×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Na Hora Certa

Escrita porNyx
Editada por Lelen

CAPÍTULO 10 • Silêncios que Dizem Demais

  POV Charles Leclerc

  Foram dois dias.
0
Comente!x

  Quarenta e oito horas inteiras desde que %Isla% saiu do meu apartamento em Mônaco com %Liam% adormecido no colo e um beijo ainda vivo demais na minha boca. Dois dias sem mensagem, sem uma ligação, sem um “chegamos bem”.
0
Comente!x

  Nada.
0
Comente!x

  O celular continuava exatamente como eu tinha deixado na última noite: sobre a mesa da cozinha, tela escura, conversa aberta no topo da lista como uma ferida que eu fingia não ver.
0
Comente!x

  Eu tinha pegado o aparelho mais vezes do que gostaria de admitir. Não para escrever, só para olhar. Talvez ela tivesse mandado algo enquanto eu estava no banho, ou enquanto eu dormia. Ou enquanto eu estava distraído demais para perceber.
0
Comente!x

  Mas não.
0
Comente!x

  O silêncio permanecia intacto e o pior de tudo era que eu também não tinha dito nada.
0
Comente!x

  Não era orgulho.
0
Comente!x

  Se fosse, seria mais fácil de lidar.
0
Comente!x

  Era medo.
0
Comente!x

  Um medo estranho, silencioso, que vinha quando eu pensava em quebrar aquela distância e imaginava a mensagem errada estragando algo que ainda nem tinha começado.
0
Comente!x

  O que eu diria?
0
Comente!x

  “Foi só um beijo?”
0
Comente!x

  Ou pior:
0
Comente!x

  “Você sentiu o que eu senti?”
0
Comente!x

  As duas opções pareciam ruins. A primeira diminuía algo que tinha sido intenso demais para caber nessa frase. A segunda… me deixava exposto demais.
0
Comente!x

  Então eu fiz o que pilotos fazem quando não têm certeza da curva.
0
Comente!x

  Esperei.
0
Comente!x

  O problema é que, enquanto eu esperava, minha cabeça voltava para aquela noite como se estivesse presa em replay. A lembrança vinha em fragmentos.
0
Comente!x

  O cheiro da pele dela, o som baixo da respiração quando eu encostei a boca na dela. As mãos firmes segurando minha camiseta como se ela estivesse decidindo se ficava… ou se me empurrava para longe.
0
Comente!x

  Ela não me empurrou, mas também não ficou.
0
Comente!x

  Na manhã seguinte, %Isla% %Torres% colocou o filho no colo, agradeceu pelo café e foi embora como alguém que sabia exatamente o que estava fazendo.
0
Comente!x

  Sem drama, promessa ou explicação.
0
Comente!x

  Só aquele olhar estranho antes de sair pela porta. Um olhar que eu ainda não sabia interpretar. Talvez ela estivesse arrependida, talvez tivesse sido um impulso, ou talvez… eu tivesse imaginado intensidade onde só existia curiosidade.
0
Comente!x

  Passei a mão pelo rosto e empurrei esses pensamentos para o fundo da cabeça.
0
Comente!x

  Funcionava melhor quando eu estava no simulador ou correndo. A pista sempre foi o lugar mais seguro para desligar o resto do mundo.
0
Comente!x

  Mas nesses dois dias, até isso estava falhando, eu pegava o celular sem perceber. O polegar parava sobre o teclado e então eu travava, apagava tudo e voltava ao silêncio.
0
Comente!x

  Até que, como sempre acontece na Fórmula 1, o calendário não esperou minha crise emocional se resolver.
0
Comente!x

  O mundo seguiu.
0
Comente!x

  Montreal.
0
Comente!x

  GP do Canadá.
0
Comente!x

  Outro fuso horário, outra pista, outro hotel.
0
Comente!x

  O avião tocou o solo no fim da tarde, e quando descemos na pista do aeroporto, o ar frio de Montreal bateu no rosto como um lembrete incômodo de que a vida não pausava porque você está confuso.
0
Comente!x

  Lewis caminhava alguns passos à minha frente, conversando com alguém da equipe, enquanto eu arrastava a mala pelo corredor do aeroporto.
0
Comente!x

  Meu celular vibrou no bolso, o coração reagiu antes da cabeça. Parei no meio do corredor e puxei o aparelho.
0
Comente!x

  Uma notificação.
0
Comente!x

  Só um e-mail da Ferrari com a programação do fim de semana.
0
Comente!x

  Soltei o ar devagar e guardei o celular de volta.
0
Comente!x

  Ridículo.
0
Comente!x

  Eu tinha enfrentado corridas sob chuva torrencial, ultrapassagens a trezentos por hora e decisões que podiam custar campeonatos inteiros.
0
Comente!x

  Mas dois dias de silêncio de uma mulher que tinha me beijado em Mônaco estavam me deixando completamente fora de eixo.
0
Comente!x

  Balancei a cabeça e continuei andando.
0
Comente!x

  Hotel.
0
Comente!x

  Briefing.
0
Comente!x

  Treino livre no dia seguinte.
0
Comente!x

  Rotina.
0
Comente!x

  Tudo no lugar.
0
Comente!x

  Tudo funcionando como sempre.
0
Comente!x

  Menos a minha cabeça.
0
Comente!x

  E foi exatamente por isso que, algumas horas depois, quando alguém começou a bater na porta do meu quarto com insistência demais para ser educado, eu já sabia quem era antes mesmo de abrir.
0
Comente!x

  Pierre.
0
Comente!x

  — Já vai — resmunguei, abrindo.
0
Comente!x

  Ele entrou antes mesmo de eu terminar o movimento, trazendo duas garrafas de isotônico nas mãos e aquele olhar curioso demais para alguém que fingia não se meter na vida dos outros.
0
Comente!x

  — Tá vivo aí ou virou monge depois de Mônaco? — Fechei a porta atrás dele.
0
Comente!x

  — Tô bem. — Pierre me olhou por dois segundos.
0
Comente!x

  — Mentira. — Ele atravessou o quarto e se jogou no sofá como se estivesse chegando em casa. — Você tá com aquela cara.
0
Comente!x

  — Que cara?
0
Comente!x

  — A cara de quando você está tentando fingir que está tudo normal. — Peguei uma das garrafas e abri.
0
Comente!x

  — Você tá imaginando coisa. — Pierre tomou um gole do isotônico e apontou a tampa na minha direção.
0
Comente!x

  — Charles, eu te conheço desde que você ainda parecia um adolescente perdido no paddock. Quando você fica quieto demais assim, tem alguma coisa acontecendo. — Fiquei em silêncio, ele arqueou uma sobrancelha. — Mulher?
0
Comente!x

  Soltei um riso curto.
0
Comente!x

  — Não é tão simples.
0
Comente!x

  — Então é pior — respondeu ele, imediatamente.
0
Comente!x

  Caminhei até a janela do quarto e encostei no parapeito. Montreal estava acesa lá embaixo, cheia de movimento, carros passando, gente andando nas calçadas como se fosse só mais uma noite comum.
0
Comente!x

  — Eu beijei alguém em Mônaco. — Pierre se ajeitou no sofá, interessado.
0
Comente!x

  — Finalmente algo interessante. E por que você tá com cara de abandono emocional? — Balancei a cabeça.
0
Comente!x

  — Porque foi… diferente.
0
Comente!x

  — Diferente como? — Demorei um segundo.
0
Comente!x

  — Intenso. — Ele assentiu devagar, absorvendo.
0
Comente!x

  — E? — Passei a mão pela nuca.
0
Comente!x

  — E assim que nos beijamos ela deu um jeito de ir embora.
0
Comente!x

  — Foi embora tipo…?
0
Comente!x

  — Foi embora tipo pegou o filho no colo, agradeceu pelo almoço e saiu pela porta. — Pierre piscou.
0
Comente!x

  — Filho?
0
Comente!x

  — Ela é mãe. — Ele fez um “hm” longo, juntando as peças.
0
Comente!x

  — E desde então?
0
Comente!x

  — Silêncio.
0
Comente!x

  — Quanto tempo?
0
Comente!x

  — Dois dias. — Pierre soltou um assobio baixo.
0
Comente!x

  — E você não mandou nada?
0
Comente!x

  — Não.
0
Comente!x

  — Por quê? — Respirei fundo.
0
Comente!x

  — Porque eu não sei o que dizer.
0
Comente!x

  Ele apoiou os cotovelos nos joelhos, olhando para mim como se estivesse analisando uma telemetria complicada.
0
Comente!x

  — Você gosta dela. — Não era uma pergunta.
0
Comente!x

  — Eu não sei.
0
Comente!x

  — Mentira — respondeu ele imediatamente. — Você não fica assim por alguém que não mexeu com você.
0
Comente!x

  Voltei a olhar pela janela.
0
Comente!x

  — Ela achava que eu odiava ela. — Pierre franziu a testa.
0
Comente!x

  — Como assim?
0
Comente!x

  — Eu implicava. Era defensivo. Desconfiado. — Dei de ombros. — Eu fui um idiota. — Ele inclinou a cabeça.
0
Comente!x

  — E agora?
0
Comente!x

  — Agora eu fico pensando se ela foi embora porque achou que aquilo foi um erro… ou porque eu fiz ela acreditar que eu não gostava dela.
0
Comente!x

  Pierre ficou quieto por alguns segundos e depois perguntou:
0
Comente!x

  — Isso tem alguma coisa a ver com a Alix? — Revirei os olhos.
0
Comente!x

  — Não.
0
Comente!x

  — Nem indiretamente?
0
Comente!x

  — Não, Pierre. — Ele levantou as mãos em rendição.
0
Comente!x

  — Ok, ok.
0
Comente!x

  O silêncio se instalou no quarto por alguns instantes. Pierre voltou a falar, mais calmo.
0
Comente!x

  — Então deixa eu ver se entendi. — Ele contou nos dedos. — Você beijou uma mulher que mexeu com você. Ela foi embora depois do beijo. E agora você tá aqui pensando se assustou ela.
0
Comente!x

  — Basicamente. — Ele inclinou a cabeça de lado.
0
Comente!x

  — E você quer o quê? — Demorei um segundo.
0
Comente!x

  — Eu quero saber se aquilo foi real. — Pierre soltou um meio sorriso.
0
Comente!x

  — Charles…
0
Comente!x

  — O quê?
0
Comente!x

  — Se você tá aqui há meia hora tentando explicar o que sentiu… então já foi real.
0
Comente!x

  Passei a mão pelo cabelo, frustrado.
0
Comente!x

  — E se eu tiver lido tudo errado? — Ele deu de ombros.
0
Comente!x

  — Então você descobre.
0
Comente!x

  — Como? — Pierre respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
0
Comente!x

  — Indo atrás dela.
0
Comente!x

  O silêncio voltou.
0
Comente!x

  Eu não respondi.
0
Comente!x

  Ele me observou por um momento, depois se recostou no sofá.
0
Comente!x

  — Ou você continua aqui tentando adivinhar o que ela pensa.
0
Comente!x

  Olhei para o celular sobre a mesa. A conversa com %Isla% ainda estava no topo da tela, mas sem nenhuma mensagem nova. Pierre seguiu meu olhar e suspirou.
0
Comente!x

  — Você não vai mandar nada agora, né? — Balancei a cabeça devagar.
0
Comente!x

  — Ainda não. — Ele se levantou do sofá.
0
Comente!x

  — Então boa sorte tentando dormir com essa cabeça. — Caminhou até a porta, mas parou antes de sair. — Só uma coisa, Charles.
0
Comente!x

  — O quê? — Ele abriu um pequeno sorriso.
0
Comente!x

  — Às vezes a única forma de saber se uma curva dá pra fazer… é entrando nela.
0
Comente!x

  A porta fechou atrás dele.
0
Comente!x

  E o celular continuou ali, silencioso, como se estivesse esperando alguém ter coragem primeiro.
0
Comente!x

🏁🛠️

  O box da Ferrari sempre tinha um tipo específico de silêncio antes de um treino livre. Não era ausência de som, era concentração.
0
Comente!x

  Ferramentas batendo de leve nas bancadas. Teclados sendo pressionados rápido demais. Vozes baixas confirmando números, ajustes, temperaturas. O cheiro de borracha aquecida misturado com metal e café frio.
0
Comente!x

  Era o tipo de ambiente onde todo mundo sabia exatamente o que precisava fazer. Todo mundo… menos a minha cabeça naquele dia.
0
Comente!x

  Caminhei entre os carros com o macacão meio aberto na cintura e o capacete preso debaixo do braço, tentando parecer exatamente como sempre parecia: focado.
0
Comente!x

  Funcionava quase sempre, mas naquela manhã, até meu andar parecia fora de ritmo.
0
Comente!x

  E então eu a vi.
0
Comente!x

  %Isla% estava a poucos metros da bancada de telemetria, o tablet apoiado contra o antebraço enquanto falava com Matteo. Os cabelos presos daquele jeito prático que ela sempre usava durante os fins de semana de corrida.
0
Comente!x

  Postura firme. Voz baixa. Movimentos precisos.
0
Comente!x

  Profissional.
0
Comente!x

  Intocável.
0
Comente!x

  Como se nada tivesse acontecido. Como se o beijo em Mônaco tivesse sido apenas um erro de cálculo, corrigido e arquivado na primeira curva da segunda-feira.
0
Comente!x

  Meu estômago apertou. Ela tá fingindo? Ou só decidiu seguir em frente?
0
Comente!x

  Como se sentisse meu olhar, %Isla% levantou os olhos. Por um segundo. Só um. E então desviou com uma naturalidade perfeita demais para ser espontânea.
0
Comente!x

  Aquilo me irritou mais do que deveria, porque se dentro da minha cabeça ainda era caos… para ela parecia simples demais.
0
Comente!x

  Engoli seco e continuei andando até o carro.
0
Comente!x

  Capacete.
0
Comente!x

  Luvas.
0
Comente!x

  Cinto.
0
Comente!x

  O ritual automático que eu repetia há anos.
0
Comente!x

  Quando desci o visor do capacete, a sensação familiar de isolamento veio junto. Normalmente aquilo resolvia tudo. Dentro do carro, o mundo se organizava. Só existiam curvas, pontos de frenagem e tempo de volta.
0
Comente!x

  Mas naquele dia… não.
0
Comente!x

  — Charles, check de rádio.
0
Comente!x

  — Alto e claro.
0
Comente!x

  A voz do engenheiro veio limpa no fone. Saí do box.
0
Comente!x

  A primeira volta foi de instalação, pneus frios, referências sendo ajustadas.
0
Comente!x

  Tudo normal.
0
Comente!x

  Até a curva três.
0
Comente!x

  Frenei meio metro tarde demais. Nada dramático, mas o suficiente para me obrigar a corrigir o volante.
0
Comente!x

  — Entendido, Charles. Ajusta o ponto de frenagem na próxima.
0
Comente!x

  — Entendido.
0
Comente!x

  Voltei para a volta rápida.
0
Comente!x

  Setor um.
0
Comente!x

  A pista encaixou, mas no meio da reta curta antes da curva sete, a lembrança veio sem aviso. A forma como %Isla% tinha segurado minha camiseta quando eu puxei ela para perto. O jeito como ela respirou fundo antes de me beijar de volta.
0
Comente!x

  Frenagem.
0
Comente!x

  Tarde de novo.
0
Comente!x

  — Charles, cuidado com a entrada da sete.
0
Comente!x

  — Eu sei.
0
Comente!x

  Irritação escapou na minha própria voz. Passei pela chicane seguinte tentando reorganizar a cabeça.
0
Comente!x

  Isso era ridículo.
0
Comente!x

  Eu já tinha corrido campeonatos inteiros sob pressão absurda. E agora estava errando referência por causa de um beijo.
0
Comente!x

  Mais uma volta.
0
Comente!x

  Setor dois.
0
Comente!x

  Melhor.
0
Comente!x

  Setor três.
0
Comente!x

  Quase perfeito.
0
Comente!x

  Mas a sensação continuava errada. Como se metade da minha concentração estivesse em outro lugar.
0
Comente!x

  — Ajusta mapeamento para resposta mais suave no S2 — disse uma voz no rádio.
0
Comente!x

  Minha mão congelou por meio segundo no volante.
0
Comente!x

  %Isla%.
0
Comente!x

  A voz dela estava exatamente como sempre: clara, técnica, controlada. Nenhum traço de hesitação. Nenhuma emoção atravessando a comunicação. Só trabalho.
0
Comente!x

  — Copiado.
0
Comente!x

  Girei o seletor.
0
Comente!x

  Na volta seguinte, o carro respondeu diferente. Mais estável na saída da curva. A frenagem encaixou melhor. E, sem perceber, eu estava respirando mais devagar. Como se alguém tivesse alinhado não só o carro… mas algo dentro do meu peito.
0
Comente!x

  Mais uma volta.
0
Comente!x

  Setor um.
0
Comente!x

  Limpo.
0
Comente!x

  Setor dois.
0
Comente!x

  Melhor tempo.
0
Comente!x

  Setor três.
0
Comente!x

  A volta finalmente encaixou.
0
Comente!x

  Passei pela linha.
0
Comente!x

  — P4 — veio no rádio.
0
Comente!x

  Atrás de Verstappen, Norris e Russell. Não era perfeito, mas considerando como aquele treino tinha começado… já era uma pequena vitória.
0
Comente!x

  Completei a volta de desaceleração e voltei para o box. Quando desliguei o motor e levantei o visor do capacete, o som do mundo voltou de uma vez só.
0
Comente!x

  Ferramentas.
0
Comente!x

  Passos.
0
Comente!x

  Vozerio da equipe.
0
Comente!x

  Caminhei até a sala de engenharia, que estava mais silenciosa quando entrei.
0
Comente!x

  O barulho constante do box ficava abafado ali dentro, substituído pelo zumbido baixo dos computadores e pelo brilho frio das telas de telemetria.
0
Comente!x

  Linhas de dados corriam pelos monitores.
0
Comente!x

  Velocidade.
0
Comente!x

  Temperatura.
0
Comente!x

  Pressão.
0
Comente!x

  Tudo organizado em números que faziam sentido.
0
Comente!x

  Diferente da minha cabeça.
0
Comente!x

  Alguns engenheiros conversavam em voz baixa perto do fundo da sala. Matteo já estava comparando voltas no monitor principal.
0
Comente!x

  E %Isla%.
0
Comente!x

  Sozinha em uma das estações laterais, inclinada sobre o tablet enquanto revisava os dados do treino. Os cabelos ainda presos. A concentração intacta. Uma caneta apoiada entre os dedos enquanto ela marcava algo na tela.
0
Comente!x

  Por um segundo, considerei simplesmente ir embora. Treino livre terminado. Briefing mais tarde. Nada me obrigava a estar ali. Mesmo assim, meus pés continuaram andando.
0
Comente!x

  — Os dados bateram com o esperado?
0
Comente!x

  Minha voz saiu mais neutra do que eu realmente me sentia. %Isla% levantou os olhos. A reação dela foi tão controlada que quase pareceu treinada.
0
Comente!x

  Nenhuma surpresa ou desconforto visível, só foco.
0
Comente!x

  — Quase todos — respondeu, voltando o olhar para a tela por um segundo antes de me mostrar um gráfico no tablet. — A curva sete respondeu melhor que no simulado.
0
Comente!x

  Aproximei-me um pouco mais para ver. O perfume dela era discreto, quase inexistente, mas ainda assim familiar demais depois de Mônaco.
0
Comente!x

  Ela apontou para a linha azul no gráfico.
0
Comente!x

  — A mudança de mapeamento ajudou na saída. — Assenti.
0
Comente!x

  — Você estava certa. — %Isla% digitou algo rápido.
0
Comente!x

  — Obrigada por seguir a instrução.
0
Comente!x

  Formal demais, distante demais. O silêncio que veio depois ficou pesado no ar.
0
Comente!x

  Ela voltou a olhar para a tela.
0
Comente!x

  Eu fiquei ali por um segundo, depois dois, talvez três. %Isla% percebeu antes mesmo de levantar os olhos de novo.
0
Comente!x

  — Mais alguma coisa?
0
Comente!x

  A pergunta saiu neutra.
0
Comente!x

  Profissional.
0
Comente!x

  Mas havia uma tensão quase invisível na forma como ela segurava a caneta entre os dedos. Balancei a cabeça devagar.
0
Comente!x

  — Não.
0
Comente!x

  Outro silêncio. Um desses que se alongam um pouco além do confortável. Meu cérebro começou a formular uma frase.
0
Comente!x

  Algo simples.
0
Comente!x

  “Podemos conversar?”
0
Comente!x

  Ou talvez:
0
Comente!x

  “Sobre Mônaco…”
0
Comente!x

  Mas quando %Isla% finalmente levantou os olhos outra vez, o olhar dela estava protegido demais.
0
Comente!x

  Como alguém que já sabia exatamente para onde aquela conversa iria… e não queria que ela começasse ali. No meio da sala de engenharia. No meio da equipe. Com metade do paddock andando de um lado para o outro do lado de fora.
0
Comente!x

  Engoli a frase antes que ela saísse.
0
Comente!x

  — Boa análise — murmurei.
0
Comente!x

  %Isla% apenas assentiu, um gesto pequeno, controlado. Dei um passo para trás, depois outro e saí da sala com a sensação incômoda de que, pela primeira vez em muito tempo, eu não estava competindo contra outros pilotos.
0
Comente!x

  Estava correndo contra algo que ainda não sabia nomear. E, pelo jeito que %Isla% evitava olhar para mim… talvez ela também estivesse.
0
Comente!x

🏁🛠️

  O paddock já estava mais vazio quando saí para caminhar. O sol começava a descer sobre Montreal, deixando o céu com aquele tom laranja suave que fazia tudo parecer mais calmo do que realmente era.
0
Comente!x

  Coloquei os fones no ouvido, mas não havia música, só o ruído abafado dos próprios pensamentos. O beijo voltava à minha cabeça com a precisão de uma telemetria bem registrada. O calor da boca dela. O jeito como as mãos dela tinham subido pelo meu peito antes de parar no meu rosto.
0
Comente!x

  Vi quando ela saiu da sala de engenharia.
0
Comente!x

  Tablet preso contra o peito, passos firmes demais para alguém que provavelmente estava tão cansada quanto o resto da equipe.
0
Comente!x

  Pensei em deixar passar.
0
Comente!x

  De verdade.
0
Comente!x

  Mas meu corpo decidiu antes da minha cabeça.
0
Comente!x

  — %Isla%.
0
Comente!x

  Ela parou. Demorou meio segundo antes de se virar. Quando nossos olhos se encontraram, havia algo ali que não estava na sala de engenharia.
0
Comente!x

  Não era só profissionalismo.
0
Comente!x

  Era cautela.
0
Comente!x

  — A gente precisa conversar — falei, mais baixo do que pretendia. — Porque eu não tô conseguindo fingir que nada aconteceu.
0
Comente!x

  O maxilar dela tensionou de leve, quase imperceptível.
0
Comente!x

  — Charles…
0
Comente!x

  — Eu não tô tentando te pressionar — continuei. — Só… preciso entender.
0
Comente!x

  O silêncio que veio depois ficou pesado. Pessoas passavam ao redor, mecânicos, membros de outras equipes, jornalistas andando rápido demais entre os motorhomes.
0
Comente!x

  Nenhum lugar pior para aquela conversa. %Isla% olhou em volta antes de responder.
0
Comente!x

  — Aqui não. — A voz saiu baixa, controlada. — Esse não é o lugar. — Assenti imediatamente.
0
Comente!x

  — Então me diz onde. — Ela hesitou e respirou fundo.
0
Comente!x

  — Tem um café perto do hotel dos pilotos. — Olhei para ela. — Podemos ir para lá, ok?
0
Comente!x

  — Ok.
0
Comente!x

  Não foi um convite, não foi exatamente um acordo, mas também não foi uma fuga. E, naquele momento, isso já era suficiente.
0
Comente!x

  Saímos juntos pela lateral do paddock, passando entre os motorhomes das equipes enquanto o movimento de mecânicos e engenheiros ainda preenchia os corredores estreitos da área restrita. Algumas pessoas cumprimentaram %Isla% de passagem; outras me lançaram olhares rápidos antes de voltar ao trabalho.
0
Comente!x

  Ninguém parecia prestar atenção demais em nós dois.
0
Comente!x

  O que ajudava.
0
Comente!x

  Seguimos até uma das saídas laterais usadas pela equipe para evitar o fluxo maior de imprensa e convidados. O segurança na credencial apenas acenou quando passamos.
0
Comente!x

  Quando atravessamos o portão para fora da área do circuito, o barulho constante do paddock ficou para trás.
0
Comente!x

  A cidade de Montreal estava viva logo ali.
0
Comente!x

  Carros passando. Luzes começando a acender nas vitrines. Gente andando pelas calçadas com camisetas de equipes e bandeiras enroladas no pescoço.
0
Comente!x

  %Isla% caminhava ao meu lado, às vezes meio passo à frente, como se estivesse tentando acompanhar o ritmo dos próprios pensamentos.
0
Comente!x

  Eu conhecia aquele tipo de silêncio.
0
Comente!x

  Era o silêncio de quem ainda estava organizando as palavras.
0
Comente!x

  — O %Liam% ficou bem com seus pais? — perguntei, antes que pudesse pensar melhor.
0
Comente!x

  Ela virou o rosto na minha direção, surpresa pela pergunta.
0
Comente!x

  — Ficou. — A resposta foi simples, mas o olhar dela suavizou um pouco. — Minha mãe mandou foto dele mais cedo. — Um sorriso pequeno apareceu no canto da boca. — Ele feliz com o robozinho dele.
0
Comente!x

  Assenti, imaginando a cena.
0
Comente!x

  O nome do filho dela pairou entre nós por alguns segundos. Um lembrete silencioso de que a vida dela era maior do que qualquer beijo que tivesse acontecido em Mônaco.
0
Comente!x

  Continuamos andando.
0
Comente!x

  Nenhum de nós parecia com pressa de chegar ao café. Talvez porque sabíamos que, quando chegássemos, não haveria mais como evitar a conversa.
0
Comente!x

  O lugar era pequeno, discreto, iluminado por luz amarelada e com poucas mesas ocupadas. Escolhi a mais afastada da porta, para evitar olhares.
0
Comente!x

  Ela puxou a cadeira e sentou à minha frente. Nenhum sorriso. Nenhum gesto desnecessário. Só honestidade.
0
Comente!x

  — Você queria conversar. — Passei a mão pela nuca.
0
Comente!x

  — Eu não sabia se devia te procurar… ou respeitar o silêncio. — Ela sustentou meu olhar.
0
Comente!x

  — Eu precisava pensar. — Aquilo já dizia muito, e respirei fundo.
0
Comente!x

  — Desde Mônaco eu não consigo tirar aquilo da cabeça. — Ela não respondeu, então continuei. — Não foi só um beijo pra mim.
0
Comente!x

  %Isla% fechou os olhos por um instante curto demais para parecer dramático. Quando abriu novamente, havia algo diferente ali. Mais vulnerável.
0
Comente!x

  — Pra mim também não foi.
0
Comente!x

  O ar pareceu voltar aos meus pulmões, mas ela continuou antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.
0
Comente!x

  — E é exatamente por isso que eu fui embora.
0
Comente!x

  Ela colocou o tablet sobre a mesa, como se estivesse deixando um peso ali.
0
Comente!x

  — Eu sou mãe, Charles.
0
Comente!x

  A frase saiu simples, sem defesa ou ataque, só verdade.
0
Comente!x

  — Minha vida não permite decisões impulsivas. — Assenti devagar. — Você é o primeiro homem que me toca desde o pai do meu filho.
0
Comente!x

  Aquilo me atingiu com mais força do que eu esperava.
0
Comente!x

  — Isso… não é leve pra mim.
0
Comente!x

  Agora fazia sentido, o silêncio, a distância, o cuidado. Ela entrelaçou os dedos sobre a mesa.
0
Comente!x

  — Eu não quero entrar em algo incerto. — Olhou direto para mim. — Não posso. — Inclinei um pouco o corpo para frente.
0
Comente!x

  — Não é incerto pra mim. — Ela soltou um riso pequeno, cansado.
0
Comente!x

  — Você diz isso agora. — A luz amarelada do café refletia nos olhos dela. — Mas sua vida muda toda semana. País diferente, pressão diferente… pessoas diferentes. — Respirei fundo.
0
Comente!x

  — A única coisa que não mudou nesses dois dias foi você na minha cabeça.
0
Comente!x

  Silêncio. Ela me observou por alguns segundos, avaliando, pesando… Como alguém que sabia exatamente o que estava em risco.
0
Comente!x

  — E a Alix? — Ali estava o verdadeiro medo.
0
Comente!x

  — Terminamos há muito tempo — respondi, firme. — Não existe volta. — Ela continuou me olhando.
0
Comente!x

  — Nem dúvida?
0
Comente!x

  — Nem espaço aberto.
0
Comente!x

  Mais silêncio. %Isla% soltou o ar devagar.
0
Comente!x

  — Então você quer tentar? — Inclinei-me um pouco mais sobre a mesa.
0
Comente!x

  — Eu quero você. — Ela arqueou uma sobrancelha.
0
Comente!x

  — Isso não é exatamente a mesma coisa. — Sorri de leve.
0
Comente!x

  — Então deixa eu corrigir. — Pausei um segundo. — Eu quero tentar… com você.
0
Comente!x

  Sem jogo, sem pressa, mas de verdade. O sorriso que surgiu nos lábios dela foi pequeno, cuidadoso, mas real.
0
Comente!x

  — Então vamos devagar.
0
Comente!x

  Assenti.
0
Comente!x

  — Devagar eu consigo.
0
Comente!x

  Ela apoiou os cotovelos de leve na mesa, girando a xícara entre os dedos como se estivesse pensando no que dizer a seguir.
0
Comente!x

  — Você sabe que isso não é simples, né?
0
Comente!x

  — Eu sei.
0
Comente!x

  — A minha vida… — ela fez um gesto pequeno com a mão — não é exatamente flexível.
0
Comente!x

  — Você quer dizer por causa do %Liam%. — Ela assentiu.
0
Comente!x

  — Ele vem primeiro. Sempre.
0
Comente!x

  — Como deveria.
0
Comente!x

  %Isla% me observou por alguns segundos, como se estivesse tentando descobrir se aquilo era só uma resposta educada.
0
Comente!x

  — A maioria das pessoas diz isso — comentou.
0
Comente!x

  — E não quer dizer? — Ela deu de ombros.
0
Comente!x

  — Às vezes dizem, mas não entendem de verdade o que significa. — Inclinei um pouco o corpo sobre a mesa.
0
Comente!x

  — Então me explica. — Um silêncio breve passou entre nós.
0
Comente!x

  — Significa que eu penso duas vezes antes de qualquer decisão. — Ela entrelaçou os dedos. — Significa que eu não posso simplesmente entrar em algo e ver no que dá.
0
Comente!x

  — Justo. — Ela respirou fundo antes de continuar.
0
Comente!x

  — E significa que, se alguma coisa der errado… não sou só eu que pago o preço. — A frase ficou suspensa entre nós por um momento. — O %Liam% faz parte de tudo. Mesmo quando ele nem está por perto.
0
Comente!x

  Assenti devagar.
0
Comente!x

  — Eu entendo isso.
0
Comente!x

  — Eu sei que entende — ela respondeu. — Mas entender e viver isso são coisas diferentes.
0
Comente!x

  Ela sustentou meu olhar por alguns segundos, avaliando.
0
Comente!x

  — Além disso… — continuou — a gente trabalha no mesmo lugar.
0
Comente!x

  — Isso complica?
0
Comente!x

  — Complica se der errado. — Respirei fundo antes de responder.
0
Comente!x

  — Eu não pretendo fazer dar errado. — Ela arqueou uma sobrancelha.
0
Comente!x

  — Ambicioso.
0
Comente!x

  — Realista. — O canto da boca dela se curvou de leve.
0
Comente!x

  — Você fala como alguém que já pensou nisso. — Soltei um pequeno sorriso.
0
Comente!x

  — Passei dois dias pensando nisso. — Ela abaixou os olhos por um segundo, como se estivesse escondendo um sorriso.
0
Comente!x

  — Dois dias?
0
Comente!x

  — Dois dias inteiros.
0
Comente!x

  — Dramático.
0
Comente!x

  — Realista.
0
Comente!x

  O sorriso dela apareceu dessa vez sem esforço. Pequeno, mas verdadeiro. Ficamos alguns segundos em silêncio, aquele tipo de silêncio que não pesa.
0
Comente!x

  — Você sempre fica assim? — ela perguntou.
0
Comente!x

  — Assim como?
0
Comente!x

  — Honesto demais. — Soltei uma pequena risada.
0
Comente!x

  — Só quando estou tentando não estragar algo importante. — O olhar dela suavizou.
0
Comente!x

  — Então estamos no mesmo time. — Fiquei em silêncio por um segundo antes de responder.
0
Comente!x

  — Acho que estamos. — Ela pegou a xícara novamente, tomou o último gole e colocou de volta na mesa.
0
Comente!x

  — Ok.
0
Comente!x

  — Ok?
0
Comente!x

  — Ok. — Sorri.
0
Comente!x

  — Isso foi uma decisão importante.
0
Comente!x

  — Não se acostuma — ela respondeu, levantando da cadeira. — Eu ainda posso mudar de ideia. — Levantei também.
0
Comente!x

  — Vou correr esse risco. — Peguei a conta antes que ela pudesse sequer olhar para o balcão.
0
Comente!x

  — Charles…
0
Comente!x

  — Eu convidei.
0
Comente!x

  — Você não convidou.
0
Comente!x

  — Convidei emocionalmente. — Ela riu baixo, balançando a cabeça.
0
Comente!x

  Paguei no caixa enquanto ela esperava perto da porta, observando o movimento tranquilo da rua.
0
Comente!x

  Quando saímos do café juntos, a noite estava mais fresca. O barulho da cidade parecia mais distante. Caminhamos alguns metros em silêncio.
0
Comente!x

  Então ela falou:
0
Comente!x

  — Você ainda tá pensando no beijo?
0
Comente!x

  Olhei para ela e sorri.
0
Comente!x

  — Agora eu tô pensando no próximo. — Ela desviou o olhar, mas não se afastou.Par ei no meio da calçada e toquei o pulso dela com cuidado.
0
Comente!x

  — Charles…
0
Comente!x

  — Só um — murmurei. — Um que não termine em silêncio.
0
Comente!x

  Puxei ela devagar, sem pressa, até encostá-la na parede de pedra clara ao lado do hotel. Quando nossos olhos se encontraram de novo, não havia mais nada entre nós.
0
Comente!x

  Beijei.
0
Comente!x

  E foi como se o tempo pedisse licença. Nada urgente, mas também nada morno. Um beijo com cheiro de cidade molhada e coração acelerado. Um toque firme, mas cuidadoso. Mãos que se encontraram na cintura dela, e depois subiram pelas costas, sentindo a pele por baixo do tecido fino da blusa.
0
Comente!x

  As mãos dela vieram pro meu peito, depois pro meu rosto. E ficaram ali. Foi longo. Quente. Cheio de silêncio quebrado por respirações curtas e uma verdade que, mesmo sem nome, estava ali, pulsando.
0
Comente!x

  Quando separamos os lábios, ela não disse nada. Nem eu. Só encostamos as testas por um segundo a mais do que o necessário. Ela mordeu o canto da boca e sussurrou:
0
Comente!x

  — E se eu estiver mesmo ferrada com isso?
0
Comente!x

  — Então somos dois.
0
Comente!x

  Ficamos assim mais um instante, até ela se afastar devagar. De novo, aquele meio sorriso nos lábios.
0
Comente!x

  — Boa noite, Leclerc.
0
Comente!x

  — Boa noite, %Isla% %Torres%.
0
Comente!x

  E cada um entrou em seu elevador. Separados. Mas com o gosto um do outro ainda na boca. E o tipo de beijo que não se esquece nem se repete. Só se sente.
0
Comente!x


  Nota da autora: Que feitiço foi esse que a %Isla% lançou, hein? O homem se desconcentrou no treino, esqueceu telemetria, ponto de frenagem… quase perdemos um GP por causa de um beijo em Mônaco.
  Mas falando sério: esse capítulo foi sobre aquele momento perigoso em que dois orgulhos finalmente baixam a guarda. Quando o silêncio pesa demais… e alguém precisa dar o primeiro passo.
  Agora me contem: vocês também acham que o Charles já está perdidinho ou ainda dá tempo de salvar? 👀

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

1 Comentário
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Lelen

AI MEU DEUS, COMEÇOU. OS DOIS VÃO MESMO FAZER ISSOOOOO.
E pensar que o Charles começou quase como um “velho” ranzinza (sim, eu via ele velho com a personalidade incial kkkkkk), agora tá todo bobinho <3

Todos os comentários (10)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

1
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x