Capítulo 06 • Remember what you're fighting for
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- %Ryan%, você sabe que eu odeio surpresas, né? - %Annie% perguntou pela segunda vez naquela manhã.
Ele apenas riu, concentrado no trajeto que percorriam, estavam no carro há meia hora e ele se recusava a dizer para onde estavam indo.
- Essa é a segunda melhor parte.
- E qual a primeira?
- Que você não faz ideia de onde estamos indo. - ele sorriu travesso e ela bufou.
Tudo bem, aquele era o final de semana deles. Fariam muitas coisas juntos, segundo a programação do namorado porém %Annie% sentia uma ansiedade fora do comum já que não sabia o destino e nem o que fariam, a única coisa que ele disse na noite passada era que ela precisaria usar uma roupa confortável.
- Você disse que não iríamos viajar, mas estamos na estrada há um tempo. - comentou, tentando puxar a língua dele de algum jeito.
- Já estamos chegando. - anunciou, sem estender mais o assunto e deixar alguma pista para %Annie%.
Dez minutos depois e %Ryan% começava a parar o carro no estacionamento do local, %Annie% franziu a testa ao ver a grande placa e piscou algumas vezes para ter certeza que tinha lido certo, quando o namorado parou por completo ela questionou:
- Gun Leste? O que nós estamos fazendo em um clube de tiro?
%Ryan% sorriu largamente, agora ele podia finalmente contar o que vinha tramando há semanas.
- Eu vou te ensinar a atirar. - respondeu orgulhoso e %Annie% o olhou como se estivesse doido.
- Eu? - apontou para si mesma e ele concordou. - Você vai ensinar a sua namorada completamente desengonçada e desatenta a atirar com armas de verdade? Você trouxe os snipers do exército porque até eles vão ter um grande trabalho.
- Eu sou um ótimo atirador de elite! - revelou. - E você não é desengonçada. - ela cruzou os braços, arqueando a sobrancelha o questionando silenciosamente. - Tá bom, você é atrapalhada, mas nada que não dê para resolver.
- Amor, não me leve a mal, mas como uma atiradora eu sou uma ótima cozinheira. Por que quer fazer isso?
%Ryan% acariciou o rosto da namorada delicadamente, sua expressão ficando mais séria dessa vez.
- Depois do atentado no prédio, eu fiquei pensando que eu não vou conseguir estar sempre do seu lado pra te proteger, mesmo que eu corra pra te salvar, %Annie%, nada garante que eu vou chegar a tempo todas as vezes. Eu quero te ensinar a se proteger. Eu não paro de pensar no que teria acontecido se ao invés de uma bomba, os rebeldes tivessem esperando você do lado de fora do…
%Annie% colocou o dedo nos lábios de %Ryan% para que ele parasse de falar, sentia a agonia dele ao partilhar a cena que tinha imaginado e não queria pensar naquilo também. Ainda estava vulnerável e insegura a cada dia que ia trabalhar, mas precisava fazer aquilo.
- Não pensa mais nisso. - pediu. - Você acha que essas aulas são realmente necessárias?
Não irrita relutar se o namorado estava convicto que aquilo era realmente preciso.
- Eu queria que elas não fossem. - foi tudo o que ele podia dizer.
Não queria envolver o trabalho ou trazer à tona informações sigilosas, mas aquela era a forma que conseguia mostrar a ela como as coisas poderiam piorar e precisava mantê-la segura.
%Annie% suspirou.
- Eu vou ficar tão boa quanto o John Wick? - sorriu e viu %Ryan% rir.
- Muito melhor do que ele. - ele se aproximou e deu um selinho nela, depois pegou uma bolsa que estava no banco de trás. - Já que você aceitou, eu trouxe algo. - tirou uma caixa preta e estendeu para a namorada.
%Annie% segurou animada e abriu quase que no mesmo instante, uma arma estava ali.
- É muito mais leve do que parece e é um pouco menor do que as que eu manuseio no exército. Era a pistola do meu avô.
%Annie% o olhou surpresa e viu o sorriso triste dele.
- Você vai deixar comigo?
- Não, eu estou te dando. Agora é sua.
%Annie% sentiu o queixo cair ao mesmo tempo em que seu coração aquecia.
%Ryan% não falava muito do avô, o que conhecia era o que tinha saído na mídia, conhecia o político e não o avô.
Mas conseguia ver o quanto aquilo representava para o amado e bem, estava lisonjeada.
- Obrigada! - afagou a arma com uma mão e com a outra acariciou o rosto dele com um sorriso genuíno.
- Vamos. - ele a chamou, tirando a chave do carro e saindo.
%Annie% fez o mesmo, levando a sua bolsa e a arma de um jeito desengonçado, não sabia como carregar aquilo, mas ficou feliz por notar que ela caberia em sua bolsa pelo tamanho compacto.
%Ryan% estendeu a mão para que ela a segurasse e entraram no local com os dedos entrelaçados depois de ele travar o carro.
%Annie% notou como o namorado conhecia todos os instrutores e funcionários do clube, ela não fazia ideia se ele era um afiliado, mas pela forma como ele a levava junto para os stands como se soubesse exatamente para onde ir, parecia que sim.
%Ryan% explicou com maestria como a arma funcionava e porque era importante a namorada seguir as dicas que ele daria, e claro enfatizou que aquilo era para que ela pudesse se proteger apenas, mas não era como se ele precisasse dizer afinal, %Annie% não sairia por aí atirando em qualquer um que aparecesse.
Deu os equipamentos de segurança para os ouvidos e os olhos dela e se posicionou atrás da namorada, mostrando como ela deveria segurar a arma. Ela sorriu contida ao sentir o tronco do namorado bater contra suas costas, não era bem o momento para pensar em certas coisas, mas ficava tão difícil porque ele estava tão cheiroso e…
- %Annie%? - ouviu a voz abafada dele chamar sua atenção e ela piscou algumas vezes.
- Sim? - ela respondeu, atônita.
- Você ouviu o que eu disse? - ele perguntou, contendo a risada.
- Não, desculpa. - ela balançou a cabeça para tentar afastar os pensamentos que não envolviam o treinamento.
- Tudo bem. - ele riu baixo, o hálito batendo contra a nuca de %Annie% e ela precisou respirar fundo. - Eu disse que você precisa segurar a arma com força, cada disparo vai ter um recuo, por isso é bom você manter essa mão junto com a sua dominante - ele direcionava as mãos dela na arma. - como apoio para o seu punho. A arma precisa estar na direção do seu peito, fica mais fácil para você observar o alvo e mais rápido de recuar caso precise acionar mais uma vez. - ele ajustou a posição e %Annie% sentiu o braço ficar rígido. - Ajusta as pernas também, - ele levou a perna direita atrás do joelho direito de %Annie% e a fez levar a perna um pouco mais a frente. - Pode flexionar o joelho um pouco, é do seu corpo que virá a força para o recuo não ser tão forte, o tronco um pouco mais a frente. - ele apoiou a mão livre na cintura dela e a fez inclinar um pouco. - Não incline o ombro para trás, dependendo da arma e do recuo pode acabar deslocando. - %Annie% assentiu. - Aqui é onde você irá destravar a arma. - ele abaixou o que mais parecia um pino para %Annie%. - Sempre se atente a isso, a arma precisa estar destravada para você poder atirar.
- Ok, e agora? - ela perguntou, ansiosa.
- Agora você mira onde quer acertar no alvo. - ele soltou a mão da arma e apontou para o desenho há alguns metros dali. - E aperta o gatilho.
%Annie% concordou com a cabeça e mirou no ombro da figura de um homem que estava desenhada mais a frente, estava nervosa e sentia o coração bater forte contra as costelas e %Ryan% percebeu isso, por isso aproximou o rosto do dela.
- Respire fundo. - pediu e ela o fez. - Sinta a adrenalina percorrer as suas veias. - %Annie% sentiu seu corpo esquentar, não apenas por causa da adrenalina, mas por causa de %Ryan%. Ele estava tão perto. - Foque no seu alvo, não se importe com mais nada além do que você precisa e quer acertar, nem mesmo a minha voz te conduzindo. - %Annie% firmou os olhos no alvo. - Atira!
%Annie% o fez sem nem ao menos piscar e sentiu a arma ficar mais pesada e voltar para trás com força, ela precisou segurar ainda mais forte, mas manteve-a em sua mão, o tiro ecoou pelo local e rapidamente acertou o alvo.
O coração dela batia ainda mais forte e ela nem tinha reparado que o queixo havia caído, sentia a força que a arma tinha feito em seu punho, mas não era doloroso, forçou os olhos ainda mais ao ver onde tinha acertado o alvo.
Sua mira era para acertar no ombro, mas acabou acertando no pescoço.
- Meu Deus - ela falou, tirando o dedo do gatilho e virou para o namorado, que sorria largamente para ela.
- Você foi muito bem! - ele afirmou e ela riu de nervoso.
- Eu atirei! - constatou, ainda chocada.
- Sim, meu amor, e foi um ótimo primeiro tiro. - ele afagou as costas dela e %Annie% voltou a olhar para o alvo. - Vamos mais uma vez.
Ela não sabia que a adrenalina seria tão boa mas era um calor bom, sentia as mãos tremerem e formigarem por toda a emoção e impacto da arma mas estava muito orgulhosa de si mesma por ter conseguido acertar um tiro.
Entendia um pouco do porquê %Ryan% gostava daquilo, mas precisou se lembrar que aquilo era apenas para quando ela precisasse se proteger, ou seja, em casos extremos. E desejou não ter que atirar em alguém de verdade, os desenhos do clube pareciam de bom tamanho.
Mal ela sabia…
[...]
- Então, posso saber por que você está me levando para a academia do seu apartamento? - %Annie% perguntou, seguindo o namorado de mãos dadas.
Ela estava cansada das aulas de tiro, nunca imaginou que seus braços e pernas doeriam tanto, mas por incrível que pareça, tinha gostado. Claro, ela preferia mil vezes cozinhar como sempre fazia, mas atirar não era tão ruim. Conseguiu descarregar uma boa parte das frustrações que estava acumulado dentro de si.
E achou que %Ryan% a levaria para casa depois de passarem o dia inteiro no clube, mas quando o amado disse que o treinamento não tinha acabado ainda, ela ficou confusa.
- Se proteger pode ser feito de muitos jeitos. - %Ryan% falou enquanto acendia as luzes da academia vazia. - Uma arma é a solução mais rápida, mas para um ataque corporal, a luta defensiva é a melhor opção.
%Annie% franziu a testa ao ouvir e %Ryan% soltou a mão dela para ficar de frente, com as mãos na cintura.
- Você está dizendo o que eu penso que está dizendo? - ela questionou e ele concordou com a cabeça. - Você tirou o dia para me transformar numa soldado ou algo do tipo?
Dar a ela uma arma carregada de munição, ensiná-la a atirar e agora ensina-la a lutar? Com certeza ele estava se esforçando como se aquilo fosse um treinamento que dava para os soldados do seu batalhão.
%Ryan% riu e não se conteve, segurou o rosto de %Annie% em ambos os lados e deu um beijo suave nos lábios dela, que reclamou quando ele se afastou.
- Estou te dando todas as possibilidades, gostaria que a arma fosse a sua última opção. - ele falou sincero. - Então, aprender o básico de defesa pessoal vem a calhar.
%Annie% sentia a preocupação no tom de voz do amado e só por isso não tentava o convencer do contrário. Tudo bem, tinha aprendido o básico de armas, mas luta? Parecia um pouco demais para ela.
Mas %Ryan% sabia os riscos e perigos, se ele estava fazendo aquilo é porque era importante e não seria ela que iria recusar.
- Tudo bem, então me mostre. - ela pediu e viu ele sorrir de lado.
%Ryan% se afastou e estalou as mãos.
- As regras que se aplicam para o tiro também se aplicam à luta. Você precisa ter força na perna porque são elas que vão te sustentar. - ela assentiu, tentando guardar as informações em sua cabeça. - Me bate.
%Annie% franziu o cenho.
- Hein?!
%Ryan% riu.
- Me bate, eu quero ver como você soca. - ela estreitou os olhos, mas ao ver que o amado falava sério, ela piscou algumas vezes antes de fazer o que ele pediu.
Não foi surpresa que %Ryan% parou o soco de %Annie% antes mesmo que ela pudesse atingi-lo, com uma mão apenas e ele sequer estava fazendo esforço.
- Primeiro, o dedão sempre fica para fora do punho, nunca prenda-o entre os dedos. - ele ajudou %Annie% a arrumar a posição conforme falava. - Com o impacto você pode acabar quebrando, e nunca bata com o osso, é sempre de chapa. - Ele mostrou a ela como fazer, que assentiu. - Força nas pernas. - ele tocou na coxa de %Annie% com leveza, mas o calor da palma dele foi o suficiente para fazê-la perder o foco. - O que foi? - perguntou ao ver o olhar perdido dela.
- Nada. - ela negou com a cabeça, rindo.
- %Annie%! - ele falou de forma arrastada, para mostrar que sabia que tinha alguma coisa a mais.
E é claro que ele sabia, afinal viu a forma como ela se arrepiou com o toque tão inocente.
- Isso tudo é tortura, sabia? - ela reclamou, fechando os olhos e sentiu a mão do namorado subir a mão pela coxa, quadril e parar em sua cintura, onde ele segurou com mais força.
- Eu não estou fazendo nada. - falou em um tom baixo e se não conhecesse bem %Ryan%, diria que estava confuso.
Mas ao abrir os olhos, viu que ele se fazia de desentendido pois carregava um sorriso quase imperceptível.
Era exatamente esse o problema, %Ryan% não estava fazendo nada e lá estava ela, sentindo as pernas ficarem mais fracas com um simples toque!
- Anda, não se distraia. - sem esperar, ela sentiu a palma de %Ryan% levemente contra sua bunda e ela deixou o queixo cair. - É a primeira regra.
- %Ryan%! - quis se fazer de brava, mas ela estava rindo.
Nunca imaginou que o namorado pudesse ficar ainda mais sexy do que já era, mas vê-lo tão sério e concentrado estava deixando-a ainda mais hipnotizada por ele.
Mas %Ryan% estava convicto no que queria e naquele momento era ensinar o básico de defesa a %Annie%, por isso ele se afastou o suficiente para que pudessem treinar de verdade enquanto dava dicas a ela.
Como bater, como se defender, como sair de um golpe que a imobilizava. Tudo o que achava importante e que sabia que a namorada conseguiria aprender.
Ele tinha um sorriso no rosto enquanto ela se mantinha focada, fazendo exatamente o que ele dizia, estava orgulhoso dela e ainda mais apaixonado. Não sabia que era possível, mas aparentemente era.
%Annie% pingava de suor e %Ryan% foi gentil demais em buscar água para ela, quando voltou a namorada levantava o cabelo que grudava na nuca e respirava fundo, sentindo um calor anormal enquanto as coxas queimavam, mas confessava que lutar também era legal. Tinha descontado muitas frustrações nos movimentos, mesmo que não tivesse acertado forte %Ryan%, ele acabou sendo seu alvo.
Ele sorriu maroto ao vê-la daquele jeito e se aproximou, estendendo a garrafa de água e %Annie% sorriu agradecendo, sem fôlego para falar.
Ela bebeu a garrafa toda e soltou um suspiro alto que ecoou pelos ouvidos de %Ryan% de uma forma que o fez cravar os olhos na namorada, mordendo o lábio.
- Ok, eu te deixei descansar um pouco, mas temos que voltar ao trabalho. - %Ryan% falou e segurou a risada quando ouviu %Annie% reclamar.
- Amor, por favor, eu estou cansada. - %Ryan% fez um barulho com a boca e tirou a garrafa da mão dela, jogando no chão e puxando-a pela mão. - Hoje é sábado!
- Exatamente por isso, nós temos que aproveitar bem o tempo.
%Annie% torceu a boca e o namorado soltou a mão dela, ela respirou fundo antes de começarem tudo de novo, porém, ela sentia um olhar diferente de %Ryan%.
Beirava a provocação e a malícia, mas cansada do jeito que estava sequer ligou uma coisa com a outra.
Foi só quando ele, em um movimento rápido, rodopiou %Annie% que caiu no tatame da academia e %Ryan% subiu em cima dela, que sentiu um certo volume que não estava ali antes.
Ela mordeu o lábio para controlar o sorriso, olhando para o namorado sabendo exatamente por que ele tinha feito aquilo.
- Você está chegando perto. - ele concluiu, olhando toda a extensão do rosto dela enquanto apoiava as mãos em cada lado da cabeça dela.
%Annie% sentia o quadril de %Ryan% encostado no seu e ela não conseguia sequer lembrar onde estavam e o que estavam fazendo.
- Você também. - sussurrou, levantando uma sobrancelha, olhando de relance para os corpos se tocando.
- Eu estou falando da luta. - ele fingiu inocência e ela riu, voltando a encará-lo nos olhos.
Pura conversa de sedução que ela estava adorando.
Foi por isso que ela levantou a cabeça o suficiente para morder o lábio inferior dele de leve e trazer para si, ganhando um grunhido dele.
- E do que você acha que eu estou falando? - ela provocou e em resposta %Ryan% roçou o quadril no dela.
%Annie% precisou fechar os olhos para conter um gemido.
- Nós temos que sair daqui antes que eu não consiga chegar ao meu apartamento. - ele avisou, respirando fundo.
%Ryan% levantou, desfazendo todo o contato com %Annie% que abriu os olhos e fez um biquinho.
Poxa, estava tão bom.
- Ou o quê? - ela perguntou, curiosa e estendeu a mão para que ele a ajudasse a levantar.
Seria uma boa ele carregá-la até o apartamento, estava tão cansada.
Assim que %Ryan% o fez, a olhou intensamente, arrancando um suspiro dela.
- Ou eu vou ter você aqui mesmo. - apontou para o chão da academia, puxando-a pela mão.
%Annie% sentiu todo o rosto queimar e deixou-se ser levada pelo namorado apressado. Gostava quando ele era fofo e cavalheiro, mas o corpo reagia de forma diferente quando ele era direto e sério, o que não era sempre.
Algo dizia que a noite seria bem longa.
[...]
%Annie% e %Ryan% estavam tentando recuperar o fôlego do que tinha sido uma noite repleta de amor, não tinha outra palavra para descrever.
Ela acariciava o rosto dele enquanto observava cada centímetro já gravado em sua memória enquanto ele fazia movimentos circulares na cintura desnuda dela, os olhos fechados indicando que ele estava relaxado. A expressão serena que só tinha quando estava com ela.
Era madrugada e embora ambos estivessem completamente esgotados, não conseguiam dormir, precisavam aproveitar o tempo que tinham antes da rotina da semana impedi-los de até mesmo se falar.
%Annie% sentiu o estômago roncar e o barulho ecoou pelo quarto silencioso, isso fez com que %Ryan% abrisse os olhos de pura surpresa. Assim que se entreolharam, começaram a rir.
- Acho que é a deixa para perguntar se você quer comer alguma coisa. - %Ryan% sentou-se na cama e a mão de %Annie% caiu por seu peitoral.
- Eu até quero, mas eu tô com uma preguiça. - %Annie% falou manhosa e %Ryan% sorriu, se aproximando para beijar a testa dela.
- Não tem problema, eu trago pra você. - ele garantiu e ela concordou com a cabeça. - Você quer…
%Ryan% foi interrompido por um barulho de algo quebrando na sala e ele ficou rígido de repente,
%Annie% seguiu o olhar dele até a porta do quarto como se estivessem tentando adivinhar o que tinha acontecido.
Ela levantou o tronco da cama ao mesmo tempo em que %Ryan% levantava da cama, pegando a cueca do chão e vestindo rapidamente, assim que livres suas mãos foram para a arma em cima do criado mudo e a destravou.
Isso chamou a atenção de %Annie% que agarrou o lençol com força, trazendo-o para o pescoço.
O namorado adotou uma pose defensiva e quieta, esperando por mais algum ruído vindo do apartamento, seus ouvidos apurados e o fato de sequer estarem respirando tamanha tensão ajudou a perceber barulho de passos. Mais especificamente de botas de combate.
- Vai pra debaixo da cama. - sussurrou para %Annie% que o olhou em pânico, mas ao ver a expressão séria do namorado, concordou.
%Annie% pegou a camiseta de %Ryan% que tinha ido parar na cabeceira da cama e vestiu, sem emitir nenhum ruído ela fez o que ele mandou, sentindo as mãos ficarem frias e o coração acelerar.
Sequer precisou perguntar a %Ryan% o que ele faria, viu o namorado ir em direção a porta e precisou cobrir a boca com as mãos para não pedir para ele ir.
Seria inútil de qualquer forma.
%Ryan% agora estava como o soldado que ela tinha visto em ação e não iria contestar nenhuma ação dele.
Era madrugada e um barulho daquele não seria feito pelo vento ou um gato do vizinho. Tinha conseguido esquecer do ataque dos rebeldes a aquele prédio, mas parecia que o edifício não dava muita sorte para ela.
%Ryan% pôs-se perto da porta, na parede porque ele não era burro de ficar na frente, e ouviu cada mínimo barulho. Era muito bem treinado para aquilo.
Barulhos de sussurros que ele não conseguiu identificar o que diziam, estavam na cozinha, muito perto do corredor que levava até o quarto onde estava, não conseguia ver as posições dos invasores, mas poderia imaginar cada um de um lado, dando cobertura.
Também era impossível saber a quantidade, mas não esperava mais do que 3.
Ao ouvir um deles ajustando a arma nas mãos, ele entrou em modo de combate. %Annie% estava ali e deveria mantê-la segura.
Essa era a sua missão.
Convicto de sua análise, ele agachou, olhou para baixo da cama e viu %Annie% encarando-o assustada, ele pediu que ela ficasse em silêncio e mexeu devagar na maçaneta até sentir que a lingueta da porta não estava mais no lugar, ajustou a arma na mão e abriu a porta com rapidez.
Por um momento, conseguiu iludir os invasores que não viam ninguém na porta, apenas o breu e então %Ryan% posicionou a frente e atirou no primeiro que estava à esquerda, certeiro no meio do peito.
Quando o primeiro caiu, %Ryan% voltou a sua posição enquanto tiros eram disparados contra ele. %Annie% gritou ao ouvir os tiros altos e confusos dentro do quarto, levando as mãos até os ouvidos enquanto os demais invasores entraram no quarto em busca dela.
Mas %Ryan% foi mais rápido, assim que o segundo entrou, ele atirou no pé e depois na cabeça. O cara caiu no chão e %Annie% berrou ao ver o corpo já sem vida na sua frente, acabou batendo a cabeça na cama e fechou os olhos, querendo que aquilo acabasse logo.
Ela não conseguiu ver %Ryan% finalizar o último invasor, com um tiro na mão e outro na jugular. Não demorou para que ele caísse aos pés de %Ryan%, engasgando com o próprio sangue e sendo observado por %Ryan% com olhos frios e duros.
Quando teve certeza que o cara estava morto, assim como os outros dois, ele andou com cautela pelo apartamento em busca de mais invasores, mas tudo o que encontrou foi a sua sala remexida em pontos específicos.
Estava tudo limpo.
Voltou correndo para o quarto e foi até %Annie% que chorava debaixo da cama, ele deixou a arma em cima da cama e estendeu a mão para segurar o braço dela. %Ryan% a ajudou a sair e assim que se pôs de pé, %Annie% o abraçou forte.
Ele fechou os olhos e levou uma mão até os cabelos dela, acariciando com uma calma que ele não estava sentindo, mas que queria transmitir a ela, a outra mão a segurou pela cintura enquanto ela se desmanchava nos braços dele, com o rosto no peito dele.
%Annie% via os flashes daquele dia da invasão passar em sua cabeça com rapidez, sentia como se estivesse passando por aquilo de novo.
Não era possível que ela e %Ryan% não teriam um dia de paz.
- Ei, está tudo bem agora. - ele falou, sentindo o coração despedaçar ao ouvi-la soluçar. - %Annie%, amor. - ele chamou a atenção dela, levando a mão até a bochecha dela, fazendo-a se afastar para encará-lo. - Eu estou aqui, você está segura.
Ela respirou fundo ao ouvir aquilo, seus olhos automaticamente foram para os corpos caídos pelo quarto do namorado.
Sua cabeça imaginou milhares de cenários diferentes.
E se ambos estivessem dormindo? Teriam morrido? E se %Ryan% não tivesse acordado? Ela teria feito alguma coisa? Quem eram aqueles homens e porque tinham invadido a casa de %Ryan%? Como conseguiram isso?
- Não faça isso. - ele pediu, trazendo o rosto para o campo de visão dela, a fim de fazê-la olhar para ele ao invés dos corpos. - Não pense nisso.
Ela concordou com a cabeça, ainda sem forças para falar, e o abraçou de novo para ter certeza de que sim, estava bem e segura. Por enquanto.
Porque agora, entendia na prática a necessidade de se defender.
Fez exatamente o que %Ryan% pediu para não fazer.
Pensou naquilo.
[...]
- Você é um idiota! - esbravejou, batendo o punho contra a mesa de madeira de seu escritório. - Vocês só tinham uma missão e nem era tão difícil assim, seu incompetente.
- Chefe, eu sinto muito mas o soldado, ele era… - tentou se justificar, mas foi interrompido por uma risada sarcástica.
- Sozinho! Ele estava sozinho!
- Eu ouvi a voz de uma mulher pelo rádio, foram pegos de surpresa.
O homem parou ao ouvir aquela informação.
Uma mulher? Não podia ser a…
Não, ele se recusava a sequer imaginar isso.
- E agora estão mortos sem nem sequer ter feito cócegas naquele verme. Vocês foram pagos para uma coisa e mesmo assim falharam, eu devia ter deixado vocês só vigiarem mesmo! - o homem respondeu, bravo, sequer respirava de tanta raiva. - Saía do país antes que eu te encontre e termine o serviço do %Mackie% porque pode ter certeza, se ele não for atrás de você, eu irei.
Desligou o telefone e quis jogar tudo o que via pela frente. Xingou e bateu na mesa novamente, desejando que aquele fosse o rosto de %Mackie% para que ele pudesse fazer aquilo.
Tirou um cigarro do bolso da calça e acendeu rapidamente, virando a cadeira para a janela atrás de si, observando a cidade quieta do lado de fora, ele deu um trago e soltou a fumaça com raiva.
Aquela teria sido a noite perfeita se tivesse contratado as pessoas certas para o serviço.
Mas tinha subestimando a inteligência de %Mackie%, sabia que era um capitão muito bem treinado, mas isso não deveria valer naquele dia.
Não quando tinha encomendado a sua morte.
Sorriu largamente ao se dar conta que ainda tinha tempo para isso, poderia fazer do jeito fácil: rápido e certeiro. Mas também poderia fazer do jeito difícil. Lento e doloroso.
Gostava mais da segunda opção.
E daria a ele exatamente isso. Ansiava pelo dia que mataria %Ryan% %Mackie%, e pelo jeito, teria que fazer isso com as próprias mãos.
[...]
%Annie% olhava para o nada enquanto estava sentada na bancada da cozinha de %Ryan%, perto da pia. Sua cabeça ainda doía, tanto pelo impacto quanto pela confusão da madrugada, ainda era manhã de domingo, mas a equipe de %Ryan% e a perícia já estavam lá.
Ela sentia os olhos pesados, mas sua cabeça não conseguia desligar do ocorrido e embora estivesse exausta de tudo, mesmo se caísse na cama agora não iria conseguir dormir.
Ouvia o amado conversar baixo com a equipe, mas não tinha forças para focar no que diziam, sua cabeça pensava em tudo e em nada ao mesmo tempo.
Viu quando levaram os corpos para fora do apartamento e sentiu um frio de repente, abraçando o próprio corpo como se pudesse afastar a sensação.
No quarto, %Ryan% conversava com Connor. O capitão estava possesso, era tão óbvio em seu olhar que iria atrás de quem tivesse ousado invadir sua casa, com a sua namorada lá ainda por cima, nenhum dos soldados tentou dizer para que ele fizesse o contrário. Esquecer não era uma opção.
Uma longa e pessoal investigação seria feita, disso não restava dúvidas. O problema agora era o que dizer a %Annie%.
Contar o que ele havia descoberto, que aqueles invasores eram membros de uma facção do país vizinho, mercenários contratados por um único motivo não parecia viável. A namorada tinha levado tanto tempo para esquecer o atentado no passado, como poderia fazê-la reviver o trauma?
Porque sabia que ela o faria.
Mas não poderia dar uma desculpa qualquer, %Annie% não era besta, sabia que o que tinha acontecido ali era sério, nunca o apartamento de %Ryan% tinha sido invadido. Até porque ele nunca tinha estado em uma missão tão perigosa quanto aquela e se alguém tinha mandado uma equipe para matá-lo, significava que estava perto. Muito perto.
%Ryan% acompanhou todos até a porta assim que cada um cumpriu a sua função, %Annie% deu um tchauzinho para a equipe, e foi quando ele virou-se para encará-la sentindo os ombros cederem ao vê-la tão vulnerável.
%Annie% observou %Ryan% se aproximar em passos largos e lentos demais para ela, seus olhos firmes combinavam perfeitamente com a postura rígida que ele tinha adotado desde que levantou da cama e não desfez enquanto a equipe estava lá.
Mas tudo isso passou quando ele colocou as mãos em ambos os lados da cintura dela, %Annie% quis sorrir, mas estava sem forças então o envolveu com as pernas enquanto levava os braços em volta do pescoço dele, %Ryan% suspirou e então levou a cabeça até o tórax de %Annie%.
Não tinha nada de sexual ali, ele só precisava sentir o calor dela, como se aquilo pudesse de alguma forma recarregar as forças dele. E poderia.
%Annie% então fechou os olhos, apoiando o queixo na cabeça do namorado e levou uma das mãos até o cabelo dele, fazendo um carinho lento entre os fios.
- Eu gosto quando o seu cabelo está maior. - ela constatou, sentindo %Ryan% rir contra seu corpo.
- Logo eu tenho que cortar. - %Annie% soltou um muxoxo e não estendeu o assunto, assim como %Ryan%.
Poderiam ficar ali por um bom tempo, era desse jeito que ele queria que todas as suas manhãs fossem, mas até chegar lá tinham um longo caminho.
Ele se afastou de %Annie% que fez bico com a falta de contato, a careta que %Ryan% achou extremamente fofa foi beijada rapidamente por ele.
- Vem, eu te levo pra casa. - acariciou a coxa de %Annie% para que ela afastasse as pernas dele e o liberasse para dar dois passos para trás.
- Você não vai… querer ajuda? - ela perguntou receosa, vendo-o estender a mão para ajudá-la a descer da bancada um tanto quanto confuso. - Para limpar a bagunça?
Os olhos de %Annie% percorreram por trás do ombro de %Ryan% e ele entendeu o recado, ficando sério novamente.
A última coisa que queria ver era %Annie% lavando o piso ensanguentado de seu quarto.
- Você precisa descansar, amanhã você tem um longo dia no escritório. - ele lembrou e ela concordou, segurando a mão do namorado e saindo da bancada.
- Você sabe que eu não me importo.
%Ryan% beijou a ponta do nariz dela e sorriu de leve.
- Eu sei, mas eu consigo fazer tudo isso sozinho. Não tem tanta coisa para arrumar de qualquer forma.
%Annie% levantou a sobrancelha, questionando-o silenciosamente, mas ele apenas fez um carinho na mão dela.
Ela então respirou fundo e deixou ser levada pelo namorado, enquanto %Ryan% pegava as chaves do carro e sua carteira na mesinha de centro, %Annie% olhou para o corredor e observou a mancha de sangue.
Ultimamente, essa era uma cor que vinha perseguindo-a e pelo jeito não iria parar.
Mas se dependesse de %Ryan%, o único sangue que seria derramado era do covarde que tinha transformado sua vida pessoal em uma zona de guerra assim como os extremos da fronteira.
Ele era um soldado e sabia pelo o que estava lutando, acima de tudo para manter %Annie% segura.
[...]
Há 3 anos e 2 meses. Casa da família Soares.
20:07 PM.
- Já veio se despedir, cara, eu só vou partir amanhã. - Connor brincou, fechando o zíper da mala militar, e virou para encarar o amigo.
%Ryan% estava com a cabeça abaixada, tinha uma postura bem diferente da que as pessoas estavam acostumadas. Quase como de quem havia pedido o rumo da vida, bem desanimado.
- Você por um acaso tem uma mala dessa para me emprestar? - ele perguntou baixo e levantou a cabeça para olhar o amigo. Connor se assustou ao ver o rosto vermelho e inchado de %Ryan%. - Porque eu vou junto.
%Ryan% levantou o papel do seu alistamento, tinha saído de lá direto para a casa do amigo. Se sentia mais em casa ali do que na sua própria casa.
- O quê? - foi o que Connor conseguiu dizer e viu %Ryan% caminhar para até a cadeira da mesa de escrivaninha do amigo, o olhar perdido. - Tá bom, boa piada, eu sei que você jamais se alistaria…
- Mas me alistei. - %Ryan% interrompeu, mais sério dessa vez, estendeu o papel para o amigo ler antes de se jogar na cadeira. - É sério.
Connor se sentou na cama, chocado enquanto via a ficha de alistamento voluntário.
Não era piada.
Conhecia a família %Mackie% e sabia como o amigo cedia as vontades dos pais, então ir para o exército não estava nos planos de %Ryan%.
Ou pelo menos não sabia que estava até então.
- Por quê?
%Ryan% suspirou, balançando a cabeça que doía intensamente.
Tinha sido a pior noite da vida dele e nem tinha acabado.
- Eu amo alguém. - admitiu, esperou Connor dizer algo, mas ele permaneceu em silêncio. - E não posso estar com ela por causa das regras idiotas da minha família. Então eu simplesmente vou fazer o que eu quiser a partir de agora.
- É a %Annie%, não é? - Connor perguntou mas não precisava da resposta, pois ao ver os olhos de %Ryan% encontrar os deles por ter mencionado o nome da garota era suficiente. - Não que fosse surpresa para alguém, todo mundo que te conhece sabe como você estava diferente desde que a conheceu.
%Ryan% sorriu triste, olhando para as próprias mãos.
- Ela mudou a minha vida e eu estraguei tudo. - ele negou com a cabeça, se sentia um covarde. Um fraco. - Eu nem consegui dizer que a amava.
- Ela sabe, %Ryan%. Talvez vocês possam sentar e…
- Não, você não entende. - ele passou as mãos no cabelo. - Ela me odeia, eu a magoei demais, ela acha que eu só a usei.
- E a usou? - Connor questionou, com a sobrancelha levantada.
- Não, jamais. - %Ryan% prontamente respondeu. - Eu nunca me senti tão vivo como eu me sentia quando estava com ela.
- Então por que você não tenta explicar?
- Eu tentei, mas ela ouviu a minha mãe conversando com a sua sogra, todas as mentiras e planos que eles fizeram pra mim nos últimos anos, eu nunca mencionei nada, então como você acha que ela se sentiu?
Connor respirou fundo.
É, não sabia, mas podia imaginar.
- Espera então desde aquela vez que você tentou perguntar o que aconteceria se você namorasse alguém que eles não tivessem escolhido…
- %Annie% não sabia da minha relação com os meus pais. - %Ryan% explicou. - Era tão bom estar com ela porque eu esquecia de tudo isso, eu não queria deixá-la insegura com as imposições dos meus pais.
Há poucos dias %Ryan% havia tentado explicar aos pais que estava saindo com %Annie%, queria achar um jeito de assumi-la finalmente. Só que a conversa não havia acabado bem, como sempre o pai autoritário havia obrigado %Ryan% a terminar tudo com quem quer que fosse a garota. Sequer conseguiu explicar o que sentia sem antes o pai socar a mesa de jantar, se retirando aos berros para que ele parasse de vê-la.
%Ryan% ficou furioso e sem pensar duas vezes, saiu de casa. Bom, não definitivamente, passou uns dias na casa de Connor para acalmar os ânimos e tentar uma nova abordagem.
Estava tudo correndo como planejava, até %Annie% descobrir tudo pela mãe dele, que provavelmente soltou seu veneno para a mãe de Lynn.
Mesmo %Annie% descontando toda a sua raiva e frustração nele, não podia dizer que não entendia, muito pelo contrário. Se fosse ela, faria o mesmo.
- E você vai simplesmente desistir? - Connor perguntou e %Ryan% o olhou, decidido.
- Antes de querer ser e estar por inteiro com ela, eu preciso caminhar com as minhas próprias pernas. Me desfazer de todas as amarras da minha família. Ela merece alguém muito melhor do que o que eu sou hoje.
- E isso - Connor levantou a ficha de alistamento. - é o suficiente?
- Não, mas é o começo da minha liberdade.
Connor sorriu, quase orgulhoso de ver o amigo daquele jeito. Estava sim arrasado, mas não derrotado.
- Que ironia, a guerra sendo a chave para o amor dessa vez.
%Ryan% riu, contido.
- E você é poeta desde quando?
- Desde sempre. - Connor jogou o travesseiro para %Ryan% que não conseguiu afastar a tempo de acertar sua cara. - Soldado.
- Cuidado, Connor, eu posso ser seu superior na guerra.
Connor gargalhou.
- Tá chegando agora e quer sentar a janelinha? Vá a merda, %Mackie%.
%Ryan% riu, era engraçado ouvir aquilo de Connor porque a frase era na verdade da namorada dele.
- Eu já tô. - ele de ombros e Connor o olhou.
- Qual o próximo passo?
%Ryan% levantou da cadeira, indo até o amigo, pegando a ficha.
- Informar que embarco amanhã.
Connor concordou com a cabeça.
- Boa sorte, rebelde renegado.
%Ryan% forçou um sorriso antes de apertar a mão do amigo e se despedir, indo para fora da casa rumo a sua própria onde a primeira batalha seria travada.
Connor respirou fundo antes de procurar o celular e ligar rapidamente para Lynn.
- Amor, acho que a %Annie% vai precisar de você.
Nota da Autora: Talvez eu seja suspeita para falar maaas esse é o meu capítulo favorito até o momento então eu espero que vocês gostem ☺️
E se preparem para as emoções que estão por vir 👀
Até o próximo capítulo 😘
Se vocês quiserem ler Military ouvindo a playlist que eu criei no Spotify, eu aconselho 😉