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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Mafia’s Paradise

Escrita porPams
Revisada por Lelen

13 • Negócios de família

Tempo estimado de leitura: 26 minutos

Toscana, outono de 2016

  O olhar de %Aurora%, mesmo direcionado para o homem deitado no sofá de seu loft, parecia distante assim como seus pensamentos. A imagem do rosto machucado de %Luigi% na primeira vez que o rapaz se abrigou ali não saía de sua mente, assim como as inúmeras perguntas sobre o assunto. Realmente, a jovem não tinha nenhuma ideia de como funcionava o mundo da máfia italiana, menos ainda como seria o relacionamento das famílias que integravam o meio.
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  — Está gostando da vista — disse ele, num tom presunçoso, despertando-a de seus pensamentos.
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  %Aurora% manteve o silêncio, não dando importância ao comentário dele. Logo, %Luigi% levantou-se do sofá e caminhou até ela, que estava ao lado da porta de passagem para a varanda. 
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  — Se está falando de você… Inicialmente, nem deveria estar aqui — comentou ela, o encarando com seriedade. — Você me demitiu, se lembra?
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  — Que garota rancorosa. — Ele sorriu de canto com malícia.
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  — Não sou rancorosa… Não vai vestir uma camisa?! — Ela o olhou discretamente, de cima para baixo.
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  — Gosta do que vê? — Ele segurou o riso. — Está com medo de se apaixonar?
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  Ela desviou o olhar, ignorando seu comentário.
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  — Ainda não me disse como descobriu meu endereço. — Ela cruzou os braços, o encarando.
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  — Minha família é dona dessa cidade, quer mesmo que eu diga? — retrucou ele com um soar óbvio.
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  Seu olhar ficou enigmático por um momento.
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  Das muitas noites conturbadas que haviam se passado naqueles meses de visitas inesperadas do Magnus caçula nas altas horas da noite, aquela havia sido a mais perturbadora de todas. Não apenas pelos machucados em pontos aleatórios do corpo de %Luigi%, mas pelos delírios que o rapaz demonstrou enquanto se encontrava desacordado. Seus gemidos de dor que se misturavam aos gritos dos pesadelos que o assombravam. Quanto mais %Aurora% se permitia acolhê-lo em suas batidas aflitas à sua porta, mais ela sentia que estava adentrando um perigoso caminho sem volta.
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  — Tudo bem, não precisa dizer, mas… Quando teremos nossa conversa? — indagou ela, o forçando a abaixar a guarda. — Você me prometeu falar de sua infância na última vez que esteve aqui.
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  — A última vez foi quatro noites atrás e eu estava bêbado — relatou ele com precisão a ocasião. — Não deveria acreditar nas promessas de um bêbado.
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  — Tenho que admitir, você é bem mais falante e honesto quando não está sóbrio — brincou ela, arrancando uma risada rápida dele. — E como está seu irmão?
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  — Por que a pergunta? — indagou ele, se aproximando mais um pouco dela. — Saiba que você não faz o tipo dele, não é filha de empregada.
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  Ele riu mais um pouco de seu comentário, então voltou a ficar sério.
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  — Você já contou a ele seu segredo? — Ela foi direto ao ponto.
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  — Sabe que não posso — retrucou ele, se desviando e aproximando do guarda-corpo, encostando-se a ele. — O que acha que aconteceria se %Giovanni% descobrisse que sua preciosa fugiu, devido a minha ajuda?
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  %Aurora% permaneceu em silêncio. 
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  Após todo esse tempo de convivência, ela já tinha pesquisado sobre a família Magnus, assim como cada membro integrante. Sabia que não se tratavam de quaisquer pessoas e que a palavra vingança estava no topo do vocabulário da máfia da Toscana.
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  — Não consegue dizer, não é? — Ele a olhou com seriedade, um toque de amargura o invadiu por dentro. — Tenho inveja de %Alice%, conseguiu sua liberdade… Sem Magnus, sem preocupações...
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  — Se pudesse começar uma nova vida longe de tudo, da máfia, da Itália… Você o faria? — indagou ela, num tom sugestivo e curioso.
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  — Talvez… — Ele deixou seu olhar mais malicioso. — Você viria junto no pacote?
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  %Aurora% respirou fundo e se afastou dele, ouvindo suas gargalhadas enquanto seguia para a cozinha.
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  — Está com fome? — perguntou ela, mudando o assunto.
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  Mesmo com sua pouca experiência como psicóloga, Segre já estava um pouco mais habituada com sua residência e os casos que acompanhava começaram a lhe dar mais confiança em sua profissão. Para cada paciente, um método diferente de aproximação e conquista de confiança, e com o caçula Magnus, ela ainda estava construindo suas estratégias.
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  — O que teremos para o almoço? — perguntou ele, seguindo-a até a área da cozinha.
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  — Quem disse que vamos almoçar agora? — Ela riu. — Não se pode pular uma refeição.
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  — Mas já são onze da manhã — retrucou ele.
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  — A culpa não é minha se acordou tarde, e, como disse, nem deveria estar aqui — argumentou ela ao abrir a geladeira.a — Seu desjejum será um singelo brunch inglês, no improviso.
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  — Hum… — Ele encostou na parede e cruzou os braços, observando-a se locomover pelo curto espaço que delimitava o ambiente. — Dra. Segre também é uma masterchef… — Seu comentário soou com um toque de malícia.
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  Após um breve momento de silêncio entre eles…
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  — Se eu lhe perguntasse uma lembrança comestível de sua infância, o que me responderia? — perguntou %Aurora%, enquanto se mantinha concentrada no manuseio dos alimentos.
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  — Tiramisu… — %Luigi% soltou um suspiro regado a saudade, que acabou atraindo a atenção dela. — Quando eu era criança, minha nonna sempre aparecia com uma travessa de vidro na manhã do meu aniversário… Ela dizia que era o melhor presente que eu poderia receber, pois vinha com uma pitada de amor…
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  Um sorriso singelo e saudoso se formou no rosto do rapaz, causando uma inesperada sensação de fascínio da parte de %Aurora%, que a fez contemplá-lo por um momento.
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  — Já está se apaixonando, doutora? — brincou ele, com um sorriso de canto.
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  — Deixe de besteiras, Magnus. — Ela deu de ombros, voltando sua atenção ao brunch que preparava.
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  Não demorou para que ela finalizasse, servindo-lhe o alimento na bancada da pia, puxando duas banquetas para que assentasse. %Luigi% se aproximou, observando o capricho da jovem, enquanto organizava os pratos e copos com delicadeza.
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  — Impressionante — disse ele, num tom baixo, ao se sentar ao lado dela. — Pelo que sei, você é brasileira, o que sabe sobre culinária inglesa?
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  Ele conhecia bem sobre o assunto, já que havia passado anos estudando em Londres na adolescência, e vendo a forma impecável que a mesa estava posta à sua frente, lhe intrigava ainda mais a respeito dela. 
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  — Existe Youtube hoje em dia. — Ela soltou uma gargalhada. — Temos omelete, waffle, torradas e geleia de morango… Aproveita que eu fiz compra ontem.
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  — O que é isso na xícara?! — indagou ele, fazendo uma careta estranha.
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  — Chá — respondeu ela, com tranquilidade.
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  — Sou italiano, não gosto de chá — retrucou ele.
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  — É um brunch inglês e você vai tomar — disse ela, de forma despreocupada com um sorriso singelo no final.
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  %Luigi% segurou o riso de si mesmo, não entendendo o que ele fazia ali e como no fundo não queria se afastar da doutora que o instigava a cada dia. Pegando a xícara, tomou um gole do chá de camomila com limão que ela havia preparado. Após a degustação, %Aurora% teve uma ideia para desenvolver outra rodada de conversa com ele.
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  — Como eu te alimentei, agora terá que me pagar… — Ela se levantou da banqueta e pegando o pano de prato jogou nele. — A louça suja é sua.
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  — Que mercenária… — Ele pegou o pano quase no ar, olhando-a de forma descontraída. — É assim que trata seus hóspedes? Que má anfitriã.
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  — Nem era para estar aqui — retrucou %Aurora%, seu argumento favorito —, você me demitiu, lembra?
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  — Depois diz que não tem um coração rancoroso — reclamou %Luigi%, se levantando da banqueta e seguindo para a pia, levando os pratos sujos.
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  — Não, não… Espera aí — disse ela o repreendendo de leve, e, abrindo uma gaveta do armário, pegou um avental e seguiu até ele. — Para não dizer que sou uma má anfitriã.
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  Ela riu baixo ao colocar o avental nele, ajustando um pouco e em seguida amarrando a liga nas costas dele.
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  — Agora entendi o porquê do avental — brincou ele de forma sinuosa.
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  — Entendeu o quê? — perguntou ela, ainda ajeitando o tecido nele.
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  — Você queria um motivo para se aproximar… — ele continuou, até que foi parado por um tapa dela em seu braço.
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  — Você realmente é um bobo. — Segre suspirou e se afastou do rapaz. — Quero essa louça extremamente limpa.
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  — Hum… — Ele se virou para ela com malícia. — Que mulher mandona, assim eu é que apaixono.
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  — %Luigi%... — %Aurora% tentou repreendê-lo, mas foi interrompida pelo toque do telefone dele.
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  Mais alguns instantes de silêncio, até que ele encerrou a ligação e, retirando o avental, entregou a ela, com o olhar sério. 
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  — Prometo que da próxima vez eu pago pela refeição — ele tentou brincar, mas não conseguiu deixar seu olhar sério de lado.
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  — Aconteceu alguma coisa? — perguntou ela, segurando sua preocupação.
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  %Luigi% apenas permaneceu em silêncio e, se afastando, retirou-se do loft, seguindo em direção ao seu compromisso, o que deixou %Aurora% estática, confusa, e, principalmente, frustrada por não poder saber o motivo de sua partida.
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  — Justo agora… — sussurrou ela, dando um suspiro de chateação.
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Uma semana depois…

  A conceituada Politecnico di Milano, era considerada o lar dos grandes designers italianos da atualidade, o berço do mobiliário mais aclamado do mundo, o qual %Clarice% seguia tendo a oportunidade de vivenciar de perto. Concentrada em seu novo projeto semestral da disciplina de criação pelo quarto dia consecutivo, encarando a folha em branco de seu sketch book, a garota lutava contra a pressão de orgulhar sua família, não somente com sua futura carreira profissional, como o majestoso casamento que as famílias ambicionavam.
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  — Sempre disse a mim mesma que sofrer de bloqueio criativo era para os fracos, porém, agora… — E ela soltou mais um suspiro profundo. — Não tenho me sentido tão forte atualmente.
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  %Clarice% se espreguiçou mais uma vez, sentindo dores nos músculos das costas. Logo percebeu uma movimentação no ateliê de desenho criativo, era seu motorista com um pacote de papel pardo em mãos, seguindo em sua direção.
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  — O que faz aqui? — indagou ela com o olhar sério e repreensivo. — Já disse que não tem permissão para entrar no ateliê.
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  — Já disse que fui contratado para cuidar da senhorita. — Ele se colocou em sua frente, colocando o pacote em cima da mesa. — Não jantou ontem à noite quando veio para cá, e nem tomou café da manhã após amanhecer.
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  — Vai me obrigar a comer agora? — retrucou ela.
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  — Se for necessário, tentarei persuadi-la. — %Vincenzo% sorriu de canto, um pouco debochado.
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  — Meu pai não está mais entre nós, seja qual for a promessa que fez a ele, pode considerar-se livre — reforçou %Clarice%, demonstrando chateação pela presença do rapaz.
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  — Prometi a vosso pai que a protegeria até seu casamento, não voltarei atrás em minha palavra — confirmou ele sua missão.
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  Ela soltou um suspiro cansado. A garota estava mesmo se sentindo cansada, emocionalmente e fisicamente. %Clarice% estava enfrentando uma chuva de emoções e reviravoltas, após a coroação de Magnus, veio a descoberta de uma doença rara que o pai havia contraído, causando assim seu falecimento repentino. Agora, a família Tommaso era regida por seu irmão, Marco, e sua total forma imprudente de tomar decisões. Seu fio de esperança de um futuro razoavelmente tranquilo era o casamento de milhões entre as famílias. Casamento este que lhe tirou o sono e também a criatividade.
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  — Tudo bem. — Assentiu ela, não se dando ao trabalho de brigar, puxando o pacote para perto e o abrindo. — Já pode ir agora.
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  — Bom apetite — disse ele, dando meia volta para se retirar. — Trouxe torta de amora, sei que é a sua favorita.
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  %Clarice% voltou seu olhar para o rapaz por um momento, intrigada por sua percepção de seus gostos, afinal, poucas pessoas sabiam de sua preferência por amoras. Após 1 ano a servindo de motorista e segurança, %Vincenzo% já havia observado o suficiente muitos dos costumes e hábitos da garota, além de suas inúmeras mudanças de humor, a ponto de saber quando estava chateada ou feliz, apenas pelo olhar dela. O que a deixava ainda mais admirada.
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  — Não consigo rejeitar amoras — sussurrou ela ao dar a primeira garfada. — Como esse motorista descobriu meu ponto fraco?
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  Ela riu baixo e continuou comendo, lembrando-se das vezes em que comeu a torta com seu pai, nos aniversários de infância. Por mais que Elio Tommaso fosse um homem rígido e em alguns momentos frio com os filhos, houve momentos de ternura de sua parte que a fizeram parecer o melhor pai do mundo. Após alguns minutos, seu celular tocou, era uma vídeo-chamada de sua irmã Diana.
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  — Diana?! — Ela atendeu um pouco preocupada pela ligação da irmã.
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  — %Clari%! — Diana sorriu para ela, parecia alegre aos olhos da irmã. — Que bom que atendeu.
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  — O que houve? Não é de me ligar pela manhã — indagou a mais nova, voltando o olhar para o último pedaço de torta no pote.
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  — Estou te ligando para lembrá-la do aniversário de sua sobrinha — explicou a irmã, virando a câmera do celular para a criança que estava brincando em cima do tapete da sala. — Te quero aqui amanhã à noite, sem falta.
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  — Eu não me esqueci — assegurou ela, com peso na consciência, pois tinha planos de apenas enviar um presente. — Estarei aí, antes, vou para Florença ao final da tarde.
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  — Não acha perigoso viajar à noite? — alertou a irmã preocupada. — Por mais que tenha um segurança, nossa Itália tem andado mais violenta que o normal.
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  — Está sabendo de algo que eu não sei? — indagou %Clarice%.
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  Ela sabia que seu irmão Marco jamais compartilharia informações sérias e sigilosas com ela, mesmo sendo noiva do dono da Toscana, entretanto, Diana sempre tinha algumas informações para compartilhar. Afinal, após seis anos de casada, ela já havia conquistado a confiança do marido e criado um parcial sentimento de afeto por ele, principalmente por ainda tratar Jullie como sua filha de sangue, mesmo depois de anos.
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  — Não, não estou sabendo de nada — garantiu Diana com o olhar sereno para ela. — Só me preocupo sempre.
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  — Hum… Além do lembrete de aniversário, mais alguma novidade? — indagou ela, apoiando os cotovelos em cima da prancheta.
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  — Paris continua a mesma de todos os outonos — brincou ela, em resposta. — E como estão os preparativos para o casamento? Marco me disse que pretendem fazer a cerimônia antes do inverno.
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  — É, parece que a senhora Marie pediu para anteciparmos, agora que %Giovanni% é o chefe da família, será mais respeitado se estiver em matrimônio — explicou ela os motivos.
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  — Ah, sim, a máfia e sua tradicionalidade a respeito de casamentos — concordou Diana, ao se lembrar das regras. — Um homem honrado é um homem bem casado.
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  A irmã ficou encarando-a, como se estivesse lhe analisando.
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  — Seu olhar não é de uma noiva feliz e ansiosa — constatou a mais velha em seu comentário. — Acaso não deseja isso?
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  — Não… É claro que desejo, desde que soube. %Giovanni% é o meu melhor amigo, é perfeita nossa união, eu só…
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  %Clarice% sabia bem o ponto central de seu olhar triste, mas não queria compartilhar com sua irmã. Apenas conseguia se sentir confortável falando do assunto com o Magnus caçula, a única pessoa além dela que sabia lidar com o enigmático primogênito Magnus.
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  — Você só…? — insistiu ela.
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  — Não me sinto preparada para um casamento aos 18 anos, pensei que demoraria mais, e logo terei mais responsabilidades, isso me assusta um pouco — explicou ela, escolhendo bem as palavras.
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  — Um casamento não é uma faculdade, e lidar com pessoas sempre foi difícil, mas como disse, ambos são amigos e estar com alguém que gostamos torna mais fácil e leve.
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  Será?! Por que estou sentindo isso tão pesado? Pensou %Clarice%, enquanto forçava um sorriso convincente.
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  — Espero que sim — concordou ela. — Mudando de assunto, como foi a viagem de férias com o Mancini?
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  — Foi inesperada e um pouco surpreendente, eu acho. — Diana riu baixo, como se lembrasse dos acontecimentos naquele momento. — Ainda me sinto estranha quando estamos sozinhos, talvez por ele não ser nada romântico e eu ainda ter a maturidade de uma adolescente cheia de sonhos da Disney.
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  — Vocês estão indo para o sétimo ano de casamento… Nem imagino como seja para você — comentou %Clarice%, lembrando-se do dia em que a irmã foi pega fugindo com Pietro. — É mais fácil quando se tem sentimentos.
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  — Eu aprendi a respeitá-lo e admirá-lo como pai da Jullie… — Diana parou por um momento e olhou para frente. — Preciso desligar agora, Alfredo chegou para o almoço.
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  — Tudo bem, depois conversamos mais. — %Clarice% sorriu de leve e encerrou a chamada.
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  Se sua vida estava confusa e incerta, a de sua irmã conseguia ser bem pior. Guardando o celular na bolsa, ela recolheu seus materiais e os guardou no escaninho que havia alugado no ateliê, então seguiu para a entrada da universidade. %Vincenzo% a aguardava prontamente para seguirem para seu apartamento na cidade. Prezando privacidade, Tommaso decidiu que seria melhor um lugar apenas seu para que pudesse ter tranquilidade para seus estudos, além da constante presença de seu segurança. 
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  — Não precisa ficar parado aí o dia todo, pode me esperar no estacionamento — disse ela após entrarem, ao jogar sua bolsa em cima do sofá e seguir até as escadas.
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  Seu apartamento era uma cobertura de dois andares na região central da cidade, bem próximo a galeria Vittorio Emanuele II.
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  — Quantas vezes terei que dizer que não sairei de perto da senhorita? — retrucou ele, permanecendo onde estava.
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  — Acho que mais algumas. — Seu tom foi sério, porém arrancou uma discreta risada dele.
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  %Clarice% adentrou seu quarto e seguiu para o banheiro. Antes da viagem para Florença para jantar com seus sogros, ela precisava de um banho de sais para colocar seu corpo no lugar. E foram longos minutos de olhos fechados, apenas relaxando, até que recebeu uma mensagem inesperada de seu então noivo.
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  — %Giovanni%? — sussurrou ela, ao ver o endereço que ele havia enviado para lhe encontrar. — O que houve dessa vez? Será algo com o %Luigi%?
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  Ela se levantou apressadamente da banheira e, enrolando-se na toalha, seguiu para o closet, uma rápida olhada nas roupas penduradas, acabou por vestir um macacão pantalona alfaiataria azul marinho que tinha comprado da coleção passada da Gucci. Sua bolsa a aguardava no sofá, assim como o segurança que estranhou a mudança de roteiro, quando recebeu o endereço que eles iriam. O destino era uma filial do luxuoso Hotel Pivani, um dos mais antigos de família tradicional da máfia da Sicília, que havia sido construído na década de 20. Em seu estilo arquitetônico clássico com grandes arcos e colunas monumentais, se destacava por sua proximidade com a colina e ser pouco distante da cidade de Milão, com acesso pela rodovia principal. 
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  — Magnus?! — disse ela ao se aproximar dele.
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  Havia sido conduzida pela recepcionista até a área privativa Premium, na qual o homem a aguardava. Ele estava de costas, observando a pequena fonte do jardim que compunha aquele espaço.
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  — Deixe-nos à sós — ordenou ele, num tom sério e firme, estendendo a frase a %Vincenzo% que havia entrado juntamente com as mulheres.
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  Logo a recepcionista assentiu e estendeu a mão para o segurança, o conduziu até o saguão da entrada. %Clarice% sentiu seu coração apertar um pouco, com uma sensação estranha lhe passando pelo corpo, fazendo-a temer aquele encontro.
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  — Por que estamos aqui? — indagou ela, permanecendo parada onde estava.
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  — Precisamos ter a nossa conversa como noivos, sem interrupções e sem participações externas — explicou ele, ainda de costas.
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  %Giovanni% sabia que deveria seguir até o final em seu propósito para aquela conversa, mas se sentia frustrado pela situação, pois estava diante de uma pessoa especial para ele.
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  — E o que deseja falar? — indagou ela.
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  — Nossa união foi um acordo entre nossas famílias, uma aliança firmada por nossos pais e avós, a união que eles sonharam por anos, nunca fomos desconhecidos um para o outro, somos amigos desde criança e nos conhecemos, o que faz tudo ser ainda mais intenso e profundo para nós dois… — iniciou ele, tentando encontrar as melhor palavras para formular seu discurso.
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  — Pare de rodeios, esse não é o %Giovanni% que conheço — interrompeu ela, já ficando agoniada com aquela dissertação.
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  Um breve minuto de silêncio, então, ele se virou para olhá-la nos olhos.
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  — A partir de hoje, não estaremos mais noivos — disse ele, direto e preciso.
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  %Clarice% sentiu aquelas palavras como uma adaga em seu coração, deixando-a estática.
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  — É por causa dela?! — indagou Tommaso, referindo-se à filha da empregada.
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  — Eu não quero magoá-la — continuou ele, tentando fugir da resposta.
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  %Giovanni% sempre encarou de frente suas responsabilidades e desafios, mas diante de alguém tão importante para ele, pela primeira vez não sabia como agir naquela situação. 
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  Era %Clarice% em sua frente.
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  — %Giovanni%, por favor, apenas diga a verdade — pediu ela, controlando sua raiva interna e frustração, pois sabia que esse assunto um dia chegaria para eles. — Você gosta da %Alice%?
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  A pergunta foi como um choque de realidade que Magnus não queria admitir. Gostar de %Alice% iria contra seus planos de infância, iria contra os acordos das famílias, iria contra os sentimentos de sua melhor amiga.
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  — Você é minha melhor amiga… — pronunciou-se ele após mais silêncio.
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  — E serei apenas isso, não é?! — perguntou ela, mantendo a firmeza no olhar, impedindo as lágrimas de surgirem. — Apenas amiga… Por que será que eu já imaginava isso… A forma como reagiu quando ela desapareceu.
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  — Não farei com você o que meu pai faz com a minha mãe — argumentou ele o ponto chave de sua decisão. — Eu não sei o que de fato sinto por ela, mas sabe dos meus princípios, não posso lhe entregar meu coração, estando com ela em meus pensamentos.
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  — Seu coração jamais seria meu, %Giovanni%. — %Clarice% respirou fundo. — Me deixe sozinha.
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  — Falarei com seu irmão, mesmo sem casamento, vou assegurar a aliança entre as famílias — garantiu ele ao se aproximar dela.
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  — Me deixe sozinha — pediu ela mais uma vez, dando um passo para trás, se afastando.
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  — %Clarice%… — Ele assentiu, sabia que aconteceria. — Me perdoará um dia?
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  — Somos melhores amigos, não somos? — Ela o olhou, enquanto controlava suas emoções, sentia sua garganta arder.
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  %Giovanni%, mantendo o olhar mais sereno, aproximou-se dela e deu-lhe um beijo no alto da cabeça. Aquela havia sido a decisão mais sensata sobre o assunto, desde que o anúncio do casamento saiu. 
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  Após ouvir o barulho da porta se fechando, %Clarice% permitiu a primeira lágrima escorrer por seu rosto.
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"I'm Miss American Dream since I was 17,
  Don't matter if I step on the scene”
  - Piece Of Me / Britney Spears

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Lelen

Eu não tava esperando esse término abrupto nesse momento não JASPDNAPOD
Assim, fico até orgulhosa do Giovanni por ele pelo menos se dar ao trabalho de tentar fazer as coisas certas, mas a primeira coisa que me passou pela cabeça foi: TU AINDA NÃO SUPEROU A ALICE? 😂 😂 (nem vai, né)
E eu jurava que a Clarice ia dizer pra irmã que ela na verdade estava apaixonada por outro, por isso que ela tava meio “assim” com o casamento com o Giovanni, mas ela continua apaixonadinha por ele ☹️ ☹️ ☹️ (ou será se é os dois? 🤔 )
E o Luigi tá crescendo na vida e no meu coração HASOIDNADOASNOD Eu toda errada, imaginando que ele não seria bacana o suficiente para se manter calado sobre o “desaparecimento” da Alice, mas o tempo passa e ele continua firme e forte, tô orgulhosa 🥰 🥰 🥰
Vincenzo tá aí se mostrando ligeiramente na jogada, mas já ganhou pontos porque ele presta atenção aos detalhes. É assim que se faz.

Pâms

Giovanni não superou e nem vai superar a Alice…

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