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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Melody

Escrita porLi Santos
Editada por Lelen

Parte II • Sobre o show cover

  No dia seguinte, a Flow não tem compromissos oficiais. Na verdade, era para eles estarem em um avião a caminho de casa, porém, a convite do produtor do evento, eles ficam para um outro evento que logo irá começar.
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  O show que começará em instantes é totalmente surpresa para Kohshi e os outros que estão em um camarote que fica na parte alta de uma casa de show da cidade. A plateia está lotada de pessoas ansiosas para a apresentação.
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  — Sobre o que é esse show? — pergunta Take, curioso.
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  — Logo vocês irão saber e certamente irão gostar — responde o produtor, simplesmente, com um sorriso no rosto.
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  Assim que ele encerra o comentário, as luzes do lugar se apagam e somente as do palco se mantém acesas. Nesse momento, ouve-se os gritos de incentivo do público, uma música de abertura começa a tocar e uma contagem regressiva inicia, ao chegar no zero, os integrantes da banda começam a entrar no palco a começar pela baterista que senta em seu banquinho à frente da bateria; depois entra no palco o baixista e a guitarrista cumprimentando o público e posicionando-se em seus lugares; por último entram os vocalistas, um deles logo é reconhecida por Kohshi.
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  — Li! — diz ele, surpreso.
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  O público grita enlouquecido com a entrada da banda de Li e quando os primeiros acordes da música são executados, todos percebem o óbvio.
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  — Ela tem uma banda cover nossa? — indaga Take, risonho e de maneira retórica, pois está mais que óbvio que Li tem uma banda cover da Flow.
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  — Incrível! — diz Kohshi, em seu idioma, com o olhar fixo em Li.
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  Ela começa a cantar e a voz dela invade a alma de Kohshi de maneira arrebatadora.
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  Que voz é essa? Que melodia é essa?
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  Kohshi está arrepiado e não consegue parar de olhar para aquela mulher que canta tão lindamente no palco. Ela faz a parte dos vocais que cabem ao Kohshi e está vestida com uma roupa parecida com a que Kohshi vestia no show de ontem, usa anéis nos mesmos dedos que ele usa, canta com o microfone na mão esquerda igual a ele – mesmo ela sendo destra e isso a confundir em alguns momentos –, ela faz inclusive os tocs de Kohshi, os trejeitos durante as músicas e durante a apresentação. Tudo meticulosamente executado.
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  — Cara, ela tem todos os seus trejeitos esquisitos. Será que ela é sua stalker, irmão? — comenta Take, no meio do show, e completa: — Pergunta para ela, por favor!
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  — Cala a boca, Take! Não vou perguntar isso — diz Kohshi envergonhado com o comentário do irmão, mas ele não pode negar que ela tem sim os trejeitos exatos dele no palco e que ela tem uma voz maravilhosa que encanta ainda mais o homem.
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  — Ele está hipnotizado olhando para ela, olha só... — diz Take baixinho, sussurrando para Keigo.
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  — Muito — Keigo sussurra de volta. — Não sei por qual motivo ele ainda insiste em dizer que não está completamente atraído por ela — completa Keigo.
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  Kohshi nada diz e apenas encara Li interagir com o público que está bastante animado com o show da banda, como se realmente fosse a Flow. Ele fica impressionado com o fôlego dela durante a apresentação, que é bastante cansativa e cheia de saltos assim como as da Flow, mesmo assim ela continua cantando afinadamente. Ele mal vê a hora de encontrá-la no camarim.
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[📷]

  Li está exausta do show que acabou agora há pouco e vai direto para o camarim destinado à sua banda. Seus amigos se espalham pelo local, enquanto ela se deita no sofá com as costas doloridas.
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  Sempre que há show cover da Flow ela fica dessa forma, isso porque a apresentação do Kohshi, membro da banda que ela representa, é sempre cheia de saltos e performances que exigem bastante elasticidade e molejo dela.
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  Para esse show, ela vem ensaiando há três semanas tudo isso para sair perfeito, mesmo sabendo que a possibilidade do Kohshi ou algum outro membro da Flow ver fosse pequena, já que eles, uma hora dessas, já devem estar a caminho de casa.
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  — OH MY GOSH!!! — grita Ana, a baterista da banda.
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  — Mentira, mano! Que surpresa agradável, puta que pariu! — exclama Ton, o baixista da banda.
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  Curiosa, Li ergue o corpo do sofá e abre os olhos para ver o que está acontecendo e então toma um susto.
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  — Flow?! — espanta-se ela ao ver os rapazes da banda entrando no camarim e cumprimentando a todos. Rapidamente ela senta-se no sofá e depois se levanta para falar com eles.
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  — Então você escondeu esse outro talento da gente, né? — zomba Keigo, divertido. O rosto de Li esquenta de vergonha.
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  — Ah, me perdoem, achei que vocês não pudessem ver o show, por isso nem comentei — explica ela, sem jeito.
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  — Tudo bem, Li-chan. Você foi incrível no palco, aliás, todos vocês foram! — diz Take, animado.
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  — Obrigado! — todos da banda agradecem em desordem.
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  Ao fundo do grupo de pessoas formado próximo ao sofá, Li pôde ver Kohshi que a observa dali com o rosto tímido, ela gostaria muito de saber o que ele está pensando agora. Às vezes, o ar de mistério do rapaz a deixa intrigada e muito curiosa, não saber o que ele pensa torna-se angustiante para a moça.
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  A conversa entra a banda de Li e a Flow já passa das duas horas de duração, eles estão bebendo e conversando sobre assuntos diversos, muito animados. Kohshi, durante todo esse tempo, só deu parabéns pelo show e não falou mais nada diretamente para Li. Porém, tomado pela coragem do álcool que corre em seu sangue agora, ele levanta-se de seu lugar e vai até onde Li está, agachando ao lado dela.
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  — Podemos conversar um minuto? — sussurra ele, em inglês, idioma que ele sabe que ela fala melhor que japonês, e Li arrepia-se com a voz grave de Kohshi percorrendo seus tímpanos.
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  — Si-Sim — ela gagueja e se irrita por isso, mas sorri disfarçando.
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  Cavalheiro, Kohshi estende a mão para ela e ergue o próprio corpo para se levantar. Tímida, Li põe a mão sobre a do rapaz que logo a segura, puxando levemente o corpo dela para que se levante, ele a leva para o outro lado do camarim, longe dos outros que apenas os observam se afastar.
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  — Sobre o que quer conversar, Kohshi? — indaga Li, sentindo o corpo todo tremer por estar à sós com ele.
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  O perfume dele é tão bom…
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  — Você tem uma voz muito bonita, Li — diz ele com um sorriso fofo no rosto.
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  — Obrigada, Kohshi — ela diz e completa: — Espero que não tenha ficado ofendido por ser eu te representando na banda…
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  — Não! Claro que não me ofendi — apressa-se ele a dizer. — Aliás, eu gostei de que é você quem me representa. Obrigado — ele agradece em japonês e curva o corpo para ela.
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  — Que bom que gostou, Kohshi. Nossa, se eu soubesse que vocês estavam vendo, não sei se conseguiria cantar — confessa ela, rindo.
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  — Eu estaria lá para te dar uma força — o sorriso de Kohshi é algo realmente inexplicável na visão dela: tão inocente e sensual ao mesmo tempo.
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  — Agradeço pelo apoio. É muito importante para mim. — Ela também sorri para ele.
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  Ambos ficam conversando por um tempo. Durante esse período, Li percebe que Kohshi quer lhe falar algo, mas parece não ter a coragem suficiente para externar.
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  — Kohshi, posso te fazer uma pergunta? — ela diz no meio da conversa.
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  — Claro — responde ele.
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  — Por que você disse aquilo para o Take ontem?
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  — Sobre?
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  — Que você admitia algo... o que você admitiu? — pressiona ela. Kohshi arregala os olhos, surpreso com a pergunta.
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  — Bem, eu... bom…
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  — Kohshi, se tem algo para me dizer, diga. É melhor do que ficar guardando. Diz...
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  Ela sorri para ele, transmitindo força. Tomado por essa coragem, Kohshi revela:
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  — Eu quero te beijar, Li, mas não farei isso se você não se sentir confortável. Está bem?
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  Por esse tipo de revelação ela realmente não esperava, seus olhos arregalados são uma prova disso.
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  — Kohshi... — ela diz num sussurro — Eu também... Eu também quero te beijar — Essa revelação não é esperada por Kohshi, que infla o peito de surpresa e alegria. — Na verdade, eu... Eu gosto de você, Kohshi — completa Li, trêmula.
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  Vendo o nervosismo dela, sentindo o mesmo, ele segura nas mãos da moça, apertando-as de leve.
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  — Eu sinto isso. Sinto que é de verdade.
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  A troca de olhares entre Li e Kohshi se dá de uma forma bastante intensa. Os dedos dele acariciam as mãos dela suavemente, carinhoso assim como ela imaginava que ele seria. Fechando os olhos e curtindo o toque dele, Li pensa nos sentimentos que a fizeram ser fã do homem e, naturalmente, se apaixonar por ele mesmo que a possibilidade de ele saber disso fosse quase nula.
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  Nutrir o sentimento por ele foi difícil para Li, ainda é, mas ela não desistiu ou ao menos deixou que esse amor acabasse nem sequer diminuísse.
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  Kohshi se aproxima um pouco mais do corpo dela e Li, com o calor dele emanando mais perto, abre os olhos encarando o castanho do olhar dele penetrando em seu olhar. Ele ia beijá-la, mas a moça diz que tem gente demais observando esse momento, ela não está confortável.
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  — Vem comigo — Kohshi a puxa até a parte de trás da arara de roupas que há ali ao fundo do camarim. — Aqui não podem nos ver — diz ele referindo-se à altura da arara que cobre a altura de ambos.
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  — Kohshi... — diz ela, sem graça e com um sorriso no rosto. Kohshi a abraça de repente.
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  — Está nervosa? — Ela apenas assente aspirando o perfume intenso que sai do homem e olha para o peito dele; encostando a mão no rosto da moça, Kohshi a faz estremecer. — Está tudo bem se você não quiser — ele diz baixinho, afastando um pouco os cachos da moça, para encaixar seus dedos no rosto dela com mais comodidade.
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  — Eu amo você, Kohshi — revela ela, tímida.
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  Kohshi não sabe o que dizer, apenas beija a moça com carinho, um selinho rápido, mas cheio de sentimento. Ao se afastar, as mãos dela estão na cintura do rapaz, desenhando formas incertas nas costas dele que sente arrepios a cada toque.
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  — Eu espero retribuir esse amor que sente por mim. Eu sinto ser de verdade e eu estou muito honrado por recebê-lo de você — ele diz com um sorriso nos lábios.
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  O sorriso que se forma no rosto dele, tímido, até se iluminar e fazer com que ele mostre seus dentes também, o sorriso mais lindo que ela já viu até hoje. Tão meigo. Ele está realmente feliz por tê-la beijado e ver a felicidade dela estampada em sua face o alegra ainda mais. O rapaz queria poder acolher aquela moça em seus braços para sempre. É o seu maior desejo, no momento.
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  — Eu queria que isso fosse um sonho — Li diz, quebrando o silêncio.
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  — Por quê?
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  — Porque assim eu superaria a ilusão mais facilmente — ela solta uma risada abafada.
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  — E por que precisa ser uma ilusão?
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  — Você volta amanhã para o Japão…
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  — Eu posso ficar, se quiser — ele diz num impulso.
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  — Não diga isso, não tem como. E a agenda de shows e compromissos na TV e rádio que vocês têm? — indaga ela, a voz trêmula.
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  — Eu quero que dê certo entre nós…
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  — Será que há essa possibilidade?
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  — Você quer que dê certo? — questiona ele e completa: — Seu olhar me diz que sim.
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  — Ele não está mentindo.
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  Mais uma vez, o sentimento de atração que só cresce em Kohshi o move para perto de Li e ele a beija, dessa vez com mais intensidade e dessa vez são as mãos dele que percorrem as costas da moça, apertando o local com firmeza.
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  — Meu Deus, por que seu beijo tem que ser tão bom? — reclama Li após beijar Kohshi fazendo ele rir.
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  — Te digo o mesmo — diz ele, ofegante, e ri — Eu posso te fazer uma pergunta?
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  — Todas que quiser, Koh — diz ela e ele suspende ambas as sobrancelhas — Posso te chamar assim?
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  — Pode... — ele diz meio abobado com o apelido carinhoso dado por ela.
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  — Pergunta, Koh — lembra ela.
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  — Você já namorou muitos homens? — questiona Kohshi, curioso.
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  Li sorri.
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  — Alguns, mas os relacionamentos não duraram muito. Os homens são sempre tão iguais: conquistam com sua lábia e depois começam a sumir, dizem que estão sem tempo ou cabeça para relacionamento até que finalmente desaparecem por completo. E quando você vai ver, depois de um tempo, o bendito aparece namorando outra pessoa — ela diz com amargura. Ele engole em seco. — Se o problema era comigo desde o início, bastava falar. Mentir é muito pior e mais doloroso... Para quem é enganado, é claro.
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  — Eu não sou qualquer homem, Li — ele diz com um nó na garganta e aperta as costas dela ainda abraçados. — Eu não vou sumir, não vou mentir para você e muito menos vou aparecer namorando outra pessoa que não seja você.
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  Essa última afirmação a fez olhar para ele com mais intensidade, ele fez o mesmo.
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  — Isso, claro, se for do seu consentimento — reforça ele. — Eu não quero te forçar a nada. Não fui criado desta forma, eu sei esperar e se você não estiver disposta a ficar comigo agora, eu irei entender e respeitar isso — completa Kohshi.
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  De onde este homem saiu? É a pergunta que ela se faz internamente. Diretamente do Japão para os braços dela. Essa é a resposta. Ela não sabe quem está mais rendido ao outro: se é ele que está ao seu dispor ou se ela quem havia se rendido totalmente ao coração do japonês, que não tira os olhos dela.
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  — Não vou sumir, você sabe onde me achar.
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  Li e Kohshi se beijam mais algumas vezes, ainda atrás da arara de roupas, perdem a noção do tempo que estão ali, não se desgrudaram um minuto trocando carícias carinhosas. Durante a conversa, Kohshi fica tímido com o pensamento que passa pela mente dele naquele instante.
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  — O que houve, Koh? — pergunta Li já percebendo que ele queria dizer algo.
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  — Eu também posso mexer no seu cabelo? — pede ele, muito tímido.
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  — Quer mexer nos meus cachos? Igual ao Take fez?
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  — Sim — ele fala e olha para os lados, evitando encarar ela. Ela sorri.
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  — Claro que pode, bobinho.
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  Erguendo uma das mãos, retirando-a das costas de Li, ele puxa um dos cachos da frente da cabeça da moça, a mexa vai e volta. Ele sorri com o movimento e repete mais algumas vezes.
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  — Seu cheiro é tão bom, Li... Eu poderia ficar fazendo isso o dia todo... — ele diz, anestesiado.
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  — E você pode, tem minha permissão, Koh. — Normalmente, Li não gosta que mexam nos cachos dela, mas curiosamente Kohshi não está entre as pessoas proibidas de fazer isso.
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  — Ah, que sentimento forte estou sentindo agora. Me dá medo. — Ele fecha os olhos, ainda enrolando os dedos nos cachos dela.
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  — Medo de quê?
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  — De acabar... — sussurra Kohshi, sentindo a garganta dar um nó.
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  — Não precisa realmente acabar aqui. A gente pode... A gente pode continuar se vendo, se quiser, é claro — Ele abre os olhos rapidamente.
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  — É o que eu mais quero, Li. De verdade, eu realmente quero que dê certo entre nós dois.
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  Ela não sabe explicar, mas acredita nas palavras de Kohshi, acredita que realmente ele quer que a relação repentina deles dê certo. Apegada a isso e ao amor que dedica a ele, Li se enche de esperanças e forças para seguir nessa relação e eles combinam uma maneira viável de voltarem a se ver, seja ele vindo ao Brasil ou ela indo ao Japão.
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  O importante é que eles voltem a se beijar, a se tocar, a sentir o calor um do outro, a sentir o sentimento um do outro.
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