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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Mafia’s Paradise

Escrita porPams
Revisada por Lelen

5 • Refúgio

Tempo estimado de leitura: 26 minutos

Paris, primavera de 2013

  O lado bom de ser uma das melhores alunas de um colégio da elite, é ter a liberdade de ir e vir quando quiser.
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  Há três semanas para as férias de verão, %Clarice% estava em seu passeio anual pelas ruas de Paris. A cidade luz, além de ser seu refúgio nos momentos de tristeza e aflições, agora também era o novo lar de sua irmã Diana, por uma estratégia de negócios do senhor Mancini, toda a família havia se mudado para a cidade francesa.
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  Naquela manhã, a princesinha Tommaso estava em sua pesquisa de campo sobre as tendências parisienses da estação atual. Por um contratempo dos estudos, seus planos de acompanhar os luxuosos desfiles da semana de moda de Londres, Paris e Milão, foram cancelados, a fazendo se contentar apenas com os catálogos premium que recebeu das marcas, com algumas peças sob medida de presente. Para a adolescente mais influente da Itália, que ditava a moda entre as garotas de sua idade, até mesmo fora de seu país natal, todo o seu guarda-roupas era composto das grandes marcas europeias, em sua maioria sem ter desembolsado nenhum centavo.
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  — Diana?! — Com o tom de surpresa, %Clarice% atendeu a ligação inesperada da irmã mais velha. — Por que está me ligando?
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  — Você saiu pela manhã sem deixar recado, achei que tivesse retornado para Londres — explicou ela, serenamente, o motivo da ligação.
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  — Estou dando meu passeio anual pela rua da moda — contou a garota, ao parar em frente a Freek for Woman, uma loja de alfaiataria especializada em ternos femininos de alta costura. — Como não pude acompanhar os desfiles presencialmente, preciso me atualizar na melhor rua de Paris.
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  O lugar mais frequentado pelas mulheres da elite na cidade.
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  — Mancini deixou um recado antes de sair, temos um jantar hoje à noite, ele quer que você vá conosco. — Continuou Diana, tentando não demonstrar que estava apreensiva por aquilo.
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  Era notório que %Clarice% não gostava de seu marido, também havia sido contra o casamento forçado, mesmo sabendo que o pai não consideraria sua opinião sobre o assunto. Contudo, o que mais desagradava a princesa Tommaso, era o primogênito Mariano Mancini, um libertino regado a ações irresponsáveis que não demonstrava respeito por sua madrasta e menos ainda pela pequena Julie, a filha de Diana.
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  — Teremos a presença desagradável do seu enteado? — indagou ela, ao entrar na loja e começar a analisar as peças em exposição.
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  — Possivelmente. — Assentiu ela, soltando um suspiro fraco. — Você sabe que o desejo do Mancini é que o filho dele se case com você.
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  — Se a vida dele depender desse desejo, se considere viúva, irmãzinha. — O tom irônico soou, seguido de uma risada rápida.
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  %Clarice% se aproximou de um conjunto de terno feminino bege e tocou de leve no tecido para sentir a textura, era feito de linho egípcio com uma modelagem impecável que transmite elegância e conforto.
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  — Confesso que não é fácil a convivência com Mariano, mas… Foi o que a vida reservou para mim. — Diana sentiu-se um pouco reprimida ao avaliar sua realidade. — Oficialmente, ele é o herdeiro do meu marido.
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  Seu conturbado casamento com Alfredo Mancini havia iniciado com o pé esquerdo e muitas lágrimas. Se lembrar da primeira noite com o marido era como sentir novamente as dores internas e externas de se entregar a um homem ríspido pelo qual não sentia nada. E após pouco mais de três anos de casada, ela ainda se sentia desconfortável todas as vezes que o homem a tocava. 
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  Entretanto, ela estava grata pela vida da filha, pois, mesmo com a descoberta de Mancini que o bebê em sua barriga não era de fato dele, Diana havia conseguido clemência do marido e a permissão de continuar com a gravidez. Em troca, ela seria a esposa mais exemplar que já existiu no mundo, com o comprometimento de jamais negar os desejos do marido.
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  — Um momento, Di… — %Clarice% voltou o olhar para o atendente que se aproximou dela, e afastou um pouco o celular do ouvido. — Bonjour, gostaria de reservar três unidades desse nas cores branco, bege e preto, s'il te plaît.
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  — Para qual credencial enviaremos? — indagou o funcionário, a fim de identificar a identidade dela.
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  — %Clarice% Tommaso — respondeu ela, arqueando a sobrancelha direita.
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  — Perfeitamente, senhorita Tomasso, já possuímos vossas medidas. — O bom funcionário já sabia de cor quem era cada uma das clientes no seleto cadastro da loja, olhando para o modelo apontado, conferiu o código de identificação da peça. — A senhorita deseja que embrulhe para presente? 
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  — Não — respondeu ela, e acrescentou —, e desejo que entregue até o final da semana no endereço de Alfredo Mancini.
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  — Como quiser, senhorita. — Assentiu o atendente, memorizando as ordens. — A senhorita necessita de alguma peça em especial para este dia?
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  — Sim, quero algo casual que possa vestir em um jantar formal — pediu ela, olhando para os outros modelos femininos da loja. — Aquele macacão cinza, pantacourt.
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  — Buscarei para senhorita, um momento, por favor — disse o homem se afastando dela.
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  Ela assentiu e se aproximou de uma das poltronas para se sentar, então retornou à ligação.
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  — Seu enteado é um escroto que te assedia quando o pai não está por perto — comentou %Clarice%, relembrando um dos muitos desabafos da mais velha. — Se fosse eu, já teria delatado ao Mancini. Seu marido pode ser um homem horrendo, mas duvido que deixaria o filho dele mexer com você.
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  — Eu não posso. — A irmã soltou um suspiro cansado, seu casamento era um fardo que apenas ela deveria carregar, e por mais que estivesse feliz pelo apoio da irmã, sabia seus limites. — Alfredo pode achar que estou inventando, tentando trazer intrigas para a família.
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  — Por favor, Di, ele conhece o filho horrendo que ele tem, sabe muito bem das muitas encrencas que Mariano já se envolveu, até preso por dirigir embriagado ele já foi — argumentou %Clarice%, não entendendo a recusa da irmã. — Não entendo o motivo de tanto medo.
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  — Você não entende %Clarice%, eu já sou grata por ter a Julie… Mancini poderia ter me feito abortar ou jogado ela na primeira lata de lixo que encontrasse — retrucou Diana, tentando sufocar seu tom de angústia. — Preciso ser a mulher perfeita para ele, sem reclamações.
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  — E vai continuar aguentando as provocações do filho dele?! — questionou a mais nova, inconformada com aquilo.
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  Uma das muitas revoltas de %Clarice% era de não poder ser livre como desejava. Olhando para a vida de sua irmã mais velha, a fazia sentir raiva do pai e ao mesmo tempo frustrada por também já possuir seu futuro traçado desde antes de nascer. Entretanto, em seu caso, ela ainda podia dar suas opiniões e se beneficiar por não ser tão controlada pelo pai como a mais velha.
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  — Esqueça isso, %Clari%, este é um assunto que somente eu tenho que resolver — pediu Diana, ponderando sua voz, deixando-a mais suave.
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  — O que significa que não será resolvido. — %Clarice% soltou outro suspiro cansado e engoliu seco sua chateação. — Mas tudo bem, não vou mais comentar o assunto, pelo menos o Mancini ter descoberto serviu para sabermos que a delatora de todos os nossos segredos sempre foi a filhote de naja.
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  — Elena era somente uma criança na época. — Diana tentou relevar, pois ainda tinha um carinho pela meia-irmã caçula.
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  — Uma criança? Ela já nasceu sabendo ferrar a vida dos outros, eu jamais confiei naquela aprendiz de falsiane — retrucou ela, ao avistar o atendente retornando com uma caixa de acrílico nas mãos. — Tenho que desligar agora, estou no meio de uma compra.
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  — Boas compras para você, te vejo no almoço? — indagou.
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  — Não, vou almoçar com uma amiga — revelou a mais nova, sua programação. — Mas diga ao seu marido que terá minha presença no famigerado jantar.
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  — Obrigada, %Clari% — disse Diana, antes de encerrar a ligação.
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  %Clarice% esperou até que o funcionário parasse em sua frente e retirasse a roupa solicitada de dentro.
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  — Senhorita Tommaso, aqui está seu pedido. Gostaria de experimentar? — perguntou ele ao lhe entregar.
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  — Sim. — %Clarice% guardou o celular dentro da bolsa e se levantou, então pegou a roupa e acompanhou o atendente até a área dos provadores.
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  Não demorou muito para que ela terminasse sua transação e saísse da loja. Mais algumas voltas pelo quarteirão, sendo seguida a distância por seu motorista Juarez, que se mantinha atento às ordens e o trajeto de sua senhora. Ao chegar na unidade do Starbucks, adentrou a cafeteria logo avistando sua amiga de infância parisiense, Genevieve Ginevra.
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  — Ginevra — disse %Clarice% ao se aproximar da mesa.
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  — %Clari%! — A garota se levantou de imediato e lhe deu um abraço apertado. — Que saudade, há tempos não a vejo em Paris.
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  — Verdade. — Um largo sorriso saiu em seu rosto, enquanto lhe retribuía o abraço de forma saudosa. — Tenho andado tão concentrada nos estudos que mal tenho tempo para meus hobbies. 
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  — Está em sua semana de pesquisa de campo? — perguntou a amiga, ao se afastar e voltar a se sentar.
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  — Sim, sabe que preciso da minha semana de refúgio em Paris todo ano antes das férias de verão — explicou ela, assentindo.
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  %Clarice% se sentou também e voltou a atenção ao cardápio na mesa, começando a avaliar o que pediria.
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  — Fiquei te esperando na semana de moda de Paris, mas não a vi em nenhum desfile — contou a Genevieve, ao sugar um pouco do seu Ice Coffee, pelo canudo.
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  — Semana de moda, igual semana de provas — disse Tommaso em uma explicação simples e objetiva. — E você, como estão os estudos?
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  — Tediosos, mas consigo relevar, o que importa é que estou na melhor escola de artes e serei uma top model de sucesso no futuro — respondeu ela, com um olhar confiante.
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  — Te desejo sucesso, você realmente nasceu para as passarelas — concordou %Clarice%, elogiando-a. — Deve ter sido um barulho e tanto para o senhor Ginevra quando contou a ele sua decisão.
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  — Meu pai não gosta muito dessa coisa de modelo e exposição, sabe disso, por nossa família ter seu lado sombrio dos negócios, minha fama poderia chamar a atenção para ele — explicou ela, seu ponto preocupante. — Mas quando ele me viu desfilando, ficou encantado.
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  — Fico feliz que tenha o apoio dele, mesmo sendo muito nova para enfrentar os holofotes — comentou, ao observar o atendente se aproximando.
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  — Tenho que confessar, meus quinze anos tem sido pura diversão, mesmo com as responsabilidades do trabalho de modelo — confessou a outra.
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  Após %Clarice% fazer seu pedido e ser prontamente servida, retornou ao assunto.
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  — E quando a verei em Londres?! — indagou %Clarice%.
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  — Você está em Londres? — Genevieve se mostrou surpresa. — Mas e Florença?
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  — Estou estudando na unidade do Constance de Londres, colégio interno com direito a festas do pijama aos finais de semana — contou, deixando soar um toque de animação em sua vez.
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  — Imagino o quão divertido deve ser estudar com você. — Genevieve a olhou meio chorosa.
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  — Você ainda pode se mudar para lá, Londres é tão boa para modelos quanto Paris — argumentou %Clari%, incentivando a amiga.
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  — Já foi difícil para o papai aceitar comigo aqui em Paris, imagine sair do país. — Ela soltou um suspiro cansado e manteve a atenção na amiga que bebericava seu cappuccino tradicional. — Mas… E você? Além de Londres, mais alguma novidade? E não vale falar sobre o casamento da Diana, pois essa fofoca já é antiga.
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  Ambas riram.
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  — Bem… Em breve, um pouco distante, ficarei oficialmente noiva. — %Clari% manteve seu olhar na xícara de café, permitindo-se entrar em seus devaneios. — Tudo pelos negócios da família.
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  Ela não queria pensar em seu futuro casamento, menos ainda se sentir ansiosa por tal evento. Entretanto, quanto mais ela se aproximava de seus dezessete anos, a idade estipulada pelo pai para seu noivado, mais seu coração se mostrava inquieto e indeciso.
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  — Mas isso será apenas daqui dois anos, então, ainda tenho provas de geometria para me preocupar e minha vaga na universidade — continuou %Clari%, dando uma risada final.
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  — Como se você precisasse se preocupar. — Gen soltou uma risada ponderada. — Já se decidiu pelo curso?
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  — Já, vou pelo que brilha meus olhos mais do que os croquis de moda da tia Sophie — revelou ela, de forma enigmática.
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  As amigas continuaram por mais algumas horas, entre o almoço e as conversas sobre os desfiles de moda e o futuro delas. Ao final da tarde, %Clarice% retornou a casa da família Mancini, em que estava hospedada, e se refrescou um pouco em um banho relaxante, logo se aprontou para o jantar. Ao sair do quarto, ela deu alguns passos pelo corredor para chegar à escada, quando cruzou com o primogênito da casa.
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  — Princesa Tommaso — disse ele, num tom debochado e malicioso. — A cada dia mais linda e atraente.
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  — Mariano… Quero que tenha em mente que eu não sou como minha irmã, então, não se atreva a se aproximar de mim — disse ela, com seu tom seguro e empoderado. — Eu sou um brinquedo caro e você é uma criança pobre.
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  — Pobre?! — Ele riu sentindo uma acidez na garganta pelas palavras dela.
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  — Sim… Comparado aos irmãos Magnus, você é daquelas crianças carentes que mora debaixo de uma ponte, e jamais terão a oportunidade de tocar em algo tão valioso quanto eu. — Ela sabia que de todas as filhas da máfia, ela era a mais cobiçada pelos herdeiros, por isso, não se importava com nenhum deles.
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  De opinião própria e personalidade forte, ela jamais abaixaria para um homem, principalmente um do tipo de Mariano. Ao primeiro passo para passar por ele, %Clarice% teve seu pulso agarrado pelo rapaz, que o apertou com força e brutalidade.
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  — Quem você pensa que é para me comparar a eles?! — indagou o rapaz, num tom áspero e amargo.
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  — Sou %Clarice% Tommaso — respondeu ela, com o olhar fixo nele, não demonstrando medo nenhum —, e vou mostrar o que acontece quando alguém me toca sem permissão.
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  Ela se aproximou mais dele e em um piscar de olhos, deu uma joelhada forte na região das genitais do homem, o fazendo gemer de dor, e conseguindo se soltar dele no processo.
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  — Nunca mais ouse pensar em tocar em mim. — Agora foi a sua vez de soltar uma risada debochada, então seguiu para as escadas.
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  No andar debaixo, o casal de anfitriões já estava à espera de ambos os jovens. O senhor Mancini se encontrava com a filha nos braços, entretido enquanto brincava com a criança. Se como marido ele não conseguia ser sutil e amoroso, para a surpresa de Diana, Alfredo a cada dia se mostrava um pai bondoso e atencioso para a pequena Julie.
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  — Estou pronta, e no meu horário — brincou ela, disfarçando seu pequeno atraso.
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  — Não se preocupe, Mariano ainda não desceu também — disse Diana, ao mover seu olhar para a filha que soltava gargalhadas no colo do pai, ao rir de suas cócegas.
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  — Bem… Acho que vai demorar — sussurrou %Clarice%, disfarçando.
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  — O que você fez? — indagou a mais velha.
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  — Você ouviu? Eu disse alguma coisa? — Ela riu baixo, com os olhos brilhando.
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  — %Clarice%?! — Diana insistiu, apreensiva, pois conhecia o temperamento da irmã.
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  — Fique tranquila, eu não fiz nada que ele não merecesse — alegou a mais nova, em sua defesa.
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  %Clarice% respirou fundo, se preparando mentalmente para a programação proposta. O jantar não era apenas em família, mas um jantar de negócios com alguns membros importantes da elite parisiense. Tommaso reconheceu alguns rostos de políticos que frequentavam festas em sua casa, o que a fez perceber que ele queria usar sua presença na cidade como uma confirmação que a aliança entre as famílias estava mais forte do que nunca.
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  — Acho que precisa de alguém para salvar sua noite! — A voz de %Luigi% despertou %Clarice% de seus pensamentos.
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  A jovem estava próximo a vidraça lateral do restaurante, contemplando o jardim de inverno decorativo. Seu estilo era provençal acompanhando a arquitetura tradicional do lugar, sutil na escolha das plantas e marcante na ambientação proposta pelas pedras naturais aparentes na estrutura da edificação.
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  — %Luigi% Magnus. — Um sorriso sutil e singelo surgiu em seu rosto, então a garota voltou o olhar para o reflexo dele no vidro que a separava do jardim.
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  O rapaz estava a dois passos dela, com um olhar sereno de quem não se importava com o mundo ao seu redor, apenas com a garota diante dele.
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  — O que faz em Paris? — indagou ela, curiosa por sua presença ali.
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  — Estou acompanhando meu padrinho por alguns dias, senti sua falta na escola — respondeu ele ao dar um gole em sua taça de vinho. — Está em sua semana da moda?
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  Sendo sua melhor amiga e crescendo juntos, o caçula Magnus já tinha decorado todo o calendário de Tommaso. A única garota que o olhava com carinho e afeto verdadeiro, sempre fazia seu coração pulsar um pouco mais forte com sua doçura e sutileza. Que o entendia de verdade, e lhe emprestava suas tardes para esquecerem os problemas da vida e se divertirem como jovens despreocupados.
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  — Sim. — Assentiu ela, prontamente voltando-se para ele. — Seus pais sabem que está com o tio Giordano?
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  — Claro que sim, não seria louco a ponto de criar motivos para passar a noite no hospital tão próximo do feriado — brincou ele, tomando outro gole.
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  %Clarice% manteve seu olhar nele, pensando no que havia dito. Além do irmão, apenas ela e seus dois amigos, Robert e Andreas, sabiam sobre as surras que o caçula ganhava do pai. E o grupo de amigos, por terem crescido juntos e se tornado tão próximos, mantinha segredo absoluto sobre o assunto.
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  — Não acha que é novo demais para bebidas alcoólicas? — indagou ela, elevando a mão até a taça dele e pegando para si.
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  Com o olhar sério e a sobrancelha direita arqueada, a jovem sabia muito bem como impor respeito diante do sexo oposto.
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  — Troco todas as garrafas da minha adega por você — retrucou ele, num tom provocativo, dando um passo para mais perto.
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  — Suas palavras me fazem sentir lisonjeada, mas somos amigos, e sabes que não gosto de misturar as coisas — argumentou ela, ao tocar em seu tórax, mantendo uma linha de afastamento.
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  — Nós dois sabemos o real motivo. — %Luigi% tocou na mão da garota e segurando, a beijou de leve. — A vida é muito curta para se privar das coisas boas… — Ele sorriu de canto e piscou de leve para ela, arrancando-lhe uma risada boba. — E como não é possível tê-la — continuou ele, ao pegar sua taça de volta —, terei que me contentar com o vinho.
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  Ela riu mais um pouco e voltou a olhar para o jardim.
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  — Está tudo bem com você? — perguntou ela, suavizando mais a voz. — Da última vez que nos vimos, foi no aniversário de sua mãe.
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  — E eu estava com o nariz sangrando na cozinha da minha casa — completou ele, ao se lembrar do evento. — Comparando a hoje, nunca estive tão bem…
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  — Nem parece que estudamos na mesma escola, nunca nos vemos — comentou ela, achando a situação frustrante.
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  %Clarice% amava a companhia conturbada e divertida do amigo. 
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  — Isso tem apenas uma resposta… Você é aplicada demais e eu sou o aluno rebelde. — Ele piscou de leve mais uma vez e sorriu de canto.
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  Então olhou para a taça vazia e soltou um suspiro de chateação.
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  — Que tal fazermos algo mais interessante? — sugeriu ele ao deixar a taça em uma mesinha de apoio ao lado e esticar a mão para ela.
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  — O que me sugere? — indagou ela ao olhar para sua mão, pensando se deveria ou não aceitar.
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  — Como não posso te fazer gemer… Então me permita te fazer rir — explicou ele, de forma provocativa e maliciosa.
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  — %Luigi%… — Seu tom foi de sutil repreensão, segurando o riso.
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  — Vamos — insistiu ele, balançando a mão. — Quando foi que eu te decepcionei?
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  — Até hoje… Nunca. — Ela segurou sua mão e voltou o olhar para a direção em que a irmã estava. — Mas tenho que voltar antes do amanhecer.
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  — Não acho que seja obrigada a dormir em casa hoje. — Ele segurou em sua mão, entrelaçando seus dedos. — Esta noite, você é minha!
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  Ele soltou uma risada boba e alta, então a guiou para fora do prédio. %Luigi% ainda não podia dirigir pela idade, então, inesperadamente a levou para a direção ao metrô. As experiências de %Clarice% com transportes públicos não se podiam contar, ela só havia andado de ônibus uma vez, no dia em que ajudou a irmã em sua fuga malsucedida.
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  Estações depois, eles desceram em um bairro da periferia, chamado de B13, e andaram mais alguns minutos até chegar ao point dos artistas de rua, o lugar favorito do caçula na Cidade Luz.
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  — Para onde me trouxe? — perguntou ela, não desconfiada, mas sim, curiosa.
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  — Às vezes precisamos nos sentir livres, e uma vez você me disse que Paris é o seu refúgio. — Ele voltou seu olhar para ela, com uma paz e serenidade incomum. — Não há lugar mais libertador nesta cidade, que aqui.
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  Suas palavras despertaram interesse em %Clarice%. Assim como os irmãos Magnus, ela sabia o quão pesado era ser um herdeiro da máfia, a forma em que a família sugava suas energias, destruía seus sonhos e te aprisionava em seus negócios.
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  — Me mostre então! — Ela o olhou com segurança, demonstrando confiar nele.
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  Com um sorriso bobo, o caçula a puxou para continuar andando com ele. O lugar exato ficava embaixo de um viaduto, onde os artistas de rua se juntavam para fazer batalhas de dança, grafites improvisados nas paredes e manobras de skate. A maioria já conhecia %Luigi% de outras vezes ali, e logo o caçula foi apresentando a amiga para geral.
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  Por um momento ele pediu para um dos seus conhecidos um skate emprestado para tentar algumas manobras, foi surpresa para a garota que nunca o tinha visto fazer tal coisa. E mais? %Luigi% era bom nisso. E sempre que o fazia, de fato se sentia livre das amarras que o prendiam, livre do sobrenome Magnus e de toda dor que lhe causava.
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  — Quer experimentar? — perguntou ele, ao parar com o skate na frente dela e lhe oferecer a aventura.
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  — Ah, não, eu não quero cair e não estou com a roupa apropriada. — Ela apontou para o macacão em seu corpo. — É peça de alfaiataria.
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  — %Clarice%. — Ele riu, descendo do skate e dando espaço para ela. — Desde quando uma roupa te impede de se divertir?
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  Ela riu assentindo, então, subiu em cima do skate.
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  — Se eu cair… — iniciou.
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  — Estou aqui para te segurar — afirmou ele, com o olhar seguro para ela. — Temos a noite toda para nos divertir.
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  E assim foi.
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  Com risos e provocações saudáveis por parte de %Luigi%, que sentia seu coração aquecido apenas por proporcionar a amiga uma noite de descontração em seu lugar favorito da cidade.
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  Uma amizade que valia mais que o mundo inteiro da máfia.
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Há muitas coisas que brilham
  Mas olhe o que é real entre elas
  Me chame, querida, me chame, querida.
  - Call Me Baby / EXO

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Lelen

Gzus, minha cara de desgosto com o Mariano tá só que aumenta a cada linha, e piora ainda mais quando aparece o pai sendo nojento…
Eu ia estar igual a Clarice se não pudesse decidir o que fazer da minha própria vida, acho que arquitetando um plano maquiavélico de vingança e liberdade HOHOHHO 🫢 🫢 🤭 🤭 🤭
Isso aí, Clarice – às vezes te acho meio chata, mas vou mudar de opinião, tenho certeza kkkk – ACABA COM AS CHANCES DO MARIANO DE TER FILHOS NO FUTURO, EU TE APOIO E TE AJUDO SE PRECISAR!
Bom, pele menos o Mancini pai tá sabendo lidar com o “pai de menina”, né, vamos ver, porque é macho e a gente não confia em macho assim tão facilmente.
E agora eu tô com dó do Luigi (melhor ele não ficar sabendo kkkk), pqp, o bichinho é saco de pancada do pai, não é à toa que às veze pira na batatinha, né?

Por alguma razão eu tô sentindo que vem drama aí, esse capítulo terminou muito bonitinho e feliz, tô desconfiada 🧐 🧐 🧐 🧐

Pâms

Sempre desconfie de tudo e todos nessa história kkkkkkkkk

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