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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Mafia’s Paradise

Escrita porPams
Revisada por Lelen

8 • Natal

Tempo estimado de leitura: 34 minutos

Noruega, inverno de 2014

  Dizem que o inverno é frio e monótono, e a única coisa que se espera fazer é se aconchegar em frente a uma lareira acesa, enrolada em cobertores até que a neve acabe.
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  Entretanto, na visão do pai mais durão de todos, a estação mais gelada do ano era o convite para um retiro nas montanhas entre pai e filho, com o objetivo de um treinamento pesado escondido da mamãe coruja. E assim foram, Durand e Liam para sua aventura, duas semanas antes do Natal e com a promessa de que voltariam a tempo para a noite de ceia. 
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  A trilha de Ragdeskogen se localizava ao leste da cidade norueguesa de Odda, bem afastado dos olhares de civis, e entre as altas árvores, coberta de neve. O miliar alugou uma cabana, para oito dias abastecida com tudo o que precisam para a estadia. Não havia tanto requinte e luxo quanto um quarto de hotel, porém, lhes dava o mínimo de conforto que uma edificação do porte conseguia.
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  — Achei que viríamos de carro — comentou o jovem, enquanto carregava as bagagens para dentro. Ele havia carregado todas elas ao longo do extenso caminho que andaram a pé, sem nenhum tipo de ajuda do padrasto.
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  — Nem começamos e já está de corpo mole? — Durand soltou uma risada sarcástica. — Tem certeza que quer ser meu filho?!
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  Liam jogou as bagagens ao chão e o olhou seriamente, demonstrando não estar ali para agir como uma criança.
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  — É disso que estou falando. — Continuou o homem, entendendo o olhar do filho. — Quero sentir confiança em você.
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  — Vamos começar agora, então. — O rapaz estava ansioso para saber como seriam aqueles dias em meio a neve de dezembro sendo treinado pelo pai.
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  — Tem certeza que não quer descansar? — indagou o pai, analisando-o.
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  — Estamos aqui para isso, não é? — insistiu, reafirmando seu desejo.
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  Pelo planejamento de Durand, ele começaria pela preparação física até chegar ao emocional do garoto. Precisava levá-lo ao extremo para lhe mostrar que quando o assunto era o mundo perigoso em que adentraram, qualquer coisa que ele passasse naqueles dias, seria o paraíso comparando às torturas da máfia italiana.
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  — Retire o casaco, vamos tomar um pouco de ar — disse o homem, retirando o seu casaco também, e o jogando no sofá.
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  — Tem certeza?! — O rapaz o olhou para a janela, vendo a neve caindo do lado de fora. — Você não ouviu a previsão do tempo?
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  Pelo que se lembrava da previsão do tempo, havia chances de uma nevasca naquela noite.
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  — Onde está o rapaz corajoso de minutos atrás? Está com medo de um pouco de neve? — O olhar provocativo de Durand fez o rapaz retirar seu casaco de imediato e seguir em frente para a porta.
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  Um sorriso de satisfação do pai surgiu e muitas ideias em mente para tornar o filho um agente melhor do que um dia ele foi. Para alguém perfeccionista, sua meta era sair dali após alcançar a perfeição. Do lado de fora, Liam pode sentir de imediato o quanto a noite estava fria, o ar gélido tocando sua pele o fazia arrepiar com facilidade. Não levou muito tempo para que Durand parasse a metros de distância da cabana, a condição se mostrava favorável aos seus olhos e se colocando de frente para o rapaz, fechou os punhos o encarando.
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  — Agora que está mais velho e mais forte, vamos ver se consegue me derrubar desta vez — comentou o pai, num tom debochado.
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  — Mamãe não está aqui para me repreender, então não vou me conter — retrucou o jovem, com um sorriso de canto, sentindo que era seu dia de descontar todas as derrotas que teve do homem, e abrir sua caixa de pandora da raiva que mantinha trancada. — Papai.
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  — Surpreenda-me — instigou Durand, devolvendo o sorriso.
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  O primeiro soco foi desferido por Liam, que não poupou esforços para mostrar ao padrasto que o adolescente que tinha sido derrotado por ele já havia se tornado um homem forte e habilidoso. Nem mesmo o frio e a ventania que persistiram ao longo do tempo em que estiveram concentrados em sua luta, os fez desistir daquele momento. A cada golpe contra o pai, o rapaz se mostrava ainda mais obstinado a não perder mais uma vez para ele.
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  — Como conseguimos estar aqui, e não sentir frio? — indagou Liam, sentado em um dos degraus da escada da varanda que tinha na cabana, com o olhar no horizonte.
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  Quando finalmente o cansaço tomou conta e ambos sentiram os limites do seu físico, Durand declarou empate, prometendo ao garoto um segundo round no dia seguinte.
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  — Mesmo com as baixas temperaturas aqui fora, nosso corpo produziu muita energia, mediante nossa vontade de vencer um ao outro — explicou Durand, respirando o ar puro e gélido da natureza. — Por isso o frio não nos incomoda por um tempo, mas devemos entrar, não quero ter que explicar à sua mãe como lhe causei um choque térmico.
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  O homem soltou uma risada boba e, subindo os três degraus da varanda, caminhou até a porta, abrindo-a em seguida.
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  — Venha, quero te ensinar mais coisas — ordenou ele, entrando primeiro.
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  Liam assentiu e se levantou, dando as costas para a neve que caía, entrou na cabana segurando o entusiasmo. Ao fechar a porta e se voltar para a direção do padrasto, o rapaz se deparou com uma das malas abertas cheia de armas dos mais variados modelos.
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  — Que tal uma pequena aula sobre ferramentas de trabalho? — sugeriu Durand, com seu olhar demonstrando a mesma animação do garoto.
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  — Já posso segurar em uma dessas? — indagou Liam, mantendo o olhar nas armas.
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  — Tecnicamente não, você ainda tem 17 anos e combinamos com a mamãe que apenas lhe treinaria com combate corpo a corpo, para que tivesse disciplina para controlar sua raiva e direcioná-la para algo melhor. — O homem pegou uma pistola Colt 1911, para verificar seu cartucho. — Mas o que acontece em Vegas...
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  — Fica em Vegas — completou Liam, a segunda frase favorita do pai.
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  A frase de efeito fez com que o jovem se lembrasse das últimas semanas de suas férias de verão em que saiu para acampar com o pai, com a desculpa que iriam passar o final de semana pescando no Rio Nabão em Santarém. Pelo menos era o que Amber pensava, até que recebeu uma ligação de Durand informando que o filho estava no hospital com o braço deslocado e um gesso que seria retirado em três meses. Pai e filho nunca mencionaram as coisas que aconteceram naquela pescaria, mas seus olhares continham muitas histórias para contar.
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  — Por onde começo? — perguntou Liam se aproximando para pegar uma também.
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  — Pela teoria. — O pai riu alto e bateu na mão dele, como um reflexo involuntário, porém, puramente proposital. — Não se deve tocar naquilo que não conhece, então... Ainda não tem permissão para segurar.
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  Durand fez um sinal com o olhar em direção a um livro grosso que estava no chão ao lado da mala.
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  — Pode começar, são setecentas páginas à sua espera — disse ele, agora segurando o riso.
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  — O quê?! — O olhar confuso e irritado de Liam foi perceptível. — O que aconteceu com o discurso de que só aprendemos na prática?!
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  O homem respirou fundo, soltando o ar com a máxima calma e tranquilidade, então, ergueu seu corpo colocando a arma em sua mão de volta na mala, e se levantou do chão.
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  — Para segurar uma arma, tem que estar preparado para usar — revelou ele, mais um de seus ensinamentos —, e vendo a forma que ainda controla sua raiva, não está preparado para isso.
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  — Pai. — Soou como um pedido, porém, Liam estava mais desapontado com a avaliação dele.
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  — Cada uma dessas armas em mãos erradas, são como ceifadores, não tiram apenas vidas, mas sonhos e alegrias — completou ele, num tom mais sério. — Por isso, deve ser manuseado com sabedoria... Então comece a ler.
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  Liam assentiu com a cabeça, permanecendo em silêncio enquanto se abaixava para pegar o livro. Este era o início da mais importante etapa daquele treinamento: seu psicológico. O rapaz odiava ser confrontado pelo padrasto, contudo, sempre mantinha-se obediente às ordens dele, e Durand sabia muito bem que teria que trabalhar o lado ansioso e impaciente do filho, afinal, para ser um agente disfarçado, precisava-se de muita cautela, paciência e foco, qualidades que Liam ainda não possuía.
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  Na manhã seguinte, Durand acordou um pouco mais tarde, devido sua idade, os músculos de seu corpo passaram a noite latejando de dor atrapalhando seu sono e descanso. Sentindo os fracos raios de sol adentrarem a janela, abriu os olhos e notou que a nevasca havia terminado, permitindo a temperatura se elevar um pouco. Se espreguiçando na cama, ouviu o estalar de alguns ossos de seu corpo.
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  — Acho que estou ficando velho — disse ele rindo de si mesmo ao erguer o corpo e se sentar na cama. — Eu nem me esforcei tanto ontem…
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  Ele respirou fundo e se levantou da cama, vestiu o casaco e saiu do quarto. Ao chegar na sala, se deparou com o rapaz acordado, com o livro em suas mãos e em total concentração em sua leitura. Era visível que Liam havia passado a noite em claro, estudando como havia sido aconselhado por ele. Um sentimento de orgulho preencheu o pai por dentro, que precisou se conter para não transparecer suas emoções. Contudo, Durand se sentia afortunado pela oportunidade de tê-lo como filho, ainda que de consideração.
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  — Devo presumir que não dormiu? — indagou ele, ao parar em frente ao rapaz.
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  — Você disse que eu precisava de conhecimento — argumentou Liam ao fechar o livro e olhá-lo. — E controlar minha ansiedade.
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  — Passar a noite lendo é controlar a ansiedade? — Durand riu do rapaz, tentando entender a lógica.
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  — Acredite, eu tentei, tive que me esforçar para não pular para as dez últimas páginas, mas no final, achei interessante o desenrolar da história, nunca imaginei que houvesse um livro contando como a primeira arma foi inventada de forma tão interativa — explicou o jovem, deixando o livro ao seu lado no sofá e se levantando. — Quer que eu prepare o café?
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  — Não vou recusar, preciso confessar que não tenho mais vinte anos e meu corpo não para de dar sinal de latejo pela luta de ontem. — Durand se aproximou da mesa de refeições e sentou sem cerimônias, mantendo a atenção no filho.
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  — Então está ficando velho, papai?! — brincou Liam, com um ar sarcástico.
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  O rapaz se pegou impressionado pelas suas próprias palavras e pela cena em si, afinal, quando criança, nunca havia sequer imaginado viver algo do tipo: Ter uma figura paterna tão influente sobre sua vida, que lhe transmitia o desejo de ser um bom filho que orgulhasse seus pais.
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  — Ainda tenho força o bastante para te nocautear — assegurou o homem, rindo baixo. — Mas não vou gastar minhas energias com você, vou guardá-las para sua mãe e nossos momentos de amor selvagem.
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  — Que nojo… — Liam fez uma careta enquanto seguia para a área da cozinha. — Já disse, não preciso saber desses detalhes.
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  Durand soltou uma gargalhada boba e maldosa, segurando o olhar de malícia ao pensar em sua esposa nua diante dele. Um suspiro saudoso surgiu do homem, deixando o rapaz ainda mais enojado por imaginar sua mãe e ele em seus momentos de intimidade.
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  — É nojento pensar na minha mãe se fundindo com você — reclamou ainda mais ao abrir os armários e se deparar apenas com pacotes de macarrão e duas caixas de biscoitos.
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  — Eu não estou te obrigando a pensar nisso… — retrucou Durand, rindo mais um pouco da careta do rapaz. — O que acontece entre mim e sua mãe é o que acontece com todo casal… Ela é uma mulher atraente e eu sou um homem sedento.
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  Liam tentou respirar fundo relevando as palavras dele, porém, acabou engasgando com o próprio fôlego o que levou algumas tosses de sua parte.
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  — Podemos mudar de assunto?! — pediu o rapaz, se esforçando para relevar tudo e desviar seus pensamentos para outra coisa. — Você ainda não me disse o motivo de querer encontrar tanto aquela pessoa.
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  — Tenho os meus motivos — respondeu Durand, desviando o olhar para a janela. — E o mais importante deles é acabar com a máfia de Toscana… Mas é claro que isso requer tempo, estratégias e um plano muito bem executado.
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  — E devo imaginar que o senhor já esteja fazendo isso — supôs o jovem, concentrado em desenvolver um nutritivo café da manhã com o pouco recurso que tinha.
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  — Estarmos aqui faz parte disso, te treinar faz parte disso — respondeu o pai, certo de suas ações. — Agora ande com este café da manhã, seu pai está com fome. — Liam soltou uma risada boba da cozinha e continuou sua tarefa.
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  Nos dias que seguiram, Durand teve a ideia de testar a resistência física do rapaz ao limite, levando-o a realizar uma série de tarefas árduas dentro do perímetro estabelecido em torno da cabana. O rapaz jamais havia imaginado que um verdadeiro treinamento militar pudesse ser tão doloroso e desgastante a ponto de deixá-lo quase sem forças e com pensamentos de desistir.
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  Como combinado, ambos retornaram para casa faltando exatamente quatro horas para a ceia de Natal, com Liam parcialmente inteiro e várias histórias ensaiadas na ponta da língua para contar a Amber. Assim que a mulher abriu a porta de entrada da casa e se deparou com pai e filho em sua frente, seu sangue ferveu de raiva, porém, ela manteve o olhar meigo e o sorriso no rosto. É claro que não iria sacrificar o jantar que havia preparado com tanto carinho, em seu dia favorito do ano, por uma repreensão que poderia fazer no dia seguinte.
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  — Chegamos antes da ceia, como prometido — disse Durand, mantendo o olhar cínico de um experiente agente da Interpol.
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  — Boa noite, mamãe — disse Liam, dando um sorriso fechado, tentando esconder o corte no canto direito de sua boca, com o cachecol em seu pescoço.
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  Amber respirou fundo. 
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  Ela os conhecia muito bem para saber que não seria apenas um passeio de pai e filho, e por mais que achassem que ela não sabia de nada, seu instinto materno já pressentia as ideias insanas do marido.
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  — Vou fingir que não vi este corte em seus lábios, o hematoma no olho esquerdo e sua perna direita mancando — disse ela diretamente para o filho. — Suba e tome um banho antes do jantar.
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  — Sim, senhora. — Assentiu ele, ao olhar de relance para o pai e adentrar a casa.
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  A única coisa que se passava na mente do jovem era: “Mamãe vai nos matar”.
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  — Querida… — Durand tentou iniciar seu argumento, sendo interrompido pelo levantar do dedo direito dela.
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  — Eu confio em você, confio a minha vida e a do meu filho… — Continuou ela, agora se dirigindo a ele com seriedade. — Não me faça me arrepender da minha escolha.
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  — Amber… — O homem deu um passo para perto dela, erguendo a mão para tocá-la, porém, a mulher se desviou e se afastou entrando em sua frente.
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  — Você acha que sou inocente demais para não perceber o que está acontecendo a minha volta?! — Ela finalmente parou ao centro da sala e o olhou novamente.
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  Durand entrou logo atrás e fechou a porta, mantendo a seriedade no rosto, a olhou nos olhos com segurança.
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  — Eu lhe dei a minha palavra que a manteria em segurança, e ao Liam também. — As palavras soaram com firmeza dele. — E sabe que sempre cumpro o que digo.
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  — Assim espero. — Ela cruzou os braços, se fazendo de durona, mas com o coração apertado. — Agora vá tomar banho, vou servir o jantar.
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  — Como quiser, querida. — Ele sorriu de leve para ela.
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  Durand se virou para o corredor de acesso aos quartos. Com a casa sendo apenas com o andar térreo e o porão no subsolo, os quartos se encontravam mais aos fundos do terreno. O acesso ao quintal se dava pela porta na lateral da cozinha, e toda a sua estrutura era contemplada pelo tradicional estilo provençal, que seguia a arquitetura local da região onde moravam.
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  — Senhor, agradecemos pelo alimento e por nossa família… Por tudo o que passamos e sobrevivemos até aqui — disse Amber, encerrando sua oração à mesa de jantar —, amém.
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  — Amém — disseram ambos os homens de sua vida, devidamente banhados e trajados.
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  Ela suspirou esperançosa e feliz por aquele dia, mais um Natal em família, mais um Natal ao lado do homem que surgiu em sua vida de forma repentina apenas para lhe mostrar que o amor ainda se importava com ela. Amber estava ainda mais grata pela forma que seu filho havia mudado sob a influência de Louis Durand.
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  — Pelo cheiro, mais uma vez minha linda esposa se superou na cozinha — elogiou o homem ao observá-la cortar o chester que exalava um aroma convidativo.
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  — A cara também está bonita — concordou Liam, sentindo a boca salivar.
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  — Não adianta virem com elogios… — disse a mulher, cortando o clima de ambos, com o tom sério. — Você está de castigo, senhor Liam… — e olhando para o marido — e você, senhor Durand, dormirá no sofá hoje.
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  — Querida… Está mesmo brava conosco? — perguntou Louis, com medo da resposta.
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  — Vamos cear em paz — sugeriu ela, com ternura no olhar.
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  Algo que os deixava ainda mais perplexos com ela era a forma doce que tratava ambos, mesmo estando visivelmente zangada. Eles assentiram ao seu pedido e, gratos, saborearam o jantar preparado pela mãe sempre lançando algumas palavras de elogio para amolecer seu coração.
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  Na alta madrugada, Liam despertou de seu sono e saiu do quarto a fim de pegar água na cozinha, ao passar pela sala, encontrou o pai deitado no sofá, com a atenção ao teto.
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  — Ela realmente te expulsou do quarto? — perguntou Liam num tom baixo, rindo de leve.
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  — Não… — O tom seguro veio como resposta. — Por mais que tente, sua mãe não consegue me expulsar do quarto… E sabemos a razão… — Ele soltou uma risadinha maliciosa.
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  — Sei… — Liam segurou a risada desta vez. — Então o que faz aí?
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  — Um leve problema de insônia e não quis continuar na cama, se ficasse, poderia acordá-la — explicou o real motivo.
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  — Alguma preocupação? — indagou o filho, curioso pelo assunto.
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  — Quando retornamos, no aeroporto, vi um rosto conhecido… — Durand respirou fundo, voltando a cena em sua memória. — Apenas isso.
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  — Amigo ou inimigo? — insistiu Liam.
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  — Não sei definir, não ainda — respondeu ele, de forma enigmática.
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Algumas horas atrás, em Toscana…

  Se o Natal de alguns havia sido recheado de bênçãos e com a família completa, no menor quarto da mansão Magnus, em Toscana, mãe e filha seguiam dividindo seus sonhos e esperanças por um futuro melhor. Por mais que Lídia soubesse o quão impossível seria se livrar do acordo com Don Francesco Magnus, ela desejava profundamente que sua filha conseguisse ter uma vida melhor quando crescesse. Então, mantinha-se dedicada ao seu trabalho, e cumprindo todas as tarefas que lhe era solicitado.
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  — Mamãe… — sussurrou a garota ao se virar em sua cama e vê-la vazia. — Ela ainda não voltou… Por quê? Se a senhora Vernice assegurou que não a deixaria servir o jantar.
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  Um suspiro frustrado de %Alice% a fez se descobrir e se levantar da cama. Mesmo relutando contra a preocupação, colocou um casaco de moletom que tinha e saiu do quarto. A linha de limite para ela seria a cozinha e a ala dos empregados, então, poderia procurar sua mãe em ambos os lugares sem causar problemas. 
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  Assim como os outros, Lídia havia enfrentado um dos dias mais exaustivos para um empregado da mansão, o dia de véspera de Natal. Anualmente, os Magnus ofereciam um monumental banquete de Natal aos amigos e aliados da máfia de Toscana, e naquele ano seria a primeira vez que Francesco abriria as portas de sua casa para um “inimigo” à parte, Don Rivera, o que fez com que a criadagem dobrasse sua atenção para que nada estivesse fora do lugar. Com isso, a mãe preocupada dobrou seus esforços sob a vigilância da governanta mandona.
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  — %Alice%… — O som da voz de Liz soou atrás da menina, fazendo seu corpo gelar no susto, então, pegando-a pelo braço a arrastou para um canto escuro a fim de escondê-la. — O que faz aqui a esta hora, deveria estar no quarto. Você não é uma criada, e hoje apenas os criados selecionados pela senhora Vernice podem andar pela mansão para servir os convidados.
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  — Me desculpe, Liz, mas… — A garota se encolheu, temerosa pela repreensão e pela possibilidade de ser entregue a governanta. — Eu só queria saber onde minha mãe está… Ela não voltou para o quarto e… Não está na ala dos criados, então achei que pudesse verificar na cozinha.
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  — Você não pode ir na cozinha agora, a senhora Vernice está lá e pode ser ruim para você — notificou a criada, se preocupando com a menina.
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  — Mas eu só queria saber se minha mãe está bem — argumentou ela, em sussurros.
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  — Sua mãe está bem, não se preocupe — garantiu Liz olhando para trás, para conferir se havia alguma movimentação de terceiros. — Agora se preocupe consigo mesma e volte para seu quarto.
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  — Tudo bem. — Assentiu a menina, frustrada pela resposta evasiva.
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  Em instantes, o barulho de passos de sapatos de salto soou, gelando o corpo de ambas.
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  — Finalmente te encontrei, tenho te procurado por esta casa toda, Liz, você ainda não foi limpar… — Vernice interrompeu a si mesma, ao se aproximar da criada e encontrá-la acompanhada da menina. — O que faz fora do quarto? Tentando estragar o jantar de Natal? O seduzir os herdeiros?
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  — Senhora Vernice, a %Alice% já estava retornando para o quarto — disse Liz, se colocando na frente da garota, para protegê-la.
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  A governanta sentiu-se afrontada pela criada, então respirou fundo para manter sua postura impecável, de imediato seu olhar ficou mais enfurecido.
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  — Saia da frente e volte para seus afazeres — ordenou a governanta.
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  — Senhora Ver… — a criada tentou insistir, porém, paralisada pelo medo, apenas acatou com o olhar e se retirou.
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  A fúria da governanta voltou-se para a menina, que sentia seu coração acelerado pelo medo de causar mais problemas à mãe.
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  — Senhora Vernice… — Em sussurro, %Alice% abaixou a cabeça, com as pernas trêmulas de medo. — Eu só queria… — Antes mesmo que pudesse formular sua explicação, %Alice% foi interrompida ao ser esbofeteada pela mulher. Em segundos, a marca da mão se formou no rosto da menina, juntamente com a ardência do impacto, causando o lacrimejar de seus olhos.
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  — Eu não me importo com o motivo, mas agora irei lhe ensinar a obedecer uma ordem quando lhe é dada, já que sua mãe não tem a competência para isso. — Vernice manteve seu olhar superior à menina, enquanto erguia a mão novamente para lhe bater.
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  %Alice% se encolheu mais, ela não sabia o que fazer, mas se gritasse poderia ser pior para sua mãe, então, sua única solução seria apanhar em silêncio da mulher. Assim que a governanta deu impulso no braço para lançar mais uma bofetada, seus movimentos foram impedidos por uma mão masculina, que agarrou seu pulso com força e agressividade.
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  — O que pensa que está fazendo? — A voz áspera e grossa de %Giovanni% soou, com ele se mantendo na parte mais escura do corredor.
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  — Jovem Magnus, eu apenas estou ensinando bons modos a esta menina — disse a mulher forçando sua voz a sair, sentindo como se tivesse feito algo errado. — Por favor, perdoe-me se fiz mal.
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  Um breve silêncio com ele ainda segurando-a, e com o soar de uma risada vindo dele, %Giovanni% apertou um pouco mais o pulso da mulher, fazendo-a gemer de dor.
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  — Jovem Magnus, por favor. — A voz da governanta agora transmitiu mais traços de um pedido de clemência.
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  — Em respeito aos seus anos de lealdade a minha família, deixarei passar desta vez… — Ele respirou fundo, controlando sua raiva e consequentemente sua força. — Mas vou dizer apenas uma vez, então, ouça com atenção…
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  — Sim, senhor… — sussurrou a governanta, já em desespero interno.
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  — Nunca mais ouse pensar em tocar nela novamente — ordenou %Giovanni%, ainda mais seco e áspero —, pois se acontecer, vou me esquecer de seus anos nos servindo e farei com que perca todos os membros do seu corpo, um a um, da forma mais dolorosa que existe… A começar por seus dedos. Entendeu?!
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  — Sim, jovem mestre… Isso jamais se repetirá. — Assentiu a mulher, sentindo um alívio assim que ele soltou seu pulso bruscamente.
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  — Agora retorne para seus afazeres — ordenou o rapaz novamente, mantendo o olhar em %Alice%.
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  — Sim, jovem Magnus. — Vernice, ainda assustada, apressou-se para se retirar o mais rápido do corredor e retornar a cozinha.
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  Mais uma onda de silêncio tomou conta do ambiente. %Alice%, ainda encolhida e com medo, tentava controlar os sons que saíam de sua respiração amedrontada, já o Magnus, se manteve na sombra apenas observando-a imóvel com o olhar abaixado.
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  — O que faz fora do quarto? — indagou ele, deixando sua voz mais branda e serena, o que a fez estranhar.
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  — Estava apenas procurando por minha mãe — respondeu ela, prontamente, ainda que temerosa. — Eu já estava retornando para meu quarto.
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  — Lídia está bem, se é isso que a preocupa — afirmou %Giovanni%, compreensivo pela imprudência dela.
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  — Sabe onde minha mãe está? — Ela voltou seu olhar exatamente para a direção em que ele se escondia, deixando-o impressionado com a precisão dela.
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  — Sim… — %Giovanni% respirou fundo, talvez não devesse dar a resposta completa a ela, para não a deixar frustrada, porém... — Ela está no mesmo lugar que sempre esteve todos os dias neste mesmo horário.
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  %Alice% ficou confusa a primeiro momento pela resposta, até que se lembrou das “faxinas” noturnas de sua mãe no escritório de Magnus. Seus olhos mais uma vez lacrimejaram diante do aperto em seu coração, a realidade era cruel com a garota, assim como com sua mãe.
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  — Eu vou… — Ela deu um passo para se afastar da parede em que se mantinha encolhida. — Voltar ao meu quarto.
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  Abaixando a cabeça, ela deu mais alguns passos para seguir em frente, sendo parada no caminho por ele.
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  — %Alice%. — %Giovanni% segurou firme em seu braço, porém, com cuidado para não machucá-la.
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  — Senhor Magnus, preciso voltar para o meu quarto — sussurrou ela.
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  — Seu rosto está marcado — disse ele num tom preocupado.
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  — Está tudo bem… Não é a primeira vez. — Ao revelar sua realidade, logo a garota lembrou-se do dia em que apanhou da mãe dele, sendo ameaçada logo em seguida.
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  Aproveitando os tempos de ausência do filho, Marie Magnus, sempre que podia, arquitetava uma oportunidade para descontar sua raiva na filha da empregada. 
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  — Já estou acostumada. — %Ally% abaixou o olhar, tentando esconder a tristeza que se formou em seu rosto.
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  %Giovanni% virou o corpo da garota para ele, dando um passo para mais perto deixando seu corpo ser parcialmente iluminado pela fraca luz do corredor, ergueu a outra mão e tocou no rosto de %Ally%, bem na região marcada. Em segundos, o rapaz permitiu que o sentimento de raiva ficasse sutilmente nítido em seus olhos, o que foi notório para a garota que o encarava estática pelo toque.
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  — Nunca mais isso acontecerá novamente — assegurou o mais velho, com o tom mais sério e sombrio. — Não permitirei que mais ninguém a toque.
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  Inicialmente, aquelas palavras poderiam soar como um alívio para %Alice%, entretanto, ela sabia muito bem como as coisas funcionavam naquela casa. Jamais iria se iludir com a possibilidade de nunca mais ser alvo das bofetadas de Marie Magnus.
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  — %Giovanni%… %Giovanni%… — Logo uma voz conhecida por ambos soou na ponta do corredor atraindo suas atenções, a pessoa que gritava parou por um momento e avistou a cena. — %Giovanni%?! 
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  — Vá diretamente para seu quarto — ordenou ele à %Alice%, soltando seu braço —, mandarei uma criada pa ra cuidar de você. — A menina assentiu de imediato e se afastou dele, seguindo pelo caminho contrário.
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  Assim que seu olhar a perdeu em seu campo de visão, %Giovanni% se voltou em direção a pessoa que o chamava e caminhou até ela. Com o olhar atento a sua aproximação, os braços cruzados e uma afeição de poucos amigos, %Clarice% Tommaso se mantinha em silêncio, aguardando por uma explicação convincente.
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  — Me procurando? — disse ele, ao sorrir de canto e lhe dar o braço. — Acabou de me encontrar.
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  — Posso entender o que fazia com ela?! — indagou %Clarice%, aceitando ao convite e pousando sua mão no braço dele. — Desde quando você fala com a filha da empregada?!
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  — Não estava falando com ela, a estava repreendendo por ter saído do quarto sem permissão — explicou ele com naturalidade, dando impulso em seus passos para conduzi-la ao local da recepção de Natal.
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  Por mais que Tommaso quisesse acreditar no amigo, ela sabia que possivelmente havia mais explicações para serem ditas, entretanto, não iria fazer tempestade em um copo de água. Festejar o Natal com seus amigos era bem mais importante para ela do que a cena que tinha visto momentos atrás. Contudo, a convidada de honra não havia sido a única a presenciar tal ato, pois, minutos após se juntar ao grupo de amigos para um brinde proposto por Andreas Riina em comemoração às suas conquistas do ano, %Giovanni% foi convidado pela mãe ao escritório da casa.
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  — Estou curioso por me fazer entrar aqui a esta hora — comentou %Giovanni% ao se colocar ao centro do lugar, mantendo sua atenção voltada para a mesa de trabalho do pai.
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  Por mais que tentasse, o jovem não conseguiria ignorar a presença de Lídia no local, afinal, a empregada havia sido trancada ali dentro pelo patrão durante toda a noite, permanecendo sentada no sofá ao lado da porta, enquanto esperava as horas passarem e a recepção terminar. Marie não se importou com a presença dela, ignorando-a inicialmente, menos ainda com as indagações do filho, apenas fechou a porta em silêncio e caminhando até %Giovanni%, parou na frente do rapaz e erguendo a mão lhe deu um forte e preciso tapa na cara, fazendo um pequeno corte devido ao anel em seu dedo.
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  — O que pensa que está fazendo? — indagou a mãe, com o tom áspero.
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  — Relembre meus passos, mamãe, e talvez eu consiga entender o que fala — pediu ele, mantendo a serenidade no tom e no olhar, agindo como se nada tivesse acontecido.
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  — Eu disse para ficar longe da filha dela — esclareceu Marie, mais abertamente o assunto. Logo %Giovanni% soltou uma risada sarcástica, voltando o olhar para a criada.
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  — Está com medo de que me torne como o papai e tranque a filha da empregada em meu quarto?! — perguntou ele, num tom provocativo. — Quanta hipocrisia.
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  Marie sentiu seus punhos se fecharem automaticamente, controlando sua ira interna, logo um gosto amargo surgiu em sua boca
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  — Este foi meu último aviso, %Giovanni% Magnus — ordenou a mãe, com ainda mais entonação na voz. — Apenas seja o filho que criei para ser.
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  O rapaz respirou fundo e assentiu brevemente.
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  Ele não iria iniciar uma discussão com a mãe, afinal, ele era o primogênito e logo seria o novo Don da família. Seu pai estava perto de se aposentar pela idade, e com sua ascensão ao trono, ninguém mais ousaria lhe dar ordens sobre o que fazer ou não.
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Todos os perdedores no mundo
  Chegará um dia em que perderemos
  Mas não é hoje
  Hoje, nós lutamos!
  - Not Today / BTS

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Lelen

Eu amo uma família e não tô falando dos poderosos ali não 🥹 🥹
Liam e Durand fazem um papel tão 22kinho de pai e filho que eu tenho vontade de apertar <3 E Amber é simplesmente perfeita como mãe e esposa 🥹 🥹 🥹 🥹
Já por outro lado… Posso dar uns soquinhos nas carinhas de umas pessoas aí? Eu amei a ameaça do Giovanni pra governanta, ele é dos meus HEHEHEHEH Eu vivo uma história de amor e ódio com o Giovanni, fico toda trouxa quando ele vai defender a Alice, mas fico p da vida quando ele quer bancar o macho alfa pra cima dela e da vida dela, é isso kkkkk
Não sei se quero ver como vai ser o moço tomando as rédeas dessa família, tô achando que ele vai mostrar um lado mais perverso dele e não sei se estou pronta (mas pode ser que ele seja sensato também, vai saber, né?)
Enfim, tô esperando pra ver todo mundo “se encontrar” nessa história INDASONSDO

Pâms

Família Durand é um mimo nessa história ❤❤❤

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