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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Fear

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

05 • O MÉDICO E O MONSTRO 00

Tempo estimado de leitura: 38 minutos

BOOGEYMAN | AGORA
  Praga, República Tcheca.

  — Preciso admitir — a mulher se pronunciou deliberadamente, com uma serenidade e calma que realçavam sua elegância rígida. Não desviou os olhos de sua xícara de porcelana, todavia, girando a colher de chá de prata pura algumas vezes no líquido, a fim de misturar o açúcar. — Não achei que depois de Berlim você voltaria a despertá-la. Não havia um comando acordado com todos os Conselheiros, eliminá-la de uma vez? O que diabos está tentando provar agora, Doutor?
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  Por um longo momento, o silêncio se espalhou pela mesa de carvalho antiga, esculpida e elegantemente ordenada com as comidas preparadas pelo estabelecimento para o desjejum de seus hóspedes, o banquete, todavia, dispunha-se, entre pratas requintadas e pães frescos, ainda quentes do forno, na frente de uma elegante figura. Ao olhar desconhecido, ela não parecia mais do que uma dama da alta sociedade, talvez aposentada, se fosse levado em consideração os cabelos agora brancos em completude, mas o rosto desprovido de rugas marcantes poderia dar a falsa impressão de ser apenas uma mulher que decidiu mudar a cor de seus cabelos para brancos completos. Permaneciam presos em um coque alto, limpo e perfeito, nem um fio, por menor que fosse, escapava de seu penteado elegante, deixando o rosto límpido de quaisquer distrações. Olhos cinza prateados permaneciam fixos na xícara de porcelana chinesa, com a alça folheada a ouro; críticos, não demoraram muito para localizar as imperfeições do objeto. Os cantos dos lábios finos e levemente enrugados, se curvaram para baixo, em desgosto, esperando uma resposta do homem que havia acabado de se sentar à sua frente. 
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  Os olhos castanhos claros de Fennhoff adquiriram uma tonalidade mais esverdeada quando a luz do sol matinal tocava seus olhos. Como se o castanho fosse filtrado e o que ficasse para trás fosse apenas os pequenos pontos esverdeados, deixando o rosto impecável e austero ainda mais rígido, acentuando os traços finos e as maçãs do rosto altas. Os cabelos ordenados, levemente grisalhos, estavam puxados para trás, no penteado slideback cuidadoso, embora uma mecha lisa tivesse escapado, pendendo pela maçã do rosto esquerdo dele. As mãos, ásperas e grandes, cobertas por luvas de couro, moveram-se de forma econômica e rápida para alçar sua xícara com café puro, amargo, potente.
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  — Não estou tentando provar nada, Kudrin — ele pronunciou-se calmamente, levando a xícara em direção aos lábios e pausando. O líquido encorpado e cálido foi o suficiente para aquecer seu corpo, enquanto seus olhos desviavam do semblante divertido da mais velha do outro lado da mesa, para tomar um longo olhar no cenário que se abria à sua frente. Praga era um lugar deslumbrante, quase o lembrava de casa, mas jamais seria a Áustria. Ainda assim, aquele vilarejo esculpido por entre as montanhas, pequeno, porém charmoso com cabanas e ruas de pedra medievais, possuíam um certo atrativo. Não era uma surpresa que Lyudmila Kudrin, a mente por trás do Programa Viúva Negra, tivesse escolhido aquele lugar para sua aposentadoria. Era caro e oculto, perfeito para a velha espiã. Deixando o gosto do café ainda permear sua língua por mais um pouco, Johann finalmente exalou baixo, repousando a porcelana chinesa no pires com cuidado, seu hálito, aquecido pela bebida e quente por seu próprio corpo espiralou a frente de seu rosto, como uma fumaça esbranquiçada que o vento suave carregou para longe. — A jurisdição do Conselho é falha. Provou-se por vezes, não há dúvidas. Permitiram que Zemo saísse ileso do caos que causou na Sibéria, quando espécimes importantes que mantemos lá foram comprometidos. Tivemos sorte com Novokov, mas os outros? Qualquer líder competente já teria eliminado a ameaça de Zemo a essa altura, e, no entanto, aqui estamos nós, assistindo o traidor continuar respirando em Wakanda. O Conselho é incompetente, liderado por uma criança com mania de grandeza. Se o pai não confiava, por que diabos eu o farei? — Sua resposta soou calma, até mesmo para seus próprios ouvidos, mas havia uma ponta de ameaça disfarçada nas palavras educadas. Uma ponta, esta, que não passou despercebida por Kudrin. — Ela sempre me pertenceu. Queiram ou não, fui eu que a criei, não há outra pessoa a quem ela responda, neste caso, tenho o direito de usá-la como preferir.
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  Lyudmila Kudrin o encarou em silêncio por uma fração de segundos, antes de soltar uma gargalhada alta. Johann não perdeu sua compostura, mas seus olhos se estreitaram, observando como alguns turistas, perdidos em suas conversas e debates sobre suas férias e lojas aos arredores, pousavam momentaneamente para encarar a cena. Fennhoff ofereceu a alguns um sorriso educado, acenando com a cabeça em um reconhecimento silencioso de suas percepções e até mesmo curiosidades, antes de voltar seu olhar para a velha espiã. Algo sombrio, perigoso, pareceu começar a crepitar por trás de seus olhos castanhos claros. 
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  — Desenvolveu apego emocional depois de tanto tempo, doutor? Que doce — Lyudmila menosprezou, desdenhosa. Os olhos, afiados, fixaram-se no rosto de Fennhoff, estreitando-os ao analisá-lo com demasiada lentidão. Não era apenas uma demonstração de seu poder, era uma análise minuciosa. — Belova pertencia a Dreykov. Céus, até Natalia Romanova pertencia a Dreykov. Aquela desculpa patética de Shostakov pertencia a nós, Fennhoff. Não se engane, meu caro, para pertencer, você precisa controlar. — A pausa categórica não passava de um auxílio dramático para a ênfase que a velha espiã parecia querer fazer, mas pouco efeito havia tido em Fennhoff. O homem, ao contrário, permitiu-se repousar os pulsos no canto da mesa, tencionando a mandíbula, contendo o próprio impulso de comandá-la calar-se. Lyudmila Kudrin não era assim tão fácil de dominar, não quebrava facilmente, logo, haveria uma dificuldade maior em a controlar; ainda que fosse tentador. — Você não é o primeiro a ter sido atraído pela falácia que se apresenta com a existência dela. Eu sei que pode soar atraente, todo aquele poder, todas as possibilidades do que ela pode fazer se guiada da forma certa? Por favor, Johann, qualquer idiota pode ver o potencial ali. — Lyudmila pausou outra vez, deixando-se recostar na cadeira estofada e confortável que se encontrava, alçando uma torrada e então uma faca de prata, espalhando sobre a superfície geleia de morango. Tão escura que parecia quase uma piada pessoal, uma provocação ao homem relacionado ao tópico de sua conversa. Lyudmila sorriu, discreta, a dama de gelo parecendo entretida com o semblante difícil de ser lido de Fennhoff. — Taras o viu. E Zola, antes dele, até mesmo o desgraçado do Stryker tentou sua sorte com a garota. Existe um motivo para que Schmidt não a tenha executado, assim como existia um motivo para que Lehnsherr não tenha sido executado. Em ambos os casos, veja o resultado. Não como controlar uma criatura como aquela. Já deveria ter aprendido isso.
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  Fennhoff assistiu Lyudmila levar a torrada em direção aos lábios, mordendo-a com elegância, inclinando a cabeça para o lado, sem dizer nada. O olhar de Fennhoff permaneceu fixo no rosto de Lyudmila, as engrenagens de sua mente funcionando eram quase visíveis, o que fez a velha espiã bufar, depreciativa. Alçou o guardanapo de linho ao lado de seu prato, limpando os cantos dos lábios finos. 
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  — Quebrei sua expectativa, doutor? — Johann não respondeu a provocação de Kudrin. Ele apenas a observou em silêncio por um longo tempo, e seu silêncio pareceu deixar Lyudmila Kudrin mais e mais desconfortável. — Estou apenas sendo realista, Fennhoff. Prática, como de costume.
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  — Não. Está sendo cínica — Fennhoff respondeu finalmente. Kudrin ergueu uma sobrancelha fina e angular, bufando baixo, mas permitindo-se a ouvi-lo agora, adepta do extremo das regras de civilidade em uma conversa. — Eric Lehnsherr é um terrorista, Lyudmila. Um que vocês criaram e que eventualmente irá bater à sua porta, exigindo pagamento. E se o Departamento X falhou, então a culpa é inteiramente de Stryker, e ninguém mais, ao tentar domesticar aquele espécime animal ao invés de uma pessoa. Dois fatores dos quais eu não compartilho. — Fennhoff alçou de um dos pratos um pequeno pedaço de queijo branco, repousando-o sobre o kolach com compota de ameixa, e então levou-o a boca, mastigando devagar ao contemplar a mistura de sabores em sua boca. Esfregou as pontas dos dedos, distraído, tentando livrar-se das pequenas migalhas que haviam ficado em seus dedos. O gesto não era apenas desrespeitoso, era deliberado. Uma retribuição à provocação silenciosa de Kudrin. — Posso não ter iniciado, mas estive à frente deste projeto por tempo o suficiente para ter dissecado e reconstruído o cérebro dela. Sua psique. Sua personalidade. Moldei-a a perfeição, Kudrin. Não sou Zola, e tampouco Taras, eu não falho.
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  Lyudmila apoiou o braço esquerdo sobre o encosto de sua cadeira, girando distraidamente o anel oficial com uma pedra de rubi que se encontrava em seu dedo anelar esquerdo, o polegar traçando os pequenos detalhes esculpidos na peça da antiga União Soviética sem perceber que o fazia. O ato era inconsciente, mas revelava mais do que deveria da velha espiã: estava calculando
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  — O que está diferente agora, Johann? — questionou categoricamente, sua voz misturava algo entre desafio e tensão. Não era uma novidade que cientistas tentassem inovar, não era uma novidade sequer que cientistas estivessem dispostos a jogarem-se diante dos riscos que se apresentavam em suas pesquisas e criações pessoais, o problema disso era a bagunça que era deixada para trás.
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  Por um longo momento, não houve resposta. 
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  O homem permitiu-se observar outra vez a bela rua, elegante e cara, do vilarejo esculpido ao lado da montanha. A forma com que a neve flutuava pelo ar, como pequenos pontinhos esbranquiçados pairando sem gravidade alguma, como acumulava-se ao redor dos telhados e dos chãos, cobrindo tudo como um manto macio e fofo. Observou a maneira com que as luzes do sol tocavam a superfície esbranquiçada, transformando o gelo em pequenos cristais discretos. Mas acima de tudo, os olhos castanhos claros, agora com tonalidades esverdeadas, percorreram os rostos das pessoas que caminhavam livremente pelo espaço. Turistas sorrindo e rindo entre si, tirando fotos ou conversando com locais do vilarejo em busca de alguma lembrança que pudessem levar para suas casas. Algumas crianças corriam animadamente em direção a praça pública, com a única intenção de jogarem neve umas nas outras. Assistiu inexpressivo quando uma garotinha, não mais do que 6 anos, desabou bruscamente no chão e começou a chorar, com o joelho cortado. Observou o rosto da criança se crispar, as lágrimas escorrendo pela pele pálida, avermelhando-se. Chorava, não por causa do machucado aberto em seu joelho, mas pela surpresa de sua queda. 
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  Quando olhou para ele, mesmo que de relance, Johann Fennhoff levou o indicador em direção aos seus lábios, soltando um “shh” em forma de comando para a garotinha. O comando de silêncio foi recebido com imediato acato; as lágrimas da menina pararam quase imediatamente, o rostinho deixou de ficar crispado para permanecer inexpressivo. Observou então ela se levantar, limpando suas roupinhas, antes de caminhar de volta para o grupo de crianças que seguia. Observou quando as outras crianças perguntaram se ela estava bem, e ela não respondeu nada. Ficou apenas em silêncio
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  — As pessoas são simples de desvendar, Lyudmila — Johann refletiu, sua voz baixa e indiferente, os olhos castanhos claros voltando a fixar-se nela. — Tome por exemplo você mesma. — Johann ajustou-se contra a cadeira, apoiando seus cotovelos sobre a mesa e unindo as mãos a frente de seu rosto, os olhos fixos em Lyudmila, sustentando o olhar da velha espiã com intensidade. — Comparado com Howard Stark e mesmo Abraham Erskine, você foi capaz de quebrar a fórmula do soro Super Soldado e reconstruí-la do zero. Uma genialidade subestimada pelos ocidentais, mas conseguiu ir além de onde eles jamais puderam. — Lyudmila estreitou os olhos, tencionando sua mandíbula sem desviar seu olhar de Johann. Ele percebeu como ela estava tentando, mas não conseguia. — Você criou a variante do soro Super Soldado. Você descobriu que o sangue de %Petrovych% era capaz de estabilizar a forma. Lyudmila Kudrin, a mulher que você é deveria estar sendo contemplada, lembrada pela história, deveria ao menos ter recebido honrarias — Fennhoff pausou por um longo tempo, deixando suas palavras repousarem nos ouvidos da velha espiã. Viu o rosto dela se enrijecer, algo atravessar seu olhar e a mandíbula se tencionar, um músculo discreto, porém presente, projetando-se com a tensão. Johann ergueu o queixo, desafiadoramente, sem desviar o olhar dela. — E, no entanto, você está aqui, neste vilarejo, escondendo-se porque está aterrorizada com a possibilidade de Belova ou Romanoff localizar você. Quando elas a encontrarem, e farão, o que você irá fazer? Sentar, tomar um chá e relembrar do passado? Qual será sua atitude prática? — Johann questionou com uma voz aveludada, cuidadoso para não soar acusador, mas seus olhos deixavam em evidência que ele não estava brincando. 
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  Desviou sua atenção finalmente dos olhos de Lyudmila, repousando-a na mesa com um ar distante. Seus pensamentos, embora longínquos, não pareciam dispersos, permitiu-se alçar a faca que ela usou para espalhar a geleia na torrada que havia comido, girando-a por entre seus dedos com habilidade.
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  — As pessoas possuem esta… necessidade por aprovação. — Johann girou a faca por entre seus dedos, permitindo-se analisar o tom da geleia que cobria o metal contemplativo, uma sombra perigosa pairando em seus olhos castanhos claros. Quando o vento os tocou, desta vez, e desalinhou os cabelos dele, Fennhoff não fez questão alguma de ajeitá-los. Talvez tenha sido isso que tenha incomodado Kudrin. — Seja pela forma que for: medo, desejo, comunidade, senso de pertencimento, estão dispostas a fazerem de tudo, a usarem de tudo para conseguir isso. Mesmo o ódio, pode ser uma boa forma de validação. — Johann deu de ombros, desdenhoso, voltando a recostar-se contra a cadeira. Alçou da mesa o guardanapo de linho, desdobrando-o com calmaria, antes de limpar a faca em demasiada lentidão. Os olhos presos na tarefa em mãos. — Estão famintas por conexão. Sempre estiveram. Admito, através do medo, vocês conseguiram feitos incríveis, a reconstrução do cérebro de Barnes? O Soldado Invernal moldou um século, mas assim como todas as outras armas, ele falhou. Mas está o truque, minha cara.— Johann girou a faca com um arco elegante, segurando-a pela ponta serrilhada, e então estendeu o punhal para Kudrin, em um convite silencioso para que ela o pegasse. — O que acha que acontece quando você mistura medo e afeto, Kudrin?
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  Mesmo que soubesse que não teria uma resposta, não deixou de questioná-la. Queria ver nos olhos dela a compreensão de suas palavras. Queria observá-la atentamente — como ela fez com ele poucos instantes antes — enquanto a analisava silenciosamente. Queria observar suas palavras quebrarem aquela impenetrável armadura que dificultava que suas palavras criassem raízes. Permaneceu estendendo a faca para Kudrin, um gesto silencioso, mas simbólico, caso esta viesse a aceitá-lo. 
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  — Devoção — Fennhoff completou por fim. O fantasma de um sorriso quase surgiu por seus lábios ao observar Kudrin se tencionar. Pela primeira vez, desde que ele chegou até aquele restaurante, viu os olhos de Lyudmila tornarem-se menos zombeteiros e mais sérios. Bom, estava levando sua presença como uma ameaça, mas não era o suficiente. Ainda não. — Chute um cachorro, e ele eventualmente irá morder você. Ofereça migalhas… — Johann indicou com sua cabeça, sugestivo.
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  Lyudmila finalmente se moveu. Tomou o cabo de sua faca como se esta fosse uma arma perigosa, e não um objeto usado apenas para passar manteiga e geleia sobre alguma superfície. Fennhoff sequer duvidava da capacidade de corte daquele objeto, ainda assim, um brilho satisfeito quase iluminou sua expressão austera. 
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  — Acredita mesmo que conseguiu algo com aquela criatura, doutor? — Os dedos da velha espiã se fecharam com mais força no cabo da faca, cotovelo dobrado sobre a mesa, ao inclinar-se um pouco mais na direção de Fennhoff. Sua impaciência, agora, era evidente, mas havia algo a mais ali também, algo que Lyudmila Kudrin jamais admitiria que sentia, mas que não poderia igualmente esconder. Havia medo. — Quer saber o que ocorreu quando Taras Romanoff a trouxe para meu laboratório pela primeira vez? — Johann tencionou os músculos de seus ombros, estreitando os olhos, mas não disse nada, sequer fez menção de a interromper. — Quase 217 funcionários, Fennhoff. De uma vez. Explodiram. De dentro para fora. — Lyudmila Kudrin permaneceu em silêncio por um momento, se por efeito dramático ou apenas para acrescentar uma carga emocional mais pesada em sua fala, Johann não soube dizer ao certo, mas sua expressão permaneceu distante. Os olhos permaneceram fixos, quase vidrados nos dela. — Por quase quatro anos o local ficou interditado. Qualquer um que entrasse? Era atacado. O sangue coagulou no ar. O que escapava pela tubulação, grudava nas roupas dos operadores, os infectava. Não estou falando de termos físicos, doutor, estou falando de misturar-se com o sangue deles, adaptava-se, um parasita, e controlava-os como marionetes. — Johann não se moveu, nem mesmo um centímetro, quando ela se inclinou mais em sua direção, a faca repousando em seu pescoço, a lâmina gélida, serrilhada acariciando fantasmagoricamente o pulso em sua carótida. — Alucinações, aneurismas, diminuição e aumento de pressão no cérebro? Isso é apenas a ponta do iceberg.— Lyudmila pausou novamente, como se estivesse tentando ter certeza de que ele havia ouvido todas as suas palavras, antes de prosseguir: — Aquela criatura controla sangue, Johann. Cinco, seis litros dentro de você, de todos em terra firme, mesmo na água. Está em todo lugar. Como um recurso? Ela é excelente. — Lyudmila pressionou com um pouco mais de força a faca serrilhada no pescoço de Johann, que trincou os dentes, sustentando o olhar da mulher em silêncio. — Como arma? É uma bomba relógio. Ela explode, e nós estamos acabados. Ela explode, e o mundo descobre sobre. Sobre ela, sobre eles. Ela explode, e todos nós morremos. É este o seu plano? Destruir tudo?
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  Mais uma vez, o silêncio sepulcral estabeleceu-se no espaço. Obrigada a abaixar sua mão, Lyudmila se endireitou em sua cadeira outra vez, lançando um olhar a sua volta, antes de finalizar seu chá. Ainda empunhava, todavia, a faca com sua mão direita. O vento gélido, assoprou outra vez, com um pouco mais de intensidade. Os olhos castanhos claros do homem desviaram-se do semblante sério e silencioso de Lyudmila e se fixaram por um momento nos céus. Uma tempestade aproximava-se, as nuvens escuras ao longe pareciam carregar não apenas chuva, mas neve também. A temperatura iria baixar ainda mais ali. Quando voltou a encarar Lyudmila, algo havia alterado em seu semblante, algo que não era perceptível de imediato, mas que lhe rendeu um mínimo sorriso.
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  — Sou eu quem retira o pino, Kudrin — ele respondeu calmamente, o tom aveludado, adquirindo uma nota mais fria, calculada. — Sou eu quem decide onde ela irá explodir.
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  Lyudmila o encarou descrente. 
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  — Foi por isso que a enviou atrás de Barnes? — Johann não respondeu, o semblante de Lyudmila Kudrin de repente pareceu se iluminar com uma compreensão. Os lábios, todavia, se entreabriram levemente, e os olhos não tardaram a se arregalar. O quase sorriso de Fennhoff finalmente se tornou um sorriso discreto, entretido. O semblante de Lyudmila se tornou mais sombrio. Ele encontrou a quebra que precisava. Estava no medo refletido nos olhos de Lyudmila. — O que você está planejando com tudo isso, Johann?
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  Ele não respondeu de imediato. Os olhos desviaram-se do rosto da velha espiã, e então repousaram na faca que ela empunhava em vão em sua mão direita para então encontrarem-se com o anel na mão esquerda dela. A luz matinal tocou a pedra de rubi ao centro, criando brevemente fragmentos coloridos, avermelhados, contra a toalha de mesa impecável de linho. Quando se pronunciou, sua voz, aveludada e firme, pareceu espiralar pelo espaço como uma carícia, convidativa, suave, impossível de ser negada.
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  — Corte seu dedo, Lyudmila, depois, me entregue o anel.
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  A velha espiã congelou no lugar, arregalando os olhos. Levou um tempo para registrar o comando, e por um momento, ele observou com uma expressão entretida, impossível de ser lida, o conflito tingir a expressão severa dela. Observou como os olhos se moviam ao redor do espaço, ansiosos, tensos, buscando uma saída. E, todavia, ela ainda estendeu sua mão sobre a mesa, a pele levemente envelhecida pela passagem do tempo, mas ainda assim bem cuidada, contrastando levemente contra a toalha de mesa, evidenciando pequenos espasmos, tremores leves, mas presentes. Estava nervosa, estava lutando contra o comando, mas não conseguiria escapar. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, seu corpo cedeu ao comando, e ela pressionou a faca sobre seu dedo esquerdo anelar, os olhos arregalados fixos agora na faca que empunhava. Um movimento de seu pulso, e então Lyudmila Kudrin se colocou a cerrar seu dedo. Sangue, vibrante, não demorou a espalhar-se pela mesa, manchando o tecido impecável da toalha, formando uma poça. 
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  Os olhos castanhos claros dele desviaram-se por um breve momento do rosto torturado, porém contido de Kudrin, para encarar os turistas e civis que imediatamente saltaram de suas cadeiras, aterrorizados ao assistir Kudrin cortar o próprio dedo. Com um sorriso reconfortante, a voz aveludada de Fennhoff se projetou, mais alta, pelo espaço, reverberando convidativa, mas igualmente firme, como um comando: 
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  — Está tudo bem, não temam, isso é apenas parte de um espetáculo.
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  Houve uma pausa breve, talvez de surpresa, talvez apenas assimilação do comando, e então, os civis e turistas relaxaram. Alguns soltaram risos baixos, outros até mesmo aplaudiram, voltando a sentar-se em suas mesas, voltando a conversar ou assistindo a cena com apreciação. Fennhoff voltou a linha de seu olhar para Kudrin, tencionando sua mandíbula ao erguer o queixo levemente, um desafio silencioso pairando por seu olhar, quando ela atingiu o osso.
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  Havia ódio na expressão de Lyudmila quando ela finalmente arrancou o próprio dedo. A mão direita, trêmula soltou a faca serrilhada e cega sobre a mesa, a prata tilintando contra a porcelana de seu pires, antes de afundar-se sobre a poça de sangue que se formava ao redor da mão dela, escorrendo devagar pelas fibras do tecido, pingando no chão. Com o dedo em mãos, ela estendeu o anel na direção de Johann que não se preocupou em pegar o membro mutilado, mas sim, apenas o anel com o rubi. Girou-o entre seus dedos, analisando-o, tentando certificar-se de que era o correto, antes de guardá-lo no bolso interno de seu terno.
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  — Diga à Pecado que estarei assumindo o comando de Zephyr— comandou, ajeitando a lapela de seu casaco antes de levantar-se da mesa, ajustando as abotoaduras em seus pulsos, antes de alçar a xícara com seu café, estendeu-o na direção de Lyudmila, como quase um brinde, antes de levar aos lábios e finalizar a bebida. — Ao medo, minha cara, e o início de uma nova era. 
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ARMA X | 1968
  Nagasaki,  Japão.

  O aroma da floresta carregava algo diferente naquela manhã.
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  Os cheiros e almíscares familiares ainda estavam ali. Logan conseguia identificá-los com facilidade; o cheiro de terra molhada, o almíscar natural de animais e territórios marcados espalhados pelo terreno irregular, o aroma das árvores, e até mesmo a mistura de chuva e neve que começava a se aproximar. Podia sentir o aroma pungente de madeira cortada, e o metal que permanecia cravado em seu machado, podia sentir o próprio suor e, em algum lugar um pouco mais atrás, dentro da cabana simplória, porém aconchegante, ele podia sentir o cheiro dela. Reconfortante, um alento para uma alma desgastada pela violência e o cansaço de uma existência que se estendia a sua frente sem a possibilidade de um final; acompanhava um pequeno aroma, mais tímido, ainda se desenvolvendo, e algo na selvageria de Logan se acalentava, perdia-se para dar espaço a uma emoção, ainda que cautelosamente desabrochado, já era forte o suficiente para que ele soubesse que não havia nada naquele mundo que ele não faria para protegê-los. 
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  Tudo aquilo seria um dia normal para o Wolverine. 
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  A verificação predecessora das lenhas, para ver se estavam secas e ainda utilizáveis, e então a busca por mais madeira, a fim de aumentar um pouco mais o estoque e certificar-se de que não faltaria, nem à noite, e nem no inverno que aproximava-se. O trabalho de cortar a madeira costumava acalmar sua mente, e o manter focado nas tarefas em mãos. Então seguiria com seu dia, verificando o território, caçando algo para o almoço e o jantar, ou simplesmente pescando quando ela desejava algo diferente. A vida pacata e simplória parecia o ter ajustado, ainda que possuísse pequenas rebarbas de seu próprio passado, muito bem, melhor do que ele nunca tivera. Não durante a guerra, ao menos. Mas naquele dia, o vento havia trazido algo a mais. 
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  Algo que Logan havia jurado para si mesmo que nunca mais sentiria. Não conseguia identificar direito, mas sem sombra de dúvidas poderia dizer que estava presente. Algo que o fez congelar no ato de fincar o machado que empunhava no pedaço de madeira à sua frente, observando-o enterrar-se contra o objeto até sua metade, e estagnar ali, os músculos de seus ombros e costas expostos, e agora, cobertos pela fina camada do suor, tencionaram-se ainda mais. Ele inclinou seu rosto para a esquerda, estreitando os olhos, completamente imóvel. Franziu o nariz, inspirando profundamente, farejando o ar. 
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  Por um longo momento, o silêncio foi a única coisa que o abraçou.
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  Memórias distantes o acompanharam. Memórias da Segunda Guerra, memórias de traições feitas por impulso ou apenas por ter encontrado uma recompensa melhor. Memórias de um velho amigo que havia perdido, e na inspiração que ele deveria ter despertado em Howlett — mas só existia um Steve Rogers. Memórias das torturas e violências que o haviam tornado o monstro que agora era, do metal que envolvia seus ossos, tornando-o indestrutível, mas que de igual tom parecia o envenenar lentamente. Logan piscou, soltando um grunhido baixo, quase animalesco, soltou o machado que segurava, buscando com o olhar alguma pista do que havia invadido seu território. Mas as memórias estavam começando a espiralar, apresentando-se de forma desorganizada e desorientadora. 
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  Logan estava vivo há muito tempo. Havia visto e feito coisas que o assombravam permanentemente durante a noite, coisas que carregava como uma sina e um fardo do qual não poderia escapar, mas ele não era o tipo de pessoa que se permitia viver na nostalgia. Não podia, se o fizesse, certamente, enlouqueceria. Havia muita culpa ali. Havia muita perda e dor. E, todavia, porque diabos ele estaria… 
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  Os olhos azuis acinzentados do mutante repousaram em algo a alguns metros de distância de onde estava. Entre um emaranhado de pinheiros e bambus quando os primeiros flocos de neve começaram a cair dos céus. Piscou algumas vezes, tentando afastar de sua visão os flocos esbranquiçados que pairavam pelo ar. Uniu as sobrancelhas, fechando as mãos em punhos firmes; sentiu quando as lâminas despontaram por entre os nós dos seus dedos, rasgando os músculos e rompendo as veias que as mantinham presas entre seus antebraços e mãos, o ruído metálico de suas garras carregando pelo vento chegando abafado aos seus ouvidos. Inspirou mais uma vez, o nariz franzindo um pouco mais enquanto os olhos disparavam ao redor. 
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  Aço puro.
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  Espalhava-se como veneno pelo ar, tingia o vento que o carregava e o envolvia como um manto quase sufocante, perigoso. Seu estômago se contraiu, a bile demasiada amarga atingiu sua língua e por um segundo ele quase tremeu, o tempo ameno e os flocos de neve que agora grudavam em sua pele cálida, pouco sendo o recurso de tal causa. Por muito tempo, o mutante havia se sentido amortecido para a realidade que existia, por um longo e confuso tempo havia apenas uma mistura desesperada de sentimentos que ele tampouco sabia controlar, mas que, em contrapartida o controlava, a confusão, a raiva e os mais derivados tipos de emoções de autodestruição, a sensação de inadequação, o desespero por pertencimento e até mesmo o medo pelo que era, pelo que jamais poderia ser. Nunca seria como os outros, mesmo os de sua espécie o diferiam. Era um animal preso no corpo de um homem; mas isso havia mudado com Mariko. 
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  Mariko havia o compreendido, de certa forma. Mesmo que ele tivesse se envolvido com outras mulheres ao longo dos anos, e tivesse tido outros relacionamentos, carregando a marca que haviam deixado em si, desta vez, Logan sentiu medo. Profundo, corroendo suas entranhas e transformando seu sangue em lascas de gelo, fazendo seu coração martelar, violento, contra sua caixa torácica, e seus ouvidos pulsarem ao ritmo de seu coração, irregular, acelerado. Sentiu medo, puro e visceral, do que poderia perder naquele dia, do que não estava disposto a arriscar. Talvez estivesse paranoico, talvez fosse um dos inúmeros truques de sua mente, ou, talvez, eles tivessem o encontrado. Se fosse um jogo, não poderia perder. Se fosse uma armadilha, não poderia permitir-se ser capturado — não até que tivesse certeza que Mariko e o bebê ainda não nascido, tivessem conseguido escapar.
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  Não importavam as consequências desde que o resultado fosse o mesmo. Mariko e seu filho, vivos. Então antes que pudesse impedir o impulso, antes que seu instinto pudesse vencer sobre sua racionalidade, Logan começou a correr. Disparou o mais rápido que conseguia pela floresta, não em direção de onde o cheiro partia, mas em direção a cabana, a respiração ofegante e áspera, pesada, escapando por entre os dentes cerrados, projetando-se pelo ar como uma fumaça esbranquiçada, os olhos arregalados evidenciavam as pupilas começando a dilatar-se enquanto a adrenalina se espalhava mais e mais rápido por seu corpo. 
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  Este foi seu maior erro. 
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  O primeiro disparo o atingiu no ombro, com força o suficiente para lançar parte do corpo dele para frente, quase desequilibrando-o. Sentiu a força do impacto do projétil arrancar parte do músculo de seu ombro e estilhaçar a junta, pedaços escaparam de dentro do buraco, escorrendo pela pele dele. A dor explodiu por trás dos olhos dele, mas não parou de correr. Grunhindo voltou seu rosto na direção do ombro destruído, tentando encontrar o projétil, pânico tingindo sua expressão quando os dedos tocaram algo quente e rígido, resistente, arrancou o projétil com um rosnado sufocado, observando um fragmento de sua cartilagem enroscada em meio ao sangue que manchava o metal. Levou-o em direção ao nariz, sentindo o aroma. Por baixo de seu sangue havia o pungente cheiro de Adamantium. Puro. O mesmo material que compunha não apenas suas garras, mas seus ossos em profundidade e que o envenenava aos poucos. Mais disparos o atingiram, um acertou a lateral de sua cintura, de raspão, mas o suficiente para deixar para trás um corte largo que não tardou a manchar a barra de sua calça escura. Mas não parou. 
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  O ferimento em seu ombro começou a se curar outra vez, mas diferente das outras vezes que ele havia se ferido, o processo de cura estava retardado, a dor ainda presente em seu corpo, o sangue ainda se esvaindo, o latejar intenso do ferimento aberto uma indicativa do veneno o corroendo. Foi somente quando o terceiro disparo o acertou, na altura de sua panturrilha, que Logan teve sua corrida interrompida. Seu corpo projetou-se para frente, rolando com violência pelo chão íngreme e repleto de raízes que se abria pela floresta. Rolou por sobre seu ombro esquerdo, obrigando-se a colocar-se de pé outra vez, voltando seu rosto em direção de onde ele havia acreditado que o disparo havia partido. O grunhido animalesco que escapou de sua garganta não era apenas frustrado, mas irado. Lufadas de ar que escapavam por entre seus dentes cerrados, condensavam-se no ar espiralando ao redor de seu rosto como fumaça branca. 
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  Buscou desesperadamente com o olhar pelo atirador, mas encontrou apenas o silêncio e o vazio da floresta coberta pelo inverno.
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  Então o golpe violento o acertou na altura de sua cabeça, lançando seu rosto para a esquerda e afundando seu crânio para dentro. O sangue explodiu pela lateral de sua cabeça, enquanto seu corpo se chocava outra vez. Mal havia acertado o chão, e Logan já estava se erguendo, voltando-se na direção que o golpe partiu. Seus olhos azuis acinzentados encontraram a figura pronta para finalizar o trabalho. Cabelos longos, escuros, na altura de sua mandíbula, desalinhados, o rosto coberto pela máscara ocultava sua identidade com precisão, incluindo os olhos com os óculos escuros de proteção, mas o braço biônico com a estrela de cinco pontas vermelhas, e a arma de longo alcance empunhada lhe era familiar. 
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  O Soldado Invernal
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  Logan não teve tempo de reagir. Antes que pudesse registrar direito a ameaça, o Soldado Invernal já havia avançado outra vez. Logan chutou o abdômen do Soldado Invernal, mandando-o para longe, antes de saltar com um grunhido animalesco, voltando a colocar-se de pé. Estalou seu pescoço, cuspindo no chão o sangue que ainda se acumulava em sua boca, inclinando-se para frente.
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  — Você não quer fazer isso, Barnes! — ralhou o mutante, tentando convencer o outro soldado a desistir da ideia de matá-lo. Tentando convencer aquela criatura mortal que aquilo era uma péssima ideia, o resquício de sua humanidade, de sua amizade com Rogers, ainda presente mesmo depois de tanto tempo, e sua traição ao Capitão América. Mas o Soldado Invernal não respondeu. Em vez disso, mirou outra vez na direção de Logan, disparando a kongsberg adaptada com as balas de adamantium. Logan gritou com a explosão que atingiu seu tronco. Ossos e pedaços de carne explodiram ao redor onde os projéteis atravessaram, deixando para trás buracos inteiros, ou tão profundos para surgirem do outro lado. — Barnes, porra! — Tentou Logan outra vez, mas era em vão.
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  O Soldado Invernal rolou para a esquerda descartando a kongsberg adaptada, retirando imediatamente do coldre preso atrás de sua omoplata direita outra pistola, obrigando Logan a rolar para a esquerda, desviando dos disparos. Era uma luta perdida, e Logan tinha muito mais a condenar do que sobreviver à culpa de ter matado o melhor amigo aprisionado de Steve Rogers. Se o matasse, de certa forma, seria igualmente misericórdia. Então Logan avançou, em um estado de frenesi intencional, berzerk. Viu vermelho, grunhiu e gritou como um animal, e o acertou com selvageria. 
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  Fincou as garras de sua mão esquerda no pulso biônico de Barnes, grunhindo animalesco, ao usar sua força para puxar o metal para longe. O adamantium não encontrou resistência contra a mão biônica, rasgando o metal e os fios, como papel. Mas Barnes foi mais rápido. Retirou outra pistola, esta presa em um coldre em sua perna, e imediatamente disparou contra Logan. Dois disparos em sua perna esquerda, atravessando o músculo de sua coxa, e um projétil cravando-se em seu fêmur. Adamantium contra Adamantium criando pouca resistência. Logan gritou com a explosão de dor que quase o derrubou, mas em seu estado de completa selvageria, fincou as garras direita no pulso humano do Soldado Invernal, empurrando para frente e rasgando o membro, fazendo-o soltar a arma, antes de atacar o tronco do outro.
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  Acompanhado do gemido de fúria, Logan fincou suas garras, direita e esquerda, no tronco de Barnes. Esquerda, direita, esquerda, direita, esquerda, e então atravessou o peito do Soldado Invernal, empurrando-o outra vez para trás. O golpe deveria tê-lo matado — teria o feito com qualquer humano ou mutante sem poderes relacionados a regeneração que o tivesse atacado —, mas embora o sangue do Soldado Invernal começasse a se acumular em uma poça ao redor de onde jazia, ele ainda estava movendo-se. Talvez, Logan o tivesse matado naquela manhã, talvez, ele tivesse oferecido um golpe de misericórdia para a arma que agora ocupava o lugar do que fora anteriormente apenas um garoto. Talvez se Logan tivesse apenas fincado uma última vez suas garras no peito do Soldado Invernal, a história poderia ter sido diferente.
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  Mas da entrada da cabana agradável e familiar, a voz de Mariko, urgente, chamou por seu nome. Logan congelou no lugar, os olhos se arregalaram em completo horror, a pele empalidecendo enquanto os lábios se partiram tomados, todavia, apenas pelo silêncio, quando a mulher que amava, nos estágios finais de sua gravidez, disparou em sua direção, empunhando sua katana. Logan não teve tempo de fazer outra coisa senão tentar correr na direção dela, seu nome a caminho de escapar por seus lábios enquanto suas costas se voltavam para o Soldado Invernal. O grito para que Mariko fugisse morreu em seus lábios quando o disparo da arma repercutiu pela floresta.
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  Logan sentiu o impacto primeiro do que a dor. Sua cabeça foi lançada para frente com violência, algo cálido, encorpado e com fragmentos molengas escorrendo do centro de sua testa, por seu rosto. Pedaços de seu crânio desabaram no chão acompanhados pelos fragmentos de seu próprio cérebro. O buraco que atravessava a cabeça inteira dele, exposto, enquanto seus joelhos finalmente cediam ao seu próprio peso. O projétil, ainda quente pela pólvora, desabou no chão, amassado pela resistência do crânio do mutante. Mariko havia gritado, mas Logan pouco poderia ter feito. O corpo registrou primeiro o problema no cérebro, e então a dor explodiu por sua cabeça, lancinante. O efeito do ferimento foi severo, paralisando-o, fazendo-o sufocar com o próprio ar e espuma escorrer por entre seus lábios entreabertos.
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  O disparo do Soldado Invernal não o havia matado, não poderia quando sua regeneração, ainda que lenta pelo veneno do adamantium, começava a agir outra vez, mas foi o suficiente para estraçalhar seu cérebro. O suficiente para pará-lo. Para aprisioná-lo dentro de seu próprio corpo. Logan tentou lutar contra seu corpo, tentou arrastar-se em direção a Mariko, mas o sangue escorrendo sobre seus olhos e nariz, pingando de seu queixo era o indicativo que não conseguiria. Pedaços de seu cérebro desabaram no chão à sua frente, acompanhando o sangue que se esvaía. Logan não pôde fazer nada senão assistir quando o Soldado Invernal se levantou outra vez. Ainda sangrando, ainda ofegante e machucado, com seu rosto, agora, voltado para Mariko. Ela estava aterrorizada. A katana escapou de suas mãos, acertando o chão com um tilintar nauseante quando, por instinto, tentou se proteger, seu braço esquerdo disparando em direção ao seu rosto, enquanto seu direito envolvia sua barriga avantajada de grávida. O grito de desespero, escapou distorcido e repleto de sangue e saliva da garganta do Wolverine, a dor, transcendendo mesmo seu estado catatônico, o desespero, enlouquecendo-o, quando o Soldado Invernal apertou o gatilho.
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  O corpo de Mariko atingiu o chão com um baque molhado e duro, a cabeça estalou violentamente contra o chão coberto de raízes e neve, o sangue tingiu o solo rapidamente, formando uma poça, os olhos, vidrados, permaneceram fixos em Logan, o peito imóvel. E o buraco no centro de sua testa, limpo, revelando a trajetória que a bala havia atravessado.
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  Nada pareceu importar para o mutante quando o sangue de Mariko parou de se esvair. Em uma manhã qualquer, ele havia perdido tudo: a mulher que amava, seu filho, e o conforto de uma vida simplória que ele jamais havia acreditado realmente merecer, mas que lhe fora oferecido e aceito de bom grado do mesmo jeito.
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  A culpa era do Soldado Invernal. De Bucky Barnes
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  E Logan teria sua cabeça em um prato, não importava quanto tempo passasse. A vida de Barnes, agora, lhe pertencia
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  Nota da Autora: tava achando que tava ruim? Calma, vai ficar pior.

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Lelen

Gente, esse doido da primeira parte? E a ex espiã? WTF? Também com o negócio de controle da mente. Mas oshi, pelo que tavam falando a bichinha era importante nesses projetos, né? COMO QUE ACABOU CONTROLADA? :O
E ESSA PARTE DO WOLVERINE, MEU SENHOOOOOR
QUE DOR NA ALMAAAA. O COITADO SÓ QUERIA PAZ E SER FELIIIIIIIIIIIIZ. Entendo a revolta dele com o Bucky e tô com medinho dessa vingança aí >.<

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