Capítulo 3
POV %ALINE%
Eu odeio ficar sozinha. Tudo bem, eu morava sozinha naquela casa, mas eu tinha a companhia do Tom e de uma amiga que sempre ia lá me ver. A Lia foi a pessoa que me acolheu, antes do Felipe, quando eu ainda nem conhecia ele. A casa onde gravamos os vídeos é enorme. Que mansão maravilhosa! Mas, ainda fico pensando em como o Felipe aguenta morar numa casa parecida com essa. Nossa, não sei se me acostumaria com isso. O quarto que estou é o último do corredor, uma suíte onde guardávamos as tralhas que vamos usar ou que já usamos no canal. Toda hora eu me levanto, com toda dificuldade do mundo, e saltito até a porta para ver se ela está realmente trancada. Sim, eu tenho um tic muito chato [n/a: e eu de fato tenho esse tic de ficar “conferindo” as coisas que eu faço quase que compulsivamente. Esta fic, por exemplo, já foi revisada umas 15 vezes, no mínimo, e cada hora eu mudo uma coisa, rs=) ]. Tenho medo de alguém invadir a casa e me matar. É, sou um tanto medrosa com isso. Confesso.
São quase 3h da manhã e eu ainda não consegui dormir, estou vendo algo na Netflix, mas nada de sono até agora. O Tom já está do décimo soninho dele, todo manhoso se espreguiçando. Amo esse gato! Nhaw!
PÁ!!! [n/a: “pá”? Sério Aline? Yaughsdysduhasudhasudhud mds onomatopeia horrível, eu sei. Sorry!]
Que porra de barulho foi esse? Oh, Gosh, alguém está invadindo a casa. Estou perdida! Saltei, literalmente, da cama e fui saltitando até a porta. Para minha surpresa, a fechadura se movia e ouvi um barulho de chave. A maçaneta rodava, como se alguém estivesse tentando abrir. Eu não estou vendo coisas, alguém está tentando entrar no quarto. E agora? Vou morrer, é oficial, chegou a minha hora.
TUM! TUM! TUM! [n/a: outra onomatopeia maravilhosa da tia Li! Uahsduhasdusahd]
A pessoa do outro lado bateu com força na porta e eu me assustei. Tom acordou e começou a miar. Ele faz isso quando não me encontra na cama. Meu gatinho desceu e veio ao meu encontro. Eu estou parada atrás da porta com um taco de beisebol que esqueceram aqui. Na certa, é do Felipe ou do Alex, uma vez ele me disse que comprou um e deixou aqui para algumas experiências para o canal. A maçaneta girou e a porta foi se abrindo devagar. Fechei os olhos com força, ergui o taco e girei ele contra a pessoa. Ouvi apenas o seu gemido e um xingamento bem peculiar. Oh Gosh, o que eu fiz?!
- Felipe! – Gritei assustada ao ver o hematoma enorme que se formava na testa dele, e um pouco de sangue também. – Meu Deus, o que você faz aqui? E como entrou no quarto? – Óbvio que ele tem a chave, né, %Li%?
- Eu tenho as chaves daqui, é óbvio! – Ele falou irritado, para variar, e gemeu de dor. – Au! Porra, %Li%, você bateu forte! – Reclamou e eu o ajudei a se levantar. Conduzi ele até a cama.
- Desculpa, Felipe! Perdão, eu achei que fosse alguém invadindo a casa. Desculpa! – Expliquei-me e ele se sentou na cama. – Vou pegar o kit de primeiros socorros. – Falei e fui saltitando até a porta de saída, mas ele logo me barrou.
- Pode parar de pular, saci. – Ele disse e riu da própria piada. Eu me mantive séria. – Deixa que eu pego. – Falou e foi até a cozinha pegar o kit. Quando voltou eu estava sentada na cama com a cara emburrada. – Para quê esse bico aí? – Perguntou e eu respondi de uma forma que me arrependi no mesmo instante.
- Para chupar! – Instantaneamente meu rosto corou e Felipe arregalou os olhos e riu.
- Nossa, que atrevida você! – Brincou e sorriu de canto de boca. Ai, que vergonha! – Me ajuda aqui. – Falou me entregando o kit e pediu para que eu limpasse o ferimento que provoquei. – Ai, isso dói! Que mão pesada, %Li%! – Sempre me acusaram de ser meio bruta. E eu sempre tive vergonha quando me acusavam disso.
- Desculpa. – Falei e recuei a mão, envergonhada com minha brutalidade. Ele segurou a mesma e sorriu serenamente.
- Continua. – Apertei levemente, controlando minha força para não o machucar mais. Ele me fitava com um olhar sereno e amoroso, diria. – Você gosta de mim, %Li%? – Ah, Felipe, não me pergunta isso...
- Claro, você é meu amigo. – Disfarcei pessimamente. Ele revirou os olhos, entediado com minha enrolação.
- %Li%... – Ele me fez parar de colocar remédio em sua testa e segurou minhas mãos. – Pensei no que eu ouvi da sua conversa com o Bruno e pensei também em tudo que nós vivemos juntos nesse tempo que nos conhecemos e em como você me fez mudar. – O olhei confusa.
- Eu te fiz mudar? – Ele sorriu de canto de boca.
- Sou uma pessoa bem mais bem-humorada agora que te conheço, %Li%. Sério. Minha vida ganhou um novo sentido. Sua amizade foi importante nesse sentido. – Ah, amizade. Sei.
- Entendo. – Respondi cabisbaixa. Mas, a quem eu quero enganar? Eu não quero ser
só amiga do Felipe. – Deixa eu continuar, pode infeccionar. – Continuei colocando remédio em sua testa e ele voltou a ficar pensativo. Odeio o Felipe pensativo. Não consigo prever o que ele fará nem como agirá em relação às coisas.
Terminei o curativo na testa dele e o mesmo agradeceu pelo gesto. Perguntei para ele o que fazia aqui às 3h da manhã. Ele disse que teve um sonho comigo e veio ver como eu estava, já que eu não respondi as mensagens dele. Eu estava tão preocupada em ficar alerta caso alguém invadisse a casa que nem reparei que meu celular vibrou com as mensagens. Tranquilizei ele dizendo que estava tudo bem, mas ele percebeu que eu estava com medo de alguma invasão e de algo a mais também...
- Tem medo de ficar sozinha, %Li%? – Ele perguntou enquanto sentava na cama ao meu lado, após ter ajeitado o travesseiro embaixo da minha perna imobilizada.
- Nã-não, imagina. – Gaguejei e com isso ele riu da minha cara. Vai rindo Felipe, isso é porque não é contigo.
- Deixa de ser boba, %Li%, aqui é bastante seguro. Não se preocupe, ninguém te fará mal. – Ele sorriu. Um sorriso reconfortante. – De qualquer forma eu vou ficar aqui hoje, só para garantir que ninguém entrará aqui.
- Nã-não precisa, Felipe. Que isso, amanhã você tem gravação cedo para compensar as faltas de hoje. Já basta você não ter gravado hoje por minha causa. – Falei e ele deu de ombros.
- Bobagem. Eu vou ficar. – Falou taxativo e completou: – E isso não está em discussão %Fernandéz%.
Detesto quando me chamam pelo sobrenome. Parece que estou de volta ao colégio. O lugar aonde adquiri parte dos meus traumas de infância. Qualquer dia desses eu conto, mas, por hoje, ficaremos com a companhia do Felipe.
Coloquei o notebook conectado à TV de 50’ que tem aqui, deixei passando a série que eu estava vendo antes de ser surpreendida pelo Felipe. Desliguei as luzes e me encolhi no canto da cama. Tom estava deitado entre nós dois. Já vi que as horas irão passar se arrastando. São apenas 3h15 da manhã, ainda.
FIM POV %ALINE%