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Toscana, inverno de 2020
Noite chuvosa em Florença. Para alguns, uma boa oportunidade para ficar em casa e fazer maratonas de suas séries favoritas e comendo pipoca, pelo menos era o que %Aurora% muito ansiava. Entretanto, a vida adulta lhe apresentava outras atividades como um plantão na ala de emergência do hospital infantil. Mesmo sendo da área de psicologia, sua presença fazia-se necessária para casos de pacientes especiais. Uma oportunidade a mais para ganhar e viver experiências da profissão.
— Dra. Segre? Ainda por aqui? — indagou Nessia, a enfermeira chefe, ao adentrar a sala de descanso dos funcionários. — Achei que seu plantão já tivesse terminado.
— De fato terminou, mas me senti tão cansada que acabei tirando um cochilo antes de pensar que eu tinha uma casa para retornar. — A voz da jovem soou com um pouco de descontração, fazendo a mulher rir junto.
— O doutor Bonato realmente está te castigando, não é? — comentou a enfermeira, enquanto se aproximava de uma cadeira para se sentar.
— É, ele já não ia com a minha cara, depois daquela confusão com… — %Aurora% soltou um suspiro cansado ao se lembrar.
Tal fato se tratava de uma noite de plantão que o caçula Magnus apareceu ensanguentado no hospital, à procura de sua médica favorita. Após uma pequena discussão com o residente chefe, o trabalho da jovem ficou mais complicado, com a vigilância rigorosa do dr. Andrei Bonato.
— Não se preocupe, logo ele esquece — disse a mulher ao se espreguiçar um pouco. — Principalmente agora que descobriu que seu amigo é um Magnus.
— Ele não é meu… — %Aurora% não sabia classificar o que o caçula representava em sua vida — amigo.
— Namorado, então? — O olhar curioso estava em sua direção. — Porque dá para notar o olhar de interesse dele por você toda vez que vem buscá-la no final do plantão.
— Ele era meu paciente — disse %Aurora%, explicando sua proximidade. — Mas fui demitida há anos.
— Hum… Dá pra imaginar o motivo de ele ter te demitido — brincou a enfermeira ao se levantar e seguir para porta. — Preciso voltar ao meu posto antes que alguma enfermeira novata faça algo errado.
%Aurora% riu de leve e lhe deu um aceno de despedida. Voltando à realidade de seu dia, ela finalmente trocou de roupa e direcionou-se para a saída do hospital. Curiosamente, sua carona Magnus não estava em seu campo de visão, não que havia se tornado um hábito a presença de %Luigi% nos finais do plantão, entretanto, o caçula já não conseguia passar mais de uma semana sem vê-la.
— Não sei quando fico mais preocupada, se é quando você vem, ou quando não vem — sussurrou ela, para si mesma, voltando o olhar para o ponto de ônibus.
Mais um detalhe da rotina de seu
paciente problema? As muitas vezes que %Luigi% aparecia em seu dia, era após alguma turbulência familiar e muitos machucados pelo corpo. Assim, a jovem retornou para casa, lutando contra seus pensamentos preocupados e desejando apenas uma longa noite de sono. Chegando no apartamento, relaxou o corpo em um banho quente e demorado, deixando as gotas de água concentradas nas costas doloridas pela rotina hospitalar.
— Como senti sua falta! — disse ela ao se jogar na cama, já com seu pijama. — Que vontade de dormir por quarenta e oito horas.
Ela ficou olhando para o teto por alguns minutos, até que finalmente pegou no sono, em seu momento de descanso, entretanto, pode-se considerar que tudo é imprevisível e surpresas acontecem. Na alta madrugada, %Aurora% acordou assustada ao som de fortes batidas em sua porta, e mesmo sonolenta, se levantou da cama com precisão para abrir a porta.
No relógio marcava três da manhã em ponto, e do lado de fora, a chuva ainda se mantinha constante e mais forte do que o esperado pela meteorologia.
— %Luigi%… — sussurrou ela, ao abrir a porta e vê-lo com suas roupas encharcadas pela água e um olhar inexpressivo e vazio.
— Se eu não entrar… Estarei no obituário de amanhã — disse ele, num tom baixo mantendo o olhar fixo nela.
%Aurora% sentiu um calafrio passar por seu corpo, então, com movimentos sutis, segurou a mão dele e o puxou para dentro, fechando a porta em seguida. Assim como das outras vezes, contudo, com uma leve sensação de ser pior, o rosto de %Luigi% possuía alguns cortes e arranhões, um em especial próximo ao lábio inferior. O silêncio prosseguiu entre eles, enquanto a jovem preocupou-se em buscar a caixa de primeiros socorros para lhe fazer o curativo. O caçula, que parecia reflexivo, sentou no sofá à sua espera, até que ela retornou com uma toalha na mão e roupas secas na outra.
— Não vai perguntar nada desta vez? — indagou ele, quebrando o gelo.
— Eu ainda não entendo essa sua necessidade de se machucar, mas… Sei que não é exatamente como gostaria de viver — respondeu ela, enquanto passava com leveza o algodão molhado nos cortes para desinfeccionar. — O que aconteceu desta vez?
%Aurora% sabia que nem todas as idas do rapaz a sua casa eram pelas surras do pai. Mas o caçula havia criado um anseio pela dor que lhe fazia entrar em brigas desnecessárias. %Luigi% encarou-a por um momento, então se levantou do sofá para ir embora.
— Espera… — Ela segurou em sua mão novamente, temendo que ele pudesse sair dali e fazer algo pior. — Não precisa dizer se não quiser, só não quero que se machuque ainda mais.
Ele voltou seu corpo para ela, permanecendo o mais próximo, sendo possível sentir sua respiração. Logo o coração de %Aurora% acelerou.
— Mantenha-me distraído, assim não irei me machucar. — Em um tom envolvente, ele encostou seu rosto ao dela, trazendo-a para mais perto.
— %Luigi%, não é assim que as coisas… — %Aurora% precisou respirar fundo, e ser forte para não se deixar levar pela sedução do rapaz.
— Por favor… — sussurrou ele, num tom sugestivo. — Me distraia.
Ela fechou os olhos por um momento, pensando no que era certo a se fazer, e o que seu coração a aconselhava. E com os sábios conselhos do seu avô, no impulso da coragem diante da intensidade em pessoa que lhe demonstrava desejo profundo, ela tocou em seu tórax o afastando um pouco.
— Eu vou lhe distrair, mas não desta forma — disse ela com um sorriso presunçoso, o puxando para a cozinha.
— Mercenária — disse ele de forma descontraída.
%Aurora% soltou uma gargalhada boba.
— Nem tudo que queremos é o que temos — explicou ela, utilizando da filosofia de seu avô, Giuseppe Segre —, mas o que ganhamos é o que precisamos.
%Luigi% arqueou a sobrancelha, enquanto a observava soltar sua mão e seguir até os armários.
— E como pretende me distrair? — indagou ele, curioso.
— Sei que gosta de cozinhar, por incrível que pareça — respondeu ela, de imediato ao abrir um armário e retirar as coisas de dentro — então, como me acordou do meu sono de descanso, como consequência, terá que cozinhar para mim.
— E não vou ganhar nada em troca com isso, eu presumo. — Ele cruzou os braços, olhando-a seriamente.
— Não — respondeu ela, soltando outra gargalhada.
— Sabia que me maltratando assim eu me apaixono mais? — Ele descruzou os braços e se aproximou dela, com seu charme mafioso de sempre.
Em segundos, ele tocou em sua cintura, fazendo-a sentir um breve arrepio, percebido por ele.
— Eu não estou te maltratando. — Ela segurou as mãos dele, retirando de sua cintura, com certa dificuldade interna de se manter focada. — Apenas te mantendo distraído.
— Você sabe o que eu realmente quero — disse ele com seriedade.
— Não deve querer, sou sua médica e… — Ela precisava construir com diligência seus argumentos.
— Você foi demitida — disse ele, com tranquilidade. — O que foi? Está com medo de gostar de alguém da máfia? Não se sente atraída por homens problemáticos?
— Não tenho problemas com dark romance — assegurou %Aurora%, confiante em suas palavras. — Mas que tal parar de fugir e começar a cozinhar? Estou com fome.
— Não desiste, não é? — comentou ele.
— Claro que não. — Ela riu, e com rapidez e destreza pegou o celular do bolso dele. — E isso aqui, desta vez, fica comigo no silencioso.
— Foi você quem pediu para ser distraído — argumentou ela, demonstrando estar certa.
Ela sorriu com sutileza e puxou uma banqueta para se sentar, assim poderia observá-lo melhor em sua atividade. %Luigi% mostrou-se boquiaberto com a ousadia de sua doutora favorita, então, pegando o avental na gaveta, o acomodou no corpo e iniciou o preparo improvisado de risoto milanês. Foi impressionante para %Aurora% acompanhar o processo, um momento único em que pôde ver o rapaz cantarolando uma canção de
Andrea Bocelli, com movimentos leves e precisos e vários sorrisos pelo caminho.
— O cheiro está convidativo — comentou ela ao se aproximar do fogão e pegar uma colher para experimentar.
— Nem pense em tocar na minha panela — disse ele, olhando-a com seriedade. — Ainda não terminei.
%Aurora% assentiu de imediato, colocando a colher no lugar e fazendo cara de inocente. No fundo, o olhar dele foi um pouco medonho para ela. Contudo, uma característica que havia descoberto, é que o rapaz era um tanto sistemático enquanto cozinhava, e curiosamente aquela atividade era a que mais lhe deixava sereno e em paz. Fazia seu coração acalmar e sua mente ser posta em ordem.
— Quanto tempo terei que esperar? Estou com fome — reclamou ela, fazendo bico.
— Além de mercenária, é impaciente? — Ele voltou seu corpo para ela, encarando-a com atenção, parecia como um pai repreendendo uma criança.
— Foi você quem me acordou — disse ela, jogando a culpa nele.
%Luigi% sorriu de canto e, mantendo a atenção nela, desligou a trempe do fogão.
— Vou te alimentar! — Ele piscou de leve, fazendo-a sorrir espontaneamente.
O caçula Magnus serviu-a em um prato e manteve-se sereno aguardando o veredito sobre o sabor de seu risoto. %Aurora% já havia comido aquele prato típico italiano algumas vezes, entretanto, não se comparava ao inusitado dote culinário de seu paciente problema. Apesar de aquela não ser a primeira vez que ele havia cozinhado para ela.
— Como dizem os brasileiros… Já pode casar — brincou ela, ao dar mais uma garfada na comida.
— Se a noiva for você. — Ele piscou de leve para ela, com malícia.
%Aurora% respirou fundo, voltando seu olhar para o prato, tentando não se afetar com o charme do rapaz.
— Como está indo seu relacionamento com o %Giovanni%? — indagou ela, mudando de assunto, tentando uma forma de descobrir o motivo de ele ter chegado ali na situação que estava.
— Essas perguntas não me distraem — respondeu ele em sua forma enigmática de sempre. — Sabe disso.
— É sobre seu pai querer te casar? — indagou ela.
— Ele não é meu pai — continuou, afastando-se dela e se aproximando da janela da cozinha.
— Não deveria falar assim. — %Aurora% não sabia como abordar o assunto, já que as muitas dores que ele sentia, haviam sido causadas por Francesco Magnus.
— Não sou eu que digo isso, mas a genética. — %Luigi% manteve seu olhar para fora, sentindo o gosto amargo na boca.
Por dentro, o rapaz se sentia despedaçado por ter descoberto o pior dos segredos de sua família, além da raiva que sentia dos envolvidos.
— Do que está falando?! — indagou ela, quase estática pela revelação.
— É o que ouviu, daí a explicação por ele não gostar de mim — respondeu %Luigi%, com uma risada rápida da própria tragédia familiar. — Sou o fruto de uma noite proibida entre minha mãe e meu padrinho.
— O professor Giordano… — Ela congelou a primeiro momento, sem saber como reagir.
Era a primeira vez que %Luigi% compartilhava o motivo de seus machucados. %Aurora% sentiu um leve aperto no coração, queria confortá-lo, porém não sabia de que forma. A jovem, vendo-o de punhos fechados e semblante frio, aproximou-se mais e segurou em sua mão o fazendo voltar-se para ela, e o abraçou em seguida. Um abraço caloroso e confortável que rendeu mais um tempo de silêncio entre ambos.
— Me abraçando assim, não me ajuda a controlar meus pensamentos com você — comentou ele, num tom brincalhão, mas com seriedade —, apenas me causa ainda mais fantasias maliciosas.
— %Luigi% — ela tentou repreendê-lo, ao se afastar para olhá-lo. — Pare de dizer essas coisas, estou tentando te confortar e está me deixando constrangida.
— Disse para sempre ser sincero com você — retrucou ele, fazendo o feitiço virar contra o feiticeiro.
O caçula ergueu sua mão com leveza, tocando no ombro da jovem, deslizando de leve até a correntinha prateada em seu pescoço, sentindo o relevo do crucifixo vazado. O olhar dele se mantinha profundo e fixo nela.
— Não precisa ser tão sincero nesse caso. — Ela respirou fundo e deu um passo, se afastando mais.
— Por mais que eu queira, não vou te agarrar e rasgar suas roupas, sei como controlar meus desejos. — Ele piscou de leve para ela e sorriu de canto. — Ainda preciso ser distraído, já que me fez voltar a pensar no que não queria.
— Todo jantar precisa de sobremesa — disse ela, pensando rápido.
— Pensei que você seria a minha sobremesa. — Com malícia, ele se aproximou dela e tocou em sua cintura. — O que acha?
— Eu acho que nunca experimentei cannoli — retrucou ela com firmeza na voz. — Tenho os ingredientes no armário.
— Devo presumir que seu armário sempre abastecido é por minha causa? — indagou ele, entendendo sua estratégia.
— Brasileiros amam comida — explicou ela, piscando de leve. — Pode cozinhar, enquanto me conta como descobriu sobre…
— Não quero falar sobre isso. — Ele se afastou dela, arredio.
— Quanto mais evitar falar sobre, mais estará se machucando — argumentou %Aurora%, a realidade. — Desabafe comigo, estou aqui por você.
Seu olhar insistente demonstrava a sua preocupação.
— Ainda não confia em mim, %Luigi%? Mesmo depois de cinco anos? — indagou ela.
— Confio a minha vida, se precisar — disse ele, certo do que sentia por ela.
— Não quero sua vida, quero que converse comigo. — O olhar dela, reconfortante, trouxe a ele uma sensação estranha de paz. — Externar a dor ajuda a cicatrizar.
%Luigi% voltou o olhar para a janela.
Desabafar com ela, seria como cravar várias vezes uma adaga em suas feridas, esperando que assim cicatrizarem.
— %Aurora%. — Ele voltou seu olhar para ela, com um profundo respiro.
— Não diga nada, não quero forçá-lo. — Ela manteve o rosto suave e acolhedor. — Quando falamos, damos liberdade ao nosso coração de se curar e até mesmo conseguimos liberar perdão, mas… Quero que fale apenas quando se sentir pronto.
Ele assentiu com o olhar.
Antes que ela pudesse ter alguma reação, os lábios de %Luigi% tocaram os seus em um suave e parcialmente angustiado beijo. A doçura que continha em %Aurora% se misturou na intensidade que emanava dele, fazendo-a se desligar da realidade por um instante e apenas sentir o momento.
— %Luigi%, não podemos… — sussurrou ela, mantendo os olhos fechados, sentindo a respiração dele próxima.
— Por que, não? — indagou o rapaz num tom baixo.
— Por favor… — pediu ela.
Nos planos de %Aurora%, não tinha a parte de se envolver emocionalmente com seu
paciente problema, ela apenas queria ajudá-lo a se auto entender e vencer seus conflitos internos. Contudo, havia uma habilidade especial que somente os Magnus possuíam, era aquele magnetismo que atraía as pessoas à sua volta.
Seja positiva ou negativamente.
— Você quer acessar meu interior, mas quando terei acesso ao seu coração? — indagou ele com frustração no olhar.
— Quando aceitei ser sua médica, prometi a mim mesma que não me envolveria emocionalmente — explicou ela suas decisões. — Além de ser antiético…
— Você foi demitida — argumentou ele.
%Aurora% se afastou de %Luigi%, segurando suas emoções e sentimentos.
— Seu corpo está frio, acho que precisa de um banho quente para não ficar resfriado — disse ela, mudando de assunto.
— Existe uma forma mais eficaz para esquentar meu corpo — brincou ele, sugestivamente.
Ela o olhou com repreensão, fazendo-o soltar uma gargalhada.
— Ainda estou sendo sincero — continuou.
— O que você quer com isso? — Ela manteve a seriedade no olhar.
— Você. — Direto e preciso.
O rapaz tomou mais um impulso e a beijou mais uma vez, com ousadia.
— Talvez devesse tomar um banho frio — disse ela ao retomar o fôlego, o afastando.
— Não era você que estava preocupada com minha saúde? — Ele se fez ofendido.
— Vai logo — num tom de ordem — porque ainda me deve uma sobremesa.
%Luigi% seguiu rindo para o banheiro, seu corpo estava mesmo precisando retirar o resfriado causado pela chuva forte.
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Dias depois…
Dizem que quanto mais fugimos do passado, mais ele nos persegue, e de fato foi exatamente o que aconteceu com %Alice%. Seu encontro repentino com o dono de Toscana rendeu um casamento cancelado e o anúncio do desaparecimento da noiva no noticiário da noite. Após horas desacordada e mais três dias trancada em um porão úmido e escuro, sem nenhuma resposta aos seus gritos de socorro e apenas uma garrafa de água e um pacote de pão para se alimentar, a jovem despertou sentindo a cabeça dolorida juntamente com os músculos do corpo. Controlando a respiração para não entrar em pânico, percebeu que certamente estava bem longe de Braga e daquele porão frio e solitário, ao reconhecer o escritório da mansão Magnus.
— Não — sussurrou para si, com seu coração em pedaços.
Sim, ela havia retornado a casa da qual lutou para sair.
— Bom dia, %Alice%. — A voz de %Giovanni% soou da porta.
Ele estava encostado na parede ao lado, com o lugar trancado a chaves. A jovem deitada ao sofá ergueu seu corpo e o olhou temerosa, notando que ainda estava vestida com seu vestido de noiva.
— Senhor Magnus. — Ainda se sentia um pouco zonza.
— Não imagina o quanto te procurei — disse ele, controlando o tom de raiva.
%Giovanni% estava num misto de sentimentos dos quais ele próprio tinha medo de decifrar. Aliviado por tê-la encontrado, irritado pelos anos de procura, raivoso por ter visto os momentos de romance entre ela e seu noivo, além das muitas preocupações que sua invasão ao território de Braga traria aos seus negócios.
— Eu… — Ela abaixou o olhar, ainda não sabia como reagir.
Ela se levantou do sofá, com os olhos começando a lacrimejar, seguindo na direção do homem.
— Tem ideia das coisas que fiz para te achar? — continuou ele, num tom de repreensão. — Das pessoas que machuquei? Disse para não sair sem permissão.
%Alice% parou diante dele, tentando reunir coragem para confrontá-lo.
— Por favor… Me deixe ir — pediu ela, ainda com traços de insegurança.
— Você não entende, não é?! — disse ele, ponderando a aspereza na voz. — Eu não posso.
— Por favor… — A primeira lágrima rolou em seu rosto, ela agarrou em sua camisa em um pedido de clemência.
Ao sentir seu toque, %Giovanni% a girou, pressionando seu corpo contra a parede, mantendo seus braços elevados, enquanto a prendia pelos pulsos. Seus olhos estavam negros e nebuloso, tinha um misto de fúria e desejo que a intimidava com facilidade.
— A culpa é sua %Alice% — alegou ele com o tom mais baixo, porém firme, aproximando mais seu rosto. — Você me faz desejar o que eu não deveria… A culpa é sua!
Um breve e perturbante silêncio, podendo ouvir a respiração ofegante de ambos, um barulho forte soou ao lado na altura do ouvido dela, era %Giovanni% socando a parede para externar sua raiva. Após o susto, com mais agonia interna, as lágrimas voltaram a descer do rosto da jovem, fazendo voltar seu lado racional.
— Não posso vê-la com outro. — %Giovanni% a afastou dele, então saiu pela porta, trancando-a no lugar.
Do lado de fora, o primogênito conseguia ouvir os gritos de clemência e socorro que %Alice% dava, em seu desespero não desejando viver o mesmo que a mãe um dia.
— Senhor Magnus. — A governanta Vernice se aproximou dele. — Sua mãe o espera na sala de estar, soube do vosso retorno.
— Não quero ninguém perto desse escritório — ordenou ele, não dando importância a fala dela.
Ignorando totalmente a presença de sua mãe, %Giovanni% se dirigiu para a garagem, já com o celular na mão, iniciando uma ligação.
Você me fez arriscar meu coração
Agora, todos estão olhando para nós com pipoca na boca
Esperando para ver o que vai acontecer com nós dois.
- Lotto / EXO