Capítulo 03 • Are you ready for it?
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Atualmente.
Sexta-feira. Por volta das 20:15 PM.
Quase duas semanas haviam se passado, os respectivos trabalhos de %Ryan% e %Annie% estavam sugando seus dias que mal tiveram tempo de se encontrarem durante a semana, e nem no sábado ou domingo já que %Ryan% não teve folga nenhum dos dois dias. A saudade apertava os corações do casal.
%Annie% estava voltando do trabalho naquela noite, um dia muito longo no escritório que havia lhe trazido dores no pescoço e cabeça, quando chegou em casa com o cheiro da janta de sua mãe fazendo seu estômago roncar alto, desejou apenas comer e dormir depressa.
O pai de %Annie% estava sentado no sofá vendo o noticiário com a mão na cabeça, ela se aproximou e o beijou no rosto.
- Boa noite, paizinho.
Viu o mais velho sorrir fraco.
- Boa noite, minha princesa. Chegou cedo.
Considerando que %Annie% fizera extra a semana toda e chegava em casa às dez da noite, era verdade.
- Não aguentava mais aquele escritório… - respondeu, vendo o pai fechar os olhos por alguns segundos e abrir novamente. - Dor de cabeça de novo?
O pai assentiu.
- Tô com um zunido fraco no ouvido também.
%Annie% colocou as mãos na cintura e olhou séria para ele.
- Não falei para ir ao médico, pai? Isso não é comum.
Antes do pai responder, a mãe de %Annie% entrou na sala.
- A janta tá pronta… já chegou, filha! - a mulher se aproximou e deu um beijo na bochecha dela.
- Já, e tô pronta pra levar o papai no médico.
O pai riu de leve.
- Vê se pode, minha filha querendo mandar em mim.
- Mãe… - %Annie% reclamou, vendo a mãe suspirar.
- Sua filha tem razão.
O pai revirou os olhos.
- Eu já falei que estou bem. - ele levantou do sofá, abraçando a filha pelos ombros. - Vamos comer que estou com fome, deixa essa bolsa aí.
%Annie% riu desacreditada mas assim o fez. O pai era tão teimoso quanto ela.
Os três sentaram a mesa e tiveram um jantar agradável, %Annie% olhava para o pai de vez em quando para se certificar que ele estava bem, mesmo cansada por conta da semana de trabalho ela ficava feliz em poder ficar junto a sua família no final do dia.
Acabou pensando no futuro, em como queria que fosse assim quando casasse, então sorriu lembrando de %Ryan%. Não conseguia se imaginar casada com outra pessoa a não ser ele, com filhos correndo pela casa enquanto eles olhavam para aquela cena se sentindo completos.
%Annie% voltou a realidade quando escutou o celular tocar alto no cômodo ao lado, ela olhou para os pais como se perguntasse se eles queriam ajuda.
- Tudo bem, princesa, a gente lava a louça. - o pai sorriu de leve, liberando-a.
Ela agradeceu rapidamente e correu para a sala, atrás da bolsa que havia deixado em cima do sofá, caçou o celular que parecia perdido e quando o pegou, sorriu largamente.
Como se tivesse lido seus pensamentos, o nome daquele que ela estava pensando brilhava na tela do celular.
- Oi, %Ryan%. - ela atendeu, seu humor melhorando instantaneamente só de ouvir a respiração dele do outro lado.
- Oi, amor. Já chegou em casa?
%Annie% suspirou ao escutar amor, ela sempre se derretia quando ele falava aquela simples palavra.
- Já, acabei de jantar. E você? Ainda tá na base?
- Tô subindo pro meu apartamento agora.
- Por que não me avisou que chegaria hoje? Eu teria ido fazer alguma coisa pra você comer.
- Eu te mandei uma mensagem avisando que ia sair com os caras pra comer alguma coisa.
%Annie% bateu na própria testa.
- Desculpe, não peguei no celular desde a hora do almoço. - reclamou.
- Muitos convidados no escritório?
- Até demais. - ela bufou.
- Ele tem ido lá?
%Annie% pôde escutar a voz de %Ryan% mais baixa, quase podia ver ele fechando os punhos ao se referir sobre quem mais detestava.
- Duas vezes por semana.
%Ryan% bufou do outro lado e subiu o último lance de escadas em passos pesados. Não gostava da ideia de seu superior indo lá, sabia que nem tinha tanta necessidade.
Na verdade, sabia exatamente o porque dele ir lá.
- Você não me ligou para perguntar sobre o Major, não é? - ela questionou, agora pegando a bolsa e subindo para o quarto.
- Deus me livre. - os dois riram. - Só liguei para avisar que estou livre nesse final de semana. E que estou morrendo de saudade.
%Annie% se jogou na cama, tirando os sapatos depois de ter jogado a bolsa ao seu lado no chão.
Ela conseguia sentir a sinceridade nas palavras do amado porque sentia a mesma coisa. Queria tanto sentir os braços dele a envolvendo, seus beijos, seu perfume. Sentia saudade até mesmo do olhar dele sobre ela.
%Ryan% já estava dentro de seu apartamento, depois de ter trancado a porta deixou a mala do lado da porta e logo tratou de ir para o quarto, quando escutou %Annie% responder:
- Não posso dormir aí hoje.
%Ryan% franziu a testa enquanto tirava a camisa.
- Nem se eu disser que estou me preparando para tomar banho agora?
- %Ryan%! - %Annie% sentiu as bochechas esquentarem, mas mordeu o lábio inferior, imaginando a cena tentadora. Quase se esqueceu do que estava para falar. Quase. - Lynn me pediu um favor de casamento.
%Ryan% riu, agora tirando os sapatos.
- Favor de casamento? E isso existe?
- Sei lá, estamos falando da Lynn. Vou ter que ver umas coisas na loja de vestidos, ela vai estar ocupada com as coisas do coquetel.
- Só a Lynn pra inventar essas coisas numa hora dessas. - %Ryan% rolou os olhos, sabendo que não ganharia aquela luta.
- Eu posso passar aí na hora do almoço.
- Tenho uma proposta melhor: nós vamos juntos. - %Ryan% propôs, tirando a calça e ignorando sua vontade de se jogar na cama.
- Seria ótimo, se o Connor não tivesse marcado de vocês verem o terno. - %Annie% lembrou.
- Ah droga! Tinha me esquecido disso. - %Ryan% respirou fundo, parecia que estavam destinados a estarem afastados e odiava aquilo. A distância não agradava nada o jovem. - Me diz por que aceitamos esse negócio de sermos padrinhos?
Ela riu, notando o desespero na voz de %Ryan%, embora sentisse o mesmo. Não via a hora de estarem juntos e aquilo parecia ser adiado a cada minuto.
- Porque somos ótimos amigos. - respondeu.
- E porque você vai ficar linda no altar. - ele comentou rápido demais, sem pensar no que havia dito.
Os dois haviam pensado sobre casamento desde que receberam a notícia dos amigos, mas ainda tinham receio de comentarem sobre aquilo, não era assustador para %Annie% porém ela sabia que %Ryan% ficaria paranoico porque sabia que a partir do momento que fosse a senhora %Mackie%, muitos problemas passariam a assombrá-los. E ela sequer se importava com os problemas do exército, na verdade o que a assustava era a família de %Ryan%.
Já para ele, era apavorante de uma certa forma, %Annie% se tornaria um alvo para seus inimigos no exato segundo que assinasse os papéis do casamento. E ele não achava justo colocá-la em perigo daquela forma, porque a qualquer momento não estaria do lado dela para protegê-la, e isso era a única coisa que tirava o sono do Capitão.
Os dois ficaram em silêncio no telefone.
- Eu te busco na loja então. - ele decretou.
Ela sorriu de leve.
- Tudo bem, eu te mando a localização depois.
- Eu te amo tanto, você não tem noção. - %Ryan% passou a mão na nuca, precisava dela ali.
%Annie% suspirou, a saudade agora parecia esmagar seu peito e uma súbita vontade de abraçá-lo lhe tomou conta.
- Você não sabe como eu gosto de ouvir isso. Eu te amo, %Ryan%.
- Até amanhã, meu amor. - se despediu.
%Annie% desligou o telefone e abraçou o travesseiro, imaginando que fosse o amado ali, que seu perfume estava adentrando suas narinas, que suas mãos percorriam as costas dele. Era assim que adormeceria naquela noite, com a ânsia de revê-lo no dia seguinte. Mal podia esperar.
%Ryan% respirou fundo depois de jogar o celular na cama e marchou para o banho, onde se daria ao luxo de passar mais tempo debaixo do chuveiro, pensando em todas as coisas que ele e a namorada fariam.
Na verdade, uma em especial passou em sua cabeça e teriam que realizá-la o mais rápido possível.
[...]
%Annie% andava apressada nas ruas do lado rico da cidade, estava atrasada e se perdesse o horário que Lynn marcou na boutique provavelmente seria estrangulada pela amiga. Mas não tinha feito por mal, na verdade só acordou atrasada por causa de um sonho estranho que teve com a sua querida sogra e cobras. Ainda sentia arrepios ao lembrar do sonho.
%Annie% tendo cobras por todos os lados subindo e se enrolando em seu corpo, em toda a parte, enquanto a sogra ria maldosamente como a própria madrasta da Cinderela, sentada em um trono alto enquanto a assistia ser envolvida pelas serpentes.
De fato, se contasse a melhor amiga sobre o sonho até poderia ser perdoada se atrasasse, não depois de levar uma boa bronca.
Mas nada daquilo seria necessário, já que havia chegado em ponto na loja tentando recuperar o fôlego. Não parou para admirar o local, que era mais chique do que qualquer outra loja de vestidos que havia ido, e foi direto falar com a atendente.
- Bom dia, em que posso ajudá-la? - a mulher sorriu simpática.
- Bom dia, eu vim em nome da noiva Lynn Alcântara.
- Oh sim, ela chegou a avisar. Me acompanhe, por favor.
%Annie% o fez, sendo levada pela atendente até uma espécie de sala de espera bastante elegante.
- Se importa de esperar um instante? Irei chamar nossa estilista.
- Magina. - %Annie% sorriu educada e viu a atendente ir embora.
Olhou em volta e viu algumas clientes bem diferentes do estilo de %Annie%, tudo era tão luxuoso e de outro nível que chegava a deixá-la incomodada e fora do seu mundo.
Suspirou e então pegou o celular da bolsa, lembrou de mandar a mensagem para %Ryan%.
“Lynn me paga, esse lugar é o mais luxuoso que ela já me obrigou a ir. Me sinto como a Cinderela toda cagada. Estou nessa boutique. [Localização]
Te vejo mais tarde. Beijos.”
%Annie% virou o corpo e no mesmo instante sentiu algo se chocar contra seu corpo, como estava relaxada e olhando para o celular nas mãos, acabou caindo para trás em um som alto e vergonhoso.
Sua bunda doeu, mas pelo menos o celular não tinha caído no chão.
- Ah, sinto muito.
Olhou para cima e se deparou com uma ruiva alta a encarando com piedade, %Annie% não soube o que falar. Tudo bem, estava em uma boutique de gente nobre e ali só apareciam pessoas de alta classe na sociedade, mas não tinha encarado essas pessoas tão de perto, mesmo sua melhor amiga sendo uma exceção. Uma mulher parecendo a modelo da Victoria's Secret tinha a derrubado em uma das lojas de vestidos mais cara da cidade. Tinha como ficar pior?
Bem, aparentemente sim.
- Finalmente está no seu lugar de merecimento. - %Annie% sentiu um arrepio passar pela espinha ao escutar outra voz.
Não conseguiria esquecer aquele tom nunca.
Engoliu seco ao virar o rosto em direção a voz, encontrando a dona encarando-a de cima com o nariz empinado.
- No chão, é onde deveria sempre estar.
Simpática como sempre, a sogra tinha se materializado em sua frente e estava tão assustadora como em seu sonho.
“Preciso começar a levar meus sonhos a sério”, %Annie% pensou.
Olhou para a modelo ruiva que parecia não entender o que estava acontecendo e vendo que nenhuma das duas iria ajudar a se levantar, %Annie% o fez sozinha.
E foi aí que se sentiu menor do que era, o olhar das duas mulheres passou de cima a baixo, avaliando as roupas de %Annie%. Na verdade, avaliando tudo, inclusive suas unhas ou detalhes pequenos como suas sobrancelhas que precisavam ser feitas novamente.
Precisou se controlar para não olhar para baixo e avaliar a si mesma, a calça jeans azul escura com a regata branca simples e o sapato branco pareceram errados para as duas madames.
- Conhece Emily Bittencourt? - a sogra sorriu como uma leoa pronta para atacar. - É uma amiga muito íntima de %Ryan%.
A simples menção de %Ryan% fez com que %Annie% entrasse em alerta, olhou para a ruiva que mantinha o rosto sem expressão.
Amiga íntima?
Ignorando sua mente que dizia para ser mal-educada com a mais velha, estendeu a mão para a tal Emily.
- Emily, minha querida, esta é a… garota que está tendo um caso rápido com o meu filho. - escutou a sogra falar, com seu veneno sendo jogado e respingando direto na dignidade de %Annie%.
%Annie% viu Emily mudar a expressão, levantando uma de suas sobrancelhas perfeitas e sorrindo de lado exatamente como se fosse a aprendiz de sua sogra, apertou a mão de %Annie%.
- %Annie% %Madden%. - se apresentou, se sentindo como se estivesse em um circo e ela fosse a atração principal.
- Então é o novo affair de %Ryan%? - Emily perguntou, tão venenosa quanto a sogra.
- Namorada. - corrigiu e então era como se estivesse em seu sonho novamente.
A sogra rindo, desta vez silenciosamente com o nariz fino empinado, com uma cobra apertando sua mão.
“Dá pra ver o porquê delas se darem tão bem”, pensou.
%Annie% só não agradeceu em voz alta quando a estilista chegou interrompendo o momento, porque ainda estava em choque com toda aquela cena.
Mas foi na hora certa, dissipando um pouco aquela tensão, a estilista Lory foi calorosa e praticamente um anjo com %Annie%, a levou embora dali enquanto dizia que havia preparado muitos vestidos para que ela pudesse ver.
%Annie% pôde ver que a sogra a encarou como se pudesse machucá-la ainda mais, entretanto se deixou ser levada pela mulher fina e elegante, ainda segurando o ar. Passar do lado da sogra praticamente matando-a com o olhar era realmente assustador.
“Mal sabe que vou dormir com o filho dela por dois dias seguidos. Víbora.”
%Annie% não imaginou aquele encontro repentino tão cedo, na verdade evitava que esse dia chegasse porque não sabia como reagiria. A mulher era calma, não gostava de brigas e raramente ofendia alguém, mas em relação a sogra era diferente.
Ora, a megera já havia declarado que odiava %Annie%, e embora calma não tinha sangue de barata, amava %Ryan% mas não era obrigada a escutar os insultos daquela mulher quieta e encolhida como uma criança que faz algo errado.
Respirou fundo enquanto tentava prestar atenção no que a estilista dizia, pela primeira vez agradecia por estar ali. E que continuasse bem longe da sogra e da modelo de ouro pretendente favorita de Cristina %Mackie%.
[...]
- Hulk entrando no destino.
O soldado entrava no casebre abandonado e escuro com cautela depois de vasculhar bem a área com as suas lentes especiais para aquela missão no meio da noite. Um silêncio profundo tomava conta do lugar no meio do nada e ajudava o soldado a adentrar ainda mais.
Sua postura rígida e em alerta enquanto segurava fortemente a grande arma próximo ao colete a prova de balas demonstrava uma força incomum, os olhos do soldado eram como de uma águia que estava pronta para atacar.
- Hulk subindo.
Comunicou através do rádio que tinha seu microfone enrolado no pescoço, um típico aparelho de militares, com as roupas escuras e seus passos silenciosos, o soldado subiu as escadas sem fazer um ruído sequer. Observou atentamente o segundo andar vazio e ao constatar que não tinha risco, continuou andando até o final do corredor no lado esquerdo, contou as portas e quando chegou na quinta se agachou encostando na parede estrategicamente.
- Diga o que vê, Hulk. - recebeu a ordem e ainda sorrateiramente, olhou pela fechadura da porta.
- São dois, um de costas e um próximo da vidraça.
- O pacote?
Sorriu de lado.
- Vivo. Por enquanto.
Ficou em alerta quando o segundo alvo que estava perto da vidraça se aproximava do pacote.
- O segundo saiu da minha mira. - escutou reclamarem no comunicador.
- Hulk, é com você.
- Sim, senhor. - sorriu abertamente, agora sim estavam falando a língua dele.
Levantou do chão e respirou fundo antes de chutar a fechadura da porta com tamanha força que a mesma abriu rapidamente, lhe dando plena visão da sala também escura. Com o barulho da porta, o alvo que estava de costas se virou levantando a arma, infelizmente para ele era tarde demais. O soldado já havia atirado duas vezes contra seu lado esquerdo do peito.
Já o segundo alvo havia recebido uma boa cabeçada do pacote, isso havia o atrasado suficiente para que o soldado atirasse em direção ao seu crânio.
Alvos derrotados.
Pacote seguro.
- De nada. - escutou o sussurro do pacote e se aproximou.
Estava com vários machucados no rosto, sua voz estava fraca e rouca, e definitivamente estar com aquelas correntes presas em seus punhos não era nada agradável.
- Pelo quê? - rebateu, colocando a arma para baixo e puxando sua faca no coldre.
- Eu salvando sua vida. - viu o sorriso do pacote e rolou os olhos.
Tirou o pacote das correntes e segurou firme o corpo fraco que cedeu já que estava sem apoio nenhum.
- Sentiu minha falta, M?
[...]
Aquela manhã não estava sendo boa para %Annie% e mesmo que estivesse distraída em seus próprios pensamentos, %Ryan% se encontrava na mesma situação enquanto dirigia.
Na verdade, tinha ido buscar %Annie% justamente para tentar esquecer as coisas que assombravam sua cabeça, coisas das quais não poderia contar a amada. Porém, ela estar quieta e olhando para a janela não fez parte de seu plano então deu privacidade a mulher pensativa ao seu lado.
%Annie% não parava de pensar na cena que a sogra havia criado na loja, junto com todas as outras vezes que vira a mulher, essa era a única coisa que ela escondia de %Ryan%. Ele não fazia ideia de que ela já havia conversado com sua mãe, céus, se ele descobrisse que elas já tinham até mesmo conversado.
Bom, se é que ter sido ofendida todas as vezes pudesse ser chamado de conversa.
Quando %Annie% acabou seu compromisso de madrinha, entregando os ajustes dos vestidos da noiva, mãe da noiva e madrinhas, e confirmado os detalhes combinados com Lynn, logo ligou para %Ryan% ir encontrá-la na loja, para ele fora mais fácil já que as medidas tinham sido ajustadas e era apenas isso.
%Annie% sequer pensou se ele e a mãe se encontrariam na saída da loja, só queria ir embora o mais rápido possível. Quando ele chegou não esperava que %Annie% entrasse no carro em desespero e ainda o abraçasse tão forte que chegava a ser preocupante, ele apenas afagou os cabelos dela e deu um beijo em sua bochecha.
Perguntou se ela estava bem e apenas sentiu ela concordando com a cabeça,
%Annie% não confiava em sua própria voz pois sabia que ela a entregaria e por agora, não queria conversar. Só queria se sentir segura nos braços dele e ir embora dali.
Eles se afastaram e %Ryan% depositou um beijo na testa dela antes de dar partida no carro.
%Annie% apreciava o respeito que o namorado tinha por ela naquele momento, porque agora sua mente era perseguida por memórias que ela jurou ter esquecido há muito tempo.
Há 3 anos e 2 meses. Casa da Lynn.
Por volta das 18:45 PM.
%Annie% estava quase pulando de emoção na casa da melhor amiga, tinha conseguido uma entrevista de emprego em um ótimo restaurante no centro da cidade e mal podia conter a ansiedade de poder colocar em prática tudo o que havia aprendido na escola técnica.
Lynn tinha parado de desenhar suas roupas depois de escutar a notícia e agora jogavam conversa fora, esse era o lado bom das duas ainda serem desempregadas.
- E o Connor? - %Annie% perguntou, vendo a amiga sorrir boba.
- Ele é maravilhoso, %Annie%, acredita que ele veio até aqui em casa pedir permissão para namorarmos para os meus pai?
- Que romântico!
- Eu fiquei bem surpresa do meu pai deixar, sabe como ele é protetor.
- Mas seu pai é um cara muito legal, Lynn, ele viu que o Connor tem boas intenções.
- É verdade e vem cá, falando em boas intenções, e o %Ryan%, hein?
%Annie% tentou não esboçar nenhuma reação ao escutar o nome do rapaz, mas foi impossível, sentia suas mãos gelarem só de pensar nele.
Se conheciam há um ano e coisas haviam acontecido, coisas que havia escondido até mesmo da melhor amiga.
- O que tem ele? - tentou se fazer de desentendida.
Claro que não deu certo, o fato de Lynn ter levantado uma sobrancelha e cruzado os braços já dizia tudo.
- Você sabe, ele não tentou nada?
%Annie% deu de ombros.
- Não sei do que você está falando.
- Há quanto tempo a gente se conhece? - a melhor amiga questionou.
- Quase a vida toda.
- E você quer mesmo mentir para mim?
%Annie% a encarou, criando coragem para contar e suspirando, se deu por vencida vendo que a amiga não a deixaria em paz enquanto não obtivesse a verdade.
- Estamos juntos. - admitiu.
Lynn não parecia surpresa, na verdade ela sequer se moveu da cadeira.
- Juntos como?
- Ah Lynn, eu não sei. - %Annie% abraçou o travesseiro em cima da cama. - Não colocamos definição em nada, você sabe, a gente nunca foi só amigos.
Lynn concordou, sabia muito bem disso, da animação que %Annie% falava sobre o rapaz na primeira vez em que se viram e como se sentiu mal por não alertar a amiga do enorme problema que estava se metendo.
- Não quero que se machuque. - alertou.
%Annie% sorriu de leve.
- Eu não vou. Eu estou realmente apaixonada por ele, amiga, nunca me senti assim antes. Por nenhum outro cara.
- É, e você se apaixonou bastante. - Lynn brincou, protelando em contar o que sabia.
- Erros de percurso, tá bom? - as duas riram.
- Gosta mesmo dele? De verdade? - questionou, para poder ajudar e apoiar a amiga precisava ter certeza.
%Annie% suspirou e olhou para o nada enquanto pensava, sorriu de lado ao lembrar dos momentos juntos.
- Eu o amo. - concluiu mais para si mesma e então voltou a olhar aterrorizada para a melhor amiga. - Eu o amo. - repetiu, tentando entender o que havia dito.
Lynn sorriu tentando reconforta-la e foi até onde a melhor amiga estava deitada, colocou a mão em cima da dela e falou:
- Então deixe-o saber.
%Annie% mordeu a parte de dentro da bochecha, incerta e com medo do que isso poderia acarretar, contar tudo o que sentia por %Ryan% agora? Mas não era tão repentino?
Iria afastar o rapaz ou ele daria um fora nela?
Quer dizer, suas últimas experiências amorosas não haviam sido tão boas assim. A primeira paixão de infância e pré-adolescência que acabou com o garoto pegando sua amiga próxima na escola, a paixão havia durado bons anos. A segunda paixão havia assumido um relacionamento com um outro homem logo depois de %Annie% chegar a pensar em assumirem um relacionamento, do qual os dois ainda estavam incertos, mas a família de ambos gostava da ideia… que não veio. E a última e mais recente, seu crush aparecer namorando dias depois de terem ficado e criado esperanças de um possível relacionamento. As três experiências magoaram %Annie% a ponto de não querer saber mais de namoro ou coisa parecida, estava convicta de que seu foco precisava ser outras coisas.
Porém, com %Ryan% era diferente. Desde o começo.
Ele apareceu e então mudou tudo, %Annie% não conseguia pensar em qualquer coisa no futuro quando estava com ele, só queria ficar com ele nos momentos roubados que tinham um com o outro. Não estava mais fazendo planos que nunca aconteceriam, e sim aproveitando o tempo que tinham.
Na verdade, só vinha dando certo as escondidas porque os dois pensavam assim. Nada de passado ou futuro, o que importava era o presente.
%Annie% suspirou e olhou para a amiga, sorriu de leve.
Ela estava certa, de fato.
Agora só precisava achar uma forma de contar tudo a %Ryan% sem assustá-lo.
Mais tarde naquele mesmo dia, %Annie% e Lynn conversavam sobre as Forças Armadas do país, afinal Connor era neto de um grande Almirante da Marinha e como o rapaz era o assunto favorito da melhor amiga, eventualmente falavam sobre os militares.
%Annie% tentava entender como Lynn ficava despreocupada quando Connor sumia por semanas graças aos treinamentos militares que tinha que fazer, sem dar notícias nenhuma por dias, já que a patente do soldado ainda era baixa graças ao seu tempo de serviço ser tão pouco. Sabia que a melhor amiga gostava muito do rapaz, mas imaginava como a saudade devia apertar o coração de Lynn. Entretanto, claro, a amiga assegurava que mais preocupada com o bem estar dele, ela ficava com o fato de ele estar feliz. Connor amava a vida militar, e se ele queria fazer aquilo a vida toda, Lynn apoiaria.
%Annie% mordeu o lábio ao pensar em %Ryan% de uniforme, servindo e vendo seu corpo ganhar mais forma.
- Fico imaginando como %Ryan% seria se fosse militar.
Lynn riu, desacreditada.
- Isso nunca vai acontecer.
%Annie% franziu a testa.
- Por quê?
A jovem viu quando a melhor amiga hesitou em responder, sem entender o motivo.
- Os %Mackie% nunca permitiriam. - tentou explicar de uma forma mais tranquila embora quisesse se bater por trazer esse assunto a tona, ainda mais devido às circunstâncias.
- Como assim, Lynn? Isso é uma decisão do %Ryan%.
“Se fosse fácil assim…”, Lynn pensou.
- Acho que %Ryan% nunca comentou com você que a regra número um da família dele é nunca entrar no exército.
%Annie% estava confusa. Tudo bem, não se sentia péssima porque ele não havia contado, até porque o assunto 'Família %Mackie%’ era proibido entre o casal. A confusão se dava ao fato de terem uma regra tão idiota quanto essa.
- Política e exército são duas coisas que não conseguem andar juntas nesse país, %Annie%, e você sabe o potencial para a política que os %Mackie% tem.
Isso ela sabia, afinal eles só eram da alta sociedade graças a fama do avô de %Ryan%, o maior e mais conhecido governador do estado em que moravam.
Eduardo %Mackie%. Falecido há anos em que a causa ainda é desconhecida, teorias da conspiração dizem que ele foi assassinado pelo sistema.
Bom, agora tudo parecia se encaixar na cabeça de %Annie%. Realmente as duas coisas não andavam juntas, política era um dever cívico enquanto o serviço militar tirava qualquer tipo de dever da pessoa, ela não devia opinar ou se opor contra o Estado porque se tornaria parte dele. Era apenas seguir ordens enquanto viver.
%Annie% ficou em silêncio, pensando se %Ryan% gostaria de se prestar a um papel desse, virar um político famoso… não conseguia vê-lo excedendo tal coisa. Podia conhecer o rapaz há menos tempo que a melhor amiga porém sabia que ele não era do tipo que tirava dos outros e sim, do que se sacrificava pelos outros.
- Posso ver o álbum de fotos da sua família? - %Annie% pediu gentilmente a amiga, que sorriu em resposta.
Não entendia a fascinação de %Annie% pelas fotos de seus familiares e descendentes, mas gostou de ver que mudaram de assunto.
- Sabe onde está, né? - %Annie% assentiu. - Pode pegar, tenho que começar a me arrumar para encontrar o Connor.
%Annie% riu e revirou os olhos teatralmente para brincar com a amiga, saindo do quarto ela desceu as escadas em direção ao escritório do pai de Lynn.
Prestes a entrar, notou que a porta estava entreaberta e a mão receosa parou no ar antes de tocar a maçaneta, foi então que começou a escutar vozes. Educada como sempre, decidiu sair e voltar mais tarde, afinal nunca fora de escutar a conversa dos outros atrás da porta.
Até ouvir o nome de %Ryan%.
- Então me diga, Cristina, como vai %Ryan%? - a mãe de Lynn perguntou.
- Galanteador como sempre, sabe como meu filho é.
Aquela foi a primeira vez que %Annie% escutou a voz da futura sogra e por mais que estivesse animada de estar há poucos metros da figura materna de %Ryan%, a voz dela era firme e assustadora.
Exatamente do tipo das mães da alta elite que iam nas reuniões da escola e chamavam a atenção com seus saltos ecoando pelos corredores.
%Annie% passou a mão em frente ao rosto para tentar apagar aquela nuvem negra que se formava diante de seus olhos trazendo a imagem das dondocas que tanto viravam o nariz quando viam a “bolsista pobre” entrar no colégio caro.
- Os Espinosa ainda tentam casar a primogênita com o %Ryan%?
%Annie% franziu a testa e piscou algumas vezes para ter certeza se tinha escutado mesmo aquilo.
- Ah você sabe como eles são, não é? Todos querem que suas filhas se tornem a esposa de %Ryan% no futuro e embora meu marido deixe que continuem, já escolhemos a próxima senhorita %Mackie%.
- E %Ryan% concordou com isso?
- Querida, %Ryan% sabe muito bem das regras da nossa família e se casar com alguém da alta sociedade é uma exigência nossa. Em menos de seis meses anunciaremos seu noivado.
- Mas Cristina e se um dia ele disser que está apaixonado por outra?
- Uma suburbana qualquer? Meu filho sabe das consequências, ou a família ou a biscate que estiver tentando dar o golpe.
%Annie% sentiu o sangue gelar e o coração parar, a frase ecoava alto em sua cabeça e precisou tapar a boca com a mão enquanto as lágrimas se formavam. Engoliu não só alguns soluços, mas principalmente seu orgulho, que a esse ponto já estava destroçado no chão.
A forma fria como Cristina havia proferido aquelas palavras só demonstravam a seriedade das mesmas, uma mulher daquela jamais mentiria sobre aquilo e nem teria motivos para fazê-lo.
Mas %Ryan%… ele nunca havia mencionado aquelas regras para ela enquanto estavam juntos, tudo bem que mais trocavam juras de amor do que falavam sobre suas vidas, só que detalhes tão importantes assim deveriam pelo menos ser mencionados… Eu tenho alergia a gatos, não gosto de espinafre, eu sou prometido para outra pessoa.
Sentindo um bolo em sua garganta que parecia atrapalhar até mesmo sua respiração, %Annie% deu meia volta e se arrastou de volta para o quarto de Lynn, visivelmente pálida e agora perguntando a si mesma qual %Ryan% ela conhecia de verdade e em quem podia acreditar.
Nota da Autora: Gente, eu não vou negar, eu realmente estou muito animada em continuar essa história hahaha e eu espero que vocês estejam tão animados quanto eu.
Não quero deixar ninguém ansioso, mas aguardem o próximo capítulo! 👀
Até logo 💚
Se vocês quiserem ler Military ouvindo a playlist que eu criei no Spotify, eu aconselho 😉