Military Dignity – Endless War


Escrita porMaari F.
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 04 • All you need is inside your mind

Tempo estimado de leitura: 58 minutos

  Atualmente. Apartamento do %Ryan%.
  12:45 AM.

  %Annie% estava curiosamente em silêncio para quem estava cheia de vontade de conversar até poucos dias atrás, na visão de %Ryan%.
  Mal sabia ele as cenas que passavam na cabeça da mulher, daquele fatídico dia em que ela se sentiu traída por todos a sua volta e por aqueles que amava mais do que tudo.
  Jurou para si mesma que nunca voltaria a falar e sequer pensar naquele dia, mas agora era praticamente impossível tendo em vista que a megera da sogrinha estava por perto como um tubarão faminto cercando.
  Ela não percebeu quando %Ryan% trancou a porta do apartamento e sorrateiramente se aproximou dela por trás, repousando sua mão na cintura dela suavemente enquanto depositava um beijo em seu ombro desnudo, %Annie% voltou de seus devaneios ao sentir os lábios molhados dele em sua pele sem se assustar tanto.
  - Você está quieta, isso é tão incomum. - ele comentou, fazendo-a sorrir de leve rapidamente.
  - Está me chamando de tagarela, %Mackie%? - se virou fingindo estar brava, mas era tudo encenação.
  - Comparado a mim, você fala bem mais do que... é, eu tô sim.
  %Annie% fez uma careta de brava antes de acertar um tapa no braço dele, ou melhor, tentar acertar já que ele desviou mais rápido do que um piscar de olhos. Habilmente, %Ryan% segurou o punho dela sem fazer muita pressão em volta.
  - Você sempre se esquece que eu tenho um reflexo perfeito.
  - Sabia que eu odeio isso?
  %Ryan% sorriu maroto antes de soltar o punho dela e envolver sua cintura, trazendo-a para mais perto de seu corpo.
  - Odeia mesmo? - ele levantou uma sobrancelha.
  %Annie% não conseguiu mais fingir a pose de brava e riu, em seguida mordeu o lábio inferior.
  - Não. - ela beijou o canto da boca dele.
  - Vai me dizer o que você tem? - ao perguntar, pôde sentir a mulher ficar mais tensa, com o olhar perdido na gola de sua camiseta.
  Estava preocupado, os olhos de %Annie% não estavam alegres e positivos como de costume. Sabia que tinha acontecido alguma coisa e que ela não queria contar.
  - Podemos comer primeiro? Estou faminta.
  %Ryan% concordou, percebendo que ela estava tirando um tempo para criar coragem e contar, daria esse tempo.
  Ele a soltou e foi até a bancada da cozinha que dividia a sala da mesma.
  - Comprei sua comida favorita. - avisou e viu quando ela sorriu largamente ao ver a caixa do melhor restaurante japonês. - Eu sei que você gosta de cozinhar, mas vamos tirar uma folga só no almoço.
  - Tudo bem.
  %Annie% pegou a caixa e levou para a sala, colocando na mesinha de centro e vendo %Ryan% voltar com os pratos e copos, assim que ele se sentou ao seu lado no tapete fofo ela beijou sua bochecha esquerda.
  - Obrigada. - agradeceu sinceramente e ele apenas piscou em resposta.
  Desembalaram a comida e se serviram, %Ryan% voltou para a cozinha a fim de pegar o refrigerante, quando sentou novamente %Annie% já se saboreava com o salmão.
  - Você avisou seus pais que vai passar o final de semana aqui? - ele começou a comer.
  - Hm… - %Annie% mastigou antes de continuar: - Você precisa ver a mensagem que minha mãe me mandou.
  Ela tirou o celular do bolso da calça e desbloqueou, procurando o que queria e quando achou, estendeu o aparelho para %Ryan%.

“Mãe, não se esqueça que vou dormir no %Ryan% de hoje para amanhã. Volto no domingo à noite.”
“Usa proteção! E não façam muito barulho a noite, os vizinhos precisam dormir.”

  %Ryan% engasgou com a comida enquanto ria não só da mensagem da sogra mas também do meme do Shrek que %Annie% havia mandado como resposta.
  - Sua mãe é demais! - tomou um gole de refrigerante para tentar se recompor.
  - Você fala isso porque não foi você quem teve que explicar o porquê de ter voltado com a camiseta do avesso outro dia.
  - Ah, aposto que ela nem ligou pra isso, %Annie%.
  - Eu não tô falando da minha mãe.
  A mulher teve que se segurar para não gargalhar da cara de assustado do namorado.
  - Seu pai? Você contou pro seu pai? - %Ryan% não era de demonstrar medo, nem ao menos receio, afinal era um militar, mas quando envolvia o pai da namorada e o fato do mesmo saber o que ele andava fazendo com a filha do coroa lhe dava um certo apavoro.
  - Não é como se ele não tivesse reparado no meu lábio inchado e vermelho, né %Ryan%. - ela o olhou sugestivo antes de devorar de novo a comida.
  - Eu sou um cara morto. - ele passou a mão na testa.
  %Annie% riu.
  - Você é militar e dos bons, e está com medo do meu pai aposentado por invalidez? - questionou depois de mastigar a comida, achando engraçado a cena.
  - Ei, seu pai fabricava armas! - se defendeu.
  - Não, ele arrumava e polia as armas, é diferente.
  - %Annie%, eu sou um cara correto e antiquado. Se seu pai sabe que dormimos juntos, no mínimo eu tenho que pedir a sua mão.
  A naturalidade com que o rapaz falou pegou a mulher de surpresa e ela nem conseguiu esconder o queixo caído.
  Aquilo era um pedido?
  - Não que eu esteja… - ele fez gestos com a mão, parecendo tentar achar as palavras certas para explicar o que queria dizer.
  - O quê? Me pedindo? - %Annie% levantou uma sobrancelha, questionando-o. Exatamente como ele havia feito agora há pouco.
  %Ryan% respirou fundo e sorriu de lado, pensou muito, mas decidiu engolir a resposta que tanto queria. Agora não era o momento.
  - Dizendo que isso só vai acontecer por pressão do seu pai. - ele segurou a mão livre de %Annie% e a levou até seus lábios, depositando um longo beijo nas costas da mesma.
  Eles se encararam por um longo tempo, talvez se dissessem algo estragaria o momento, sabiam a resposta um do outro e principalmente a vontade.
  Casar era o sonho de %Annie%, embora no passado sempre pensara que isso nunca ia acontecer, seus sonhos se tornaram realidade quando %Ryan% apareceu.
  E ele então, casamento nunca foi um desejo em seu coração, ainda mais tendo crescido em uma família que tal evento era apenas para tirar vantagem nos negócios, só que tudo mudou quando conheceu %Annie%. Soube no instante em que colocou os olhos nela que aquele conceito que aprendera havia mudado.
  E então, mesmo o assunto se encerrando por hora, eles voltaram a comer em um silêncio agradável.
  %Annie% suspirava de vez em quando, sabendo que agora mais tranquila, ela poderia jogar a bomba de vez sem que %Ryan% engasgasse com o temaki. Afinal, falar de Cristina %Mackie% levaria mais do que apenas algumas horas, levaria também a paz que se instalara ali.

[...]

  Não era surpresa algumas peças de roupa de %Annie% estarem guardadas no apartamento de %Ryan%, ela praticamente se mudava para lá todo final de semana, então aproveitou para tirar aquela calça jeans apertada e trocar por um shortinho confortável preto. Confortável e tentador para %Ryan%, já que assim que ela passou indo em direção ao sofá a roupa chamou a atenção não só de seus olhos mas também de suas mãos.
  Ele sorriu ao vê-la desbloquear o celular e fazer um biquinho enquanto mexia no aparelho, %Ryan% aproveitou para tirar a camiseta e levá-la rapidamente para a lavanderia.
  Quando voltou viu que a namorada ainda estava entretida no celular, se aproximou e cruzou os braços.
  - Peraí %Ryan%, eu só vou responder… - %Annie% levantou os olhos rapidamente para encarar o namorado, mas voltou quando viu algo de diferente. - ...a Lynn. - sua voz perdeu força ao encarar o tórax nu do namorado, seus olhos o analisaram de cima a baixo.
  Começou pelo cós da calça que cobria as entradas do rapaz, subiu pelo umbigo e a barriga que não era trincada como um atleta de fisiculturismo, mas que tinha alguns gominhos em evidência, o peitoral largo e forte era coberto pelos bíceps do rapaz que ainda permanecia de braços cruzados, subiu pelas clavículas e passou pelos ombros, parte na qual era a favorita da mulher. Só perdia para o dorso.
  Sem perceber, %Annie% mordeu o lábio inferior enquanto analisava minuciosamente cada pedacinho de pele exposta de %Ryan%.
  Ele sorriu em vê-la tão hipnotizada, sabendo que o mesmo efeito que ela causava nele, ele conseguia causar nela.
  Bom, ela tinha feito muitas coisas com os hormônios dele só de ter vestido aquele shortinho, era justo retribuir a euforia. Certo?
  - Mas ela já tá atrapalhando de novo? Me dá isso aqui. - ele pegou o telefone de %Annie% que parecia estar ainda fora de órbita. %Ryan% apertou e arrastou o botão de áudio e falou: - Lynn eu tô tentando ter um momento com a minha namorada aqui, será que você pode encher o saco mais tarde? Às nunca e meia, pode ser?
  Ele mandou o áudio e %Annie% começou a rir, sabia que era brincadeira e sabia que a melhor amiga provavelmente mandaria uma resposta mal educada zoando também.
  - Ela vai te matar. - %Annie% negou com a cabeça e viu %Ryan% se sentar do seu lado no sofá.
  - Eu tenho muito medo da Lynn. - revirou os olhos.
  O celular de %Annie% vibrou e ela colocou o áudio da melhor amiga para tocar.

"- Vá a merda, %Mackie%. Eu sou a noiva aqui, meu filho, tenho prioridade. Dá licença… Ô %Annie% dá um jeito no seu namorado, isso daí é vontade reprimida, não tenho culpa se ele não tem se divertido com você."

  O casal riu, embora a melhor amiga mantivesse a voz séria era óbvio que ela estava brincando. Exceto pela parte que aquilo era vontade reprimida, até %Ryan% concordava com aquilo.
  - Primeiro minha mãe, depois meu pai e agora a Lynn, sério o que eles pensam que nós fazemos no seu apartamento o dia todo? - %Annie% bloqueou o celular depois de ter mandado um emoji para a Lynn em resposta.
  - Olha, eu não sei o que eles pensam… - %Ryan% levantou a mão para acariciar a bochecha da mulher. - Eu sei o que eu quero fazer com você.
  %Annie% sentiu as bochechas esquentarem.
  - %Ryan%! - tentou parecer brava, mas estava apenas com vergonha.
  - Senti sua falta. - ele confessou, olhando-a ternamente.
  - Eu também senti a sua. - ela fechou os olhos e encostou as testas.
  Automaticamente as mãos dela foram para o tórax do rapaz e ela inspirou o perfume que ele emanava, devia ser proibido um homem daquele cheirar tão bem daquele jeito aquela hora do dia.
  As respirações calmas se encontraram e então em questão de segundos, os lábios fizeram o mesmo, como se fossem imãs eles se uniram em um beijo cheio de carinho, devagar e do jeito que precisavam.
  As mãos de %Ryan% a segurou com força na cintura e a trouxe para mais perto de seu peitoral, cobrindo-a em um abraço apertado enquanto os dedos brincavam com a ponta da blusa, %Annie% no entanto subiu as mãos devagar a nuca do namorado e sentiu a pele do mesmo eriçar sobre suas palmas.
  %Ryan% então, sentindo que só aquilo não era o suficiente começou a se inclinar sobre o corpo dela, que prontamente se deitou no sofá e as pernas se encaixaram na cintura dele.
%Annie% sugou o lábio do namorado quando o mesmo começou a subir sua regata e suas mãos encontravam a pele macia e quente de sua barriga.
  Assim que a peça fora jogada pela sala, ambos se olharam e o que pareceu uma eternidade era apenas o começo do que ainda estava por vir, sentiam não só seus corpos se conectando, mas naquela troca de olhares, também suas almas. Foi o suficiente para que %Annie% o puxasse pela nuca e recomeçasse um beijo mais apressado em que as mãos já não estavam mais pacatas e passeavam livremente pelas partes que eram descobertas.
  Da boca só se saiam sons de satisfação e 'eu te amo' ao mesmo tempo em que se encontravam da forma mais íntima possível.
  Não era apenas desejo carnal.
  Quando estavam juntos daquele jeito era muito mais.
  O poder que cada um exercia sobre o corpo e a mente do outro era fora do normal. Preocupações, ansiedades, medo… nada daquilo importava mais.
  Finalmente, ao chegarem ao ápice, os troncos se encontraram e os corações bateram na mesma velocidade, criando a sintonia perfeita.
  %Annie% soltou o ar e abriu os olhos, vendo que %Ryan% a encarava de uma forma inexplicável. Ele apenas encostou os narizes e fez um carinho, sorrindo em seguida e deixando a namorada com as pernas ainda mais fracas.

[...]

  O casal estava deitado no sofá, já haviam vestido algumas peças de roupa, o rapaz abraçava %Annie% pela cintura e beijava seu pescoço de vez em quando enquanto ela acariciava sua mão que a envolvia, encostada no peitoral forte dele, mas seus pensamentos estavam longe.
  Ela tentava criar um jeito de falar sobre os encontros que tivera com a sogra sem afetar o modo como o namorado via a família, o relacionamento deles já não era dos melhores, não queria ser a causadora de maiores problemas.
  Mas como dizer que sentia um medo e um arrepio terrível toda vez que a mãe dele lhe dirigia a palavra ou simplesmente olhava em sua direção?
  - ...%Annie%? - escutou %Ryan% falar ao fundo e balançou a cabeça, voltando a realidade.
  - Oi?
  - Escutou o que eu disse? - questionou a amada, mas sabia a resposta.
  Ela estava aérea. Até demais.
  E isso não era bom.
  - Não, desculpa. O que foi?
  - O que você tem? - %Ryan% beijou sua bochecha dessa vez e a viu respirar fundo antes de começar:
  - Preciso te contar uma coisa.
  %Ryan% sentiu que a namorada ficou tensa e desfez o abraço quando sentiu a mão dela pedindo para que assim o fizesse, em seguida ela sentou de frente para ele.
  - O que aconteceu? - Ela estava séria, piscava mais do que o normal e molhava os lábios com a própria língua para poder falar. Mas os olhos dela já diziam tudo.
  A expressão no rosto de %Annie% era de puro desconforto e insegurança, ela parecia um filhotinho que precisava buscar comida sozinho sem a mãe.
  Cortava o coração de %Ryan%.
  - Eu conheci sua mãe. - ela decidiu soltar a bomba de uma vez e mordeu a parte interior da boca ao ver que o amado travou o maxilar.
  Os dois ficaram em silêncio por um tempo.
  %Annie% sem saber como continuar e %Ryan% tentando controlar a raiva que começava a borbulhar em suas veias.
  - Onde? - decidiu perguntar ao ver que %Annie% esperava ele dizer alguma coisa.
  - Bom, tecnicamente foi quando você estava em coma. - ela deu de ombros, receosa.
  - E você não me contou antes por que…
  - Eu estava com medo, %Ryan%. Por causa de toda aquela situação, você quase morreu e eu fui feita de refém no meio da invasão. E sei as regras da sua família, não queria ser um motivo de desunião entre vocês. - tagarelou.
  %Ryan% apenas balançou a cabeça.
  - Ela te maltratou, não foi? - %Ryan% não precisou escutar a resposta positiva de %Annie%, só a feição dela já respondeu.
  - Não, é que...eu…
  - %Annie%, não faça isso, por favor. - pediu e ela se calou. - Não tente proteger a minha mãe. Eu a conheço melhor do que qualquer pessoa, sei exatamente o que ela fez com você. Então só me responde, ela te maltratou?
  - Sim. - %Annie% respondeu sem conseguir olhar nos olhos do amado.
  - E não foi a única vez que vocês se encontraram. - adivinhou.
  %Annie% suspirou. Era difícil esconder qualquer coisa dele.
  - A gente se esbarrou hoje na loja de vestidos. - contou. - Quer dizer, eu esbarrei com a Emily Bittencourt, e literalmente fui ao chão.
  %Ryan% franziu a testa, já imaginando o que as duas estavam fazendo juntas.
  - E minha mãe aproveitou para enfiar minhoca na sua cabeça, não foi?
  - Ela disse que você e a Emily são bem íntimos. - %Annie% coçou a nuca, tentando de algum modo espantar aquele desconforto ao lembrar do acontecido porém era impossível.
  Confiava em %Ryan% e sabia que ele não tinha nada com a Bittencourt e nem queria, mas não podia dizer o mesmo sobre ela. Sabia que a mulher queria %Ryan%.
  - Minha mãe é… - ele respirou fundo e engoliu as palavras. - Eu odeio quando ela faz isso, fica me vendendo como se eu fosse um frango de padaria para aquela… patricinha.
  %Ryan% desencostou do sofá e se aproximou de %Annie%, que o encarava incerta.
  - Você não acreditou em nada, né? - segurou as mãos da amada.
  - Não, %Ryan%! - admitiu. - Eu confio em você, juro. É só que… - parou de falar.
  - É só que…? - ele instigou a continuar.
  - Sua mãe não gosta muito de mim. - foi o que conseguiu falar.
  A verdade mesmo é que %Annie% se sentia insegura pelo poder que a sogra tinha, sua persuasão era tão forte quanto seu status e %Annie% era apenas… uma ex-aprendiz a cozinheira de um restaurante no subúrbio da cidade. Como poderia competir? Como poderia enfrentar a sogra e Emily Bittencourt?
  Estava machucada por dentro pois sabia que logo tudo a sufocaria, todas as diferenças entre ela e %Ryan% se chocariam de uma forma que não saberia como suportar.
  Sentiu %Ryan% segurar seu rosto dos dois lados e olhá-la fundo nos olhos, prestes a penetrar sua alma da forma como ele sempre fazia.
  - Eu amo você. - ele falou pausadamente. - Você. %Annie% %Madden%. A garota simples que mora em um sobrado mais simples ainda com os pais que ama mais do que a própria vida. A garota mais desastrada que eu conheço. - %Annie% sorriu de leve. - Eu amo a garota que adora o pôr-do-sol e que chora assistindo filmes sobre cachorros. A garota por quem eu tomei três tiros e teria tomado mais se fosse necessário para protegê-la, a garota que me fez passar por cima de ordens dos meus superiores e que me faz rasgar as regras idiotas da minha família. A garota que me hipnotizou com apenas um olhar e me enfeitiçou com um só beijo. Eu amo você. E quando qualquer pessoa tentar passar por cima de você porque estamos juntos, seja minha mãe, meu pai ou o raio da família Bittencourt, eu quero que se lembre de tudo isso. Ninguém vai te tirar de mim. Eu não desisti de você por causa do meu país, acha mesmo que vou desistir só porque minha mãe tá mancomunada com a Paris Hilton falsificada?
  %Annie% segurou as lágrimas que haviam se formado enquanto o namorado discursava, sem dizer nada, apenas enterrou seu rosto do pescoço do mesmo e respirou o perfume dele.
  - %Annie%… - ele acariciou as costas dela.
  - É maldade você fazer isso comigo agora, sabia? - a voz dela saiu abafada, mas o fez rir.
  - Olha pra mim. - %Ryan% pediu carinhoso e ela o fez. - Dane-se todas essas nossas diferenças. Dane-se todas as coisas que as pessoas dizem sobre nós. Dane-se a vida que os meus pais querem que eu leve. Eu escolhi você e vou até o final. - %Ryan% encostou as testas. - E se minha mãe te humilhar novamente, dê um tapa ardido na fuça dela.
  %Annie% riu e se afastou dele.
  - Eu devia dar um tapa ardido em você, olha as coisas que você diz!
  %Ryan% sorriu e a beijou na testa, claro que sabia que %Annie% jamais levantaria um dedo contra Cristina %Mackie% mesmo que ela um dia mereça.
  O rapaz aproveitou para puxar a namorada pela cintura e envolvê-la em um abraço quente, que tocou %Annie% do jeito que ela precisava. Além de tirar um peso das suas costas, sentia que %Ryan% estava do lado dela e aquilo era tudo.
  Manhosa, ela escondeu seu rosto no pescoço dele e enrolou o pescoço do mesmo com seus braços, %Ryan% então passou as pernas dela entre sua cintura e segurou firme nas coxas dela quando se levantou do sofá, carregando a namorada como se ela não pesasse nada.
  Ele os conduziu até seu quarto e %Annie% permaneceu naquela posição até ele se deitar na cama, tendo %Annie% por cima de seu corpo. Assim eles ficaram até adormecer, %Ryan% fazendo um carinho nos cabelos de %Annie% enquanto ela respirava cada vez mais suave, se entregando ao sono e sabendo que sua relação com o namorado estava cada vez mais forte.

[...]

  Já era quase a hora do jantar, %Ryan% desligou o celular e olhou para %Annie% que dormia pesado em sua cama, sorriu de leve e pensou no quanto gostaria que aquela cena se repetisse todos os dias, não apenas nos finais de semana.
  Se aproximou sem fazer um barulho sequer e agachou até que pudesse fazer um carinho sutil na bochecha dela. Vê-la dormir daquele jeito, tão serena, o fazia sentir ainda mais a necessidade de protegê-la.
  No passado não tivera a coragem de fazer pois era um moleque, não conseguia se impor perante a sua família e as regras estúpidas que era obrigado a seguir, porém aquela fase havia passado. Sabia disso.
  Já não era o mesmo rapaz de anos atrás e jamais voltaria a ser, agora era um soldado com apenas um propósito e faria de tudo para que se cumprisse.
  Analisando a namorada dormir, sua mente vagou pelas lembranças que o mantivera vivo durante suas horas mais escuras.

  Há 3 anos e 5 meses. Centro da cidade.
  Por volta das 22:20 PM. Jardim da família %Mackie%.

  %Ryan% tentava esconder o sorrisinho travesso que escapava em seus lábios, não podia comemorar agora mas só de imaginar o que a família pensaria sobre o que ele estava prestes a fazer, chegava a ser engraçado.
  O primogênito rebelde quebrando as regras de sua mãe em sua propriedade, nada do que ele já não tivesse feito várias vezes. Todavia, naquela noite tudo era diferente.
  A chave da guarita de segurança do Jardim de sua família brincava entre seus dedos para espantar o nervosismo e a ansiedade, o rapaz olhava para todos os lados e admitia que um frio passava em seu estômago só de imaginar que ela não viria.
  Coçou a parte de trás da nuca ao lembrar da cara do Sr. Joaquim, segurança do jardim no período da noite, quando ele o dispensou por aquela noite.
  Mesmo que confiasse no pobre homem, quanto menos pessoas estivessem ali, seria melhor. O momento exigia privacidade e nenhuma testemunha para que Cristina %Mackie% pudesse aterrorizar.
  Se é que um dia iria descobrir o que havia acontecido naquela guarita…
  Viu os cabelos de %Annie% voarem junto com o seu longo casaco conforme o vento batia e respirou aliviado. Ela tinha vindo afinal de contas.
  Conforme ela se aproximava, conseguia ver em seu rosto que estava preocupada por estar ali, afinal poderiam ser pegos a qualquer hora e por qualquer pessoa, mas tudo isso passou quando os dois se olharam.
  %Annie% rapidamente envolveu %Ryan% em um abraço forte e duradouro, embora o rapaz estivesse louco para beijá-la novamente, fechou os olhos para aproveitar melhor o fato de estar ali com ela, seu perfume doce invadindo suas narinas.
  Assim que se afastaram, %Annie% juntou as mãos e tremeu de frio, e também de entusiasmo por estar ali com %Ryan%.
  - Eu não acredito que estou aqui. - admitiu. Se sentia uma louca por estar naquele jardim com %Ryan%, ainda mais naquela hora da noite.
  - Por quê? - ele sorriu.
  - Eu tô com frio. - reclamou e inconscientemente, fez um bico.
  %Ryan% reprimiu a vontade de segurar no queixo dela e beijar aquele bico.
  - Vem comigo! - colocou a palma da mão nas costas dela e a conduziu para a guarita.
  Assim que entraram, %Annie% pôde constatar que ali era muito menor do que pensava, era apenas um quadrado minúsculo com duas cadeiras, uma janela e estava escuro.
  Pelo menos ali era muito mais quente do que lá fora.
  %Ryan% acendeu a luz mas não era como se fizesse alguma diferença já que a lâmpada estava tão empoeirada e era tão velha, que estava fraca. Mal iluminava direito.
  %Annie% achou engraçado afinal a família %Mackie% era rica o suficiente para que o Jardim fosse considerado um dos mais bonitos e ricos de biodiversidade do país e mesmo assim não tinham arranjado uma lâmpada decente para aquela metade de um quartinho.
  Ela se sentou em uma das cadeiras e observou %Ryan% colocar a outra virada em sua direção, onde ele se acomodou ali, apoiando os cotovelos nos joelhos e entrelaçando suas mãos frias, logo depois encarou %Annie%.
  Os dois ficaram em silêncio por um tempo, apenas se olhando, ambos tinham planejado outras coisas para aquela noite, mas aparentemente elas iriam por água abaixo graças aos seus sentimentos.
  Queriam paz e tranquilidade, um momento a sós sem que ninguém soubesse ou interrompesse e ali estavam.
  - Eu esqueci de trazer uma manta, não quer dividir esse seu casaco comigo não? - %Ryan% perguntou depois de longos minutos.
  %Annie% não soube o que responder, na verdade ela não imaginava que ele fosse vir com essa desculpa esfarrapada de novo tão cedo, mas quem ela queria enganar? Não via a hora de ficar agarrada a %Ryan%, de preferência a noite toda.
  Ela apenas balançou a cabeça, deixando o bolsa no chão e tirando o casaco, estendeu uma parte para %Ryan%. Ele não demorou muito para puxar a cadeira mais perto da dela, com a desculpa de que não alcançaria o casaco.
  Eles se arrumaram de um jeito torto para que pudessem ficar debaixo do pano quente, porém %Ryan% passou seu braço na cintura de %Annie% e ela prendeu a respiração.
  De repente, aquela guarita tinha ficado mais quente do que devia.
  A garota sentia seu coração bater tão rápido que doía entre suas costelas, parecia até que ele pularia para fora de seu corpo a qualquer momento. E provavelmente iria se %Ryan% continuasse a tocando daquele jeito.
  %Annie% soltou o ar que havia prendido, tentando não demonstrar a %Ryan%, embora fosse praticamente impossível já que ele estava perto demais de seu rosto.
  O rapaz aproveitou para encostar seu corpo contra a parede, ficando mais esparramado na cadeira, automaticamente puxando %Annie% junto.
  Ela então, tomando coragem, apoiou a cabeça e uma de suas mãos no peitoral de %Ryan%, e ao sentir o coração dele batendo tão rápido quanto o seu, fechou os olhos e respirou fundo.
  Estava com medo de ir até aquele encontro porque imaginava as intenções de %Ryan%. Ora, ficar no jardim sozinhos durante a noite?
  Não tinha convidado a garota para jogar dominó e %Annie% sabia disso. Não queria ser apenas uma qualquer na listinha de %Ryan%, que cometia as loucuras junto com ele e era apenas isso. Sem corresponder os sentimentos dela.
  Mas sentindo o coração dele bater rápido entre a palma de sua mão, tinha certeza que fizera a escolha certa ao seguir seu próprio coração.
  Não estava enganada sobre o jeito que ele a olhava, agora tinha plena convicção que ele gostava dela tanto quanto ela gostava dele.
  - O que você disse aos seus pais? - %Ryan% perguntou curioso.
  - A verdade, não minto para eles. - ela deu de ombros.
  O rapaz ficou pensativo, queria poder dizer o mesmo mas sabia que seus pais não eram tão compreensivos quanto os de %Annie%.
  - A Lynn sabe que você veio?
  %Ryan% escutou a garota rir de leve, ele sorriu no mesmo segundo.
  - Lynn tem segredos de mim, assim como eu tenho dela. Não é tudo o que eu conto. - ela explicou.
  - Ela ficou sabendo que nós dois saímos juntos.
  - E o que você disse?
  - Que não aconteceu nada demais.
  - E ela? - %Annie% mordeu a pele da boca.
  - Falou pra eu ter cuidado.
  A garota não respondeu de imediato, deixando %Ryan% aflito. Ela moveu a cabeça apenas para olhá-lo.
  - Mas você mentiu, %Ryan%, aconteceu e nós dois sabemos. - ela falou receosa.
  Ele sorriu e a encarou, beijando sua testa logo depois.
  - Eu sei, %Annie%, mas Lynn não tem nada a ver com isso. Não é?
  Ela concordou com a cabeça.
  - Você disse que tem segredos dela, quais são? - %Ryan% estava curioso porque conseguia imaginar algumas coisas e talvez, fosse o suficiente para sanar suas dúvidas.
  - Ah %Ryan%… - ela riu. - Isso, por exemplo. - se referiu àquele momento.
  - Só isso?
  - Você quer me contar alguma coisa? - ela questionou, olhando novamente para ele.
  %Ryan% a olhou de rabo de olho e sorriu torto.
  - Não… você quer?
  %Annie% sentiu não só as bochechas esquentarem, mas sim seu corpo inteiro.
  - Quero. - ela esperou %Ryan% falar alguma coisa mas ele permaneceu em silêncio, ela entendeu como a deixa que precisava para continuar: - Você não reparou nada durante todo esse tempo?
  Ela o escutou respirar fundo.
  - Pra ser sincero, sim.
  %Annie% o olhou, vendo que ele olhava para frente, soltou de uma vez:
  - Eu gosto de você, %Ryan%. Sempre gostei. - ele a encarou. - Desde o começo.
  Ele não disse uma só palavra, apenas a olhou nos olhos e não encontrou nada além de sinceridade, sentindo seu coração bater mais forte do que antes, apenas a apertou contra seu peito e beijou abaixo de seu olho, vendo-a fechar suavemente.
  Então era isso, finalmente a tinha em seus braços e confessando que sentia o mesmo que ele.
  Parecia até mesmo um sonho.
  - Eu também gosto de você, %Annie%.
  A garota abriu a boca algumas vezes, sem saber o que dizer.
  - É sério? - perguntou, sem acreditar.
  - Por que acha que estou aqui com você, numa segunda-feira a noite?
  - Não tinha mais nada para fazer? - ela perguntou, dando de ombros e escutou ele rir.
  Porém nenhuma palavra foi dita por %Ryan%, ele subiu sua mão livre até o rosto de %Annie% e acariciou desde seu maxilar até o queixo. Ela fechou os olhos novamente, sentindo o toque tão macio e quente dele, que aproveitou para levantar o rosto dela o suficiente para que estivesse a centímetros do seu próprio.
  Vendo que ela não o pararia, ele fechou seus olhos e se entregou, beijando-a docemente e lentamente. %Annie% suspirou, subindo sua mão até a nuca do rapaz enquanto seus gostos se misturavam, ela sentiu todo o corpo arrepiar.
  Quando se separaram, %Ryan% a puxou para mais perto, mesmo que fosse humanamente impossível.
  - Na verdade, eu tinha mais o que fazer sim. Isso. - ele encostou sua bochecha na testa da garota, não vendo o sorriso enorme que ela abriu.
  Ficaram assim por um bom tempo, abraçados e %Ryan% distribuindo beijos de vez em quando pelo rosto dela.
  - E agora? O que a gente faz? - ela perguntou.
  - A gente precisa ir embora. - ele respondeu, depois de ver a hora em seu relógio, era quase meia-noite.
  Não podia deixar a garota ali até tarde, mesmo que quisesse passar a madrugada toda com ela até o amanhecer.
  - Não, %Ryan%, eu não tava falando disso. - %Annie% se afastou, os dois sentiram um frio imensurável. - Eu falava da gente…
  Ele se desencostou da parede, sentindo uma grande dor nas costas por passar tanto tempo naquela posição mas ignorou, e acariciou o rosto preocupado de %Annie%.
  - Vamos dar um jeito, tudo bem? Juntos. - respondeu, sincero.
  Embora soubesse que não era essa a resposta que %Annie% merecesse, por agora era a única que podia oferecer.
  E não era a hora de explicar para ela como sua família funcionava, com todas aquelas regras chatas que ele nunca seguiria. Não queria deixar a garota mais preocupada e pior, com medo, imaginando que ele desistiria dela.
  Depois daquela noite tinha decidido que jamais faria isso.
  %Annie% apenas concordou, daria o tempo que fosse necessário para ele. Eles se levantaram, %Annie% colocando o casaco de volta e pegando sua bolsa no chão.
  Ela não sentiu %Ryan% a acompanhar e parou com a mão já na maçaneta da porta.
  - %Annie%… - escutou ele chamar.
  Assim que virou, ela viu um borrão, %Ryan% a segurou dos dois lados do rosto e a beijou rapidamente, deixando-a surpresa.
  Ele se afastou, olhando-a e esperando alguma reação.
  Depois de longos segundos, que mais pareceram horas, %Annie% se aproximou dele e o segurou pela nuca, beijando o canto de sua boca e encostou as testas.
  - Fica comigo? - ele pediu, vendo-a sorrir.
  - Achei que já estivesse.

  Há 3 anos e 2 meses. Mansão da família %Mackie%.
  19:45 PM.

  %Ryan% entrou pela porta da frente extremamente esgotado, desfazendo o nó da gravata e podendo finalmente respirar em paz sem que fosse observado pelo pai ou algum de seus funcionários.
  Não via a hora de largar aquela história de consultoria, não aguentava mais ficar trancado em uma sala de escritório minúscula tendo que ensinar aos outros sobre um assunto que sequer gostava. Não pretendia ser contador e muito menos cuidar de uma das filiais do escritório.
  Assim que fechou a porta, escutou os saltos da mãe existem pela sala enorme e vazia.
  "Que ótimo, quando eu achava que não podia piorar", pensou enquanto revirava os olhos antes da mãe chegar.
  - Filho, chegou cedo! - viu a mulher se aproximar e levantar a sobrancelha, conhecia bem aquele olhar.
  - Dor de cabeça, vou para o meu quarto. - apontou para a escada, não via a hora de ficar sozinho em silêncio, conversando com %Annie% no celular.
  Tivera uma semana cheia e ainda era quinta-feira, já sentia seu ombro rígido de tanto problema e preocupação que lhe eram jogados.
  - Espere, %Ryan%! Você tem visita. - a mãe anunciou.
  O rapaz sentiu o coração acelerar por um momento, pensando em um rosto específico, embora soubesse que não era ela quem estava ali.
  - Visita?
  - Lynn está na sala de conversação.
  Então %Ryan% sentiu o resquício de felicidade ir embora, dando lugar a preocupação.
  - Obrigado. - agradeceu sem perguntar o porquê da melhor amiga estar em sua casa àquela hora da noite. Não confiaria na mãe para saber do que se tratava e se Lynn estava ali, então era melhor a mãe não saber o motivo.
  Seguiu em passos largos até a sala e quando chegou, a viu de costas olhando pela vidraça da janela.
  - Lynn, aconteceu alguma coisa? - perguntou na lata depois de fechar a porta atrás de si.
  %Ryan% escutou a melhor amiga respirar fundo, ela virou fazendo com que ele visse a feição de agonia que tomava conta de não só seu rosto mas seu corpo. Lynn tremia e suas mãos não paravam quietas.
  - É a %Annie%.
  %Ryan% sentiu a garganta fechar e o sangue gelar.
  - O que aconteceu com ela? Ela tá bem? Onde…
  Ele continuaria a questionar, se Lynn não tivesse falado a frase que mais tinha medo:
  - Ela sabe de tudo.
  O rapaz piscou algumas vezes, quase podia sentir as engrenagens de sua cabeça funcionando bem lentamente.
  - O quê…?
  - Ela descobriu tudo sobre você.
  Ele permaneceu em silêncio.
  - Estávamos na minha casa e eu não sabia que sua mãe também, %Annie% desceu para o escritório para pegar o álbum da minha família quando ela escutou a conversa das nossas mães. Quando ela subiu pro meu quarto de novo, estava branca feito papel e a ponto de desabar. Eu tentei acalmá-la, %Ryan%, mas ela me obrigou a contar tudo o que sabia e eu não pude mais esconder. - Lynn sentiu a voz falhar algumas vezes. - Me desculpe.
  - Onde ela… - %Ryan% respirou fundo. - Ela está na sua casa? Eu preciso vê-la.
  - Não, %Annie% saiu correndo logo depois que eu contei o que sabia. Ela não atende minhas ligações.
  %Ryan% fuçou os bolsos da calça e pegou o celular, desbloqueando o aparelho e abrindo o aplicativo de mensagens em uma pressa sem tamanho. Foi na conversa que tinha com %Annie%.
  Última visualização: 16h12.
  - Me dá o endereço da casa dela. - %Ryan% bloqueou o celular e tirou as chaves do carro do bolso.
  - O quê? Você vai lá?
  - Lynn, eu tenho que falar com ela agora. Ela não vê o celular tem mais de duas horas.
  - Eu conheço a %Annie%, %Ryan%, ela não vai nem querer te ver.
  - Que se dane! - com a mão livre, o rapaz bagunçou os cabelos em sinal de frustração. - Você não entende!
  - O que eu não entendo? Que a minha melhor amiga tá se sentindo traída por mim e por você? Eu te avisei que isso ia acontecer, você não devia nunca ter se aproximado e... - Lynn apontou o dedo para %Ryan%, fazendo o rapaz se irritar ainda mais.
  - Eu a amo, porra! - ele gritou, vendo a amiga se calar. - Se eu não falar com ela agora, vai ser tarde demais depois, Lynn. Você me disse uma vez que esperava que encontrasse alguém que eu não conseguiria viver sem, não é? Então me dá a porra do endereço da casa dela, e me deixa lutar de verdade pela única pessoa que eu amo na vida.
  Lynn mantinha os olhos arregalados, mas, mesmo assim, pegou o celular e digitou alguma coisa.
  - Se eu te devia uma antes, acabei de pagar.
  %Ryan% sentiu o celular vibrar e ao tirá-lo do bolso, constatou que Lynn havia lhe mandado o endereço.
  - Vai atrás dela.
  Ele não pensou duas vezes antes de virar as costas e sair correndo de casa, ignorando completamente sua mãe gritando no topo da escada, ou então o pai que havia acabado de chegar.
  Tudo parecia um borrão, %Ryan% chegou depressa no carro e não perdeu tempo de arrancar com ele da propriedade de seus pais, enquanto ajustava com a outra mão o celular para visualizar melhor o caminho que teria que fazer.
  Ele passou em alguns sinais vermelhos, acelerou mais do que devia e buzinou algumas vezes, pois tudo parecia querer atrasá-lo. Mesmo chegando na metade do tempo que levaria, tinha a sensação de que demorou uma eternidade.
  %Ryan% mal desligou o carro e já estava para fora do veículo, trancando-o enquanto tocava a campainha várias vezes sem descanso. Bateu o pé até a porta ser aberta, sentindo o coração se estraçalhar em milhares de pedaços.
  À sua frente, %Annie% estava com os cabelos molhados, seu rosto estava vermelho e inchado, seus olhos marejados e ela vestia roupas confortáveis.
  - O que foi, Joe… - ela parou de falar quando percebeu que não era seu irmão que estava ali parado. - %Ryan%… - sua voz não saiu, mais fraco do que um sussurro.
  Eles se olharam, mais uma vez era como se o tempo não passasse na troca de olhares.
  %Annie% queria sorrir porque ainda sentia seu coração se aquecer em vê-lo ali, bem diferente do que estava acostumada, já que o mesmo vestia roupas sociais. Porém, não conseguia daquela vez. Estava tão magoada, se sentia um lixo.
  Já %Ryan%, ele queria bater em si mesmo por saber que era o causador das lágrimas de %Annie%. Que ele era um dos motivos do pobre coração dela ter se quebrado. Claro que pretendia contar para %Annie% sobre a verdade, mas esperava achar circunstâncias melhores, um jeito certo.
  - Vai embora… - ela pediu, com a voz ainda fraca, tentando fechar a porta porém fora impedida por %Ryan%.
  - Eu sei que você não quer falar comigo, mas me deixa explicar, eu te imploro.
  - Não precisa explicar nada, já entendi tudo. Eu vou sair da sua vida, prometo.
  - Não! %Annie%, por favor, não! - o tom da voz de %Ryan% era desesperador, ele realmente estava implorando e por mais que %Annie% estivesse com raiva também, ainda se importava com ele.
  Ela abriu a porta um pouco mais e olhou para um ponto fixo na parede.
  - Você tem 5 minutos.
  %Ryan% entrou e %Annie% o conduziu até a sala, abraçando seu próprio corpo enquanto esperava ele falar alguma coisa.
  O silêncio entre eles era uma verdadeira tortura.
  - A Lynn me contou que…
  - Corta o rodeio, %Ryan%. - ela o interrompeu. - Seja direto comigo uma vez na sua vida.
  Incerto, ele deu um passo em direção a ela, que sequer se moveu.
  - Não era pra você descobrir desse jeito, eu queria ter te falado. Juro que queria.
  - Falado o quê? Que sua mãe me odeia mesmo sem saber que você passa noites em segredo comigo no jardim da sua família? Ou que você está noivo de alguém? Já sei, talvez que eu tenha sido a porcaria de uma distração. Um mero caso de despedida de solteiro.
  %Ryan% nunca viu %Annie% falar com tanto sarcasmo, ainda não tinha conhecido aquele lado, mas sabia que muitas palavras ali eram apenas para magoá-lo da mesma forma que ela estava magoada
  - Você nunca foi uma distração ou um caso e sabe disso!
  - Eu sei? - ela perguntou, sem perceber que sua voz já começava a alterar. - Como eu posso ter certeza que tudo aquilo não foi uma mentira? Que você não estava me enganando?
  - Você olhou nos meus olhos, %Annie%. Você sentiu meu coração bater mais rápido toda vez que a gente se beijava, exatamente da mesma forma que eu sentia o seu!
  - O problema não foi o que a gente sentiu, %Ryan%. Foi que você mentiu pra mim! Você me escondeu coisas que eu deveria saber desde o começo. Caramba, você tem uma noiva!
  - Mas que saco, eu não tô noivo de ninguém. - ele bufou.
  - Não foi o que sua mãe disse. - %Annie% gritou, sua voz esganiçada saiu fraca e ela sentiu que voltaria a chorar novamente. A luz da casa pesava seus olhos e a dor de cabeça aumentava, mas nada era comparado a dor que sentia em seu coração. - Eu só queria que você tivesse sido sincero comigo, talvez eu tivesse pedido demais. Talvez eu tenha sido otimista demais, ingênua… - ela respirou fundo alguns segundos, percebendo que %Ryan% permanecia em silêncio. - Nunca um rapaz como você lutaria por uma garota como eu, você nunca se sacrificaria por mim. - %Annie% sorriu triste.
  - Eu… - %Ryan% estava com a garganta fechada, os olhos ardiam e ele sentia que a perdia a cada minuto.
  - Chega! - %Annie% passou as mãos pelo rosto, limpando as lágrimas. Ela andou até a porta, abrindo-a. - Acabou. Seja lá o que tenhamos começado, não existe mais.
  - Você não…
  - Eu estou te fazendo um favor, %Mackie%. Você precisa de alguém com os mesmos princípios que os seus. - %Ryan% sentiu as palavras sem emoção de %Annie% e aquilo teve um efeito tão doloroso quanto um corte profundo. Era como se tivesse levado um tiro. - Vai embora, não perde mais seu tempo comigo.
  Desolado, ele andou em direção a porta com os ombros caídos e pesados, a cabeça baixa e com uma vontade de chorar incontrolável.
  Olhou para %Annie% uma última vez, ela encarava o nada de um jeito frio e sério, analisou o rosto nos mínimos detalhes naqueles poucos e raros segundos. Não queria guardar a imagem dela inchada porque estava chorando de tristeza graças a ele.
  Era um completo idiota.
  - Um dia eu vou te provar que nada disso é verdade. - sua voz saiu baixa como nunca antes, mas viu %Annie% vacilar.
  - É tarde demais. - ela o encarou, os olhos vermelhos e cheios de lágrimas.
  %Ryan% sentiu as palavras fugirem da sua boca, na verdade, nem tinha forças para falar alguma coisa.
  E então, quando ele finalmente deu um passo para frente, %Annie% fechou a porta. O eco selou a rachadura no coração de ambos, %Annie% sem conseguir se segurar mais encostou a testa na porta e chorou como um verdadeiro bebê.
  E %Ryan% voltou para o carro com um vazio por dentro, finalmente as lágrimas caíram enquanto ele desejava que tudo aquilo fosse um pesadelo.
  O celular tocou alto dentro do carro e ao ver o nome da mãe no visor, pegou o aparelho e desligou com força, querendo mesmo jogá-lo pela janela e passar por cima com o carro.
  Deu a partida no veículo e vagou pela cidade sem um rumo certo, sem saber para onde ia, nem sabia o que queria.
  Sem saber quanto tempo havia passado, seus olhos mesmo embaçados encontraram um cartaz que acabou sendo sua oportunidade. Sem hesitar ou pensar em qualquer coisa, estacionou na frente e saiu do carro.
  Andou em passos largos dentro do estabelecimento, a mandíbula travada e o sangue correndo frio pelas veias, pegou um papel e uma caneta, preenchendo sua ficha com ódio.
  Tudo o que lhe restara, tudo o que amava na vida havia sido tirado de suas mãos, por pessoas egoístas que o tratavam como uma mera peça num jogo de xadrez.
  Não mais.
  Iria achar um jeito de provar a ela tudo o tinha dito e para começar, tinha que fazer aquilo.
  Viu um homem parar na sua frente, a postura ereta e rígida, o mesmo olhou para o rosto de %Ryan% e depois para a ficha.
  - Voluntário?
  %Ryan% apenas assentiu.
  O homem analisou o rapaz, era quase como se soubesse a razão dele estar fazendo aquilo, como se entendesse seus motivos mesmo que ele não tivesse falado. Ele então pegou o papel da mão de %Ryan% e o colocou na bancada, tirou um carimbo do bolso e o apertou fortemente contra o papel.
  Ele estendeu para %Ryan% com um pequeno sorriso, que fora um tanto quanto reconfortante.
  - Bem-vindo, Soldado.
  %Ryan% encarou o papel e o carimbo vermelho chamou sua atenção.
  Aprovado.
  %Ryan% respirou fundo e bateu continência antes de sair do estabelecimento, agora sabia o que faria. Entrou no carro e deixou o papel no banco do passageiro, olhou uma última vez para o banner que tinha sido sua resposta e arrancou com o automóvel dali em direção a mansão.
  Para trás deixou o banner com os dizeres: "Alistamento voluntário das Forças Armadas. Faça sua inscrição aqui."
  Quando %Ryan% chegou na casa de seus pais, pegou o papel e o celular, e caminhou lentamente até a porta de entrada.
  Assim que pisou dentro da mansão, viu seus pais se levantarem do sofá com expressões preocupadas. Quis rir.
  - Filho! Onde esteve? - Cristina correu para abraçá-lo, analisando depois se o filho estava bem.
  - Você nos preocupou a toa, garoto. - escutou a voz grossa do pai reclamar.
  - Relaxa, de agora em diante não precisam se importar com o que eu faço.
  - O que quer dizer, %Ryan%? - a mãe questionou, indo ao lado do marido.
  O rapaz nada disse, apenas estendeu o papel para seus progenitores, que foi prontamente pego pelo pai.
  A feição de %Ryan% era de puro vazio, já não sentia mais nada. Enquanto sua mãe olhava horrorizada o papel e o pai inflava as narinas.
  - Que palhaçada é essa? - o pai perguntou, vendo que a esposa não conseguia dizer nada. - Isso é uma…
  - Ficha de inscrição das Forças Armadas, no qual eu fui aprovado.
  - Chega de teatro, criança!
  - Não é teatro. - ele respondeu firme, não deixando dúvidas aos pais.
  - Por que, %Ryan%? - a mãe estava chocada.
  O rapaz riu amargurado, balançando a cabeça como se não acreditasse naquela cena.
  - Vocês me disseram o que fazer a minha vida inteira, me manipularam, falaram por mim quando eu não queria e planejaram um futuro que eu nunca quis. E agora eu perdi a única pessoa que se importava comigo de verdade, que eu amo! - %Ryan% respirou fundo. - Já que eu não posso ter o que eu quero, então ninguém mais nessa casa vai ter.
  - Está fazendo isso por causa de uma garota? - o pai perguntou devagar, tentando entender.
  - Quem é a vadia? Alguma suburbana… - a mãe cuspiu.
  - Pobre, mãe? - %Ryan% interrompeu a mãe. - É, ela é sim. E mais rica de sentimentos do que vocês dois juntos.
  - Garoto…
  - Eu cansei de ser a marionete de vocês! - %Ryan% gritou. Sequer conseguia chorar mais, os olhos nem marejavam.
  - Levante o tom da voz mais uma vez e eu juro que… - o pai deu um passo em frente ao rapaz.
  %Ryan% sorriu de lado, levantando o queixo, e encarou o pai com frieza.
  - O quê? Vai me bater? Me expulsar de casa? Não se preocupe com isso, já estou saindo daqui.
  - %Ryan%!
  - Volte para o seu quarto, rapaz, e amanhã conversamos sobre essa sua loucura.
  %Ryan% riu.
  - Não.
  O casal se assustou, aquelas palavras nunca saíram da boca do filho.
  Definitivamente algo tinha afetado o rapaz.
  - Se você for para este lugar, - o pai balançou o papel. - nunca mais colocará os pés nesta casa e sairá com apenas a roupa do corpo.
  Ele pegou o papel da mão do pai com brutalidade, ainda mantendo o olhar.
  - Ótimo. - %Ryan% pegou a chave do carro e deixou em uma mesinha na sala.
  - Não faça isso, meu filho! - a mãe implorou. - Não destrua sua vida por uma garota qualquer.
  - %Annie% não é uma qualquer, mãe, ela é a minha salvação.
  Sem dizer mais nada, %Ryan% deu as costas e saiu da mansão dos pais escutando os protestos da mãe ficar cada vez mais longe conforme se afastava.
  Quando finalmente cruzou os portões, respirou fundo e uma brisa suave apareceu, não se sentia mais feliz ou completo, sabia que nunca mais se sentiria assim.
  Mas agora poderia dizer que sentia o gosto da liberdade e de agora em diante, não perderia.
  Assim como não perderia %Annie%, não tinha perdido a guerra ainda.

[...]

  Atualmente. Centro da cidade.
  Às 2:14 AM.

  Os dois rapazes entraram no apartamento pequeno e vazio, tinha cheiro de mofo, mas uma boa pintura acabaria com aquilo. Também não dava para reclamar, era no último andar com fácil acesso até o telhado e em um local estratégico. Iria servir e muito.
  - Cara, você tem certeza… - o mais novo começou, porém fora interrompido.
  - Sei o que estou fazendo. - o mais velho respondeu friamente.
  Não era bem questão de querer, era seu dever.
  - Não acha que vai ser arriscado? Justo nesse prédio?
  O mais velho riu e andou até a janela, observando muito bem o apartamento do seu vizinho da frente.
  - Essa é a vantagem.
  Reprimiu o sorriso de deboche que insistia em aparecer enquanto analisava a varanda do seu futuro novo vizinho.
  Porém, não era apenas isso.
  Era também seu próximo alvo.

[...]

  Um mês depois. Casa dos %Madden%.
  Às 17:45 PM.

  %Annie% terminava de colocar os brincos de argola quando escutou batidas na porta de seu quarto, respondeu para que entrasse e a figura da mãe fora revelada. Viu a mais velha sorrir largamente e seus olhos brilharem ao ver a filha arrumada.
  - Você está linda!
  %Annie% sorriu tímida.
  - Sério? Não acha que está muito apagado? - questionou, passando a mão pelo vestido.
  - Minha filha, qualquer coisa em você fica elegante.
  A garota negou com a cabeça, não concordava, mas aceitava o elogio. Havia encarado o vestido por tempo demais, entretanto se sentia muito confortável com ele. Era cinza com listras quadriculadas em tons mais escuros e algumas brancas, o zíper preto na frente que ia do começo na altura do busto até o final acima do joelho, um cinto e o blazer do mesmo tecido e cores davam um toque a vestimenta.
  %Annie% havia feito uma maquiagem que marcava bem o olho com um delineado preto e um batom em um tom marrom não tão escuro. Seu cabelo estava mais curto, decidira cortar algumas semanas atrás por conta do calor que tinha chegado na cidade, bem diferente dos longos e pesados que iam a altura da costela. Agora estavam acima de seus ombros.
  - Obrigada, mãezinha. - foi até a mulher e beijou sua bochecha.
  - %Ryan% chegou, está na sala com o seu pai.
  %Annie% sorriu, era difícil não fazer quando escutava o nome do namorado.
  - Pede pra ele subir, por favor, mãe. Preciso ainda decidir qual o sapato que vou.
  A mãe concordou e saiu do quarto, deixando a filha encarando os dois pares de sapatos que havia deixado para fora. Decidiu ir com o scarpin em um tom de nude um pouco mais apagado, quase próximo ao tom do vestido.
  Escutou algumas batidas na porta e virou, sabendo exatamente quem era. Todavia, parou para prender a respiração.
  %Ryan% estava simples, com um terno preto sem gravata e a camiseta social vinho de um tecido que parecia tão macio quanto seda, nos pés um sapato social preto que ele raramente usava.
  Ambos admiravam cada pedacinho do outro, enquanto %Annie% perdia a força nas pernas e precisava se esforçar para se manter de pé, %Ryan% sentia o corpo inteiro aquecer em ver a namorada vestida daquela forma.
  Ele se aproximou, pegou a namorada pela mão e a fez dar uma voltinha, %Annie% riu no processo e viu %Ryan% se aproximar de seu rosto para lhe dar um selinho longo quando voltou a ficar de frente para ele.
  Ele nada disse, apenas a observou dos pés a cabeça.
  - O que foi? - ela perguntou.
  - Acho que estou hipnotizado. - respondeu, sem conseguir tirar os olhos dela.
  Ela riu, sentindo as bochechas esquentarem.
  - Você não é o único. - %Annie% o abraçou, enterrando seu rosto na nuca do rapaz, sentindo o perfume incomparável mais de perto. - Você tá bem cheiroso, vai ser difícil me controlar na festa. - comentou próximo da nuca de %Ryan%, percebeu que ele se arrepiou.
  - Será que tem como a gente ir logo antes que fique impossível de resistir e eu desista pra ficar aqui com você?
  %Annie% se afastou rindo, pegando a sua clutch em cima da cama.
  Por mais que quisesse ficar com %Ryan%, não ir à festa não era uma opção. Afinal, aquele era o noivado de seus melhores amigos.
  Lynn e Connor estavam dando uma festa para a oficialização do noivado, praticamente tudo estava pronto para o casamento, com a ajuda de %Annie% que era a madrinha, a mulher conseguiu adiantar muita coisa.
  Foi um mês bem corrido para ambas, enquanto Lynn via as coisas do buffet %Annie% via as do salão, enquanto uma via a decoração a outra via a igreja. %Ryan% e Connor também estiveram bastante ocupados, com as roupas dos padrinhos, os músicos, os convites e a limusine. Foi um mês de muitos encontros duplos entre os casais, que os aproximaram mais do que nunca.
  Então mesmo que pudessem bancar os anti-sociais, jamais conseguiriam faltar naquele momento tão importante para os amigos.
  O casal então sem mais delongas saiu do quarto, indo para a sala e se despediram dos pais de %Annie% que estavam para viajar até a casa de um parente no interior, logo depois saíram da casa em direção a mansão dos Alcântara.
  Não foi surpresa verem a casa muito bem iluminada com carros chegando na entrada e manobristas organizando os veículos dos convidados, na verdade aquele era o jeito discreto da família de dar uma festa de noivado.
%Annie% até gostara da ideia no início, amava o modo como festas de noivado eram comuns na época de seus pais, até ela descobrir o jeito excêntrico dos Alcântara em dar uma festa.
  Nada de salgadinhos ou bolo e refrigerante. Era champanhe e comidas com nomes estranhos que eram praticamente miniatura.
  %Ryan% estendeu a mão para ajudar %Annie% a sair do carro como um perfeito cavalheiro e seguiram para a mansão de mãos dadas, como esperado, os noivos estavam na porta recepcionando os convidados.
  Lynn estava deslumbrante. O vestido vermelho longo que ela usava era amarrado no pescoço com um decote que ia até um pouco acima do umbigo, os cabelos soltos em cachos discretos e a maquiagem realçava seus olhos claros.
  %Annie% a abraçou depois de soltar a mão do namorado.
  - Você não devia usar uma roupa menos chamativa? - ela disse, brincando.
  - %Annie%, acha que me vestiria que nem uma senhora só para agradar a alta sociedade?
  Elas se soltaram e %Annie% pôde ver o olhar brincalhão da amiga.
  Não, ela não faria.
  Lynn podia ser da elite, mas pouco se importava com o que os outros diziam sobre seu estilo ou suas roupas, não era atoa que ela tinha seguido justamente para esse ramo.
  %Annie% trocou de lugar com %Ryan% e cumprimentou Connor, este estava com um terno preto e uma camiseta branca sem gravata, sapatos sociais pretos e óculos com uma armação moderna.
  - Qual é a dos óculos? - %Ryan% perguntou enquanto colocava o braço ao redor da cintura de %Annie% depois de cumprimentar Lynn.
  - Não sabia que você usava, Connor. - %Annie% comentou.
  O rapaz deu de ombros e riu, olhando para a namorada de relance.
  - Não uso, é que a Lynn acha sexy. - ele sorriu de lado, arrancando risadas do casal.
  - Estamos no mesmo jogo, querido. - Lynn se aproximou e colocou as mãos no ombro dele. - Os dois matando um ao outro do coração.
  - Aí, não. Eu não sou obrigado a ver isso. Vem, %Annie%, vamos para a mesa. - %Ryan% brincou, levando %Annie% consigo enquanto escutava os amigos reclamarem em um tom de zoação.
  O casal foi para a área externa da mansão, onde o enorme quintal estava decorado de um jeito rústico com diversas luzes iluminando as várias mesas espalhadas.
  %Ryan% viu sua equipe de longe e guiou %Annie% até lá, sem tirar a mão de sua cintura. Ela se deixou ser guiada, analisando os rostos desconhecidos das namoradas dos soldados, se lembrava vagamente de alguns deles, mas todos sorriam de forma acolhedora.
  - %Annie%, conheça os membros da equipe alfa. Tej, Gael e André. - %Ryan% gesticulava para cada um ao dizer os nomes. - E suas respectivas parceiras. Claire, Ravena e Mia.
  - É um prazer finalmente conhecer vocês. - %Annie% sorriu educada.
  Todos estavam elegantes, porém demonstravam simplicidade, fazendo com que mulher se sentisse em seu habitat natural, não sabia distinguir quem era da alta sociedade e quem era uma reles mortal como ela. Era tranquilizador.
  - %Ryan% finalmente teve a cara de pau de trazer você. - disse André, era o mais divertido da equipe e o mais abusado. Às vezes se esquecia que haviam patentes a serem respeitadas, coisa de moleque como %Ryan% dizia. Mas nada disso tirava o foco e determinação do soldado em estar no front nas missões. Ele era o primeiro na linha de ataque.
  - Até parece que estava com medo. - Gael entrou na brincadeira. Era mais o mais quieto da equipe, bem observador e um perfeito estrategista.
  - Não tirem sarro do %Ryan%, ele vai ruborizar na frente da namorada. - Tej falou antes de apreciar seu vinho na taça. O mais velho da equipe, já tinha muita experiência e não era atoa que seu cargo era nada mais que o snipper.
  %Ryan% apenas rolou os olhos enquanto escutava %Annie% rir baixinho ao seu lado.
  - Calem a boca. - pediu, puxando a cadeira para a namorada sentar-se como um perfeito cavalheiro.
  - Não ligue para isso, %Annie%, eles são sempre assim. - Mia disse, acrescentando a mais recém-chegada na conversa.
  - Como um bando de adolescentes. - Claire acrescentou.
  %Annie% riu.
  - Você se acostuma. - Ravena garantiu.
  - É, e acho que esse é o problema. - ela brincou, fazendo as mulheres rirem em sinal de concordância.
  - Já gostei dela. - Claire falou para %Ryan%.
  - Se bem me lembro, a equipe alfa era um pouco maior. - %Annie% olhou para o namorado.
  Ela viu, mesmo que rapidamente, um certo receio nos olhos dele. Não sabia se era por conta das memórias que ambos tinham juntos sobre o dia em que %Annie% conheceu a equipe ou se porque havia alguma coisa em seu trabalho que não podia ser dito.
  Ou talvez os dois.
  - Nem todos puderam vir. - foi apenas o que respondeu.
  %Ryan% queria poder explicar a %Annie% melhor sobre a equipe, que alguns soldados eram apenas aliados de países amigos, que muitos ali não eram tão próximos quanto aqueles cinco caras, que a equipe era muito maior do que aparentava ou era mostrado. Mas não podia.
  Se %Annie% soubesse sobre qualquer detalhe, por menor que fosse, ela estaria em um perigo ainda maior do que se encontrava atualmente.
  Quanto menos soubesse, mais seguro seria.

  Algumas horas haviam se passado, %Annie% tinha sido muito bem acolhida pela equipe e principalmente suas devidas parceiras, criou um laço bem grande em pouco tempo. %Ryan% havia relaxado ao seu lado, também não comentaram mais sobre o trabalho do namorado então imaginava que esse o motivo da tranquilidade de %Ryan%.
  Conseguiu conversar bastante com todos ali presentes, havia gostado de Tej - que descobrira que seu nome verdadeiro era Thiago - e sua esposa Claire, ficou encantada com a forma como estavam em uma sincronia perfeita, como se fossem apenas uma só pessoa. E claro, a história do casal era muito mais emocionante do que imaginava, com um final feliz e dois filhos para carregar o legado.
  %Annie% estava insegura de conhecer oficialmente os amigos e colegas de trabalho de %Ryan%, não só porque tinha os encontrado em uma situação extremamente delicada há meses, mas porque não se considerava a pessoa mais sociável da cidade. Ainda mais com todas aquelas pessoas da alta sociedade.
  Porém, havia se identificado com Claire justamente por ambas terem raízes humildes. Isso a fez se sentir mais confortável.
  Entretanto, não só %Ryan% e %Annie% viram esse momento de paz se dissipar rapidamente quando o Major Walker começou a caminhar até a mesa onde estavam.
  Cada casal reagiu de um jeito, todos ali se sentiam intimidados com a presença do superior e isso se tornou palpável a cada passo que o mesmo dava.
  %Annie% agarrou a coxa de %Ryan% embaixo da mesa enquanto o namorado a abraçava rodeando todo o seu corpo de uma forma protetora e bem visível, ele praticamente rosnou quando o Major parou do outro lado da mesa, mas permanecendo em sua frente. Exatamente no campo de visão do casal que ele queria atormentar.
  - Boa noite a todos. - falou alto para todos mas seus olhos não abandonaram %Annie% um segundo sequer.
  E %Ryan% notou.
  Tej fez menção de se levantar para bater continência ao Major e sendo seguido pelos outros companheiros, exceto %Ryan% que olhava para o homem de pé como se pudesse socá-lo. Todavia, todos foram parados pelo Major.
  - Hoje não precisa dessa formalidade, não estamos no QG. - respondeu sorrindo de lado.
  %Annie% olhava para todos os lados da festa menos para o Major Walker e pelo que pôde notar, nenhuma das novas amigas gostavam de Walker também.
  Sentia que o Major a encarava e não suportava aquilo, o olhar dele sobre si a arrepiava de um jeito ruim, tinha uma péssima sensação toda vez que isso acontecia.
  - Bom, aproveitem a festa. - sem dizer nada mais e mantendo os olhos fixos em %Annie%, Major Walker saiu levando consigo a nuvem negra que havia trazido.
  %Annie% respirou fundo e só olhou para %Ryan% quando o Major já estava bem longe, ela encontrou apenas pura e simples raiva. Se os olhos do namorado pudessem mudar de cor, com certeza estaria vermelho sangue.
  Ele bufou antes de retribuir o olhar para %Annie%, tentou se acalmar, mas sentia seu sangue pegar fogo de tanto ódio.
  Major Walker havia feito aquele teatrinho de propósito, olhou para %Annie% daquela forma para provocá-lo porque sabia que perderia o controle.
  Detestava aquilo, o jeito como ele encarava a namorada como se… a desejasse.
  Não, ele realmente a queria e fazia questão de mostrar a %Ryan%.
  E agora a guerra entre os dois se tornara mais pessoal do que nunca.


  Nota da Autora: Algumas verdades estão começando a aparecer 👀
  E lá vem o Major de novo 🤨
  E aí, o que acharam desse capítulo?? Eu estou super curiosa para saber!
  Até a próxima atualização 🥰

  Se vocês quiserem ler Military ouvindo a playlist que eu criei no Spotify, eu aconselho 😉

Capítulo 04
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