Capítulo 08 • Your love left me in ruins
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%Ryan% estava no carro, respirando fundo e sentindo a mão formigar enquanto o coração batia rápido demais. Parado na frente de uma casa bem conhecida por ele, não conseguia deixar o nervosismo e a ansiedade de lado mesmo que sua cabeça dissesse que nada daquilo era necessário.
Já esteve em situações bem piores do que aquela e não ficou tão ansioso assim. Se seus soldados soubessem que ele estava naquele estado por causa daquilo, seria zoado pelo resto de sua vida.
Nem podia dizer que estava tendo um infarto porque a saúde de seu coração era perfeita.
Respirou fundo pela vigésima vez, e limpou as mãos suadas no jeans da calça repetindo para si mesmo não ser um covarde.
Era só uma mera formalidade, não tinha porque todo o nervosismo.
Convicto de que conseguiria fazer aquilo, ele tirou a chave do contato e saiu do carro, indo para a porta de entrada sem se lembrar de pegar suas coisas ou travar o carro.
As pernas estavam duras como cimento, seria engraçado se não fosse ele quem estivesse vivendo aquilo.
Respirou fundo antes de tocar a campainha e pareceu uma eternidade até atenderem a porta.
- %Ryan%? O que faz aqui?
Ele forçou um sorriso, tentando esconder o nervosismo.
- Oi Joe. - cumprimentou o cunhado com um aperto de mão, o rapaz retribuiu enquanto olhava em volta a procura de alguma coisa.
- Você aqui a essa hora? - Joe perguntou, curioso. - Minha irmã está trabalhando.
%Ryan% engoliu seco.
Sabia que encontraria o irmão de %Annie% naquele horário porque tinha sondado o superior dele na base, Joe agora era da equipe de treinamento do exército e tinha mais folgas do que antes.
O que não significava que %Ryan% não iria ficar nervoso com a presença dele, mesmo sendo poucos meses mais velho do que Joe.
- Eu sei, na verdade vim falar com você e - pigarreou. - com o seu pai. Ele está?
- Sim, entra! - Joe deu espaço para %Ryan% entrar e ele o fez, um tanto quanto tímido.
Mesmo que não tivesse nem dois dias que esteve naquela mesma casa, tomando banho com %Annie%.
%Ryan% limpou o suor da mão mais uma vez ao ver que não só o Alexander, pai de %Annie%, estava lá, mas a mãe também.
Puta merda, como ele iria fazer aquilo?
- %Ryan%, garoto! - Alexander sorriu ao vê-lo e se aproximou estendendo a mão.
%Ryan% aceitou com medo de que ele percebesse como estava gelada e suada, mas se reparou ele não disse nada.
- Como vai, querido? - Sandra se aproximou para abraçá-lo carinhosamente e confortavelmente como sempre fazia.
No começo era difícil se acostumar porque raramente tinha sido abraçado por sua própria mãe, mas a de %Annie% fez com que ele gostasse desse contato. Se sentia acolhido.
- Bem, obrigado. E a senhora? - perguntou enquanto a abraçava e ela sorriu, balançando a cabeça em sinal positivo. - Desculpem vir sem avisar a essa hora.
- Não tem problema. - ela balançou a mão no ar.
- Você já é de casa! - Alexander falou e %Ryan% sorriu de leve.
- Você quer um café? - Joe perguntou enquanto o pai apontava para sentarem no sofá.
- Não, obrigado! - %Ryan% respondeu antes de sentar. O café não iria passar na garganta de qualquer forma.
Principalmente porque os pais de %Annie% sentaram no outro sofá, de frente para ele, olhando-o com expectativa, e Joe ao seu lado.
As pernas dele estavam tão bambas que precisou apoiar os cotovelos para tentar trazê-las de volta.
- Aconteceu alguma coisa? - Sandra perguntou, preocupada.
- Não! - ele respondeu rapidamente. - Bom, quer dizer, não ainda. - ele riu nervoso. - Eu confesso que não sei por onde começar.
- Que tal do começo? - Alexander sugeriu e %Ryan% o encarou, parecia que sabia o que ele estava prestes a fazer.
Não viu apenas entendimento nos olhos dele, mas também cumplicidade.
Foi por isso que ele respirou profundamente e sustentou o olhar.
- A %Annie% é a minha vida. Tudo o que eu sou hoje é graças a ela, nós tivemos muitos obstáculos e eu só tive forças para atravessar porque sabia que queria lutar por ela, %Annie% é a única pela qual eu morreria. Eu não sou nada sem ela. - %Ryan% tomou coragem, sentindo o pulsar do coração em sua orelha. - Por isso, eu não quero mais passar um dia sem chamá-la de minha esposa.
%Ryan% viu o pai de %Annie% sorrir orgulhoso, a mãe dela conter as lágrimas enquanto segurava a mão do marido e Joe com um sorriso enorme.
- Você está querendo dizer que… - Alexander instigou.
- Estou pedindo a mão dela em casamento para vocês. - falou convicto e sentiu todo o peso nos ombros evaporar instantaneamente.
O silêncio foi no mínimo perturbador para %Ryan%, que estava sim com medo de sair dali com uma resposta negativa. Ele sempre soube o quão importante a família era para a namorada e uma coisa era ele achar que não merecia %Annie%, outra bem diferente era a família dela achar isso.
Entretanto, para acabar de vez com a sua agonia, Alexander levantou do sofá e estendeu a mão para %Ryan%, que fez o mesmo, mas ainda incerto.
- Não há ninguém no mundo que possa fazer a minha filha feliz além de você, meu rapaz. - %Ryan% ficou sem jeito mas ainda sustentou o aperto de mãos. - Eu jamais confiaria a minha joia mais preciosa a outra pessoa. Estou feliz por finalmente você ter a oportunidade de parar de me chamar de senhor e sim de sogro.
%Ryan% riu baixo, sem saber o que dizer apenas agradeceu com a cabeça, se sentindo muito mais aliviado.
Sandra tomou o lugar do marido e abraçou forte o rapaz mais uma vez.
- Eu sempre soube que vocês ficariam juntos no final.
%Ryan% riu, retribuindo o abraço mais uma vez.
Sempre foi a intenção dele ficar com %Annie% no final.
- Bem vindo oficialmente a família, cunhado. - Joe falou antes de cumprimentar %Ryan% com a mão, dando batidinhas nas costas dele em seguida. - Embora não tivesse a necessidade de pedir para nós.
- É romântico, filho. - a mãe falou e Joe riu, fazendo %Ryan% concordar com a cabeça.
- Sou um cara antiquado.
Joe levantou a sobrancelha.
- É claro que é, dormindo no quarto da minha irmã e sabe-se lá fazendo o que no banho juntos…
- Joe! - Sandra interrompeu antes que ele continuasse.
%Ryan% riu sem graça, sentindo os olhos do pai de %Annie% sobre ele e disfarçou coçando a nuca.
- Bom, eu preciso ir. - pigarreou novamente, evitando olhar nos olhos de Alexander.
Sim, mesmo sendo um capitão do exército tinha medo do pai da namorada.
A família %Madden% até tentou convencer %Ryan% a ficar mas ele preferiu recusar, uma vez que tinha que planejar o pedido que faria para %Annie% antes da viagem.
Não sairia da cidade sem usar a aliança de noivado.
Saiu da casa feliz, tirando o celular para discar um número que estava gravado apenas na sua cabeça e não na lista de contatos.
- Oi, sou eu. Vou precisar da sua ajuda. Te encontro em 20 minutos.
Entrou no carro, guardando o celular e saiu dali com pressa, sem se dar conta de que o carro parado na esquina o observava.
[...]
Quarta-feira. Casa da família %Madden%.
18:56 PM.
- %Annie%, se acalma!
- Eu tô calma. - ela parou de andar pelo quarto para poder afirmar, com o celular na orelha. - Eu tô super calma, não dá pra ver que eu tô calma?
- Com a sua voz subindo dois oitavos? Claro que dá. - Lynn riu do outro lado da linha.
%Annie% suspirou.
- Eu preciso me arrumar em 20 minutos e o %Ryan% não me fala pra onde nós vamos, o que vamos fazer e eu tenho certeza que você tá rindo porque sabe de tudo, mas ele te fez prometer que não contaria nada. - %Annie% falou mais rápido e a amiga riu de novo.
- Ei, eu não sei de nada. - %Annie% bufou, não acreditava na amiga. - Até se você vestisse com um saco de batatas, ele iria te achar a mulher mais linda do mundo.
%Annie% olhou para o próprio guarda roupa. Sabia que era verdade o que a amiga dizia, mas queria ir arrumada para o encontro misterioso.
- Não tá ajudando! - ela reclamou.
- Tá bom, sabe aquela sua saia estilo boho?
%Annie% procurou a peça.
- A que tem uma fenda na coxa esquerda?
- Isso! Usa ela com aquela sua blusa branca de gola alta e aquela bota marrom. - %Annie% parou para imaginar o look e concordou depois quando viu que ficaria bom. - Não tá frio, mas também não tá tão calor, vai ser uma opção boa pra você e ao mesmo tempo arrumada do jeito que você quer.
%Annie% balançou a cabeça e tirou um casaco nude longo caso estivesse mais frio quando voltasse a sabe-se lá que horas.
- É, você tem razão. Vou fazer isso. - jogou a roupa em cima da cama e olhou pra o relógio que estava usando no punho. - Tenho que desligar, daqui a pouco o %Ryan% chega e eu ainda tenho que me maquiar!
- Vai lá, depois me conta todos os detalhes. Menos os sórdidos.
- Vai dormir, Lynn.
- Tchau!
%Annie% desligou o celular rindo e para não perder mais tempo, foi se trocar. Já tinha tomado banho assim que chegou do serviço.
Tinha levado mais tempo para escolher qual roupa iria usar do que de costume porque %Ryan% se recusava a dizer onde iriam.
A única coisa que o namorado tinha dito era que ele precisava vê-la na quarta e para ela se arrumar. Apenas isso.
Nenhum detalhe a mais.
%Annie% queria roer as unhas de ansiedade, mas precisou conter essa vontade por dois dias.
Depois que se trocou, passou uma maquiagem rápida, a base e o blush para esconder a cara de cansada, uma sombra terracota para dar uma cor as pálpebras, rímel e um batom em tom rosa queimado. Deixou os cabelos soltos e colocou brincos de argola, por fim passou perfume.
Pegou a carteira compacta e o celular que vibrava em cima da cama, respondeu a mensagem do namorado enquanto descia as escadas.
Depois de se despedir dos pais, que já sabiam que ela sairia com %Ryan%, ela saiu de casa.
Sorriu ao ver o namorado encostado no carro, ele estava com calça de lavagem escura, uma blusa preta e uma jaqueta de couro. Simples e de tirar o fôlego.
- E aí, pra onde vamos? - %Annie% perguntou assim que se aproximou, arrancando uma risada dele.
- O que, nem meu beijo eu ganho? - ele reclamou e ela o fez, dando um beijo rápido para voltar a olha-lo com expectativa. - Vamos ao shopping. - ele respondeu, abrindo a porta para ela.
- Shopping? - ela franziu a testa. Toda aquela surpresa para ir aí shopping?
- Qual o problema? - ele perguntou e ela negou com a cabeça, entrando no carro.
%Ryan% fechou a porta com um enorme sorriso e deu a volta para entrar no lado do motorista.
- Se eu soubesse que ia ser no shopping, não teria me arrumado feito uma perua. - ela respondeu depois de colocar o cinto, olhando para a própria roupa enquanto ele dava partida no carro.
- Você está linda, não parece uma perua.
- É alguma data especial e eu esqueci? - ela questionou e ele olhou de relance.
- Por que a pergunta?
- Ah não sei. - ela deu de ombros. - Pela sua ligação parecia ser algo muito importante.
%Ryan% sorriu de lado.
- Eu só estava lembrando esses dias que faz tempo que não vamos ao cinema.
%Annie% espelhou a reação dele, o sorriso crescendo conforme as lembranças vinham a tona.
- Saudades de pagar meia da meia? - ela questionou e ele riu, levando uma mão até a perna dela e fazendo um carinho. - Nossa, amor, como sua mão está gelada! - constatou quando a palma dele encostou na pele que estava exposta pela fenda da saia.
- Sério? Nem reparei. - tirou a mão e colocou no volante novamente, dessa vez segurando com mais força.
%Annie% o observou por um tempo, cismada.
- Tá tudo bem?
Ele parou no farol vermelho e olhou para a namorada, que tinha as sobrancelhas levantadas.
- Claro que sim. - sorriu de leve. – Por quê?
- Você parece mais… ansioso. Seus olhos estão piscando mais do que o normal, tem olhado para o retrovisor constantemente e você não para de movimentar as mãos no volante.
%Ryan% a encarou surpreso e voltou a andar com o carro quando o farol abriu.
- Eu estou ansioso pelas coisas que faremos no escurinho do cinema. - ele virou o rosto rapidamente para piscar para ela.
%Annie% sorriu envergonhada e levou a mão até a nuca dele, fazendo um carinho suave e que estava se tornando rotineiro.
Ela ainda achava que ele não estava inquieto apenas por causa disso, mas não insistiu.
Quando ele quisesse se abrir com ela, ele o faria. Sem pressão.
Em poucos minutos estavam no estacionamento do shopping tentando achar uma vaga já que o lugar estava lotado.
Quando finalmente conseguiram, no subsolo do shopping, saíram do carro de mãos dadas e %Annie% percebeu como a palma dele estava suada mas resolveu não comentar nada.
Lynn estava certa quanto ao clima, não estava nem frio e nem calor porém %Annie% agradeceu por ter lembrado de levar o casaco grande, primeiro porque estava batendo um vento gelado e segundo por causa do ar condicionado do cinema, ela com certeza ficaria com frio se tivesse ido apenas de blusa e saia.
Não que não fosse achar um jeito de se aquecer de outra maneira, mais especificamente nos braços do namorado.
Andaram pelo shopping até a praça de alimentação primeiro, %Annie% estava morrendo de fome mesmo que não tivesse feito nem duas horas que tinha comido antes de sair do serviço, mas ela sabia que era por conta do trabalho que estava desgastante.
Decidiram então ir ao restaurante japonês que era o favorito dela e %Ryan% pagou, dizendo que hoje era dia dela, %Annie% não entendeu muito bem porque mas agradeceu e até gostava de ser paparicada por ele.
Ela não parava de falar, sobre a lua de mel que Lynn estava planejando depois da missão da equipe alfa, sobre uma vaga que havia aparecido em um restaurante que ela queria muito tentar. Tagarelou sobre sua carreira e como queria retomar sua paixão.
%Ryan% apenas a encarava, estava difícil concentrar porque estava muito nervoso, sentia frio nas pernas mas não por causa do tempo, tentou disfarçar mas %Annie% tinha percebido no carro. Claro, a namorada não era tão desatenta.
Até mesmo para comer, estava tão ansioso que o apetite não aparecia, mas comeu mesmo assim para não dar bandeira para ela. Se ele recusasse a comida, aí sim ela perceberia algo de errado.
Assim que terminaram, %Ryan% passou o braço pelo ombro de %Annie% enquanto ela o abraçava pela cintura e começaram a caminhar em direção ao cinema.
- Amor, eu preciso que você faça o que eu te disser. Tá bom? - ele falou baixo, perto do ouvido dela, fazendo-a tremer mas concordar. - Tem dois caras seguindo a gente.
%Annie% sentiu o sangue gelar.
- O quê? - ela tentou virar a cabeça para trás, mas ele a impediu de continuar.
- Não olha agora. - pediu sério e ela obedeceu.
- Tem certeza? - ela o olhou, tentando achar algum resquício de incerteza.
- Absoluta, achei que era coincidência porque o carro estava atrás da gente no farol e estacionou perto da nossa vaga. Mas quando eles sentaram no restaurante, eu soube que tinha algo de errado.
%Annie% engoliu seco, o salmão grelhado revirou em seu estômago e fez menção de voltar pela garganta.
Então era por isso que %Ryan% estava tão ansioso no volante.
- E estão seguindo a gente agora? - perguntou e ele concordou com a cabeça devagar.
- Precisamos confundir eles.
- Como?
%Ryan% não respondeu, passando os olhos em cada ponto do shopping enquanto %Annie% discretamente olhava para trás por cima do braço do namorado e viu duas figuras de preto andando atrás deles, encarando-os.
Não foi preciso observar mais para que seu coração começasse a bater mais rápido quando percebeu que era verdade, queria ter visto mais do rosto deles, seria útil mais tarde.
Continuaram andando e entraram em uma loja próxima do cinema, %Ryan% fingia olhar as roupas e %Annie% mexia nas peças expostas para disfarçar.
%Ryan% observava de rabo de olho e quando viu os dois olharem para trás ao mesmo tempo, puxou %Annie% pela mão para ela abaixar.
- Vem comigo. - pediu baixo e ela concordou com a cabeça.
Se esconderam entre as araras de roupas e ele a levou para a outra saída da loja. Quando saíram, voltaram a posição ereta e começaram a andar mais rápido, %Ryan% segurava firme na mão de %Annie% que apenas o seguia.
Estava mais preocupada em olhar para trás para ter certeza que não estavam sendo seguidos.
Ela só hesitou quando viu que ele ameaçava passar por uma porta que dizia 'apenas pessoas autorizadas' porém o seguiu do mesmo jeito, entrando em um corredor escuro que ela não fazia ideia de onde levava.
- Nós podemos estar aqui? - ela sussurrou e ele apenas afagou a mão dela em resposta.
Provavelmente não, mas isso era importante agora? Com certeza não.
Mais acostumada com a escuridão, ela percebeu que estavam em uma sala de cinema vazia e %Ryan% a levava para cima em direção às últimas cadeiras.
Quis rir, de nervoso principalmente, porque o encontro que ansiava não era bem daquele jeito.
Subiram as escadas um pouco mais devagar e foram para o meio da sala, entre as últimas fileiras, agacharam e ficaram ali. Em puro silêncio, atentos a qualquer ruído.
%Annie% encarou %Ryan%, tentava não demonstrar medo mas suas pernas tremiam só de pensar na possibilidade de terem ido atrás deles. Estavam no meio do shopping lotado.
Será que nem vivendo uma quarta-feira como um casal normal eles teriam um pouco de paz?
- Eu vou até o lado de fora. - ele falou enquanto analisava o lugar.
- Eu vou com você.
- Não, amor, é melhor você ficar aqui. - ela o olhou assustada. - Eu vou só conferir e volto.
- Você vai me deixar aqui sozinha? - ela questionou, a voz falhando no final.
Sua cabeça começou a criar milhares de imagens dos homens entrando quando %Ryan% saísse.
- Por pouco tempo, juro. - ele envolveu o rosto dela com as duas mãos, fazendo-a olhar em seus olhos. Tinha incerteza, mas principalmente medo. - Você confia em mim?
%Annie% suspirou, a imensidão dos olhos dele sempre levava embora todas as dúvidas que tinha.
- Com a minha vida. - ela respondeu sem hesitar.
Os olhos de %Ryan% desceram até os lábios dela e depositou um beijo suave, ela fechou os olhos com o contato que acabou rápido demais.
- Eu não vou demorar, prometo. - deu um beijo na testa dela e afastou as mãos, %Annie% abriu os olhos e viu o namorado se afastar.
Ele saiu com a mão na cintura, onde sua arma sempre estava e %Annie% passou a mão no cabelo, nervosa.
Pedia a tudo que fosse mais sagrado que não ouvisse nenhum barulho de tiro.
- Se você tivesse trazido sua arma, poderia ter ido ajudar. - reclamou para si mesma.
Não podia dizer que não tinha se acostumado com a ideia até porque toda vez que ia trabalhar, carregava a arma na bolsa - e sempre torcendo para que não fosse obrigada a usar -, mas quando estava com %Ryan% não via necessidade de andar armada porque sabia que ele também estaria.
Até porque, jamais poderia ter imaginado aquele cenário.
Porém, agora tinha se dado conta da real importância. Se alguma coisa acontecesse com %Ryan%…
Ela balançou a cabeça afastando aqueles pensamentos e fechou os olhos para controlar a respiração.
Não iria pensar no pior, confiava nele e sabia que ia voltar. Como sempre fazia.
- %Annie%. - abriu os olhos ao ouvir a voz do namorado, um pouco mais alta.
Olhou para cima, mas não o encontrou, então olhou para trás e nada.
- Está tudo bem, você pode levantar agora. - franziu a testa ao continuar ouvindo a voz dele então reparou que a sala estava mais iluminada.
Por isso, levantou a cabeça e viu a imagem de %Ryan% na tela do cinema, o queixo caiu inconscientemente e ela levantou do chão, sentindo as pernas reclamarem, mas ignorou.
- Antes de mais nada, por favor me desculpa por fazer você passar por isso, eu tenho um bom motivo. - ela reparou que a roupa era a mesma que ele estava usando então se perguntou se aquilo era ao vivo ou… - E sim, isso é ao vivo.
Ela riu baixo. Como sempre, era como se ele estivesse lendo os pensamentos dela.
- Eu precisei fingir que estavam seguindo a gente. Na verdade, são só dois dos soldados da base que eu pedi uma ajuda, são eles que estão ajudando a transmitir. - o coração de %Annie% foi na boca com a revelação. Então a perseguição era mentira. - Mas era o único jeito que eu encontrei de ficarmos plenamente sozinhos em um lugar que significa tanto pra nós dois. - ela sorriu de leve. - Porque foi no cinema que eu tive a minha primeira chance com você. Naquela época eu não podia imaginar o quanto você iria significar para mim, mas sendo bem sincero, acho que foi o que eu procurei. A minha vida toda me senti sozinho, só querendo alguém com quem contar, por quem chorar, por quem lutar. E então você apareceu.
%Annie% levou a mão até o rosto, com as bochechas ruborizadas ela tentava conter as lágrimas.
- E foi como se eu tivesse encontrado a luz que faltava na minha vida, mas que eu sempre esperei. Eu sempre soube que ia te encontrar, eu só não imaginei que eu fosse te amar tanto. - ela não conseguia desfazer o sorriso, adorava ouvir aquilo. - O futuro parece ser incerto e confuso muitas vezes, mas a única coisa que eu tenho certeza é que eu sempre serei seu.
A transmissão parou de repente e %Annie% franziu a testa, ainda com a sala pouco iluminada, ela viu a figura do namorado aparecer no começo da escada de onde tinham vindo e ele subiu rapidamente.
Ela o observou subir a escada, ele sorria largamente e ela só conseguia fazer o mesmo, ele se aproximou com as mãos no bolso e %Annie% estava prestes a perguntar o que estava acontecendo quando ele se ajoelhou.
%Annie% sentiu o corpo inteiro arrepiar ao mesmo tempo em que os olhos marejaram, o coração acelerou ao entender o que estava acontecendo e ela jamais conseguiria explicar a enorme felicidade que estava sentindo.
%Ryan% olhou firmemente nos olhos dela e tirou a caixinha de veludo do bolso, abrindo para mostrar o anel que brilhava.
- Casa comigo. - ele pediu, tendo que controlar para não deixar as mãos tremerem, estava tão nervoso como nunca esteve na vida. - Me torne o homem mais feliz do mundo essa noite.
%Annie% levou as mãos até o peito, estava sem palavras mas o rosto dizia o que a boca até agora não tinha conseguido.
- É claro que sim. - ela não conseguiu controlar o choro de felicidade e %Ryan% levantou com uma mão segurando o anel e a outra para secar o rosto dela devagar. - É o que eu mais quero.
Ele sorriu e tirou o anel da caixinha, fazendo-a desviar os olhos para observar e estendeu a mão para o namorado. %Ryan% estava suando frio pelas mãos então precisou segurar com mais força o anel ou então cairia, assim que colocou no dedo de %Annie%, que a esse ponto não conseguia dizer nada além de admirar o anel, ele segurou a mão dela e levou até os lábios, beijando suavemente.
%Annie% o encarou ternamente e levou a mão com a aliança para acariciar o rosto do namorado, %Ryan% estava com uma expressão mais calma agora, parecia que todo o nervosismo e ansiedade haviam evaporado quando ela respondeu o que ele tanto queria ouvir.
Sem ter o que falar, %Ryan% enfiou a caixinha de volta no bolso e segurou %Annie% pela cintura com as duas mãos, ela aproveitou para apoiar uma mão no ombro dele e a outra com a aliança no peitoral dele.
Ele se aproximou do rosto dela, fazendo um carinho por toda a extensão com o próprio nariz, sentindo a textura macia e o perfume da namorada que faziam com que ele esquecesse do mundo lá fora e era exatamente o que precisava.
Naquela noite, ele não queria pensar em mais nada a não ser em %Annie%.
Se daria o luxo de se desligar de tudo para amá-la e aproveitar cada segundo precioso que tinha com ela.
Ele abriu os olhos, vendo-a sorrindo de leve ainda com os olhos fechados, e levou uma mão para segurar a dela que estava em seu peito.
- A nossa noite ainda não acabou.
[...]
- Então, tudo pronto para amanhã? - o mais novo perguntou, visivelmente preocupado.
- Ainda com medo, M? - o mais forte cruzou os braços e o encarou.
Depois de tudo, não podia acreditar que ele ainda não tinha se convencido que precisavam fazer aquilo.
- Não é medo. - respondeu, olhando para a janela. A cidade estava calma como todos os outros dias, não havia mudança do lado de fora e essa era a parte que mais o irritava.
Enquanto a vida andava em seu curso natural para as demais pessoas, ele estava ali.
Cada dia que passava era o relógio correndo contra seu destino, estava prestes a encarar o perigo de frente.
Estava perto de olhar nos olhos do demônio que havia colocado-o naquela situação. Pensar nisso fazia com que o sangue em suas veias borbulhasse, mesmo que estivesse treinando dia após dia para aquilo e racionalmente sabia que teria que controlar suas emoções quando o fizesse.
Mas ainda era humano.
- Eu quero que tudo isso acabe de uma vez. - admitiu.
Um humano que tinha perdido tudo o que amava e teria a chance de se vingar. De uma maneira bem diferente da qual havia imaginado, mas teria o que queria, não era apenas uma promessa sua, mas de todos os envolvidos.
O mais velho suspirou e apoiou a mão no ombro dele.
- Infelizmente, isso só está começando.
O mais novo concordou com a cabeça e olhou para baixo.
A morte traria um novo aliado e ele sabia que o custo era muito alto. Porém, não tinha como voltar atrás.
[...]
%Annie% sorriu ao encarar o quarto do hotel enquanto %Ryan% fechava a porta atrás dela.
O namorado tinha se esforçado para deixar aquela noite ainda mais mágica e perfeita, mesmo com a iluminação baixa do quarto graças as velas espalhadas, ela conseguia ver muito bem as pétalas de rosas jogadas pelo chão que faziam o caminho até a cama.
Não era a primeira vez que fariam aquilo mas a sensação que tinha era como se fosse, porque estava nervosa como na sua primeira vez com ele. Sentia todas aquelas coisas clichês, as borboletas no estômago, as mãos frias, o coração batendo forte e rápido.
E o sorriso aumentou quando %Ryan% chegou por trás dela, afastando o cabelo para trás para que ele pudesse enterrar o rosto na nuca dela, sentindo um arrepio gostoso passar por seu corpo ela fechou os olhos e cedeu no momento em que as mãos dele seguraram a cintura dela.
- Acho que hoje você superou no romantismo. - ela sentiu a risada de %Ryan% vibrar contra sua nuca após dizer, ele envolveu a cintura dela com os braços e a trouxe para mais perto, grudando os corpos.
- Eu sempre fui romântico com você. - ele falou, beijando a parte da pele dela que não estava coberta pela blusa. - Mas essa noite é especial.
- E por quê? - ela perguntou, curiosa.
Sentiu %Ryan% se afastar o bastante para que a virasse de frente a ele, onde ele a encarou com uma calma que a consumiu.
- Porque essa é a nossa noite. - ele respondeu e aproximou o rosto para dar um selinho nela. - Vamos esquecer tudo e todos. Só eu e você.
Ela sorriu largamente. Gostava quando %Ryan% pensava daquele jeito, se estavam ali juntos era porque tinham se dado ao luxo de esquecer do mundo há muito tempo atrás e se permitido viver todos aqueles sentimentos que carregavam um pelo outro.
E ela queria fazer aquilo. Parecia que toda vez que começavam uma nova jornada juntos, precisavam daquele tempo sozinhos, sem problemas, sem preocupações. Apenas os dois.
- Você sabe a minha resposta. - ela falou e ele a encarou fundo nos olhos, sabia sim a resposta mas queria gravar a forma como ela o olhava, como os olhos brilhavam na direção dele mais do que uma constelação inteira.
Sem conseguir se conter, ele levou a mão até a nuca dela e a trouxe para que pudessem finalmente selar os lábios.
%Annie% suspirou e levou as mãos até o ombro do namorado enquanto ele saboreava os lábios dela em um beijo lento, não precisava ter pressa para aquilo, teriam a noite inteira para se perderem na dança sensual entre seus lábios.
%Ryan% levou as mãos até o casaco que ela usava e o tirou de uma vez, ela o ajudou deixando que os braços caíssem do lado do corpo para que a peça tocasse o chão. Antes que ele pudesse puxá-la para si, %Annie% fez o mesmo com a jaqueta dele, fazendo-o sorrir entre o beijo que foi interrompido.
Mais uma peça de roupa no chão e %Ryan% encostou a testa na de %Annie%, a respiração quente e um pouco acelerada dela batia contra seu rosto, então ele a tomou em seus braços como se ela fosse a pena mais delicada.
Ela apoiou os braços nos ombros dele novamente, dessa vez tomando a iniciativa para retomar o beijo no mesmo ritmo, o corpo de %Ryan% emanava um calor que estava deixando-a fraca e agradeceu por estar nos braços dele, pois quando as línguas se encontraram para deixar o beijo ainda mais molhado, ela gemeu baixinho contra a boca dele.
Tão logo %Ryan% a colocava na cama com gentileza e mesmo que seu corpo pedisse para que retomasse a proximidade com o calor do corpo de %Annie%, ele não pôde deixar de observar o quão linda ela estava deitada na cama cheia de pétalas de rosas.
Todo o seu coração batia por ela, queria deixar aquela imagem dela ofegante com a boca vermelha e olhar puro gravada em sua memória.
Ele se aproximou para beijá-la novamente, dessa vez ligeiramente mais acelerado, enquanto suas mãos iam até as botas dela para tirá-las de vez, fez isso em ambos os lados e depois tirou os próprios sapatos, enquanto %Annie% acariciava sua nuca, fazendo um arrepio percorrer seu corpo.
Nunca se cansava de beijá-la, mesmo que o ar lhe faltasse, era impossível parar. Sentir os lábios carnudos e delicados dela era como um vício para ele, quanto mais tinha, mais queria.
Quando as mãos dele subiram para tirar a saia que ela usava, %Annie% quebrou o beijo para recuperar o ar perdido, enquanto %Ryan% a encarava suas mãos traçaram a pele exposta da coxa.
%Annie% sentia suas pernas fracas assim como seus pulmões mas a sensação das mãos largas dele em sua pele era boa demais para querer parar, ela era dele e ele podia fazer o que quisesse.
Ela abriu os olhos para encontrar os do amado fixos nela, parecia querer gravar cada expressão dela naquela noite e tudo o que ela teve forças para fazer foi admirar cada centímetro do rosto dele. Embora já tivesse decorado cada poro, naquela noite %Ryan% tinha um brilho diferente e aquilo estava hipnotizando-a.
Ele tirou a saia, tão devagar que pareceu tortura, mas ela não apressou pois estava gostando daquele ritmo. Entretanto, foi impossível não reagir quando as mãos dele cobriram sua pele, agarrando a coxa dela para que entrelaçassem em sua cintura, automaticamente trazendo os corpos quentes para mais perto, em um abraço mais íntimo.
Ela conseguia sentir o quanto ele queria aquilo e foi impossível não roçar o quadril contra o dele, %Annie% começou um novo beijo mais sedento e ansioso, sentia a temperatura do seu corpo aumentar a cada toque dele.
E quando ele mordeu o lábio inferior dela, %Annie% gemeu baixinho e agarrou a blusa que ele usava, sentindo que aquele pedaço de pano estava atrapalhando. Por isso, suas mãos desceram até os botões e começou a desfazer um por um enquanto ele beijava o rosto dela, bochecha, queixo e nariz.
Ela precisou de muita concentração para se desfazer da peça e quando conseguiu, suas mãos afastaram a peça do corpo do namorado com uma certa pressa, para então encontrar a pele quente dele. %Annie% acariciou primeiro o abdômen do namorado, enquanto ele direcionava os beijos até a orelha dela, assim que ele deu uma leve mordida, as mãos dela estavam nas costas dele e %Annie% o arranhou.
%Ryan% conteve um gemido, suas mãos foram para a blusa de %Annie% e ele afastou o tronco para poder arrancar a peça dela também, rapidamente já não existia mais empecilho entre os troncos e ela o abraçou forte, fechando os olhos quando os lábios dele começaram a descer os beijos molhados pelo pescoço e colo.
Ele beijava cada pedacinho exposto, amava cada centímetro do corpo dela e não deixaria nenhuma parte sem algum carinho, fosse de suas mãos ou de seus lábios.
Desceu as alças do sutiã de %Annie% e ela precisou lutar para conseguir ar, preparando-se para o que estava por vir, suas mãos encontraram o cabelo curto dele e tentou puxar os fios conforme a boca dele distribuía beijos naquela região.
Ela já nem conseguia mais lembrar do próprio nome.
- Por favor, não me tortura. - ela sussurrou quando os lábios dele encontraram o umbigo dela, fazendo-a contrair, o contraste entre a pele quente e a saliva do namorado estava fazendo um outro lugar de seu corpo pegar fogo.
- Isso está longe de ser tortura. - ele respondeu e ela abriu os olhos, vendo-o piscar.
- Não estamos numa situação muito justa. - ela apontou com a cabeça para ele, que parou os beijos para olhar o que ela se referia.
Ele ainda estava com a calça, que estava bem mais apertada agora, e sorriu malicioso.
- Fique à vontade para tirar. - ele pediu e levantou o tronco, ficando de joelhos na cama.
%Annie% riu, sem forças, mas aceitou o convite.
Suas mãos encontraram o cinto e então os dedos ágeis o tiraram, desfazendo o botão da calça e puxando para baixo, não via a hora daquela peça inútil de roupa sair logo.
%Ryan% a abraçou pela cintura quando se viu livre da calça e deixou %Annie% sentada em seu colo, afastou o cabelo dela que insistia em cair na frente do rosto dela e acariciou a bochecha.
- Eu quero me lembrar de cada segundo dessa noite. - ele falou, olhando atentamente para o rosto dela. - Eu só quero te amar.
Ela sorriu, levando as mãos até a nuca dele, fazendo um carinho com o dedão.
- Me torne sua mais uma vez, %Ryan%. - ela pediu, baixinho e ele concordou com a cabeça.
Ele atendeu o pedido de %Annie%, quando mais nenhuma outra peça de roupa impedia que os corpos se encontrassem finalmente, ele a amou mais de uma vez. Com o corpo envolvendo cada canto do de %Annie%, não havia um lugar que ele não tivesse tocado e beijado com devoção. Muito mais intenso do que as outras vezes, %Ryan% não desviou os olhos de %Annie%, e ela sentiu todo o amor dele preencher sua alma, cravando em sua pele como uma tatuagem.
Tudo o que restou para ela foi gemer o nome dele por toda a noite.
Já era quase de manhã, muito em breve teriam que voltar para suas vidas, lembrar que o mundo existia mas tudo o que %Annie% queria era continuar nos braços de %Ryan% enquanto ela fazia um carinho no braço dele.
Aliás, podia passar o resto da vida daquele jeito.
- Eu tenho outra coisa para você. - ele falou contra o ouvido dela, e ela riu, virando o rosto para encará-lo.
- Estou sendo bastante mimada por você.
Ele deu um beijo na ponta do nariz dela e desfez o abraço para sentar na cama.
- Essa era a minha missão.
Ele tirou alguma coisa debaixo do travesseiro e %Annie% sentou na cama, cobrindo o tronco nu com o lençol da cama.
- Fecha os olhos. - ele pediu e ela franziu a testa, %Ryan% virou a cabeça e riu. - Fecha, %Annie%.
- Tá bom. - ela o fez, focando seus ouvidos no barulho do quarto.
Mas %Ryan% era muito silencioso, ela apenas sentiu que ele colocou alguma coisa no pescoço dela, algo gelado que a fez arrepiar mas ainda não conseguia adivinhar o que era.
- Pronto, pode abrir. - ele avisou, olhando-a com expectativa.
%Annie% abriu e olhou para o próprio pescoço, se deparando com um colar delicado que tinha um pingente em um tom azul tão claro que chegava a ser transparente.
- Que lindo. - ela falou, levando a mão para segurar o colar e trazê-lo para frente para encará-lo melhor. - Amor, não precisava!
Afinal, ela já tinha ganhado a aliança, que com certeza foi cara, não queria que ele ficasse gastando com ela.
- Não foi tão caro quanto você imagina. - ela o encarou, surpresa.
Ele conhecia a mente dela melhor do que ela própria.
- É muito lindo, obrigada. - ela aproximou o rosto para beijá-lo, sendo retribuída.
- Quero que use como seu amuleto de sorte. - ele se afastou para acariciar o rosto dela. - Toda vez que sentir a minha falta, segura o pingente e faz um pedido.
Ela sorriu travessa e então segurou o pingente como ele havia dito, fazendo-o rir.
- Sabe o que eu pedi agora? - ela perguntou e ele negou com a cabeça. - Que essa felicidade nunca acabe e que você sempre volte para mim.
%Ryan% vacilou e seus braços foram de encontro com a cintura dela, trazendo-a para perto de seu corpo em um abraço apertado e quase desesperado.
- Eu sempre vou encontrar o meu caminho de volta até você, não importa quanto tempo leve.
%Annie% sentiu um bolo se formar em sua garganta e envolveu o pescoço dele com seus braços, um súbito medo de perdê-lo apavorou seu coração. A forma como ele havia dito soou como uma despedida e ela odiava aquela sensação, embora sentisse isso quase todas as vezes que ele ia trabalhar, dessa vez era mais forte. O bastante para fazê-la chorar.
Não conseguia viver sem ele, %Ryan% tinha se tornado parte de tudo o que ela fazia e sentia, ele tinha dominado cada pedaço de seu corpo e mente.
- Eu te amo, %Annie%. Nunca se esqueça disso.
Ela jamais iria, nem mesmo que seu coração fosse arrancado.
[...]
Naquele mesmo dia. Departamento de Segurança.
17:48 PM
%Annie% estava inquieta, impaciente, seus pés não paravam de bater no chão em um ritmo que nem mesmo ela sabia qual era. Brincava com a caneta em sua mão enquanto olhava para o nada, a cada cinco minutos seus olhos iam para a porta da sala de reunião.
Sabia da viagem de trabalho de %Ryan% e tentou convencer a si mesma que tudo ficaria bem, conforme o namorado tinha prometido mais cedo quando ele havia trazido-a para trabalhar. Estava ignorando todas as inseguranças e medos que estava sentindo porque %Ryan% tinha prometido e ela sabia que ele cumpria suas promessas, mas ao ver o General e o Major no prédio para uma reunião com o secretário, ela sabia que eles estariam falando da missão de %Ryan%.
Tinham chegado por volta das 11h e até agora não tinham saído nem para almoçar. Se %Annie% dissesse que tinha conseguido comer, seria uma grande mentira, a comida não passava em sua garganta e só de olhar para o prato que tinha feito seu estômago revirava, ela teve que lutar com o enjoo duas vezes.
O chefe de %Annie% não havia requerido a presença dela na sala de reuniões, o que foi bem estranho porque as secretarias de ambos os visitantes estavam lá dentro.
Ela estava morrendo de curiosidade e ficar ali, sentada e próxima da sala não estava ajudando.
Foi por isso que ela decidiu ir até o banheiro, andar um pouco iria fazer bem.
Ela molhou a nuca, que parecia estar pegando fogo mesmo que suas mãos estivessem geladas e se olhou no espelho, a expressão visivelmente preocupada. Repetiu para si mesma que tudo ficaria bem enquanto sentia um aperto no coração, respirou fundo várias vezes antes de decidir voltar para a mesa.
Sentiu os ombros ficarem mais rígidos ao ver a secretária do Major do lado de fora, no celular, e foi até ela.
- Tudo bem, aguardo o retorno da comitiva do presidente. - %Annie% franziu a testa ao ouvir e ela desligou o telefone.
- Está tudo bem? - %Annie% perguntou, vendo-a um tanto quanto receosa.
- A comitiva do presidente está vindo para cá.
%Annie% sentiu todos os pelos do corpo arrepiarem.
- Por quê? - ela perguntou um pouco mais alto, a voz demonstrando o desespero e a secretária respirou fundo.
- %Annie%, é melhor você entrar. - ela falou, apontando para a porta e %Annie% ficou ainda mais confusa. - Se fosse comigo, eu gostaria de saber o que está acontecendo.
Ela engoliu seco, além de estar completamente perdida estava aflita também, principalmente porque não sabia o que estava por vir.
E sequer imaginava.
%Annie% abriu a porta depois de respirar fundo e entrou na sala de reuniões, ainda com um certo medo de entrar lá sem ser autorizada, mas no momento em que viu o projetor da sala com várias imagens de soldados em um vasto campo, ela se aproximou da mesa com a testa franzida.
As imagens estavam tremidas, o que indicava que as câmeras estavam em movimento constante e ela ouvia barulhos de tiros.
Sentiu os olhos de todos sobre si, olhou para o chefe, mas ele não falou nada apenas a encarou com uma certa compaixão e… dó.
Não gostou daquilo, sentiu as pernas tremerem e o coração acelerar de repente, estava prestes a perguntar o que estava acontecendo quando ouviu uma voz.
- Tem explosivos o bastante para abrir um buraco no mundo. - %Annie% olhou para as imagens, conhecia o dono.
Era o Connor.
- Alguém precisa abater aquela aeronave.
- Estou ficando sem munição.
- A minha também está acabando.
O rádio ficou em silêncio por um segundo e %Annie% sentiu o medo percorrer seu corpo.
Aquela era a primeira vez que acompanhava uma missão da equipe alfa pelo ponto de vista estratégico, da última vez estava na linha de frente como refém e o namorado quase havia morrido.
- Me dêem cobertura, eu vou entrar.
%Annie% parou onde estava, sentindo um frio estranho pelo corpo. Aquela era a voz do…
- %Ryan%? - ela não sabia como, mas a voz saiu alta.
- %Annie%? - ela procurou no projetor qual das câmeras era a de %Ryan%, mas não encontrou, ou pelo menos não estava entendendo como as imagens funcionavam.
Tudo o que via era muita grama baixa, alguns carros e muitas armas.
- Capitão, não!
%Annie% sentiu os olhos marejarem e se aproximou da mesa enquanto o corpo arrepiava de uma forma ruim, Major até tentou pará-la segurando-a pelos ombros mas ela continuou, apoiando as mãos na mesa perto do telefone.
Era dali que estavam se comunicando com a equipe alfa, de onde %Ryan% tinha escutado a voz dela.
- %Ryan%! - ela o chamou novamente, ouvindo-o respirar pesadamente.
- Amor… - o coração dela despedaçou ao ouvir a voz cansada dele, mas conseguia perceber que estava ponderando. - Me desculpa, por favor, não era para você ouvir nada disso.
- O que está acontecendo? - Ela falou desesperada, tudo o que queria era poder ver %Ryan%.
- Capitão, volte!
- Mais carros chegando!
- Eu vou te explicar tudo. - ela negou com a cabeça. Não estava gostando daquilo. Não parecia bom.
Queria ouvir a voz dele dizendo que tudo ficaria bem.
- %Ryan%, sai daí!
- Você vai voltar! - ela falou, tentando convencer a si mesma, os olhos cada vez mais cheios de lágrimas. Ela já não sentia mais poder sobre seu corpo, era como se estivesse sentindo toda a sua energia sendo drenada para fora. - Você prometeu.
- Eu prometi.
- RPG! RPG!
- Se protejam!
- Capitão, saia daí!
%Annie% ouviu um barulho de alerta constante e se desesperou, o coração batendo tão desesperado quanto.
- %Ryan%, onde você… - ela sequer conseguiu terminar a fala pois ouviu um barulho estrondoso de explosão.
Ela levantou a cabeça, para olhar as imagens e viu alguma coisa pegar fogo em uma delas, não conseguia ver o que era porque seus olhos marejados estavam embaçando sua visão.
Sentiu uma dor no coração e engoliu seco.
“Por favor, não.” pensou.
O Major se aproximou.
- Falem comigo! - ele ordenou, encarando %Annie% que olhava as imagens sem parar esperando uma resposta.
- Major, acertaram a cabana! Era uma emboscada. - Connor falou, bravo e um tanto quanto desesperado. - Capitão, responda o seu rádio!
%Annie% arregalou os olhos. Não, aquilo não!
- As granadas estão vindo de todos os lugares. Precisamos de apoio aéreo. Agora!
- Capitão, responda!
Mais silêncio no rádio, a única coisa que podia ser ouvida eram os ricochetes das balas para o desespero de %Annie% que ainda esperava ouvir a voz de %Ryan%.
- Equipe águia, aonde está você? - Major perguntou bravo.
- 15 minutos para entrarmos no espaço aéreo. - avisaram.
- Não temos 15 minutos, porra!
- Responda, Capitão!
%Annie% levou as mãos até a cabeça. Não podia ser!
Major olhou para o secretário, que negava com a cabeça. Estavam conversando silenciosamente naquela troca de olhares enquanto %Annie% só sentia as lágrimas caírem por seu rosto.
Embora sua parte racional estivesse entendendo o que estava acontecendo, seu coração se recusava a acreditar que aquilo era possível.
- Tire a equipe alfa dai. Agora! - ordenou e %Annie% virou para encará-lo. - Faremos as buscas mais tarde, eu não quero mais nenhuma baixa.
Nenhuma baixa…
- Senhor, mas…
- Estou mandando, voltem para a base de operações.
%Annie% estava com o olhar perdido e parecia que de repente tinha sido colocada em uma bolha, pois as vozes ao seu redor estavam abafadas. Tudo o que pensava era em %Ryan%.
Ela não conhecia armas militares mas era esperta o bastante para ter ouvido com atenção que %Ryan% tinha ido até o lugar que havia explodido.
E se tinha explodido, antes dele conseguir responder o rádio, significava que ele…
- %Annie%. - o Major falou mais alto e ela moveu a cabeça em direção a voz dele mas ainda sem focar a visão no rosto dele. - Vamos sair daqui.
Ele encostou no braço dela, mas %Annie% o afastou, dando um passo para trás e movendo o braço para longe.
- Eu quero falar com ele. - ela disse, a voz falhando no final. - Eu preciso falar com o %Ryan%.
Ela mal sequer sentia a força nas pernas, era como se estivesse vivendo aquele momento fora de seu corpo, como se fosse apenas uma observadora.
Não conseguia pensar, respirar… Ela estava perdida.
- %Annie%, querida. - o Major engoliu seco. - Isso será impossível. - ela o encarou, o coração batia rápido e tudo a sua volta parecia girar. - %Ryan% não poderia sobreviver a um ataque de RPG.
Ela franziu a testa.
- O que você…?
- %Annie%, %Ryan% está morto.
Nota da autora: Eu sei que demorei um pouco mais do que deveria e eu queria ter dado esse capítulo de presente de natal maaaas pelo menos ele inicia 2024 daquele jeito.
Um capítulo gigantesco desse pra compensar a demora 😆
Obrigada a todo mundo que tem lido até aqui e espero que eu termine essa história em 2024 hahaha
Beijinhos, até o próximo capítulo!
Se vocês quiserem ler Military ouvindo a playlist que eu criei no Spotify, eu aconselho 😉