Military Dignity – Endless War


Escrita porMaari F.
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 13 • Send a signal to guide me home

Tempo estimado de leitura: 41 minutos

  - Você não sabe o quanto isso significa para mim %Annie% se afastou quando Major se aproximou ainda mais, tocando-a com as duas mãos, ainda assustada e muito receosa.
  - Eu prometo que a farei muito feliz.
  Ela contorceu o lábio, se sentindo péssima por causa do olhar esperançoso dele.
  Ela não tinha soado firme e nem ao menos parecia estar, mas de alguma forma ele interpretou exatamente do jeito que ela não queria.
  Não era uma confissão.
  - Por favor, eu não quero que você me entenda mal. - ela viu o Major vacilar por alguns segundos. - Você me disse que pode me proteger e proteger o meu bebê.
  Ele concordou sério, os braços caindo ao lado do corpo devagar.
  - Sabe que é verdade. - respondeu prontamente em um tom muito sério.
  Ela respirou fundo, sentindo o coração afundar mais ainda.
  Era agora que acabava com a dignidade do Major.
  - E você sabe que eu não vou conseguir viver um casamento de verdade agora. - ela falou um pouco mais firme e ele ficou em silêncio apenas a encarando de forma intensa, como sempre. - Major, eu aceito a sua proteção mas eu… eu…
  Credo, por que ela não conseguia terminar a maldita frase?
  - Diga, %Annie%. - ele a interrompeu, cruzando os braços. - Diga, eu não vou te julgar.
  Parecia tão menos ridículo dentro da cabeça dela, admitir em voz alta a faria sentir como se fosse uma… interesseira.
  - Não vai ser um casamento de verdade. - explicou, receosa. - E eu vou registrar o %Ryan% como o pai do meu bebê.
  %Annie% tinha tirado o pino da granada e acabado de jogá-la nas mãos do Major, ela o encarou com um misto de emoções, esperava que ele esbravejasse com ela, o que ela estava propondo era uma mentira.
  Era muito diferente do que ele havia proposto, ela sabia que ele tinha feito aquilo porque gostava dela, %Annie% estava fazendo aquilo por desespero.
  Não era a mesma coisa.
  E aquele mísero segundo em que ele pareceu tão feliz a fez se sentir tão mal em estar propondo aquilo. Era uma proposta ultrajante, suja para com os sentimentos dele que ela tinha consciência que ainda existiam e a última coisa que queria era usá-lo de tal forma. Só que ela não sentia que tinha outra escolha, não agora.
  - Um casamento de fachada. - ele concluiu, baixo.
  %Annie% juntou as mãos geladas e assentiu devagar, com vergonha de encará-lo nos olhos.
  Deus, ouvir em voz alta soava tão errado.
  - É tudo o que eu posso oferecer agora, Major. Me desculpe.
  Ela sentia a culpa corroer suas palavras, mas estava tão assustada, tão desesperada que não conseguia ver outra alternativa.
  A invasão na casa de %Ryan% tinha sido um alerta e o assalto o estopim que precisava para entender que não podia vencer aquela batalha sozinha.
  E se os ataques continuassem? E se um dia a sua casa fosse invadida com os pais dentro? Joe poderia lutar, mas quem iria garantir que ele sairia vivo? E se um dia não estivesse lá?
  Ela não queria carregar essa culpa. Ela não poderia perder mais ninguém. Ela não conseguia mais.
  Se ela precisasse fazer aquilo para proteger o seu bebê e a sua família dos perigos do mundo lá fora, perigos dos quais ela nem imaginava que existia, ela o faria mesmo com remorso.
  Mesmo que para isso tivesse que agarrar no Major como se ele fosse um bote salva-vidas.
  - %Annie%. - ele a chamou, não recebendo o olhar dela como imaginou, por isso se aproximou. - Tudo bem. Eu concordo.
  Ela levantou a cabeça para encará-lo, parecia mais calmo do que havia imaginado mesmo que os olhos dele parecessem carregar uma tempestade.
  - O quê? - ela estava surpresa e isso fez com que ele risse de leve.
  - Por favor, não pense que eu não entendo. Eu sei que você não se apaixonou por mim no momento em que propus o casamento. - ela suspirou ao vê-lo triste. - Sei que está com medo e posso ajudá-la.
  %Annie% procurou qualquer resquício de dúvida na expressão dele, mas não encontrou. Ele se afastou e cruzou os braços atrás do corpo, parecendo pensativo.
  - Seremos um casal apaixonado aos olhos do mundo, todo mundo irá acreditar nisso, a imprensa, os nossos colegas, nossos inimigos e eu não irei ultrapassar nenhum limite. Eu vou proteger todos à sua volta, sua família, seus amigos, seu bebê.
  Ela respirou fundo e concordou.
  Era isso o que queria. Mesmo que uma parte de si gritasse que isso não resolveria nada, que não seria o suficiente.
  Mas ela precisava fazer alguma coisa, certo?
  - Talvez eu deva te alertar sobre uma coisa. - ela franziu a testa confusa, esperando-o continuar. - Algumas coisas mudaram desde a última vez que nos falamos. Eu faço parte da alta sociedade agora. Bom, quer dizer, eu sempre fui, mas agora com o meu posto eu estou mais presente do que antes.
  %Annie% sentiu os ombros murcharem. Ela sabia exatamente o que ele queria dizer e não se sentia nem um pouco confortável com isso.
  Teve sorte com %Ryan% pois ele não estava mais inserido na alta sociedade desde que se alistou, teve a sua “morte social” e por isso ela não precisava se preocupar em ter a atenção da mídia em cima do relacionamento deles. Continuava sendo uma civil comum com uma vida comum.
  Mas com Major não seria assim. Major atraía olhares e estar do lado dele era uma credencial para revirarem a sua vida de cima a baixo.
  - Significa que você é famoso. - ela concluiu, vendo-o concordar com a cabeça.
  - Eventos, festas, coqueteis, são coisas das quais eu não posso fugir. Faz parte do meu trabalho agora.
  Ela piscou algumas vezes.
  Da época em que conversava com Major ele era um pouco mais interino e ficava bastante no QG, ele até brincou uma vez com ela dizendo que a base era a casa dele. Mas considerando que agora ele saía em reuniões com o secretário, era óbvio que ele era muito mais sociável do que antes.
  Sendo noiva do Major então ela também deveria estar nesses lugares, com pessoas nem um pouco agradáveis.
  Tentou controlar a risada, mas ao achar tudo uma grande ironia do destino, só conseguiu rir.
  E Major a olhou sem entender a reação. Qualquer garota do mundo iria adorar a atenção que ela iria receber da imprensa, as pessoas falariam dela, a mídia mataria para ter uma exclusiva com a noiva do Major, as pessoas iriam copiar o estilo dela.
  Então por que ela não parecia nem um pouco animada?
  - Eu tentei fugir da alta sociedade uma vez. - ela começou a explicar e olhou para ele. - E aqui estou eu.
  Ela levantou a sobrancelha ao mesmo tempo em que massageava a nuca.
  O amargo gosto da ironia.
  - Será um problema para você?
  %Annie% ponderou.
  Problema? Com certeza.
  Ela tinha alguma outra escolha? Não. Aquele era o pacote da escolha que tinha feito há 5 minutos atrás.
  Aliás, por um lado seria bom que fosse vista. Quem sabe os inimigos dariam uma trégua, ela pelo menos se agarraria nessa possibilidade.
  - Eu consigo lidar. - tentou mais convencer a si mesma do que ele.
Mesmo se não conseguisse, ela teria que aprender.
  - Falaremos da nossa agenda outro dia. - Major se aproximou e apoiou a mão no ombro dela que se conteve para não recuar. - Eu te levo até a sua casa.
  Ela negou com a cabeça.
  - Não precisa. - o coração de %Annie% começou a bater acelerado novamente só de lembrar que teria que colocar os pés na rua. - Eu posso pedir um táxi e…
  - %Annie%, eu não vou deixar você voltar para casa nesse estado.
  Ele apontou com a cabeça para ela que visivelmente estava aflita e ansiosa.
  - Eu não quero te atrapalhar no seu trabalho. - ela rebateu, fazendo-o tombar a cabeça para o lado. - Não foi para isso que vim.
  Ela nem ao menos entendia por que seu corpo tinha levado-a até lá.
  - Você é minha noiva, eu prometi que iria te proteger e vou fazer isso. - falou por fim, seriamente.
  %Annie% não conseguiu achar qualquer argumento, então ficou em silêncio, não sentia que a adrenalina ainda tinha abaixado e nem que estava confiante o bastante para andar na rua sozinha.
  Deixou o Major levá-la para fora com a mão levemente apoiada nas costas dela que ainda tinha as mãos juntas, ainda tinha um desconforto entre os dois, uma falta de intimidade que chegava a ser engraçada para quem via de fora.
  Ele a levou até o estacionamento, fechou a porta e assim que foi para o seu lado, tirou o celular do bolso.
  - Eu quero que vocês trabalhem em conjunto com a polícia militar perto das estações de metrô na região da nossa base. - ele falou com o telefone apoiado em uma mão enquanto a outra ligava o carro. - Houve um assalto com a minha… - Major olhou para %Annie% e ela fez o mesmo, permaneceram em silêncio por um longo segundo. - Com uma civil, uma bolsa feminina preta. - ela suspirou com a resposta dele. - É oficial, até termos certeza que isso não é mais um ataque organizado, eu quero toda a equipe nesse caso.
  Major desligou o celular e voltou a sua atenção a dirigir enquanto %Annie% se sentia incomodada, claramente já que o Major percebeu ao vê-la se mexer além do que devia no banco.
  - O que foi? - indagou, revezando os olhos entre a rua e ela.
Ela engoliu seco antes de falar.
  - É necessário colocar toda a sua equipe nisso? Só fazer o B.O não seria o bastante? - ela perguntou, dando de ombros.
  - Na teoria, sim. Mas na prática, eu e você sabemos que o seu depoimento irá entrar na estatística e nada será feito. - ele olhou de relance para ela, que ficou em silêncio. - Não me leve a mal, eu tenho muitos amigos policiais, mas eles não são tão efetivos como nós.
  %Annie% encostou a cabeça no banco, pensativa. Parecia exagero? Sim, só que ela não conhecia nenhuma polícia como o Major. Se ele dizia que assim seria melhor, então como poderia discutir?
  No entanto, parecia bem óbvio para ela que não seria a equipe alfa a responsável pelos assaltos na região.
  Se é que ainda existia uma equipe alfa.
  Ela ficou em silêncio por um tempo, Major estava concentrado o suficiente durante o trajeto.
  - Posso te fazer uma pergunta? - ela falou tão baixo que ficou com medo dele não ter escutado.
  - Claro.
  - Eu soube das férias para os membros da equipe alfa. - ela começou vendo-o concordar com a cabeça para que continuasse. - Quanto tempo pretende deixá-los afastados?
  Ela estava receosa em perguntar, sabia que ele não tinha autorização para liberar informações a uma civil qualquer, principalmente a noiva do capitão da equipe.
  Quer dizer, ex noiva. Seria difícil se acostumar com a ideia de ser noiva de Walker ao invés de %Ryan%.
  Major suspirou.
  - Para ser sincero, eu não tenho certeza. - respondeu. - A equipe toda passou por um trauma muito grande. Enquanto eu não sentir confiança de que eles deixaram essa tragédia de lado, eu não posso deixá-los na linha de frente. É perigoso.
  %Annie% sentiu o coração apertar. Seguir em frente não parecia ser a opção mais viável naquele momento, para ninguém. Ainda era tão recente.
  - E você acha que eles conseguem? - ela engoliu seco.
Não era só da equipe alfa que ela se referia.
  Major sorriu de lado, encarando-a quando pararam no farol vermelho. Parecia que tinha decifrado exatamente o que ela quis dizer.
  - Se pararmos a nossa vida hoje, o que restará amanhã? - ele questionou, fazendo-a desviar o olhar.
  Pela primeira vez em tanto tempo, uma parte dela concordava com o Major.
  
  Ele estacionou o carro na frente da casa de %Annie% e fez questão de abrir a porta para ela, que agradeceu.
  - Eu não preciso mesmo ir à delegacia? - ela perguntou mais uma vez, fazendo-o negar com a cabeça.
  - Não, fique em casa que eu cuido do resto. - garantiu, fechando a porta. - Eu tenho um amigo delegado, se for preciso eu falo com ele e peço para que ele colha o seu depoimento em um lugar mais apropriado. Não quero que você passe mal.
  %Annie% suspirou aliviada. Nem ela sabia como não tinha desmaiado ainda por causa do susto.
  - Obrigada, Major. - ela apertou as mãos geladas juntas. - Posso te pedir outro favor?
  - É claro, qualquer coisa. - respondeu prontamente.
  Ela massageou a nuca.
  - Não comenta com ninguém da minha casa, por favor, nem mesmo o Joe. - Walker franziu a testa. - Eu não quero preocupá-los, ainda mais agora.
  A família tinha tanto problema para resolver, porque falar o que tinha acontecido se o Major iria resolver tudo.
  - Se você quiser desse jeito, tudo bem. - ela concordou com a cabeça, ligeiramente aliviada. - Se eu tiver qualquer notícia, eu te aviso. - informou.
  - Por favor! A carteirinha do meu convênio estava na bolsa e eu tenho exame amanhã. Mas tudo bem, talvez o hospital consiga achar o número pelo meu CPF.
  Major levantou a sobrancelha, sério.
  - É algo muito importante? Eu posso falar com o convênio se você quiser. - ele sugeriu e ela negou.
  - Acho que não precisa, é só um ultrassom. - ela levou as mãos até a barriga, movimento esse que não passou despercebido por ele. - Já estava agendado de qualquer forma.
  Major a encarou firmemente, ainda na dúvida.
  - Está tudo bem, sério!
  - Se você diz. - ele concordou e %Annie% assentiu com a cabeça. - A propósito, tem uma coisa que esquecemos de falar.
  Ela franziu a testa.
  - O quê?
  - Bom, eu não quero te pressionar é que eu fiquei pensando em como os seus pais saberão do nosso casamento.
  %Annie% piscou mais do que deveria e escondeu a mão que ainda tinha a aliança que %Ryan% havia dado atrás do corpo, não conseguia se desfazer dela ainda.
  Ela definitivamente não tinha pensado nisso mais cedo quando aceitou o pedido.
  Na verdade, ela não tinha pensado em muita coisa.
  - Assim que o meu pai voltar para casa eu conto a eles. - garantiu. - Eu acho que pela situação dele, é melhor eu falar sozinha.
  - Concordo.
  %Annie% olhou para o chão pensando no que sua decisão iria acarretar de agora em diante.
  Em hipótese alguma poderia dizer aos pais que estava em perigo e por isso estava noiva do Major. Além de preocupar os pais, e também colocá-los em perigo, eles jamais concordariam com essa decisão.
  E eles fariam de tudo para convencê-la a desistir, e bem, naquela situação %Annie% com certeza iria se deixar convencer. Porque tudo o que estava precisando no seu íntimo era que alguém a fizesse enxergar a razão e dizer que deveria desistir, que ela o faria no mesmo segundo.
  Ela até conseguia ver o pai dizendo a ela que ele e Joe poderiam muito bem proteger a família, e mesmo sabendo disso, não poderia colocar todo mundo a sua volta em risco.
  Com o pai naquele estado, demorando meses para se recuperar plenamente com fisioterapia, poderia cuidar de sua própria segurança e dos outros com aqueles inimigos de %Ryan% tão letais?
  E Joe não poderia fazer aquilo sozinho.
  Ora, conseguiram invadir o apartamento de %Ryan% com ele lá dentro. O que não fariam na casa da família %Madden%?
  Um arrepio na espinha dela percorria só com tal pensamento.
  Não tinha a pretensão de ser a mais nova Santa Joana D’arc mas se tivesse que fazer um pequeno sacrifício para salvar quem mais amava, então assim seria.

[...]

  %Annie% foi ao hospital sozinha para fazer o ultrassom.
  A mãe precisava descansar e Joe estava trabalhando. %Annie% além de não ter contado à família sobre o assalto, omitiu que o exame que faria seria a ultrassom. Foi necessário para que a mãe ficasse em casa, %Annie% sabia como ela estava cansada em se revezar em ir ao hospital e voltar para casa, e tal exame a tornaria ainda mais teimosa em acompanhá-la.
  %Annie% também não queria cansar a família. Todo mundo estava exausto e para ela tudo bem fazer o exame sozinha, teriam muitas outras ultrassonografias para eles verem.
  Mesmo que ela realmente quisesse uma companhia, estava se sentindo sozinha naquele dia, e embora tenha pegado um Uber na porta de casa ainda sentia as mãos suando frio ao se lembrar do assalto.
  Foi difícil e ela não parava de observar a sua volta, atenta a qualquer perigo, ela não parou nem ao menos no hospital.
  Ainda bem que realmente não precisou apresentar a carteirinha do convênio depois de explicar brevemente o ocorrido na recepção.

  - Ok, %Annie%. Preparada? - a médica perguntou e ela concordou com a cabeça, animada.
  A médica colocou o gel abaixo do umbigo de %Annie% que se arrepiou com a temperatura, mas manteve os olhos na tela ao seu lado.
  Ela sentia as mãos tremerem de ansiedade e piscava várias vezes, assim que a médica mexeu o aparelho em sua pele ela pôde ver a forma de seu bebê perfeitamente.
  %Annie% sentiu os olhos lacrimejando obrigando-a a piscar ainda mais, involuntariamente um largo sorriso surgiu em seu rosto.
  - Aí está. - a médica sorriu, mexendo em alguma coisa na tela. - Consegue enxergar?
  - Sim. - ela sussurrou. - É perfeito.
  Ela sentiu seu coração aquecer assim como uma grande alegria tomar conta de seu corpo.
  Seu bebê estava ali.
  - As medidas estão dentro do esperado. Não há nada com o que se preocupar. - a médica garantiu enquanto mexia o aparelho na pele de %Annie%. - Gostaria de ouvir o coração?
  - Quero. - respondeu.
  A médica mexeu em alguma coisa que ela não prestou nenhuma atenção, os olhos estavam presos na tela.
  Um som forte e contínuo preencheu a sala e %Annie% não conseguiu controlar as lágrimas
  - Olha como bate forte.
  Ela estava maravilhada, parecia tão irreal que aquele pedacinho de gente estava crescendo dentro dela. E mesmo assim já amava com tanta força que não parecia caber em si.
  - Doutora, dá para saber o sexo? - ela perguntou esperançosa, depois de secar o rosto.
  A médica sorriu.
  - Podemos tentar. Você já está com 3 meses.
  A médica começou a espalhar o gel ainda mais enquanto %Annie% encarava a tela com expectativa, tentando enxergar alguma coisa além do que já tinha visto.
  - Pelo jeito, o bebê também quer que você descubra. Está mexendo as pernas.
  %Annie% sentia agora o coração bater contra as costelas.
  - Aham, como eu pensava. - ela olhou para a médica que retribuiu. - É uma menina.
  %Annie% levou a mão até a boca, cobrindo o soluço. Seu choro era de alegria, mesmo que uma recém lembrança fosse um pouco dolorosa mas jamais seria esquecida.
  
  3 meses atrás. Apartamento do %Ryan%.
  01:16 AM.
  
  %Annie% fazia um carinho com a ponta do dedo no rosto de %Ryan%, já tinha decorado cada centímetro dele, mas não parecia ser suficiente. Não quando ele estava tão bonito como agora.
  O tronco nu, o cabelo bagunçado, os olhos fixos nela enquanto ela estava sentada em seu colo.
  Ele a abraçava pela cintura, fazia um carinho com o dedão na pele nua dela.
  Era engraçado como %Annie% sempre teve vergonha de ficar sem roupa na frente de qualquer um, suas amigas e até mesmo sua mãe, mas na frente de %Ryan% era diferente.
  Ela não se sentia envergonhada, se sentia segura e amada.
  - Quantos filhos você quer ter? - ele falou baixo, fazendo-a arregalar os olhos.
  - O que? - ela riu atônita.
  %Ryan% sorriu.
  - Você sempre disse que queria ter filhos. - ele lembrou e ela piscou mais de uma vez.
  - Bem, é verdade. - ela levou a mão para acariciar o cabelo dele. - Mas porque esse assunto agora?
  - Eu estava pensando. - ele começou sendo observado atentamente por ela. - Neles, sabe.
  %Annie% levantou a sobrancelha.
  - Quantos você pensou?
  - Três. - ela o olhou surpresa. - Duas meninas e um menino. A mais velha terá o seu nariz e queixo, definitivamente a sua personalidade e os meus olhos. Já o menino, o do meio, será a sua cópia, mas com a minha personalidade. E a caçula terá todos os meus traços, mas terá uma mistura das nossas personalidades. Acho que é justo né. - %Annie% se ajeitou melhor no colo de %Ryan%, gostando de ouvir sobre os planos deles.
  Um sorriso bobo escapava de seus lábios.
  - E quanto aos nomes?
  - A primogênita será Angelina.
  %Annie% sorriu.
  - De Angelina Jolie? - ela questionou.
  %Ryan% riu.
  - Não. - ele negou com a cabeça e levou uma mão até o rosto dela, acariciando a pele dela. - De anjo. Ela será o nosso anjo. O nosso primeiro elo.
  %Ryan% aproveitou para beijar suavemente a clavícula de %Annie% que se arrepiou, levando os dedos até os cabelos dele.
  - Você consegue imaginar uma mistura nossa em um ser tão pequeno?
  Ela concordou, sorrindo largamente.
  Não só conseguia imaginar, como também queria.
  - Se ela tiver os seus olhos, - ela o olhou nos olhos. - será fácil demais amá-la.
  Ele sorriu de lado.
  - Eu já a amo tanto quanto eu te amo.
  %Annie% não pôde fazer nada além de se aproximar para beijá-lo nos lábios, ali nos braços dele mal podia esperar para realizar aquele futuro.

[...]

  Atualmente. Hospital Geral.
  08:37 AM

  %Annie% secava o rosto enquanto o sorriso gigantesco não saía de seus lábios, levando a mão livre até a barriga.
  Sua filha estava ali. Angelina.
  %Ryan% estava certo, ela era um anjo.
  Um no qual %Annie% mal podia esperar para ter em seus braços. E em breve poderia ter uma visão melhor do rostinho delicado da filha, no mês seguinte faria o ultrassom morfológico e a captura em 3D a deixou animada.
  Se pegou pensando se %Ryan% talvez já soubesse em seu subconsciente, ou em sua intuição de soldado, que ela estava grávida. Conseguia se lembrar com vividez da noite em que Angelina fora concebida.
  Em uma das diversas noites de amor que ela e %Ryan% tiveram.
  Levou a mão e segurou o colar dele, torcendo para que onde quer que ele estivesse, visse a felicidade dela. Que estivesse feliz por ela. Por eles.
  Segurou firme o ultrassom com a outra mão, mas sequer conseguiu dar um passo à frente.
  - %Annie%!
  Ela se virou, vendo Major se aproximar em passos largos.
  - Major, bom dia! - o cumprimentou assim que ele parou na sua frente.
  - Bom dia! Eu vim… Estava chorando? - ele a encarou com atenção. - Está tudo bem?
  Ela assentiu.
  - É emoção. - ela levantou o exame e ele olhou brevemente, voltando os olhos para o rosto dela.
  - O bebê está bem?
  - Ela está ótima. - ela sorriu largamente e Major levantou a sobrancelha, surpreso.
  - Ela? - perguntou, em choque. - É uma menina?
  - Angelina. - era incrível quanto mais falava no nome da filha, mais a amava.
  Major esboçou um sorriso de leve, parecia sem fala.
  - É um nome muito bonito.
  - Obrigada. - ela tentou conter o enorme sorriso que insistia em não deixar sem rosto e abaixou a cabeça, prendendo sua atenção na mão do Major. - Esta é a…
  - Sua bolsa. - ele estendeu para ela, que pegou receosa. - Conseguimos recuperar hoje de madrugada.
  %Annie% o olhou em choque, abriu a bolsa e aparentemente estava exatamente do jeito que estava quando foi assaltada.
  - Onde estava? - perguntou curiosa.
  - Jogada atrás de uma lata de lixo quarteirões depois do local. - explicou. - Ele levou o dinheiro, mas o restante acredito que esteja do jeito que você deixou.
  %Annie% concordou e até mesmo riu.
  O cara era muito burro. Não que a bolsa valia alguma coisa, mas em qualquer biqueira ele conseguiria alguma coisa pelo carregador portátil que estava lá, nem precisava ser viciado para saber disso. Mais até do que as duas notas de 10 que tinha na carteira dela e que ele havia levado.
  Até os bandidos hoje em dia tinham se tornado inúteis.
  - E vocês o encontraram? - ela não gostou muito do assunto, mas precisava saber.
  Major negou com a cabeça.
  - Não, infelizmente. Ele provavelmente pegou o dinheiro e descartou antes de correr, estamos atrás das câmeras de segurança da região, mas a maioria é criptografada ou os arquivos estão corrompidos.
  É claro, não dava pra ser tão fácil.
  - Pode demorar mais tempo do que você imaginava. - ela concluiu vendo-o concordar.
  Bom, pelo menos ela tinha recuperado tudo. Seus documentos, sua maquiagem, seu óculo escuro.
  Ainda bem que especificamente naquele dia não tinha colocado o celular no bolso da frente.
  - Obrigada por isso. - se referiu à bolsa.
  - Eu disse que ia te ajudar.
  %Annie% sorriu amarelo para ele e um silêncio se instalou.
  - Mas afinal, você veio até aqui apenas para devolver a bolsa? - indagou. - Porque você poderia ter deixado com Joe na base.
  - É que você comentou que não iria falar sobre o assalto para a sua família, achei que seria melhor devolver diretamente para você.
  %Annie% bateu a mão na testa. Tinha se esquecido completamente disso.
  Até porque Joe acharia bem suspeito a bolsa da irmã estar justo com o Major.
  - Tem razão!
  - E porque eu queria falar com você. - %Annie% assentiu para que ele continuasse. - Mês que vem haverá um evento, um aniversário de uma pessoa muito importante na alta sociedade.
  Ela prendeu a respiração.
  Ok, ela estava se preparando mentalmente para aquele momento, só não achou que seria tão rápido.
  Aliás, sua vida estava andando em um ritmo acelerado demais nos últimos tempos.
  - Eu gostaria de apresentá-la oficialmente como minha noiva, é claro se não for um problema para você.
  Ela ponderou.
  Sabia que mais cedo ou mais tarde teria que ir a um evento, começar a ir pelo menos, estava fadada a isso. Mas tinha medo.
  Ser apresentada como noiva dele, conviver entre a alta sociedade parecia algo tão fora de sua realidade. Como iria se portar?
  Deus, o que iria vestir?
  Se ao menos Lynn estivesse lá poderia ajudá-la.
  Ah caramba, a hora que a amiga soubesse…
  - %Annie%, se você não quiser… - ele começou ao vê-la pensar com o olhar perdido no nada.
  - Não, Major. - ela o interrompeu. - É melhor fazermos isso logo, não?
Ela não soava nem um pouco confiante, porque não se sentia assim.
  - Quanto mais cedo, melhor. - ele concordou.
  Ela respirou fundo.
  Só tinha um pequeno problema. Ela não tinha roupa para um evento desse.
  - Tudo bem, então. - decidiu não informar ao Major a sua crise fashionista.
  - Você quer uma carona para casa? - ele sugeriu, vendo-a negar com a cabeça.
  - Não, eu vou subir e ver o meu pai. Joe logo estará aqui.
  - Então, eu te mando mensagem com os detalhes? - %Annie% concordou e Major se despediu, logo saindo dali.
  Ela tirou o celular do bolso do casaco e procurou em sua agenda de contatos alguém que pudesse ajudá-la.
  Ligar para Lynn estava fora de cogitação. Não podia atrapalhar a lua de mel da amiga e muito menos contar as novidades pelo telefone. Seria escalpelada viva da Grécia.
  Seus olhos pararam em um nome e ela não hesitou em discar. Parecia ser o nome perfeito.
  - Alô, Mia? É a %Annie%. Eu preciso muito da sua ajuda.

[...]

  A risada contida de Mia fez %Annie% rir sem graça.
  - Deixa eu ver se eu entendi, você acha que eu sou elegante? - Mia apontou para si mesma, incrédula.
  %Annie% deu de ombros.
  - De tudo o que eu te contei, isso foi o que te deixou mais perplexa?
  - Ah não, eu só achei engraçado mesmo. - ela levantou as mãos, se rendendo. - Claro que o fato de você se casar com o Major não me parece bem uma piada.
  Das parceiras dos membros da equipe alfa, Mia era a mais sincera. Ela não tinha papas na língua. E era exatamente por isso que %Annie% recorreu a ela.
  Mia era mais velha que %Annie% mas seu rosto de porcelana e seu cabelo preto liso e curto a faziam aparentar ter menos do que realmente tinha. Embora todas as vezes que ela tinha visto a mulher ela estava vestida de preto, %Annie% sabia que Mia também vinha de uma família rica.
  Só que ela era a filha rebelde.
  Não sabia muito sobre ela, apenas que de alguma forma ela estava ligada à Inteligência quando conheceu Gael.
  - Não é. - %Annie% suspirou.
  - Você não o ama. - Mia constatou firmemente, %Annie% nem conseguiu negar e abaixou o olhar. - Mas eu não poderia negar ajuda a uma amiga grávida.
  %Annie% levantou os olhos e sorriu agradecida.
  - Mesmo que isso signifique passar horas em uma loja como essa.
  Elas estavam no shopping, à procura da roupa perfeita para %Annie%. Depois de ligar para Mia, a mesma concordou em se encontrarem e conversarem.
  %Annie% contou tudo. Literalmente tudo.
  Sentiu que seu segredo estava a salvo com Mia, até porque ela passava pela mesma situação de medo que ela então entenderia.
  Os últimos dois membros remanescentes da equipe alfa estavam atentos, prontos para qualquer ataque. Eles poderiam ser os próximos alvos, assim como suas esposas e família.
  Primeiro %Ryan%, depois Tej e a esposa, ainda bem que os filhos dos mesmos já tinham ido para a escola antes do atentado ou então…
  Era de se esperar que todo mundo estivesse em pânico de agora em diante.
  Tirando a parte que ela se casaria com Major, Mia entendeu tudo e até mesmo a apoiou.
  - Então, quem é a pessoa superimportante? - Mia perguntou, olhando os vestidos femininos.
  - Major não disse. - respondeu.
  Estava incerta. Tudo o que corria os olhos não parecia certo.
  - Que bom que ele ajudou com informações úteis. - Mia disse sarcasticamente, revirando os olhos e %Annie% riu. - Bom, temos que levar em conta que daqui um mês você estará com uma barriguinha a mostra então não deve ser algo tão agarrado. - Mia tirou um vestido e o olhou com uma careta. - Nem curto, esses lugares têm muito velho com mão boba.
  - Nem quente, será verão. - ela lembrou.
  - Olha, se é aniversário então provavelmente será um coquetel. Sabe, daqueles bem chatos com pouca comida e música que te dá sono. Algo bem monótono.
  %Annie% puxou um cabide com um vestido de manga longa amarelo-canário e Mia torceu a boca.
  - Perfeito pro carnaval. - ironizou e %Annie% gargalhou. Ela puxou um vestido azul na medida, mas de couro. - Fuja do couro, ele é ótimo para entrar só que uma luta para sair.
  %Annie% concordou com a cabeça e seus olhos pararam em um vestido vermelho, era midi e amarrava no pescoço, sem mangas com um decote em V e uma fenda irregular na perna esquerda. Ela pegou o vestido e sentiu o tecido leve, parecia ser o mais confortável das opções que haviam visto.
  - O que acha? - %Annie% perguntou e Mia prendeu sua atenção no vestido.
  Ela sorriu orgulhosa e %Annie% entendeu a resposta.
  - Agora sim estamos conversando!
  Após %Annie% provar e comprar o vestido, que nem foi tão caro, elas foram para a praça de alimentação, já era hora do almoço e ambas estavam com fome.
  Pelo jeito fazer compras também cansava.
  - E Gael, como está? - %Annie% perguntou assim que começaram a comer.
  - Ele não pode reclamar. - Mia deu de ombros.
  - Ah, então ele gostou de onde está agora?
  - Não. - Mia riu baixinho. - Ele literalmente não pode reclamar, foi parar na sala de monitoramento do exército. Lá tem câmeras em todo o lugar.
  %Annie% suspirou. Como era triste ver a equipe alfa se desfazer assim.
  Homens corajosos e ativos sendo remanejados para cargos administrativos ou entediantes, não parecia ser um final digno para heróis de batalha.
  - Mas até que não é tão diferente do que ele fazia antes. Ele é esperto, ajuda com a logística das novas missões só que dentro da base. Eu acho, ele não fala muito sobre o trabalho.
  - Isso é uma característica de soldado? - %Annie% perguntou, curiosa.
  Era incrível como todas as parceiras falavam e viviam a mesma coisa.
  Mia sorriu.
  - Você sabia que eu fui uma agente infiltrada durante a época da invasão? - ela perguntou e %Annie% arregalou os olhos.
  %Annie% não teve tempo para sentar-se com cada uma das parceiras dos soldados e novas amigas que tinha adquirido para apenas fofocar.
  Até porque, falar sobre o passado de cada uma não era tão fácil, simplesmente chegar e despejar tudo o que haviam vivido até conhecer seus devidos parceiros. E muito menos era conversa para ter por mensagens.
  - Não! Você atuou na invasão?
  Ela assentiu.
  - Eu trabalhava na inteligência da polícia civil, acabamos recebendo informações valiosas e como eu era um rosto novo no campo, aproveitaram que ninguém me conhecia para me infiltrar nos grupos terroristas.
  %Annie% a encarou firmemente.
  Mia não demonstrava na expressão, mas seus olhos pareciam mais tristes, imaginava o quanto ela tinha visto lá fora.
  - Mesmo que a nossa vontade seja compartilhar o que vivemos no campo, é inevitável guardar tudo o que vemos. - ela apoiou o cotovelo na mesa e colocou o queixo na palma da mão. - Você não quer ver o medo nos olhos das pessoas.
  %Annie% engoliu seco, bebendo um pouco do suco.
  Os olhos da amiga carregavam uma escuridão que %Annie% não alcançava, ela enxergava ali mas não tinha ideia da imensidão.
  - E quanto ao medo de vocês? - ela questionou depois de um longo tempo em silêncio.
  Mia sorriu triste, o olhar estava bem longe dali.
  - Depois de conviver com monstros, o medo passa a se tornar parte de você. Sabe, você até acaba esquecendo que ele está lá.
  O assunto acabou ali, ambas ocupadas demais com seus próprios pensamentos.
  %Annie% refletia no quanto ela jamais conseguiria fazer aquilo, na verdade admirava Mia, era um fardo pesado demais para se carregar sozinha.
  Mas pelo menos ela tinha Gael. O parceiro com certeza sabia lidar com aquela escuridão porque ele compartilhava da mesma.
  Depois de tudo o que havia passado naquele dia, %Annie% pensou em seu próprio relacionamento com %Ryan%.
  Era exatamente o tipo de conversa que nunca tivera com ele e se arrependia disso, ela queria poder ter aliviado esse fardo dos ombros dele.
  Ele nunca compartilhou nada além do pouco que ela sabia, só o viu desabar em choro uma única vez e %Annie% sempre se perguntou o que ele tinha dentro de si que nunca colocava para fora.
  Entendia o trabalho dele, é claro que nunca o pressionou, mas ela sempre quis ajudá-lo de alguma forma.
  Foi algo que ela nunca conseguiu fazer.
  Poderia ter feito mais pelo noivo? Deveria ter tentado mais?
  - Com licença, senhora.
  %Annie% piscou algumas vezes quando um adolescente se aproximou da mesa delas.
  - Pois não? - ela disse, prendendo atenção no jovem rapaz a sua frente.
  Mia fazia o mesmo, curiosa.
  - Mandaram te entregar isso. - o rapaz estendeu o papel branco para %Annie% que o segurou um pouco receosa.
  Olhou para Mia que levantou a sobrancelha para ela abrir o papel e assim ela o fez.
  De confusão para choque sua expressão mudou no momento em que viu o desenho estampado no papel.
  - Quem mandou? - perguntou baixo ao rapaz que deu de ombros e apontou para trás.
  %Annie% seguiu os olhos na mesma direção mas não tinha ninguém na praça de alimentação que estivesse observando, todo mundo estava ocupado comendo.
  O rapaz então saiu quando %Annie% voltou a olhar o desenho mais uma vez, sem entender.
  - O que foi, %Annie%? - Mia perguntou ao ver a cor sumir do rosto dela. - O que tem aí?
  %Annie% virou o papel para a amiga ver com os próprios olhos.
  A cena do assalto estava marcada em preto pelas lentes de um telespectador.

[...]

  %Annie% mordia a pele da unha com força enquanto encarava sua cama, mais precisamente o desenho que tinha recebido.
  Foi estranho, no mínimo.
  Mia fez questão de trazer %Annie% de volta para casa já que ela não parecia ter condições de fazer isso sozinha já que estava com a boca branca feito o papel que tinha recebido, sequer teria forças para voltar caminhando. %Annie% teve que garantir que ficaria bem, prometendo que ligaria para a amiga se precisasse de alguma coisa.
  %Annie% não sabia por que tinha recebido o desenho e muito menos qual era a mensagem.
  Bom, o desenho era claro. Era o exato momento em que o bandido tinha a arma apontada para a nuca de %Annie% que estava de costas, o rosto dele estava perfeitamente exposto e seria uma prova essencial para entregar à polícia para que fossem atrás dele se não fosse por um pequeno detalhe.
  Ela conhecia aquele traço muito bem.
  Incontáveis as vezes ela acordava a noite e %Ryan% estava sentado na cama com o seu caderno desenhando sobre nada específico.
  Paisagens, o rosto de %Annie%, personagens que ele gostava.
  Ela ficava admirada com o talento do noivo e o observava até pegar no sono novamente.
  Como simplesmente chegaria a polícia, ou melhor ao Major, com aquele desenho dizendo que havia recebido aleatoriamente e que se parecia muito com os traços de %Ryan%?
  Todo mundo a veria como uma louca depressiva.
  E outra, ela não sabia se a pessoa que tinha mandado o desenho estava fazendo aquilo para ajudá-la ou para amedrontá-la.
  Ela virou a folha várias vezes, observava cada detalhe tentando buscar alguma mensagem secreta, mas não achou nada.
  Nada além do traço extremamente parecido com o de %Ryan%.
  Levou as mãos até o cabelo, coçando o couro cabeludo.
  O que queriam dela agora? Quem estava por trás daquilo e por quê?
  Eram perguntas que ela sabia que não teria a resposta tão cedo.
  Decidiu então parar de olhar aquele desenho, sua vontade era rasgar aquele papel e jogar no lixo, mas por algum motivo não o fez. Simplesmente colocou no meio de um dos seus livros e guardou de volta na estante.
  Bufando, se jogou na cama e pegou o celular na ânsia de passar o tempo com alguma coisa banal que a fizesse esquecer por um mísero minuto o que estava acontecendo em sua vida.
  Passou por todas as redes sociais até se dar por vencida, parando em alguma página de fofoca inútil.
  Cantora internacional estava grávida. Ator famoso foi traído. Major gatão estava ficando noivo. Troca de likes em famosos.
  Espera… O quê?
  %Annie% voltou a notícia anterior e se sentou melhor, observando a foto.
  “Major gatão, o crush da internet, está noivo”
  Os olhos de %Annie% arregalaram.
  A foto era do Major Walker em uma joalheria comprando um anel, a foto não era de uma qualidade extravagante o que significava que quem tinha tirado a foto era algum observador e não paparazzi profissional.
  %Annie% correu os olhos até a legenda.
  “Major Walker, que é famoso por ser de uma família aristocrata e extremamente bonito - quase o nosso príncipe William mais jovem -, foi visto na joalheria mais cara da cidade em busca de um anel de noivado. Não se sabe ainda quem é a sortuda, mas pelo tamanho do anel, pode-se dizer que a mulher dificilmente irá recusar.
  É, pessoal, parece que perdemos mais um crush.”
  %Annie% virou a tela do celular para baixo e deixou em cima do colchão com uma careta, ela se recusou a entrar nos comentários da publicação.
  Não era isso que estava procurando, mas acabou atiçando o lado curioso dela, antes que pudesse se controlar ela já estava entrando no Google e pesquisando o nome do Major.
  Encontrou algumas notícias relacionadas ao exército e outras como ele roubava a cena nas coletivas, em que davam satisfação sobre os exercícios de suas equipes, não só por causa de seus olhos claros, mas também por sua beleza.
  Achou surpreendente tudo isso, mas o que a chocou ainda mais foi que aparentemente ele era a paixão de pelo menos metade da internet.
  Estava dormindo debaixo de uma rocha todo esse tempo porque não fazia ideia disso.
  Ela respirou fundo.
  Major era mais famoso do que ela imaginava.


  Nota da Autora: VOLTEI!! Um pouco mais tarde do que eu imaginava maaas com toda essa mudança na minha vida o bloqueio criativo resolveu aparecer quando eu menos precisava 🤡 Eu ainda estou aqui e não vou prometer voltar mais rápido dessa vez porque isso nunca acaba acontecendo haha
  E eu já queria agradecer imensamente a quem ainda continua acompanhando, eu vou tentar fazer valer a pena a espera de vocês!
  Beijos e até o próximo capítulo ❤️

Capítulo 13
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