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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Mafia’s Paradise

Escrita porPams
Revisada por Lelen

6 • Ação de Graças

Tempo estimado de leitura: 29 minutos

Toscana, outono de 2013

  De todas as datas comemorativas do ano, o dia de ação de graças deveria ser o mais importante e esperado por todos, pois estar grato significa que um dia você foi abençoado.
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  Esta era a data mais apreciada por %Alice% e sua mãe, e faltavam duas semanas para acontecer. Algo que poderia ser considerado intrigante, pelo fato de ambas terem vivido grandes perdas e muitas lutas e sofrimento posteriores, entretanto, mãe e filha seguiam gratas por suas vidas, e por ainda sonharem com um futuro melhor para elas. Lídia mantinha seu coração esperançoso, ansiando por uma realidade melhor para a filha.
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  — Mamãe, ainda está dormindo? — sussurrou a garota ao acordar pela madrugada e olhar para o lado.
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  A mulher não se moveu, de fato estava em sono profundo. Sentindo sede, %Alice% se levantou da cama e olhou para a garrafinha ao lado, estava vazia, fato que lhe arrancou um suspiro cansado. Ela não queria sair do quarto, evitava fazer isso nos dias em que os herdeiros estavam em casa, entretanto, a sede a dominou fazendo-a sair de seu minúsculo quarto e seguir em direção a cozinha.
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  — O que mais vai acontecer agora que está na universidade? — A voz de %Luigi% interrompeu o silêncio entre os irmãos, o que fez %Alice% parar no meio do corredor, sentindo as pernas travarem de imediato.
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  — Não me diga que está com saudades? — brincou %Giovanni%, rindo baixo da pergunta do irmão. — Nossas vidas vão seguir o curso que devem seguir.
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  — Não sei se quero prosseguir com meu futuro acadêmico daqui dois anos — explicou ele, soltando um suspiro fraco. — Não sou impecável como você. Um soar amargo saiu dele.
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  — Das muitas coisas que você não gosta, deve haver algo que desperte o seu interesse. — As palavras de %Giovanni% tinham uma fluidez de aconselhamento. — Você se entedia com muita facilidade, então, faça aquilo que gosta.
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  — E levar uma surra por escolher algo que o papai não aprove?! — O caçula que estava sentado no chão, encostado na porta de saída para o jardim, o olhou confuso pela sugestão, depois soltou uma risada boba.
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  — Você sempre apanha de qualquer forma — brincou o mais velho, mencionando a realidade.
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  O ambiente parecia descontraído entre os dois.
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  — Errado você não está. — Mais um suspiro cansado vindo dele, que deu impulso para se levantar do chão. — Mas não vou me preocupar com isso agora, além do mais, após completar maioridade, poderei considerar minha segunda opção.
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  — Fala do que? — perguntou %Giovanni%, intrigado.
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  — Do meu refúgio — explicou o caçula. — O padrinho mora em Roma agora.
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  — Fala do tio Giordano? — Ele logo se lembrou de quem o irmão falava.
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  — Sei que posso contar com ele. — E riu brevemente ao vir uma lembrança em sua mente. — Exceto para me dar bons conselhos…
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  O primogênito também riu. Ele sabia o quão insistente Nicolo Giordano era com seus conselhos.
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  — Amanhã retorno para Londres — anunciou %Luigi%, se dirigindo para a porta de acesso ao corredor.
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  — Não vai passar o dia de ação de graças em casa? — indagou %Giovanni%.
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  — E por qual motivo eu faria isso? Por gratidão a todas as vezes que fui internado no hospital por ser espancado por meu próprio pai? — Ele tentou, porém, o sarcasmo era nítido em sua voz. — Não sou nem um pouco grato a isso.
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  — Tenha juízo em Londres — pediu o mais velho, demonstrando suas preocupações com ele.
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  — Fique tranquilo, irmãozinho, agora eu sei me divertir em oculto. — Ele deu impulso e saiu da cozinha aos risos.
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  Ao passar pelo corredor, %Luigi% se deparou com %Alice% ainda paralisada, e, piscando de leve para ela, continuou seu caminho até seu quarto. A menina continuou onde estava, tentando entender o que faria, se voltaria ou não para o quarto, sem finalizar o que tinha ido fazer na cozinha. 
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  Mais um longo tempo em silêncio, até que…
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  — Não deveria estar fora da cama a essa hora. — A voz de %Giovanni% a despertou de seus pensamentos.
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  Ela arregalou os olhos, se mantendo em silêncio, não acreditava na possibilidade de ele saber que ela estava ali.
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  — Não pense besteiras, não coloquei nenhum rastreador em você enquanto dormia — continuou ele, parecendo ouvir os pensamentos dela —, apenas a sua respiração, que é alta o suficiente para que eu a ouça do outro lado da parede.
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  Em instantes, a silhueta da garota apontou na passagem dos cômodos, meio encolhida e com a garrafinha em suas mãos.
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  — Vejo que a sede a despertou de seu sono — supôs ele, ao olhar a garrafinha vazia. — Ela assentiu com a cabeça, mantendo o olhar no mais velho. — Pegue sua água e volte para o quarto, amanhã você acorda cedo para ir à escola — disse com suavidade, porém, num tom de ordem.
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  Ela assentiu em silêncio novamente e se aproximou da geladeira.
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  — Soube que está frequentando uma escola pública agora — continuou ele, puxando assunto — e que recusou a bolsa de estudos que meu pai te ofereceu em um colégio particular da cidade.
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  — Sim — sussurrou, afirmando sua decisão.
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  — Por quê? — continuou %Giovanni%, se encostando na beira da bancada e colocando as mãos nos bolsos da calça do pijama, observando a garota a todo momento. — Por que recusou?
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  — Não quero deixar o Matteo sozinho. — Ela voltou sua atenção para o rapaz após terminar de encher a garrafinha. — Rosalia está em Londres agora, na filial do Constance, cursando o ensino médio em uma das melhores da Europa, e se preparando para Harvard… E os pais do Matteo não podem pagar as mensalidades, a família Cassano não se importa com o filho dos empregados, e ele não conseguiu passar nas provas de admissão para conseguir uma bolsa.
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  — E? — %Giovanni% não conseguia entender o motivo de ela abrir mão de algo que a beneficiaria no futuro, por alguém insignificante como o filho do motorista. Algo que o deixou irritado internamente, fazendo seus punhos fecharem espontaneamente.
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  — Ele é meu amigo, não posso deixá-lo passar pelo ensino médio sozinho, já que a Rosa está longe, essa a missão agora é minha — brincou %Alice%, ao rir de leve, se lembrando do dia da despedida da amiga, o mesmo dia em que o choroso Matteo a fez prometer que não o abandonaria também.
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  — Se ele estudasse com você, no colégio particular? — perguntou %Giovanni%, refletindo suas palavras. — Aceitaria?
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  — Acho que sim, talvez… Por que a pergunta, senhor Magnus? — indagou ela, curiosa por todos aqueles questionamentos.
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  — Não importa, apenas vá dormir. — O rapaz respirou fundo, pensando por alguns segundos. Antes que ela passasse por ele para sair da cozinha, perguntou: — Você gosta dele? — %Giovanni% a pegou pelo braço, parando-a no caminho. Ele precisou controlar a aspereza em sua voz, pois não queria aceitar que a garota tivesse algum sentimento por outro.
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  — Matteo é meu amigo, apenas isso. — %Alice% tentou controlar seu olhar de medo, porém, sem sucesso. Sentiu um leve latejar de dor na área em que ele segurava de forma brusca.
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  Era um fato que %Giovanni% não conseguia controlar sua força quando estava com raiva. Mesmo que suas emoções pudessem estar escondidas e seu rosto transmitindo serenidade, inconscientemente não perceberia se a estava machucando ou não.
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  — Tenho ele como o irmão que nunca tive — explicou ela, com mais clareza, sentindo-se coagida. — E ele me vê como sua irmã mais nova.
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  %Ally% sentiu a necessidade de completar sua fala, pois temia que ele pudesse fazer algo de ruim contra o amigo. Seus dias de liberdade haviam se encerrado no momento em que %Giovanni% a salvou em Siena. Daquele dia em diante, o primogênito Magnus contratou um segurança para contar os passos da menina por onde quer que ela fosse. O que a fazia sentir-se ainda mais sufocada.
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  — Senhor Magnus, está me machucando — sussurrou ela, ao desviar seu olhar para o braço preso a mão forte dele.
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  %Giovanni% respirou fundo. À medida que soltava o braço dela, ele fechou os olhos, obrigando-se a voltar à razão. A última coisa que desejava era machucá-la.
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  — Vá para o quarto e volte a dormir. — Mesmo em um tom baixo, a entonação de ordem foi percebida pela garota.
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  — Sim, senhor. — Assentiu ela, disfarçando o suspiro de alívio.
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  Os olhos marejados foram dando lugar às lágrimas que escorreram por seu rosto ao longo do caminho de volta ao quarto. %Alice% sentia uma sensação de agonia que lhe causava desespero interno. Não entendia o que ela tinha feito de errado para que o primogênito agisse de tal forma.
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  Na manhã seguinte, pouco antes de seguir para a escola, ela se permitiu tomar café da manhã na cozinha, com os outros empregados. A única coisa que ambicionava era uns míseros minutos de paz.
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  — Jovenzinha — a governanta se aproximou dela, com ar rude e grosseiro —, sua presença está sendo solicitada no escritório do senhor Magnus.
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  O corpo de %Alice% gelou com aquelas palavras, estava com medo de ter feito algo de errado e descontarem em sua mãe.
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  — Senhora Vernice — a voz de Lídia saiu trêmula —, o que querem com a minha filha?
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  — A senhora Magnus apenas solicita a presença dela. — A mulher manteve o olhar firme.
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  A menina, após engolir seco, levantou-se da cadeira, temerosa.
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  — Seja o que for, eu responderei por ela. — Assegurou Lídia, colocando-se na frente da filha.
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  — Recolha-se aos seus afazeres, senhorita Miller. — Gertrudes lançou um olhar intimidador à Lídia. — A criança virá comigo.
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  — Está tudo bem, mamãe. — Assentiu %Alice%, mesmo com medo, porém, se esforçando para não deixar a mãe mais preocupada ainda.
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  Em silêncio, %Alice% seguiu a governanta pelos corredores da casa, a cada passo ficando mais apreensiva pela solicitação da dona da casa.
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  — Senhora Magnus, aqui está a filha dela — anunciou Gertrudes ao abrir a porta do escritório e dar espaço para a menina entrar.
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  — Ótimo, deixe-nos a sós — ordenou Marie, com o olhar fulminante para a garota, sentindo ainda mais desprezo por ela.
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  A menina manteve seu olhar abaixado, enquanto a mulher a encarava. Marie não conseguia deixar de imaginar as noites de traição do marido com a empregada, e se não podia tocar em Lídia, ela estava disposta em descontar sua raiva na criança. Apenas precisava de um motivo plausível para isso, o qual havia conseguido graças aos olhos atentos de sua governanta.
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  — Você não deve nem mesmo imaginar o que faz aqui. — Iniciou a mulher, após a onda de silêncio que tomou conta do lugar.
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  — Não senhora — sussurrou %Alice%, se encolhendo um pouco.
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  — Mas certamente sabe o que acontece entre meu marido e sua mãe, todas as noites nesse lugar. — O tom de amargura surgiu com um toque de rancor, fazendo Marie fechar seus punhos ao imaginar a cena.
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  %Alice% permaneceu em silêncio, sentindo os olhos começarem a lacrimejar.
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  — Eu não deixarei que o mesmo aconteça com meu filho e você no futuro. — A mulher deu alguns passos até parar em sua frente. — Não vou permitir que a futura senhora Magnus passe pelo que eu estou passando.
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  — Eu não entendo suas palavras, senhora — sussurrou mais uma vez, mantendo o olhar abaixado.
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  — Olhe para mim — ordenou Marie, com mais frieza.
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  Assim que %Alice% ergueu um pouco mais a sua face e levantou o olhar, conseguiu ver com nitidez os olhos negros de ódio da mulher. Em um piscar de olhos, a mão de Marie se ergueu e com precisão encontrou o rosto da menina, acertando-lhe um tapa forte e doloroso. %Ally% segurou as lágrimas no canto dos olhos, assim como o sentimento de raiva que lhe era novo. Por que ela estava passando por aquilo? A única coisa que fizera foi salvar a vida do herdeiro.
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  — Vou dizer apenas uma vez, então preste atenção... Não siga os passos de sua mãe e fique longe do %Giovanni%. — Concluiu a mulher com amargura. — Agora saia.
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  %Alice% assentiu, sentindo seu rosto formigando de ardência pelo tapa, tanto que poderiam ver a olho nu, a marca da mão de Marie. Em silêncio, ela saiu do escritório e seguiu diretamente para seu quarto, com um pequeno alívio pela mãe não estar à sua espera.
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  A garota sentou nos pés da cama, com os olhos cheios de lágrimas que não se permitia deixar cair. Lentamente, ela elevou sua mão ao rosto, tocando na região que persistia com a ardência, a sensação das mãos de Marie tocando seu rosto veio com mais força como se estivesse apanhando novamente. Então, finalmente ela fechou os olhos e caiu em choro, não pela dor física, mas pela dor interna de não poder viver outra realidade, senão aquela. Em instante, seu choro foi interrompido pelo toque do seu celular no bolso. Inicialmente pensou que fosse seu amigo Matteo, para perguntar o motivo de seu atraso, porém, ao olhar para tela, a mensagem indicando número restrito a assustou.
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  — Hum?! — Ela respirou fundo e sussurrou. — Número restrito.
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  Logo se lembrou do dia em que recebeu a mensagem de convite para ir a Siena. Mas aquele número era novo assim como o celular. Será que era a mesma pessoa? Pensou consigo, e enfrentando seus medos e traumas ela aceitou a chamada, permanecendo em silêncio.
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  — Seu número foi grampeado, mas consigo bloquear o sinal por cinco minutos apenas — disse a voz do outro lado da linha, de forma precisa, para que a menina não se preocupasse. — Bom dia, %Alice%.
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  — Quem é você?! — perguntou ela, sentindo sua voz trêmula.
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  Não confiava naquelas palavras. E se fosse alguém a mando de Magnus para lhe testar?
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  — Sou a pessoa que vai te livrar dessa prisão — afirmou a voz, com segurança e firmeza. A entonação do homem soou de forma familiar para ela que, de imediato, sentiu seu coração se encher de esperança.
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  Encostado ao muro do Colégio Secundário de Florença, a escola pública de ensino médio da cidade no qual os amigos estudavam, estava Matteo com seus olhos concentrados no celular em sua mão, enquanto jogava a versão android do FIFA 2013. Seu amor pelo futebol conseguia ir além da compreensão de seus pais, contudo, apesar de ambos saberem da cruel realidade em relação a falta de oportunidade para o filho, continuavam o apoiando e mantendo seu sonho vivo.
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  — Ricci. — A voz grossa e firme de %Giovanni% soou, frente ao garoto, despertando sua atenção de imediato.
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  Um frio passou pelo corpo de Matteo. Raramente as pessoas o chamavam pelo sobrenome, e sendo um Magnus ali diante dele, o deixava ainda mais temeroso ao motivo de sua presença.
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  — Senhor Magnus. — O menino engoliu seco, era sua primeira vez em um possível diálogo com a realeza.
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  — Venha comigo. — %Giovanni% manteve o tom sério, com o olhar inexpressivo, deu meia volta e começou a andar. — Vamos dar uma volta.
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  Matteo sentiu uma breve paralisia em suas pernas, não controlou seus pensamentos a ponto de não permitir que sua vida inteira passasse diante dos seus olhos. Ele sabia muito bem o quão incisivo o primogênito estava em controlar os passos da amiga e principalmente as pessoas que se aproximavam dela. Por mais que %Alice% não conseguisse se expressar para ele, sua agonia conseguia ser vista em seus olhos.
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  — Eu... — Matteo respirou fundo, tentando reunir coragem para falar algo. — Eu tenho aula agora, senhor.
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  — Não acho que deva se preocupar com algo tão normal quando se é convidado pelo dono da cidade. — A entonação de %Giovanni% fez o menino sentir calafrios na espinha.
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  — Sim, senhor. — Assentiu Matteo, dando o primeiro passo para segui-lo.
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  Um silêncio permaneceu entre eles, até que %Giovanni% estacionou seu carro em frente ao Centro de Treinamento do maior time de futebol de Florença e ordenou que o acompanhasse. Os olhos de Matteo brilharam de imediato, tanto que não conseguiu nem disfarçar sua emoção por estar ali. Por um curto espaço de tempo, o menino esqueceu-se de quem o levara, e apenas deixou-se ser guiado pela empolgação do momento.
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  — Vamos entrar — continuou %Giovanni%, ao disfarçar o sorriso de canto em seu rosto. Mais uma vez, o primogênito havia acertado em suas avaliações a respeito dos amigos de %Alice%.
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  — Senhor Magnus, o que estamos fazendo aqui? — indagou Matteo, confuso pela situação, pois em sua mente apenas coisas ruins passavam.
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  — Logo saberá, apenas me siga — respondeu o mais velho, com seu jeito enigmático de ser.
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  Adentrando o lugar, logo %Giovanni% avistou o dirigente Artemio Rossi. O primogênito havia agendado uma reunião com o homem mais importante do time Fiorentina, aquele que contratava e demitia.
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  — %Giovanni% Magnus! — o homem soltou um grito de entusiasmo ao vê-lo. — Finalmente veio se juntar ao time?
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  — Se eu for jogador, não serei o patrocinador — brincou %Giovanni%, num tom mais sério, porém, mantendo a suavidade em seu rosto. — Não se pode ter os dois.
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  — Ah... — o homem se fez de triste, então, desviou seu olhar para o garoto ao lado, que visivelmente estava deslumbrado com tudo o que via. Era sua primeira vez tão perto do seu time do coração. — Este é o garoto? — indagou Rossi, não dando muita credibilidade.
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  — Acredite, ele pode se tornar mais do que os olhos veem, basta a motivação correta. — %Giovanni% olhou para Matteo. — Voltarei daqui algumas horas, aproveite seu momento.
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  Matteo assentiu prontamente, sentindo o coração aquecido pelo que viveria aquela manhã. As horas se passaram com o garoto visitando cada centímetro das instalações do Fiorentina, pisou no gramado do centro de treinamento e até obteve a oportunidade de conhecer os jogadores titulares daquela temporada. Ao final da tarde, após vivenciar todo um sonho de pequeno, ele sentiu o ápice da realização, que uma criança de família de classe trabalhadora poderia sentir. O gostinho da grandeza.
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  — Senhor Magnus. — Matteo soltou um suspiro frustrado pelas horas terem passado com tanta rapidez. 
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  — Você pode viver isso aqui todos os dias se quiser. — Num tom baixo, porém, nítido e firme, %Giovanni% pronunciou suas palavras instigantes. — O Fiorentina possui dormitórios e professores próprios para os jovens das categorias de base, ainda que você tenha apenas treze anos e não possa jogar na sub-16, toda regra tem a sua exceção, e você teria mais tempo para se preparar para jogar profissionalmente.
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  — Seria incrível, morar aqui e... — Matteo parou o vislumbre que estava tendo e o olhou com seriedade. — Quando conseguiu a vaga para Rosalia em Londres, ela teve que ser o álibi perfeito para %Alice%.
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  Matteo podia ser disléxico com as questões escolares, mas era muito esperto desde pequeno. Em sua mente, as peças do quebra-cabeças já começavam a se encaixar.
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  — O que eu terei que fazer em troca? — indagou, sabendo que tinha um preço a ser pago.
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  — Senhor, agradecemos por tudo que temos e todas as coisas boas que nos aconteceram ao longo deste um ano. — Iniciou o pai de Matteo, sua oração de agradecimento por aquele dia. — Agradecemos por todas as bênçãos, pelos amigos e por nossa família.
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  — Amém! — disseram o restante em coral.
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  Finalmente o Dia de Ação de Graças tinha chegado, em uma ação de gratidão aos amigos que fizeram ao longo dos anos, o motorista Domenico e sua esposa Nerina, promoveram um almoço de ação de graças em sua humilde casa, aos fundos da propriedade da família Cassano. O convite se estendeu a Lídia e sua filha, além da viúva Celestina, a cozinheira dos Tommaso e mãe de Rosalia, a menina, porém, estava ausente por seus estudos em Londres.
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  Uma tarde de sorrisos e alegrias, que faziam todos os envolvidos sentirem imensa gratidão pelo momento. Após saborearem o delicioso banquete preparado por Nerina e Celestina, os filhos presentes saíram da casa para dar uma volta pelo jardim. Por mais que os Cassano não fossem tão generosos com os empregados, também não os proibiam de desfrutar da beleza de sua propriedade. E havia um lugar em especial que Matteo queria mostrar à amiga.
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  — Para onde está me levando, Matteo? — indagou %Alice% ao ser conduzida pelo amigo, que a puxava pela mão.
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  — Você vai ver — respondeu o menino, continuando a caminhar.
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  Mais alguns passos apressados e finalmente pararam em frente a um lago artificial que havia próximo à casa de seus pais. Um pequeno oásis que seu pai havia criado nos momentos livres, sob a autorização dos donos do terreno.
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  — Olha se não é lindo — disse o menino, mantendo o olhar nos poucos peixes que tinha nadando pelo lago. — Levou anos para ficar pronto, foi o meu pai quem fez com as próprias mãos.
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  %Alice% ficou notoriamente impressionada com a beleza do espaço, não somente pelos peixes e a água cristalina, como também pelas plantas que cercavam o lugar.
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  — Sim, é lindo… — Assentiu ela, com um brilho nos olhos. — Eles nadam de forma tão despreocupada.
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  — É porque não devem favores à máfia — brincou o amigo, arrancando risadas dela.
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  — Isso é verdade. — %Alice% voltou seu olhar para ele. — Estou grata, Matteo.
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  — Grata?! — Ele a olhou de volta, confuso.
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  — Sim, grata. — Assentiu ela.
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  — Pelo que? — perguntou o garoto.
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  — Por estar aqui hoje, longe daquela casa e com o meu melhor amigo. — Ela abriu um largo sorriso. — Só faltou a Rosa aqui, assim vocês poderiam me matar de rir com suas trocas de amores.
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  Matteo fez uma careta engraçada, arrancando algumas gargalhadas da amiga.
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  — É divertido vocês dois juntos — comentou a menina ao se sentar na grama e manter a atenção para o lago.
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  — Aquela traidora… — Matteo resmungou se sentando ao lado dela, e inclinando seu corpo para trás, encostando-se na grama. — Nos abandonou por Harvard e nem se deu o trabalho de vir no dia de ação de graças.
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  — Você sabe que a bolsa de estudos dela não se estende às visitas à família — explicou %Alice%, entendendo o lado da amiga. — E ela nos fez uma vídeo-chamada há dez minutos.
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  — Não é a mesma coisa sem ela aqui. — Seu resmungo perdurou.
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  — Um dia vocês ainda vão se casar — disse %Alice%, rindo em seguida.
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  — Não, eca… — Matteo fez outra careta e ergueu o corpo ficando sentado. — Como pode achar isso?!
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  — A forma como olhava para Rosa quando ela te ensinava os exercícios de ciências. — Continuou a amiga, lembrando-se dos momentos em sala de aula. — Eu shippo vocês dois.
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  — Hum… — Matteo abraçou suas pernas e ficou olhando para os peixes. — Sinto falta dela. — Ele não queria confessar a realidade, mas lá no fundo, ele gostava da nerd metida chamada Rosalia.
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  Um longo silêncio pairou sobre eles, com ambos presos em seus pensamentos dos tempos divertidos que o trio estava junto, apenas se preocupando com os trabalhos intermináveis e as semanas de prova que os deixavam em surtos, principalmente ele.
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  — %Ally%... — disse Matteo num tom baixo, quebrando o silêncio.
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  — O que foi? — ela manteve sua atenção também nos peixes, ainda impressionada com o dia que estava vivendo. Ela desejava parar aquele momento e apenas eternizá-lo.
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  Tanto %Alice% quanto sua mãe, estavam felizes longe da mansão que as sufocavam e aprisionavam, longe dos olhares dos Magnus que tanto lhes faziam mal.
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  — Você é minha melhor amiga, preciso te contar uma coisa. — Iniciou ele, um dos assuntos mais sérios de sua vida.
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  — O que quer me contar? — Ela voltou seu olhar para ele, curiosa.
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  — O primogênito Magnus me fez uma proposta… E eu ainda não aceitei… — Matteo sentiu um aperto no peito, ainda não tinha dado sua resposta final, pois queria contar à amiga primeiro. — Ele me ofereceu uma vaga como trainee no sub-16 do Fiorentina.
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  — Sério? — %Alice% abriu um largo sorriso. — Matteo, é a oportunidade do século, você vai poder realizar seu sonho de ser um jogador profissional no futuro.
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  — %Alice%, você não entende?! — Ele voltou seu olhar marejado para ela, se sentindo culpado. — Ele me ofereceu a vaga para que eu me afastasse de você. Sendo um trainee, vou ter aulas com os professores próprios do time, ficarei longe como a Rosalia.
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  Matteo conseguia ver nitidamente que %Giovanni% estava afastando de %Alice% seus amigos mais próximos, da mesma forma que tentava impedir as pessoas de se aproximarem dela através do segurança. 
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  — Eu entendo… Mas não importa. Você precisa aceitar — disse ela, o encorajando com firmeza. — E tenho certeza que seus pais também acham isso.
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  — Não posso — recusou ele, abaixando o olhar com tristeza.
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  — Por que não? — indagou ela.
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  — Não posso viver meus sonhos às custas do sofrimento de uma amiga. — Ele levantou seu olhar para ela. — %Alice%, pode não me contar, mas eu vejo nos seus olhos que morar com essa família não te faz bem.
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  — Obrigada por ser um bom amigo. — %Alice% se inclinou um pouco para abraçá-lo bem apertado. — E eu te deixo aceitar a vaga, se não o fizer, deixarei de ser sua amiga.
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  — Hum… Eu que agradeço por ser seu amigo. — Ele retribuiu o abraço com carinho e voltando o olhar para frente, logo se afastou da amiga. Uma sensação gélida passou por seu corpo ao cruzar seu olhar com %Giovanni%, que estava próximo e observando a conversa deles.
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  — O que foi?! — indagou %Alice%, estranhando a reação do amigo.
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  — Acho que está na hora de voltar para casa — sussurrou Matteo, engolindo seco.
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  — Hum?! — %Alice% deu meio giro no corpo para a direção que o amigo olhava, então, a garota também sentiu o corpo estremecer.
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  O olhar de fúria do primogênito Magnus era nítido… E lhe causavam ainda mais medo.
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Você vai se machucar! Fuja ou você vai se machucar!
  Às vezes ser corajoso demais pode ser ruim
  Peça ajuda, peça ajuda a alguém
  Ou então só observe em silêncio por agora...
  - Face (페이스) / NU'EST

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Lelen

Giovanni, vê se me erra, deixa a menina ficar com o amigo que restou, às vezes a gente faz sacrifícios por aqueles que se sacrificariam por nós (espero, né, Matteo, vai dar facada nas costas que eu vou te dar uns sopapos).
(Giovanni ciumentinho HAOSHAOSPHASP por enquanto passa, tá? 🧐 )
Alice é um tesourinho, alguém guarda ela num potinho e protege desse mundo mau.
Caceta, queria eu ter o tanto de dinheiro que essa família tem (só que ganhando de forma honesta, por favor kkk), olha como o Giovanni consegue manipular tudo e todos só pra conseguir que as coisas saiam da forma que ele quer? PQP, QUERO 😂 😂 😂 😂
GIOVANNI, SEU ABUSIVO TÓXICO, VAI FAZER TERAPIA E APRENDE A SER UM HOMEM BOM, NEM TÁ EM RELACIONAMENTO COM A MENINA E JÁ TÁ TIRANDO TODA A REDE DE APOIO DELA, SEU CANALHA! E sim, eu tenho uma relação de amor e ódio com o Giovanni, porque às vezes ele acerta, mas o lado “Magnus” dele prevalece, né, PQP.

Pâms

Magnus sendo Magnus…. nem vou falar nada, a ideia do enredo foi tua kkkkkkkkkkk

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