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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Mafia’s Paradise

Escrita porPams
Revisada por Lelen

2 • Tommaso

Tempo estimado de leitura: 26 minutos

Toscana, outono de 2010

  Para aqueles que pensam que apenas os mais afortunados poderiam ter o mundo em suas mãos, saibam que até mesmo para os filhos da máfia, nascidos em berço de ouro, nem sempre o dinheiro significava a liberdade. Uma realidade que Diana Tommaso estava experimentando, com o castigo que o pai lhe deu, após descobrir seu romance com o jardineiro recém-contratado. 
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  — Pietro! — A voz da jovem soou esperançosa ao vê-lo, exatamente no ponto que haviam marcado de se encontrarem.
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  — Diana… — O sussurro dele fez o corpo de sua amada estremecer, sendo contemplada por um beijo acolhedor. — Por um momento pensei que não viesse.
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  — Seu bobo, eu te amo — sussurrou ela de volta, sentindo uma aquecida do coração. — Jamais deixaria de vir.
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  Na alta madrugada, a esperança parecia ser a companheira do determinado casal e sua última tentativa de ficarem juntos e viver o amor proibido. Fugir de casa foi a parte mais fácil para Diana, pois não conseguia se imaginar casando-se por obrigação com um homem que já havia enterrado quatro esposas, no entanto, encarar o fato de ficar longe de sua família, se escondendo do pai, seria o mais doloroso para ela.
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  — Está arrependida? — indagou Pietro ao pegar a mala dela, para carregar com a sua.
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  — Jamais, não me importo para onde vamos, desde que seja com você — assegurou ela, certa de sua decisão arriscada.
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  Um sorriso surgiu no rosto do homem, que sentia o coração acelerado pelas palavras dela, então, uma longa pausa para mais um beijo apaixonado, internamente fez o casal sentir o gosto da separação. O que de fato pareceu um vislumbre de premonição, sendo concretizado antes do amanhecer.
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  — Nunca imaginei que uma de minhas filhas me traria tamanha desonra. — O tom amargo e frio de Elio Tommaso despertou a atenção do casal.
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  Um frio gélido passou pelo corpo da jovem, temendo pelo pior, ao notar que estavam cercados por homens armados.
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  — Papai… Por favor. — Diana não conseguiu controlar o tom de desespero em sua voz, se colocando à frente do seu amado.
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  — Saia da frente. — Elio retirou a arma da cintura, apontando para o rapaz atrás dela. — Ou me esquecerei que é minha filha.
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  — Papai… — Diana sussurrou, com lágrimas nos olhos.
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  — Senhor, por favor, faça o que quiser comigo, mas não machuque a sua filha. — Pietro, em seu pequeno passo de coragem, se colocou à frente da arma, trazendo sua amada para trás. — Eu amo sua filha…
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  — Um ninguém como você não tem o direito de amar alguém como minha filha. — Elio manteve seu olhar firme, mantendo a mira, então olhou para o lado fazendo o sinal para que seus homens afastassem sua filha.
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  Logo, cinco homens se aproximaram. Dois seguraram nos braços da garota, arrastando-a para longe do amado, enquanto os outros seguraram o rapaz e começaram a socá-lo. Aos gritos de Diana por piedade, em desespero e agonia, a jovem foi forçada a assistir seu amado sendo espancado pelos homens do seu pai, seus gemidos podiam ser ouvidos com nitidez.
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  — PAIIII!!! — O grito de Diana, fez com que os homens parassem a sequência de socos e chutes. — Por favor… Eu faço o que o senhor quiser… Eu me caso com o senhor Manchini… Serei a esposa perfeita para manter a honra da minha família… Mas, por favor, não o mate.
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  O chefe Tommaso deu alguns passos até a filha, com o olhar rígido, parcialmente inexpressivo.
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  — Saiba que estou desapontado com você, mas espero que cumpra com sua palavra — disse o pai, rudemente — ou ele sofrerá as consequências.
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  Diana assentiu com a cabeça, ao voltar o olhar para Pietro ao chão, ensanguentado. Com o aperto no coração, ela fechou os olhos tentando guardar no mais profundo de sua memória, o gosto doce do beijo dele.
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  — Joguem-no no beco da morte — ordenou o chefe Tommaso, ao referenciar a rua em que os banidos da máfia são jogados. — E marquem-no para que se lembre desta noite.
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  Mais lágrimas rolaram no rosto de Diana, enquanto era arrastada até um dos carros. Para a jovem, sua vida havia acabado naquele mesmo instante, sobrando apenas suas memórias como seu último fôlego.
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  — Bonjour, senhoritas — disse Andreas, ao se aproximar das carteiras das garotas na sala de aula.
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  — Bom dia, And — respondeu Teresa, num tom animado ao olhá-lo com um brilho nos olhos. 
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  — Bongiorno — respondeu Angela de forma desinteressada, mantendo o olhar no celular em sua mão.
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  — Quem é vivo sempre aparece para aula de manhã — brincou Roberto, rindo da careta do amigo.
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  — Achei que não viesse hoje, já que seus pais iriam viajar — comentou %Clarice% ao chegar logo atrás, surpresa pela presença do amigo. — Você passou a semana se gabando que iria para as Maldivas.
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  Uma risada tímida soou de Giorgia, que estava ao lado da amiga, dando um aceno singelo. A delicada garota, mesmo sendo do grupo desde o jardim, ainda tinha certas dificuldades de socialização, muitas delas traumas de infância pelo casamento conturbado dos pais.
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  — Ah, Queen, nem me fale disso. — Ele bufou um pouco com chateação. — Achei mesmo que fosse me livrar da semana de provas e simplesmente ir para o paraíso, mas, parece que a viagem deles é apenas de casal.
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  — Esqueceram de mim, versão Riina. — Roberto soltou uma gargalhada maldosa, fazendo os outros rirem.
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  — Nem comentou. — Andreas puxou sua cadeira e sentou, ainda inconformado com sua realidade. — E onde está nosso amigo?
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  — %Luigi%? — indagou Giorgia.
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  — O próprio, quem mais seria? — Andreas a olhou confuso.
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  — Ele não vem hoje — respondeu %Clarice% ao se sentar também, soltando um sorriso cansado.
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  Dos muitos problemas que a garota estava enfrentando em casa por causa da irmã, ela ainda dividia sua atenção com os irmãos mais problemáticos que existiam no grupo de amigos da elite: os Magnus. %Giovanni% e %Luigi%, por muitas vezes, a fizeram passar madrugadas em claro, ambos crescendo juntos pela amizade entre as famílias, só ajudou ainda mais em sua aproximação e intimidade com os meninos.
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  — Sabe de alguma coisa? — perguntou Angela, interessada na informação.
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  — Reuniões de família — respondeu a Tommaso, abrindo o livro de geografia, pois seria a primeira aula. — Nada demais.
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  — Então já sabemos que ele não vai aparecer nos próximos dias — concluiu Roberto, já entendendo a situação do amigo.
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  — Algum problema com isso? — Insistiu Angela, curiosa.
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  A recém-chegada no grupo, assim como a irmã gêmea, não conhecia os segredos ocultos das famílias que pertenciam à máfia, menos ainda o quão pesado era ser um herdeiro nascido neste mundo.
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  — Todos possíveis — sussurrou Giorgia, chateada pela notícia.
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  Em minutos, a atenção de %Clarice% se desviou para a filha da empregada, que passava pelo corredor, acompanhada dos amigos. A garota Tommaso não sentia nem um pouco de afinidade com ela, não somente por sua classe social, como pelo fato de já ter notado que os irmãos Magnus sempre mantinham um olhar discreto para a garota invisível.
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  Em um rompante, %Clarice% se levantou de sua mesa e seguiu para o corredor, a fim de %Alice%. Ao chamá-la, elevando mais a voz, fez os três amigos pararem paralisados pela abordagem, e parando em sua frente, precisou forçar sua resiliência para se dirigir a ela.
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  — Preciso falar com você — pronunciou %Clarice% para ela.
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  — Senhorita Tommaso — disse Rosalia, surpresa com o chamado dela, sem saber o que dizer.
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  — Rosa, você e seu amigo poderiam nos dar licença? — %Clarice% tentou ponderar, porém, soou como ordem.
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  — Claro, senhorita. — Rosalia segurou no pulso de Matteo e o arrastou para saírem de lá. — Te esperamos na sala.
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  — O que a senhorita deseja? — perguntou %Alice%, ainda surpresa com a aproximação dela.
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  — Quero saber o que está acontecendo na mansão dos Magnus. — %Clarice% foi clara e objetiva.
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  — Me desculpe, mas não sou autorizada a entrar na casa grande, menos ainda me aproximar dos herdeiros — respondeu %Alice%, demonstrando não poder ajudar.
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  — Não é o que me parece, já que você sempre está no campo de visão deles — retrucou %Clarice%, sentindo uma ponta de ciúmes.
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  — Senhorita… — %Alice% se sentiu levemente intimidada pelo olhar atravessado dela.
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  — Espero mesmo que você permaneça bem longe deles, para o seu bem. — Mais uma vez em tom de ordem, %Clarice% suavizou mais seu olhar ao notar curiosos atentos a elas. — Pessoas como você apenas destroem o futuro de…
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  A garota Tommaso estava com raiva, não de %Alice%, mas do jardineiro que havia seduzido sua irmã mais velha e instaurado o caos em sua casa. Não queria descontar na menina, mas sabendo que os irmãos Magnus também tinham uma sutil curiosidade a respeito da filha da empregada, isso já era motivo para deixá-la irritada.
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  — Sim, senhorita. — Assentiu %Alice%, algo que ela mais queria.
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  A pequena Miller sabia que lá no fundo, mesmo sua mãe não admitindo, havia sido alguma família da máfia que tinha matado seu pai e parentes. E o que mais desejava era sumir da mansão Magnus com Lídia, e ser livre bem longe dos olhares que lhe causavam medo. Em instantes, o toque do celular de %Clarice% interrompeu a tensão criada no ambiente, dando a %Alice% a oportunidade que precisava para se afastar dela e seguir para as escadas onde os amigos curiosos a esperavam.
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  — Sim — disse ela, ao atender a ligação da irmã mais nova.
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  — Papai trouxe a Diana de volta e parece que teremos bolo de casamento. — A voz da caçula pingava sarcasmo e deboche.
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  %Clarice% apenas respirou fundo e encerrou a ligação. Não que ela odiasse a irmã mais nova, porém, Elena era apenas meia-irmã misturada à ideia de ser também sua prima. Um pequeno detalhe que existia na família Tommaso, graças a inveja e persistência de uma irmã ambiciosa, afinal, não era novidade para ninguém o constante interesse de Marcella pelo cunhado. Contudo, após a morte precoce da irmã, era um tanto quanto óbvio que a próxima a ocupar o cargo de esposa seria exatamente ela.
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  — %Clarice%?! — A voz de Giorgia a despertou de seu devaneio. — Está tudo bem?
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  — Sim. — Assentiu a garota, ao notar que a filha da empregada já havia se retirado.
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  — Você saiu da sala com tanta pressa e ficou trocando palavras com a filhote de criada. — Giorgia a olhou curiosa, tentando entender o assunto que poderia ter rolado entre elas. — Aconteceu alguma coisa?
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  — Não, nada que seja importante compartilhar. — %Clarice% respirou fundo, reunindo forças para conseguir levar as horas de aula até o final.
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  As horas parecem longas quando estamos ansiosos para algo. Não que Tommaso se enfadasse facilmente com as aulas, pelo contrário, assim como os irmãos, ela tinha o dever e obrigação de orgulhar sua família fosse em qualquer lugar. E no Constance não era diferente, a melhor aluna da escola e capitã das cheerleaders, popular e mais influencer que as mais destacadas socialites de toda Itália.
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  — Quer carona hoje? — perguntou %Clarice% à amiga, enquanto se levantava da cadeira ajeitando sua bolsa.
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  — Ah, não — recusou Giorgia, mantendo seu material em cima da mesa. — Vou passar na biblioteca antes, preciso devolver alguns livros e tenho aula de reforço em inglês, após o almoço.
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  — Te vejo na segunda então — informou ela, dando o primeiro passo para se retirar da sala.
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  — Você não vai na minha festa? — indagou Andreas, enfatizando a pequena recepção que organizava na casa dos pais. — Já não teremos o %Luigi%, você não pode deixar de ir.
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  — Farei o possível para comparecer, mas sabem que minha família agora está se preparando para o casamento da minha irmã, então… — Ela o fez entender suas prioridades pontuais.
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  — Ah, é verdade — concordou Giorgia, percebendo a preocupação disfarçada no olhar da amiga. — Seus amigos receberão o convite?
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  — Mas é claro que sim. — Assentiu a garota, já se adiantando para sair.
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  %Clarice% seguiu até o portão, onde o motorista já a aguardava para a conduzir até a mansão. No caminho, ela retirou o celular da mochila e mandou uma mensagem para o amigo.
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  %Luigi%…
   Está acordado?

E por que não estaria? 
Já estamos quase na hora do almoço.

  Você não foi à escola, mesmo tendo prova de alemão.

Eu já sou fluente, não preciso provar nada.

  kkkkkkkkkkkk
  ainda assim precisa de notas para se formar

poderia me mandar um áudio
gosto da sua voz

  hum…
   como está?

como eu tenho que estar?

  estou falando sério
   você não foi a aula hoje
   sabe que me preocupo

Como pode uma garota de 12 anos parecer mais a minha mãe que minha própria mãe?

  %Luigi%?!
   kkkkk
   te tenho como um irmão

sabe que quero ser bem mais que isso

  Ela soltou um suspiro profundo, olhando rapidamente para a janela do carro, vendo a vida se passando do lado de fora.
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  hmm…
   sabe que não pode

você sabe o motivo…
mas logo estaremos longe deles

  vai mesmo se formar com a gente?

claro que vou
ensino médio londrino nos aguarda

  me liga, caso precise desabafar

  Um sorriso espontâneo surgiu no rosto dela ao ver alguns emojis sendo enviados por ele. Eram raros os momentos em que %Luigi% se demonstrava descontraído e despreocupado com seus problemas com o pai e, na maioria das vezes, era ela quem mais apoiava o amigo em seus momentos de dor e angústia.
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  Guardando novamente o aparelho na mochila, logo percebeu a aproximação do carro no portão de entrada do condomínio. Alguns metros depois, finalmente estava descendo do veículo em frente à entrada da mansão Tommaso.
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  — Voltando à realidade — sussurrou ela, ao subir os poucos degraus da entrada.
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  Sendo recebida na porta pela empregada, o olhar de %Clarice% passou pela sala, já encontrando seu pai e irmão conversando. Assim como todos os outros chefes de família, Elio Tommaso tinha aquela figura rígida e sombria de um mafioso implacável. Com a ajuda de sua cunhada, Marcella, após o acordo de casamento para que ela cumprisse a promessa de ajudá-lo com sobrinhos, ele pode seguir com a criação dos três filhos, frutos de seu amor por Franci. A mulher que verdadeiramente detinha seu coração e havia sido levada precocemente, vítima de leucemia. 
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  Não era surpresa para %Clarice% a presença do irmão na cidade, já que o primogênito, Marco, estava sendo preparado para se tornar o braço direito do pai nos negócios. Entretanto, o que mais a deixava irritada era a notória demonstração de favoritismos do chefe da família pela pequena Elena, a princesinha caçula da casa, resultado de uma gravidez meticulosamente calculada pela tia, para manter o casamento com o cunhado.
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  — Bongiorno, papà — disse ela, interrompendo a conversa de ambos, chamando a atenção para ela. — Bongiorno, Marco.
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  — %Clarice%. — O irmão sorriu de canto, erguendo de leve a taça de vinho em sua mão.
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  — Chegaste cedo, filha. — Elio a observou se aproximar deles. — Algo de errado na escola?
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  — Não, eu sempre chego neste horário — respondeu ela, mantendo a suavidade em sua voz. — Apenas não está aqui para receber sua filha todos os dias.
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  — Direta e sincera como sua mãe — comentou ele, mantendo a seriedade no rosto.
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  Aquele era o lado que Elio mais admirava em sua filha e ao mesmo tempo mais detestava. Apesar do jeito sereno, delicado e paciente que %Clarice% demonstrava ter, no fundo, seu lado racional a instiga a ser obstinada e empoderada.
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  — Onde está Diana? — Sem rodeios, ela chegou ao assunto que queria.
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  — Não deveria se preocupar com ela — reforçou o pai, num tom mais áspero. — Mesmo sua irmã quase levando nosso nome e honra para a lama, ainda teremos uma festa de casamento na próxima semana.
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  — Onde ela está?! — Insistiu %Clarice%, conhecendo bem o pai que tinha.
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  Mesmo com seus doze anos, ela já havia visto o pai sendo cruel e abusivo em diversos momentos e, em todos, ela precisou ser forte para conseguir dormir à noite.
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  — No quarto — respondeu Marco, sentindo a impaciência do pai.
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  — Por que tanto quer saber? — indagou Elio, analisando as expressões da filha.
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  — Não posso mais saber sobre minha irmã? — retrucou a jovem, devolvendo a pergunta.
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  — Claro que pode. — Elio riu baixo. — E aconselho que aprenda com o erro dela, para assim não cometer o mesmo.
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  — Eu sei dos meus deveres com esta família, papai. — %Clarice% manteve a firmeza em sua voz. — Esteja certo que não haverá desonra de minha parte.
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  Sem dar direito a uma argumentação do pai, %Clarice% apenas deu o primeiro passo para se retirar e seguiu até as escadas, subindo mais que depressa para o quarto da irmã. Com o coração aflito pelo que poderia ter acontecido para que o pai encontrasse a irmã e mais ainda preocupada com o que viria a acontecer com ela após o casamento arranjado.
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  — Diana?! — A voz de %Clarice% soou da porta, após o som de dois toques. — Posso entrar?
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  — Sim. — A voz baixa e falha da jovem teve entonação suficiente para que a irmã ouvisse.
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  — Você está bem? — indagou a mais nova, ao adentrar o quarto e fechar a porta.
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  O olhar de %Clarice% permaneceu atento à irmã, notando as olheiras aparentes e a expressão que confirmava as muitas lágrimas derramadas.
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  — O que você acha?! — Diana reprimiu o soluço pelo choro de toda a noite, e manteve o olhar voltado para a janela. — Eu odeio ser dessa família… Odeio tudo isso.
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  — Di… — %Clarice% se aproximou mais dela e sentou na beirada da cama, pegando em sua mão para confortá-la. — Você sabia muito bem que algo assim poderia acontecer.
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  — Eu não sei como ele descobriu… — reclamou ela, suspirando fraco.
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  — Não deveria ter fugido — disse %Clarice%, sendo a única que aparentemente sabia dos planos da irmã. — Eu disse que era perigoso para você.
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  — Eu deveria ser dona das minhas próprias escolhas, %Clarice%… — Diana soltou um suspiro cansado e chateado. — Eu tenho vinte anos… Por que eu me sinto mais presa que os empregados desta casa? Até a filha da cozinheira tem mais liberdade que a gente.
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  — Eu sei que é clichê falar isso, mas, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades — disse a menina, num tom descontraído, fazendo-a rir um pouco.
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  — Mas não somos heroínas de quadrinhos — retrucou Diana, voltando o olhar marejado para ela. — Eu não quero passar o resto da minha vida ao lado daquele velho rude e grosseiro.
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  — Você sabe que o papai tinha outros planos para você — argumentou %Clarice%, demonstrando o descuido dela. — Não quero dizer que a culpa foi sua, mas deveria ter sido mais cuidadosa… Você se envolveu com o jardineiro e nem mesmo conseguiu disfarçar… E agora com sua fuga malsucedida.
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  — Ele me ama e eu o amo. — Diana abaixou o olhar, segurando as lágrimas que insistiam em escorrer pelo rosto. — Não sou como você que sempre foi racional e consegue esconder seus sentimentos… 
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  Um breve silêncio pairou entre elas, que se podia ouvir o som dos pássaros do lado de fora.
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  — Olha só como estamos aqui, eu sou a mais velha e ainda te peço conselhos — confessou ela a realidade.
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  — Diana… — %Clarice% a olhou com carinho. — Tem certeza desse sentimento que a fez cometer uma loucura? Você o conhece há apenas cinco meses… E olha o caos que se instaurou em nossa família. 
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  — Eu o amo… Nunca tive tanta certeza em minha vida. — Assegurou a mais velha, com certeza no olhar.
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  — Eu não sei o que te dizer… — %Clarice% respirou fundo, temendo o peso de suas palavras. — Só peço que não tome mais nenhuma atitude impensada, não é somente a sua vida que está em jogo.
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  — Eu sei. — Diana forçou um sorriso e a puxou para um abraço. — São três vidas…
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  — Como assim?! — %Clarice% se afastou de leve, olhando-a confusa por suas palavras.
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  — Estou grávida — sussurrou Diana, voltando a lacrimejar.
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  — Di… Se o papai descobre — comentou ela, sem saber o que pensar diante da situação.
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  Era insano a turbulência de acontecimentos, mas na máfia sempre era assim, não há nada tão ruim que não possa piorar.
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  — Por isso que concordei que o casamento fosse na próxima semana — disse Diana, certa de que pelo menos o pequeno ser que havia dentro dela iria sobreviver a todo aquele horror. — Se o senhor Mancini achar que o filho é dele, ainda terei uma parte do Pietro comigo.
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  — Sabe que é arriscado. — %Clarice% não queria trazer nenhum peso para a irmã, mas tinha que, novamente, traze-la para realidade.
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  — Eu sei, mas estou segura que vai funcionar. — Assegurou Diana, com base nas informações que havia recebido do irmão mais velho.
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  — Sabe que sempre terá meu apoio, não importa qual decisão tola que tome. — Reforçou a mais nova, voltando a abraçá-la.
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  — Você é a melhor irmã do mundo — sussurrou Diana ao sorrir com leveza, retribuindo o abraço.
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  Após o abraço, %Clarice% se levantou e deu um beijo na testa da irmã, com um olhar de conforto, se afastou dela e retornou para a porta, seguindo para seu quarto. Após um banho relaxante, manteve-se vestida com o roupão de banho, enquanto escolhia o que vestir. De repente, o toque do celular lhe chamou a atenção, era uma ligação de %Giovanni%.
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  — Bongiorno — disse ela ao atender, sentindo um sorriso surgir em seu rosto.
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  — Já passamos do almoço. — A voz firme dele soou do outro lado, com um toque de suavidade.
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  — Para mim sempre é dia, já deveria estar acostumado — respondeu ela, rindo com leveza. — Achei que não fosse me ligar, já que está em casa desde ontem.
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  — Perdoe-me pelo silêncio — disse ele, tentando se redimir. — Reunião de família. 
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  — Bem, isso não impediu o %Luigi% de me mandar inúmeras mensagens — retrucou ela, em provocação.
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  — Meu irmão não possui as mesmas obrigações que eu — explicou ele, em sua defesa.
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  — Sempre uma desculpa pronta, senhor Magnus. — %Clarice% deu alguns passos para dentro do quarto, se aproximando da cama para se sentar. — Deixarei passar desta vez.
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  — O que me diz de um passeio ao ar livre? — Sugeriu ele, em tom de convite. — Já almoçou?
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  — Ainda não — respondeu, curiosa. — O que eu teria neste passeio?
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  — Hum… Digamos que toda a minha atenção — respondeu o rapaz, confiante em sua proposta.
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  — Ter a atenção de %Giovanni% Magnus por um dia? — Ela se viu surpresa.
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  — Uma tarde… E com direito a almoço especial. — Acrescentou ele, tornando irrecusável. — Te dou dez minutos para trocar de roupa.
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  — Onde está? — perguntou ela, se aproximando da janela para conferir sua teoria.
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  Um som de riso surgiu do outro lado.
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  — %Giovanni%, onde você está?! — perguntou %Clarice%, novamente, tentando encontrá-lo.
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  — Não adianta me procurar, não direi, agora volte para dentro e se troque, sabe que sou ciumento, não quero que outros te vejam de toalha — disse ele, ponderando seus risos.
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  — Abusado. — A garota riu, enquanto retornava para o closet. — Vou desligar e estarei em frente a mansão em dez minutos.
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  — Nove — retrucou ele.
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  — %Giovanni%?! — Ela tentou repreendê-lo.
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  — Se questionar, abaixo para cinco — brincou ele.
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  %Clarice% soltou uma gargalhada espontânea encerrando a ligação. Sua relação com os irmãos Magnus sempre seria uma loucura para ela, pois assim como eles a preocupavam, também havia os momentos de descontração que a levava aos risos e mais risos.
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Suave como manteiga
Como um criminoso disfarçado
Vou explodir como no jogo Trouble
Invadindo seu coração assim.
- Butter / BTS

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Lelen

Nossa, a minha mente tá tão no modo “malvado” que eu olhei pra história da Diana e pensei “foi a Clarice que entregou o plano da irmã”, mas espero que não kkkkk
Eu tô sentindo que em algum momento esse plano da Di vai dar merda, porque sempre dá (mas aceito se der tudo certo ou se ela conseguir o felizes para sempre dela HEHEEH) quero ver quando esse povo crescer e for adulto, gzus…

Pâms

A história da Diana foi dolorida demais…

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