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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Império Escarlate

Escrita porAven Lore
Editada por Lelen

🛈

CAPÍTULO 2

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

  %Yoonhee% sentiu como se um buraco estivesse se abrindo lentamente debaixo de seus pés enquanto as palavras da mulher do outro lado da linha ecoavam em sua mente. As pernas vacilaram, e ela se apoiou na parede para não perder o equilíbrio e cair ao solo.
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  Umedeceu os lábios numa tentativa falha de recuperar o controle sobre o próprio corpo e mente.
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  Do outro lado ela ouviu a mulher chamar com um ‘alô?’ e em seguida um ‘eu vou desligar, já é tarde da noite.’
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  — Meu nome é %Yoonhee%, e preciso urgente falar com o Jihoon.
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  — Tá, mas de onde você é? O que você quer com o meu marido à essa hora da noite? — Uma pausa e sussurros ao fundo — Essa tal de %Yoonhee% quer falar com você, conhece?
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  “Conhece?” %Yoonhee% soltou uma risada nervosa ao ouvir a sentença. Se eles se conheciam? Quase quatro anos de namoro será que eram o suficiente para a tal mulher?
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  — Jihoon, o que tá acontecendo? Quem é essa? — A voz desesperada de %Yoonhee% soou agora mais próxima ao interfone.
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  — O que você tá fazendo na minha casa %Yoonhee%?
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  Uma faca, de novo, dessa vez uma faca emocional, e não o metal frio que havia sentido minutos antes dentro do ônibus ao ser ameaçada pelo desconhecido, que aliás ainda estava jogado ali perto do mesmo jeito que %Yoonhee% havia o deixado.
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  — Como o que eu to fazendo na sua casa Jihoon? Eu vim ver você, conversar, contar as novidades. Você é meu namorado caramba.
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  Ao fundo ela pode ouvir a mulher bufar.
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  — Mais uma que você engana dizendo ser solteiro, Jihoon? Achei que essa sua fase de flertes e conquistinhas baratas já tivesse passado.
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  — Então é verdade? Você é casado com essa mulher, Jihoon?
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  O silêncio do outro lado da linha foi longo demais.
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  %Yoonhee% sentiu algo se romper dentro do peito, como se o ar tivesse sido arrancado à força dos pulmões. A mão que segurava o interfone começou a tremer, os dedos dormentes, incapazes de soltar ou apertar qualquer coisa.
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  Casado.
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  A palavra se espalhou por ela devagar, venenosa, descendo pela garganta, queimando o estômago, deixando um gosto metálico na boca. Tudo fez sentido rápido demais — as viagens adiadas, as ligações curtas, as desculpas cansadas, o pedido de casamento que nunca vinha.
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  Ela riu. Um som baixo, quebrado, que não tinha nada de humor.
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  — Quase quatro anos… — murmurou, mais para si mesma do que para eles. — Quatro anos esperando um futuro que já tinha dono.
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  Os olhos arderam, mas nenhuma lágrima caiu. Não ainda. Era como se o choque tivesse congelado tudo por dentro, endurecido o coração por alguns segundos preciosos.
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  — Você deixou eu sonhar, Jihoon — a voz saiu rouca, controlada à força. — Me deixou planejar uma vida inteira… enquanto voltava pra casa de outra mulher todas as noites.
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  Do outro lado, ele tentou dizer algo, mas as palavras se atropelaram, inúteis.
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  %Yoonhee% se afastou um passo do interfone, sentindo as pernas fraquejarem de novo. Aquela dor não cortava como a faca do ônibus. Era pior.
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  Essa sangrava por dentro.
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  E não havia canela, mentira ou instinto que pudesse salvar ela dessa vez.
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  — %Yoonhee%, escuta… não é assim — a voz de Jihoon surgiu abafada, apressada, como se tropeçasse nas próprias mentiras. — Eu posso explicar.
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  — Explicar o quê? — ela perguntou, enfim. A calma na própria voz a assustou. — Em que ano você resolveu mentir pra mim? No primeiro ou no segundo?
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  A mulher ao fundo soltou uma risada curta, sem humor.
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  — Amor, não perde tempo. Já tá claro o tipo de pessoa que ela é… aparecendo aqui do nada, no meio da noite.
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  Aquilo foi o golpe final.
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  %Yoonhee% fechou os olhos por um instante. Não para se proteger — mas para guardar aquela versão de si mesma que ainda acreditava nele. Quando tornou a abri-los, algo tinha mudado.
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  — Não — disse, firme. — O tipo de pessoa que eu sou ficou claro agora.
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  Ela se inclinou levemente para o interfone, a testa encostando no metal frio.
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  — Eu atravessei cidades por você, Jihoon. Aguentei um pai se afundando em dívidas, medo todos os dias, uma vida inteira em suspenso… porque acreditava que você era meu futuro.
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  A voz falhou por um segundo. Só um.
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  — Mas futuro nenhum se constrói em cima de mentira.
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  Do outro lado, silêncio. Nem ele, nem a mulher.
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  %Yoonhee% deu um passo para trás, sentindo o peso da noite cair sobre seus ombros. Foi então que algo chamou sua atenção no canto da visão.
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  O beco lateral.
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  E ali, exatamente como ela havia deixado, o homem do ônibus continuava jogado contra o muro, imóvel demais para alguém que deveria apenas estar desacordado.
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  O estômago dela se revirou.
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  — Fica com ela, Jihoon — disse por fim, a voz baixa, definitiva. — Eu já perdi tempo demais com quem nunca esteve comigo de verdade.
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  Ela soltou o interfone. O clique seco ecoou como um ponto final.
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  %Yoonhee% se virou, o coração ainda despedaçado… mas os pés a levando de volta para a rua escura, onde uma ameaça diferente — e talvez ainda mais real — a aguardava.
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  Porque, naquela noite, as mentiras não tinham sido a única coisa deixada para trás.
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☠️☠️☠️

  O silêncio falava alto demais, %Yoonhee% continuou encarando o aparelho com os olhos cheios de água. Mas não choraria por Jihoon, ela não se permitiria derramar uma lágrima sequer por um crápula como aquele. Por mais que estivesse despedaçada por dentro.
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  Ao sair do prédio de Jihoon encarou os olhos, agora abertos, do homem que momentos antes havia pedido sua ajuda.
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  — Ah, você acordou. — Disse por fim, baixinho.
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  — Minha namorada foi enganada pelo namorado e acabou de ficar solteira, é isso mesmo?
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  A voz fraca dele ecoou pelos ouvidos de %Yoonhee%.
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  Ela engoliu em seco. O ar pareceu mais frio de repente.
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  — Ex — corrigiu, a voz firme demais para alguém que acabara de ter o chão arrancado sob os pés. — Ele sempre foi meu ex. Eu só demorei pra perceber.
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  O homem tentou se mexer, mas apenas gemeu baixo, voltando a apoiar a cabeça no muro. Os olhos escuros a observavam com uma atenção estranha, lúcida demais para alguém que deveria estar completamente bem… e cansada demais para alguém perigoso. Aquilo a deixou em alerta.
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  — Você podia ter me deixado no ônibus — ele murmurou. — Ou chamado aqueles caras. Teria sido mais fácil.
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  %Yoonhee% cruzou os braços contra o próprio corpo, como se finalmente sentisse o frio da noite — ou talvez fosse só o vazio.
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  — Eu não sou boa em abandonar pessoas — respondeu. — Mesmo quando elas colocam uma faca na minha cintura.
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  Um silêncio pesado caiu entre os dois. O tipo de silêncio que não pedia desculpas, mas reconhecia verdades incômodas.
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  Ele respirou fundo, fechando os olhos por um segundo.
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  — Eu não ia machucar você — disse, baixo. — Pelo menos… não como você tá pensando.
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  Ela soltou uma risada curta, sem humor algum.
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  — Engraçado — respondeu. — O homem que eu amei por quatro anos também nunca “ia me machucar”.
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  Os olhos dele se abriram novamente, fixos nela agora com algo que não era pena. Era atenção. Interesse cru.
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  — Parece que a noite não foi gentil com nenhum de nós — comentou.
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  %Yoonhee% desviou o olhar, encarando o prédio atrás de si. As luzes continuavam acesas. A vida de Jihoon seguia intacta lá dentro.
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  — A diferença — disse ela, por fim — é que você eu posso deixar aqui. Ele não.
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  O homem respirou fundo, reunindo forças para se levantar um pouco.
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  — Meu nome é %Johnny% — disse, depois de um instante. — Já que… aparentemente a gente sobreviveu juntos a alguma coisa hoje.
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  %Yoonhee% hesitou. O nome ficou suspenso no ar por um segundo antes de assentir.
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  — %Yoonhee%. — Fez uma pausa. — E isso não muda o fato de que você me deve respostas.
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  %Johnny% esboçou um sorriso torto, cansado, mas sincero o suficiente para incomodá-la.
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  — Justo — respondeu. — Mas acho que primeiro… você vai precisar decidir se vai embora sozinha essa noite.
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  Ela o encarou de volta, o coração ainda partido, mas agora alerta de outro jeito.
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  Ele tentou se apoiar melhor no muro, puxando o ar com cuidado demais. O movimento arrancou dele um gemido baixo, involuntário, que quebrou o silêncio da rua.
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  — Tá tudo bem — disse rápido demais, como se quisesse encerrar o assunto ali.
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  Mas não estava.
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  %Yoonhee% viu quando a mão dele escorregou para a lateral do corpo, os dedos pressionando o casaco com força. O tecido escuro começava a se manchar, encharcado de um vermelho que não deixava margem para dúvida.
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  Sangue.
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  — Você está ferido — disse ela, num tom que não era pergunta.
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  Ele tentou rir, um som fraco, falho.
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  — Não é nada… só um arranhão.
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  Mentira.
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  O instinto falou antes que o coração pudesse interferir. %Yoonhee% já estava ajoelhada à frente dele, afastando o casaco com cuidado, ignorando completamente o frio da calçada ou o turbilhão emocional que ainda a esmagava por dentro.
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  O ferimento na lateral do abdômen era feio demais para ser “nada”. O sangue escorria quente, lento, denunciando algo mais profundo do que ele queria admitir.
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  — Você foi esfaqueado — constatou, a voz agora firme, profissional. — E está perdendo sangue.
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  — Ei… — ele tentou segurá-la pelo pulso. — Não precisa disso. Eu me viro.
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  Ela afastou a mão dele sem delicadeza, os olhos focados, a mente funcionando num modo automático que ela conhecia bem demais.
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  — Cala a boca — disse, sem levantar a voz. — Se você continuar falando, vai gastar energia que não tem.
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  %Johnny% piscou, surpreso. Não pela dor — mas pela autoridade repentina.
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  %Yoonhee% pressionou o local com a própria mão, sentindo o calor do sangue atravessar o tecido.
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  — Respira devagar — orientou. — Olha pra mim. Não fecha os olhos.
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  Foi só então que ela percebeu: suas mãos não tremiam mais.
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  O coração ainda estava quebrado, sim. Mas o corpo dela lembrava exatamente quem ela era.
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  E naquele instante, nada importava mais do que manter aquele homem vivo.
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Lelen

Quero Johnny dando um sustinho no Jihoon depois só porque sim HEHEHEEH
Eu tô LOUCA pra ver esses dois em romance-que-não-vou-dizer-que-é-romance HAHAHAH

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