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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Fear

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

04 • O Soldado

Tempo estimado de leitura: 38 minutos

RUSTED | AGORA
Las Vegas, EUA.

  O banheiro não era pequeno, mas era sufocante.
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  A água da torneira esvaía-se em sua potência máxima, fazendo barulho o suficiente para abafar o ruído em seus ouvidos, para abafar a discussão de Steve e Sam sobre o que fariam com %Marya% agora, para fazer com que a voz da mulher se tornasse apenas um ruído branco, mas não silenciava sua mente.
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  James piscou. Uma, duas, três vezes, tentando clarear sua visão, mas falhou outra vez.
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  Havia algo de errado, ele podia sentir.
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  Percorrendo por baixo de sua pele, rastejando e arranhando-o, dilacerando-o lentamente com uma sensação sufocante de amortecimento. Como se, mesmo que ele tentasse esfregar as pontas de seus dedos, mesmo que fincasse suas unhas, não sentiria nada. Aquela sensação familiar e distante de que seu corpo não lhe pertencia. Bucky abriu os olhos novamente, encarando seu reflexo, e por um segundo, o que ele enxergou ali, não era James Buchanan Barnes, ou o que havia restado dele; era o Soldado Invernal que o encarava de volta. Os cabelos cortados mais curtos haviam sido uma vã tentativa da parte dele de tentar desvincular-se da imagem pessoal que possuía de si mesmo com o Soldado Invernal, mas seus cabelos já haviam crescido novamente e pendiam por seu rosto desalinhados. Algumas mechas um pouco maiores enrolando-se em sua orelha enquanto os olhos dele pareciam ter dificuldade para focar em algo. A barba por fazer parecia ter ficado mais grossa apenas aquela semana, e Barnes se questionou se a deveria fazer, mais pelo desespero de livrar-se da sensação de estar vendo aquela parte de si estava falando mais alto.
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  Ele não conseguia dizer ao certo o que estava errado, mas podia sentir que estava deixando passar alguma coisa. Não era como se uma peça estivesse lhe faltando, mas sim, como se uma peça estivesse oculta de sua visão, escondida tão cuidadosamente que sequer poderia dizer que tinha ideia de que existia, ou guardada segura o suficiente para que sequer sua sombra Bucky pudesse identificar. Era como amarrar um velho trapo ao redor de seus olhos e caminhar cegamente em um campo de batalha, ele podia ouvir de onde os disparos estavam vindo, ele podia reconhecer de onde os gritos partiam, ele podia sentir o frio percorrendo por suas veias, transformando seu sangue em lascas de gelo, arranhando sua existência enquanto seu coração martelava erroneamente em seu peito. Ele podia sentir a tensão de seu corpo, obrigando-o a dar mais um passo, e então mais um, e mais um, em direção a um vazio de escuridão silencioso e enlouquecedor. Mas ele não sabia como retirar o trapo de seu rosto.
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  O que ele não estava enxergando dessa vez?
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  Bucky engoliu em seco, desligando a torneira quando a pia havia finalmente se enchido de água, e então estendeu sua mão esquerda, biônica, para pegar o balde de gelo que ele havia retirado do frigobar — havia sido %Marya% a escolher aquele lugar, ela muito bem poderia pagar pelo gelo; seria o mínimo que a mulher poderia fazer por eles depois de ter tentado escapar duas vezes e quase custado a cabeça de Sam —, unindo suas sobrancelhas quando sua mão biônica se afundou em neve.
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  Bucky prendeu a respiração, afastando-se de forma brusca do balde de gelo, derrubando-o com um estrondo no chão do banheiro, ofegante. Os olhos azuis esverdeados se voltaram para a mão metálica como se esta estivesse em chamas, abrindo-a e fechando-a, com assombro, ouvindo os pequenos estalidos dos mecanismos da estrutura interna de seu braço biônico, e então, os olhos dele voltaram-se para o ponto em que o balde se encontrava, agora, no chão, espalhando o gelo pelo espaço inteiro. Bucky piscou algumas vezes, balançando sua cabeça, tentando despertar daquela sensação de amortecimento quando seus olhos se encontraram com seu reflexo.
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  Seu coração martelava contra sua caixa torácica, acelerado, descompassado, estranhamente doloroso. Por uma fração de segundos sua visão não conseguia focar-se em nada, apenas havia se tornado embaçada e um zumbido alto ecoou por seus ouvidos, abafando-os como se estivesse embaixo de água, ou, pior, de volta àquela maldita cadeira. O gosto amargo, denso, por sua boca agora era pungente e sufocante, o fez querer gritar. Ele inspirou fundo, tentando acalmar seu próprio coração, mas de pouco adiantava, a tensão ainda estava presente em seus músculos; ele tinha a sensação de que iria explodir. Que a barragem invisível em sua mente que o mantinha a salvo iria escapar por entre suas mãos como água. Seus olhos se encontraram com seu reflexo, e Bucky franziu o cenho, surpreso.
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  Sua narina direita, levemente inflada pela força com que ele puxava o ar, estava sangrando. Bucky uniu as sobrancelhas, engolindo em seco enquanto se aproximava devagar do espelho à sua frente. De forma instintiva, levou sua mão direita em direção à sua narina, observando com uma ponta de assombro o sangue deixando para trás uma pequena linha enquanto deslizava por entre seu lábio superior, adentrando em sua boca. Um gosto salgado, enferrujado de seu próprio sangue espelhando a textura cálida do líquido quando as pontas de seus dedos o tocaram.
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  Bucky Barnes raramente sangrava.
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  Se o fazia, não demorava muito para se recuperar. Era sempre mais provável que ele fosse acabar com manchas roxas do que com cortes ensanguentados por muito tempo. Mas a gota de seu sangue ainda caiu dentro da água límpida que ele havia juntado na pia, espalhando-se pela mesma e desaparecendo aos poucos. O zumbido em seu ouvido aumentou até ele ouvir um clique alto.
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  — James? — chamou ela. Bucky engoliu em seco, congelado no lugar.
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  Não teve coragem de virar-se. Sabia o que iria encontrar ali. Sabia que nada daquilo era real. Mas ainda assim, uma coisa era ele se convencer de que estava bem, saber que não havia mais mecanismo algum da Hydra para acionar o Soldado Invernal, outra coisa bem diferente era ter que lidar com os mecanismos de defesa que seu próprio cérebro havia desenvolvido ao longo do tempo para sobreviver.
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  — James, olhe para mim... — a voz aveludada dela ecoou como um convite tentador pelos ouvidos dele, um pedido silencioso, tão simples.
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  Barnes trincou os dentes com força, irritado, fechando os olhos, mas mesmo assim ele podia sentir a presença dela ali. Podia sentir a ponta dos dedos dela gélidos, calejados, deslizando contra sua pele como um toque fantasma, mal tocando-o de fato, mas deixando um rastro elétrico por sua pele. Ele sentiu aquela mão fantasmagórica percorrendo sua coluna, deslizando por suas omoplatas até chegar em sua nuca, os dedos enroscando-se em seus cabelos. Então ela puxou a cabeça dele para trás com força.
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  — Quanto tempo vai levar até que você finalmente admita... — sussurrou ela ao pé de seu ouvido.
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  Bucky trincou os dentes com força, tentando manter sua respiração normalizada, mas falhando miseravelmente. A sobrecarga de estímulos que pulsavam por seu corpo, a maneira com que o corpo dele sequer parecia compreender que aquilo não passava de apenas uma alucinação desperta por causa de %Marya%... uma fantasia de sua própria mente sobrecarregada atraindo-o para um buraco obscuro e sem escapatória, distorcendo sua própria percepção de liberdade, do sentimento de estar livre desde Wakanda...
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  — Você... me... criou... James... Buchanan... Barnes...
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  Bucky engoliu em seco, trincando os dentes com força, sentindo um peso em seu peito ser depositado. De repente era como se houvesse toneladas dispostas sobre si mesmo, empurrando-o com força para baixo, para um buraco escuro que consumia tudo e não retornava nada, sufocando-o vivo.
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  Eu não fiz nada... ele queria suplicar à alucinação, mas ela não estava ali.
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  Aquela não era ela! Nunca seria! %Anya% %Petrovych% nunca seria nada mais do que um mero fantasma assombrando-o, mesmo quando ele acreditava que estava em paz. Mesmo quando ele sabia que estava bem e que deveria seguir em frente. Ela não estaria ali, como igualmente nunca receberia sua medalha por bravura, ela nunca retornaria para sua casa, para mostrar ao pai quantos filhos da puta nazistas ela havia conseguido matar no front, ela nunca contaria as histórias de guerra ou cantaria aquela maldita melodia melancólica sobre noites frias em São Petersburgo. Ela nunca passaria de nada senão um maldito fantasma.
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  %Anya% estava morta.
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  Ele a havia matado.
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  Bucky lembrava-se vividamente de como arrebentou a caixa torácica dela, de como ela o havia encarado, as lágrimas manchando seu rosto delicado, os olhos arregalados, os lábios entreabertos enquanto engasgava-se com o fluxo de sangue que pingava de sua boca, escorrendo por seu queixo, em uma busca desesperada por oxigênio que jamais conseguiria ser suprida. Ele lembrava-se de como seu braço biônico havia se fechado ao redor do órgão que pulsava. Em como ele a havia deixado cair no chão de cimento queimado como se não fosse nada melhor do que uma boneca de pano, quebrada, inútil. Lembrava-se de ter jogado o corpo dela no porão que eles haviam transformado em uma espécie de vala improvisada, onde os corpos dos subjetos falhos eram sempre descartados para a incineração.
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  O Soldado Invernal nunca falhava.
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  E ele havia tido certeza de que ela nunca escapasse daquele destino.
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  — %Anya%, por favor... — sussurrou Bucky em um quase tom de súplica. Tentando silenciar a voz dela, repetindo seu nome em um loop agonizante. Ele podia sentir sua respiração, tão perto de seu rosto, gélida como neve, debatendo-se com a mão fantasmagórica, tentando se livrar, tentando despertar daquele maldito estupor.
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  — Bucky? — chamou ela contra seu ouvido, mesmo quando ele se lançou para frente tentando enterrar seu rosto dentro da pia cheia de água, a fim de usar a água gélida, profusamente preenchida pelo gelo que havia pegado do frigobar da suíte de %Marya%, para despertar-se daquele pesadelo. Uma tentativa desesperada de dar um choque a si mesmo, de livrar-se daquela maldita sensação de falta de controle, de acionar sua adrenalina. Mas a voz dela o acompanhou. — Bucky?!
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  Ele ofegou, abrindo os olhos, virando-se na direção da voz, apenas para encontrar Steve parado ali na entrada do banheiro.
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  — Bucky? — A pergunta não feita, ensurdecedora entre os dois homens, enquanto o loiro adentrava no banheiro. James prendeu a respiração, quase de forma instintiva, não por medo de Steve Rogers, mas por causa de uma pequena repulsa gravada ao fundo de sua mente que o fez, ainda assim, dar um passo em direção à janela, contendo aquela eterna voz ao fundo de sua cabeça que o alertava para estar pronto para fugir. Não importava o quanto ele tentasse desligar aquela parte de sua mente, seu corpo estava condicionado a ela. — Você estava demorando — pontuou Steve, lançando um olhar cauteloso na direção da pia e então analisando as mãos fechadas de Barnes, em punhos, franzindo o cenho por consequência.
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  Bucky moveu sua mandíbula, franzindo o cenho enquanto voltava-se para a pia, ligando a torneira outra vez. O movimento rápido o fez perceber como suas mãos estavam tremendo. É claro, isso não havia passado despercebido de Rogers; nada nunca escapava de Rogers.
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  — Estou bem, você não precisava ter verificado — mentiu Bucky. Steve estreitou os olhos, percebendo de imediato, mas sendo Steve Rogers, o loiro não respondeu de pronto. Ciente de que não seria uma boa ideia dar espaço para Steve questionar o que diabos estava acontecendo com ele, Bucky logo tratou de emendar: — Cadê o Sam? Deixou ele sozinho com %Petrovych%?
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  Apesar de tentar manter uma expressão de neutralidade enquanto esfregava suas mãos, as unhas fincando-se em sua própria pele e deixando vergões avermelhados com a força e o descaso que Bucky as lavava, seu tom de voz ainda havia soado preocupado com o outro amigo. Bucky gostava de fingir que odiava Sam e que sua implicância era provinda simplesmente pelo bem da implicância, mas estava se tornando um ato expirado a essa altura, e sua preocupação era genuína. Steve pareceu tentar conter um sorriso, cúmplice com Bucky que lançou um olhar de aviso para o melhor amigo para que ele escolhesse muito bem as palavras, porque Bucky não teria medo de usar seu braço biônico para acertá-lo.
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  — Eu fico fora por seis meses e você já me substituiu? — resmungou Steve, cruzando o braço sobre o peito largo, erguendo uma sobrancelha. Bucky encarou Steve com uma ameaça velada, erguendo seu braço biônico como se estivesse questionando silenciosamente “está duvidando?” e Rogers bufou, negando com a cabeça. Sua expressão divertida aos poucos derreteu em uma mais séria, contida, até mesmo cautelosa. Barnes não gostou do que viu ali. — Ele se ofereceu para ficar de olho na sua amiga enquanto eu vinha até aqui checar como você está.
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  Bucky encarou Rogers surpreso.
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  — Ela continua amarrada?
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  — Se soltou faz dez minutos, mas não vai atacar — disse Rogers antes de imediatamente tentar acalmar Bucky, cujo impulso de ir até lá e prender %Marya% outra vez estava falando mais alto. Barnes trincou a mandíbula com força, um músculo movendo por baixo de sua pele enquanto o homem continha um chiado entre dentes.
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  — Você não faz ideia de com quem você está lidando, Steve — Bucky rosnou baixo, inspirando fundo e deixando sair por sua boca, antes de apoiar-se na pia vazia. Barnes estreitou os olhos, observando o tremor de sua mão direita aumentar. Mas que por...?
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  Steve bufou, concordando com a cabeça.
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  — Seria mais fácil se você simplesmente me dissesse a verdade, James. — Bucky encarou o reflexo de Steve com frustração. Não era que ele não quisesse contar a verdade para o melhor amigo, era que ele não conseguia. Uma coisa era ele ter sido uma das vítimas da Hydra, posto sob um local onde a Hydra havia o transformado e nada mais do que apenas uma arma, outra completamente diferente, era admitir para seu melhor amigo que, para poder salvar %Marya%, ele tivera que ter certeza que %Anya% jamais viesse atrás da menina. — Como vou poder ajuda-lo se não me fala nada? Bucky, qual é, Bucky! — Steve deu um passo na direção de Barnes e desta vez o moreno não se moveu, aceitando a aproximação. Ainda assim, não encarou Steve. A mão calejada de Rogers repousou no ombro humano de Barnes, a luva desgastada pelo uso contínuo, áspera sob a pele exposta de seu ombro, familiares. — Eu nunca vou abandonar você, James. Até o fim, lembra? Não são só palavras — confessou Steve, sua voz mais suave agora. — Não para mim. Confie em mim.
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  Bucky não respondeu, mas seus olhos se fixaram na pia, culpado.
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  — Perguntei a Natasha sobre %Marya%. — Steve quebrou o silêncio que havia se instalado ali por fim, e Bucky se voltou na direção do melhor amigo, irritado. Desta vez Steve não se afastou, apenas sustentou o olhar que Bucky lhe lançava, analisando-o com cuidado.
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  — O que Romanoff te falou?
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  Steve pareceu calcular por uma fração de segundos o que iria dizer para o melhor amigo, então seus olhos azuis claros se abaixaram brevemente.
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  — Que ela não faz ideia de quem seja %Marya% — respondeu Steve devagar, os olhos voltando a repousar nos de Barnes. — Mas ela conhece o sobrenome, %Petrovych%.
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  Bucky trincou os dentes com força, contendo o impulso de praguejar, desviando os olhos instintivamente quando Steve pronunciou %Petrovych%, tentando conter as emoções que pareciam querer transbordar por seu rosto neutro, mas então obrigou-se a voltar a encarar o melhor amigo, sustentando o olhar dele. Seus olhos azuis esverdeados se moveram a fim de acompanhar os olhos do melhor amigo. E por um longo momento os dois ficaram apenas se encarando em completo silêncio; as palavras não ditas pesando entre eles como correntes, amarrando-os pelos punhos e calcanhares, puxando-os para afundá-los em um mar obscuro de mentiras, omissões e culpa, mas igualmente entrelaçando-se entre si, prendendo-os juntos naquilo.
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  — Bucky. — Barnes viu nos olhos do melhor amigo que Steve não desejava pressioná-lo, mas igualmente não iria arrastar-se de forma tímida para longe das perguntas necessárias pelo bem dele. Barnes engoliu em seco sabendo qual seria a pergunta que seria feita a seguir, mas deixou que Steve a fizesse mesmo assim. — Quem é %Anya% %Petrovych%?
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  Após um longo momento em silêncio, os olhos de Barnes se abaixaram para o peito do melhor amigo, onde antigamente costumava ficar uma estrela, agora revelava apenas um tecido revestido preto. O uniforme pesado militar, mas que não possuía mais nenhuma identificação, o lenço que envolvia seu pescoço, semelhante ao que se era usado no Iraque para proteger-se das tempestades de areia e ao mesmo tempo ocultar seu rosto, protegendo-se de ser identificado.
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  Steve Rogers não era mais o Capitão América, era apenas um nômade.
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  E Bucky Barnes não era mais Bucky Barnes.
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  — Um fantasma.
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  Steve o observou em silêncio.
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  Se havia percebido a mentira ou não, Bucky sabia que ele não demonstraria. Algo no estômago de Bucky se contorceu, como se estivesse vivo. Uma descarga de adrenalina percorreu por seu corpo inteiro, enviando uma onda gelada de choques por sua espinha. Steve apertou os lábios, parecendo considerar por um segundo o que diria a seguir, e então indicou com o queixo na direção de Bucky, voltando a sustentar o olhar de Barnes, sem desviar.
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  — Mas quem é ela para você?
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  Bucky Barnes não soube responder.
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•••

  Surpreendentemente as ameixas estavam mais doces do que ele esperava, mas não poderia dizer que estava saboreando-as com o olhar silencioso de %Marya% preso em seu rosto. Bucky havia tentado ignorá-la a viagem inteira até ali. Havia tentado oferecer o espaço que sabia que ela deveria desejar e havia ignorado seus comentários. Mas não deixava de ter um gosto amargo observar a menina que ele havia salvado — talvez sua única redenção enquanto como Soldado Invernal — o encarar com aquele desprezo tão profundo. Bucky sabia que havia lhe roubado mais do que deveria, que a havia condenado de certa forma, mas, igualmente, não era justo que %Marya% o tratasse daquela forma, não quando ele havia feito de tudo por ela, e faria novamente.
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  Bucky Barnes mataria %Anya% %Petrovych% de novo, e de novo, e de novo, se lhe desse a certeza de que %Marya% estaria segura. Que %Marya% estaria a salvo.
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  Mas ter salvo %Marya% havia sido, igualmente, como a sentença de sua perda.
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  Bucky engoliu a ameixa que estava mastigando preguiçosamente, voltando seu olhar para a janela panorâmica do apartamento. Cortesia de %Masha%, é claro, quem havia desenvolvido um gosto muito apurado para as coisas finas da vida — um grande contraste com a postura e pensamento que a irmã mais velha dela tivera.
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  Las Vegas lembrava de certa forma um pouco Nova York. Uma cidade que nunca dormia, exceto que o local se encontrava no meio de um deserto árido, mesmo no inverno, possuía luzes e sons muito altos, e dormia sim, de manhã. A vida noturna de Las Vegas pulsava, ofertando inúmeras possibilidades, diversos entretenimentos e convites. Seja lá qual fosse o entretenimento que lhe divertisse, certamente haveria ali. Era o local perfeito para se esconder não apenas os códigos, mas igualmente pessoas. Dentro de uma cidade turística ninguém iria procurar por alguém deslocado e perdido.
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  Os olhos azuis esverdeados de Bucky percorreram momentaneamente a rua agitada de Las Vegas antes de repousar, por instinto, nos telhados dos outros prédios que se estendiam do outro lado da rua. Sentiu novamente aquele instinto de buscar alguma coisa ali; algo que estivesse errado, uma armadilha disfarçada de casualidade que não deveria ser percebida se você não fosse treinado para percebê-la. Por um breve segundo, algo havia chamado a atenção de Barnes, um lampejo rápido de cabelos %vermelhosescuros% chicoteando o vento do outro lado de um prédio. Uma sombra projetando-se para a esquerda, e então desaparecendo tão rápido que Barnes poderia facilmente alegar ter sido um vulto. Mas ele sabia perfeitamente bem que, naquele mundo, não havia vultos, tampouco coincidências. O gosto amargo em sua boca retornou, corroendo a doçura da ameixa quando ele a engoliu, sentindo aos poucos seus sentidos voltarem a ficar em alerta.
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  — Fala sério, você tá mesmo acreditando em tudo isso, Steve? — Sam interrompeu %Marya% com impaciência. A conversa da qual Barnes não participava finalmente atraiu sua atenção, fazendo-o agarrar as cortinas e fechar a visão que se possuía da cidade inteira com a janela panorâmica, arrastando uma cadeira e retirando o boné de sua cabeça, apoiando-o sobre o encosto.
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  Steve lançou um olhar silencioso para Bucky, como se estivesse questionando o que Barnes estava fazendo, embora, uma parte do antigo Capitão soubesse o que James estava criando. Uma armadilha.
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  — Tá achando que eu estou mentindo? Tudo bem, não precisa acreditar em mim — %Marya% retorquiu a acusação de Sam com um sorriso torto, deixando-se recostar contra a cadeira, apoiando seu braço esquerdo no encosto enquanto mascava de forma audível o chiclete. Os olhos de %Marya% voltaram-se para os de Bucky, sustentando seu olhar de maneira desafiadora. Bucky engoliu em seco, trincando os dentes. Aquela não era mais sua garotinha... aquela não era mais a menina que ele havia salvado... — Até onde eu sei, são vocês que precisam da minha ajuda para chegarem até os códigos de Zephyr. Não o contrário. — Ela deu de ombros, desdenhosa, jogando seus cabelos dourados para trás, e então grunhido baixo, exasperada. — Ugh, como eu detesto esses merdas americanos! Tudo tem que ser sobre eles!
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  — Você está mentindo, %Marya% — Bucky finalmente quebrou seu silêncio, cruzando os braços por sobre seu peito largo enquanto os olhos azuis esverdeados voltavam-se para a loira. %Marya% bufou, inclinando sua cabeça um pouco para o lado, cinicamente sustentando o olhar de Bucky enquanto movia sua mandíbula de um lado para o outro com um estalo.
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  — Magoei você? — provocou %Marya%, o comentário enviesado, embora dito em russo, possuía um tom reconhecível o suficiente para que Steve e Sam olhassem imediatamente para Bucky, cientes de que deveria ter sido uma retórica ofensiva.
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  Bucky trincou a mandíbula, encarando %Marya% em um pedido silencioso: “não me obrigue a fazer isso”, ele queria dizer, mas %Marya%, sendo quem era, é claro que não o ouviu.
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  — Eu matei sua irmã, %Petrovych% — cuspiu Barnes com uma voz mais fria do que costumava usar. Uma voz familiar, todavia, uma voz que pertencia a ele. Ao Soldado Invernal. O sorriso de %Marya% desapareceu lentamente. — Será mais fácil com você.
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  %Marya% pareceu prender a respiração se tencionando.
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  Doeu enxergar nos olhos dela a mágoa e até mesmo o medo pela situação em que se encontrava. Doeu perceber o quão vulnerável ela estava, mesmo com seus poderes e treinamento. Doeu ainda mais reconhecer no rosto de %Marya% a garotinha que havia agarrado a seu braço enquanto ele a empurrava para dentro do vagão de trem. Mas aquela garotinha já não era mais a mesma pessoa, e nem James.
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  — Repete suas palavras, mas em inglês, desgraçado de merda — retorquiu %Marya%, com raiva, antes de voltar seus olhos para Steve. — Fala na frente dele, eu quero muito ver se ele continua acreditando que você tem salvação.
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  — Já chega! — grunhiu Sam irritado. — Você tá puta porque perdeu alguém importante para você? Bem-vinda à porra do clube, loirinha! Todo mundo aqui perdeu alguém importante. Isso não dá o direito a você de agir como se somente você importasse. Quer ser egoísta, então seja, ninguém aqui está te impedindo, mas tenha pelo menos a decência de parar de fingir que é a porra de uma vítima. A forma que a gente reage a essa merda é o que importa, se você escolheu ser miserável, não culpe ninguém mais senão você mesma. — A impaciência na voz de Sam pegou Barnes desprevenido, que encarou em silêncio o amigo.
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  — São palavras corajosas — respondeu %Marya% lentamente, voltando seu olhar para Barnes, desafiadoramente. — Para um bando de anestesiado emocional. Vocês sabem o que criam? Brincando de heróis por aí, como se isso fosse redimir os monstros que são? Por favor, o que vocês possuem de heróis, qualquer outro idiota militar o tem...
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  — Se nos detesta tanto assim poderia simplesmente ter desaparecido, %Petrovych% — retorquiu Steve com um olhar severo, mas não menos compreensivo. Bucky tencionou sua mandíbula com um pouco mais de força, sentindo o peso de suas palavras alguns momentos atrás, e se questionando se %Marya% não teria razão, afinal. Se Steve Rogers o ouvisse realmente, ainda seria seu amigo? — E, no entanto, aqui está você, presa conosco neste quarto, guiando-nos em direção ao inimigo. Pode tentar nos antagonizar, mas não pode fingir que não precisa de nós também.
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  — Devo lembrar você de que me arrastaram para cá? — respondeu %Marya% com um tom incrédulo.
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  Steve estreitou os olhos, assentindo.
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  — Mas sempre foi livre para deixar este quarto a hora que quisesse. Você não o fez até agora — Steve apontou e %Marya% trincou a mandíbula, fazendo uma careta, percebendo tardiamente que havia sido pega com as mãos sujas. Bucky observou os olhos %cinzaprateados% dela se moverem rapidamente de um lado para o outro, como se estivesse calculando o que diria, e tencionou-se. — Por quê?
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  %Marya% não respondeu.
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  O silêncio se arrastou pelo espaço como uma ameaça de implosão. A irritação era como estática pairando pelo ar, percorrendo pela pele de Barnes, fazendo os pelos de seu braço e nuca se arrepiarem.
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  — Porque ela quer se vingar — disse James por fim, quebrando o silêncio e então lançando um breve olhar de volta para a janela, mais por precaução do que qualquer outra coisa, antes de voltar a aproximar-se de onde %Marya% estava. Parou à frente dela, e, mesmo que agora fosse uma adulta completa, talvez bem mais velha do que sua aparência física lhe apresentava, uma parte traidora da mente de James ainda conseguia enxergar a garotinha que ela havia sido. Aterrorizada com a visão da irmã mais velha transformada em monstro. O olhar de Bucky se endureceu enquanto os punhos se fechavam em punhos firmes. Todo mundo aqui havia perdido alguém de fato... — É por isso que você está fazendo isso tudo, não é? Está ganhando tempo, dificultando e nos distraindo.
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  %Marya% revirou os olhos, colocando-se de pé, mas mesmo assim não era tão alta quanto Bucky e certamente não era mais rápida ou forte que o Soldado Invernal.
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  — Você fez muitos inimigos, Sargento Barnes — %Marya% rosnou entre dentes, mas com uma ponta sarcástica escorrendo por seu tom de voz contido. Então ela bufou, inclinando sua cabeça para trás. — Tá, tá, tudo bem, eu levo vocês até um cara que sabe sobre essa merda de código, mas depois disso vocês estão por sua conta. E sinceramente, se vierem atrás de mim outra vez eu não vou me importar em executá-los, sabe? Exatamente como me treinaram para fazer.
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  — Quem é ele? — questionou Steve com uma ponta de desconfiança.
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  — Pode parecer uma surpresa para você, Rogers — %Marya% começou a dizer, se espreguiçando com uma careta antes de suspirar pesado, girando em seus calcanhares e andando de costas até a janela panorâmica. Bucky se tencionou no mesmo segundo, encarando a mulher com atenção, quase vidrado, tentando encontrar a armadilha na postura dela —, mas você nunca foi e nunca será outra coisa senão uma arma biológica. Quando vocês, americanos, tiveram o sucesso com o Miss América aqui, começou uma corrida armamentista mundial biológica. Cada país desejou ter um para si, e nós não estávamos atrás somente da fórmula, para enfrentar um inimigo, o melhor que você pode fazer é se tornar um deles. Como Barnes bem sabe, nós nos infiltramos em todos os países-chave que nos eram oponentes na época. Estes agentes são chamados de Agentes Dormentes, vocês sabem o que eles fazem. Fingem que são residentes, pessoas normais, até o chamado para ação. Os códigos foram divididos entre eles, Zephyr não é a continuação do Projeto Soldado Invernal, é a melhora dele.
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  — Nós?
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  %Marya% deu de ombros, desdenhosamente.
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  — É difícil não pensar dessa forma quando vocês fazem com que estrangeiros se sintam tão bem-vindos aqui — retorquiu ela, revirando os olhos, e Sam bufou, erguendo uma sobrancelha ao encarar %Marya%.
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  — Você quer dizer isso bem para mim, loirinha? — Sam apontou, e, pela primeira vez em todo o tempo desde que a haviam encontrado no Circo em Coney Island, %Marya% deixou um sorriso torto surgir por seus lábios, balançando a cabeça de forma suave em concordância com o herói. Bucky engoliu em seco, estreitando os olhos, reconhecendo a camaradagem silenciosa. Uma pílula amarga para engolir, mas ainda assim necessária ser engolida.
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  — O nome dele é Mikhail. É um dormente, um bêbado idiota que não serve para nada, mas ainda assim é um KGB, e um dos perigosos, devo ressaltar — %Marya% pontuou tencionando a mandíbula, enquanto cruzava os braços sobre o peito, dando de ombros, os cantos de seus lábios se repuxaram para baixo, não desdenhosos, mas certamente, não eram amigáveis. — Não tem como chegar no Mick sem passar pelo Patch, então vão ter que confiar na minha palavra e fazer exatamente o que eu disser para fazer. — %Marya% deu de ombros, voltando seu olhar para Bucky com uma ponta sombria pairando por seus olhos prateados. Uma nota velada de perigo que se misturava com um divertimento sombrio. — O Patch pode ser meio temperamental, ele se ofende muito rápido.
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  — Por que você não está planejando nenhuma merda além disso, não é? — retorquiu Bucky com uma expressão cínica, observando o sorriso de %Marya% se tornar um pouco mais afiado.
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  — Olha a língua — Steve cortou Bucky, instintivamente. Bucky lançou um olhar de soslaio para Steve, e Steve uniu as sobrancelhas, pigarreando, tentando manter o pouco da dignidade que ele havia acabado de perder na frente de seus amigos e %Marya%, piscando algumas vezes antes de cinicamente apontar para %Marya%. — Não se fala isso na frente da dama.
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  Sam lançou um olhar cético para Steve.
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  — Educação não parece funcionar para essa aqui, Cap.
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  %Marya% revirou os olhos, mas seu rosto estava voltado para Barnes, sustentando o olhar dele com aquela expressão irritante de desdém, raiva e desprezo. O exato olhar que o fazia lembrar do porquê ele não desejava associar a si mesmo com a imagem do Soldado Invernal e por que não conseguia escapar disso. O olhar que despertava sua culpa, o olhar que ele oferecia a si mesmo.
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  — Ato e consequência, Barnes — disse %Marya%, por fim, devagar. — Você deveria saber disso, foi você quem me ensinou.
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  — Te ensinei mais do que isso — retorquiu Barnes com um tom de voz amargo, e %Marya% bufou, forçando um sorriso afiado, mas seus olhos, silenciosos, pela primeira vez pareceram hesitar, ainda que por uma mísera fração de segundos. — Vá em frente, estamos bem atrás de você.
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  %Marya% desta vez não chegou a responder, apenas negou com a cabeça e passou por Barnes, acertando com força seu ombro com o dela. Bucky a acompanhou com o olhar, observando como ela se movia. Era um evidente contraste para com a menina que ele se lembrava vagamente; %Marya% andava com força, firmeza, como se desejasse se fazer percebida, mas ao mesmo tempo, Barnes podia perceber como aquilo era mais do que aparentava, %Marya% pisava com todo seu peso no chão, como se esperasse um ataque vindo de qualquer lado, por qualquer um. Mesmo que ele a tivesse salvado da Sala Vermelha e de sua própria irmã, ela ainda havia seguido pelo mesmo caminho que %Anya% havia sido direcionada: uma arma.
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  Um tapa em seu ombro despertou Bucky de seus próprios pensamentos, fazendo-o silenciosamente assentir para Sam, caminhando em direção a onde ele havia deixado sua própria bolsa militar com seu uniforme, vestindo-se o mais rápido que conseguia enquanto verificava a quantidade de munição e assegurava-se de ocultar quantas facas precisava por precaução. Havia ficado decidido que Sam e Steve ficariam para trás, Steve os esperaria na entrada, enquanto Sam estaria nos telhados, dando-lhes cobertura. Apenas %Marya% e Bucky adentrariam no bar em busca desse tal Patch, para evitarem chamar mais atenção do que já deveriam estar fazendo.
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  O lugar se chamava Bar da Princesa, e Patch era seu dono.
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  O cheiro do charuto mistura-se com o aroma pungente do whisky e do suor corporal que se espalhava pelo espaço. O bar possuía uma estrutura mais rústica feita de madeira, embora misturasse mármore e porcelanato com paredes espelhadas para parecer bem maior. A maioria ali estava interessada nos jogos de cassino que se encontravam logo na entrada, mulheres em vestidos de sedas, homens com paletó ou simplesmente turistas rindo alto, bebendo bebidas alcoólicas e tentando sua sorte da forma que conseguiam — fosse nas roletas ou nas máquinas caça-níqueis. Mais ao fundo, após passar por uma porta dupla de madeira esculpida a mão, eles se deparavam com a entrada para o Bar, mesas de madeira com alguns motoqueiros e pessoas de reputação questionável. Um homem, talvez mais novo que %Marya%, cajun, girando um baralho de cartas em suas mãos, jogando-as de um lado para o outro, distraído, encontrava-se sentado em uma das mesas próximas a entrada. Tinha cabelos longos, castanhos, mas mais vívidos do que os de Barnes. A barba feita por fazer pelo bronzeada, e bonito — o tipo de cara que sabia que era atraente e usava isso para sua vantagem; cafajeste e trapaceiro até o último fio de cabelo. Mas o que mais impressionava Barnes eram seus olhos.
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  Suas órbitas eram completamente pretas, mas a íris de seus olhos eram vermelhas, pulsando com energia.
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  — %Masha%, %Masha%, %Masha%, mon cher. — O homem abriu um sorriso preguiçoso, os olhos de íris vermelhas pareceram cintilar com energia contida ali, e Bucky sentiu suas mãos se fecharem em punho, lançando um olhar na direção da nuca de %Marya%, mas %Petrovych% não o encarou. O sotaque cajun do mutante ecoando de forma pesada por seu inglês. — A boa filha a casa sempre torna. — Ele estalou a língua com um risinho baixo, prendendo o palito no canto de sua boca a fim de voltar a masca-lo. %Marya% permaneceu cinicamente calma.
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  — Cadê o Patch, Remy?
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  — Esperando por você, ali dentro, mas se eu fosse você teria cuidado, ele não tá muito sociável hoje. — O tal Remy deu de ombros, voltando a recostar-se contra a cadeira em que estava sentado, indicando com um aceno de cabeça, em forma de cumprimento para Barnes, e um flash de sorriso crepitou nos cantos dos lábios de Remy, discreto demais para ser percebido de imediato, mas Bucky percebeu, e percebeu igualmente como o homem havia girado por entre seus dedos a carta em suas mãos, as pontas dos dedos iluminando-se com o mesmo brilho que faziam seus olhos estranhos cintilarem.
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  Havia algo de errado ali. Algo que ele não estava percebendo ainda.
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  Eles atravessaram o portal abobadado da entrada para o que parecia ser a entrada da adega do bar, com a iluminação de fundo amarelada levemente precária, oscilando de um lado para o outro. Prateleiras e mais prateleiras de variadas bebidas alcoólicas se espalhavam pelo que parecia ter sido, outrora, um salão, mas agora havia sido adaptado para servir como adega e estoque. A temperatura estava mais baixa, Barnes uniu as sobrancelhas, observando o termostato marcar o número 16 antes de voltar sua atenção para a parede ao fundo onde um homem se encontrava praticamente deitado sobre a cadeira de madeira velha, as pernas cruzadas estendidas tinham os calcanhares apoiados sobre um dos barris de madeira de chopp, o chapéu de cowboy preso em sua cabeça, ocultando quaisquer visões que Barnes poderia ter de seu rosto, embora fossem visíveis as costeletas bem pronunciadas, um charuto pendia do canto de sua boca preguiçosamente tragado, enquanto com um tapa-olho sobre o olho esquerdo, e uma blusa de flanela xadrez, laranja, marrom e branca, estava com as mangas arregaçadas, revelando antebraços estranhamente peludos, embora fossem as mãos que tivessem chamado a atenção de Barnes.
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  Entre os nós dos dedos havia fissuras.
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  Um sinal de alerta se acendeu ao fundo da mente de Bucky, que voltou seu olhar imediatamente para as costas de %Marya%. O que diabos...
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  — Cê não devia tá aqui, bob — o homem rosnou entre dentes, tragando o charuto bem devagar, sem erguer sua cabeça na direção de %Marya%, mas ainda assim a inclinando para a direita, e fungando algumas vezes. Bucky sentiu sua pulsação começar a aumentar ao perceber, tardiamente, que o homem estava farejando o ar.
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  — Olá para você também, Logan.
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  O sangue de Bucky Barnes congelou quando %Marya% o cumprimentou. Barnes prendeu sua respiração, tencionando-se no mesmo segundo. Imprimiu ainda mais força em seus punhos cerrados, agora trêmulos, os olhos azuis esverdeados voltando-se para %Marya% com uma injúria crescente e uma expressão de pura traição. Então esse era o jogo de %Marya%?
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  Mais uma farejada no ar, franzindo o nariz, e então, Logan, o Wolverine, deixou suas garras deslizarem por entre os nós de seus dedos, erguendo sua cabeça, os olhos azuis cinzentos finalmente encontrando-se com o rosto de Barnes, cuspindo seu charuto ao levantar-se. Havia uma mistura de fúria animalesca má contida no olhar do mutante com desejo por retribuição e uma amargura profunda. Wolverine estalou seu pescoço, deixando seus dentes a mostra, mais de uma forma animalesca do que um sorriso amargo de fato, enquanto seus olhos permaneciam fixos, vidrados, no rosto empalidecido de Bucky.
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  — Finalmente— rosnou Wolverine. — Cê é meu.
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  Então ele avançou na direção de Bucky.
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Lelen

Primeiramente, que dó que eu fico do Bucky, o pobre tá lá sofrendo com os “fantasmas” do passado dele e daqui a pouco o passado vai chegar e dar-lhe um chutão (tô sendo boazinha) na cara. E a nossa bailarina vai fazer ele pensar que tá louco, mais do que ele já pensa, não vai? IOASHDOIASDHNO TADINHOOO
Segundamente: É GAMBIT! MEU GZUS, É O GAMBIT!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Eu era louca nesse homem E NÃO LEMBRAVA DISSO ATÉ ELE SURGIR AQUI DE NOVO NA MINHA VIDA. JÁ QUERO UM SPIN OFF DELE PRA ONTEM NA MINHA MESA, OBRIGADA, DE NADA.
Esse homem é o charme em pessoa, DEUS, MIM AJUDA.
Eu sei que saí completamente da história e do que aconteceu no capítulo, MAS PQP
Ok, agora que vamos ter participação dos nossos mutantes queridos eu tô mais do que louca esperando a atualização!

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