Hashirama Chronicles


Escrita porMandy Poynter
Revisada por Lelen


Capítulo 2 • O Peso da Proteção

  O cheiro de enxofre e ozônio impregnava o ar na clareira do Vale dos Pinheiros. As copas das árvores centenárias haviam sido reduzidas a destroços carbonizados após horas de confronto ininterrupto entre a vanguarda Senju-Uzumaki e as forças de elite do clã Uchiha. No centro do caos, o metal das armas tinia sem cessar, acompanhado pelas explosões retumbantes de jutsus elementais que rasgavam o solo batido.
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  %Sora% movia-se pelo campo de batalha com uma precisão cirúrgica. Seus cabelos vermelhos, desatados pela fúria do combate, pareciam uma chama em movimento no meio da fumaça densa. Com o braço esquerdo estendido e a base firme na terra, ela moldou um fluxo denso e dourado de chakra. De suas palmas sobressaíram as correntes de selamento características do clã Uzumaki, avançando como serpentes de luz que imobilizaram com facilidade três invocações de grande porte enviadas pelas linhas inimigas. Ela garantiu a brecha perfeita para que os batedores avançassem. Sua leitura tática era impecável; ela estava no controle absoluto de seu setor.
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  Contudo, a poucos metros dali, a visão de %Sora% cercada por inimigos acionou um gatilho sombrio na mente de Hashirama. Ele havia acabado de repelir um ataque de grande escala usando o Mokuton, mas, ao olhar para o lado e ver uma lâmina Uchiha passar a milímetros da proteção do ombro de %Sora%, o sangue do líder Senju congelou. Ele não viu uma kunoichi de elite executando uma contenção de nível mestre; viu o corpo inerte de seu irmão Kawarama na lama. Viu a possibilidade da única pessoa que mantinha sua sanidade ser arrancada dele.
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  Tomado por um pavor irracional, Hashirama cometeu um erro crasso de julgamento.
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  — Retaguarda! — A voz de Hashirama ressoou com o poder devastador de seu chakra, sobrepondo-se ao barulho das explosões. — Quatro homens na ala oeste, agora! Removam a %Sora% da linha de frente! Reagrupem-na no acampamento médico imediatamente!
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  A ordem, gritada com autoridade suprema e um desespero mal dissimulado, reverberou por todo o setor.
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  %Sora% estacou. O choque e a humilhação atingiram-na com mais força do que qualquer jutsu inimigo. Os shinobi de guarda, confusos pela ordem direta do líder do clã, hesitaram por um segundo, mas avançaram para interceder. A quebra de ritmo na barreira de selamento deu margem para que os inimigos se reestruturassem, forçando as forças Uzumaki a recuarem sob um comando que nem sequer havia saído de seus próprios capitães.
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  — Hashirama, o que você está fazendo?! — A voz de %Sora% cortou o ar, cheia de incredulidade, mas ele já se projetara para a frente de seu batalhão, cobrindo a retirada que ele próprio havia forçado.
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  A volta para o acampamento principal foi marcada por uma atmosfera densa e sufocante. A batalha fora vencida, mas o preço moral cobrado na ala oeste deixara uma fenda visível entre os aliados.
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  O sol começava a se pôr no horizonte quando a marcha dos feridos alcançou a área das tendas centrais. Hashirama, com a armadura riscada e o rosto sujo de cinzas, mal esperou para entregar os relatórios de combate aos oficiais. Ele caminhou apressado em direção à ala médica improvisada, com os olhos fixos na silhueta de %Sora%, que carregava uma caixa de suprimentos com a mandíbula travada.
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  — %Sora%! Espera, por favor — chamou ele, a voz desprovida da postura de comandante, carregada apenas da angústia de um homem que sabia que havia pisado em falso.
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  Ela não parou. Manteve o passo firme em direção à sua tenda, ignorando os olhares curiosos dos soldados que limpavam suas armas ao redor.
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  — %Sora%, me ouve! — Hashirama alcançou-a na entrada do posto médico, tentando tocar em seu ombro com cuidado. — Eu só fiz aquilo porque a ala esquerda estava ficando cercada... As correntes de selamento estavam drenando seu chakra e eu não podia arriscar que...
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  %Sora% virou-se de golpe, arrancando o braço do contato dele. Seus olhos vermelhos faiscavam com uma firmeza tão gélida que fez o líder Senju dar um passo involuntário para trás.
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  — Não ouse mentir para mim, Hashirama — disse ela, mantendo a voz num tom baixo e controlado, mas afiada como uma lâmina de chakra. — A ala esquerda estava sob controle. As minhas correntes mantiveram a linha intacta. Você não deu aquela ordem por motivos táticos. Você deu aquela ordem porque olhou para mim e não viu uma kunoichi do clã Uzumaki capaz de lutar. Você viu um fardo. Viu alguém frágil que precisa ser trancada numa gaiola para que você se sinta seguro.
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  — Não é isso! Você sabe o que você significa para mim, eu não suportaria ver—
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  — Você me desrespeitou na frente dos meus comandados e dos seus soldados — interrompeu ela, com o peito subindo e descendo pelo ritmo da respiração. — Você usou sua autoridade para me desarmar no meio de uma estratégia de selamento. Eu passei a vida inteira treinando para estar ao seu lado na construção dessa paz, não para ser tratada como uma porcelana que você esconde quando a guerra fica feia.
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  — %Sora%, me desculpa... — Ele deu um passo à frente, com as mãos abertas num gesto de súplica. — Por favor, vamos conversar a sós.
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  — Não há nada para conversar agora — ela respondeu, encarando-o nos olhos com uma decisão inabalável antes de virar de costas e puxar a lona da tenda. — Não me procure hoje, Hashirama. E não tente me pedir desculpas até entender a diferença entre amar alguém e anular essa pessoa.
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  A lona da tenda caiu, isolando-a. Hashirama permaneceu parado na poeira do acampamento, de braços caídos, encarando o tecido fechado enquanto o silêncio da noite começava a se instalar.
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  A noite caiu fria sobre o acampamento principal do clã Senju. A névoa da floresta se infiltrava entre as estacas de madeira, mas a atmosfera dentro da tenda do comando era ainda mais densa e sufocante.
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  Hashirama estava encolhido no canto mais escuro do espaço, sentado sobre uma esteira de palha com os joelhos dobrados contra o peitoral da armadura. O homem que, horas antes, havia comandado batalhões e feito a terra tremer com seu Mokuton, agora parecia uma sombra de si mesmo. Seus ombros estavam caídos, a cabeça repousava entre as mãos e uma aura palpável de melancolia absoluta impregnava o ar ao redor.
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  — Ele não comeu nada — disse um dos oficiais Senju, falando em tom baixo e apreensivo na entrada da tenda. — Tentamos entregar o relatório de perdas da ala oeste e a escala dos patrulheiros para a madrugada, mas ele apenas suspirou e virou para a parede.
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  Tobirama Senju soltou um estalo de língua impaciente, ajustando a proteção de metal em seu queixo. Seus olhos vermelhos e afiados varreram o estado lamentável do irmão mais velho.
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  — Saiam todos — ordenou Tobirama, a voz fria e cortante não admitindo réplica. Os guardas e oficiais reverenciaram rapidamente e se retiraram, aliviados por deixarem a bomba no colo do segundo no comando.
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  Tobirama deu três passos largos para dentro da tenda, parando diretamente diante do irmão encolhido.
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  — Levanta daí, Hashirama — disse ele, cruzando os braços sobre o peito. — O relatório dos batedores indica que as forças dos Uchiha estão se reorganizando ao norte. O Izuna e o Madara vão lançar uma ofensiva total ao amanhecer. Precisamos definir a formação de barreira e a distribuição do chakra médico.
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  Hashirama nem sequer ergueu a cabeça. Apenas soltou um gemido abafado contra os joelhos.
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  — Não tem formação de barreira sem a %Sora%... — murmurou Hashirama, a voz totalmente embargada e dramática. — Eu estraguei tudo, Tobirama. Ela me odeia. Ela olhou para mim como se eu fosse um monstro insensível... Eu só queria proteger a mulher que eu amo e agora ela nunca mais vai olhar na minha cara. Pode mandar os Uchiha me levarem, eu não sirvo para ser líder de nada.
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  Tobirama fechou os olhos por um segundo, respirando fundo e massageando a ponte do nariz para não perder o resto do autocontrole que lhe restava.
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  — Você é inacreditável — soltou Tobirama, o tom oscilando entre a incredulidade e a irritação pura. — Nós estamos às vésperas da batalha mais decisiva de toda a nossa história. O clã inteiro depende da sua força e da sua liderança amanhã cedo, e você está entregue à desolação por causa de uma briga de casal que você mesmo provocou por ser um idiota sentimental?
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  — Eu não sou um idiota sentimental! — Hashirama ergueu o rosto de golpe, os olhos vermelhos e dramáticos. — Eu tive medo, Tobirama! Você sabe o que é ver a pessoa que mantém sua alma de pé no meio de cinco lâminas Uchiha?!
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  — Sei o que é ver uma guerreira do clã Uzumaki executando o trabalho para o qual ela foi treinada! — rebateu Tobirama, elevando a voz um tom acima do normal. — A %Sora% é uma especialista em selamento de nível mestre. O Fūinjutsu dela é o único motivo pelo qual o nosso flanco esquerdo não foi atropelado pelas invocações do inimigo. Quando você deu aquela ordem absurda de retaguarda, você não a protegeu; você desarmou a nossa melhor defesa e humilhou uma aliada de elite na frente das tropas.
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  Hashirama abaixou a cabeça novamente, o choque daquelas palavras caindo sobre ele como uma marretada. Ele sabia que o irmão estava coberto de razão.
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  — Eu sou um lixo... — resmungou ele, voltando a se encolher.
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  — É, você foi um completo imbecil — concordou Tobirama sem qualquer piedade. — E como eu recuso a me deixar morrer amanhã porque o meu irmão e comandante decidiu morrer de desgosto num canto da barraca, eu vou resolver essa bagunça agora. Fique aí e veja se ao menos veste o resto da armadura direito.
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  Sem esperar por uma resposta, Tobirama virou-se sobre os calcanhares e saiu da tenda de comando, ajustando a gola de pele branca sobre a armadura azul. O ar frio da noite atingiu seu rosto enquanto ele caminhava a passos firmes e decididos em direção à área dos Uzumaki.
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  A tenda de suprimentos e selamento do clã Uzumaki estava iluminada apenas por duas lanternas de óleo. O cheiro de tinta de pergaminho fresca e ervas medicinais preenchia o ambiente.
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  %Sora% estava sentada diante de uma mesa baixa de madeira, traçando fórmulas complexas de Fūinjutsu em longos rolos de papel com um pincel fino. Suas mãos eram firmes, mas a rigidez no seu maxilar e o brilho intenso nos seus olhos vermelhos mostravam que a raiva e a mágoa da tarde ainda queimavam vivas dentro dela.
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  A lona da entrada foi erguida sem cerimônia. %Sora% nem precisou olhar para saber quem era; a presença de chakra gélida e refinada do estilo água era inconfundível.
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  — Se veio tentar passar o pano para a estupidez do seu irmão, pode dar meia-volta, Tobirama — disse ela, sem pausar a pincelada no pergaminho.
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  Tobirama entrou, deixando a lona cair atrás de si. Ele observou a precisão dos símbolos que ela desenhava antes de se aproximar e parar do outro lado da mesa.
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  — Eu não vim defender o Hashirama — disse Tobirama, com sua voz calma e desprovida de qualquer floreio emocional. — Ele foi um idiota completo hoje à tarde. A ordem que ele deu foi taticamente errada, interferiu na sua autoridade e comprometeu a eficiência da barreira no flanco esquerdo. Ele agiu como um civil assustado, não como um comandante de guerra.
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  %Sora% parou o pincel por um segundo. Ela ergueu os olhos, ligeiramente surpresa pela honestidade brutal e direta de Tobirama.
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  — Fico feliz que ao menos alguém nesta aliança tenha um pingo de juízo tático — respondeu ela, o tom ainda afiado. — Ele me tratou como se eu fosse uma criança indefesa que precisa ser escondida. Eu passei a minha vida inteira sangrando e treinando pelo clã Uzumaki para estar na linha de frente, Tobirama. Eu não sou um troféu frágil do seu irmão.
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  — Eu sei disso — disse Tobirama, encarando-a com o respeito frio que reservava apenas aos shinobi verdadeiramente capazes. — E o clã Senju reconhece a sua força. Sem o seu selamento amanhã, o nosso plano de contenção para as tropas do Izuna não funciona. Se você não estiver na linha de frente, nós vamos ter perdas dobradas.
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  %Sora% soltou o pincel sobre o suporte de cerâmica e cruzou os braços, encostando-se na cadeira.
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  — Então vá dizer isso ao seu irmão. Porque se ele tentar me mandar para a retaguarda de novo amanhã, eu mesma uso minhas correntes para prender ele numa árvore antes de ir para a batalha.
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  Um esboço quase imperceptível de sorriso de canto surgiu nos lábios de Tobirama.
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  — Eu pagaria para ver isso — admitiu ele. — Mas a questão, %Sora%, é que o Hashirama está incapacitado. Ele está encolhido no canto da tenda, imprestável para o planejamento tático do amanhecer porque acha que destruiu a única coisa que importa para ele neste mundo.
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  %Sora% desviou o olhar, o peito apertando levemente contra a sua vontade.
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  — Isso é problema dele. Ele precisa aprender a separar os sentimentos dele da responsabilidade de liderar.
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  — Ele é um sentimental incapaz — concordou Tobirama, avançando um passo e apoiando as mãos na mesa. — Mas você sabe melhor do que qualquer pessoa neste acampamento o porquê de ele ter agido daquele jeito. O Hashirama viu o Kawarama e o Itama serem despedaçados quando era uma criança. Ele carrega a culpa de cada morte deste clã nas costas. Quando ele olhou para você no meio daquela confusão e viu as lâminas Uchiha perto, ele não enxergou a kunoichi brilhante do clã Uzumaki. O cérebro dele surtou no trauma antigo de ver quem ele ama virar um cadáver na lama.
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  %Sora% fechou os olhos devagar, engolindo em seco. As palavras de Tobirama, embora ditas sem nenhum drama, acertaram em cheio o ponto mais vulnerável do seu coração. Ela conhecia aquele trauma. Ela esteve lá no dia em que o Hashirama chorou no colo dela na infância.
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  — Ele errou feio na execução — continuou Tobirama, a voz baixando um tom. — Mas o medo dele não vem de duvidar da sua capacidade, %Sora%. Vem do pavor absoluto de viver em um mundo onde ele construa aquela tão sonhada vila de paz, mas não tenha você ao lado dele para ver isso acontecer. Você é a única âncora que mantém aquele idiota são. E amanhã nós precisamos do "Deus dos Shinobi" focado, não de um homem quebrado.
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  O silêncio reinou na tenda por longos segundos. O som do vento lá fora parecia o único ruído na noite.
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  %Sora% respirou fundo, soltando o ar devagar. Ela olhou para os pergaminhos de selamento sobre a mesa e depois voltou o olhar para o irmão mais novo de Hashirama.
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  — Você é muito manipulador quando quer, Tobirama — disse ela, embora o tom rígido da sua voz tivesse se dissolvido.
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  — Eu sou apenas pragmático — respondeu Tobirama, ajeitando a armadura. — O acampamento precisa de vocês dois alinhados ao amanhecer. Ele está na tenda central. Se quiser dar um soco na cara dele antes de perdoá-lo, eu garanto que ninguém vai intervir.
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  Tobirama não esperou por uma resposta. Virou de costas e deixou a tenda médica, sabendo que sua missão pragmática estava cumprida.
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  %Sora% permaneceu sozinha por alguns instantes. Encarou o pergaminho de selamento à sua frente, a tinta negra desenhando fórmulas que amanhã salvariam dezenas de vidas no campo de batalha. Soltou um longo suspiro, guardou o pincel de madeira e levantou-se. Ela ainda estava brava pela humilhação tática, mas a lógica fria de Tobirama havia desarmado a parte mais afiada do seu orgulho: o medo de Hashirama não vinha da arrogância de um líder, mas das cicatrizes de uma criança traumatizada que ainda sangravam.
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  Caminhando a passos silenciosos pela grama úmida, %Sora% atravessou o acampamento. As fogueiras começavam a baixar, deixando o ambiente sob uma penumbra fria. Na entrada da tenda central de comando, os dois guardas Senju menearam a cabeça com um respeito aliviado ao verem a Uzumaki passar. Eles sabiam que ela era a única pessoa capaz de tirar o comandante daquele transe.
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  %Sora% ergueu a lona e entrou.
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  O cenário era exatamente o que Tobirama descrevera. As velas estavam quase apagadas, lançando sombras longas pelas paredes de tecido. No canto mais escuro, sentado sobre o chão de terra batida com os joelhos dobrados e os braços cruzados sobre a cabeça, Hashirama parecia uma estátua de melancolia. A aura de opressão e tristeza ao redor dele era tão densa que o ar parecia difícil de respirar.
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  %Sora% caminhou devagar e parou bem na frente dele. As pontas de suas botas táticas quase tocavam os joelhos do Senju.
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  — Você pretende passar a noite inteira aí fingindo que é uma pedra, ou vai me ajudar a organizar a formação de selamento do flanco esquerdo? — A voz dela soou clara, cortando o silêncio do lugar.
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  Hashirama estremeceu. Ergueu o rosto devagar, os olhos castanhos arregalados e surpresos, ainda fundos e manchados de dor. Ao ver %Sora% parada diante dele — sem a rigidez assassina da tarde, mas com o olhar firme e acolhedor —, a respiração dele falhou.
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  — %Sora%... — A voz dele saiu rouca, quase um sopro desajeitado. — O Tobirama foi falar com você, não foi? Ele... ele deve ter dito um monte de besteiras...
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  — O Tobirama disse a verdade — interrompeu ela, cruzando os braços e mantendo a postura ereta. — Ele disse que você agiu como um idiota sem visão tática e que humilhou uma das suas melhores especialistas em Fūinjutsu no meio de uma batalha decisiva.
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  Hashirama abaixou a cabeça de imediato, encolhendo os ombros como se tivesse levado um golpe físico.
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  — Ele tá certo... — murmurou ele com a voz embargada. — Eu fui um imbecil, %Sora%. Eu vi aquelas lâminas perto de você e o meu peito travou. Eu não consegui pensar na formação, não consegui pensar no clã... Eu só pensei que, se você morresse ali, nada do que eu estou construindo faria sentido. Eu sinto muito. Me perdoa... por favor.
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  %Sora% observou a figura imponente do "Deus dos Shinobi" totalmente desarmado aos seus pés. A raiva que ainda restava dentro dela evaporou por completo, dando lugar a uma compaixão profunda. Ela se ajoelhou na terra fria, ficando na mesma altura dele, e estendeu as mãos para segurar o rosto dele com firmeza.
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  — Eu não preciso do seu pedido de desculpas pelo seu medo, Hashirama — disse ela, obrigando-o a encará-la nos olhos. — Eu entendo o seu trauma. Eu estava lá quando o Kawarama morreu, eu vi você chorar no meu colo e sei o quanto dói carregar o peso deste clã. Mas você precisa entender uma coisa, de uma vez por todas: eu não sou o Kawarama. Eu não sou uma criança indefesa que precisa ser trancada em uma gaiola para sobreviver.
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  Hashirama piscou devagar, sentindo o calor familiar das mãos dela contra a sua pele gelada.
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  — Eu sou %Sora% do clã Uzumaki — continuou ela, a voz carregada de uma orgulhosa e inabalável determinação. — Eu lutei ao seu lado para chegar até aqui. Minhas correntes são a sua defesa, e meu chakra é o seu suporte. Se você me tirar da linha de frente por medo, você não está me protegendo; está tirando de mim o direito de lutar pelo nosso futuro. Você entende isso?
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  Hashirama engoliu em seco. A clareza das palavras dela atingiu-o no peito como uma iluminação. Ele ergueu as próprias mãos calosas e cobriu as mãos de %Sora% que seguravam seu rosto, apertando-as com um carinho desesperado.
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  — Eu entendo — confessou ele, a voz firmando aos poucos. — Eu juro que entendo. Me desculpa por ter duvidado da sua força... Isso nunca mais vai acontecer. Eu nunca mais vou tentar afastar você do meu lado no campo de batalha.
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  — É bom mesmo — respondeu ela, permitindo que um pequeno e quente sorriso finalmente surgisse em seus lábios. — Porque se tentar me mandar para a retaguarda de novo, eu uso minhas correntes para te prender na árvore mais alta da floresta antes de ir lutar.
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  Hashirama soltou um suspiro longo e aliviado, a aura sombria que o envolvia se dissipando instantaneamente. Ele encostou a testa na dela, fechando os olhos e absorvendo a sensação mágica de ter a sua âncora de volta.
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  — Combinado — sussurrou ele, dando uma risada curta e leve. — Amanhã nós lutamos juntos. Lado a lado. E depois que derrotarmos as linhas dos Uchiha... nós vamos fundar essa vila.
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  — Juntos — reafirmou %Sora%, selando a promessa com um beijo calmo e profundo que afastou o resto da escuridão daquela noite.
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  N/A: Mais um capítulo dessa história incrível que eu estou amando demais!
  Esse capítulo trouxe esse lado protetor e ao mesmo tempo “difícil” do Deus Shinobi. O Hashirama é um dos personagens mais incríveis da história de Naruto e sempre me encantou esse jeito dele, nunca pensaríamos que um dos caras mais fortes da obra teria uma personalidade tão peculiar hahah Muito obrigada por lerem, muito obrigada pelo top das mais lidas do site, eu espero que estejam gostando, deixem os comentários pra eu saber a opinião de vocês!

Capítulo 2
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