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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Melody

Escrita porLi Santos
Editada por Lelen

Parte IV • Sobre a vida no exterior

  Alguns meses depois...

  Li já está totalmente adaptada à nova rotina como fotógrafa da Flow, seja em gravações em estúdio ou até mesmo em shows, apresentações em programas de TV e rádio. Tudo que diz respeito à banda, ela registra.
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  O namoro com Kohshi também anda muito bem, a cada dia que passa eles estão mais conectados e apaixonados um pelo outro. Ele está ensinando a moça a falar seu idioma e vice-versa; para a felicidade do pai de Li, a moça finalmente está falando e escrevendo em japonês do jeito que ele sempre tentou ensiná-la, mas nunca conseguiu.
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  Durante esses meses em que está no Japão, a Mori ficou bastante amiga da Ayumi, produtora da Flow, ela foi uma das primeiras pessoas para quem Kohshi e Li contaram que estavam namorando e uma das que mais apoiam o relacionamento dos dois.
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  Porém, há alguns boatos que correm por entre os staffs da banda de que Li não gosta de verdade de Kohshi, de que ela só finge para poder conseguir morar em outro país.
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  Em um dia de show, Kohshi e os outros se concentram no camarim enquanto aguardam sua vez de subirem ao palco.
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  Enquanto isso, uma conversa quente se inicia.
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  — É estranho demais! — comenta um dos staffs enquanto conversa com outro
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  — A cor dela...
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  — O que tem a cor dela? — questiona Kohshi, se aproximando de repente e com uma expressão séria no rosto.
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  — Kohshi-san! — espanta-se o rapaz.
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  — Estão falando da Li, não é? — ele pergunta o óbvio.
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  — Kohshi-san... Você não...
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  — É melhor não perguntar... — alerta o outro rapaz, porém a curiosidade do outro é grande.
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  — A pele dela ser escura... Isso não te incomoda?
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  Kohshi o encara com completo desdém.
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  — Isso não me incomoda. Aliás, não deveria incomodar ninguém — ele diz com firmeza. — Não seja preconceituoso, seu babaca! E vê lá como fala da minha namorada na minha presença — alerta Kohshi, começando a ficar irritado.
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  — Calma, meu irmão — diz Take ao se aproximar do princípio de confusão.
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  — Calma, Kohshi-san! — defende-se Ren, o autor da fala que irritou Kohshi. — Só disse isso porque as pessoas falam, a diferença é gritante da sua cor para a dela.
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  Irritado, Kohshi parte para cima de Ren, porém é seguro por Take.
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  — Para de falar besteira, cara! Ou, da próxima vez, eu não vou segurar o meu irmão. Vou deixá-lo bater em você — ameaça Take e completa: — Aliás, eu mesmo farei isso se você insistir.
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  — É melhor você sair daqui — diz Keigo com tranquilidade também se aproximando.
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  — Não se pode mais falar... — inicia Ren, mas é cortado por Kohshi.
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  — Não! Não pode, não pode falar se você é um babaca preconceituoso! E lave sua boca imunda para falar da Li! — brada Kohshi. — Me solta, Take! Eu não sou bater nele...
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  Take solta o irmão, que ajeita a camisa no corpo e respira fundo tentando se acalmar, mas logo sente seu sangue voltar a ferver quando ouve a seguinte frase:
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  — Ok, fica com ela então. Soube de umas histórias... — diz Ren dando de ombros. — Vai se arrepender se ficar com ela, será mais um famoso enganado.
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  Dessa vez Take não segura o irmão que parte com tudo para cima de Ren, socando-lhe a face, logo escorre sangue de seu nariz. Keigo segura o amigo puxando-o para trás.
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  — Não vale a pena, Kohshi! Deixa ele! — diz Keigo enquanto tenta acalmar o amigo que está muito irritado.
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  — Sai daqui, seu desgraçado! Me solta, Keigo!
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  — Sai daqui, Ren! — dispara Take.
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  Kohshi nunca havia ficado tão irritado na vida, seu sangue borbulha em suas veias e sua cabeça fervilha em pensamentos diversos.
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  Como as pessoas podem ter pensamentos tão idiotas a respeito de alguém assim? Por causa da cor? Pessoas de etnias diferentes não podem se relacionar? É isso?
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  Não, para Kohshi isso não faz o menor sentido e, para a maioria das pessoas inteligentes e civilizadas, também não. Porém, a minoria preconceituosa e ignorante, nesse sentido, parece dominar os pensamentos da humanidade. Kohshi queria ter o poder de mudar isso.
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  Ren deixa o camarim e Kohshi anda de um lado para o outro tentando respirar e se acalmar. Em menos de cinco minutos, Li aparece no camarim percebendo o clima pesado que está no ar.
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  — Aconteceu algo, rapazes? — diz ela com o olhar suspenso. Ela segura sua câmera nas mãos e carrega sua mochila em um dos ombros.
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  — Nada, Li-chan, não se preocupe. Está tudo bem, né?! — diz Keigo sorrindo carinhoso.
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  Kohshi ainda está muito irritado, mas tenta não transparecer isso na frente dela que se aproxima e lhe dá um beijo rápido. O que ele não sabe é que a moça havia ouvido toda a discussão, bem no momento em que ela ia entrar no camarim, ela ouviu as vozes exaltadas de todos e entendeu do que se tratava.
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  Não era a primeira vez que ela ouvia tais falas racistas direcionadas a ela, sempre lidou bem com isso e não deixou que afetasse seu bem-estar psicológico. Porém, particularmente depois que se mudou para o Japão, ela vem ouvindo alguns comentários do mesmo nível que esse que ouviu de Ren, histórias de que ela só está com Kohshi por interesse, histórias de que ela não serve para ele por ser preta, histórias de que ela teoricamente "roubou" o homem da Harumi, histórias... todas elas têm afetado a moça que não contou nada ao namorado, sabe que ele vai tentar defendê-la e ela não quer que ele se envolva nisso, é assunto dela e ela quer resolver.
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  Por outro lado, Kohshi fica pensativo, mesmo durante o show que acontece agora, sobre o que Ren disse sobre Li. Enganar mais um famoso, como assim? Esse pensamento vai e volta na mente dele, quase o levando à loucura.
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  Ele sente uma forte dor de cabeça e desmaia no palco.
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[📷]

  Antes de abrir os olhos, Kohshi ouve vozes conhecidas ao redor dele, sente o calor conhecido das mãos de Li em seu rosto e tórax, sorri involuntariamente.
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  — Kohshi? — indaga Li ao ver o sorriso dele, que logo abre os olhos. — Ah, que alívio, Koh...
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  — Oi... — sussurra ele e dá um beijo na mão de Li que está repousada em seu rosto. — Me desculpe pelo incômodo — ele diz em japonês.
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  — Tudo bem — ela responde também em japonês e Kohshi sorri.
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  — Aprendeu direitinho...
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  — Tive o melhor professor — responde Li abóbada. — Fiquei preocupada, Koh. O que houve?
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  Kohshi suspira pesadamente.
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  — Tive uma dor de cabeça forte e acabei desmaiando — ele diz simplesmente, sem revelar o motivo de sua dor de cabeça.
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  — Precisa se cuidar mais, Koh... — ela faz carinho no rosto dele que lhe sorri de canto.
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  — Obrigado por estar comigo e me amar — ele diz e fecha os olhos por alguns instantes.
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  A vontade de Kohshi é de chorar, ele sente os olhos arderem e a vontade de derramar lágrimas de seus olhos crescendo mais, porém ele controla sua emoção. Não saberia o que dizer para Li para explicar seu choro, não quer contar para ela sobre o que Ren havia dito. Ao mesmo tempo que ele quer preservá-la, ele se questiona se ela sabe desses boatos contra ela e, se ela sabe, por que não lhe disse nada a respeito?
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  Pensando demais nessas coisas, Kohshi volta a sentir pontadas em sua cabeça e leva uma das mãos à testa.
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  — Voltou a doer, não é? — indaga Li, preocupada.
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  — Já vai passar...
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  Visivelmente preocupada com o namorado, Li avisa ao cunhado que Kohshi não está bem para voltar para o show, que havia parado quase na metade. Também preocupado com a saúde dele, Take avisa ao produtor do festival em que se apresentavam que o irmão não tem condições de prosseguir com o show, sendo assim, por respeito a ele, a Flow não fará o restante da apresentação.
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  Chateado com o cancelamento do show, Kohshi volta para seu apartamento totalmente contrariado e acompanhado de sua namorada. Li insistiu em levá-lo para casa para ficar de olho nele, sabendo que ele certamente não iria se cuidar direito.
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  Algumas horas depois...

  O calor do corpo de Kohshi é algo que acalma Li, ela se sente extremamente tranquila e protegida quando está próxima a ele como está agora. Deitada em seu peito, a moça disfruta da presença forte do namorado que dorme tranquilamente.
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  Somente agora ela consegue cochilar um pouco, mas logo é acordada com o movimento de uma das mãos de Kohshi que vai diretamente para a intimidade de Li, que imediatamente abre seus olhos e encara o rosto de Kohshi que sorri pervertido também a encarando.
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  — Koh... — diz ela com a voz falha, sentindo um enorme calor transcorrer pelo seu corpo e concentrar-se em sua intimidade que se umedece com o toque do homem. — Kohshi, você...
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  — O que, Li? — diz ele com a voz sensual, sussurrante e baixinha.
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  — Ah, Koh...
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  Li não consegue concluir seu pensamento, pois Kohshi agora tem sua mão por dentro da calcinha dela com os dedos introduzidos em sua intimidade, fazendo movimentos coordenados para o prazer dela.
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  Virando o corpo mais lateralmente, ela põe sua perna direita sobre as pernas dele e começa a rebolar levemente. O braço livre de Kohshi abraça o corpo de Li e aperta sua cintura com força, os movimentos são tão prazerosos para ele quanto são para ela.
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  Num movimento brusco, Li sobe no corpo de Kohshi e começa a rebolar mais intensamente, como se estivesse sendo penetrada pelo membro do namorado. A expressão de tesão estampada em seu rosto enquanto encara ele só demonstra o quão ela está gostando e o quão rápido chegará ao seu ápice. E realmente não demora para que isso aconteça.
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  Cheia de tesão, agora é a vez de ela querer retribuir o prazer que ele lhe deu.
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[📷]

  No dia seguinte, Kohshi e Li chegam cedo ao estúdio onde hoje serão gravadas mais algumas músicas para o novo CD.
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  O dia é longo, já são 4:14PM e Li faz uma breve pausa para ir ao banheiro lavar o rosto, está muito quente em Tóquio e, mesmo acostumada com o calor de Salvador, a moça sofre com a quentura que faz na capital japonesa. No caminho do banheiro, ela passa por duas mulheres do staff que claramente estão cochichando uma com a outra em japonês na intenção de que Li não entenda.
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  — ... tenho certeza que sim, ela está com ele por interesse — comenta uma delas sem imaginar que Li consegue entender perfeitamente. As aulas com Kohshi têm tido frutos promissores.
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  — Oh, que horror! Pobre Kohshi-san que está preso a ela — diz a outra, horrorizada.
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  Ao passarem por Li, elas param de falar e encaram a moça que procura não levantar o olhar para elas, mantendo-o para frente e erguido.
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  — Manipuladora!
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  Ambas dizem e Li sente seu sangue ferver de vontade de responder a elas, porém, sua única reação foi apertar o próprio pulso com muita força e correr para o banheiro.
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  Já lá dentro, ela começa a chorar compulsivamente e continua apertando seu pulso com força, as unhas fincadas em sua pele estão lhe machucando, mas sua intenção é fazer com que a dor da ofensa passe. Tudo isso sem sucesso.
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  — Li-chan? — a voz abafada de Ayumi vem de dentro de um dos boxes do banheiro. Li tenta controlar-se.
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  — Ayumi? — indaga ela de volta, enxugando as lágrimas. Ayumi sai do box de onde está e vê a amiga chorando, tentando esconder as mãos.
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  — O que houve, Li? — questiona ela, preocupada e se aproxima da amiga.
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  — Nada...
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  — Li, eu sei que aconteceu algo! Foi alguém do staff de novo, não foi? — insiste Ayumi.
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  — Não foi nada demais... Eu já... já vou ficar bem — responde Li, rendendo-se enquanto segura firma seu pulso, escondendo a vermelhidão que certamente está no local.
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  — Li! Você precisa contar para...
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  — Ayumi não conta pros rapazes, por favor — pede Li.
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  — Li, eles precisam saber. O Kohshi precisa saber — enfatiza Ayumi que já sabia dos boatos e coisas mesquinhas que dizem sobre Li.
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  — Não conta pra ele sobre isso...
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  — Ele ficará sabendo de alguma forma, Li.
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  — Basta você não contar, por favor, Ayumi!
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  — Eu não vou contar. Está bem, não vou contar — diz Ayumi, tranquilizando Li.
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  Prometendo não contar nada a ninguém sobre o ocorrido ali, Ayumi acompanha Li de volta ao estúdio. Os rapazes estão finalizando mais uma gravação e Li volta a tomar posse de sua câmera para registrar mais alguns momentos desse processo.
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  As mulheres que acusaram Li a observam de longe, em um dos cantos da sala de controle de som, onde ela está agora tirando fotos de Kohshi que está dentro da sala de gravação cantando. Li tenta ignorar os olhares acusatórios sobre ela e se concentra nas fotos que tira de Kohshi.
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  Ao fim da gravação, exausto, o homem deixa a sala, dando lugar ao Keigo que vai gravar a sua parte na música, e vai para onde Li está sentando-se ao lado dela no sofá.
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  — Oi, amor — diz Kohshi com um sorriso fofo no rosto.
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  — Oi, meu bem — responde Li também sorrindo.
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  — Posso ver? — ele refere-se às fotos que a telinha da câmera exibe.
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  — Claro.
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  Li estica o braço, mostrando a câmera para ele, mas acaba revelando seu pulso que agora está levemente roxo.
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  — Amor, o que houve com seu pulso? — questiona Kohshi segurando o pulso dela com cuidado.
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  — É... Eu acabei machucando — ela diz sem muita certeza enquanto tenta pensar em uma desculpa melhor para dar a ele.
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  — Como? — É difícil mentir para Kohshi quando ele olha para Li com seu olhar preocupado, os olhos brilhantes a encarando.
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  — No banheiro... — responde Li baixinho.
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  — Li-chan! Conta para ele! — diz Ayumi, de repente, se intrometendo na conversa.
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  — Ayumi! — diz Li em desespero.
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  — Contar o que, Li? — indaga Kohshi, preocupado.
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  — Ela fez isso porque estava nervosa com algumas acusações idiotas que fizeram a ela, Kohshi — revela Ayumi.
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  — Ahhh, Ayumi!!! — brada Li, nervosa.
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  — Não me olhe assim, Li, ele merece saber — defende-se a moça.
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  — Amor, que acusações são essas? — questiona Kohshi com confusão.
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  — Koh... Deixa isso para lá.
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  — Eu quero saber... Por acaso, são boatos de que você me usa, que na verdade não me ama?
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  Li arregala o olhar, surpresa.
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  — Você sabe disso? — indaga ela, assustada.
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  — Eu te disse que eu possivelmente sabia, Li — diz Ayumi.
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  — Soube de alguns boatos, mas eu não acredito em nenhum deles — afirma Kohshi. — Amor, por que não me contou?
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  — Sei me defender sozinha, Koh — diz ela com a voz embargada.
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  — Li... Quem foi?
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  — Kohshi, por favor...
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  — Quem foi? — insiste ele, nervoso.
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  Sem esperar pela resposta da namorada, Kohshi levanta-se do sofá e começa a falar alto para que todos ouçam.
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  — Atenção aqui, por favor! — grita ele, chamando a atenção de todos que o encaram — Eu soube que há alguns boatos a respeito da Li, nossa fotógrafa e minha namorada. Boatos mesquinhos e infundados que foram inventados por pessoas que claramente não têm o que fazer. Soube também que alguém a intimidou hoje mais cedo. — As mulheres que fizeram isso se encolheram em seus corpos com medo de serem descobertas por Kohshi. — Fizeram isso para se sentirem superiores a ela? Pois saibam que não são! Agir dessa forma só lhes fazem pessoas sem coração, sem alma, podres por dentro e totalmente mesquinhas! — brada ele, muito irritado.
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  — Koh... — sussurra Li, tentando controlar seu choro.
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  Kohshi a puxa pelo outro pulso, fazendo com que ela se levante, e a conduz até a saída do estúdio sem dizer mais nada. Ela acaba deixando a câmera no sofá, mas Ayumi guarda para que não perca nada.
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  Ao chegarem ao estacionamento, eles entram no carro de Kohshi e ele dá a partida a caminho do hospital para que cuidem do roxeado que está o pulso de Li. Após receitarem uma pomada para a pequena ferida que se abriu e gelo para diminuir o roxo em sua pele, Li e Kohshi voltam para casa, para o apartamento dele.
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  Já no apartamento de Kohshi, Li vai direto para o quarto e se joga na cama dele com o rosto enfiado no travesseiro, cheia de vergonha. No fundo, ela sabe que não deve sentir vergonha por ter sido atacada, ela sabe que não fez nada errado, sabe também que seus sentimentos por Kohshi são os mais verdadeiros possíveis, ela o ama de verdade e ele também sabe disso. De qualquer forma, Li não consegue não se sentir mal com toda a situação e chora baixinho ainda com o rosto no travesseiro.
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  Kohshi para na porta e observa a namorada deitada na cama, encolhida e chorando. Sente-se impotente por não poder fazer essa dor passar, ele nunca quis que ela passasse por isso, ele mal imaginava que isso poderia ocorrer com ela. A última coisa que ele quis é vê-la chorando dessa forma, ainda mais por causa de pessoas que não sabem o que dizem, pessoas preconceituosas e idiotas, na visão dele.
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  Ele se aproxima da cama e deixa seu chapéu e óculos em cima da escrivaninha, deitando-se na cama e abraçando Li pelas costas, eles dão as mãos. Kohshi deposita um beijo no pescoço dela.
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  — Por que não me contou? — sussurra Kohshi após um tempo calado.
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  — Achei que conseguiria contornar a situação — responde Li baixinho.
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  — Por favor, não passe por isso sozinha — ele diz com um nó na garganta.
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  — Eu sei me defender, Koh.
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  — Eu sei disso, mas eu quero te ajudar. Não posso ver você sofrendo esse tipo de agressão e não fazer nada, Li — diz ele e Li vira-se para encarar o namorado, Kohshi acaricia o rosto dela. — Eu te amo, meu amor — ele diz, em japonês e Li sorri.
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  — Eu te amo, Koh — responde ela de volta e encosta a testa no peito dele.
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  — Eu gosto do jeito de como você agita o meu coração e também de como o acalma. — Kohshi sorri de leve e ela não consegue se conter, voltando a chorar.
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  Kohshi envolve Li em seu abraço, acolhendo a moça com todo carinho que sente por ela, transmitindo seu amor ele tenta amenizar a dor que ela sente pelo preconceito que sofreu. Situações como essas já foram vividas por Kohshi de maneira diferente, no caso, ele sofreu de xenofobia que é um tipo de preconceito tão infundado quanto o racismo.
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  Não foi fácil para ele, nunca é, mas ele tenta se apegar a coisas que o deixam bem, a coisas que o fazem prosseguir e combater tais ataques que possivelmente ele sofra. Ele tenta ser para Li, nesse momento, uma dessas coisas que ele mesmo se abriga quando precisa. E ele é.
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  Li consegue sentir que o amor de Kohshi a deixa mais forte, por mais que ela fosse suficientemente feliz sozinha, ao lado do homem ela descobriu um novo significado de amor; uma nova forma de união de corpos e almas iguais; sim, iguais em sua essência.
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  Li e Kohshi são incrivelmente idênticos quando se trata em demonstrar sentimentos. Mesmo com as adversidades da vida, seguem juntos guiados pela melodia que o sentimento que têm um pelo outro produz. A música que só é tocada por eles, que só eles conseguem compreender. A melodia que os faz seguirem de pé, fortes e firmes para prosseguir com a vida maravilhosa que o destino reservou para ambos.
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  Juntos numa só melodia.
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“O tom que você toca se junta com a minha voz.
  Se isso se transformar em uma música,
  poderemos atravessar o céu.
  Ligados a este sentimento,
  Vamos seguir em frente...”
  Melody, FLOW

FIM

  Nota da autora: MELODY é um projeto antigo, de janeiro de 2021, porém, desde fevereiro que ele está parado porque eu não conseguia um final para a história. Na verdade, eu só tinha a primeira parte dela idealizada e estou travada nela desde então. Mas, com uma bela ajuda do Kohshi, muso dessa história, eu consegui planejar e concluir a fic do jeito que imaginei.
  Agradeço a ele por isso, obrigada Koh <3
  Obrigada a todos que leram também e me contem o que acharam, respondo a todos <3

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Lelen

Eu não conheço FLOW (ouvi umas músicas, mas não acompanho kkkk), mas trouxe a história pro meu campo de conhecimento, E QUE SONHO o seu favorito te ter como favorita também, né?
E assim, acho que a maioria dos asiáticos tinham esse preconceito com estrangeiros, mesmo os descendentes de japoneses não eram muito bem recebidos se viessem de fora, então imagina uma brasileira. Kohshi, depois que se aposentar, vem morar no Brasil, algumas tecnologias e costumes podem ser bem diferentes, mas as pessoas são receptivas.

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