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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Infinito

Escrita porLysse
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo III • Azul & Verde

Londres.

  Se existe um fim, ela desejava conhecer. Aquele fim daquela vida miserável... No entanto, as luzes rotativas das viaturas cortavam a névoa britânica, misturando o azul forte das sirenes com o verde musgo das paredes do edifício residencial de alto padrão.
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  %Gabriel% Blackwood estacionou o carro descaracterizado a poucos metros dali e jogou a ponta do cigarro no asfalto molhado. O vento frio de Londres trazia o som distante de mais ambulâncias, mas sua mente estava fixa na mensagem de Joseph Blatter. Um parlamentar influente como Richard Turner morto na mesma noite que o massacre no Hell's significava que o "Novo Jack" estava mandando um recado direto para a elite da cidade.
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  Cruzando a fita amarela de isolamento policial, %Gabriel% avistou Blatter perto da entrada principal do edifício.
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  — Blatter! — chamou %Gabriel%, ajeitando o distintivo na cintura. — Cadê o corpo?
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  — No apartamento do último andar, Blackwood — respondeu Joseph Blatter, apontando com a cabeça para um carro preto que acabara de estacionar abruptamente do outro lado da rua, cantando os pneus na calçada úmida. — Mas temos companhia. Aquela ali é %Elizabeth% McQueen. A família dela tem ligações profundas com os negócios e o passado de Turner. E ela não parece disposta a esperar o cordão de isolamento.
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  %Gabriel% ergueu os olhos no exato momento em que a porta do veículo se abria.
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  No segundo em que os olhos de %Gabriel% pousaram na jovem, o mundo ao redor pareceu perder o som por um instante. Ela tinha cabelos arruivados que caíam em mechas desalinhadas pelo rosto pálido, mas foram os intensos olhos verdes que fizeram o estômago do detetive revirar de forma violenta. Uma sensação sufocante de déjà vu atingiu %Gabriel% na base do crânio. Uma imagem rápida e desconexa piscou em sua mente: o cheiro de pólvora, terra molhada e um campo de batalha antigo. Ele sacudiu a cabeça, irritado com o próprio delírio. Ele nunca a tinha visto antes; era o seu primeiro encontro absoluto com ela.
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  Atrás dela, dois homens altos — Anthony e Simon — desembarcaram com posturas rígidas, quase militares, guardando as costas da garota.
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  %Elizabeth% caminhava em direção à fita com uma urgência frenética, sem respirar direito, os nós dos dedos brancos de tanto nervoso. Ela estava tão focada no cordão policial que quase esbarrou no homem de cabelos escuros que bloqueou seu caminho.
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  — Senhorita, dê um passo para trás, por favor — a voz de %Gabriel% saiu grave, assumindo o tom profissional de sempre, embora o olhar dele continuasse preso ao dela. Ele exibiu o distintivo. — Detetive %Gabriel% Blackwood, Scotland Yard. Esta área está isolada.
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  %Elizabeth% parou de chofre. Olhou para o distintivo e, depois, subiu os olhos para o rosto do detetive. No instante em que os olhares se cruzaram diretamente pela primeira vez, uma onda de choque invisível pareceu passar entre os dois. Para ela, aquele homem era um completo estranho, um policial de Londres interrompendo seu caminho. Mas, no fundo de sua alma, o perfume de tabaco e a rigidez da postura dele dispararam um alarme silencioso.
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  — Eu preciso entrar, detetive... Blackwood — ela disse, a voz trêmula pela adrenalina, mas sustentando o sobrenome dele com firmeza. — Eu sou %Elizabeth% McQueen. Richard Turner era um amigo próximo da minha família. Me disseram que o Leonard encontrou o corpo... eu preciso ver como ele está.
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  — Senhorita McQueen — %Gabriel% pronunciou o sobrenome aristocrático com cautela, cruzando os braços. A proximidade permitiu que ele sentisse o perfume amadeirado e floral dela. — O seu irmão Leonard está prestando depoimento lá dentro e está seguro. Mas o cenário lá em cima não é para civis. O assassino deixou uma assinatura bem específica.
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  Antes que %Elizabeth% بتوان de protestar, o celular de %Gabriel% no bolso da jaqueta acendeu a tela por um breve segundo através do tecido entreaberto. Por puro reflexo, %Elizabeth% olhou para baixo e viu a foto que Ivy havia mandado do Hell's: o saco plástico forense contendo o pingente com o pentagrama e a Fênix.
  O ar faltou nos lumens de %Elizabeth%. Aquela era a exata marca que ela passara as últimas semanas pintando em suas telas com pinceladas raivosas, sem saber o porquê. %Gabriel% notou o exato momento em que os olhos verdes dela se arregalaram e a cor sumiu completamente de seu rosto.
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  — Você... você reconhece esse símbolo? — %Gabriel% perguntou instantaneamente, estreitando os olhos, a mente de investigador disparando em alerta absoluto.
  %Elizabeth% engoliu em seco, percebendo que quase se entregara no primeiro minuto de conversa com o detetive.
  — Não — mentiu ela, a voz saindo quase como um sussurro, enquanto Anthony e Simon davam um passo à frente, tencionando os músculos para protegê-la. — Eu não conheço. Eu só... estou apavorada pelo meu irmão. Leonard é meu irmão gêmeo. Detetive, nós somos gêmeos... eu sinto quando algo está errado com ele, e eu sei que ele está correndo perigo. Por favor, me deixe subir.
  %Gabriel% estacou. Gêmeos. Isso explicava por que ela havia cruzado a cidade de madrugada de forma tão frenética. Olhando para a jovem McQueen, o detetive sentiu uma pontada incômoda de empatia. Havia um elo ali que ele não conseguia decifrar, mas que gritava por sua atenção.
  — Ele está bem, Senhorita McQueen. Está no saguão, longe do apartamento — %Gabriel% respondeu, sua voz suavizando um tom, embora mantivesse a postura firme. — Mas se o que você diz é verdade... você e seu irmão gêmeo estão oficialmente envolvidos no caso mais perigoso de Londres. E eu vou precisar de respostas verdadeiras.
  %Elizabeth% recuou um passo, percebendo que a perspicácia de Blackwood a estava encurralando. Antes que %Gabriel% pudesse fazer mais perguntas, o som de pneus cantando no asfalto molhado chamou a atenção de ambos. O carro esportivo de %Nicholas% estacionou abruptamente logo atrás.
  %Nico% desceu em um rompante. Seus 1,89m de altura e a expressão severa de quem sabia exatamente o tamanho do perigo cortaram a névoa da madrugada. Ele viu %Elizabeth% sendo encurralada pelo detetive e caminhou a passos largos na direção deles, os olhos castanhos fixos em %Gabriel% Blackwood.
  %Nicholas% cortou a distância entre eles com passos firmes, sua imponência de 1,89m projetando uma sombra protetora sobre %Elizabeth%. Anthony e Simon imediatamente abriram espaço, reconhecendo a autoridade de %Nico%. Ele se colocou exatamente entre a jovem McQueen e o detetive Blackwood, quebrando o contato visual intenso que mantinha os dois magneticamente presos um ao outro.
  — Há algum problema aqui, detetive? — a voz de %Nicholas% ecoou profunda, carregada de uma frieza aristocrática que velava o verdadeiro pânico que rugia em seu peito. Seus olhos castanhos cravaram-se nos de %Gabriel% com um desafio silencioso.
  %Gabriel% deu um meio passo para trás, avaliando o recém-chegado. O distintivo em sua mão ainda captava o reflexo das sirenes azuis e verdes. A mente afiada do investigador da Scotland Yard imediatamente catalogou o homem à sua frente: %Nicholas%, o irmão mais velho cujo currículo de Cambridge e filantropia vinham acompanhados de uma reputação intocável.
  — Nenhum problema, senhor... %Nicholas%, presumo — %Gabriel% respondeu, mantendo o tom de voz rigidamente profissional, embora sua intuição policial estivesse em alerta máximo. — Apenas explicando à Senhorita McQueen que este é um perímetro fechado de homicídio. E que o comportamento dela diante das evidências foi, no mínimo, incomum.
  %Nico% sentiu um arrepio na espinha, mas não permitiu que um único músculo de seu rosto se movesse. Ele olhou de relance para %Elizabeth%, percebendo quão pálida ela estava, e então voltou sua atenção para o policial.
  — A minha irmã acabou de saber que um amigo próximo da família foi brutalmente assassinado. Além disso, o irmão gêmeo dela está lá dentro, sendo interrogado após encontrar o corpo — %Nicholas% retrucou, estreitando os olhos. — Acho que qualquer ser humano demonstraria um comportamento incomum diante disso. Nós não temos nada a declarar e, se o Leonard já terminou de prestar depoimento, nós vamos levá-lo para casa agora.
  — O caso mudou de figura, %Nicholas%. Não estamos lidando com um crime comum — %Gabriel% deu um passo à frente, diminuindo a distância e abaixando o tom de voz, tornando a conversa perigosamente íntima. — Richard Turner foi executado pelo mesmo maníaco que transformou o Hell's em um abatedouro há poucas horas. E a sua irmã reagiu a uma marca celta que pouquíssimas pessoas em Londres conhecem.
  %Nicholas% segurou o fôlego por uma fração de segundo. "O Hell's. Símbolos celtas. A Fênix." O diário de Charlotte e a promessa de 1786 estavam cobrando o seu preço de sangue mais rápido do que imaginavam. O passado estava colidindo com o presente, e aquele detetive de olhos escuros estava prestes a cavar fundo demais.
  — %Elizabeth% não sabe nada sobre marcas ou assassinos, detetive Blackwood — %Nico% mentiu com perfeição, embora seu coração estivesse acelerado. Ele colocou a mão espalmada nas costas de %Elizabeth%, guiando-a sutilmente para trás. — Simon, leve a %Elizabeth% para o carro. Eu vou entrar no saguão para buscar o Leonard.
  %Gabriel% observou a movimentação, sabendo que não tinha base legal para detê-los ali — ainda não. Ele guardou o distintivo no bolso da jaqueta de couro e cruzou os braços, a garoa de Londres molhando seus cabelos escuros.
  — Vocês podem ir agora, %Nicholas% — %Gabriel% disse, sua voz saindo quase como uma promessa sombria enquanto %Elizabeth% se afastava sob a guarda de Simon. — Mas avise aos gêmeos McQueen para não limparem as agendas. Eu vou até a residência de vocês pela manhã. Nós temos muita história para conversar.
  Simon assentiu prontamente com a cabeça, movendo-se como uma barreira física entre a jovem e o olhar atento de Blackwood. Sob o toque firme da mão de %Nicholas% em suas costas, %Elizabeth% deu os primeiros passos para trás, sentindo as pernas trêmulas. O asfalto molhado brilhava sob os reflexos das sirenes, e cada passo dado para longe do detetive parecia exigir um esforço monumental de sua parte. Ela não olhou para trás, mas conseguia sentir os olhos escuros de %Gabriel% queimando suas costas através da névoa.
  %Nico% não perdeu tempo. Com passos rápidos e decididos, ele cruzou a fita amarela e entrou no saguão espelhado do edifício, interceptando Leonard antes mesmo que os policiais terminassem de recolher sua assinatura no termo de depoimento. O irmão gêmeo de %Elizabeth% estava com o semblante desfeito, as mãos ligeiramente trêmulas, mas o olhar firme de %Nico% foi o suficiente para fazê-lo engolir o pânico. Sem dar espaço para novas perguntas dos oficiais presentes, %Nicholas% segurou Leonard firmemente pelo braço e o guiou em direção à saída.
  Do lado de fora, a porta do carro preto já estava aberta. Anthony mantinha a guarda da calçada enquanto Simon ajudava %Elizabeth% a se acomodar no banco de trás. No instante em que %Nicholas% e Leonard despontaram na portaria, o grupo se moveu com precisão milimétrica. Leonard deslizou para o interior do veículo ao lado da irmã gêmea, e %Nicholas% assumiu o banco do carona na frente.
  Antes de fechar a porta, %Nico% olhou uma última vez na direção do isolamento policial. %Gabriel% Blackwood continuava parado exatamente no mesmo lugar sob a garoa fina, com os braços cruzados, observando cada movimento deles como um predador calculando a distância de sua presa.
  O motor do veículo roncou alto, cortando o silêncio tenso da madrugada britânica. Conforme o carro acelerava e ganhava as ruas desertas de Londres, deixando o brilho azul e verde das viaturas para trás, o silêncio dentro do automóvel tornou-se sufocante. Eles haviam escapado da polícia por enquanto, mas todos ali sabiam que a verdadeira caçada havia acabado de começar.
  Dentro do carro em movimento, o silêncio durou apenas o tempo necessário para que o reflexo das sirenes sumisse completamente pelo vidro traseiro. %Nicholas% virou-se no banco do carona, o rosto endurecido pela preocupação, encarando os gêmeos no banco de trás.
  — O policial viu o símbolo no seu rosto, %Elizabeth% — %Nico% disse, a voz baixa e tensa. — O que você viu naquela tela?
  — Era a Fênix, %Nico%... O pentagrama celta — %Elizabeth% sussurrou, abraçando o próprio corpo enquanto o carro cortava a madrugada de Londres. — A marca que eu não conseguia parar de pintar. Jack a deixou no Hell's e no corpo do Richard.
  Leonard, que até então mantinha os olhos fixos nas próprias mãos, soltou uma risada seca, carregada de puro pânico. Suas roupas ainda tinham o leve cheiro do apartamento de Turner.
  — Não foi só uma marca, %Nico% — revelou Leonard, a voz trêmula. — Quando eu entrei na cobertura e vi o Richard... Jack tinha deixado uma mensagem escrita com sangue na parede do quarto. Ele assinou como Jack, mas a mensagem era para nós. Para a nossa linhagem.
  %Nicholas% semicerrou os olhos, sentindo o peso das reencarnações esmagar seus ombros.
  — O que dizia a mensagem, Leo?
  — Dizia: "A promessa de 1786 foi maldita, e o fogo vai consumir a última McQueen" — Leonard engoliu em seco, olhando diretamente para a irmã gêmea. — %Nico%, ele não mudou o padrão por acaso. As garotas do Hell's eram apenas o começo, um ritual de sangue para abrir o caminho. O alvo real de Jack... o fim que ele quer alcançar... é matar a %Elizabeth%.
  O ar no veículo pareceu congelar. O "Novo Jack, o Estripador" não era um serial killer comum buscando fama nas páginas dos jornais de Londres. Ele conhecia o pacto antigo. Ele sabia quem Charlotte e Louis foram no passado. Ele estava caçando as almas ligadas àquela promessa secular de enganar a morte, e %Elizabeth% McQueen era a peça central que faltava para fechar o ciclo de sangue.
  No banco da frente, %Nicholas% apertou os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos. Ele olhou para %Elizabeth% pelo retrovisor, os intensos olhos verdes dela brilhando no escuro do carro. %Nico% falhara em protegê-la em outras vidas, mas não permitiria que a história se repetisse. Se Jack queria a cabeça de %Elizabeth%, teria que passar por cima de séculos de memórias e de cada um deles primeiro.

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  %Gabriel% Blackwood deixou a gaveta arrombada e caminhou em direção ao corredor dos quartos da cobertura. Seus passos ecoavam no piso de madeira nobre. Um pressentimento incômodo o guiava, o mesmo instinto que o fizera notar a reação apavorada de %Elizabeth% McQueen lá embaixo.
  Ao empurrar a porta do quarto principal de Turner, %Gabriel% estacou. Blatter, que vinha logo atrás, soltou um palavrão baixinho.
  Iluminada pelos flashes da câmera forense de um dos peritos, a parede de cabeceira da cama exibia uma pintura macabra. Escrita com o sangue ainda fresco do parlamentar, em letras garrafais e trêmulas, estava a mensagem que Jack deixara antes de sumir na noite:
  "A promessa de 1786 foi maldita, e o fogo vai consumir a última McQueen."
  %Gabriel% aproximou-se da parede, os olhos escuros fixos em cada curva da caligrafia violenta. Ele ignorou o clique das câmeras ao seu redor. A base de seu crânio latejou novamente com aquela sensação persistente de déjà vu. 1786. O ano ecoou em sua mente como um sussurro distante, trazendo uma onda inexplicável de melancolia.
  — Ele deixou o Leonard vivo de propósito, %Gabriel% — Blatter disse, aproximando-se com o caderno de anotações. — Jack queria que os McQueen soubessem. Ele não está apenas limpando o "ninho da fênix", como disse na ligação. Ele está caçando a garota arruivada que você acabou de interrogar na calçada.
  — Jack mudou o padrão porque o jogo dele finalmente começou — %Gabriel% respondeu, a voz fria e cortante. Ele se virou, arrancando as luvas de látex com força. — As meninas do Hell's não eram alvos aleatórios. Turner não foi morto por política. Tudo isso foi um preâmbulo. Jack quer a %Elizabeth% McQueen. E ele quer que nós o vejamos enquanto ele a destrói.
  %Gabriel% pegou o celular e discou direto para a central da Scotland Yard, sem hesitar um segundo.
  — Andrews? É o Blackwood. Esqueça as fichas criminais comuns. Quero que você puxe os registros históricos e os arquivos de nascimento da família McQueen em Londres. Volte até o século dezoito. Procure por qualquer evento, pacto ou tragédia registrado no ano de 1786 envolvendo o sobrenome deles.
  Desligando o aparelho, %Gabriel% olhou uma última vez para a mensagem de sangue na parede. O caso do "Novo Jack" havia deixado de ser uma investigação de homicídios em série comum. Agora era uma corrida contra o tempo pelas ruas obscuras de Londres. Ele não sabia o que havia acontecido em 1786, mas sabia de uma coisa: precisava encontrar %Elizabeth% McQueen antes que o fogo de Jack a alcançasse.

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  Longe dali, em um porão úmido e fracamente iluminado no coração de Whitechapel, o som metálico da chuva de Londres batendo contra as grades de ventilação era a única música de fundo. No centro do cômodo, uma única lâmpada amarelada balançava, projetando sombras alongadas pelas paredes cobertas de recortes, mapas e símbolos celtas.
  Uma mão firme, manchada com traços do sangue que pertencera a Richard Turner, deslizou pela superfície de uma fotografia analógica. Na imagem, %Elizabeth% McQueen sorria, distraída, com seus intensos olhos verdes e cabelos arruivados.
  Jack inclinou a cabeça, observando cada detalhe daquele rosto. Um sorriso amargo e quase nostálgico repuxou o canto de seus lábios.
  Eles haviam sido tantas coisas um para o outro através das eras do tempo. O vínculo que os unia não tinha começado em séculos recentes; vinha de muito antes, das Eras dos Heróis, quando reis e semideuses sangravam por honra e profecias. Foram amantes lendários em palácios esquecidos, inimigos mortais em campos de batalha onde a terra bebia o sangue deles, e irmãos sob o peso de linhagens trágicas. O ciclo de reencarnações sempre os arrastava de volta para o mesmo ponto de colisão. %Nicholas%, %Elizabeth%, Leonard... todos eles se lembravam do passado em flashes.
  Mas nenhum deles lembrava como ele. E nenhum deles carregava o mesmo fardo.
  Para Jack, a reencarnação não era uma dádiva de evolução; era uma tortura psicológica sem fim. Ele lembrava de absolutamente tudo. Lembrava de cada vida anterior desde o momento em que estava trancado na escuridão asfixiante do útero de sua mãe nesta existência presente. Ele sentira o crescimento de seus próprios ossos na carne dela, ouvira as batidas do coração materno sabendo exatamente quem ele era, quem havia sido e o horror de cada morte que já sofrera através dos milênios.
  Jack odiava lembrar. Odiava com cada fibra de seu ser cada rosto, cada nome e cada promessa que fora obrigado a arrastar pelo tempo.
  O ponto de ruptura final fora em 1786. Naquele ano maldito, o peso acumulado de milênios de memórias esmagou o que restava de sua sanidade. Jack enlouqueceu. A mente dele quebrou sob o peso do passado, e daquela loucura nasceu um niilismo absoluto. Ele percebeu que o ciclo nunca pararia por vontade própria. A única forma de silenciar as vozes em sua cabeça era destruir a própria estrutura daquele jogo ancestral. Ele não queria apenas matar %Elizabeth%; ele queria destruir a vida. Queria extinguir a linhagem, quebrar o pacto e apagar a própria existência de todos eles para que o vazio finalmente trouxesse o esquecimento que ele tanto implorava.
  — Nós enganamos a morte por tempo demais, minha querida — Jack sussurrou para a fotografia, sua voz saindo baixa, gélida e melodiosa.
  Ele acendeu um isqueiro, a chama refletindo em seus olhos obcecados e sem lucidez. O fogo consumiu a ponta do papel fotográfico, subindo lentamente pela silhueta de %Elizabeth%. As garotas do Hell's haviam servido para canalizar a energia antiga do pentagrama, e Turner guardava a última peça que faltava para localizar o núcleo do círculo.
  O pacto de 1786 havia sido a gota d'água que o condenara à loucura total. E Jack estava pronto para ser o incêndio que consumiria a última McQueen e colocaria um fim definitivo em toda a criação.

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  O carro preto finalmente cruzou os portões de ferro da propriedade dos McQueen, freando abruptamente diante da imponente mansão. %Nicholas% foi o primeiro a descer, sem esperar que Anthony ou Simon abrissem a porta. Com passos largos e o semblante endurecido, ele guiou %Elizabeth% e Leonard para o interior da casa, cortando o corredor principal até a biblioteca particular — o único lugar onde os segredos da família eram guardados longe de olhos curiosos.
  Lá dentro, iluminados pela luz fraca de poucas lâmpadas, William e Clarisse estavam cercados por manuscritos antigos e o livro de inscrições celtas que %Nicholas% vira mais cedo. O ar na sala estava denso, impregnado com o cheiro de folhas secas e o pânico silencioso dos dois irmãos.
  — %Nico%! Vocês voltaram — Clarisse deu um passo à frente, fechando o livro num baque surdo, mas parou ao ver o estado de Leonard e a palidez no rosto de %Elizabeth%. — O que aconteceu no apartamento do Turner?
  — Jack deixou uma mensagem de sangue na parede — %Nicholas% jogou as palavras como lâminas na mesa de mogno, apoiando as mãos na superfície e encarando William. — Ele sabe sobre 1786. Ele sabe sobre a promessa. E ele está vindo atrás da %Elizabeth% para queimar a última McQueen e colocar um fim a tudo.
  William trocou um olhar sombrio com Clarisse. Ele passou a mão pelos cabelos, parecendo carregar o cansaço de séculos em seus ombros.
  — É pior do que imaginávamos, %Nico% — William revelou, a voz saindo em um sussurro tenso. — Nós estávamos traduzindo as últimas páginas do grimório que Richard Turner nos enviou antes de morrer. Jack não quer apenas matá-los por pura vingança ou pela loucura que o consumiu no século dezoito. Ele quer destruir a própria estrutura do que nos tornou o que somos.
  %Elizabeth% deu um passo à frente, seus intensos olhos verdes fixos em William.
  — O que você quer dizer com isso, William?
  — Nós somos um erro no tecido do tempo, %Elizabeth%. Reencarnar com memórias intactas, cruzando eras desde os tempos heróicos... há uma engrenagem oculta que nos mantém voltando — explicou Clarisse, com os olhos marejados pelo pânico. — Jack quer quebrar essa engrenagem. Mas para desfazê-la e extinguir toda a nossa existência, ele precisa entender a origem. Ele precisa saber o que nos tornou imortais de alma.
  — E para conseguir essa resposta, ele vai revirar todo o mundo sobrenatural de Londres — %Nicholas% completou, os maxilares travados conforme a ficha caía. — Ele vai caçar cada criatura, cada bruxa, cada linhagem celta e cada segredo oculto que exista nas sombras desta cidade. Ele vai torturar, matar e queimar quem quer que tenha a pista sobre o nosso pacto original.
  — Exatamente — assentiu William de forma sombria. — As garotas do Hell's eram ligadas ao ocultismo local. Richard Turner protegia os registros. Jack está subindo a corda, nó por nó. Se ele encontrar a resposta para o segredo da nossa imortalidade, ele não vai apenas nos matar nesta vida... ele vai apagar o nosso passado, o nosso presente e garantir que nunca mais existamos em tempo algum. Ele vai aniquilar a própria vida como a conhecemos.
  O silêncio pesado que se seguiu às palavras de William foi quebrado apenas pelo tique-taque firme e rítmico do relógio de pêndulo no canto da biblioteca. %Elizabeth% olhou para as próprias mãos, sentindo o peso fantasma de uma história vasta demais para uma única vida suportar. Jack estava desfiando a tapeçaria sombria de Londres, e o tempo deles estava se esgotando.
  Antes que %Nicholas% pudesse traçar o próximo passo, uma vibração súbita e violenta sacudiu as grandes janelas de vitral da biblioteca. Não foi uma explosão, mas uma queda abrupta na pressão atmosférica que fez as velas vacilarem e se apagarem, mergulhando o cômodo na penumbra.
  Naquele exato momento, um suspiro agudo e coletivo ecoou pela sala.
  %Elizabeth% e Leonard levaram as mãos ao peito no mesmo segundo, a conexão gêmea deles estalando com um pico doloroso de sobrecarga sensorial. Mas eles não foram os únicos. Do outro lado da sala, %Nicholas%, William e Clarisse enrijeceram os corpos, suas expressões congelando em puro choque.
  Uma onda profunda e antinatural de energia lavou suas almas — uma sensação fria e doentia de um fio sendo cortado violentamente. Era um alarme espiritual, um choque através da rede invisível do submundo sobrenatural de Londres. Uma das antigas âncoras da cidade acabara de ser destruída.
  A quilômetros dali, nos arquivos escuros da Scotland Yard, o detetive %Gabriel% Blackwood estava sentado sob as luzes fluorescentes trêmulas, massageando as têmporas doloridas. Em sua mesa repousava um registro judicial recém-impresso e coberto de poeira de outubro de 1786, recém-retirado dos cofres históricos mais profundos.
  Seus olhos examinaram a confissão manuscrita de um louco de dois séculos atrás, mas antes que pudesse processar as palavras arcaicas, seu celular vibrou. Era um número restrito.
  %Gabriel% atendeu, esperando a voz distorcida do "Novo Jack". Em vez disso, a linha estava em completo silêncio, exceto pelo som distante e arrepiante de um pesado relógio de pêndulo batendo do outro lado — exatamente com a mesma cadência do relógio dentro da mansão McQueen. Então, um estalo, e a chamada caiu.
  De volta à biblioteca da mansão, %Nicholas% abaixou lentamente a mão do peito, os olhos arregalados enquanto olhava para o antigo grimório sobre a mesa. A tinta na última página, que ainda não havia sido traduzida, estava se movendo, reescrevendo-se em tempo real, formando um nome inédito no rodapé do pacto de 1786.
  Não era um nome do passado. Era um nome do presente.
  E enquanto %Elizabeth% encarava as palavras recém-manifestadas, sua respiração travou. O nome escrito em tinta preta fresca e brilhante não era o dela, e nem o de Jack. Pertencia ao único homem que pensava ser apenas um detetive comum tentando resolver um caso de homicídio: %Gabriel% Blackwood.

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