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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Fear

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

02 • Bailarina

Tempo estimado de leitura: 24 minutos

FOX | 1951.
Berlim Oriental, Alemanha.

  Retira o pente. Verifica. Nove balas. Doze inimigos. Insere de volta. Destrava. Mira. Dispara.
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  Uma.
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  Duas, três.
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  Quatro.
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  Cinco, seis, sete.
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  Quatro corpos no chão. Oito ainda em pé. Puta merda….
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  Com os dentes trincados, %Anya% se lança para a frente rolando por seu ombro esquerdo e chocando-se bruscamente contra a parede. Sua mente não registrou o hematoma recém adquirido, imediatamente se preparando para receber o golpe imediato que se seguiria. %Anya% solta um chiado alto, usando os dois antebraços para proteger seu rosto, sentindo o impacto brusco do contato da sola da bota pesada de combate do inimigo acertar o nervo de seu braço, e, por consequência, ela derruba sua única arma. Mas ela não tem tempo. Porra! Precisa ser rápida. Precisa ser rápida! Um grunhido escapa por entre os dentes dela, enquanto ela usa o antebraço esquerdo para impedir que outro chute acerte bruscamente a lateral da cabeça dela. O impacto a empurra violentamente contra a parede, e %Anya% ignora a dor que explode na lateral de seu corpo, rolando outra vez para frente, chutando com violência a panturrilha do quinto inimigo, ouvindo o satisfatório crack ecoar por seus ouvidos. Usando a fração de segundos de distração, %Anya% se lança para frente, apoiando o pé esquerdo sobre o joelho dobrado do quinto inimigo, usando-o como apoio para alçar-se para cima, enroscando as pernas ao redor do pescoço do quinto inimigo em um aperto sufocante, enquanto lança seu corpo para trás, tentando alcançar o sétimo inimigo, próximo de onde os dois estavam, afim de derrubar ambos os inimigos com um único golpe.
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  As mãos travam ao redor do pescoço do sétimo inimigo, e um grito abafado escapa por entre os lábios dela quando dois disparos são feitos. Ambos atravessam sua costela direita, mas %Anya% não o solta, usando o peso de seus inimigos, e o empuxo para derrubá-los. %Anya% não tem tempo de reagir ou avançar para finalizar seus dois oponentes. O oitavo inimigo é mais rápido. Um grito abafado escapa do fundo de sua garganta, enquanto %Anya% desaba escada abaixo, rolando por seu próprio corpo, sentindo uma dor intensa atingir seu pulso esquerdo, quando o osso se parte. Mais disparos são feitos.
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  %Anya% não tem tempo para verificar o novo ferimento. Ela se arrasta o mais rápido que consegue pelo chão, lançando-se bruscamente contra uma das portas dos apartamentos, agora abandonados do prédio, engatinhando desastradamente, escorregando em seu próprio sangue, ao conseguir esconder-se no balcão enquanto os disparos se alojam nas paredes. Pouco tempo. Merda. %Anya% se escora contra a parede gélida do balcão do apartamento abandonado, tremendo, enquanto trinca os dentes com força, os olhos prateados arregalados enquanto ela acessa a situação.
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  Sem armas. Pulso dominante comprometido. Oito inimigos aproximando-se. Menos de um minuto para resposta. Porra. Porra! PORRA! %Anya% prende a respiração, compartimentalizando suas próprias emoções, deixando o desespero e a ansiedade assumirem um assento de carona enquanto se concentra na praticidade da situação. Sua mão dominante está comprometida, a dor iria nocauteá-la nos próximos cinco minutos. O corpo estava começando a entrar em choque. Duas balas alojadas na caixa torácica, o aperto no peito provavelmente era indicação de que algumas costelas haviam sido quebradas. Então a linha de ação começa a se formar por sua mente: eliminar a dor, encontrar uma arma, ferir o máximo que conseguir, escapar pela janela do apartamento abandonado. Porcentagem de falha: 42%, em aumento.
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  %Anya% inspira profundamente, fechando os olhos por alguns segundos enquanto tenta acessar a parte de sua mente que lhe foi ensinada desde que se lembrava por gente. Inspira, segura, e então exala pela boca. Ao fundo de sua mente ela encontra o maldito botãoà sua espera. Não há outra forma de exemplificar, se não a sensação de um botão imaginário gravado ao fundo de seu cérebro, e como fora treinada para o fazer, ela gira o botão ao contrário, contando mentalmente, meio a parte, os segundos, tentando cronometrar suas ações com os inimigos que se aproximam.
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  Uma onda elétrica gélida percorre o corpo dela por completo. A adrenalina mistura-se com o alerta em seu sangue enquanto aos poucos a dor vai dando espaço para uma sensação esquisita de formigamento crescente. Então se torna apenas um amortecimento suave, e após uma fração de segundos, não há mais nada. O nível da intensidade de sua dor poderia ser controlada por aquele maldito botão projetado em sua mente devido as práticas involuntárias e obrigatórias. %Anya% trinca com força os dentes, mantendo sua concentração em sua respiração, tentando estabilizá-la ao máximo.
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  Os olhos prateados dela se voltam para seu próprio pulso, estreitando os olhos ao perceber o quão torto estava. Sua mão estava praticamente no ângulo contrário. Um dos ossos se projetava para fora. Tinha quase certeza que ela teria que amputá-lo se sobrevivesse àquela merda de missão, mas sem a dor para corroer seu raciocínio lógico, a situação se tornava mais prática do que de fato era. %Anya% tateiam desesperadamente por alguma coisa que ela possa usar a seu favor, encontrando um guardanapo de algodão qualquer próximo da bancada onde ela está escondendo-se e com um grunhido de pura impaciência e agitação, %Anya% enrola o guardanapo ao redor de seu pulso, tentando conter o sangramento e manter a mão no lugar certo.
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  Mais disparos.
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  %Anya% se encolhe instintivamente ouvindo os projéteis se ficarem nas paredes de concreto, e pequenos fragmentos atingem, não apenas o chão, mas igualmente a estrutura de concreto do balcão onde ela está se escondendo. Porra! %Anya% agarra a primeira coisa que vê, a porra de um banco de metal com o assento em um tom verde neon excruciante para os olhos e tenta concentrar-se em apenas ouvir os passos em sua direção. Sua mente está a mil por hora, as pupilas contraídas enquanto o tremor aumenta por seu corpo, trincando os dentes com força, tentando desesperadamente manter sua respiração regular. Lufadas de ar, todavia, escapam por entre os dentes trincados dela. Cinco, quatro, três, do…
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  %Anya% acerta a panturrilha do quinto inimigo bruscamente com o banco de metal com o assento de neon, usando o antebraço direito, segurando ainda firmemente o banco, para atingir o braço esquerdo de seu oponente, empurrando a arma que ele empunha, ouvindo-a disparar próximo demais de seu ouvido. A explosão do disparo causa um ruído alto no ouvido direito de %Anya%, e antes que ela possa perceber, seu ouvido direito fica completamente abafado – sangue escorre por seu pescoço, mas ela está ocupada demais para prestar atenção nisso. %Anya% empurra o quinto inimigo contra a bancada, usando todo o peso de seu corpo enquanto o atinge bruscamente na cabeça com o assento do banco de neon, ouvindo um satisfatório crack, antes de agarrar com sua mão machucada o colarinho do quinto inimigo, usando-o como escudo quando o sexto, sétimo, e oitavo inimigo disparam na direção dela. %Anya% o arrasta para trás, os olhos vidrados, arregalados, fixos em seus outros três oponentes, observando o sétimo inimigo sinalizar para a direita dela, indicando para que o oitavo e sexto inimigo seguissem pelo flanco dela e a atacassem ao mesmo tempo, enquanto %Anya% arrastava o corpo agonizante do quinto inimigo ao qual ela se agarrava como um escudo junto consigo, tentando manter sua cobertura.
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  Ela rapidamente lança um olhar ao seu redor, tentando acessar a situação, e então, ela segura com sua mão machucada, o osso se projetando um pouco mais para fora de sua pele por consequência, e o corpo do quinto inimigo, ela se volta na direção das bancadas da cozinha, encontrando uma frigideira média de ferro fundido sobre o fogão. Puta merda, se isso não era conveniente. Foda-se. %Anya% empurra o corpo do quinto inimigo sobre o sétimo, como distração, ao mesmo tempo que ela se volta para o sexto, atingindo-o no rosto com a frigideira, violentamente, usando toda a velocidade que ela possuía para executar o golpe. Um guincho engasgado escapa do sexto inimigo que desaba no chão, momentaneamente inconsciente, enquanto %Anya% arremessa a frigideira de ferro fundido na direção do oitavo inimigo, acertando-o com precisão. O cabo abre um buraco grotesco entre o nariz dele e o olho direito, enterrando-se em sua bochecha, antes do oitavo desabar em um baque molhado e nojento no chão.
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  %Anya% dispara na direção do oitavo inimigo estatelado no chão, buscando por algo que ela pudesse usar contra o sétimo inimigo, praguejando entre dentes ao encontrar apenas uma faca, imediatamente se levantando e preparando-se para atacar seu último inimigo, mas ele é mais rápido. O sétimo inimigo dispara na direção dela, usando o restante de sua munição para tentar abatê-la de uma vez. %Anya% sente o impacto dos disparos, os ombros e corpo sendo empurrados para trás e a sensação como se fosse algo queimando sua pele se espalha de maneira familiar, mas não há explosão alguma de dor, apenas o típico característico amortecimento que ela havia se habituado a sentir. Três projéteis se afundam em seu tronco, dois, em seu flanco esquerdo, um no centro de seu abdômen. Ela sente uma breve contração em seu estômago, e seu corpo tem um espasmo. Sangue inunda sua boca, enquanto seu tronco se projeta precariamente para frente, enquanto sangue escorre por sua boca de maneira involuntária e consequente do disparo. Ela está amortecida demais para compreender com exatidão o que havia acontecido, mas seu nariz de repente fica permeado pelo cheiro sufocante de ferro e sangue, enquanto sua boca está amarga, e até mesmo  o ato de engolir lhe provoca uma sensação esquisita de impossibilidade. Mas ela estava sem tempo. Ela não para. %Anya% avança na direção do sétimo inimigo, acertando com força a caixa torácica dele com um, dois, três, quatro golpes seguidos, afundando a faca até o punho, antes de retirá-la e fincá-la no supercílio de seu último oponente, estrategicamente entre o olho e o início do crânio, fincando-a fundo o suficiente para se alojar no cérebro do sétimo inimigo. %Anya% então chuta com o restante de suas forças o tronco do sétimo inimigo, ouvindo-o meio aparte desabar no chão com um gorgolejo incômodo.
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  %Anya% cambaleia para trás, desabando sentada enquanto faz uma careta. Mesmo com a falta de dor por seu corpo, ela ainda pode sentir a exaustão, e, enquanto ela tenta normalizar sua respiração e colocar-se de pé, novos gostos e sensações provindas de ferimentos recentemente adquiridos começam a permear sua mente. Ela pode sentir o sangue, cálido, encorpado e viscoso escorrer de determinados pontos de seu corpo, umedecendo o tecido de seu uniforme e aquecendo-a de maneira inconvenientemente desconfortável. Seus pulmões estão ardendo. %Anya% cospe o sangue que se acumula em sua boca, balançando a cabeça uma, duas vezes, como se pudesse tentar limpar ou ao menos manter sua mente estável e focada, mas a sensação de sua cabeça estar ficando mais leve e a propensão de um provável desmaio aproximando-se é o aviso para ela que seu tempo haviase esgotado.
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  Continue se movendo. Levanta, porra, continua se movendo!
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  %Anya% trinca com força os dentes, exalando de maneira irregular e pesada por entre os dentes enquanto se obriga a tentar se levantar outra vez, desabando mais duas em seus joelhos e acertando bruscamente uma das paredes antes de engatinhar na direção dos corpos de seus inimigos. Um deles está apenas inconsciente, ela sabe, mas pouco se importa com isso no momento. Os olhos cinzentos da mulher percorrem quase em desespero, buscando pelo o motivo dela estar ali com uma ponta de frustração. Ela puxa e aperta um pouco mais o guardanapo servindo como bandagem em seu pulso esquerdo, se certificando de manter a porra do seu pulso no lugar, antes de começar a procurar por entre os bolsos de seus inimigos. Pelos próximos minutos, %Anya% apenas pragueja entre dentes a cada um dos bolsos que ela abre, alçando um carregador, com cerca de seis projéteis à disposição. %Anya% guarda em um dos bolsos de seu cinto, junto com a arma que ela havia encontrado, antes de voltar a procurar pelo motivo dela estar ali.
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  A chave estava no segundo bolso do uniforme do oitavo inimigo, dentro de uma caixa de cigarros. %Anya% estreita os olhos esforçando-se para manter sua visão focada, embora as laterais começassem a se obscurecer, como se pequenos pontinhos de luz se projetassem por sua visão, dificultando para ela entender o que era real e o que não era. Merda, seu tempo estava no limite. Ela concentra-se em verificar se esta era mesmo a chave de sua missão ou alguma outra tentativa de armadilha criada por seu inimigo. Não era incomum criarem falsas estratagemas para se distrair ou comprometer uma missão, e não seria a primeira vez que ela se deparava com uma armadilha em seu caminho. Sua mente volta para os detalhes da missão outra vez. Ela repassa os detalhes, de novo, e de novo, se questionando o que havia deixado passar desta vez. Os olhos prateados fixam-se no rosto dos inimigos, unindo as sobrancelhas grossas e bem marcadas, enquanto os analisa com atenção. O gosto amargo de sangue pungente em sua boca. Reconhecia os traços, os havia memorizado antes da missão, gravado os traços, cabelos loiros ondulados, bigode grosso, cicatriz no lado esquerdo da mandíbula, lóbulo esquerdo obstruído. Se ela puxar as pálpebras sabe que irá encontrar um olho com heterocromia, um verde, o outro castanho claro. Graham Ward, este era o nome dele. Ex-CIA, agora agente da SHIELD. Um alvo. Mas há algo de errado….
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  Cabelos loiros ondulados, bigode grosso e marcado, cicatriz no lado esquerdo da mandíbula, lóbulo esquerdo obstruído. Cabelos loiros ondulados, bigode grosso, cicatriz no lado da mandíbula, lóbulo esquerdo obstruído. Cabelos loiros ondulados, barba por fazer, cicatriz no lado esquerdo da mandíbula, lóbulo direito obstruído. Cabelos loiros ondulados, barba por fazer, cicatriz no supercílio direito, lóbulo direito obstruído. Ela pisca uma vez. Nada acontece. Ela pisca de novo, encarando fixamente o corpo. Cabelos escuros, lisos, barba por fazer, cicatriz no supercílio direito, nariz quebrado, a respiração de %Anya% se perde em sua garganta, sufocando um grito. Não é ele. Não é Graham Ward. Porra. Porra. O que estava acontecendo.
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  %Anya% pisca algumas vezes, sentindo sua cabeça girar enquanto a iluminação do espaço parece oscilar. Ela sente o ar começar a lhe faltar, tornando-se mais e mais rarefeito, acidentalmente caindo sentada. Sua mão esbarra no crachá do corpo, aumentando ainda mais sua confusão, quando ela lê o nome. É russo. Estranhamente familiar. Novokov…? Onde ela havia ouvido aquele nome antes?...
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  É como se estivesse presa em um sonho esquisito no qual o rosto da pessoa com quem você está falando não era possível de ser visto. Como se estivesse presa em uma falha. Merda, ela deveria estar alucinando, não havia outra explicação para isso. %Anya% leva as duas mãos em direção ao seus ouvidos, tentando abafar o pequeno ruído que começa a se formar ali, enquanto fechava os olhos com força. Por uma fração de segundos, ela apenas consegue escutar o seu ritmo cardíaco, acelerado, descompassado, mas constante. Bip. Bip. Bip. %Anya% abre os olhos, confusa, não soa como o barulho de seu coração, mas sim…
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  Ela abre os olhos, confusa.
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  %Anya% lança um olhar ao seu redor, tentando registrar a onde diabos estava. A pulsação de %Anya% aumenta, criando um pico de adrenalina que faz com que sua cabeça comece a girar. Seu estômago afunda e ela tem quase certeza que irá vomitar. Sua garganta está seca, e sua respiração de repente se torna mais rápida, superficial, irregular, como se ela estivesse prestes a começar a hiperventilar. Ela franze o cenho, voltando a encarar o rosto de seu outrora inimigo – por que ele era seu inimigo? –, agora desacordado. Ela pisca uma vez, e o rosto continua o mesmo, a sensação de iniquidade lentamente aumentando. Quem supostamente ela deveria estar procurando? Onde estava %Marya%? O que ela…? %Anya% pisca outra vez, como se estivesse tentando clarear seus próprios pensamentos, estendendo sua mão esquerda, dominante, completamente intacta na direção do rosto do homem desacordado no chão ao seu lado, tremendo mesmo que ela sequer perceba que o faz. Os dedos dela se esticam para tocar na pele do homem, mas a luz oscila de um tom amarelado para vermelho antes que ela possa sequer tocá-lo direito.
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  Que porra estava acontecendo?!
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  Os olhos prateados dela se arregalaram, fixando-se na lâmpada por um longo momento. Por uma fração de segundos %Anya% %Petrovych% realmente teme o que vê. Ela está enlouquecendo. É o efeito de um gás. O que ela não percebeu desta vez? Merda! O que ela não havia percebido dessa vez?! O QUE ELA NÃO HAVIA PERCEBIDO DESSA VEZ?!... O ar começa a ficar mais rarefeito, e ela não sabe mais dizer o quanto de tudo isso é proveniente de um ataque de pânico, o quanto é sua mente apenas elaborando uma das inúmeras armadilhas que ela tentava evitar, e o quanto era verdade, mas pelos próximos minutos, %Anya% apenas congela no lugar. Ela não consegue se mover. Precisa pensar racionalmente, ela sabe disso, mas a sensação gritante é que ela está em perigo – alguém estava a vigiando, alguém a estava caçando, estava ali! Ela podia sentir! Bem ali!... Ali onde?! – praticamente joga sua mente em uma espiral de loucura crescente. Seu ouvido direito ainda está ensurdecido, o eco vago de um zunido aumentando a cada seguindo, persistente e contínuo, e está doendo. Muito. Ela sente que algo quente e encorpado escorre, de dentro de seu ouvido ferido e surdo, para fora. Assemelha-se a água, mas é quente demais para o ser. Escorre lentamente por sua mandíbula, e então, desliza por seu pescoço, pingando em seu ombro. Ela quer tocar, quer verificar o que é, mas não consegue sequer se mover. %Anya% franze o cenho lançando um olhar ao seu redor. Sua respiração aumenta ao ponto de tornar-se ofegante, irregular e trêmulo. Ela iria vomitar. Merda, ela sentia que iria desmaiar em breve, sua cabeça estava latejando.
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  A sala de treinamento antiga com paredes brancas, agora revela manchas vermelhas profundas e em padrões esquisitos, mas permanece vazia. A luz continua a oscilar, enquanto ela balança a cabeça tentando se livrar do torpor que atinge seu corpo, prendendo-a no lugar. É como se ela estivesse presa em pequenos cabos, puxando-a para baixo, sufocando-a e imobilizando-a. Impossibilitada de fazer qualquer coisa que não fosse apenas observar. Trincando os dentes com força, ela tenta encontrar uma maneira de sair daquele maldito transe. Quaisquer tentativas dela de libertar-se daquele maldito estado de congelamento, são completamente esquecidas ao fundo de sua mente quando seus olhos prateados repousam na direção da porta dupla, revestida e pesada de metal, aberta com um clique. %Anya% engole em seco, dando um passo hesitante para frente enquanto ergue as duas mãos no ar. Trêmulas, completamente encharcadas de sangue. A faca escorregando de sua mão esquerda e caindo com um clique metálico no chão de concreto queimado. %Anya% arregala os olhos, seu tremor aumentando. Quando… quando ela segurou aquela faca? De onde veio…?
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  Os olhos dela voltaram imediatamente na direção da porta, em uma mistura de confusão, medo e alívio. É apenas um soldado. Não um batalhão ou uma ameaça direta. Só um soldado. Sua mente está hesitante e assustada, assumindo que, apesar de ser apenas um soldado, havia algo de muito errado ali, seu peito, ao contrário, enche-se com uma sensação estranha de familiaridade. Ela tenta se lembrar de onde o conhecia, analisando-o com cuidado. É alto, o que faz com que seus passos silenciosos se tornem um pouco mais intimidadores – afinal era necessária real habilidade para conseguir conter os ruídos de sua locomoção daquela forma –, os cabelos longos pedem por seu rosto, na altura de suas maçãs do rostos, sem corte, como se tivessem crescido por desleixo ou esquecimento e nada mais. Tem um braço de metal, uma estrela vermelha de cinco pontas gravadas onde o braço biônico de metal se conectava com o que ela supôs ser o restante do músculo. Uniforme escuro, tático, pesado, e uma mordaça. Embora parecesse com uma máscara, %Anya% não pode deixar de desconsiderar a ideia ao assumir que uma máscara deveria cobrir o rosto inteiro, e a dele apenas cobria a parte inferior de seu rosto, justa, como uma mordaça. %Anya% tenta se mover, unindo as sobrancelhas. Há algo muito errado com ele. Ela lança um olhar ao redor, sentindo o desespero começar a aumentar, antes de voltar sua atenção para o soldado, seus olhos prendem-se aos dele e tudo desaparece ao seu redor.
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  Mas não é o tom azul gélido, meio cinzento, meio esverdeado, que a prende em seu olhar, ou tampouco a intensidade por trás de tais olhos – como se estivesse tentando gritar algo, tanto quanto ela estava. Não, não. Era o estoicismo. Não havia nada ali. Os olhos dele estavam completamente vazios, obscurecidos por suas intenções, como um predador. %Anya% entendeu rapidamente que, quem quer que ele fosse, não era e jamais seria seu aliado.
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  A realização a teria feito exalar, se ela estivesse respirando. As palavras se formam em sua boca, mas nunca são expelidas. Ela observa congelada no lugar ele se aproximar, os olhos prateados dela repousando, então, na mão direita dele, a mão que parece ser feita de carne e ossos e não metal, como a outra. O tremor por seu corpo aumenta, ao perceber tardiamente o que ele segura ali. Uma Luger P8, pelo estado da arma em boas condições, funcional. Ele não está ali para ajudá-la, está ali para matá-la. Mas por quê? Ainda assim, um resquício de esperança quase se acende em seu peito quando ela o vê hesitar. É rápido, quase imperceptível, mas por um segundo, o soldado desvia o olhar para Novokov desacordado no chão, e parece considerar suas possibilidades. %Anya% tenta usar isso a sua vantagem – estava desesperada, afinal, e qualquer chance ainda era uma chance. Me ajuda! Ela tenta dizer, mas sua voz não sai de seus lábios. Há apenas silêncio, como se alguém tivesse lhe roubado não apenas a fala, mas sua capacidade de se comunicar. Tentar falar era tão doloroso quanto afogar-se. Mas o soldado parece apenas estar no automático, estoico e compenetrado apenas em sua missão.
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  O soldado dispara a arma, acertando-a em cheio.
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  Sangue explode pela boca de %Anya% enquanto a dor faz com que pontos de luz explodam em sua visão. Ela cambaleia para trás encarando-o com puro medo. Os olhos prateados dela fixam-se nos azuis esverdeados dele, e tudo ao redor desaparece. Ela tenta suplicar. Ela não quer morrer. Não agora. Não quando %Marya% estava esperando por ela, no… no… não quando %Marya%… quem… quem era %Marya%? O corpo dela se curva para frente bruscamente quando outro disparo é feito, e suas pernas cedem ao seu próprio peso. %Anya% desaba no chão, engasgando com seu sangue. Ela tenta se colocar de pé, mas há uma sensação terrivelmente sufocante de amortecimento em seus músculos que a impede. A dor aos poucos se aloja em segundo plano em sua mente, enquanto seus olhos se tornam mais pesados. Os ombros dela se chocam contra o chão enquanto ela tenta se mover, mas não consegue. O sangue escorre por seu nariz, e lábios, enquanto a tosse aos poucos torna-se mais fraca e irregular. Os olhos prateados dela, ainda fixos no rosto dele, ficam mais e mais vagos. Sua visão torna-se embaçada, escurecendo-se mais rápido do que ela desejava. Estava caindo no sono? O que estava acontecendo? Seus ouvidos ficam abafados, como se ela estivesse embaixo d’água quando ela escuta o soldado dizer:
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  — Senhorita %Petrovych%? Senhorita, ainda está comigo?
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  A voz baixa e calma, cuidadosamente controlada de Doutor Fennhoff ecoa pelos ouvidos dela de maneira gentil. %Anya% pisca rapidamente, inspirando o máximo de ar que consegue, como se tivesse ficado por muito tempo prendendo sua respiração, lançando um olhar assustado ao seu redor, parecendo ter voltado a si mesma. Os olhos prateados dela se movem pelos móveis da sala do Doutor Fennhoff. O cheiro suave de lavanda causou-lhe uma sensação de conforto enquanto os incensos cuidadosamente dispostos sobre uma das mesas dele com livros e mais livros espalhados, próximo da janela ficava. Era elegante, a sala dele, e acolhedora. Confortável, até. %Anya% franze ainda mais o cenho, confusa. Não. Não… ela não estava ali, estava? Que lugar era…? Onde…? Como ela…? %Anya% deixa-se recostar-se contra a cadeira, voltando os olhos prateados na direção do psicólogo. Ele está igualmente com o cenho franzido, uma expressão preocupada que tinge seus traços elegantes e finos, os olhos intensos, castanhos claros, levemente esverdeados se estreitando enquanto ele parece tentar ocultar sua tensão. Por que ele está tenso? Ela não escuta de início quando os lábios dele formam as palavras, mas então, ela entende o que ele está dizendo:
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  — Senhorita %Petrovych%? %Anya%? %Anya% querida, está me ouvindo?
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Lelen

Ae, a bonita apareceu! Agora fica aí a questão se esse final foi no agora ou não OPASJNDPOANSDPO
Quero ver ela surgir dos mortos na frente de geral só pra assistir a reação de todo mundo. Sou dessas sim.
QUERO O RESTO, OBRIGADA.

Soldada

KSKSKSSKSKS não confie em nada do que você “vê” aqui, especialmente o que for na perspectiva da PP
tem mais algumas coisinhas para acontecer antes que eles finalmente se encontrem, mas já aviso que vai dar merda, vai dar muuuita merda, porque eu amo o caos
VOU MANDAR (hehehe sobrecarregar você, perdão!)

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