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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Mafia’s Paradise

Escrita porPams
Revisada por Lelen

10 • The Heirs

Tempo estimado de leitura: 32 minutos

Milão, verão de 2015

  A brisa fresca de um amanhecer de verão adentrava a sala de projetos da conceituada Politecnico di Milano, a universidade italiana referência em mobiliário no mundo, na qual a jovem Tommaso havia conquistado uma vaga no curso de Artes e Design, com foco em Design de Produto. Aquela era a paixão da jovem, que fora influenciada pela mãe desde criança a se encantar com o universo dos móveis contemporâneos. Sabendo desde o início qual caminho seguiria academicamente, não foi surpresa quando recebeu a carta de aceitação de sua universidade.
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  Retornar para casa foi sua melhor decisão com relação aos estudos.
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  — Tommaso. — A voz de um dos monitores soou da porta. — Ainda aqui?
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  — Andreas. — Ela manteve o olhar na prancha de desenhos ao respondê-lo, demonstrando concentração.
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  — A caloura do colegial querendo mostrar seu talento ao mundo — brincou ele, se aproximando com cuidado.
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  %Clarice% era um dos casos raros em que se iniciava a faculdade sem completar a idade certa, finalizando o ensino médio antes do tempo. A jovem era muito inteligente e esperta, conseguindo assim pular o último ano e avançar para o ensino superior.
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  — O que faz aqui, Riina? — perguntou ela, chamando-o pelo sobrenome, ao parar de desenhar e olhá-lo. — Pelo que sei, está bem longe das salas de T.I.
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  — Princesa, esqueceu que sou o monitor dos laboratórios e dos ateliês de desenho? — Lembrou ele, sua função importante ali. — Estava checando as salas e percebi que não devolveram a chave desta.
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  — Hum… — Ela deu de ombros e voltou a atenção para a prancheta em sua frente, retornando ao desenho. — Eu tenho autorização para usar a sala durante a madrugada e já estou finalizando isso aqui, então, pode ir.
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  — Que menina doida… — comentou o rapaz, com um tom de piada. — Passar a madrugada estudando, eu jamais faria isso.
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  — Você passa a noite jogando e eu não te critico — retrucou ela.
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  — Jogar é diversão — explicou ele, com orgulho de suas palavras.
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  — Hum… — Ela riu baixo. — Eu funciono melhor à noite, só isso.
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  — Assim que terminar, feche a sala e devolva as chaves — pediu ele, se afastando novamente e seguindo para a porta.
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  — Fique tranquilo, querido monitor, não vou te prejudicar — brincou ela, rindo baixo, traçando mais uma linha em seu desenho.
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  — Ah… Antes que me esqueça, você vai na festa do %Luigi% no final da semana? — perguntou Andreas, curioso.
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  — Sério que está me perguntando isso? — %Clarice% o olhou, dando a certeza de sua resposta em sua face serena.
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  Ela jamais faltaria em algum evento da mansão Magnus.
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  Riina saiu rindo. Mais alguns minutos em silêncio e concentração, até que ela finalizou o desenho em sua frente e, com cuidado, retirou a folha e a guardou no tubo. Recolhendo seus materiais para colocar na bolsa, o celular de %Clarice% tocou, fazendo-a atender enquanto caminhava em direção à recepção para devolver as chaves.
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  — Giorgia? — disse Tommaso ao atender.
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  — Bongiorno, amiga! — A voz da garota soou com entusiasmo.
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  — Já chegou na Itália? — indagou, surpresa pela ligação naquela hora da manhã. — Achei que seu voo chegasse no almoço.
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  — Sim, eu consegui adiantar — explicou a outra, tentando se conter na empolgação. — Estava ansiosa para te contar as novidades, para colocarmos o assunto em dia e saber como está minha amiga na faculdade.
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  — Eu estou muito bem, obrigada por se preocupar. — %Clarice% riu um pouco, ajeitando a bolsa no ombro e pegando o tubo em seguida. — E você? Animada para rever todo mundo no final de semana? Nossas férias de verão começam oficialmente com a festa do %Luigi%.
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  — Mas é claro que estou super animada, com meu coração a mil para vê-lo de novo. — contou Giorgia, soltando um suspiro bobo em seguida.
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  — Você ainda nutre essa paixonite pelo %Luigi%? — perguntou Tommaso, se preocupando com a amiga. 
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  Ao finalmente chegar à recepção, apenas mostrou as chaves ao atendente, e continuou com sua atenção à ligação, enquanto assinava o recibo de devolução.  
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  — Juro que tentei, mas depois que perdi minha virgindade com ele há dois anos, não consigo esquecê-lo — choramingou ela, sua realidade sentimental.
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  — Eu disse para não fazer isso. — %Clarice% soltou um suspiro cansado ao parar no centro do corredor, lembrando-se das muitas vezes que recebeu ligações da amiga, com desabafos regados a lágrimas.
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  Giorgia, para surpresa dos pais, havia escolhido seguir carreira médica para seu futuro acadêmico, por isso, agora seguia terminando o ensino médio em um colégio preparatório de Oxford. Morar em uma república se tornou a maior aventura que ela imaginaria viver longe de casa, ainda que soubesse que no próximo ano, seu tempo livre seria ocupado pelos estudos intensos que seu curso lhe exigiria.
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  — Não é tempo de repreensão, já temos dezessete anos e muitos erros para viver — brincou ela, soltando uma gargalhada maliciosa.
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  — Com quem você tem andado ultimamente? — %Clarice% não estava reconhecendo sua miga pelas palavras que ela pronunciava.
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  Dando impulso no corpo, Tommaso voltou a caminhar em direção à saída.
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  — Fiz algumas amizades com a elite de Oxford após me mudar para lá — contou Giorgia, voltando à animação. — Minhas colegas de república são bem animadas.
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  — Deu para sentir… — %Clarice% parou em frente ao seu carro e retirou a chave do bolso da calça pantalona que vestia. — Vou dirigir agora, terei que desligar.
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  — Nos vemos apenas no sábado, então? — indagou Giorgia, num tom desanimado.
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  — Eu passei a noite em claro, desenhando… Preciso dormir agora, mas se quiser, podemos fazer a noite das garotas — sugeriu, pensando em algumas programações noturnas. — Se ainda estiver no aeroporto, pegue um jatinho e venha a Milão.
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  — Gostei da ideia, te encontro onde? — perguntou a amiga, ao parar diante do táxi que iria pegar.
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  — Pub Del Fiore — disse convicta de que sua noite com a amiga seria divertida e cheia de aventuras.
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  — Me aguarde lá. — Assentiu ela, prontamente.
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  %Clarice% soltou uma risada boba ao encerrar a ligação, estava mesmo sentindo falta da amiga que antes tímida, agora não parecia nem um pouco a garota medrosa que não queria morar na Inglaterra sozinha. Assim que Tommaso ergueu a mão com a chave e apertou o botão para destravar o carro, uma mão masculina tomou as chaves dela, deixando-a surpresa.
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  — O que pensa que está fazendo?! — indagou ela ao homem que se colocou em sua frente.
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  — A senhorita passou a noite em claro desenhando, não possui capacidade motora para enfrentar o volante, então, não posso permitir que dirija neste estado — respondeu o homem com serenidade, mantendo o olhar fixo nela.
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  — Não o pago para que me dê sua permissão — reclamou a garota ao tentar retirar as chaves do carro das mãos do rapaz, sem sucesso.
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  — Claro que não, senhorita Tommaso — confirmou ele, calmamente —, eu sou pago pelo seu pai para garantir sua proteção, principalmente de si mesma.
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  %Clarice% bufou, ao sentir uma ponta de sarcasmo vindo dele. 
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  — Do que está falando? Eu jamais me colocaria em risco, senhor Salvatore — retrucou ela, deixando sobressair seu olhar empoderado.
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  — Por isso, a senhorita não se importará em entrar no banco de trás. — Ele abriu a porta de imediato para que ela entrasse.
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  %Clarice% respirou fundo, controlando sua raiva. Estava cansada demais para discutir com seu novo segurança e precisava de horas de sono para aplacar a dor de cabeça que sentia há horas. Assentindo, ainda contrariada, ela adentrou o carro e ajustou o cinto de segurança. Para a jovem, não havia necessidade de ter um segurança vinte e quatro horas a vigiando, porém, este havia sido um acordo feito com o pai, em troca de seu direito a escolha pelo curso de graduação.
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  Para sua surpresa, o funcionário recém-contratado seguia demonstrando completa eficiência e profissionalismo, principalmente na parte em que entregava um detalhado relatório diário ao chefe Elio Tommaso, de todos os passos da filha. Se o objetivo de %Vincenzo% Salvatore era irritar a princesinha de Milão e ganhar a confiança do chefe, ele certamente estava no caminho certo.
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  %Clarice% nunca teve problemas em escolher uma roupa de acordo com a ocasião, suas noções de moda sempre foram de causar inveja na irmã mais nova, e arrancar elogios da mais velha. Após menos de um minuto se encarando no espelho como se estivesse se imaginando com os possíveis looks do closet, ela escolheu um leve vestido floral para aproveitar a brisa fresca da estação, uma sandália nos pés e a bolsa da Colcci, já equipada com o biquíni que comprou em sua última visita a Paris. Com os óculos de sol nas mãos e o celular na outra, saiu do quarto e seguiu pelo corredor em direção às escadas para chegar ao hall de entrada da mansão. 
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  Uma perfeita princesa da máfia pronta para aproveitar seu primeiro dia de férias de verão com os amigos. No meio do caminho, seu iphone vibrou indicando uma mensagem de Giorgia. Uma risada boba, por saber o quão ansiosa a amiga estaria naquela manhã, a fez lembrar da reunião do grupo para celebrar o aniversário de casamento de Paolo Gasparri e Serena Gasparri, padrasto e mãe das gêmeas Angela e Teresa.
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  “Você ainda vem me buscar, amiga?
  Estou te esperando…
  Ahhh… 
  Você já acordou?
  queen, não esquece de mim.”

  Ela esperou mais alguns minutos até começar a digitar a resposta, sabendo muito bem o real motivo da ansiedade de Giorgia.
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Já estou a caminho.

  Em um sábado ensolarado, %Luigi% havia convidado o grupo de amigos para um banho de piscina regado a diversão e um impecável desjejum preparado por Carmen, a melhor cozinheira do mundo, segundo a família Magnus. Após meses focados em suas respectivas responsabilidades universitárias ou colegiais, precisavam mesmo iniciar as férias de verão em grande estilo. Com todos vivendo a fase pré-adulta de suas vidas e espalhados pelo mundo, mesmo com a aproximação da tecnologia, os dias não eram os mesmos com a elite dos herdeiros da máfia separados.
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  Apenas Clarisse e Andreas haviam retornado para casa, escolhendo uma universidade italiana para cursar. Giorgia mantinha seu foco em Oxford; já as gêmeas Gasparri, após finalizarem os estudos no colégio Constance, pretendiam seguir a carreira da moda, na Parsons School of Design em Manhattan. Robert havia optado por seguir o caminho do pai, na área comercial, iniciando o curso de marketing na Yonsei University, uma indicação de sua namorada coreana.
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  Quanto aos irmãos Magnus… %Luigi% seguia bem longe dos olhos carrascos de seu pai, sua escolha pelo curso de design na mesma universidade de %Giovanni% havia sido uma surpresa para a família, principalmente para o irmão mais velho. O caçula, como um bom Magnus, tinha seus segredos e talentos escondidos, e desenhar era um deles. Claro que inicialmente o pai se opôs, o que rendeu duas noites de recuperação no hospital, após um grito de clemência por parte do irmão mais velho.
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  Já %Giovanni%, o bom filho, seguia para a conclusão de seu curso de administração na cidade de Cambridge, em Harvard University, como esperado e sonhado pelos pais. Em seu último ano acadêmico, tinha que dividir suas preocupações entre os estudos, os negócios da família, a especialização que faria em Florença, dentre outras coisas. Todas, sempre ficando em segundo plano, quando seus pensamentos eram invadidos pela imagem de %Alice% e o gosto do beijo proibido. A filha da empregada que lhe causava constantes insônias.
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  — Sobrinha querida! — Marcella deixou seu tom surpreso sobressair, ao ver %Clarice% descendo as escadas. — Acordada tão cedo?
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  — Bom dia para a senhora também, titia. — %Clarice% forçou um sorriso gentil para ela, por obrigação e aparência. — Impressionada estou eu, por vê-la em casa numa manhã de sábado.
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  Para a menina, a tia nunca lhe convenceu com aquele jeito falso de se preocupar com os sobrinhos e fingir uma dedicação que nunca existiu. Ela sabia, pelos muitos comentários soltos dos empregados, que Marcella sempre foi apaixonada pelo patriarca Tommaso, sentindo-se frustrada por ele ter desposado a falecida irmã em seu lugar.
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  — E onde mais eu estaria? — indagou a tia, curiosa pelas palavras da sobrinha.
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  — No clube do livro, é claro — respondeu %Clarice% com serenidade, fazendo-a se lembrar do nobre compromisso das senhoras da elite.
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  A Concetto di Libro, como era denominada a associação das mulheres da elite da região da Toscana, promovia todos os sábados de manhã uma reunião com suas membras para discutir e compartilhar ideias para os mais importantes eventos da região, já que a maioria das senhoras associadas eram de famílias da máfia, mulheres de políticos ou grandes empresários.
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  — Pelo que sei, a senhora é a dama que representa nossa família. — O tom de ironia escorreu com suavidade na voz da menina, não negando sua irritação pela permanência da tia naquela casa.
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  Era difícil para %Clarice% esquecer das muitas vezes que presenciou, escondida, a tia humilhar sua mãe doente, dizendo que tomaria seu lugar após a morte de Franci.
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  — Ah sim… Nosso encontro de hoje precisou ser cancelado, já que nossa presidente está em viagem. — Marcella deu um sorriso fraco como forma de descontrair o ambiente. — E você, querida, estava indo aonde?
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  — Tenho um compromisso, mas diga ao papai que estarei de volta a tempo para o jantar. — %Clarice% ajeitou a bolsa no ombro e se dirigiu até a porta.
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  Em frente à casa, Vicenzo, já a aguardava prontamente ao lado de sua moto. Após dar as devidas orientações ao homem, lhe informou que passaria primeiro na casa da amiga, entrou no carro e deu a partida. Foram necessários quinze minutos para que finalmente Giorgia respirasse com mais tranquilidade ao vê-la, já Tommaso, se mantinha serena e tranquila como de costume.
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  — Me desculpe pela chuva de mensagens, mas você sabe que eu sou mega ansiosa — disse ela, ao entrar no carro, já se defendendo do olhar de Tommaso.
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  — Eu não disse nada. — %Clarice% segurou o riso, observando-a colocar o cinto de segurança.
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  — Mas seu olhar me condena — reclamou a amiga, ao terminar de se acomodar. — Então… Você não me contou toda a fofoca no nosso encontro no pub.
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  — Defina qual fofoca? — %Clarice% murmurou não entendendo a pergunta.
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  — Sua irmã… Como estão as coisas? Você disse que a visitou há pouco tempo — indagou Giorgia, que acompanhava a triste novela da vida de Diana. — Sabe que pode compartilhar comigo, eu pelo menos sei guardar segredo, ao contrário das gêmeas. — %Clarice% soltou uma gargalhada boba.
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  — Você não gosta mesmo delas, não é? — perguntou Tommaso, dando a partida novamente.
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  — Claro que não, são oferecidas e não possuem classe e nem discrição. — Ela bufou um pouco ao lhe passar uma lembrança aleatória envolvendo uma das irmãs.
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  Uma cena devastadora para Giorgia, em que %Luigi% estava em movimentos intensos com Teresa, na adega de sua mansão, em pleno dia de ação de graças. Uma cena que causou náuseas na garota apaixonada, que se sentiu com o coração partido.
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  — Bem, você precisa dar um jeito de se acostumar com elas. — Tomasso se inclinou um pouco mais no banco e voltou o olhar para o retrovisor, observando seu segurança seguindo-as de moto. — Já deveria, para ser honesta.
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  — Só porque a mãe delas se casou com o encantador Paolo Gasparri — um suspiro surgiu da adolescente, como se contemplasse o homem em sua mente por alguns segundos, então voltando a realidade —, não quer dizer que elas tenham o direito de fazer parte do nosso grupo, elas nem nasceram em berço de ouro.
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  — Acho que nessa altura do jogo, não tem importado mais quem nasce ou não, todos somos peões nesse tabuleiro — sussurrou %Clarice%, de forma enigmática, ao se lembrar da situação da irmã.
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  — O que você disse? — Giorgia a olhou confusa.
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  — Nada Gia, só foram meus devaneios. — %Clarice% riu baixo ao ver a amiga revirar os olhos, continuando seu monólogo sobre como as gêmeas Gasparri não tinham o direito de serem da elite.
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  Ao chegarem na mansão Magnus, foram recebidas prontamente pela governanta, senhora Gertrudes Vernice, que as guiou até o jardim que já estava movimentada pelos convidados. Logo que Tommaso entrou no campo de visão do caçula Magnus, %Luigi% se afastou dos inseparáveis amigos e caminhou até ela, com um sorriso largo no rosto.
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  — Achei que não viesse mais — disse ele ao parar em frente à amiga com um brilho discreto nos olhos —, senhorita atrasada.
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  — Eu nunca estou atrasada. — Ela se aproximou do rapaz com descontração e o abraçou, beijando seu rosto em seguida. — Simplesmente sou dona dos meus horários.
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  — E do meu coração — afirmou %Luigi% em um tom de brincadeira, mas com um fundo de verdade, ignorando completamente a presença de Giorgia ao lado da amiga.
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  %Clarice% riu de leve, levando na brincadeira as palavras dele. Entretanto, para a amiga ao lado, era frustrante que o homem a quem entregou seu coração no aniversário de quinze anos, nem mesmo lhe desse a atenção de anfitrião. Para %Luigi%, aquela havia sido apenas mais uma noite de prazer com uma garota inocente que decidiu, erroneamente, usar sua pureza para conquistá-lo.
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  — Diz isso para todas, com certeza — brincou %Clarice%, tentando suavizar o ambiente.
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  — Não para todas, apenas para as que já tem dono. — A voz de %Giovanni% soou atrás dela, fazendo o corpo da garota arrepiar de leve com a entonação dele.
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  Logo, ela sentiu as mãos do primogênito tocarem sua cintura, assim como a aproximação de seu corpo.
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  — Está atrasada — sussurrou %Giovanni%, no ouvido de %Clarice%.
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  — Eu nunca estou atrasada. — Ela se virou para o rapaz, com um sorriso sutil. — Estou no meu horário.
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  — Olha o estraga prazeres… — %Luigi% bufou um pouco, revirando os olhos pela presença do irmão.
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  Já estava irritado o suficiente pelo primogênito ter se intrometido em sua brincadeira com uma das novas empregadas da casa, agora estava ainda mais frustrado por saber que o favorito certamente seria o assunto e centro das atenções da sua festa na piscina, pois já estava em seus preparativos finais para assumir oficialmente o lugar do pai.
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  — Deveria ser mais educado, %Luigi%, afinal, minha noiva não chegou sozinha. — %Giovanni% piscou de leve para %Clarice%, então voltou a atenção para a menina ao seu lado. — Buongiorno, Giorgia.
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  — Buongiorno, Magnus — disse a garota, ainda estática com toda a cena, tentando esconder sua frustração.
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  Giorgia Moretti era filha do dono da maior transportadora do país, que prestava serviços terceirizados de envios e entregas para todos os negócios da máfia. Com isso, sua família foi ficando cada vez mais valorizada entre a realeza da Toscana. Mas é claro que alguns ainda não os viam com bons olhos e nem os tratavam com o respeito que mereciam, ainda que fossem nobres entre a elite. Entretanto, a jovem, ainda que soubesse do caráter duvidoso de %Luigi% e sendo visivelmente desprezada por ele, mesmo após sua entrega precipitada de dois anos atrás, continuava a persistir em manter sua fascinação pelo caçula Magnus.
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  — Fiquem à vontade. — %Luigi% deixou seu rosto com a expressão mais séria, não escondendo a insatisfação da presença do irmão, e se afastou voltando para onde seus amigos estavam.
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  — Eu vou cumprimentar os outros — disse Giorgia, se apressando para se afastar deles e correr atrás do anfitrião.
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  Naqueles poucos segundos, %Clarice% manteve sua atenção em %Giovanni%, que seguia com serenidade seu olhar para o irmão ao longe.
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  — Você realmente não facilita para ele — comentou ela, fazendo-o olhá-la.
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  Era aquele olhar misterioso e profundo, que lhe causava devaneios.
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  — Por que eu deveria facilitar? — indagou %Giovanni%, mantendo seu habitual tom sério, porém, o rosto sereno.
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  — %Luigi% só estava brincando… Para ser honesta, ele gosta de te provocar. — Tommaso riu baixo, lembrando das muitas vezes que o cunhado se declarou para ela.
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  — Infelizmente, meu irmão tem um péssimo hábito de sempre querer aquilo que não pode ter — explicou o mais velho, o ponto chave, contudo, internamente ele também carregava aquela frase para si, sempre que lutava contra seus pensamentos relacionados à %Alice%.
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  — Virei um objeto agora?! — A garota deu um passou para trás, encarando-o com a sobrancelha direita arqueada.
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  — Você quer ser um? — retrucou ele, ainda com as mãos em sua cintura, puxando-a de volta, beijou seu pescoço e sussurrou. — Tommaso…
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  — Pare de me provocar… — Ela brincou de dizer a verdade, rindo de nervoso, ao empurrá-lo novamente com mais sutileza. — Vamos esquecer isso e aproveitar o dia? Ansioso pelo seu último ano da faculdade?
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  — Eu ainda não… — Ele respirou fundo ao desviar o olhar rapidamente para a empregada Lídia, servindo os convidados.
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  Por um breve momento seus pensamentos se transportaram para o dia em que a filha da empregada lhe salvou na piscina, e seu olhar que lhe causava ainda mais conflitos internos. Um momento de sua vida que não conseguia entender se desejava esquecer ou eternizar.
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  — Você ainda… — A voz de %Clarice% o despertou a atenção. — Está tudo bem?
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  — Claro que sim… Apenas algumas preocupações bobas — explicou %Giovanni% com uma desculpa eventual.
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  — E meu noivo vai ficar me monopolizando assim? Ou posso cumprimentar nossos amigos? — indagou Tommaso, de forma provocante, ao envolver seus braços no pescoço do rapaz.
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  — Bem… — Ele lançou um olhar sugestivo, espantando seus pensamentos inoportunos. — O que vou ganhar dividindo sua atenção com os outros?
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  — Hum… — Ela se aproximou mais um pouco e o beijou de leve.
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  Por mais que %Clarice% fosse racional e inteligente, ela havia se deixado levar pelos acordos familiares com as circunstâncias da vida, permitindo a seu coração criar sentimentos por %Giovanni%. Ambos estavam prometidos um ao outro, antes mesmo da garota nascer, após o anúncio de que seria mais uma menina para a família Tommaso. Afinal, o sonho dos amigos Elio e Francisco sempre foi unir as famílias em um laço forte de matrimônio, e como Diana era mais velha que o primogênito Magnus, havia ficado para a bela %Clarice% a missão de se casar com o favorito.
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  — Confesso que estou ansiosa para seu retorno definitivo para casa — comentou ela ao se afastar do noivo, mordiscando seu lábio inferior. — Assim poderemos começar a planejar o casamento.
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  — Achei que quisesse esperar até a sua formatura. — Magnus manteve a serenidade no olhar.
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  — Meu pai vem falando muito no assunto, e… Além do mais — ela suspirou levemente —, não vá pensando que ficarei atrás de você o tempo todo, te esperando — alertou ela ao segurar mão dele e começar a andar.
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  — Não se preocupe, querida, sabe que eu sou o ciumento da relação — brincou %Giovanni%, arrancando algumas risadas dela.
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  %Clarice% assentiu ainda rindo, voltando a atenção para o grupo de amigos que conversava mais à frente. Mesmo com o dia ensolarado, a brisa do outono tornou tudo ainda mais leve e descontraído, com conversas aleatórias e mergulhos na piscina.
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  Após desfrutar da farta mesa do desjejum, %Clarice% e Giorgia trocaram suas roupas no quarto de hóspedes em risos e comentários pontuais.
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  — Giorgia, um conselho de amiga… — %Clarice% voltou para seu reflexo no espelho, observando a vaidade dela. — Qualquer vislumbre de esperança, não alimente… O %Luigi% é bem complexo de entender e mais ainda de se insistir.
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  — Ele sempre se mostrou bem cavalheiro com você — retrucou ela, tentando criar um argumento, falhando miseravelmente.
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  — Ele me trata assim porque somos amigos desde criança, crescemos juntos e sou a noiva do irmão dele — explicou Tommaso, para clarear a mente da amiga. — Você já viu a forma com que ele descarta as garotas com quem fica? Você já sofreu isso e, sinceramente, não quero que continue com esse sentimento masoquista.
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  — Mas eu não consigo ficar longe… Ele é tão fofo, com aqueles olhos de cachorro sem dono. — Giorgia se sentiu internamente derretida. — Como pode alguém assim ser tão frio e grosso?!
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  — Quanto mais se apanha da vida, mais resistência a sentimentos você cria — disse Tommaso, mais uma vez em sua forma enigmática, sabendo dos muitos ocorridos nos porões daquela mansão.
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  — O que você quis dizer com isso? — indagou a amiga.
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  — Nada. — %Clarice% respirou fundo, reunindo mansidão. — Apenas se cuide. 
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  Giorgia assentiu prontamente e se retirou primeiro do quarto. Ela estava parcialmente chateada por %Luigi% ter criado mais proximidade com Angela, a gêmea mais velha, causando-lhe um pequeno sentimento de ciúmes.
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  Ainda no quarto, %Clarice% dobrou suas roupas e deixou ao lado da bolsa em cima da cama, então, saindo para o corredor, notou que a porta do quarto de %Giovanni% estava entreaberta. Se aproximando mais um pouco, ela o viu um pouco desnorteado com seus próprios pensamentos internos, algo que o fez socar a porta do closet.
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  — Majestade… — A voz de %Clarice% soou com leveza, enquanto ela adentrava o espaço com o olhar preocupado para ele. — Algum problema?
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  — Me deixe sozinho — pediu ele num tom áspero, sentindo sua garganta arder como se um grito estivesse preso dentro dele.
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  — Eu não vou. — Ela fechou a porta e caminhou até o banheiro para encontrar a caixa de primeiros socorros.
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  Assim como %Luigi%, ela também conhecia o mais velho muito bem para saber que se ele ficasse sozinho, poderia se machucar ainda mais. %Clarice% conhecia cada centímetro daquela casa, desde o sótão até as passagens secretas no escritório e na adega. Sua infância foi em partes na casa dos amigos de seu pai, que o apoiou com muito afinco, principalmente após a morte de sua mãe.
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  — Me deixe cuidar de você — disse ela, ao tocar em sua mão ensanguentada e o guiar até a cadeira para se sentar.
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  — Eu estou bem, não deveria… — Ele tentou questionar.
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  — Pare de me expulsar, %Giovanni%, ainda falta algum tempo, mas já somos noivos — explicou ela, abrindo a caixa e pegando o algodão. — Um dia serei a sua esposa, então, é melhor treinar agora.
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  — Não entendo como consegue — comentou o mais velho, impressionado com a garota a sua frente.
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  — Como consigo, o que? — indagou %Clarice%, curiosa, mantendo o olhar atento na ferida do rapaz.
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  — Ser gentil com os herdeiros mais problemáticos da máfia. — %Giovanni% deixou sua voz mais suave, num tom descontraído.
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  — Você e o %Luigi% são as pessoas mais complexas e difíceis de decifrar que eu conheço, o que me leva a não entender o porquê sempre se machucam quando estão com raiva, mas… — declarou ela, abertamente. — Aprendi a gostar de vocês, exatamente como são.
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  — Não acho que deveria gostar do meu irmão — brincou %Giovanni% de forma debochada e sarcástica —, mas quanto a mim, não deveria me amar? Minha noiva.
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  — Vou te amar apenas após o casamento — assegurou ela, com confiança. — Não quero sofrer por antecipação.
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  — Racional como sempre — sussurrou ele, fazendo-a rir.
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  Assim que ela terminou de colocar o curativo, seu olhar singelo se voltou para ele ao sentir as mãos de %Giovanni% deslizar por sua cintura.
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  — Não vai mesmo me contar suas preocupações? — insistiu ela, sabendo que tinha algo mais sério por trás do surto de raiva.
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  — Não são importantes. — Magnus encostou de leve sua cabeça na barriga dela, logo sentindo-a acariciar seus cabelos.
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  — Então, vai entrar na piscina comigo? — retrucou %Clarice%, tentando sutilmente detectar a causa.
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  — Não gosto muito dessas programações — brincou o rapaz.
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  — %Giovanni%, não me diga que ainda tem medo da água?! — Ela se mostrou surpresa. — É por isso que está assim?
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  — Claro que não. — Ele se levantou da cadeira e se afastou dela, não queria dizer o real motivo, mas também não mentiria.
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  — Então o que é?! O que te fez ficar assim? — A garota apontou para a mão dele com o curativo.
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  %Clarice% sabia muito bem os limites entre a amizade e o compromisso que ambos tinham com suas famílias. Ela sabia que no nível de hierarquia patriarcal da máfia, o papel da mulher era sempre cumprir com seus deveres de boa filha e futuramente dedicada esposa, sem jamais confrontar a autoridade da família. Entretanto, seu gênio forte não lhe permitia abaixar a cabeça para tudo.
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  — Posso apenas não dizer o que é?! — O olhar de %Giovanni% se voltou para ela, visivelmente segurava suas emoções, de raiva e frustração. — Não quero brigar com a minha melhor amiga.
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  — Não vai. — Ela deixou surgir um sorriso singelo e acolhedor em sua face, então se aproximou dele e o abraçou apertado.
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  Por mais que %Giovanni% não se abrisse para ela, tanto quanto o irmão, ela sabia que havia uma grande pressão sobre os ombros do primogênito que nem mesmo %Luigi% conseguiria carregar. Ser o preferido não era exatamente um privilégio que lhe trazia o poder da liberdade, mas, assim como todos, também havia um alto preço a ser pago. 
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  O preço da perfeição.
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Deixe-me ser sua soberana (soberana)
  Você pode me chamar de abelha-rainha
  E, amor, eu vou reinar (vou reinar, vou reinar)
  Deixe-me viver essa fantasia.
  - Royals / Lorde

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Lelen

Eu tenho uma relação de amor e ódio com a Clarice também HELP ASOPNDAPSOD
Acho que porque ela é riquinha eu pintei ela como as patricinhas mimadas no começo, agora tá difícil de desfazer dessa imagem, SOCORROOOO ASOIDANDOPASD
Assim, mesmo que fosse o esperado esse noivado, eu tô meio assim, né. Coitada da Clarice, criando sentimentos pelo moço e ele lá querendo outra pessoa. Aliás, o que rolou pro Giovanni ficar todo p da vida do nada? oshi, menino, tá doido? 🤨 🤨 🤨
Bom, vamos ver como vai ficar a minha situação com o Giovanni de agora em diante, né, eu preciso desapegar do moço (tô sentindo que ele pode ir pelo mesmo caminho do pai, aí nós teremos um grande problema, senhor futuro chefe)
E hoje, lendo a parte do Luigi, de repente eu pensei no personagem Prospero (Perry) – da série A Queda da Casa de Usher – na personalidade. Espero que Luigi não tenha o mesmo fim do personagem (credo, não vai ter não kkkk) e ele encontre a felicidade <3
Doida pra ver o papel do “Vincenzo” aqui e apareça, Nicolai.
QUERO MAIS, TÔ ESPERANDO.

(PS: vou confessar que no começo eu shippava Clarice e Luigi 🤓 )

Pâms

Clarice e Luigi é o shipp errado que sempre tem nas histórias kkkkkkk

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