Military Dignity – Endless War


Escrita porMaari F.
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 12 • For peace, gotta pay a price

Tempo estimado de leitura: 28 minutos

  - Já vai! - %Annie% gritou para a campainha insistente enquanto colocava o prato do pai na cozinha.
  Ela correu para atender quem quer que fosse o apressado, se fosse o irmão iria xingá-lo tanto que ele entraria em casa com a orelha vermelha, principalmente porque ele sabia que o pai estava no andar de cima se recuperando da cirurgia.
  Só fazia uma semana desde então e apenas três dias que Alexander tinha voltado para casa, cheio de pontos na cabeça, mais magro, com dores, sequelas da cirurgia e praticamente uma farmácia inteira dentro de casa de tanto remédio que tinha que tomar.
  - Joe, eu juro que se você enfiar esse dedo na campainha… - ela começou falando assim que abriu a porta e parou no meio da frase ao ver uma figura bem diferente do irmão. - Major?
  - Oi, %Annie%. - ele cumprimentou com um sorriso, achando engraçado a surpresa dela.
  - Eu não sabia que você viria - ela coçou atrás da orelha.
  - Eu estou incomodando?
  Ela negou com a cabeça, dando espaço para que ele entrasse.
  - Não, pode entrar.
  O Major o fez, estava mais adaptado e familiarizado com a casa da família %Madden%, tendo em vista que desde a cirurgia passava ali quase todos os dias.
  - Desculpa, eu estava ajudando minha mãe a alimentar o meu pai - ela apontou para a escada e sorriu tímida, não estava apresentável ao Major mas isso não pareceu importar para ele já que admirou a mulher de cima a baixo.
  Ela vestia roupas de casa confortáveis e ainda assim continuava a mulher mais linda para ele.
  - E como ele está?
  %Annie% apontou para o sofá e assim que o Major sentou, ela o acompanhou mantendo uma distância segura.
  Ela contou como o pai ainda reclamava dos pontos na cabeça e como ele não estava com tanta força nas pernas, mesmo sabendo que grande parte disso era por conta dos remédios fortes que ele tomava, o lado esquerdo que havia sido mexido estava temporariamente paralisado e ainda assim o que estava dando mais trabalho era o gênio teimoso de Alexander.
  Ele era um homem grande e independente, pedir ajuda até para ir ao banheiro estava sendo uma batalha para ambos os lados, ele queria retomar sua independência, mas ainda não podia e nem conseguia fazer alguma coisa sozinho.
  Nem ao menos beber água conseguia já que o lado esquerdo não estava funcionando como deveria, o que o deixava extremamente irritado.
  Ele só obedecia quando %Annie% estava deitada ao lado dele, falando sobre o bebê que carregava.
  Aquilo parecia ser a única força dele.
  - Você quer um café, Major? Eu acabei de fazer.
  Apontou para a porta da cozinha e ele sorriu de leve.
  - Se não for incomodar, eu aceito.
  Ela concordou com a cabeça e o chamou sutilmente para que a acompanhasse, ele prontamente a seguiu.
  - Acabei de finalizar o meu turno, não tive tempo para comer.
  %Annie% levantou as sobrancelhas e parou perto da pia, encarando-o com solidariedade.
  - Você quer comer alguma coisa? Eu posso fazer um macarrão rápido - sugeriu e o viu cruzar os braços, negando com a cabeça.
  Tudo bem, ainda se sentia desconfortável perto dele, mas não queria deixá-lo passando fome. Não custava nada ajudar, seria até uma forma de retribuir tudo o que ele estava fazendo pela família.
  - Não se incomode, por favor.
  - Eu sei cozinhar, juro – garantiu, e virou-se para pegar o café.
  - Eu me lembro disso.
  Os ombros de %Annie% enrijeceram com o tom carregado de lembrança que Major usou para falar aquela frase tão curta.
  Tudo o que tentou viver com ele tinha se tornado uma memória tão distante que ela nem sequer dava importância, nem ao menos voltava em seu subconsciente.
  Era como se %Ryan% tivesse apagado cada resquício daqueles 12 meses que ela tinha decidido dar uma chance ao Major.
  Porque nada nunca tinha acontecido além de encontros casuais, ela sempre o viu como uma espécie de pré-amigo. Não tinha intimidade o suficiente para compartilharem sonhos e segredos na época, mas também não eram dois estranhos, se falavam de vez em quando.
  E agora as lembranças de quando estiveram juntos pareciam ser de outra pessoa, não dela.
  %Annie% colocou o café na xícara e sorriu contida para ele, sem saber o que dizer apenas estendeu a louça para ele, que agradeceu e bebeu o café aos poucos.
  - Eu queria poder fazer alguma coisa para deixá-la confortável perto de mim - ele falou, cabisbaixo.
  %Annie% o encarou, culpada.
  - Não estou desconfortável - ela rebateu e ele riu, sem graça.
  - Está. - Afirmou com convicção. Ela realmente achava que podia enganar um major do exército? Pior, enganar a si mesma? - Toda vez que você olha para mim ou fala comigo parece que você dá dez passos para trás.
  Ela respirou fundo e juntou as mãos frias na frente do corpo, torcendo o lábio.
  Bom, o pedido de casamento do Major tinha deixado as coisas um pouco esquisitas entre eles.
  Ela ainda se sentia esquisita em relação aos assuntos que envolvessem seu coração.
  - Tem um abismo enorme entre a gente, %Annie%. - ele suspirou. - Sempre teve.
  - Eu sempre fui sincera com você.
  Ele concordou.
  - Eu sei disso. E eu te disse mais de uma vez que eu te esperarei.
  %Annie% franziu a testa e então sentiu como se tivesse tido um estalo na cabeça, como se tivesse reativado uma parte de suas memórias com o Major.

  “- Eu...sinto muito se te pressionei a fazer o que não queria.
  - Não é você, sou eu. Sempre sou honesta e preciso te dizer que eu...não estou pronta para algo mais sério agora.
  - Você está apaixonada por outro.
  - Eu… Meu coração precisa de um tempo para poder esquecê-lo, tudo o que eu preciso é de um amigo.
  - Eu vou esperar o tempo que for necessário.”

  Ela piscou com a lembrança do fatídico dia que ela quis se entregar a um possível sentimento mas não conseguiu por causa de %Ryan%.
  Naquele momento quis rir com o irônico e terrível déjà vu, parecia que tinha voltado do ponto de partida e revivendo aquela cena novamente em que dava um fora em Major.
  Só que dessa vez tinha uma diferença, %Ryan% não aparecia salvando a vida dela.
  Ela não era mais aquela %Annie% de quase dois anos atrás e estando ali, enxergava aquilo com muita clareza.
  - Eu não vou te pressionar. - Major se aproximou e colocou a xícara na pia ao lado de %Annie%, ela apenas o acompanhou com o olhar enquanto se apoiava na pia. - Eu não quero te perder de novo, quero fazer as coisas de um jeito diferente dessa vez.
  %Annie% viu a seriedade nas palavras dele e tudo o que passava em sua cabeça era o passado, o que aconteceu depois que ela tinha finalmente decidido dar uma chance ao Major, e tinha levado tempo demais para se livrar da confusão de seu coração.
  E por uma única fração de segundos teve raiva de si mesma, daquela antiga %Annie% que não seguiu com o que tinha decidido.
  O que teria acontecido se ela realmente tivesse se envolvido amorosamente com o Major no passado?
  Ela teria reencontrado %Ryan%? Eles teriam se beijado novamente? Ele teria salvado a vida dela?
  Talvez se nada daquilo tivesse acontecido, teria uma vida totalmente diferente agora. Não estaria presa ao noivo morto, não estaria esperando um bebê dele.
  Teria se apaixonado pelo Major.
  Eram tantas hipóteses que ela simplesmente ficou em silêncio remoendo todas elas, olhando para o rosto de Major como se pudesse mudar a realidade do último ano.
  Major aproveitou a chance para levar a mão ao rosto dela e fazê-la encarar seus olhos claros.
  - Se você me der uma única chance, eu reviro o mundo inteiro por você.
  %Annie% sentiu um arrepio pela espinha, ela não só sabia que ele tinha coragem para fazer aquilo como acreditava que era possível, bastava ela pedir. Major estava dando a oportunidade de ela ir além de simplesmente reconstruir a própria vida, estava dando uma segunda chance a ela.
  Ela tentou procurar no fundo de sua mente o real motivo pelo qual tinha dado uma oportunidade ao Major no passado, não parecia ser uma situação tão diferente agora. Se tivesse sentido aquela vontade antes, poderia sentir agora.
  Engolindo qualquer vontade de pedir para que ele se afastasse, ela ficou parada vendo-o se aproximar cada vez mais, ela queria sentir alguma coisa por menor que fosse, porque se sentisse então teria uma vaga esperança de que um dia poderia sentir algo verdadeiro por ele além de gratidão.
  Talvez fosse a resposta que precisava para seguir em frente.
  Os dedos longos e gelados de Major cobriram seu rosto, dessa vez seu silêncio era permissão para que ele avançasse e o hálito dele bateu contra seu rosto, ela quis se bater por não sentir as pernas fracas, mas continuou, na ilusão de que uma faísca aparecesse de repente.
  - Filha, vem aqui!
  O grito desesperado da mãe de %Annie% quebrou a atmosfera e ela afastou o Major rapidamente, olhando-o em choque.
  Sem pensar duas vezes, ela saiu correndo para o quarto do pai e ouviu o Major fazer o mesmo. Assim que chegou, viu o pai com os olhos fechados e a cabeça tombada para o lado, ele estava visivelmente com dor e a mãe estava ao lado dele com a preocupação estampada em seu rosto.
  - Mãe, o que foi? - %Annie% se aproximou, revezando o olhar entre a mãe e o pai.
  - Seu pai está se queixando de uma dor de cabeça insuportável.
  %Annie% encarou o pai.
  - Pior do que antes da cirurgia? - perguntou e viu o pai assentir com a cabeça devagar.
  - Precisamos levá-lo ao hospital. - Sandra informou e %Annie% concordou.
  - Eu levo vocês. - Major se prontificou, recebendo os olhares preocupados das duas.
  - Eu vou ligar para o médico. - %Annie% avisou e correu para pegar o celular na sala enquanto Major ajudava Alexander a sair da cama.
  Foi o tempo de %Annie% ligar para o médico e ele atender, Major já tinha descido com Alexander apoiado em seu ombro ainda de olhos fechados, Major era muito mais alto do que ele então parecia fácil para ele carregar o mais velho.
  - Doutor, é a %Annie%, filha do Alexander. Ele está com uma dor de cabeça que não está conseguindo aguentar. - ela explicou um pouco apressada enquanto seguia a mãe e o Major para o lado de fora da casa.
  - De qual lado?
  - Pai, de qual lado está a dor? - %Annie% perguntou enquanto o Major o colocava no banco de trás e Sandra entrava do outro lado, Alexander conseguiu mover a mão para o lado contrário da cirurgia. - O direito, doutor.
  - Levem-no ao hospital o mais rápido possível, assim que chegarem, peça na recepção para me avisar.
  %Annie% concordou com a cabeça mesmo que o doutor não pudesse ver e se apressou para entrar no banco do carona enquanto Major ia para o lado do motorista depois de desligar o celular.
  - Senhor, eu sei que está doendo, mas vou precisar fazer algo que vai fazer a dor aumentar ainda mais, porém, vamos ganhar tempo. - Major avisou e %Annie% o encarou confusa, pelo retrovisor viu o pai respirar fundo e concordar com a cabeça.
  Major então acionou a sirene do carro e correu em uma velocidade que só se usava em uma emergência, %Annie% precisou segurar firme no banco para não voar pelo carro mesmo estando de cinto e observava a mãe e o pai no banco de trás durante o trajeto, completamente preocupada.
  Chegaram em tempo recorde no hospital, Major ajudou Alexander a sair do carro carregando-o novamente enquanto %Annie% corria para a recepção para seguir como o médico havia pedido.
  Assim que a enfermeira foi buscar Alexander com a maca, ele foi levado depressa enquanto os três esperavam na recepção. Sandra aproveitou para ligar para Joe e avisá-lo sobre o ocorrido enquanto Major afagava as costas de %Annie% para tentar confortá-la já que ela não conseguia parar de mover as mãos uma contra a outra.
  Toda aquela neblina de preocupação pareceu voltar duas vezes mais densa sobre as cabeças dos membros da família %Madden%.

  Pareceu uma eternidade até o Dr. Andy aparecer, Sandra e %Annie% estavam completamente aflitas.
  - Doutor… - %Annie% nem conseguiu perguntar o que queria.
  - Ele teve uma trombose. - %Annie% arregalou os olhos que enchiam de lágrimas e levou as mãos até o rosto enquanto a mãe era acudida por Major. - Ele está na UTI, nós já estávamos esperando por isso, como eu havia dito.
  %Annie% sentiu o chão sumir de seus pés. Sabia que era um risco da cirurgia, o médico já tinha alertado, mas viver aquilo era ainda pior. Não tinha propriamente se preparado para a situação porque o pai tinha se recuperado bem até então.
  - Ele vai ficar bem? - Sandra perguntou, a voz tão baixa que cortou o coração de qualquer um.
  - Estamos fazendo tudo ao nosso alcance.
  Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto de %Annie%, o Major agradeceu ao médico e ele saiu, deixando os três ali em silêncio e perdidos.
  - Eu já volto. - a mãe de %Annie% avisou.
  - Aonde você vai, mãe?
  - Na capela do hospital.
  %Annie% concordou e observou a mãe se afastar com os ombros encolhidos, ela se sentia imponente naquele momento e não tinha o que fazer a não ser esperar.
  - %Annie% - Major apoiou a mão no ombro dela, chamando sua atenção -, venha, sente-se.
  - Eu estou bem. - ela garantiu sem desviar os olhos do corredor, fazendo-o suspirar.
  - Por favor - a mão livre de Major desceu até a barriga de %Annie% e ela congelou -, você precisa descansar também.
  Ela engoliu seco sentindo a familiar sensação de enjoo, a saliva mais espessa parou em sua garganta e um gosto amargo tomou conta de sua boca.
  %Annie% levou a mão até a boca para tentar garantir que não vomitasse na recepção do hospital e sem dizer nada, se afastou do Major para correr até o banheiro.
  Se colocou no primeiro vaso que achou e o corpo instantaneamente colocou tudo para fora, em sua cabeça tudo o que vinha era o cheiro forte do perfume do Major que parecia estar impregnado em suas narinas e fazia seu estômago revirar ainda mais, colocando tudo pra fora.
  Assim que acabou, respirou fundo e lavou a boca, molhando a nuca e a testa também. Encarou o reflexo pálido no espelho e levou a mão até a barriga.
  - Está tudo bem, meu amor. Estamos bem. Vamos ficar bem.
  Como ela queria ter força na voz para acreditar naquilo tanto quanto queria que seu bebê acreditasse.
  %Annie% se recompôs e então saiu do banheiro, surpreendente ou não, Major estava na porta esperando aflito por ela.
  - Não se preocupe, eu estou bem. - ela respondeu antes que ele perguntasse. - Coisa de grávida.
  %Annie% sorriu amarelo, os enjoos tinham passado já fazia alguns dias, talvez fosse o nervoso que a fez sentir tudo aquilo de novo.
  - Você não quer que eu chame um médico? - ele perguntou, preocupado e ela negou com a cabeça.
  - Eu quero ficar com a minha mãe.
  Major concordou e apoiou a mão nas costas dela, %Annie% foi na frente e ficaram na sala de espera até Sandra voltar.
  As duas seguraram as mãos uma da outra e esperaram em silêncio, cada uma concentrada em seu próprio mundo até Joe chegar.
  Pouco tempo depois o médico voltou, avisando que Alexander estava fora de perigo e respondendo bem a medicação.
  Foi acordado com muito esforço que Joe passaria a noite no hospital, já que todo mundo queria ficar ali, a mãe e a irmã iriam para casa descansar e o Major se prontificou a levá-las de volta.
  O caminho até a casa da família %Madden% foi silencioso, não tinha sido um dia tão fácil e ambas sentiam todo o peso em suas costas.
  - Muito obrigada pela carona, Major. Não sabemos como podemos agradecer por tudo o que tem feito a nossa família. - Sandra deu batidinhas no ombro dele que sorriu de lado.
  - Eu faço questão de ajudar. - ele levou a mão até o braço de Sandra. - E a senhora pode me chamar de Jason.
  - Desculpe, é o costume. Boa noite.
  - Boa noite, senhora.
  %Annie% sorriu de leve para a mãe e a viu entrar em casa, deixando a porta aberta para a filha.
  - Obrigada mais uma vez. - ela encarou o Major que deu de ombros.
  - Estou aqui para ajudar no que precisarem. - %Annie% sorriu educada e fez menção de se afastar. - A propósito, %Annie%, você quer que eu tome alguma providência contra o hospital?
  Ela franziu a testa, parando onde estava.
  - Como assim?
  - Claramente foi um caso de negligência. - Major explicou em um tom de obviedade e %Annie% arregalou os olhos.
  - Não, Major, não foi negligência! Eles sabiam do risco de trombose, tanto o meu pai quanto nós fomos alertados.
  - Mas mesmo assim eles deixaram, deram alta para o seu pai sem terem certeza de que isso não iria acontecer. Poderiam ter investigado mais. - ele argumentou e ela negou com a cabeça.
  %Annie% estava chocada com a insinuação do Major.
  - Isso não é verdade. - ela respondeu séria. - Os exames dele estavam normais pós-cirurgia, bom, o quão normais poderiam estar após esse tipo de procedimento. Não teria por que manter o meu pai internado.
  O médico tinha sido muito claro, Alexander foi monitorado 3 vezes ao dia até mesmo no quarto para ter certeza que a recuperação estava indo bem. Não havia necessidade de Alexander continuar no hospital, ele teria um longo caminho de recuperação pela frente e voltar para casa era a motivação que precisava.
  - %Annie%, não me leve a mal, eu só estou falando porque me preocupo com o que pode acontecer daqui pra frente.
  - Eu sei. Os médicos garantiram que ele não corre mais nenhum risco, você ouviu.
  Na verdade, ela só não estava entendendo o porquê daquele questionamento naquele momento.
  - Eu entendo, afinal, eu estou pagando, então eu acho que preciso expor a minha opinião. Médicos são carniceiros.
  %Annie% sentiu uma onda de ofensa lhe atingir com aquela frase. A última coisa que precisava ouvir eram as palavras “Eu estou pagando” vindas do Major com tanta pretensão. Soou tão arrogante que ela não fez nada além de deixar o queixo cair em puro choque.
  Pareceu que Major estava mais preocupado com a conta dessa brincadeira após a trombose.
  Mesmo ela avisando-o toda vez que eles achariam um jeito de pagá-lo por tudo. E com juros.
  Fora que toda aquela conversa era irrelevante naquele momento, ela não iria culpar ninguém porque não tinha sido proposital.
  Não queria vingança.
  - Por favor, não faça nada. - ela falou um pouco mais firme. - E não precisa se preocupar, o seu dinheiro voltará.
  %Annie% não deu chance para que o Major respondesse, ela nem quis ver a reação dele após suas palavras, simplesmente deu as costas e entrou em casa com um gosto amargo na boca.
  Respirou profundamente enquanto lutava contra os pensamentos que estavam prestes a fazer comparações entre %Ryan% e Major.
  Não era o momento de pensar em nenhum dos dois e sim em si mesma e sua família, mesmo que a sua emoção estivesse certa dessa vez.
  %Ryan% jamais falaria aquilo para ela.

[...]

  Uma boa quantia de dinheiro estava na bolsa preta jogada no chão enquanto uma parcela era contada pelo mais novo que estava maravilhado com a quantidade em sua frente, embora fosse uma quantia considerável precisava contar para saber se ele tinha cumprido com a parte que lhe cabia.
  - Está com cheiro de novo. - sorriu largamente enquanto apreciava o perfume das notas novas.
  - Você entendeu o plano, não é? - o mais velho questionou enquanto o cigarro queimava entre seus dedos.
  - Chefia, eu não vou falhar com você como o Zecão. - respondeu confiante.
  O mais velho rolou os olhos.
  - Vocês, pobres, sempre com um nome patético. - resmungou e deu um trago. - Eu espero mesmo que você tenha entendido ou então eu vou caçá-lo até te empalar como o conde Vlad.
  O mais novo franziu a testa.
  - Quem é esse?
  O mais velho bufou e coçou a nuca. Estava cercado de incompetentes burros.
  - Você entendeu ou não? - falou mais alto, fazendo o rapaz assentir com a cabeça.
  - Entendi. Não ser visto, dar um susto na bonitinha e sumir do mapa.
  O mais velho jogou o cigarro aceso no rapaz que chiou quando a parte quente encostou em sua mão.
  - Se você encostar em um fio de cabelo dela…
  - Eu nem com uma arma de verdade estarei. - se apressou para responder, vendo como os olhos dele se tornaram sombrios de repente.
  Ele que não iria contrariá-lo. Ainda mais por causa da mulher.
  - Ótimo, tudo sairá como o previsto. - sorriu esperançoso.
  Só precisava esperar e logo teria o que queria, um pouco mais rápido do que o previsto, afinal, ele foi obrigado a intervir.
  Não aguentava mais nenhum dia.

[...]

  %Annie% saía do metrô observando a rua movimentada, estava chegando o final do ano e as lojas estavam mais coloridas, mais alegres. Particularmente achava o natal a melhor época do ano e adorava todo o clima que proporciona.
  Era uma mistura de esperança com alegria. Duas coisas que ela estava se agarrando nos últimos dias.
  Voltava do hospital, o pai estava prestes a sair da UTI e estava se recuperando muito bem, em breve logo seria liberado para o quarto e depois teria alta, essa era a esperança que movia seus dias.
  Enquanto a alegria era sua gravidez, embora estivesse com a ultrassonografia marcada para o dia seguinte, não podia dizer que estava tendo problemas, os enjoos haviam passado de vez. Se sentia muito bem.
  Isso também se dava ao fato de que depois de muito refletir, estava finalmente ciente de tudo o que estava acontecendo, agora via a situação com mais clareza e estava decidida a manter distância do Major.
  Jamais esqueceria a gratidão que tinha por ele, Major foi importante sim e ela não podia ser injusta nesse ponto, entretanto não tinha condições mentais para se envolver em qualquer tipo de relacionamento agora.
  A cena de Major tão arrogante na frente dela não saía de sua cabeça e foi por onde ela chegou à conclusão que não o conhecia verdadeiramente, e aquela escuridão que assombrava os olhos dele era demais para aquele momento da vida dela. Não poderia se arrastar e levar seu bebê junto para um possível precipício.
  A pior parte agora só seria rejeitá-lo. De novo.
  Tentava não pensar nas reações do Major para não acabar ficando com receio de ser clara e objetiva com ele, e acabar deixando-o se aproximar ainda mais.
  Só existia uma coisa mais importante do que a própria vida dela, a de seu bebê. Era nisso que estava pensando nos últimos dias.
  %Annie% sentiu algo gelado em seu pescoço e até achou que fosse o vento, estava disposta ignorar se não tivesse ouvido uma voz dura atrás de si.
  - Fica calada ou você morre.
  Ela parou onde estava, o sangue gelou e o coração pareceu ter parado por um mísero segundo até começar a bater mais forte. Por instinto, ela levantou as mãos, mesmo que quisesse gritar não tinha força nenhuma na voz.
  Sabia o que estava sendo pressionado contra a sua nunca, sendo verdadeira ou não ela não seria burra o suficiente para contrariá-lo.
  - Passa a bolsa.
  Os olhos de %Annie% encheram de lágrimas enquanto as mãos trêmulas tentavam passar a bolsa, ela abaixou a cabeça e viu uma mão masculina estendida para receber o que havia mandado, ela conseguiu ver de relance uma tatuagem de uma carta coringa na pele.
  - Você vai andar sem olhar para trás, entendeu? - %Annie% concordou freneticamente com a cabeça, ainda sentindo o cano gelado da arma em sua pele. - Se você tentar qualquer coisa, eu atiro na sua cabeça. - ela nunca sentiu o medo correr tanto por suas veias como agora. - Agora anda!
  Embora as pernas dela estivessem tão duras como cimento, %Annie% conseguiu obrigá-las a mexer assim que o indivíduo a empurrou sem delicadeza para frente e ela não olhou para trás, nem ao menos percebeu que seus passos largos se tornaram em uma corrida desesperada a qualquer lugar que a fizesse sentir segura.
  %Annie% só parou quando viu o portão da base do exército, seu estado chamou a atenção dos dois soldados que estavam na entrada, ela respirava pesadamente e lágrimas grossas escorriam por seu rosto enquanto suas pernas tremiam tanto que ela não sabia se era pela corrida ou pelo medo.
  - A senhorita está bem? - um dos soldados perguntou e ela assentiu com a cabeça, embora a resposta que tivesse conseguido dar fosse falsa.
  Ela não tinha fôlego para confessar que tinha acabado de ser assaltada.
  - Major Walker está? - foi tudo o que saiu de sua boca, um sussurro cansado que fez os dois soldados se encararem por alguns segundos.
  %Annie% não estava conseguindo raciocinar direito, os pensamentos vinham em um turbilhão que estava deixando-a tonta e um dos soldados a acompanhou para dentro da base, embora estivesse em uma distância segura durante o trajeto os olhos dele corriam até ela, provavelmente para garantir que ela não iria desmaiar.
  O soldado a levou até uma sala onde um grupo estava reunido conversando com o Major, assim que viu que %Annie% estava ali ele parou o que estava fazendo e foi até ela, visivelmente preocupado.
  - %Annie%, o que faz aqui? - perguntou, analisando-a de cima a baixo.
  Ela até abriu a boca para responder mas não conseguiu, talvez pelos diversos olhares que estavam sendo direcionados a ela ou ainda porque o coração batia rápido demais.
  Ela estava à beira de ter um colapso.
  - Dispensados! - ele falou para o grupo e cada um dos soldados saiu da sala.
  Deixando-os a sós, Major fechou a porta enquanto %Annie% andava pela sala tentando encontrar as palavras certas.
  - O que aconteceu? - ele perguntou mais uma vez e ela virou para encará-lo, assustada.
  - Eu fui assaltada. - um soluço escapou e ele a olhou horrorizado.
  - Quando?
  Ela abraçou o próprio corpo.
  - Agora. Eu estava voltando para casa. - ela tentou controlar a respiração e Major se aproximou devagar, com medo de assustá-la mais ainda. - Levaram minha bolsa.
  - Tudo bem, acalme-se. - ele levou uma mão até o ombro dela, receoso. - Você conseguiu ver o rosto dele?
  Ela negou com a cabeça, embora estivesse na ponta da língua que tinha visto a tatuagem na mão do assaltante por algum motivo não conseguiu falar.
  - Certo, acabou, está bem? - tentou acalmá-la, mas naquele momento seria impossível. - Não se preocupe, eu cuido disso. Vamos recuperar o que pegaram.
  O tom da voz de Major era convincente, ela realmente acreditou naquilo mas a última coisa com a qual se preocupava era a sua bolsa.
  Os olhos de %Annie% marejaram novamente enquanto ela se sentia prensada contra a parede por seus próprios pensamentos, não sentia que tinha outra escolha.
  - Eu aceito, Major. - falou alto e o viu franzir a testa, confuso.
  - O quê, %Annie%?
  - Me casar com você.


  Nota da autora: FELIZ ANO NOVO!!
  Olha quem tá de volta!! 👀
  Primeira atualização de 2025 e mesmo eu estando ligeiramente atrasada, eu precisava trazer esse capítulo como um presente de começo do ano. E eu espero que seja um sinal de que eu consiga manter os planos de terminar essa história ainda em 2025.
  Vocês não vão esperar tanto para um novo capítulo como dessa vez, eu garanto.
  Então, até lá 😘🤭

Capítulo 12
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Natashia Kitamura

Tudo o que eu pensei enquanto lia essa atualização foi “Nãaaaaaaaao! Não aceitaaaaaa!”, ele já deu um red flag!
Caramba, é muito aquelas provações que acontecem para te tirar do seu rumo e você precisar ser forte o suficiente para não cair na cilada.
E agora? Preciso da próxima atualização!!!! Essa situação precisa ser convertidaaaaaaa 🙉

Passei nervoso com o pai dela também? Passei. Ainda bem que deu tudo certo no final! Aí a gente fica bem e logo em seguida vem outra bomba. Socorro! Hahahah

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