueles olhos marcantes cintilarem com algo que não consigo entender, não de imediato ao menos, mas não é ruim. Há uma ponta de frustração naquele rosto estupidamente atraente e percebo, com mais divertimento do que deveria, que é algo que gosto de ver. Seja lá qual é o jogo que ela pretende iniciar aqui, concluo que, com o silêncio do mundo ao redor, estou inclinado a ver aonde isso pode dar, consequências que se danem. Dou um passo na direção dela, e tomo de suas mãos o copo de volta. Ela não se afasta, pelo contrário, apenas inclina a cabeça para trás, sustentando meu olhar com um ar petulante. Assim de perto, ela parece tangível. A culpa não demora para ressurgir ao fundo de minha mente, rastejando por minha espinha, gélida, cortante, apoderando-se de minha mente aos poucos, tentando corroê-la. Suho deveria estar ali, aquela conversa era de Suho, não minha. Roubei isso de meu irmão, e muito mais.
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  — Não me chame assim, não temos essa intimidade.
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  A sobrancelha angulosa dela se curva um pouco mais, e ela inclina a cabeça para o lado, tensionando a mandíbula. Seus olhos se perdem em meu rosto por um momento, e sinto algo se aquecer ao centro de meu peito; detesto. Há algo nela que desperta alguma coisa, um anseio por ter sua atenção, ainda que por um breve momento, e isso lhe dá controle. Trinco meus dedos, fuzilando seu rosto, questionando-me outra vez o que diabos %Erin% %VanHelsing% poderia querer comigo. Não é estúpido, embora seja deslumbrante, %Erin% %VanHelsing% não é qualquer pessoa, e seu interesse em mim, súbito, expõe mais do que está dizendo.
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  — Nossa — resmunga com um bufar suave, estupefata. Desvio meu olhar de seu rosto e observo por uma fração de segundos o copo com o whisky. Posso sentir como os músculos de meu corpo se tensionam ainda mais, estão começando a doer, o impulso é mais forte, aquela pequena coceira ao fundo da minha mente se torna um incômodo real. Apoio o copo sobre o balcão de mogno impecável, trincando os dentes com força, obrigando-me a soltá-lo. Inspiro fundo e arrependo-me imediatamente do gesto; o cheiro do perfume de %Erin% %VanHelsing% me consome. É tudo o que sinto, tudo o que me envolve. Obrigo-me a sustentar seu olhar, observando-a com intensidade. Preciso sair daqui antes que faça algo que possa arrepender-me amargamente. — Não é que você tem garras afinal? Achei que vocês, bem… — %Erin% passa com um sorriso sarcástico, afiado, sugestiva, lança um olhar na direção de onde, percebo agora, estão Min-Hyuk e Eun-Ho conversando baixo e rindo, já um pouco alterados, de alguma coisa que não posso estar ouvindo, mas tenho quase certeza que é de alguma comida, ignorando os olhares interessados de outras pessoas ao redor. O gosto amargo pungente em minha língua parece aumentar com a sensação afiada de irritação que começa a florescer por meu peito. — São programados para serem assim, não são? Dóceis, adestrados, não achei que tinham força o suficiente para atacar alguém.
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  %Erin% %VanHelsing% é tão bela quanto irritante. Suponho que faça sentido; após tanto tempo tendo todos lhe dizendo como o mundo lhe pertence, você acabava se tornando uma pessoa desagradável. Solto um bufar baixo, um riso sarcástico quase escapa por meus lábios enquanto permito-me perder-me em seu rosto, não a respondo de imediato, apenas observo-a com atenção. Como os cabelos desalinhados emolduram seu rosto marcante, como o batom destaca os lábios convidativos, como as roupas a envolviam, o sutiã de renda com transparência apenas nos lugares certos envolviam seus seios, puxando-os para cima criando um desenho atraente e quase impossível de não perceber, a forma com que a meia-calça preta grossa de cintura alta gruda em seu copo como uma segunda pele, evidenciando uma transparência onde suas coxas começavam, e como a bota de cano alto de couro envolvia as pernas longas e elegantes dela. É uma visão e tanto para se ter, não apenas da pele que está exposta, mas pela confiança que ela usa. %Erin% %VanHelsing% sabe que é atraente, ela sabe que pode roubar o fôlego de alguém com as palavras certas, aquele olhar sugestivo e o sorriso torto, em qualquer outra noite, eu até poderia entreter o pensamento de ver aonde aquilo iria, mas não essa. Não quando já estou no meu limite, e, todavia, não consigo conter o impulso…
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  — É como dizem que aparência não é tudo, certo? — pronuncio-me deliberadamente, observando os olhos dela se acenderem com algo, e fico feliz quando percebo que não é algo positivo. Não sinto o sorriso que começa a surgir nos cantos dos meus lábios.
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  — Esperto — ela murmura lentamente, a palavra ondulando por sua língua de uma maneira obscena; ela sequer parece estar completamente ciente de todo o efeito que causa, mas posso ver as engrenagens de sua mente funcionando. Obrigo-me a desviar meus olhos do rosto dela, voltando minha atenção para onde Min-Hyuk e Eun-Ho estavam, tentando pedir para que viessem para me tirar dali, mas os dois haviam desaparecido. Os encontro conversando baixo com Taehoon que, surpreendentemente, estava com o braço direito repousado sobre os ombros de uma modelo famosa conhecida por fazer parte de um reality show que não acabava nunca. Merda, isso não iria acabar bem. Busco com o olhar por Jun-Woo, nosso empresário, e vejo-o perdido no patamar superior do segundo andar, com um charuto em sua boca, cumprimentando alguns figurões engravatados e estilosos que só poderiam compor o alto escalão hollywoodiano. — Tão esperto que veio parar nas mãos de Joel Massaro, huh? Se a piada não escreve por si mesma — %Erin% resmunga à minha esquerda, mas algo em seu tom explicita alguma coisa diferente naquelas palavras, algo amargo, afiado, escorre por seus lábios convidativos como veneno. Transforma as palavras doces e os quase elogios em um ataque enviesado quase indetectável. Pisco com o comentário inesperado. Raiva borbulha por meu peito, mas há algo mais perigoso começando a surgir, amortecendo minha mente para o que quer que me atormentava anteriormente, fosse a voz acusatória de Suho ou de meu pai, para apenas focar nela. Não é bom, mas não é algo ruim, pela primeira vez naquela noite, poder ouvir meus próprios pensamentos.
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  — Corajoso dizer isso, especialmente quando você continua trabalhando com ele, %VanHelsing% — respondo com um sorriso sarcástico, tentando agarrar-me à ironia da situação, mas há algo muito mais divertido ali do que apenas o não dito em suas palavras.
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  Tensiono a mandíbula com força, um pequeno músculo movendo-se, enquanto passo meus dedos por entre meus cabelos, afastando-os de meu rosto, sentindo o suor que umedece algumas mechas enroscar-se contra as falanges digitais. Apoio meus cotovelos sobre a superfície lisa e fria do balcão, unindo as sobrancelhas enquanto gesticulo para uma das atendentes para que pudesse pegar o dinheiro. Se pelo serviço ou apenas compensação, pouco me importo no momento. Mas é %Erin% que consegue a atenção de Eleanor, e com um sorriso discreto, ela pede por vodca, pura, e sinto minha boca salivar, não pelo gosto da bebida, porque era horrível, mas pela sensação que proporciona. Preciso sair daqui, agora
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  — Não acabou de dizer que ela cospe no seu copo?
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  %Erin% lança-me um olhar divertido, estreitando os olhos. Parece considerar minhas palavras por um momento, e então, ela ri. O som que ecoa por meus ouvidos pega-me desprevenido, porque não é aquele estranho ronronar desdenhoso, baixo, quase imperceptível que soa como uma faca afiada, mas sim, uma risada genuína, rouca e que soa como a de um velho marinheiro fumante, é ridícula a risada dela, falhada; soa estranhamente melhor do que qualquer outra coisa que já ouvi. Envia uma onda de calor por meu corpo, inesperado e desconfortável.
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  — Também disse que não me importava, não disse? — Observo-a pegar o copo das mãos da tal Eleanor, e virá-lo de uma vez. Trinco meus dentes com força, minhas mãos se fecham em punhos firmes, quase trêmulos, músculos tão tensos que parecem à beira de se romper ao observá-la engolir a bebida; o movimento suave que sua garganta faz, como o músculo se moveu, como sua língua se projeta para fora lentamente para limpar o canto de seu lábio inferior. Não sei o que é pior, se é o desejo de afundar-me na sensação que provavelmente tomava seu corpo, ou se é o estranho impulso, mais perigoso e começando a tornar-se mais forte, de apenas beijá-la. Abaixo meu olhar para a porra do meu copo, prendendo a respiração. Isso é tortura…
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  — O que você quer de mim, %Erin% %VanHelsing%? — Não consigo conter a pergunta, obrigando-me a manter meus olhos fixos em minhas mãos, girando distraidamente os anéis que envolvem meus dedos. Uso o polegar para traçar o anel de cobra que envolve meu indicador direito, traçando as pequenas escamadas delicadamente feitas de forma manual com o canto da minha unha. Aperto meus lábios, tensionando minha mandíbula com força, um músculo projetando-se ali.
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  — O que o faz pensar que eu quero algo?
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  Lhe lanço um olhar de soslaio, cético.
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  %Erin% aperta os cantos dos lábios, um pequeno tique em sua sobrancelha diz-me que ela havia sido pega desprevenida, o que até teria me satisfeito se não fosse pela maneira com que ela se projeta para frente contra o balcão. Alça meu copo antes que eu o possa fazer, girando o cristal distraidamente por entre os dedos elegantes e delicados, suas mãos parecem cobertas por luvas de tatuagens, algumas formam padrões geométricos, outras, parecem com rendas delicadas gravadas na pele macia. As unhas, longas, vermelhas como sangue, batem distraidamente contra o vidro, ritmado, acelerado demais para não ser algo ansioso.
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  — Fiquei curiosa, queria saber por que todos não paravam de falar sobre você. — Volto-me em direção dela, sorrindo, desacreditado. Agora isso eu não consigo acreditar nem um pouco.
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  Observo-a beber outra vez, tão rápido o líquido que sinto o espasmo fantasma em mim, quase posso sentir o calor se espalhar por meu corpo, o álcool rasgando de forma gostosa minha garganta enquanto a sensação de leveza começava a se espalhar.
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  — Por que não acredito nisso?
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  %Erin% dá de ombros, voltando a me encarar, parecendo espelhar meu sorriso cínico.
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  — Porque — ela suspira, um tanto melodramática, e não consigo conter o sorriso que ameaça surgir por meus lábios. Ela para à minha frente, estendendo o copo de cristal vazio em minha direção. Não movo um músculo para tomá-lo de suas mãos. Ela está perto, perto demais, posso sentir o calor de seu corpo, ainda que coberto por aquele vago montante de tecido questionável, contra o meu — você provavelmente é mais esperto do que eu quero admitir que é, %SeoJun%. — Obrigo-me a manter minha expressão neutra, mas a maneira sugestiva com que ela pronuncia meu nome, conjura imagens que eu não quero me perder no momento. E todavia, é inevitável. — E ainda estou esperando por sua resposta.
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  Esqueço-me do que diabos ela estava falando com a maneira com que ela me encara. O monstro que vivia abaixo do oceano de culpa que ameaçava afogar-me diariamente ainda está ali, posso senti-lo rastejando-se para cima, tentáculos envolvendo meus tornozelos e pernas, tentando submergir-me naquela escuridão sufocante e silenciosa, tentando obrigar-me a confrontar o que não faria; e então havia o estranho silêncio que ela causava. Aquele olhar traiçoeiro que prometia muito mais problemas do que eu estaria disposto a ter que lidar, mas então, também nunca fui o tipo de pessoa que aceitava passivamente avisos para “não fazer” algo. Meu pai chama de fraqueza, minha mãe, teimosia, para mim, é só um pequeno desvio. O calor que se espalha por meu corpo parece mais intenso dessa vez, mais convidativo, umedeço os lábios com minha língua, tentando não sorrir com o comentário dela, erguendo apenas uma sobrancelha. Percebo, tardiamente, por que era tão difícil manter o controle com %Erin% %VanHelsing%.
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  Ela é desejo puro.
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  Uma doença facilmente contraída e assoladora que oferecia nada mais do que amargos resultados acompanhados por cicatrizes crônicas. Um veneno, doce, delirante e viciante. Talvez até mesmo uma maldição, alguma interpretação ridícula de carma que o universo havia colocado em meu caminho para punir-me, para vingar Suho — sei que este estaria rindo se me visse aqui agora. Até onde eu sei, desde que havíamos chegado em Los Angeles, nada de bom vem de alguém como ela. Não há inocência em alguém que se parecesse com ela, era o que todos pareciam dizer. %Erin% %VanHelsing% teria na palma de sua mão, voluntariamente, quantos corações desejasse, se sequer ousasse desejá-los. Os colecionava tal qual uma criança o fazia com adesivos, aparentemente. E a pior parte? Não é nem um pouco melhor do que Suho com suas fantasias de grandeza envolvendo a mulher à minha frente.
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  Sei que deveria apenas tê-la ignorado, inventar uma desculpa e buscar pelo olhar de Jun-Woo para deixar claro que a noite havia acabado para mim. Sei que o melhor que posso fazer é apenas ignorar o tom dúbio em sua voz, e seguir meu caminho antes que possa fazer uma merda maior — antes que possa não apenas arriscar mais um lapso, pior, antes que possa arriscar meu contrato. Mas não quero. Porque tem algo na maneira com que ela me encara, calculada, traiçoeira e com uma promessa silenciosa, tem algo na maneira com que ela está esperando uma reação minha que inflama meu sangue e faz com que o crepitar de raiva que se acende ao centro de meu peito se misture com algo mais intenso, algo mais pesado e avassalador espalha-se pelo resto do meu corpo, corrosivo, consumindo tudo o que encontra pelo caminho. Estou febril, errático, e determinado, e isso é uma péssima combinação.
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  Ela dá mais uma passo em minha direção, está tão perto que posso sentir o toque fantasmagórico de seu corpo contra o meu. O ar escapa baixo, vagaroso por entre meus lábios, minha respiração começa a tornar-se mais lenta, irregular, e não consigo desviar meus olhos do rosto dela, da forma com que me encara, da maneira com que os cantos dos lábios dela se curvam naquele maldito sorriso. As palmas das minhas mãos coçam para tocá-la, mas obrigo-me a mantê-las para mim.
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  — Então — ela ergue uma sobrancelha, observando-me como uma gata —, ela passou a noite te encarando, tratou como um príncipe, ela tem chance?
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  Não sigo o olhar dela na direção de quem quer que seja, apenas continuo a encará-la. Tudo em meu corpo grita que isso é uma péssima ideia, como se estivesse aproximando-me mais e mais de um precipício do qual o resultado eu conhecia vividamente; aquilo iria virar um problema. Mas ela soa como uma armadilha perfeita. Uma a que suas presas estão dispostas a cair. Conscientes de seus destinos desafortunados, apegando-se ao anseio da captura com alívio, não com um medo subconsciente ao potencial ferimento mortal que receberiam. Uma, da qual, mesmo em sua destruição, parecia oferecer os mais doces sonhos, as mais aprazíveis presunções. Uma pura e lancinante obsessão. Irrevogável. E um desespero, é claro, por mais uma dose, mesmo que fosse apenas uma mentira; posso entender por que tantos caem tão facilmente na conversa dela.
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  %Erin% %VanHelsing% é uma sereia — e estranhamente eu não me importo nem um pouco de ser o próximo afogado.
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  — Não. — Algo brilha nos olhos de %VanHelsing%, algo perigoso e terrivelmente convidativo, algo que faz-me perder em seus olhos e aproximar-me mais dela. Ela não se afasta, apenas inclina a cabeça para trás, sustentando meu olhar com um desafio silencioso. — Vá em frente, faz a pergunta que eu sei que você quer fazer — provoco, tão perto dela agora que posso sentir o cheiro de seu hálito, uma mistura suave de menta e bebida alcoólica, questiono-me, se a beijar agora, que sabor sentirei em seus lábios?
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  — Eu tenho alguma chance essa noite? — Ela abre um sorriso preguiçoso, traiçoeiro e meus olhos escurecem. O sorriso dela aumenta, os olhos cintilando como os de um gato, inclinando a cabeça suavemente para o lado, um olhar silencioso como se quisesse convir: “te peguei”.
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  Abro meus lábios para respondê-la, erguendo meu queixo desafiadoramente, sem conseguir conter um sorriso quando um pigarro e uma figura familiar se aproxima de nós. Não me afastado, esperando que %Erin% o faça, mas a maldita mulher fica plantada no lugar, sem mover um centímetro sequer que pudesse colocar distância entre nós dois, ela apenas inclina a cabeça um pouco mais para trás, expondo a pele macia e delicada de seu pescoço, revelando uma pequena tatuagem que ela possui entre a parte de trás de sua orelha à linha de sua mandíbula. É pequena, discreta, mas captura minha atenção no mesmo segundo, o formato de um beijo, o trabalho delicado e cuidadoso é intrínseco e repleto de detalhes, a paleta cromática da tatuagem sendo apenas uma variação entre cinza e preto, monocromática; um sorriso quase escapa por meus lábios enquanto meus pensamentos se desviam para as possibilidades, especialmente qual seria a reação dela se eu beijasse aquele ponto em específico.
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  — Ótimo! Tô vendo que vocês dois já se conheceram e estão se dando bem. — A voz de Joel Massaro se projeta à minha direita, soando falsamente animado, e obrigo-me a dar um passo para trás, colocando distância entre mim e %VanHelsing%. Umedeço meus lábios secos com minha língua, voltando meu olhar na direção do empresário americano, meus olhos repousam no mesmo segundo no copo de cristal cheio que ele me estende. — Whisky é sua preferida, não é? Pensei que como a noite é de comemoração, deveria ao menos oferecer-lhe o melhor.
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  Forço um sorriso mecânico, fingindo estar impressionado e agradado com o gesto, aceitando, tenso, o copo. Parece pesar toneladas, e todavia, não posso deixar de pensar em como tenho ansiado por mais a noite inteira. A tinha em minhas mãos agora, e isso era a pior parte de tudo. Merda. Por uma fração de segundos meus olhos focam em %Erin% %VanHelsing%, mesmo que não faça ideia do que procuro ali. Apenas a encaro em silêncio, sem saber o que desejava, e, todavia, implorando para que ela fizesse algo: que ela tomasse meu copo outra vez, que pudesse experimentar os efeitos da embriaguez apenas ao observá-la sem preocupar-me com o que significava tomar mais um copo, ou se estou verificando se ela irá tomar outra vez meu copo de minhas mãos — o afastaria antes. Mas %Erin% %VanHelsing% está encarando Joel Massaro, uma expressão impossível de ser lida. Então aproveito a distração e viro o copo de uma vez, como um sedento por meses, finalmente encontrando água de verdade.
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  O álcool desce queimando pela minha garganta; nunca havia tido um gosto tão ruim e tão bom ao mesmo tempo. Preciso de mais. Meu corpo já febril agora parece insuportavelmente em chamas, obrigando-me a agarrar o colarinho de minha roupa, tentando abri-lo como se minha vida dependesse disso, desfaço os primeiros botões, massageando meu pescoço, voltando minha atenção para Massaro.
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  Joel Massaro é uma figura no mínimo interessante. Não parece extraordinário, como muitos o fazem parecer. Ele não é alto, nem mesmo bonito, sequer tem uma personalidade marcante, mas ele é bom no que faz. Observá-lo caminhar pelo império que ele havia construído era, na verdade, no mínimo intrigante. Fazia com que você quisesse seguir os mesmos passos que ele, fazia com que uma parte de você desejasse seguir exatamente suas palavras, para que pudesse ter exatamente o que ele possui — não só os montantes infindáveis de dinheiros, não só o poder que ele tem de construir e destruir alguém com um estalar de seus dedos, mas a aclamação, o respeito que possui por todos naquela indústria. Chame-o do que quiser, é inegável o trabalho dele ali.
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  É um homem pequeno em comparação aos outros, todavia, já com os cabelos grisalhos nas laterais, de olhos proeminentes azuis profundos, e um rosto quadrado; cabelos perfeitamente aparados, penteados e ordenados, uma barba cuidadosamente aparada que envolvia sua mandíbula bem pronunciada, rosto com ângulos marcantes e afiados, e lábios finos, completam o rosto conhecido, mas são as roupas que ele usa que sempre chamam atenção, os ternos coloridos que haviam criado uma marca para si. Aquela noite usa um vinho escuro, quase parecido com o batom de %VanHelsing%, mas mais vivo e mais decorado que o batom dela. É uma figura de carisma e poder enviesado; assusta e encanta, talvez por isso estivesse há tanto tempo assim naquela indústria.
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  — Que considerativo de sua parte, Joel — %Erin% murmura provocativa, o sorriso, deliberado e afiado, de volta com aquela nota de perigo pairando por seus olhos. — E para mim? Não trouxe nada? — ela questiona, e quase posso comprar a “inocência” de suas palavras se não fosse a maneira com que ela encara Joel. Massaro, todavia, parece continuar imperturbável, encarando-a com uma expressão difícil de interpretar.
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  — A noite é dos BEATBOIZ, %Erin% — Joel responde com um tom de voz aveludado, quase amigável demais. Apoio meu cotovelo esquerdo sobre o balcão de novo, inclinando-me um pouco para trás, sem conseguir conter um sorriso divertido com a cena que ocorre à minha frente. Eu não faço ideia do que está acontecendo, mas nem fodendo que irei perder um segundo disso. — Por que diabos você iria querer roubar a atenção para si, querida? Já não tem demais?
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  %Erin% faz um maldito beicinho, provocativo, que não tem efeito algum em Massaro, mas que tem em mim. Tento aliviar a descarga de adrenalina que percorre meu corpo, ajustando-me discretamente, enquanto afasto a ideia vívida e quase tangível de fincar meus dentes naquela pele macia e convidativa de seu lábio inferior. Agora, tenho certeza de que é o efeito do álcool.
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  — Continua me tratando assim, e vou virar a sininho, enciumada e uma vadia à beira de um colapso. — %Erin% dá de ombros, ajeitando o sutiã que envolve seus seios apertado, antes de puxar os cabelos volumosos e cacheados para trás, dando de ombros. O movimento não escapa de meus olhos, tampouco de Massaro. Ela faz de propósito. — Você odiaria que eu me sentisse assim, não odiaria, Joel? Fica impossível de trabalhar assim.
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  — Cuidado, %VanHelsing%, os tempos estão mudando — é tudo o que Massaro diz, algo surge nos olhos de %Erin% em resposta, algo que não sabia que era possível que ela pudesse expressar, mas que por algum motivo, apenas agita-me um pouco mais. É raiva, pura e genuína raiva, e a ideia de vê-la frustrada soa bem mais palatável do que ser o alvo de suas palavras afiadas. Então %Erin% %VanHelsing% também poderia ter sua pele penetrada por outros, e de repente, pego-me desesperado para atormentá-la; se por despeito ou apenas para ter sua atenção fixa em mim outra vez, pouco posso dizer. — O mainstream parece estar se cansando de rockstars, e preferindo muito mais Idols.
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  Dou de ombros, desdenhosamente, sem desviar meus olhos do rosto de %Erin%.
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  — O que podemos fazer? Somos adestrados para a profissão, perfeição é objetivo, mediocridade o pecado — murmuro, sem conseguir conter o sorriso petulante que começa a surgir por meus lábios quando %Erin% %VanHelsing% me lança um olhar afiado, irritado. Puta merda, ela é deslumbrante, mas ainda mais com raiva.
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  — Vou esperar ansiosamente para quando você tiver um desses à disposição, Massaro. Estou louca para conhecê-los — %Erin% responde meu comentário com aquele tom aveludado, enviesado que transforma meu sangue em puro fogo, rouba meu fôlego e prende-me no lugar. E talvez seja o álcool começando a falar mais alto, mas amo cada minuto disso. Mais do que deveria.
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  Joel estala os lábios em uma advertência que nem mesmo %Erin% ou eu escutamos, presos naquela maldita competição de quem encara o outro mais. Não vou perder, não para %Erin% %VanHelsing%.
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  — Que seja. — Revira os olhos, voltando seu rosto na direção do palco, a luz estroboscópica do lugar projetando sombras suaves em seu rosto marcante. Busco por imperfeições, tento criar uma lista e manter-me preso ao chão; não funciona. Não é apenas a óbvia beleza que ela possui, é algo inteiramente nela. Sua essência. É a porra de um farol em meio ao oceano obscurecido que me empurra para baixo, e de repente, não sou mais o náufrago, mas uma mera mariposa. A autodestruição nunca havia soado tão convidativa, nem tão gostosa. — Tudo bem, %Lee% %SeoJun%, só me responda uma coisa — comanda ela, imperiosa, e meu primeiro impulso é simplesmente ignorá-la, é apenas murmurar um “me obriga” sarcástico, mas contenho minha língua com uma mordida que arranca um pouco de sangue. O gosto ferroso misturando-se com os resquícios de álcool em minha língua é inebriante. Sua presença é mais forte do que meu controle. — Qual sua música preferida?
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  A pergunta pega-me desprevenido, mas lanço um olhar descrente em sua direção. À princípio, pode-se cair na falácia que a pergunta é inocente, uma maneira de agradar, mas algo me diz que %Erin% %VanHelsing% não é o tipo de pessoa que agradava outras, pelo contrário, tudo o que ela parece interessada em fazer é irritar, é quebrar. Posso ver exposto como uma parede de vidro que ela não está nem um pouco a fim de saber qual é minha música preferida, de uma forma bem deturpada e quase pessoal, percebo exatamente o que ela quer fazer. Quer arruinar a minha música preferida para mim, o que quer que eu disser para ela agora, ela irá encontrar uma maneira de deturpá-la e tomar para si; a próxima vez que a ouvir, será em %VanHelsing% que irei pensar e não no simples fato de gostar do ritmo ou da letra. É uma armadilha sofisticada, posso ver, como as palavras aveludadas dela ocultam suas próprias intenções.
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  Ergo uma sobrancelha, desafiando-a silenciosamente, meus olhos focam novamente naquela pequena tatuagem entre sua orelha e mandíbula, antes de dar de ombros, fingindo um desinteresse maior do que de fato sentia.
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  — Kiss — digo por fim, lentamente, vendo-a estreitar os olhos levemente, sem comprar minhas palavras. — Do Prince & The Revolution. — Abro um sorriso petulante, largo, encarando-a com uma inocência fingida. A música não é minha preferida, é, na verdade, favorita de Taehoon, que por algum motivo é viciado na batida marcada dos clássicos dos anos 80; é muito alta para que %Erin% %VanHelsing% cante confortavelmente, especialmente com a voz baixa e rouca que ela tem na maioria das músicas, o que lhe deixa apenas com duas opções: ou tenta e falha miseravelmente na frente de tantas pessoas ali, ou ela escolhe outra música aleatória para cantar. Há uma sensação profunda de satisfação ao observar os cantos dos lábios dela se retorcerem um pouco para baixo, em um sorriso irritado antes de vê-la afastar-se, caminhando elegantemente por entre as pessoas em direção ao palco.
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  Tento manter meus olhos fixos nas costas dela, mas é impossível não admirar a bela bunda que ela tem, as coxas torneadas e as pernas longas. Inspiro fundo, obrigando-me a desviar meus olhos, acenando com a cabeça em agradecimento a uma das atendentes, sequestrando a primeira bebida que encontro pelo caminho. Viro o copo de coquetel de uma vez, fazendo uma careta, não é álcool o suficiente, peço então para Eleanor por uma garrafa de Soju, ouvindo Massaro estalar os lábios, impaciente ao meu lado.
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  — Não é uma boa ideia desafiar, %Erin% %VanHelsing% assim — Joel murmura à minha direita, puxando um dos bancos do balcão e então sentando-se ali desinteressado. Apoiou os dois cotovelos sobre o balcão atrás de si, mantendo os olhos fixos no palco, com um sorriso torto, difícil de compreender. Ergo uma sobrancelha, desconfiado, e até mesmo entretido. — Ela não é conhecida por ser um furacão à toa, garoto. Vai acabar voltando para morder seu rabo isso aí.
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  Ofereço um sorriso cúmplice para Eleanor, observando-a corar suavemente, antes de pegar a garrafa de soju, abrindo-a sem muita cerimônia. Dou de ombros, desdenhosamente às palavras de Massaro.
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  — Não é a primeira mulher bonita que conheço, Joel, nem vai ser a última — aponto com um sorriso forçado para Joel, voltando-me igualmente na direção do palco, onde a banda de %VanHelsing% parece já estar a esperando.
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  Observo-a caminhar em direção ao cara alto de cabelos desalinhados, de um preto escuro envolto por dreads com pequenas contas de ouro puro, ajustando a guitarra em seu corpo musculoso e coberto por tatuagens, e vejo-o abrir um sorriso endiabrado, lançando-me um olhar de soslaio antes de acenar em concordância com %VanHelsing% e se aproximar da baterista, uma mulher baixinha, com cabelo colorido, dividido em duas tranças, uma rosa e a outra de um preto azulado, para acertar alguma coisa antes de voltar para a posição inicial. Aquela deveria ser Danny Storm, e o cara que havia acabado de falar com ela, só poderia ser V. O problema da banda de %Erin% %VanHelsing% é que, estranhamente, todos são únicos em seus próprios estilos, e terrivelmente atraentes, mesmo sob a penumbra oscilante das luzes em neon. O tipo de pessoa que você veria em seus pesadelos, antes de acordar com um alívio gritante por não ter passado de apenas um sonho.
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  — Além disso, foi ela quem perguntou sobre a música, eu respondi, nada demais.
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  Joel soltou um riso baixo, nasalado, desdenhoso.
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  — Você não faz ideia de onde está se metendo, garoto. Acha que é o primeiro que acredita que tem chance sobre ela? — Massaro diz com um tom de voz divertido, mas há uma nota visível de aviso ali, algo que me faz dar uma pausa breve e encará-lo de soslaio, meus olhos se estreitam e apenas tomo um longo gole do Soju, sentindo o alívio e o álcool inebriar meus próprios pensamentos. — Até Logan Doherty achou que tinha chance. — Franzo meu cenho com a menção do astro de Hollywood conhecido por interpretar ícones de filmes de ação. — Faz um favor para todo mundo, garoto, fica longe de %VanHelsing%, ok? Especialmente com o contrato que você tem. A última coisa que você quer é que seu nome esteja envolvido com o de %VanHelsing% na mídia quando ela te descartar como lixo. — Tensiono minha mandíbula, esforçando-me para não fazer uma careta quando Joel Massaro refere-se ao meu contrato com Ju-Woo e a Pulse. Ainda assim, sua ameaça velada não parece de tudo apenas um aviso amigável. — Ela é gostosa sim, mas tem modelos bem melhores por aqui, escolha uma, se divirta pela noite, e só. Ninguém contém %Erin% %VanHelsing%, é por isso que ela é quem é, entendeu?
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  Solto um bufar baixo, meio risonho, sentindo a pequena pontada de amargura pairar por minha voz, mas a contenho. A noite foi interessante o suficiente, com álcool o suficiente para que eu realmente me importe com o que quer que Joel Massaro está falando. Verdade seja dita, por aquela noite, a Pulse e aquele maldito contrato poderiam ir para o completo inferno, não me importo.
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  — Fala como se fosse uma alegoria para Frankenstein — digo com um sorriso difícil de esconder de meu rosto. Joel me lança um olhar difícil de compreender mas não é ameaçador, é apenas cauteloso. Sustento seu olhar em com interesse gritante. — O monstro que você criou não pode mais ser contido nem mesmo por você? — provoco, mais para conseguir a informação do que de fato por algum interesse em perturbar Massaro. %Erin% %VanHelsing% parece o suficiente para tomar este posto na vida de Massaro, a última coisa que eu desejo, é atrair aquele tipo de atenção de Joel.
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  — Se ela fosse um monstro, garoto, Hollywood já a teria esquecido — Joel responde, com um olhar significativo. Forço um bufar baixo, desdenhoso, como se não tivesse levado a sério suas palavras, mas volto meu olhar na direção da sereia deslumbrante ao centro do palco.
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  Quando as luzes do grande salão se apagam, posso sentir um arrepio de antecipação percorrer por meu corpo, o ar parece ficar um pouco mais eletrizado do que antes, o burburinho se dispersa para alguns gritos animados e algumas palmas que se espalham como uma onda em quebra a uma praia. Merda.
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  — Sua escolha, garoto, só não diz que eu não te avisei — Massaro diz com um sorriso torto, como se soubesse mais do que desejava compartilhar, mas seu desincentivo apenas aumenta mais minha curiosidade. O empresário dá umas batidinhas quase paternalistas em meu ombro, sorrindo como o diabo quando as luzes se acendem outra vez, agora só as vermelhas, e ouço %Erin% %VanHelsing% gemer suavemente contra o microfone, seguido pela introdução da música Kiss do Prince.
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  Minha garganta fica seca no mesmo segundo, quero sorrir com descrença, mas estou mais irritado por ela não ter se acovardado do que intrigado por sua performance. Que desgraçada… ela sabe exatamente o que está fazendo! E a pior parte? Eu quero mais, pelo menos, só por essa noite.
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  — Relaxa, eu não tenho a mínima intenção de ficar perto de %VanHelsing%. — A mentira que escapa de minha boca nunca havia sido mais fácil de ser contada.
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Pere. Suho é irmão do Seo-jun…
O bichinho morreu?
O Suho era o que tinha sonho de ser idol, morreu, e em nome do irmão o Seo-jun foi realizar esse sonho que talvez não tivesse nada a ver com ele? 🤔
A Erin… o Seo-jun subestimando o poder da voz dele HEHEHEH
QUERO SÓ VER AGORA HASOHAPOS
EU TÔ AQUI PELO CAAAAOOOSS!! 🔥🔥🔥🔥🔥

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