Capítulo 10
Cont pov Felipe
Já passava das 3h da manhã e percebi que no Brasil ainda era meia-noite, então teoricamente o aniversário da %Li% começa agora. Dei os parabéns novamente e dei um longo abraço nela. Nossos corpos colados, quentes, aspirei seu cheiro. Ela está tão cheirosa, sinto que ela faz o mesmo comigo. Dei um beijo em seu pescoço e vi que sua pele arrepiou-se. Continuei a sequência de beijos e a pele dela arrepiava-se ainda mais. Ela soltou alguns gemidos quando eu a apertei contra mim e mordisquei sua orelha.
- Lipe... para... – resmungou ela ainda em meus braços. Eu não disse nada, ignorei seu pedido e continuei beijando seu pescoço. – Lipe, é melhor não... – agora ela se calou, pois eu estou beijando sua boca. E que beijo. Melhor do que o nosso primeiro beijo naquele dia... – Lipe é melhor parar... a Bruna... – parei de beijar seu pescoço e a fitei com a testa franzida.
- Eu falei o que sobre não falar sobre Você-Sabe-Quem durante o passeio, %Li%? – perguntei e ela soltou uma risadinha.
- Não, nada de Lipe... deixa rolar %Li%, por favor, deixa rolar... – supliquei e encostei meus lábios nos dela, que fechou os olhos e se rendeu a mim.
As coisas foram esquentando ainda mais. Deitei ela na cama e joguei meu peso sobre ela, enquanto nos beijávamos. Ela arranhava minhas costas e subia as mãos para puxar meus cabelos. Tirei seu pijama e logo depois ela tirou minha cueca (eu já havia tirado o roupão há tempos). Sorri ao ver o lindo corpo nu dela deitada na cama. Ela se mantinha envergonhada.
- Se não quiser, eu entendo. A gente deixa para depois... ou não faz. – Falei ao perceber a vergonha que ela demonstrava quando estava ali diante de mim, chefe e amigo dela, pelado.
- Eu quero isso mais do que você possa imaginar, Lipe. – Ela falou acariciando meu rosto. Eu me mantive apoiado num só braço enquanto o outro acariciava o braço dela. – Eu gosto de você, muito. – Declarou-se ela.
- Não pense que estou fazendo isso para esquecer de Você-Sabe-Quem... eu...
- Shiu, não fala nada, ok? Deixa rolar, Lipe...
Depois de repousar o indicador em meus lábios, calando-me, %Li% sorriu de uma maneira que nunca vi antes: safadamente. Mordeu o lábio inferior e me puxou para ela me beijando em seguida. As carícias ficaram cada vez mais ousadas e incisivas. Ela demonstrava uma ânsia e uma alegria em cada toque que me dava, em cada beijo, em cada apertão e arranhada que ela dava em minhas costas. Me demonstrou querer aquilo há tempos e de fato era isso. Pelo que entendi, a %Li% gosta de mim muito antes de vir trabalhar para mim. E ela
gosta de verdade. Eu
sinto isso e não duvido de seus sentimentos. Quando penetrei nela eu senti um arrepio intenso irradiar por todo meu corpo. Soltei um suspiro excitado e fiz movimentos repetitivos de entra e sai enquanto ela arranhava minhas costas. Encarei sua feição e ela estava sorrindo, sorri de volta e chegamos à uma conclusão daquele sexo juntos. E foi o primeiro de mais três que fizemos dali para frente.
Logo amanheceu e eu acordei com ela deitada em meu peito, aninhada nele. Dormia tão serenamente que eu mal me mexi para não acordá-la. Estava respirando tranquila e tinha uma felicidade estampada no semblante, o que me fez sorrir. Fiquei pensando na noite anterior e no que ela me dissera.
“Eu gosto de você, muito”, pensei também nos sentimentos que despertaram em mim não só durante o sexo, mas também durante todo esse tempo que a conheço. Eu realmente estou apaixonado por ela e eu nunca notei tal fato. Talvez por estar amando a Bruna, por ter lutado tanto tempo pelo amor dela e quando finalmente tive, preferi me fechar para o resto do mundo. Por isso eu estava cego para a paixão que crescia mais e mais dentro de mim e que transbordou naquele primeiro beijo que demos. Aí eu não pude mais esconder nem de mim mesmo todo esse sentimento que, agora, está mais forte. E eu tenho certeza de que ela sente o mesmo por mim. Eu
sinto.
Ela acordou, finalmente, e se espreguiçou manhosamente ao meu lado, ainda deitada em meu peito. Inclinou a cabeça para trás, para me ver melhor, e sorriu. Dei-lhe um beijo na ponta do nariz e mordisquei o mesmo. Ela gemeu manhosa.
- Bom dia, minha querida! – Falei com um sorriso enorme no rosto. Eu estou me sentindo tão bem, acho que nada estragará essa felicidade para mim.
- Bom dia, Lipe! – Ela respondeu com um sorriso tão lindo e largo. Transbordava amor e felicidade no olhar. – Pareceu até que eu estava sonhando... – deu um suspiro longo e enterrou a cabeça de volta em meu peito.
- Está tudo bem? – Perguntei já com receio da resposta. Imagino até o que ela vá dizer...
- É tudo muito recente e intenso, Lipe. Preciso de um tempo para processar tudo...
- Não me peça para desistir de você. – Falei de imediato e um pouco angustiado.
- Não pediria isso, mas é que eu sou sua assessora ainda! – Lamentou-se e voltou a me encarar. Agora seu olhar passava certa agonia.
- E daí? Se quiser, eu te demito aí podemos ficar juntos. – Falei e ela soltou uma risada. Aproveitei a descontração e continuei – Sério, %Li%, se está pensando que possa ser muito cedo, ou algo assim, para nós nos relacionarmos, eu acho que não. Está no tempo que achamos seguro e correto para nós. – Olhei para ela que me transmitia mais confiança em seu olhar. – Você me ama? – Ela me pareceu surpresa com a pergunta, deu um saltinho com os ombros, respirou fundo e respondeu.
- Mais do que imagina, Felipe. – Respondeu e sorriu ao fim da frase. Sorri de volta.
- Estou apaixonado por você, %Li%. Muito apaixonado... – confessei meu sentimento. Acho que nossa noite de ontem já deva ter sido o suficiente para ela sentir um pouco dessa paixão minha por ela, mas sua expressão pareceu adorar ouvir de minha boca. – Vamos deixar rolar, ok? – sorri fraco e acariciei seu rosto.
- Ok. – Respondeu com a voz fraca – Mas o que os outros vão falar? E a Br... Você-Sabe-Quem? – Ela já ia falando o nome da Bruna, mas logo voltou atrás e riu em seguida. Eu ri junto balançando a cabeça. Ah, essa %Li%...
- Não pense nisso, porque eu não estou pensando. Pouco me importa o que os outros vão dizer. Me importa é o que sentimos um pelo outro. Só. E, além do mais, estamos solteiros. – Parei e encarei ela – Você está solteira, né? – Ela soltou uma risadinha.
- Estou sim, Lipe. – Riu e bateu de leve em meu peito.
Ela se convenceu em tentar. Não nos custa nada tentar esquecer o passado e focar no nosso presente, juntos. Deixar rolar mesmo. Decidimos que não falaríamos sobre isso naquele momento. Hoje é aniversário da %Li% e quero que seja especial e inesquecível. Bom, acho que depois da noite que tivemos juntos, tenho certeza de que não irá se esquecer. E foi especial para ambos. Fomos tomar um banho quente e então eu voltei para meu quarto para me arrumar. Nos encontramos no saguão do hotel para irmos para a primeira parada do nosso passeio, após o café da manhã servido no restaurante do hotel. Fomos passear no parque que fica no coração de Londres. Um lugar belíssimo. Caminhamos e vimos uma fina camada de neve cobrir algumas árvores. Sinal de que nevou pouco à noite ou hoje bem cedo. Algumas horas depois fomos almoçar e depois demos um passeio num shopping ali perto. Compramos algumas coisas para nós e dei mais um presente para ela. %Li% uma vez me contou uma história de quando ela era mais nova, mais precisamente quando ela tinha 5 anos, antes de seu pai falecer. O pai dela comprou um bichinho de pelúcia em formato de tigre para ela, era bem pequeno e ela andava para cima e para baixo com o tal bichinho. Após o falecimento do pai, quando a mãe dela casou novamente, o padrasto resolveu que seria bom para ela jogar toda a lembrança do pai que ela tinha fora. Então pegou os presentes dados por ele e jogou fora. %Li% ficou bastante triste, logicamente, com isso e nunca se esquecera que foi daí um dos motivos para ela odiar ficar sozinha ainda mais no escuro. Ter o bichinho de pelúcia em formato de tigre era como se fosse a companhia do pai dela, mesmo que isso fosse irreal, para ela era um substituto que fazia ela nunca se esquecer do quão o pai a amava. E que estava sempre com ela.
Chegamos numa loja enorme onde vende vários brinquedos, dentre eles: pelúcias enormes. Fomos lá, pois eu já tinha pesquisado antes sobre sua existência e já havia encomendado uma versão do bicho de pelúcia só que maior, em tamanho real de um tigre.
- Mentira?! – Ela ficou admirada quando o rapaz da loja veio trazendo o presente que encomendei. – É um tigrão! AAAAAAA AMEI! – Gritou de felicidade e nem esperou o rapaz desembrulhar. Foi logo voando no pescoço do tigre de pelúcia que era quase do tamanho dela. Ela tinha um sorriso imenso no rosto e parecia uma criança que reencontrara o bichinho perdido.
- Gostou, né? – Perguntei a ela, enquanto ela esfregava o rosto por todo o bicho. E eu não estou exagerando. – Que pergunta idiota. – Falei rindo da reação inesperada dela. – Não é o seu bichinho que tiraram de você quando criança, mas é uma forma de te dizer que eu gosto muito de você, %Li%. E que eu sempre estarei contigo para tudo. – Finalmente ela se virou para mim e deu um sorriso ainda maior.
- Ah, Felipe... – ela levantou-se, mas antes deixou o bichão em cima do balcão da loja, e me deu um abraço apertado. – Eu te adoro tanto, te amo tanto! Obrigada! – Declarou-se agradecida e eu me senti realmente amado por ela.
Após selar nossos lábios num beijo apaixonado, %Li% voltou a agarrar o bicho de pelúcia que estava esquecido por pouco tempo em cima do balcão. Todos em volta sorriam com a felicidade dela. Parecia uma criança, minha menina-mulher! E que mulher!
Voltamos para o hotel para arrumar nossas coisas, voltamos hoje mesmo para o Rio. Enquanto arrumava a mala, fiquei pensando nesse fim de semana louco que estou vivendo ao lado dela. Caraca, minha cabeça deu um nó. Eu não tenho dúvidas do que sinto por ela: é forte, intenso e verdadeiro. Eu realmente adoro a %Li%. Acredito que algum dia esse adorar, essa paixão possa se tornar amor, facilmente. O caso é que eu não queria começar essa relação, com ela já tendo um sentimento tão grande por mim, um amor tão sincero e intenso, como eu sinto que é o sentimento dela por mim, e eu com minha paixão boba. Se bem que, se analisarmos a maioria das relações amorosas por aí, começam assim: um dos dois está mais apaixonado do que o outro. Acho que é regra. Sei que não é, mas parece que é assim, pelo menos na maioria dos casos. Enfim, não quero pensar demais. Quero apenas viver essa paixão e possível amor pela %Li%. Intensamente.
FIM POV FELIPE