×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Mafia’s Paradise

Escrita porPams
Revisada por Lelen

4 • Durand

Tempo estimado de leitura: 47 minutos

Siena, primavera de 2011

  Dizem que uma mentira contada cem vezes acaba se tornando uma verdade.
0
Comente!x

  Mas e quando não sabemos nem mesmo que mentira contar?
0
Comente!x

  Foram longos minutos em silêncio, em que %Alice% permaneceu com sua atenção fixa no chão, ainda abraçada às suas pernas como um gatinho medroso. O olhar fixo e intenso de %Giovanni% em sua direção a deixava ainda mais apreensiva à procura de palavras para lhe formular uma resposta convincente. O coração apertado, com medo do que o primogênito pudesse fazer com ela, ou pior, delatar para a mãe.
0
Comente!x

  — Eu... — Ela respirou fundo, por mais que forçasse, sua voz soava em sussurro. — Por favor, não conte à minha mãe.
0
Comente!x

  Ela finalmente tomou coragem e levantou seu olhar para ele, os olhos marejados e amedrontados que causavam certo impacto ao rapaz. %Giovanni% não gostava de admitir em suas reflexões internas, mas desde o momento que a filha da empregada lhe salvou a vida, seus pensamentos vêm sendo direcionados constantemente a aquele dia, à forma singela e delicada em que a garota o olhou, não se importando de quase ter se afogado no processo do resgate.
0
Comente!x

  — Não deveria estar em Siena. — Seu tom de repreensão estremeceu %Alice% por dentro. — Mas não vou contar, será mais um segredo nosso.
0
Comente!x

  Por mais que a voz de %Giovanni% soasse com desagrado pela presença da menina naquela cidade perigosa, seu olhar para ela se mantinha sereno e acolhedor, o que causava ainda mais confusão na mente de %Alice%, pois ao mesmo tempo que ela sentia medo por aquela aura dominante que emanava do rapaz, ela também se sentia protegida por ele. Principalmente nas muitas vezes que a salvou das implicâncias do irmão caçula.
0
Comente!x

  — Obrigada — sussurrou a garota, sentindo uma dupla gratidão naquele momento.
0
Comente!x

  — Não saia do quarto, voltarei em algumas horas. — O tom de ordem foi sutil e direto, o que significava que %Alice% não retornaria para casa naquele dia, o que muito a preocupou.
0
Comente!x

  %Giovanni% adentrou o banheiro e após dez minutos, retornou trajando outra roupa mais formal, um terno azul marinho combinado a uma gravata cinza grafite e o all star branco nos pés.
0
Comente!x

  — Mandarei um serviço de quarto, você precisa comer algo — disse ele, ao ajustar o relógio em seu pulso e voltar o olhar sério para ela. — Não abra a porta para ninguém, a menos que seja o seu jantar.
0
Comente!x

  — Sim, senhor. — Ela assentiu com a cabeça.
0
Comente!x

  O primogênito Magnus soltou um suspiro cansado, imaginando que deixá-la ali pudesse lhe causar alguma dor de cabeça futura, porém, não havia outra solução. Contudo, tinha negócios para tratar com o novo Don de Siena, o jovem Massimo Rivera. Então, ao descer para o saguão do hotel, se dirigiu à recepção para dar as instruções sobre o serviço de quarto, para que levassem o jantar da garota. Segundos depois, ao se afastar do balcão da recepção, ele foi recepcionado por uma funcionária que o guiou até a área vip do restaurante. Não demorou até que %Luigi% aparecesse em seu campo de visão, com gestos despreocupados e acompanhado das duas guias que foram designadas a cuidar deles. Mais um suspiro cansado surgiu em %Giovanni% pela postura descuidada do irmão, pois baixar a guarda em solo inimigo não era uma atitude prudente.
0
Comente!x

  — Aqui está o próximo Don Magnus. — A voz de Rivera soou atrás dele, fazendo-o se virar de imediato. — Achamos que tivesse se perdido no caminho. Fiquei preocupado.
0
Comente!x

  — Já estamos no horário do jantar, vamos falar de negócios agora? — indagou %Giovanni%, não deixando espaço para falsas cordialidades de seu anfitrião.
0
Comente!x

  — Bem que me disseram que os irmãos Magnus eram dois polos divergentes. — Ele voltou o olhar para o caçula no bar. — Um despreocupado demais e o outro...
0
Comente!x

  — Eu apenas não gosto de perder o meu tempo com coisas banais — explicou %Giovanni%, suavizando a voz para manter o bom clima.
0
Comente!x

  — Ah sim... Certamente seu tempo com aquela garotinha deve ter sido bem proveitoso, já que não está tão de mau-humor como mais cedo. — O comentário de Rivera mencionando %Alice% fez os punhos do primogênito se fecharem inconscientemente. — Agora estou curioso para saber qual o seu tipo ideal de mulher... Pela forma que a trouxe, deve gostar de garotas puras e indefesas.
0
Comente!x

  — Este assunto não lhe diz respeito. — %Giovanni% manteve a seriedade no olhar, engolindo seco a raiva pela insinuação do outro.
0
Comente!x

  — Magnus… Já deveria saber que tudo que acontece em minha cidade me diz respeito. — Massimo deixou sobressair seu olhar arrogante e superior naquele momento.
0
Comente!x

  — Ela não pertence a esta cidade. — %Giovanni% se esforçou para manter a cordialidade, deixando seu tom mais fluido, continuando o olhar firme.
0
Comente!x

  — Não é o que eu acho. — Massimo soltou uma risada rápida e sarcástica. — Você conhece as regras, Magnus, quem entra na minha cidade sem convite, pertence a ela.
0
Comente!x

  Rivera não sabia quem era a garota que seu inimigo havia levado ao hotel, mas as ações de %Giovanni% em abrigá-la, já indicava uma oportunidade de usar a situação a seu favor. Assim eram as coisas na máfia, os Dons sempre precisavam estar um passo à frente de seus inimigos, e cada detalhe era a chance de lhe render lucro ou o azar de sofrer alguma perda.
0
Comente!x

  — Claro... — %Giovanni% sentiu seu sangue ferver de raiva diante daquela insinuação de poder. — Mas tais regras não se aplicam a acompanhantes, e aquela garota está sob a minha proteção... Você acabou de sentar no trono do seu pai, Rivera, e não acho que seja sensato gerar transtornos aos seus convidados, afinal, você possui muitos subordinados em Siena que dependem da autorização da minha família para fazer negócios em toda Toscana.
0
Comente!x

  Uma das muitas habilidades do primogênito Magnus era sua facilidade em criar fortes argumentos, ponderado em suas palavras e observador a ponto de analisar seu inimigo e descobrir seus pontos fortes e fracos em um curto espaço de tempo.
0
Comente!x

  — Para alguém que não gosta de poker, você é um bom jogador. — Massimo deu um discreto sorriso de canto, utilizando de ironia naquele comentário, pois, internamente estava em fúria pela ousadia do garoto.
0
Comente!x

  — Como eu disse, tempo é dinheiro e não costumo gastá-lo banalmente.
0
Comente!x

  A postura rígida e fria de %Giovanni% o fazia remeter seu avô, Eli Magnus, um dos maiores patriarcas da máfia italiana, a quem Massimo vagamente tinha um leve senso de respeito e admiração, pela trajetória do homem que ergueu a família do pó em meio à Segunda Guerra mundial, e a fez ser a mais importante da Itália na região de Toscana.
0
Comente!x

  — O que me leva a perguntar mais uma vez, a que se deve o convite que recebemos? — continuou %Giovanni%, demonstrando o encerramento do assunto anterior.
0
Comente!x

  Mesmo estando implícito, Rivera conseguia sentir aquelas palavras como um aviso cordial para que ele se mantivesse longe da garota em seu quarto, entretanto, a postura de Magnus fez seu inimigo se interessar ainda mais pela história.
0
Comente!x

  — Algo de nosso interesse. — Massimo deu o primeiro passo para seguir até a mesa reservada a eles. — Me acompanhe, por favor, temos um intrigante assunto para tratar.
0
Comente!x

  %Giovanni% voltou seu olhar mais uma vez para o irmão que parecia não se importar com os assuntos chatos da máfia, e apenas ambicionava se aproveitar da experiência que teria em sua única noite em Siena. Suas guias turísticas estavam ávidas a lhe proporcionar a mais alucinante noite de sua vida, sem se importar com a pouca idade do menino.
0
Comente!x

  — Estamos aqui, qual seria o assunto do meu interesse? — indagou %Giovanni%, ao se acomodar na cadeira, com seu olhar discreto e atento a toda movimentação do lugar.
0
Comente!x

  Sua preocupação estava mais no irmão inconsequente e suas altas gargalhadas na área do bar, um adolescente de quatorze anos imaturo que se achava o adulto quando lhe convinha.
0
Comente!x

  — Presumo que soube dos boatos de um carregamento seguindo para Lisboa que sofreu um ataque — iniciou Massimo, o assunto, não detalhando os envolvidos.
0
Comente!x

  — A notícia chegou em Florença, mas não achamos pertinente. — %Giovanni% sabia vagamente do ocorrido, um breve comentário do assistente do pai, o atualizando das notícias da cidade em seu relatório semanal. — Pertencia a você? Lorenzo Moretti já fez sua retratação?
0
Comente!x

  — Felizmente não pertencia a mim, e o fator chave é que o serviço de entrega não pertencia à transportadora Ravena, dizem que o contratado foi uma empresa nova de Portugal — continuou Rivera respondendo à pergunta de Magnus, ao se servir de uma taça de vinho. — Ao que se sabe, a carga era muito importante, e os donos do prejuízo é a família Cassano.
0
Comente!x

  — Se Gavino Cassano não se importou em dar as costas para a tradição e fez negócios ocultos, não é do meu interesse. — %Giovanni% soltou um suspiro cansado, demonstrando desinteresse ao assunto. — Todos sabem que a única empresa autorizada a fazer transportes a partir de Toscana é a que pertence a Lorenzo. E Gavino tanto sabe das regras que nem sequer pediu socorro à casa Magnus.
0
Comente!x

  — É neste ponto que quero entrar. — Massimo ajustou sua postura na cadeira, com seriedade na voz. — Como uma empresa portuguesa consegue entrar e sair de Toscana com facilidade? Tirando o fato de permitir que seja atacado um transporte importante?
0
Comente!x

  — Está insinuando que minha família não protege bem as fronteiras? Ou permite que qualquer um entre e saia sem prestar contas? — %Giovanni% forçava uma respiração tranquila, porém, dava para ver seu olhar atravessado para o homem à sua frente.
0
Comente!x

  — Pelo contrário, estou alertando que existe alguém querendo violar nossas fronteiras, e devemos ter cuidado pelo bem dos negócios. — Massimo não gostava da casa Magnus, mas não podia negar o poder, força e prestígio que tinham na região, então neste momento de iminente ameaça, ele precisava unir forças com o inimigo. — Um dos nomes da minha folha de pagamentos me mandou um alerta, algumas famílias de fora estão interessadas em nossa região…
0
Comente!x

  — Estão achando que a Itália é uma terra sem donos e sem lei? — indagou o outro, sobre a afirmação do homem.
0
Comente!x

  — Talvez pelo fato dos mais velhos serem conhecidos como pacíficos demais e agora estarem se aposentando — supôs Rivera. — Nem tudo deve ser resolvido com diplomacia, somos os Dons da Itália, nossa palavra é lei.
0
Comente!x

  %Giovanni% concordava com uma coisa, ele não deixaria nenhuma afronta passar sem uma resposta à altura.
0
Comente!x

  — Não vou me misturar com um traidor como Cassano, mas... — Seu olhar se voltou mais uma vez na direção em que o irmão estava, não o encontrando. — Descubra o que tinha no carregamento e o quão valioso era, então verá como a família Magnus lida com esses assuntos.
0
Comente!x

  %Giovanni% levantou-se da cadeira e percorreu o olhar pelo restaurante, constatando a ausência do irmão. Certamente o caçula já estava em seu quarto encerrando a noite a seu modo peculiar de se divertir.
0
Comente!x

  — Magnus — Massimo se levantou logo atrás —, a última vez que tentaram dominar Toscana, tivemos muitas perdas... E foi exatamente assim que começou, com uma família gananciosa.
0
Comente!x

  — Tem a minha garantia que nada mais passará pelas fronteiras de Toscana sem que eu saiba. — A voz de %Giovanni% soou com segurança e firmeza, o que impressionou Rivera. — E quanto a Gavino, ele e toda a família Cassano sofrerão as consequências de se quebrar as regras.
0
Comente!x

  — Gostaria de me encarregar dele, se for possível. — Rivera não quis soar como uma permissão, mas odiou a forma em que as palavras saíram. — Tenho algumas contas a acertar.
0
Comente!x

  — Fique à vontade. — Assentiu o primogênito.
0
Comente!x

  Por mais que o primogênito ainda estivesse no colegial e sendo treinado para assumir os negócios da família futuramente, %Giovanni% já tinha algumas responsabilidades a seu encargo, que mesmo a distância de estudar em Londres não impedia de executar suas funções com maestria. Após se afastar do anfitrião, Magnus se dirigiu até o saguão do hotel em direção ao elevador. Seus pensamentos o fizeram refletir por um tempo os questionamentos de Massimo, afinal, para convidá-lo a Siena por este assunto, certamente o novo Don Rivera estava mesmo inquieto com a possibilidade de um ataque a eles.
0
Comente!x

  Dividir para conquistar, esta foi a principal estratégia de seus inimigos no tempo em que as famílias da máfia de Toscana estavam em guerra. Tudo havia iniciado com o roubo de uma carga de vinhos dos Rivera, prosseguindo com a chacina de algumas famílias importantes e incêndios criminosos em pontos estratégicos. Foi em um tempo que os jovens herdeiros nem sonhavam em nascer e já havia rivalidades dentro e fora das fronteiras.
0
Comente!x

  — Senhor Magnus. — A voz baixa de %Alice% soou assim que a porta se abriu e %Giovanni% adentrou o quarto.
0
Comente!x

  Um respiro profundo de alívio pela garota tê-lo obedecido. Logo o olhar de %Alice% se moveu para a varanda do quarto, a porta de acesso estava aberta e a brisa fresca da noite adentrava o lugar. Não precisou de muito para que ele entendesse que havia mais alguém naquele ambiente.
0
Comente!x

  — Parece que não sou o único a me aventurar em Siena. — A voz de %Luigi% pareceu mais sarcástica que o habitual, seguido de uma risada abafada.
0
Comente!x

  O caçula apenas se pronunciou mediante aos passos de aproximação do irmão.
0
Comente!x

  — O que faz em meu quarto? — indagou %Giovanni% ao parar no vão de passagem e observá-lo.
0
Comente!x

  — Estava seguindo para minha noite de aventuras quando observei um mordomo saindo do seu quarto com o carrinho de jantar — explicou o jovem com tranquilidade mantendo sua atenção no horizonte. — Fiquei curioso para saber se meu irmão havia convidado alguma acompanhante para passar a noite. — Ele riu novamente e se virou para o mais velho, o toque de malícia e sarcasmo exalava de seu olhar. — Só não esperava encontrar a filha da empregada aqui. — Um sorriso de canto presunçoso e o ar de ironia. — Pretende seguir os passos do papai?
0
Comente!x

  %Luigi% deixou soar o assunto, não se importando com o que a garota ouviria, afinal, todos ali sabiam exatamente o que acontecia entre o senhor Magnus e Lídia, quando as portas do escritório estavam fechadas.
0
Comente!x

  — O que eu faço ou não da minha vida, não lhe interessa — %Giovanni% respondeu de forma seca e áspera. — Saia do meu quarto e esqueça que a viu.
0
Comente!x

  — Hummm... — %Luigi% soltou outra risada tendenciosa e deu alguns passos até o irmão, parando em um ângulo que era possível ser visto por %Alice%. — Dizem que escondido é mais interessante... Mas não acha que ela é nova demais e atraente de menos?
0
Comente!x

  Nem mesmo as palavras haviam saído de sua boca, e %Luigi% foi interrompido por um soco de seu irmão, que o deixou desnorteado. %Alice%, presenciando toda a cena, levou a mão à boca no susto da ação, transparecendo seu olhar amedrontado.
0
Comente!x

  — Ai... — %Luigi% riu mais um pouco sentindo a dor no canto da boca, ao passar a língua no local, sentiu o gosto de sangue devido a um pequeno corte provocado. — Isso tudo porque não quer admitir?
0
Comente!x

  %Luigi% sabia que a provocação poderia lhe custar mais algumas dores, então endireitou seu corpo e adentrou o quarto. Seu instinto masoquista não lhe permitia sair em silêncio.
0
Comente!x

  — Se não a quer... Ideias é que não me faltam... — Outro soco lhe fez silenciar, um ainda mais forte que o primeiro, quase o derrubando no chão.
0
Comente!x

  — Eu vou dizer mais uma vez para ficar claro — %Giovanni% pegou com agressividade no pulso do irmão, seu olhar sombrio emanava uma fúria incomum —, não ouse tocar nela ou vou me certificar que não toque em mais nada.
0
Comente!x

  — É apenas a filha da empregada! — %Luigi% o encarou sem demonstrar medo, pelo contrário, se deliciando com a reação do irmão. — Fique tranquilo irmãozinho, seu bichinho de estimação não faz o meu tipo.
0
Comente!x

  Em um movimento brusco, o caçula se soltou do irmão e dirigiu-se à porta, ao parar em frente, voltou o olhar para a garota que se mantinha encolhida no topo da cama, estática pela interação dos irmãos.
0
Comente!x

  — Você não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, querido irmão, menos ainda impedir que outros se aproximem dela. Uma hora, até os filhotes de cachorro crescem e ficam sem controle. — Uma última risada irônica e %Luigi% deixou o quarto batendo a porta.
0
Comente!x

  %Giovanni% não conseguia entender de fato o que lhe acontecia internamente. Ao mesmo tempo que seus pensamentos eram constantemente invadidos pelo rosto de %Alice%, o deixando estático, ele também se enfurecia por pensar tanto na filha da empregada, a ponto de não querer imaginar nenhum outro se aproximando dela. Logo a imagem dos três homens no beco a coagindo lhe invadiu a mente, fazendo-o ficar ainda mais irritado pelas palavras realistas do irmão.
0
Comente!x

  — Esqueça o que ouviu neste quarto e nunca mais saia de casa sem permissão — disse ele, num tom que exalava ordem, porém com serenidade.
0
Comente!x

  %Alice% apenas assentiu com a cabeça, sentindo o coração ainda acelerado pela exaltação entre os irmãos. Por um breve momento, o primogênito se pegou olhando-a com profundidade, com a sensação de estar hipnotizado pela forma delicada e singela da menina se comportar, mesmo em momento de tensão. Ao respirar fundo, voltando à realidade e reprimindo seus pensamentos tortuosos, ele se aproximou da porta para se retirar.
0
Comente!x

  — Tome um banho e descanse, tem toalhas limpas no banheiro, retornaremos à Florença pela manhã. — Seu tom de ordem era nítido, mas se esforçou ao máximo para que as palavras soassem com sutileza.
0
Comente!x

  — Eu perdi meu celular... — anunciou ela, ao se lembrar da situação perigosa que passou mais cedo. — Aqueles homens... Quebraram e não consegui dizer à minha amiga que estou bem.
0
Comente!x

  Amiga?! Pensou ele, puxando alguma informação relevante de sua memória.
0
Comente!x

  — A filha da cozinheira dos Tommaso? — indagou ele, finalmente associando a pessoa à imagem que tinha vagamente.
0
Comente!x

  — Sim, a Rosalia. — Assentiu %Ally%. — Disse à minha mãe que dormiria na casa dela.
0
Comente!x

  %Alice% não tinha mais nenhuma alternativa a não ser jogar abertamente com o filho mais velho dos Magnus e esperar por sua ajuda, afinal, com a perda do celular e seu silêncio, ela temia que a amiga pudesse ter entrado em desespero e delatado a Lídia os planos da filha.
0
Comente!x

  — Não se preocupe com isso — disse o mais velho com segurança. — Apenas descanse, eu cuidarei do resto.
0
Comente!x

  %Giovanni% retirou o celular do bolso e, girando a maçaneta da porta, saiu do quarto para lhe dar mais privacidade. %Alice% precisou de mais alguns minutos para finalmente sentir seu coração mais calmo e se levantar da cama. Voltando a atenção de relance para a porta, ela pôde ver com clareza a sombra de %Giovanni% projetada no chão, certamente ele se mantinha parado do lado de fora como um cão de guarda. A menina não desejava aquilo, ter a atenção do primogênito, pois sabia o quão angustiante era a situação de sua mãe naquela casa e a forma que o senhor Magnus a tratava como sua propriedade.
0
Comente!x

  — Eu não deveria ter vindo... — sussurrou ela, frustrada pela perda de tempo.
0
Comente!x

  Seu objetivo de se encontrar com a pessoa que lhe mandou a mensagem não concretizou. Ao chegar no lugar, apenas se deparou com a velha edificação em seu estado deplorável de desgaste e abandono. Vazia e silenciosa. No impulso da chateação por se sentir enganada, a garota saiu correndo pelas ruas desconhecidas até trombar nos três homens que a acuaram.
0
Comente!x

  — Não posso causar problemas à mamãe... — sussurrou novamente para si, seguindo até o banheiro.
0
Comente!x

  Lídia era mesmo uma mãe afortunada. Por mais que tivesse apenas 11 anos, %Alice% era responsável e muito madura para uma criança da sua idade. Talvez pela perda dolorosa que teve no passado, tendo presenciado o massacre da sua família, ou por saber claramente o quão pesado era o sacrifício de sua mãe para mantê-las vivas. Ela precisava ser forte e encarar os desafios da vida de frente, se esforçando ao máximo para não criar problemas para mãe.
0
Comente!x

  A menina caminhou até o banheiro, não se conteve em reparar no luxo que era o ambiente. Parecia com os grandes palácios reais que via na internet, revestido de mármore nobre, as louças brancas de alto nível e os metais dourados folheados a ouro, remetendo à grandeza da máfia. Tão confortável e chamativo quanto os banheiros da mansão dos Magnus, e com o tamanho que parecia caber 3 quartos de empregados dentro. Seus pensamentos se perderam ali dentro, até que ela voltou à realidade e se lembrou da ordem do primogênito. Ao tomar seu banho, voltou a vestir a mesma roupa que estava em seu corpo quando acordou. Retornando, seu corpo gelou ao se deparar com o olhar frio de %Giovanni% para ela, como se tivesse feito algo de errado.
0
Comente!x

  — Troque esta roupa, você acabou de se banhar e estas em seu corpo estão sujas. — Seu habitual tom grosso e áspero a fez estremecer por dentro, então, mantendo a serenidade na face, o rapaz apontou para uma muda de roupas em cima da cama.
0
Comente!x

  %Alice% apenas assentiu e as pegou rapidamente retornando ao banheiro. Das muitas manias que o primogênito tinha, organização e limpeza eram as mais visíveis de se notar e importantes para ele.
0
Comente!x

  Quando a garota retornou ao quarto, %Giovanni% estava sentado na poltrona ao lado da passagem para a varanda. Seu olhar na menina se desviou para cama por um momento, indicando para ela que deveria se deitar e dormir. Entendendo o recado, %Alice% continuou em silêncio e se deitou, cobrindo-se com o edredom. Apesar da sua mente e corpo cansados pelo dia que teve, ela se forçou a não adormecer de imediato, e mesmo constrangida pelo olhar fixo do rapaz para ela, manteve sua atenção à claridade da lua que adentrava o quarto.
0
Comente!x

  Na manhã seguinte, %Alice% despertou aos poucos sentindo o feixe de luz em seus olhos, o sol já adentrava o quarto sem pedir licença. Erguendo um pouco o corpo, ao esfregar seus olhos com as mãos, ainda sonolenta, sua mente foi lentamente recobrando o raciocínio até que ela se lembrou por completo de onde estava. Sua parcial noite em claro teve uma breve rendição quando suas pálpebras pesadas venceram e se fecharam, não se importando com a presença do primogênito. O rapaz, por sua vez, continuou acordado enfrentando as longas horas da madrugada, enquanto mantinha sua atenção na filha da empregada que dormia como um anjo.
0
Comente!x

  Para %Giovanni%, nem mesmo passar pelos treinamentos de tortura psicológica do pai conseguiam ser mais dolorosos que controlar os muitos pensamentos que lhe perturbou a mente. E isso aumentava seu estado de irritação, afinal, ela não era ninguém a se considerar em sua vida. Então por que o fazia se preocupar tanto? Não que ele tivesse atração pela garota, afinal, aos seus olhos ela ainda era considerada apenas uma criança, contudo, o sentimento que %Giovanni% não ousava consentir e admitir era de admiração.
0
Comente!x

  Uma pequena, delicada e tímida garotinha havia enfrentado a água e o perigo para salvar sua vida.
0
Comente!x

  — Bom dia — disse ele, mantendo-se no mesmo lugar, sentado na poltrona, observando-a acordar por completo. — Voltaremos para casa em vinte minutos, aproveite para tomar café. — Ele voltou seu olhar para a mesa de refeições que tinha no hall de entrada do quarto.
0
Comente!x

  — Obrigada — sussurrou %Alice%, ao respirar fundo e se levantar com cautela, seguindo para a mesa.
0
Comente!x

  Um banquete digno da realeza a aguardava, o que a deixou estática inicialmente por se deparar com alimentos que apenas eram servidos aos patrões e agora ela tinha a oportunidade de experimentar. Ela voltou seu olhar surpreso para ele, como se quisesse perguntar: "Isso tudo é para mim?"
0
Comente!x

  — Coma apenas aquilo que lhe der vontade — disse ele em resposta ao olhar dela.
0
Comente!x

  %Alice% assentiu de imediato, sem notar que um sorriso singelo e espontâneo lhe escapou pelo rosto. %Giovanni% se viu ainda mais admirado com a cena que presenciava, sentindo uma estranha aquecida no coração.
0
Comente!x

  Exatos vinte minutos depois, ambos saíram do quarto e se juntaram a %Luigi% que os aguardava na recepção. O caçula tentou ignorar a presença de %Alice% entre eles, porém, seus olhares curiosos para ela eram constantes e seguidos de risadas disfarçadas.
0
Comente!x

  — Se persistir em não fazer silêncio, voltará para casa a pé. — O soar repreensivo de %Giovanni% para o irmão assustou a garota que estava no banco de trás do carro.
0
Comente!x

  — Eu não disse nada. — %Luigi% segurou o riso, adorava provocá-lo ao último nível.
0
Comente!x

  O primogênito olhou para o reflexo do irmão no retrovisor da frente, e depois para o de %Alice% que se mantinha com o olhar baixo. Com um longo suspiro, %Giovanni% se preparava mentalmente para as horas que teria que dirigir até Florença. Por mais que a idade liberada para dirigir no país fosse a partir de 18 anos, o rapaz havia conseguido uma licença especial por já ter conseguido sua habilitação no Reino Unido.
0
Comente!x

  — Não deveria nem mesmo pensar — retrucou o mais velho, com sua atenção na estrada.
0
Comente!x

  — Poderíamos ter ficado mais algumas horas — reclamou o caçula, chateado por ter encerrado sua diversão com as guias do hotel. — O que há de errado em se divertir?
0
Comente!x

  — Não o obriguei a retornar comigo. — %Giovanni% soltou outro suspiro.
0
Comente!x

  — E dar motivos ao nosso pai para me dar uma surra? — %Luigi% soltou uma gargalhada boba. — Não estou a fim de sentir dores este final de semana.
0
Comente!x

  Se inicialmente para o caçula se mudar para Londres havia sido um castigo do pai, agora estava achando o ápice de sua liberdade, estar longe do homem que o tratava com tanto desprezo. Por mais que tentasse entender os motivos da nítida diferença de forma de tratamento entre os irmãos, %Luigi% já começara a não se importar mais com os momentos de humilhação e apenas acostumou-se com as dores que sentia antes, durante e depois.
0
Comente!x

  — Não se preocupe, voltaremos a Londres na segunda pela manhã — afirmou o primogênito ao voltar seu olhar para o retrovisor frontal e encontrar o olhar de %Alice%.
0
Comente!x

  %Luigi% direcionou seu olhar para a estrada retirando os fones do bolso, os conectou no celular e deu start em sua playlist regada a canções do Linkin Park e Nirvana. O restante do caminho foi em silêncio, com %Alice% apreensiva internamente, pois não sabia o que tinha acontecido com sua amiga, e temia chegar à mansão acompanhada dos irmãos. Entretanto, um leve suspiro de alívio veio a ela, assim que reconheceu a rua onde se localizava a biblioteca pública de Florença. %Giovanni% parou o carro e desceu, abrindo a porta de trás em seguida, nem precisou de palavras para que ela entendesse que deveria descer também. Mais à frente, a menina avistou a amiga acompanhada de Matteo, com seus olhares transbordando curiosidade.
0
Comente!x

  — Oficialmente, você passou a noite na casa da sua amiga — afirmou %Giovanni%, com segurança da história que pretendia sustentar. — Sua mãe não lhe fará perguntas.
0
Comente!x

  — O que você fez? — perguntou %Ally%, num tom baixo e quase falho.
0
Comente!x

  — Eu apenas assegurei que seu álibi não falhasse. — Ele se permitiu deixar um sorriso de canto escapar em seu rosto. — Não foi o que prometi ontem à noite?
0
Comente!x

  Entretanto, quando %Giovanni% percebeu a espontaneidade de seu sorriso, voltou à seriedade e deu o primeiro passo para se afastar da garota.
0
Comente!x

  — Não se esqueça de que não pode sair sem permissão — relembrou-a sua ordem, seu tom ficou mais áspero e seco.
0
Comente!x

  %Alice% assentiu e, se desviando dele, seguiu até seus amigos. Ela sabia que a palavra “permissão” não se referia à sua mãe, e sim, a ele. Contudo, mesmo com o coração apertado, ela estava um pouco mais aliviada por estar de volta e bem fisicamente.
0
Comente!x

  — %Ally%... O que aconteceu? Ficamos preocupados — disse Rose, ao abraçá-la bem apertado. — Foi por pouco que eu não liguei para sua mãe.
0
Comente!x

  — Nós te esperamos na cafeteria, depois fomos à estação, mas você não apareceu — completou Matteo ao voltar discretamente sua atenção para frente e perceber que %Giovanni% ainda os observava de longe.
0
Comente!x

  — Me desculpem, aconteceu um contratempo que me impediu de voltar ontem — explicou %Alice%, sem saber como expor toda a situação.
0
Comente!x

  — Contratempo com o nome Magnus? — Rose a indagou, estava mesmo aflita. — Eu quase levei um susto quando minha mãe veio me dizer que ele estava com você.
0
Comente!x

  — Ele ligou para sua mãe? — %Alice% ficou desnorteada com a revelação. — E a minha mãe?
0
Comente!x

  — Não se preocupe, sua mãe não sabe de nada — explicou Rose, direcionando sua atenção para os carros que passavam na rua —, vossa majestade ofereceu um acordo em troca de um álibi perfeito.
0
Comente!x

  — O que você fez para conseguir a proteção do Magnus? — perguntou Matteo, curioso.
0
Comente!x

  A garota desviou o olhar de seu amigo para o chão, constrangida pela entonação da pergunta.
0
Comente!x

  — Eu… — %Alice% voltou a atenção para a amiga, tentando ignorar aquela pergunta. — O que aconteceu, Rosa?
0
Comente!x

  — Minha mãe ligou para a sua dizendo que você estava em nossa casa e que dormiria lá, por causa da nossa feira de ciências — contou a menina com toda tranquilidade do mundo, recordando do momento —, em troca, garantimos com o Magnus a minha sonhada bolsa de estudos na filial do Constance em Londres.
0
Comente!x

  — Ele ofereceu uma bolsa de estudos para você em troca da ajuda da sua mãe? — Era surreal demais para %Alice% acreditar.
0
Comente!x

  — Sim. — Assentiu Rosa, certa da situação. — Inicialmente ele ofereceu dinheiro, mas minha mãe disse que ajudaria se a filha dela tivesse oportunidades melhores de estudo. Então ele me perguntou o que eu queria.
0
Comente!x

  — E a nossa amiga gananciosa não pensou duas vezes em nos deixar para viver em meio à elite — Matteo comentou transparecendo seu tom chateado.
0
Comente!x

  — Deixe de ser dramático — Rosa disse com desdém, revirando os olhos —, você sabe muito bem que meu plano para o futuro é Harvard, e como seria ambição demais pedir uma vaga na minha universidade favorita, me contentei apenas com o melhor colégio de ensino médio da Europa. Pelo menos estarei um passo mais próximo do meu objetivo.
0
Comente!x

  — O que você tem contra estudar na Itália com seus amigos? — questionou o menino ainda chateado.
0
Comente!x

  — Não vejo futuro estudando aqui, além do mais, todos os filhos de empregados que saíram do fundamental no Constance, não conseguiram boas escolas para o ensino médio — argumentou ela, a realidade. — Você sabe que o Constance tem a unidade de Londres para fazer a separação entre as classes e assegurar as oportunidades nas mãos da elite.
0
Comente!x

  Rosalia estava correta, dos poucos alunos bolsistas que tinha em sua escala, menos de 1% conseguia trilhar rumos melhores após saírem do ensino fundamental.
0
Comente!x

  Alheia ao debate entre os amigos, %Alice% ainda desnorteada com os acontecimentos do dia anterior, agora se encontrava perplexa e temerosa. Afinal, a pior coisa na vida era dever favores para alguém da máfia, principalmente se este alguém fosse da realeza de Toscana.
0
Comente!x

  Afastado do grupo de amigos, %Giovanni% retornou ao carro e deu partida em direção à mansão da família. Por um breve momento, voltou a atenção para o irmão que dormia ao lado e soltou uma risada boba.
0
Comente!x

  — Se está rindo, é porque está de bom humor — comentou %Luigi%, permanecendo com os olhos fechados.
0
Comente!x

  — Você não estava dormindo? — retrucou o mais velho, voltando à seriedade.
0
Comente!x

  — Disse bem, estava. — O caçula se ajeitou no banco e abriu os olhos, retirando os fones do ouvido. — Estamos indo para casa?
0
Comente!x

  — Sim. — Assentiu.
0
Comente!x

  — O jantar foi promissor? — indagou curioso.
0
Comente!x

  — Notícias indesejadas, mas não se preocupe, nosso pai não saberá de suas aventuras. — Assegurou %Giovanni%, olhando o reflexo do irmão no retrovisor. — Mas terá que ser bem mais convincente desta vez, ou não conseguirei te acobertar.
0
Comente!x

  — O que aconteceu? Quem é você e o que fez com o %Giovanni%? — brincou %Luigi%, rindo baixo. — Bastou uma noite com a filha da empregada para ficar bonzinho?
0
Comente!x

  — Nem uma palavra sobre este assunto com o papai — ordenou ele — ou farei com que passe a noite no hospital de tanto apanhar.
0
Comente!x

  %Luigi% soltou uma gargalhada sarcástica.
0
Comente!x

  — Agora está explicado, sua proteção pelo meu silêncio. — Ele bufou de leve, porém, deixando uma risada rápida soar. — O primogênito sendo o primogênito.
0
Comente!x

  — Sabe que não jogo para perder. — Assentiu o rapaz, com um sorriso de canto discreto.
0
Comente!x

  %Luigi% soltou um suspiro reflexivo, ele sabia que havia um lado sombrio e oculto de seu irmão que até mesmo seus pais não conheciam. E não se importava com isso, a relação de ambos era um misto de amor e ódio, que acabou se transformando em cumplicidade e parceria ao morarem juntos em outro país.
0
Comente!x


Provença, inverno de 2012

  Uma sexta-feira chuvosa se colocava diante do agente da Interpol. Louis Durand estava frustrado por seus planos terem sofrido alterações de última hora. Não havia sido fácil conseguir infiltrar um espião na máfia, e por não ter escolhido direito a pessoa certa para a missão, agora tinha que lidar com as consequências.
0
Comente!x

  Pietro deveria apenas se concentrar em seu papel de jardineiro inexperiente, porém, após sua imprudência em achar que poderia sair do plano e enfrentar a máfia, agora estava preso a uma cadeira de rodas e envolvido emocionalmente com Diana Tommaso. A sorte foi não terem descoberto a identidade verdadeira do rapaz, e ainda o deixado vivo para se lembrar que uma filha da máfia é inalcançável para qualquer mortal da plebe.
0
Comente!x

  — Ahhhhh. — O agente soltou um suspiro cansado ao manter seu olhar no quadro de anotações na parede do seu escritório no porão.
0
Comente!x

  Já contavam dois anos de afastamento pelo fracasso da última operação. Agora, após muitos pedidos para uma nova oportunidade, o agente estava começando do zero, pela segunda vez, o seu plano de ataque. Estudava cada detalhe das informações que possuía sobre o massacre da família Miller e o envolvimento da máfia de Toscana no assunto. Sua mente seguia cansada com tudo aquilo e o fato de sempre parecer estar andando em círculos. Ele precisava chegar mais perto, precisava avançar em suas investigações e fazer justiça nem que fosse a seu modo.
0
Comente!x

  — Querido… Não vai dormir? — A voz de sua esposa lhe despertou a atenção.
0
Comente!x

  A mulher se manteve parada no último degrau da escada, atenta aos movimentos do marido. Amber já havia presenciado muitas noites de Durand em claro, traçando suas estratégias de ataque e montando as missões de seus espiões. Devido ao cargo elevado de supervisor de investigação, seus dias em campo deram lugar à rotina administrativa que o permitia trabalhar em sistema home-office. Com isso, a necessidade de recrutar bons agentes foi confirmada, após dois fracassos em missões de infiltração.
0
Comente!x

  — Deu errado novamente? — perguntou ela, preocupada com o lado perfeccionista do marido.
0
Comente!x

  — Se você quer algo bem feito, faça você mesmo — disse ele, em resposta enigmática.
0
Comente!x

  Contudo, ela sabia muito bem o que significava aquela resposta. Para alguém como Louis, ter uma família era como ter sua própria kriptonita, entretanto, quando foi promovido, encontrou a oportunidade de levar seu interesse romântico pela confeiteira Amber Floratta adiante, transformando-a na senhora Durand. Com isso, acabou por também ganhar um enteado de brinde. Estando por detrás das missões, nos bastidores, sua exposição era o mínimo possível, trazendo assim, segurança à esposa.
0
Comente!x

  — Sei que vai conseguir dar um jeito. — Com o andar suave, ela foi se aproximando dele, até que o abraçou por trás, envolvendo seus braços em na cintura do homem.
0
Comente!x

  — Agradeço por ser mais otimista que o seu marido — brincou ele, soltando uma risada baixa e tocando nas mãos dela que o envolvia. — Só você pra não me deixar perder a cabeça.
0
Comente!x

  — É para isso que servem as esposas — assegurou Amber, lhe dando um beijo no pescoço. — E esposas ficam carentes quando o marido só tem olhos para o trabalho.
0
Comente!x

  Sua reclamação soou como uma indireta para ele.
0
Comente!x

  — Estamos sozinhos? — indagou Louis, ao se virar para a esposa com um sorriso de canto malicioso.
0
Comente!x

  — Liam me ligou dizendo que chegaria mais tarde, hoje foi seu primeiro dia no emprego de meio período na oficina — respondeu ela, ao elevar seus braços e envolver no pescoço dele, Amber manteve seu olhar sugestivo. — O que significa que temos a casa vazia.
0
Comente!x

  — Interessante. — Louis pegou sua esposa no colo, fazendo-a soltar um gritinho meigo de susto, então, seguindo até as escadas, começou a subir os degraus. — Que tal um banho estimulante? — Ela sorriu mais abertamente, com o olhar concentrado em seu marido.
0
Comente!x

  Por mais que Amber soubesse das inúmeras aventuras amorosas que Louis teve em seus tempos de agente em campo, a mulher controlava com rigidez os ciúmes que tinha dele. Não deixaria que suas inseguranças atrapalhassem o bom andamento de seu relacionamento, afinal, não é todo dia que se esbarra em um homem inteligente, bonito e protetor, que se interessa por uma mãe solteira com um filho rebelde e incompreendido.
0
Comente!x

  O jovem Liam, era uma mistura ofensiva de badboy e gangster, que fazia a vida de sua mãe ser um tanto quanto complicada e atordoada. Com extrema revolta interna por ser filho de uma relação extraconjugal forçada, tinha descoberto aos dez anos de idade que seu pai era um policial corrupto de Lisboa que havia abusado de sua mãe. Quando o homem soube da gravidez, por ser casado, forçou Amber a abortar, entretanto, a mulher fugiu de Portugal, mudando-se para a Espanha, pois não queria desistir da criança. Para ela, o filho saber a verdade poderia ser mais doloroso que o bullying que sofria nas escolas, relacionados ao fato de não ter um pai.
0
Comente!x

  O garoto, de uma criança quieta e medrosa, mudou radicalmente sua postura no momento que viu pela fresta da porta o senhor Garcia, dono da cafeteria em que a mãe trabalhava, ameaçar a mulher a demissão caso ela não o satisfizesse. Com um filho para criar, sendo apenas ela contra o mundo, Amber precisou lidar com diversos tipos de situações machistas para sobreviver. E o dia em que teve mais orgulho de seu filho e maior dor de cabeça, foi neste mesmo dia em que a criança de apenas dez anos, adentrou o escritório do homem repugnante e o ameaçou com um canivete, se o homem ousasse encostar em sua mãe novamente. A partir de então, Liam permitiu que a raiva crescesse dentro dele, o tornando um adolescente agressivo e indiferente aos sentimentos alheios. O que antes eram chacotas das outras crianças, começou a fazê-las temer a sua presença.
0
Comente!x

  Então, poucos meses após completar treze anos, o adolescente descobriu o romance dos adultos, o que resultou no incêndio do apartamento onde moravam e uma briga calorosa entre ele e Louis, com socos e cortes. No final, Durand, sendo mais velho e experiente, acabou por conquistar o respeito e admiração do garoto, além de ganhar ainda mais o coração da mulher que lhe despertou o interesse. Como investigar, a corrupção do senhor Garcia e seu envolvimento com a máfia italiana, seria sua última missão em campo, o agente se deixou envolver por Amber, iniciando um relacionamento mais sério.
0
Comente!x

  — Já vai retornar ao porão? — resmungou Amber, ao se enrolar um pouco mais nos lençóis da cama.
0
Comente!x

  — Vou deixá-la dormir um pouco — brincou ele, com um sorriso de canto ao beijar o pescoço da mulher de leve. — Você sempre fica cansada depois que eu mato sua carência.
0
Comente!x

  — Hum… — Ela escondeu seu rosto com o lençol, morrendo de vergonha do comentário do marido.
0
Comente!x

  — Vou conferir se o Liam já chegou — disse ele, ao se levantar da cama e vestir a roupa antes de sair do quarto.
0
Comente!x

  De fato, o adolescente já se encontrava em casa, sentado numa das cadeiras da cozinha, mexendo em seu celular, parecendo estar concentrado no que digitava. Durand adentrou o espaço com tranquilidade, seguindo até a geladeira para pegar água gelada. Ele não tinha nenhuma vergonha de demonstrar seu afeto por Amber na frente o enteado, então, sempre que os momentos mais íntimos entre o casal aconteciam, o agente continuava a agir com naturalidade de sempre.
0
Comente!x

  — Chegou agora? — indagou Louis, após ter dado o primeiro gole na água que havia despejado no copo.
0
Comente!x

  — Sim — respondeu o garoto.
0
Comente!x

  — Qual o relatório do dia? — continuou sua indagação.
0
Comente!x

  — Quer mesmo falar sobre isso aqui? — Liam parou o que digitava e olhou para ele, estava confuso pela pergunta. — Contou à mamãe?
0
Comente!x

  — Não, claro que não, este é o nosso segredo de pai e filho. — Louis soltou uma risada baixa. — Só estava te testando.
0
Comente!x

  Com a falha de todos os agentes de campo que Durand havia recrutado, seus planos precisaram sofrer mudanças, e a frase “se você quer bem feito, faça você mesmo” nunca foi tão real para ele. Sem o conhecimento de Amber, o agente havia recrutado o próprio enteado, extraoficialmente, e agora o estava treinando para ambos trabalharem juntos. Liam, em sua fase experimental, não se importava com o lado exigente e perfeccionista do padrasto, pelo contrário, estava se divertindo com a ideia de ser um agente de campo e passar por momentos de adrenalina no qual poderia usar toda a sua raiva e agressividade acumulada.
0
Comente!x

  — Vamos ao porão — ordenou Louis ao deixar o copo em cima da bancada e seguir para a porta de acesso às escadas.
0
Comente!x

  Liam apenas assentiu e se levantou da cadeira para segui-lo. No andar de baixo e com a porta devidamente fechada e trancada, ambos começaram a conversar sobre as experiências de Liam como um aluno do colegial, a procura de emprego de meio período nas oficinas da cidade. Sua missão era se infiltrar em todas, trabalhando em cada uma por sete dias apenas, e depois ser dispensado por não se adaptar, no final, teria que prestar um relatório a Durand sobre toda a rotina do lugar e se havia encontrado algum ponto de fraude.
0
Comente!x

  Durand já estava de olho em algumas delas, pelos negócios com um fabricante de pneus de Toscana. Agora usaria seu aprendiz para fazer o trabalho de campo e lhe trazer informações ao final do dia.
0
Comente!x

  — Então? — perguntou Liam, mantendo seu olhar no quadro de anotações. — Eu passei no teste?
0
Comente!x

  — Ainda faltam duas oficinas e não terminamos o seu treinamento — disse o homem, concentrado em alguns papéis em sua mão. — Não vou mandá-lo para a Itália, além de não estar pronto, ainda tem quinze anos. Sem contar a sua mãe.
0
Comente!x

  — Você sabe muito bem como dobrar ela — argumentou Liam, num tom áspero. — Faz isso todas as tardes, antes de eu chegar em casa.
0
Comente!x

  — Olha só, o adolescente está monitorando os pais? — brincou Durand, com sarcasmo. — O que eu faço com a sua mãe não é da sua conta, mas se quer saber… Ela sempre sai satisfeita e pedindo por mais.
0
Comente!x

  — Que nojo. — O garoto fez uma careta revirando os olhos.
0
Comente!x

  — Foi você quem provocou. — Louis esticou os papéis para ele. — Quero que estude sobre ela, em breve fará contato.
0
Comente!x

  — Esta é a menina com quem Pietro não conseguiu se encontrar? — indagou Liam, ao pegar os documentos e folheá-los.
0
Comente!x

  — Sim… — Durand respirou fundo, ainda relutante em envolver o enteado naquela missão em específico. — Deixarei que inicie a leitura, mas apenas te deixarei participar desta missão se eu achar que está pronto.
0
Comente!x

  — Não farei como os outros — retrucou o garoto.
0
Comente!x

  — Não é pela sua capacidade, eu acredito que conseguirá — afirmou Louis com segurança — e sim pela sua mãe. De todas as máfias, a mais cruel e inescrupulosa é a italiana, e é ela que vamos abater.
0
Comente!x

  — Não se preocupe com a mamãe, contanto que eu volte para o jantar, está tudo bem — assegurou Liam, convicto de seu potencial para a tarefa que o padrasto pretendia lhe passar.
0
Comente!x

  O adolescente já havia encarado altos e baixos em sua vida, se tornado forte e maduro o suficiente para tomar decisões importantes e complexas, e não falharia com Durand. De alguma forma, ele queria deixar o marido de sua mãe orgulhoso.
0
Comente!x

Porque nada disso é coincidência
  (DNA)
  Porque nós encontramos o nosso destino.
  - DNA/BTS

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

2 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Lelen

Lendo esse capítulo eu lembrei de um detalhe que eu tinha escrito na ideia que eu não tava lembrando antes OASDOPANDMPO
Mãe da Rosa é esperta, isso mesmo, apesar do medinho de virem cobrar mais depois por causa do “favor”, né, mas enfim.
Giovanni vai ter que ficar muito ruim e babaca pra sair do meu coração, se esforça aí, meu filho kkk Até o Luigi tem um lugarzinho dele aqui :B
E hoje vieram revelações GZUUUUS. O jardineiro lá (era jardineiro? perdão, tenho questões de memória kkk) era infiltrado e se ferrou – o coração dele ferrou ele, né… E temos aí nosso Vincenzo surgindo? hum? huuum? Suspeitei sobre isso no meio da cena do Durand, mas ELE É SÓ UM MENINO, HOMEM, SOCORROOOO ASPODMASPOD quero nem ver se a Amber descobrir, vai soltar os cachorros em cima dos dois, quero ver quem vai se recuperar da ira dessa mãe HASIHASAO
Quem será que mandou a mensagem pra Alice? Será se tem alguma outra pessoa da família que sobreviveu? De repente forjou a própria morte no meio da bagunça? Eu sou a louca das teorias da conspiração em fanfic, minha mente vai que vai mesmo ONASDOANDPO
Eu tô doida pra saber os próximos capítulos dessa novela e espero que a Alice mantenha a inocência, mas também desenvolva o lado pantera dela OOANSPOANSPO

Pâms

Ainda tem muita água pra rolar nessa cachoeira. kkkkkkkkkk

Todos os comentários (40)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

2
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x