ENTRE LOBOS E HOMENS

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Nota de autora inicial: Essa é uma fanfic escrita em 2012 por mim, postada em outros sites anteriormente, agora, a história está entrando no Espaço Criativo sob nova revisão e edição. Para quem leu antes, há mudança de narrador e algumas cenas.
Playlist da história


Capítulo Vinte e Quatro • Os frios

Tempo estimado de leitura: 88 minutos

  Passados alguns minutos que a viatura de Charlie havia saído da casa de %Luna%, ela se lembrou de que havia deixado o carro parado em frente à sua casa. Contudo, antes mesmo de retornarem, Jacob telefonou para ela. Enquanto ela o lotava com indagações pertinentes a quem era aquele homem estranho, Jacob pediu calmo para que %Luna% também se acalmasse. E assim, avisou que os encontraria na reserva. %Luna% pediu para que ele levasse o seu carro, cujo as chaves, a mulher havia deixado na mesa da sala.
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  — Como vou entrar para pegar a chave? — Jacob perguntou a respeito de estar tudo trancado.
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  — Não importa mais, pode arrombar a porta se for preciso. Amanhã mesmo eu retornarei para esvaziar esta casa!
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  — Tudo bem, tente se manter calma.
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  Charlie e ela não conversaram no caminho até a reserva. %Luna% observava a mata do lado de fora imaginando se aquele homem peculiar estaria por lá rondando a região. Olhou para o rosto de Charlie na intenção de afastar os seus pensamentos e se distrair, porém, a face sempre tão pacífica do delegado se emoldurava num cenho ranzinza e meticuloso. O que o senhor Swan estaria a pensar? Decidida que sua curiosidade esperaria, %Luna% manteve o silêncio, deixando Charlie a sós com seus pensamentos.
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  A viatura parou no pátio da reserva e Billy balançava-se em sua varanda, numa cadeira de balanço. Sue, ao seu lado, conversava com Seth. O jovem lobo, ao notar a chegada, ergueu-se indo em direção à %Luna% e Charlie.
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  — %Lu%! Você está bem? — disse Seth abraçando-a apertadamente.
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  — Sim, por sorte.
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  — O que houve, Charlie? — O delegado apenas encarou Seth e %Luna% e, abaixando a cabeça, seguiu na direção dos mais velhos.
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  — Viemos em silêncio todo o caminho, ele compenetrado em seus pensamentos. Onde estão os meninos?
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  — Foram vasculhar.
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  — O que você acha que está acontecendo?
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  — Primeiro me conte a sua história — Seth pediu.
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  Os dois foram andando na direção dos outros, e logo %Luna% contou sobre o ocorrido. Billy, Sue e Charlie se entreolharam duvidosos. Ela já conhecia muito bem aqueles olhares e sabia que não conseguiria arrancar nenhuma informação antes da hora. Apenas aguardou Black voltar, bem como os demais garotos. Seth e ela conversavam afastados dos mais velhos, e com ele, %Luna% sentiu que poderia arriscar uma resposta.
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  — E então, o que você acha, Seth? Será que era apenas um ladrão?
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  — Eu diria que pode ser um ladrão ou um assassino, ou qualquer coisa. As características físicas não podem definir. No entanto, a reação de Erick me preocupa… Você disse que ele pareceu hipnotizado?
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  — Erick não abandonaria o seu posto. E jamais me deixaria em risco, apesar de nossas diferenças. Ele ficou estático ao perceber o homem, largou a arma e foi embora!
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  — É, uma reação incomum demais para o policial “caça lobos”.
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  — Eu realmente gostaria de entender, numa outra hora, esta rixa de vocês.
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  — Não temos nada contra ele. Como eu disse, ele que é um “caça lobos”. Sobre o seu amiguinho misterioso… Vamos aguardar Jake chegar, com ou sem informações.
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  — Eu li a respeito dos “frios”, Seth, e Emy me contou sobre os vampiros. Os Cullen. Os Volturi. E Bella.
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  Seth olhou para ela, boquiaberto por uns instantes e, notando que enfim %Luna% descobrira os últimos segredos, ele se posicionou sobre o assunto.
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  — E eu acho que aquele homem, também era um deles — concluiu.
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  — Achamos o mesmo, então.
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  Jacob surgiu com o carro dela atraindo a atenção de todos. Primeiro, ele caminhou até seu pai e falou algumas coisas em baixo tom, permitindo Charlie e Sue o ouvirem, enquanto Seth e ela apenas observavam do canto da varanda, mas não demorou muito para que ele viesse na direção da mulher.
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  Seus olhos aflitos. Urgentes. Preocupados. Com passos firmes ele se aproximou dos dois, e %Luna%, que estava sentada, mal conseguiu processar as ações de Black quando ele a puxou com ferocidade para seu corpo, envolveu-a em um abraço apertado, e afundou seu nariz no pescoço dela. Como de costume, ela deveria morder seu ombro. Aquele era o cumprimento deles, mas %Luna% não pôde. Ele havia se declarado para ela quando a mulher saiu desnorteada atrás de Scott. %Luna% não conseguiu reagir ao abraço carinhoso de Jacob, porque não sabia como fazê-lo. 
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  Ela deveria fingir que não ouviu Black dizer que a amava e lutaria por ela?
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  Ela deveria agir como sempre, correspondendo o carinho amigo que eles tinham?
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  Ela deveria se entregar ao desejo profundo de aceitar os sentimentos dele, e com isso abraçá-lo sem pudor?
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  Ela não sabia o que fazer, mas instintivamente, fez: abraçou Black de volta. Ela teve medo de nunca mais ver aqueles olhos e a postura ranzinza, o sorriso solar…
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  Jacob, ainda abraçado a ela, afastou sua cabeça do pescoço de %Luna% e olhou para Seth tocando seu ombro. Seth sorriu para os dois, um cretino sorriso de alguém que acha saber mais do que há.
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  — Por que saiu daquele jeito, Mani? — Fora a primeira coisa que Jacob disse. Seth beijou a testa da amiga e se retirou para deixá-los a sós.
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  — Eu precisava pensar.
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  — E se colocar em risco é a sua forma de pensar?
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  — Não. Eu fui dar uma volta na cidade. Quando estava a caminho da reserva, decidi parar em casa para…
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  — Sua casa é aqui agora, %Luna%.
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  — É, eu sei. Não vem bronquear comigo não, como eu imaginaria que…
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  — Você veio para cá ciente dos perigos que corria no Kalil. Não deveria estar lá a esta hora!
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  — Por que você está falando desse jeito comigo!? — %Luna% começou a se irritar.
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  — Porque eu tive muito medo hoje, %Luna%! Um absurdo medo de perder você!
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  — Ei… — Ela notou o descontrole despreocupado de Jacob e, cuidadosa, tocou em seu rosto. — Eu estou bem, você não vai me perder. Não vai ser tão fácil assim...
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  Os olhares de ambos se cruzavam enquanto ela o consolava. Não conseguia decifrar o que os olhos dele diziam para ela, mais uma vez. Mas ela estava feliz por vê-lo preocupado consigo. %Luna% sorriu de canto a fim de passar falsa calma a ele, e exatamente após soltar seu rosto, Jacob puxou o pescoço de %Luna% em sua direção, segurou os cabelos dela com uma força abrasadoramente confortável, e finalmente beijou a boca da mulher. Um beijo cheio de desejo, carinho e necessidade. E %Luna% o correspondeu no mesmo tom. Eles puderam ouvir a risada fraca dos três mais velhos na varanda e os murmúrios comemorativos de Seth.
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  Não sabia qual a razão de uma lágrima escorrer por um dos seus olhos, mas Luan sentiu o mesmo acontecer a Black, molhando suas faces de um jeito cúmplice. Parecia um encontro de almas e ele sorriu entre o beijo. O primeiro beijo deles. E depois, quando suas bocas se distanciaram satisfeitas, eles se encararam, sorridentes. Jacob abraçou o corpo de sua Mani ainda mais forte, apertou sua cintura e iniciou um segundo beijo, mais calmo. À medida que suas respirações voltavam ao normal, eles deram-se as mãos. O quase silêncio era acolhedor, mesmo com o som baixo da vitrola de Billy num instrumental de guitarra já conhecido por %Luna%. Agora eles tinham uma trilha sonora como todo casal que se preze. “Dream On” dominava, baixinho, o momento de muda voz e carinhos tão esperados daqueles dois.
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  %Luna% mordeu o lábio inferior balançando a cabeça negativamente, sorrindo boba. Tola e desacreditada. Black a acompanhou numa risada muda e desajeitada. Sue, Billy, Charlie e Seth se retiraram os deixando a sós na varanda. Não que fosse necessário, pois, não havia mais nada além deles próprios e de sua nuvem de sentimentos mistos para ambos. E só quando o silêncio da vitrola de Billy pôde ser notado, que Black e %Luna% saíram daquele transe temporário de dois apaixonados, se abraçando e confortando-se um sob a proteção do outro.
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  — Droga, Billy, podia ter esperado o fim da música para desligar — %Luna% reclamou.
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  — Meu pai vai adorar saber que vocês vão compartilhar Aerosmith. — %Luna% olhou duvidosa para Jacob e então, ele esclareceu que Aerosmith não era muito o seu estilo musical.
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  — Bem, o que você descobriu? — %Luna% então se afastou um pouco dele desconversando e perguntando sobre o estranho em sua casa.
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  — Não consegui pegá-lo. Mas segui seu rastro até a antiga casa dos Cullen.
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  — Eles voltaram? Digo... Os Cullen?
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  — Aparentemente não, mas há outros aqui.
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  — Os ataques podem ser …?
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  — Sim, mas eu estranho não termos notado eles antes.
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  — Como assim?
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  — Não é comum que eles transitem tanto tempo entre nós.
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  — Você acha que são outra coisa?
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  — Não, eles são frios. Eu tenho certeza. Dois. Mas de alguma forma eles conseguiram se camuflar muito bem. A casa dos Cullen parece habitada há mais de um mês.
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  %Luna% abraçou Jacob e eles sentaram-se na varanda compartilhando o aperto quente dos braços um do outro. Entre conversas aleatórias – que não englobavam mais o assunto dos frios e nem tocavam no assunto “casal” –, Jacob e ela riram contemplando o céu da reserva. Pouco depois, eles beberam chá e acenaram aos meninos que chegaram mais tarde. Eles perguntaram a %Luna% se ela estava bem e, cansados, se despediram. Haveria tempo para que contassem sobre o que Jacob descobrira e o que aconteceu com ela naquela noite. Por fim, Jacob e %Luna% foram dormir.
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  Tanto Black quanto ela, não estavam confortáveis para iniciar uma discussão sobre “o que” eles teriam ou quais resultados aquele beijo traria, apenas continuaram sua relação amiga e confusa. Ele pegou suas coisas e foi dormir na sala e %Luna% se preparou novamente para dormir em sua cama. Antes de apagarem em sono profundo, os dois deram um último beijo de boa noite um no outro, e se direcionaram às suas respectivas camas.
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  No dia seguinte ao amanhecer, bem mais cedo que o habitual, %Luna% acordou. Após se vestir para o trabalho, ela saiu de casa deixando Billy e Jacob ainda adormecidos. Ao passar pela sala, olhou para Black que dormia tranquilo no sofá e antes de fechar a porta o observou com carinho, mais uma vez, sorrindo. Depois %Luna% saiu com seu carro, e por algum motivo que provavelmente teria a ver com o beijo do dia anterior, ela foi tomada de nostalgia musical. Colocou um CD antigo, no seu carro antigo, no aparelho de som moderno demais para aquele carro, e seguiu até sua antiga casa. Ao contrário do que pudesse parecer, ela não estava desafiando o perigo, sua intenção era outra, totalmente diferente: se livrar do casebre.
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  %Luna%, porém, ficou estacionada, com o rock and roll no último volume encarando a construção. Sair do carro ou voltar depois? Decidiu sair e desligou o rádio. Trancou o carro e seguiu para dentro da casa. Uma janela quebrada indicava o modo como Jacob entrou na noite anterior para pegar a chave do veículo. O tal “KM” não estaria ali, e embora ela não pudesse ter certeza, sua intuição pressentia que ele de fato não estaria.
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  Cautelosa, ela entrou e foi diretamente ao seu quarto. Separou todas as coisas que havia deixado lá e que eram importantes para si: lembranças da sua vida, fotografias, documentos não habituais importantes, alguns dos seus muitos livros e CD’s. Desceu e pegou no seu depósito externo à casa uma caixa de papelão guardada. Antes de retornar para dentro de casa, %Luna% deu uma boa olhada à volta do quintal dos fundos. Não havia nenhum vestígio de presença humana ou de qualquer outra coisa que fosse. Então, empacotou suas coisas colocando-as no carro, em seguida dando partida à cidade.
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  Os comércios ainda estavam fechados, alguns de costume abriam, o relógio marcava uma hora e meia anterior ao seu horário na farmácia. %Luna% estacionou em frente à loja e, caminhando lentamente, passou na banca de jornal. Comprou o noticiário impresso do dia. Cumprimentou algumas pessoas no curto caminho até o Coffee&Bar e entrou, com o mínimo de barulho para uma manhã, mas todo o silêncio de suas botas não eram páreo para aquela sineta da porta. Dois bêbados, um grupo de quatro alpinistas – aparentemente turistas –, um senhor de barba branca, e Joe – que era motorista operador de uma extratora perfuradora de pedras, ele trabalhava na antiga pedreira de Forks – olharam em sua direção quando ela entrou. A mulher acenou discretamente com a cabeça na direção de todos. Joe, que constantemente surgia na farmácia para buscar sua medicação de rotina, sorriu e levou até a mesa em que ela foi se sentar, uma caneca limpa que a garçonete lhe entregara e a cafeteira de mão. Os dois trocaram corriqueiras palavras e ele serviu-a de café, gentil. Logo retornou ao seu lugar e a garçonete chegou.
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  — Desculpe, %Luna%, eu estou sozinha esta manhã e aceitei a ajuda de Joe para lhe servir. Bom dia!
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  — Bom dia, Stacy, e não se preocupe. Pode me trazer um pão quente com bastante queijo, uma xícara de leite quente e um muffin de chocolate?
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  — Não vai querer waffles? Acabo de colocar na máquina.
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  — Com mel, por favor.
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  Elas sorriram uma para a outra e %Luna% volveu a atenção ao seu jornal. Das tragédias lidas, nada lhe surpreendera. Ela buscou nos classificados anúncios de compra à imóveis e infelizmente não havia nada. Aguardou o seu café folheando devagar cada página. Stacy estava com dificuldades para expulsar os bêbados que insistiam em atormentá-la do balcão. Aquilo irritou %Luna%, então ela foi até eles.
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  — Vocês dois! Já é de manhã e a maioria das pessoas desta cidade tem que trabalhar. Não me interessa a vida de vocês ou o motivo para estarem aqui até agora, mas o bar já fechou. E não é porque a garçonete está sozinha por enquanto que vocês dois podem atormentá-la em seu trabalho. Olhem em volta: as pessoas estão tomando seu café da manhã para irem aos seus respectivos trabalhos. E ninguém está bêbado. A hora da farra acabou, senhores, então paguem suas bebidas e deem licença!
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  Os dois encararam %Luna%, silenciosos, se entreolharam e, resmungando grosserias para ela, levantaram pagando suas contas e saíram cambaleantes do bar. Stacy a agradeceu informando que já estaria a caminho de sua mesa com os seus pedidos.
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  Enquanto %Luna% voltava para a mesa, o jovem garçom da manhã adentrou o bar, atrapalhado. Com certeza, estava atrasado. Stacy o olhou contrariada e caminhou até a mesa de %Luna%, e assim que ela saiu, a sineta do bar denunciou a chegada de mais alguém.
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  — Que apetite, hein? — %Luna% olhou para frente e lá estava Erick sorridente. — Bom dia, %Luna%.
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  — Bom dia, Erick. Sente-se.
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  Sem muitas delongas ele sentou-se à mesa e fez seu pedido ao garçom recém-chegado. %Luna% ofereceu a ele dividir seus waffles e sem a menor cerimônia, Erick cortou um pedaço e embebendo-o de mel, o comeu. Algo estava diferente. Erick reagia como se ainda estivessem os dois na primeira semana da mulher em Forks, muito mais receptivo, muito mais íntimo. Sem falar que não parecia estranho ou constrangido por ter abandonado %Luna% em casa naquela situação de perigo.
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  — O que houve com você ontem? — Ela disparou o analisando.
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  — Engraçado você perguntar, eu não lembro de nada. Não tenho a menor memória do que eu fiz ontem, só sei que acordei hoje com dor de cabeça. Devo tê-la batido em algum lugar ou bebido muito ontem…? Não faço ideia...
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  Ele forçou os pensamentos em uma careta, e tentou se recordar a todo custo. %Luna% perguntou a ele a data daquela manhã. Ele, mesmo estranhando o jornal à mesa, ainda assim respondeu corretamente. Ela então achou por melhor, desconversar e os dois continuaram ali tomando café juntos.
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  — Erick… Por que você nunca me falou absolutamente nada sobre a Bella? Você sempre soube que eu vim por ela e mesmo assim, nunca disse nada.
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  — Você já deve saber que ela se envolveu com um pessoal estranho, não é?
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  — Sim, os Cullen.
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  — É. Eles não fizeram nada suspeito enquanto estiveram aqui, mas tenho pressentimento de que não eram boas pessoas, mesmo Carlisle tendo sido um médico dedicado em nossa cidade por tanto tempo.
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  — Você ainda não respondeu a minha pergunta.
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  — Não queria ser eu a te dar a notícia de que ela havia ido embora com eles e deixado um rastro de mau presságio na cidade. As pessoas estranhavam os Cullen, não apenas por serem muito fechados entre si, mas porque eles passavam algo de sombrio a todos. Sabe como é, tudo o que é misterioso e desconhecido causa espanto, e com eles não era diferente. A Bella já era esquisita, e digamos que ela não se uniu com a turminha mais popular da cidade.
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  — Entendo.
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  — Ao contrário de você.
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  — Não começa.
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  — Só uma brincadeira, sem malícias.  — %Luna% o olhou duvidosa. — Juro, %Luna%! Eu não me importo mais com a sua paixão pelos indígenas da reserva. Desde que eu e você possamos ser amigos.
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  %Luna% teve vontade de dizer para ele naquele momento: “Amigos não abandonam um ao outro em um momento de perigo”, mas não seria justo. Eles continuaram a conversa e, ao acabar de comer, ela se despediu. Ao caminho da loja, passou em frente à floricultura. A mesma velha senhorinha floreira, dona do lugar, estava varrendo sua calçada e %Luna% observou um anúncio de trabalho colado à vitrine. Pensando em Seth, ela mandou uma mensagem para ele.
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  “Bom dia! Venha até a cidade e passe na floricultura. Você estava querendo trabalhar, não é? Estão precisando de carregador. Até mais, %Lu%.”
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  Entrou na farmácia, iniciou o sistema e ao ponteiro soar seu “tic” exato às oito horas, ela abriu a loja. Separou as medicações da população local, pois era dia de distribuição gratuita. Não demorou muito para que a população idosa surgisse com suas receitas médicas, ávidas pelas suas caixinhas de anti-hipertensivos, antidiabéticos, medicações controle, entre outros. Aquele projeto dos irmãos Hernando, de distribuir as medicações que o sistema público não podia ofertar à população, era tão fantástico!
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  Por volta das dez e meia da manhã o movimento diminuiu. %Luna% avistou Seth sair da floricultura e foi até a calçada da farmácia, a fim de acenar ao rapaz, e logo ele foi até a amiga. Havia conseguido o trabalho e agradeceu a %Luna% por aquilo. Seria um trabalho de meio turno e, portanto, uma ideia que já martelava em sua mente fez-se oportuna. %Luna% ofereceu a Seth outro trabalho de turno posterior como entregador da farmácia. Eles ainda não ofereciam “disque entrega”, mas %Luna% já estudava que existia uma necessidade. E Seth aceitou. A amiga avisou a ele que prepararia a papelada burocrática, os anúncios com a linha telefônica e o novo serviço de entregas e assim, o chamaria para consolidar tudo.
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  O relógio da igreja badalou as doze horas, e %Luna% já estava com muita fome de novo. Seu apetite duplicara desde que ela foi morar na reserva e parando para pensar naquilo, %Luna% decidiu que precisava voltar a fazer exercícios. Às doze horas e trinta minutos, Steve surgiu para seu turno.
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  — Já almoçou?
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  — Sim, chefe.
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  — Para com isso, garoto! Então, bom trabalho e qualquer coisa me liga.
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  — Tranquilo.
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  Ela voltou para o Coffee&Bar, não antes de passar no Carter’s Market. Na frente do mercado %Luna% olhava, sem entrar, para o estabelecimento à procura de Scott. E não o viu, mas foi vista por senhor Junior Carter. O senhor Carter sorriu para ela e então, a mulher se viu obrigada a entrar.
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  — Bom dia, %Luna%!
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  — E aí, Senhor Carter, tudo bem?
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  — Sim, sim! Em que posso te ajudar?
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  — Ah, nada não, eu só vim ver se o Scott estava por aqui e saber se ele está bem.
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  — Ele está bem sim. Mas não está trabalhando hoje.
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  — Certo… Mande um abraço meu a ele, Eva e Peter. — %Luna% já ia se retirando do local quando Junior Carter a chamou de volta:
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  — %Luna%, você não está chateada pelo que Peter disse, não é?
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  — De forma alguma. Peter agiu muito bem protegendo o irmão.
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  — Fique tranquila, nenhum de nós te culparíamos pelos sentimentos de Scott. Ele foi avisado há muito tempo do que aconteceria e decidiu assumir o risco.
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  — Eu só não queria ter que me afastar dele.
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  — E não tem. O que a faz pensar isso?
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  — De certa forma, Peter estava certo. Scott pode não saber o que faz, mas eu sei o que estou fazendo.
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  — Muitas coisas começarão a se encaixar agora, menina. Não se culpe por nada.
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  — Outra premonição, senhor Carter?
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  — Isso é bobeira que o povo diz…
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  — Tudo bem, senhor Carter… Eu acredito na sabedoria indígena. — Ele olhou surpreso por ela saber de sua origem, e sorriu de canto, um pouco assustado. %Luna% largou-lhe um sorriso divertido e acenou para ele, já de costas.
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  Ao entrar no pequeno estabelecimento – que de manhã era um café e restaurante, à tarde café novamente, e no início da noite um bar – a mulher se sentou à mesma mesa da manhã, que estava vaga, e pediu ao jovem garçom o seu almoço. Erick e Scott chegaram juntos, sendo denunciados pela sineta, e olharam na direção da gerente da farmácia. Scott se aproximou, e após notar para onde ele iria, Erick acenou com a cabeça para ela e seguiu para o lado oposto. Scott beijou o rosto de %Luna% e sentou-se à frente dela.
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  — Boa tarde, como você está?
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  — Boa tarde, Scott. Eu estou bem e você?
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  — Preocupado com ontem. O que houve?
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  — Do que você está falando?
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  — Você foi até minha casa para falar algo comigo, mas saiu antes que eu chegasse.
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  — Não houve nada, só estava tarde para aguardar você chegar.
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  — Entendo. Bem, e o que você queria conversar?
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  — Nada propriamente. Eu só saí um pouco para espairecer.
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  — Se precisava espairecer, é porque algo aconteceu…
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  — Eu só queria te ver, Scott. Não aconteceu nada.
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  Ele fez um silêncio, pouco constrangedor. Ela não queria soar uma grosseira com ele, mas após a conversa com Peter e o beijo com Jacob, %Luna% não continuaria naquele jogo com Carter. Não era justo a ele, e nem a ela, além do mais, depois do que Peter disse, %Luna% ponderou todas as vezes que, mesmo sabendo do sentimento de alguns amigos, e não os correspondendo, ela continuou uma amizade com quem fosse apaixonado por ela. E todas essas ponderações a fizeram perceber que ela não sabia o quão doloroso aquilo poderia ter sido. %Luna% apenas sabia que seria extremamente difícil se do outro lado fosse ela. Seth dissera aquilo. Bella, há muito tempo, dissera também. E agora ela faria diferente com Scott.
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  — Desculpe, Scott. Não queria ser grosseira.
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  — Eu só quero entender se eu te fiz algo, ou se… Alguém te fez algo ontem em minha casa.
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  — Não. Eu só… Estive pensando e, sinceramente, Scott…
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  Stacy chegou com o almoço à mesa, e Scott contrariado, despediu-se dizendo que iria deixá-la almoçar e que eles conversariam depois. Ele não estava com raiva, só chateado. Diga-se até, triste. E isso sem %Luna% ao menos tê-lo contado o que pretendia. Beijou a testa da mulher e foi sentar-se algumas mesas mais afastadas.
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  Ela almoçou em silêncio e antes de sair do estabelecimento, se direcionou até ele e marcou de passar em sua casa para conversarem.
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  — %Luna%! — Scott chamou antes que ela o desse as costas. — Poderíamos sair, o que você acha?
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  — Eu não sei, Scott. Acho melhor eu só passar na sua casa.
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  — Somos amigos, não é?
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  — É… Tudo bem.
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  — Eu te ligo mais tarde.
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  Antes de retornar à reserva ela optou por dar uma volta pelos arredores de Forks atrás do seu terreno ainda não resolvido para o laboratório. Aquele amontoado de problemas que surgiam, um atrás do outro, a fizera atrasar a construção. %Luna% dirigiu entre bairros, mas não adiantaria muito fazer daquela forma, então retornou à cidade e visitou a única imobiliária local.
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  Após algum tempo, cerca de 40 minutos, conversando sobre o que procurava e sobre preços, condições de pagamento entre outras coisas, algumas visitas foram feitas. O corretor mostrou alguns terrenos bons, outros ótimos, e alguns extremamente fora de cogitação. “Não basta aquele elefante branco no Kalil, eu não posso deixá-lo me enfiar outro terreno ruim!”, %Luna% pensava enquanto observava o terceiro terreno que o corretor lhe mostrara. Afastado da cidade, e pequeno. Ela já havia favoritado alguns, então, dizendo que pensaria nas propostas e retornaria a procurar por ele, se despediu. Novamente, %Luna% dirigiu com intenção de procurar outras possíveis oportunidades que talvez ele não houvesse lhe mostrado por algum motivo nas regiões que havia gostado mais. Enquanto cantarolava “High by the Beach”, da Lana Del Rey, ela pensava em como vender sua casa mal-assombrada.
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  A corretora da cidade não pegaria aquele imóvel para vender novamente, pois fora o grande alívio deles saírem daquilo. %Luna% teria que encontrar um comprador antes de recorrer a “Maine’s Empreendiment”. Quando deu por si, havia avançado ruas a dentro de um dos bairros, e ela nunca estivera ali. O final daquela rua não tinha saída. %Luna% suspirou irritada com sua distração e deu a ré, retornando. Novamente atenta à estrada, avistou uma placa à direita que dizia “Cullen’s Territory”, então ela parou o carro à beira da entrada. Observou por algum tempo a estrada de chão que imergia pela floresta densa.
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  Má ideia! Má ideia?
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  Aquele era o antigo território dos Cullen, Jacob avisara que os frios poderiam estar ali. %Luna% deveria pisar no acelerador e partir o quanto antes, contudo, algo dentro dela a desafiou a seguir em frente. E foi o que ela fez. Como em quase todos os momentos desde que ela chegara em Forks, ali estava %Luna% desafiando a morte com sua impetuosidade.
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  Dirigiu devagar até chegar a um ponto final da estrada. Não havia como seguir de carro, então ela desceu. Colocou as chaves do veículo e o celular em seus bolsos, caminhou lenta e cuidadosa até uma encosta da floresta. Os pinhos desciam a encosta formando um monte retilíneo de árvores enfileiradas e decrescentes. E lá embaixo, uma mansão de vidro. Tudo inóspito demais, silencioso demais, e cristalino demais.
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  %Luna% desceu até aproximar-se da mansão. Não havia sinal de vida ali, e aquilo a preocupava muito mais do que se houvesse alguém. Sua respiração começara a falhar, ela já estava com medo, como poucas vezes, mas de uma intensidade absurda. Então recordou-se da noite passada em que confrontou o estranho em sua casa. Por mais que tivesse percebido a estupidez que cometeu em ir até lá, %Luna% não podia simplesmente dar as costas e correr de volta ao carro. Ela não conseguia.
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  Passos fraquejantes, olhos atentos, e seus braços envolvendo o seu tronco. Seguiu até a varanda da luxuosa casa vazia, espiando tudo por fora. Nenhum móvel. Nenhuma presença humana. Nada além de silêncio, luz e poeira. Retornou à entrada da casa e olhou mais uma vez ao redor. Não havia ninguém. %Luna% subiu a encosta mais atenta e apressada do que quando chegou ali. Ela tivera sorte. De novo.
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  Desesperada para entrar em seu carro, ela abriu a porta e entrou. Afivelou o cinto sem dar-se o tempo que precisava para respirar fundo e se acalmar. Foi tomada repentinamente de um medo fantasmagórico e suas mãos tremiam, como se ela pressentisse que cada segundo ali era um segundo mais próximo da morte. %Luna% girou a chave na ignição e ao olhar para o vidro de sua janela, o avistou ao seu lado. Gritou de susto.
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  O mesmo homem estava ali a observando com um sorriso de canto. Ele bateu no vidro da janela dela indicando para abaixá-lo. %Luna% decidiu que pisaria no acelerador e daria ré sem importar se aquilo seria sensato ou não. Afinal, o que seria sensato naquele momento!? Enquanto encarava os olhos escuros do homem, %Luna% imaginou o que ele faria se ela acelerasse. Não seria uma boa ideia demonstrar que ela queria fugir. %Luna% abaixou o vidro torcendo para ver os olhos de Jacob, mais uma vez.
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  — Ei, docinho, o que faz por aqui? — ele perguntou escorando-se à janela do carro assim que ela a abriu.
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  — Você mora aqui? — %Luna% perguntou diretamente.
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  — Depende do que você quer. — Ele tinha um ar displicente e autoconfiante. Encarou os olhos dela como se a estivesse decifrando. Embalou-a a se deixar totalmente entregue. Algo magnético e inexplicável.
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  — Não é como se eu estivesse invadindo a sua casa para ficarmos quites — %Luna% disse irônica na busca de se acalmar e soando amigável pediu desculpas. Ele sorriu fraco sem perder o contato visual com ela.
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  — Em que eu posso te ajudar?
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  — Bem, me disseram que esta casa estava vazia e abandonada. Decidi dar uma olhada antes de ir à corretora.
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  — Você curte um lugar mais ermo, não é?
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  — Na verdade não seria para morar.
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  — Hum… E o que seria? — ele perguntou com genuíno e sedutor interesse.
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  — Desculpe, por mais que você tenha invadido a minha casa e tenhamos respirado quase a respiração um do outro ontem, eu não acho que deva compartilhar a minha vida pessoal.
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  — Eu gostei muito de você — ele disse respirando profundamente, e aqueles olhos negros hipnotizantes não se desviaram dos olhos dela. — A casa está mesmo abandonada. Estou passando uns dias aqui.
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  — Sabe, tem uma corretora na cidade.
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  — Eu sei, gracinha. Mas eu gosto deste lugar. Cheguei há pouco na cidade e ainda não tive tempo de procurar um trabalho ou uma moradia.
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  — Um estranho na cidade que invade casas abandonadas.
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  — Me desculpe por ontem, mas a sua casa me pareceu mesmo abandonada.
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  — Eu não costumo viver mais lá.
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  — Hum… Isso explica a sua ausência... — ele comentou como se estivesse ciente daquilo há algum tempo.
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  — Por que invade os lugares em vez de se estabelecer logo?
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  — Eu sou um aventureiro. Contudo, acho que minha estadia por esta cidade será mais permanente do que o planejado.
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  — Entendo… Bem, boa sorte.
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  %Luna% girou a ignição do seu Mustangue e preparou a marcha, enquanto o estranho se afastou ainda sorrindo, a encarando. Ele deu passagem para que ela desse partida e, sem hesitar, ela saiu dali atenta ao redor. O misterioso homem observava-a parado, e enquanto %Luna% o encarava pelo retrovisor, ele deu as costas e seguiu em direção à mansão. E até o jeito como ele andava era inebriante. Ela estava pálida, e como todos na cidade faziam questão de afirmar, aquela não era a sua cor.
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  Na reserva, Leah roeu suas unhas, nervosa, sentada à entrada de sua casa e foi andando na direção do carro de %Luna% quando notou que algo havia acontecido. %Luna% desligou o motor e recostou-se no banco do motorista. Respirou dez vezes, entre inspirações e expirações concentradas. Não queria abrir os olhos, mas ao fazê-lo, lá vinha Leah com ar sondante à frente do carro, então ela desceu.
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  — Aconteceu alguma coisa, %Luna%?
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  — Não, só não estou me sentindo muito bem.
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  — Você está pálida! E seu pulso acelerado — a quileute disse ao tocar os punhos da mulher: — Vamos, vou te examinar.
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  — O quê?
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  — Esqueceu-se que sou uma médica quase formada?
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  — Totalmente.
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  As duas seguiram para a casa de Sue, e após um copo bem cheio de água seguido por uma dose de café – que Leah não recomendava, mas %Luna% não obedeceu – elas se sentaram à sala da cabana para conversar.
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  — Onde estão todos?
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  — Minha mãe foi fazer “sei lá o quê” com a Emy. Seth está trabalhando, como você já deve saber. Embry foi dar uma volta na praia e o resto não faço a menor ideia, até porque não sou babá de ninguém. — Ela roeu as unhas novamente.
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  — Certo. Quer falar sobre este humor?
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  — Quer falar sobre seu súbito mal-estar?
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  — Não pergunto mais. Já entendi.
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  — Desculpe, índia branca… — Leah disse acariciando a testa da amiga, suspirando pesado. — Seth contou para nós sobre o ocorrido de ontem e o que Jake descobriu.
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  — Ah, entendi. Está preocupada com os frios também, não é?
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  — Não. Na verdade, não. Mas já que tocou no assunto, eles também estão me deixando extremamente irritada! Que droga! Enquanto eles não forem exterminados, nós não poderemos ser também!
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  — O quê? — Leah encarou %Bedingfield% confusa, nervosa e um pouco… Chorosa.
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  — Eu não costumo falar dos meus sentimentos, mas você já compartilhou tanta coisa conosco…
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  — Sabe que pode confiar em mim, Leah, eu não vou falar a respeito com ninguém.
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  — Eu escolhi fazer medicina porque acredito que posso reverter este “dom” que nós temos.
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  — Sério? Eu achei que você não se importasse.
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  — Nenhum de nós gosta exatamente de ser o que somos, %Luna%! É horrível compartilhar todo pensamento com uma matilha, esta ligação que temos, nos impossibilitando de sermos livres… — %Luna% fez sinal para que ela continuasse a falar, mesmo que não entendesse. — Se um lobo deixa a matilha, ele é um lobo sozinho. E acredite… Não é algo bom. Assim como não é bom estar preso num poder sobrenatural que te impede de viver uma vida normal. São tantas coisas… E antes, quando decidi que faculdade faria, ainda tinha o maldito imprinting que não surgia. Então eu volto para cá, porque ele finalmente havia acontecido, com esperanças de conseguir me encaixar nisso tudo e… E aí o meu imprinting se transforma num lobo muito mais fora de controle e nada mais é garantido.
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  Lágrimas fracas escorreram dos olhos de Leah. Sua pose ainda era a mesma pose de loba corajosa e insensível. Um contraste admirável. E por saber que ela não era do tipo que demonstrava fraqueza, %Luna% optou por não tentar consolá-la, servindo apenas de ouvidos dispostos.
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  — Tenho estudado tanto, e quando eu começo a enxergar uma saída, veio esta transformação do Embry!
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  — Espera… Você conseguiu uma espécie de cura?
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  — Não posso afirmar nada. Eu ainda nem testei. E nem posso contar aos outros na reserva, porque eles acabariam comigo. Com toda certeza, a posição de alfa do Sam não seria sensível às minhas razões. Eu pretendia testar em mim, mas após tudo o que veio acontecendo eu não sei se estou pronta para ser uma pessoa comum, caso dê certo.
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  — Leah! Isto é fantástico! Quero dizer… É uma descoberta fantástica!
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  — Eu sei. Mas não é nada certo, pois ainda não tive resultados. São teorias. Estudos. Que penso em deixar de lado por um tempo.
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  — Entendo… Deve ser bem difícil lidar sozinha com tudo isso.
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  — Pior é esconder o assunto. Eu não tenho privacidade de pensar no assunto quando estou aqui, %Luna%, porque a proximidade com os outros pode fazer a conexão revelar meus pensamentos.
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  — Espera… Eu achei que vocês pudessem ter domínio sobre os seus pensamentos.
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  — E temos. Mas Sam tem um pé atrás maldito comigo desde que o enfrentei há muitos anos.
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  — Eu já notei que vocês não se dão muito bem.
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  — Já passou da hora de Jake assumir suas responsabilidades também!
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  — O que ele tem a ver com tudo isso?
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  — Jake é o alfa por herança. Mas desde que Sam assumiu, ele não mencionou tomar seu posto. Só que quando o assunto é do interesse dele, ele não se importa de ir contra as decisões de Sam.
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  — Nossa, quanta confusão. Até eu que sou normal já estou exausta.
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  Leah riu baixinho ao observar o semblante cansado de %Luna% e, esbarrando fraco no braço da amiga, advertiu que ela não tinha mais o direito de fugir deles, causando um risinho entre elas.
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  — Mas, eu volto em breve para Seattle retomar meus estudos e até lá poderei decidir como agir. Se não fossem os frios a voltar agora, eu testaria em mim e voltaria para salvar os outros.
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  — E se eles não quiserem?
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  — Eu salvaria pelo menos o Embry.
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  — E se ele não quisesse?
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  — Ele quer.
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  — Acredito que sim. — %Luna% pensou em como realmente aquela parecia ser uma decisão em conjunto entre Leah e Embry, diante de todas as dificuldades que os dois haviam passado enquanto vestiam aquela pele selvagem. — E Leah, quando você parte?
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  — Daqui uma semana.
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  — E como o Embry está em relação a isso?
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  — Não sei, quando contei ele apenas disse: “vou dar uma volta na praia”.
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  — Era o Embry mesmo ou o Jacob? — As duas riram novamente.
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  — Verdade! É bem mais o tipo do seu lobo fazer isso.
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  — Ele não é meu lobo, para com isso.
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  — Nem mesmo depois do beijo de ontem?
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  — O quê? — %Luna% recordou-se que Seth não guardava segredos, e riu.
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  — Quando pretendia me contar, sua idiota?
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  — Não sei… Nós não estamos lidando com isso… Quero dizer, depois do beijo não tocamos no assunto. Fomos dormir e eu ainda não o vi hoje.
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  — Qual é!? Vocês não vão ficar fazendo jogo depois de tanto tempo, não é? Assumam de uma vez estes sentimentos!
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  — É só que, talvez, seja mais prudente irmos com calma.
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  — Mais calma do que vocês já vêm tendo? — Leah a encarava desacreditada.
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  — Bom, eu não posso ir direto ao assunto. Foi o Jacob que me impôs vários tempos, pausas e distâncias! Lembra?
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  — Tá! Mas pelo que eu pude entender, ele finalmente se declarou para você e no mesmo dia te beijou! Eu acho que ele está tentando recuperar as chances que vocês jogaram fora, não é?
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  — Pode ser, mas eu quero tudo muito claro a partir de agora. Tudo muito bem definido.
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  — E termine logo com o Scott Carter!
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  — Nós não temos nada.
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  — Sim, eu sei. E você vai deixar claro que não terão.
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  — Eu já faria isso de um jeito ou de outro. Vamos sair hoje e vou fechar os parênteses abertos.
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  — Certo. Então vamos! Você se resolve com Jake e eu vou atrás de Embry. — Leah puxou %Luna% do sofá. Perguntou se ela se sentia melhor e depois que a amiga afirmou, elas saíram.
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  Black saía de sua cabana e, ao ver %Luna% ao lado de Leah, sorriu como poucas vezes tinha feito. Segurou na cintura de %Bedingfield% após eles se aproximarem e a beijou. Leah soltou um falso uivo, zombando, em comemoração. %Luna% sorriu sem graça, e depois de acariciar seu rosto, Jacob mandou Leah calar-se. Ela advertiu-o que %Luna% havia chegado se sentindo mal e desceu em direção à praia.
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  Black e ela se sentaram no banco de carvalho à trilha de descida da praia.
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  — O que você tem?
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  — Relaxa, foi só um mal-estar. Nada preocupante.
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  — Tem certeza?
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  — Tenho. — %Luna% apoiou os cotovelos em seus próprios joelhos, enquanto rabiscava o chão com um graveto que encontrou.
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  — Aconteceu alguma coisa, Mani? — Jake perguntou preocupado e cauteloso.
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  — Relaxa, Black… Estou pensando em algumas coisas que fiz hoje.
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  — Que seriam…? — %Luna% o encarou desconfiada por tanta curiosidade dele. Sem esperar que ela mencionasse qualquer pergunta, Black esclareceu: — Estou tentando participar mais do seu dia a dia.
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  — Mais? Por quê? — %Bedingfield% riu divertida.
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  — Você se incomoda com isso?
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  — Só estou curiosa.
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  — Bem… Nós já somos amigos. Amigos com alguma intimidade. E… Eu consegui me declarar ontem e pensei que… — Ele se enrolou nas palavras quase inaudíveis.
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  Parecia doloroso para Jacob admitir que queria estreitar mais os laços. Abriu a boca tentando pronunciar algum balbuciado, sacudiu a cabeça em negação com aquele sorriso contrariado. Há tanto, tanto tempo %Luna% não o via agir daquela forma, que ela não poderia deixar de aproveitar um dos primeiros trejeitos de Black que a encantara quando o conheceu.
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  — Droga, Mani…
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  — Pensou que devíamos estreitar os laços ainda mais?
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  — É. O que você acha?
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  — Isso significa o quê?
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  — Que nós… Poderíamos — novamente o trejeito de homem tímido ou impassível — namorar?
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  — Jacob Black. Você está me pedindo em namoro? — %Luna% sorriu involuntariamente.
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  — Eu não sei.
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  — Não sabe? — a mulher indagou, confusa.
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  — Eu deveria?
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  — Merda, Black, você não pode dizer algo assim e perguntar se deveria depois! O que você quer?
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  — Eu quero ficar com você. Para sempre. Mas depois de tudo o que aconteceu entre nós eu não sei se você… — %Luna% interrompeu Jacob Black beijando-o. Ele não sabia como fazer algo que ele queria e ela também.
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  — Somos namorados, agora. Pronto. Facilitei para você, ok? — %Luna% disse o encarando mandona.
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  — Tá bom. Acho ótimo! — Jacob sorriu solar, com seus olhos ficando pequeninos.
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  — Céus… Você voltou a ser um adolescente cheio de espinhas?
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  — Sua idiota.
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  — Idiota?
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  — Uma linda idiota.
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  — Certo, agora somos namorados mesmo.
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  — E eu nunca tive espinhas, só para você saber. — Eles riram divertidos, e sem se conter, Black a beijou de novo. E %Luna% poderia ficar ali, aproveitando o carinho de Black se não fosse o seu celular tocando em seu bolso.
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  — É o Scott.
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  — O que ele quer?
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  — Talvez dizer a que horas vai vir me buscar.
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  — Como assim?
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  — Preciso resolver umas coisas com ele. — Jacob não sabia disfarçar o ciúme assim como ela, mas compreendeu que era uma decisão que cabia só a ela, com quem e quando se encontrar com alguém.
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  %Luna% e Scott combinaram um horário para se verem e depois, ela e Black ficaram juntos sob a árvore, abraçadinhos como dois pombinhos. Um pouco depois, Embry e Leah voltaram, aparentemente bem um com o outro. Black fez questão de contar para eles que, agora sim, ele e %Luna% eram um casal. Leah tratou de ordenar aos dois rapazes que já poderiam dar os anéis de compromisso delas que, por sinal, estavam atrasados. %Luna% negou com a cabeça para que Jacob não se preocupasse com aquilo e ele apenas sorriu a abraçando de lado. Embry e Leah se retiraram e Black e %Bedingfield% continuaram conversando ali. Então ela lhe contou sobre a saga com os terrenos, mas não tocou no assunto da mansão dos Cullen. E não contaria enquanto vivesse. Jacob era capaz de trancá-la no galpão para sempre.
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  Mais tarde, antes de sair com Scott, %Luna% terminava de prender seus cabelos e então Jacob começou a sondar sobre qual assunto ela e Scott tratariam. Deixando bastante claro a ele que não haveria razões para desconfianças sobre ela ou Scott, %Luna% se despediu. Antes que ela saísse, Black explicou que não desconfiava de nenhum deles, e que o hábito de sentir aquele ciúme desnecessário sumiria. Que ele se esforçaria para não ser um “idiota maníaco”. Palavras dele. %Luna% o beijou sorrindo, e saiu.
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  Scott e ela retornaram à tribo dos avós do rapaz. Ele não abriria mão da amizade com %Luna% e deixou muito claro aquilo, contudo, ela fez questão de que o melhor era se afastarem por um tempo. Scott não aceitou. Disse que não era nenhum adolescente imaturo, sabia separar as situações, e que seria infantil da parte dela deixar de vê-lo ou sair com ele por achar que o iludiria. Então %Luna% lhe contou que estava namorando Jacob. E Scott, a surpreendeu:
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  — Você acha que eu não esperava por isso, %Luna%? Óbvio que eu já havia sacado seus sentimentos pelo Jake. Por que acha que evitei aquele beijo no nosso último encontro?
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  — Desculpe, Scott. Eu só não quero que você sofra ou se magoe.
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  — Não sei o que Peter ou meu pai ou minha mãe te disseram. Mas eu não sou criança. Sei me cuidar.
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  — Desculpe de novo, Scott, não queria te ofender.
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  — Não precisa se preocupar. Eu sei lidar com um fora, mas e você, %Luna%? Vai saber lidar com nossa amizade?
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  — Claro que vou. Se não for ruim para você, não será para mim. — Ela sorriu e Scott também sorriu tímido e eles se abraçaram.
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  — Vamos. Vou te deixar em casa, já está ficando muito tarde para perambular por aí.
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  — Por quê?
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  — Tivemos dois ataques ontem. Os policiais de Forks estão muito assustados com as proporções dos ataques, como há muito tempo não ocorria e recomendam que os cidadãos evitem sair à noite até que eles tenham controle do que vem acontecendo.
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  — Não sabem ainda o que vem atacando?
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  — Não tocam muito no assunto, mas você bem que poderia perguntar ao seu pai delegado e me contar.
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  — Claro! — %Luna% concordou, sorrindo e batendo em sua própria testa.
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  Ela saiu do carro de Scott e Billy estava em sua varanda. %Luna%, no entanto, estranhou aquele fato, porque habitualmente ele se recolhia cedo – quando não ocorria algo que o impedisse – e também por seu semblante preocupado.
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  — Boa noite, Billy!
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  — Boa noite, %Luna%. Divertiu-se?
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  — Como sempre quando Scott e eu saímos. Foi bacana colocar a situação em pratos limpos com ele também.
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  — Hum… Então agora é sério, uh?
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  — É sim. Não foi um pedido de namoro típico, mas… Nós estamos falando do seu filho, não é? — Billy apenas sorriu assentindo positivo e embora %Luna% tivesse tentado arrancar alguma informação dele, não foi possível. Notando que ele preferia ficar a sós, ela se despediu, e quando já estava na sala, algo martelou em sua mente fazendo com que ela voltasse até o homem.
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  — Billy?
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  — Sim? — Girou-se em sua cadeira para encará-la.
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  — Algo o incomoda nessa minha relação com Jacob? Quero dizer… Você sempre deixou claro ser a favor, mas gostaria de saber se algo o fez mudar de ideia.
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  — De forma alguma. — Ele sorriu sereno. — Eu só tenho a agradecer o bem que você faz ao meu filho. — %Luna% assentiu outra vez e com um sorriso tranquilo o deixou.
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  Passou pela sala, risonha, e voltou passos atrás ao perceber que não havia um Jacob dormindo no sofá. Então sua cabeça girou. Ela ponderou inúmeras vezes se entrava ou não no quarto, teve medo de encontrar Black dormindo na cama. Por mais que já a tivessem dividido, agora era diferente. Eles já eram assumidamente um casal, e com isso não teriam motivos para pudores que antes limitavam suas ações. Apesar de ser impetuoso, Black jamais passaria a linha do consenso, disso ela tinha certeza, e não temia pelas ações dele, mas sim, pelas suas. Entretanto, ela poderia entrar e se deparar com Black acordado, apenas aguardando-a chegar, confiando nisto, %Luna% entrou no quarto. Jacob dormia. Deitado de lado, com um dos braços passando por cima dos olhos.
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  %Luna% pegou um pijama de frio, premeditado. Pé por pé se movimentou pelo quarto e foi tomar um banho rápido. E bem rápido mesmo. Apenas para relaxar e trazer o sono, como ela estava acostumada a fazer. Durante os três minutos sob a água quente, %Luna% conciliava as lembranças recentes de Black e ela, com os planos futuros. Longe de ela imaginar os dois com lindos pirralhos correndo pelo pátio da reserva, ou os dois com idade avançada compartilhando a varanda de sua cabana. Não que ela não quisesse, mas seus pés tocavam o chão quando se tratava de relacionamentos.
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  Black havia sim feito com que %Luna% alçasse alguns voos insanos numa relação que existia só em sua cabeça. A mulher havia passado pelas fases do encantamento, do apego, da desilusão, da posse e, enfim, da realidade: reconheceu o quanto ela cobrava dele sem terem tido uma conversa significativa. Contudo, sempre houvera o interesse, mas interesse não é o suficiente para que exista algo, é necessário diálogo e decisões. Somente após Black contar abertamente que a amava, %Luna% pôde entender que a decisão já existia, além do interesse. Então, lá estava ela no banho fazendo planos para os dois para o dia seguinte, para aquela semana, para aquele mês. Apenas. Um passo de cada vez.
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  %Luna% vestiu-se e saiu em direção ao quarto e, de mansinho, se preparou para dormir. A janela do quarto estava aberta e o luar alto iluminava parte do cômodo, deixando uma penumbra gostosa. Em frente ao guarda-roupa ela observou Black deitado na cama na exata posição de antes, não havia se mexido em nada, e ela estava ansiosa. %Luna% caminhou calma até a janela do quarto o analisando por inteiro. Uma brisa mansa bateu em seu rosto, ela recostou-se ao parapeito da janela e conversou com a Lua. Uma atividade mental, uma brincadeira que gostava de fazer às vezes. O farfalhar baixo das folhas lá fora... A pouca luz prazerosa daquele quarto... O vento geladinho. E ele, Jacob Black, deitado ali, finalmente totalmente dela... %Luna% poderia se aninhar em seu abraço quente sempre tão contrário ao clima da noite, sem medo do que alguém iria pensar ou de como ele reagiria, ou ainda, sem medo de abalar ou não a sua amizade com ele. Agora ela poderia se aconchegar em Black como tanto esperou.
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  Com o bobo sorriso do amor nos lábios, %Luna% foi até ele. Levantou a colcha que o cobria e como uma pluma, tentou se colocar ao seu lado. Porém, ela não era tão delicada quanto gostaria. O que era surpreendentemente contrário a Jacob – aquele homenzarrão bruto conseguia ser mais imperceptível do que ela com seus poucos, um metro e sessenta de altura. Ele se movimentou um pouco com a presença dela e %Luna% o olhou com cara assustada, pois não queria o acordar. Jacob abriu os olhos devagar e ao notar que era ela, a abraçou. Sorriu fraco, e beijou seus cabelos sussurrando sonolento em seguida:
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  — Minha Mani…
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  — Meu Black — respondeu ela, dando-lhe um selinho carinhoso.
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  Ele dormiu novamente e, até pegar no sono, %Luna% ficou encarando cada traço de seu rosto, tão pacífico ali. Afundou-se em seu pescoço para sentir seu cheiro. Com aquele abraço seguro e quente, não demorou para que ela adormecesse também.
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  Amanheceu um dia solar lindo e %Luna% estranhou, mas se esperançava com aquele presságio de felicidade. Beijou a ponta do nariz de Black antes de se levantar. Billy estava na cozinha quando ela surgiu, já preparada para o trabalho. Jacob não demorou a acordar e se juntar ao café da manhã. Billy os admirava com um sorriso farto, e comentou o quanto estava feliz por eles, e o quanto Black e ela tinham o encaixe perfeito. O casal sorriu para ele e enquanto %Luna% terminava seu gole de café, Jacob beijou sua bochecha saindo apressado.
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  %Luna% lavou a louça da manhã, em seguida se despediu de Billy. Encontrou Jacob com sua caminhonete – que ela mal reparara na noite anterior, estava carregada de encomendas para entregar – o rapaz, recostado à porta do veículo, gritava para que Seth se apressasse. Seth pegou as chaves de uma das motos de Jacob para ir trabalhar, e Black, sem delongas, as jogou no ar para ele dizendo: “É sua agora, você vai precisar. Se vire com sua mãe!”. Seth estava só sorrisos e agradecimentos aos dois: a Jacob pela moto, e à %Luna% pelo trabalho que seria álibi para aceitar aquele presente. Eles riram do jeito moleque do amigo mais novo, com os olhos brilhantes se apressando em sair com a moto.  Black e %Luna% se beijaram antes de entrar em seus respectivos automóveis e seguir para os respectivos afazeres.
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  %Luna% abriu a farmácia e procedeu com o ritual de rotina. Enquanto fechava o balanço do mês para entregar o relatório aos irmãos Hernando; a corretora lhe telefonou, indicando novo terreno que poderia lhe interessar. Ela já havia escolhido alguns favoritos, mas perguntou algumas coisas por curiosidade, e, por fim, não se interessou. Antes de finalizar, perguntou se eles intermediariam a venda da sua antiga casa, apenas por curiosidade também. Devido aos recentes ataques no Kalil, e todos os problemas já conhecidos, %Luna% não conseguiu.
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  — Mas, eu reformei a casa e entendo que o momento não é de valorização pela região, contudo, acredito que o preço ainda é maior do que foi vendido a mim pelas melhorias feitas recentemente — ela argumentou na ligação.
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  — Senhorita %Luna%, infelizmente não estamos num bom momento para investir num negócio ali, e aquela casa, com melhorias ou não, pertenceu à nossa corretora e foi um negócio muito demorado de ser feito. Se a senhorita não tivesse surgido, provavelmente ainda estaríamos encalhados com a casa.
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  — É eu sei, vocês deveriam ter me avisado dos riscos antes de me vender um elefante branco, não é? Eu não deixaria de fazer negócio com vocês, pelo contrário, admiraria a franqueza. Mas… Agora preciso de novos serviços e infelizmente não temos outra corretora na cidade. Obrigada pela atenção. — Ela desligou a chamada muito irada com aquele breve diálogo.
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  Não bastava terem lhe enfiado aquele mau negócio, ainda deixaram claro para ela que o negócio que ela fez fora péssimo! Erick surgiu notando seu humor irritadiço.
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  — O que a deixa com este bico logo cedo? — Ele beijou a testa dela em cumprimento. — Bom dia.
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  — A maldita corretora que me enfiou aquele mausoléu! Aliás, você acompanhou minha chegada! Poderia ter me alertado de muitas coisas, não é? — %Luna% o repreendeu com as mãos na cintura, mas logo se acalmou e sorriu. — Bom dia, Erick.
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  — É, eu poderia. Desculpe por isso.
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  — Como estão as coisas?
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  — Voltei com a Jessica.
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  — Bom saber, assim me preparo para quando ela aparecer aqui segurando o troféu.
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  — Deixa disso, ela é só um pouquinho difícil.
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  — Sim, vocês são um ótimo casal. — Erick fingiu estar ofendido enquanto %Luna% ria.
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  — E você e o Scott? Eu ia falar com você ontem, mas ele parecia bem interessado e ansioso.
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  — Somos apenas amigos.
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  — Não é o que a Daniela costuma dizer.
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  — Outra louca. Vai acreditar no que eu digo ou no que ela diz? Posso garantir que sei mais da minha vida do que ela.
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  — Certo, se você diz…
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  — Scott andou interessado em mim sim, mas somos só amigos. E estamos muito bem com isso.
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  — É… Parece que os caras da cidade não têm chance com você mesmo. E o tal Embry? Ainda está com ele?
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  — Não, há muito tempo.
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  — Sei… — %Luna% observou a reação de Erick, e era notória a sua curiosidade.
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  — Você está morrendo de curiosidade, né?
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  — Como assim?
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  — Quer saber se eu estou envolvida com Jacob.
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  — Oras, %Luna%! Veja bem se eu tenho cara de Maria Futriqueira!
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  — Certo.
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  Um breve silêncio e ela começou a rir prevendo que ele perguntaria.
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  — E então, está ou não?
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  — Estou. Começamos a namorar recentemente. E estamos muito felizes, obrigada.
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  — Bem, felicidades. Fico contente em saber que está feliz, claro que eu aceitaria melhor se fosse o Carter, mas…
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  — Mas você não tem que aceitar nada. E tem que trabalhar, antes que sua namorada venha me importunar. — Eles sorriram com %Luna% o expulsando e Erick logo saiu. Depois de tudo, aquela amizade seguia tranquila, e ele, sempre que podia, passava na farmácia para trocar algumas palavras com ela.
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  Após a saída de Erick, %Luna% foi bater os documentos de contratação de Seth. Avistando o rapaz na cidade, o chamou na hora do almoço para comerem juntos e pediu para que Seth lesse os contratos com calma, e entregou-lhe os papéis, ele sorriu muito animado. Faltava pouco para finalizarem o almoço quando Seth, sem graça, acabou de beber seu suco, pedindo:
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  — %Luna%… Você tem um tempo antes de ir embora?
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  — Você sabe que sim. O que houve?
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  — Paige. Me telefonou dizendo que quer conversar comigo.
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  A mulher parou de mastigar e o encarou atenta. Engoliu a comida antes de beber um gole de suco e abandonar seu prato vazio para conversar com Seth dedicadamente.
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  — Você não quer falar com ela?
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  — Não. Na verdade, eu só não quero estender esta história. Sabe, eu gosto da amizade da Paige, mas não é possível que sejamos amigos.
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  — Por causa de?
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  — De mim. Eu me conheço o suficiente para saber que não tenho maturidade para isso, e só irei me torturar ainda mais. Além de brincar com os sentimentos dela.
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  — Seth… — %Luna% riu admirada. — Se tem algo que você tem é maturidade.
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  — Obrigado por reconhecer, %Lu%. — Ele sorriu pegando a mão da amiga carinhosamente. — Mas e aí, o que eu faço?
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  — Eu acho que você deve conversar com ela sim. Evitar o problema não o faz se resolver. Ela tem algo a dizer e dependendo do que for, você vai dizer exatamente o que está me dizendo.
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  — Mas %Luna%… O problema é que eu não confio que eu vá conseguir dizer alguma coisa. Eu não paro de pensar naquela noite — Seth sussurrou de modo quase desesperado. Embora engraçada a situação, %Luna% queria não rir.
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  — Olha só: isso é natural. Mas o maior passo você já deu. Reconheceu que não sente algo pela Paige, e sim pela imagem de Anna que ela o faz lembrar. Então se recorde de tudo o que conversamos. Até mesmo das suas colocações a respeito de Scott e eu. Você não pode embarcar numa relação assim e sabe disso, e melhor: você não quer isso. Não tenha medo dos seus desejos. Você os conhece e sabe que não esqueceu aquela noite, não por Paige, mas por Anna.
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  — Você é tão sensacional… Eu sabia que você me ajudaria a esclarecer minha mente! — Ele ouviu a tudo atento e sorridente. — Jake é extremamente sortudo.
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  — Acredite, a garota que tiver você também será.
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  — Te amo, lobinha! Como a irmã perfeita que a chata da Leah não conseguiu ser.
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  — Não fala isso, garoto! — %Luna% deu um peteleco na testa dele.
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  — Estou brincando, mas sim... — ele gargalhou — você é uma irmãzona que ganhamos, %Lu%!
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  Diante daquela declaração tão carinhosa de Seth, %Luna% não se conteve, ela levantou e o puxou para se levantar também. Abraçou Seth apertado, sendo retribuída, e de abraço lateral, eles encaminharam-se ao caixa para pagar as refeições. Seth pegou sua moto e foi para a reserva, os meninos ainda trabalhavam na construção da cabana e logo estaria pronta, portanto, Seth queria ajudar o máximo que pudesse. E %Luna%, afirmando que chegaria logo mais, foi à corretora.
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  Havia decidido qual terreno compraria e precisava conversar sobre as condições de pagamento. Com as dúvidas retiradas, o próximo passo fora dado: buscar um comprador para sua casa. Deixou avisado em algumas lojas da cidade que venderia o imóvel, e por mais que ela soubesse que aquilo nada adiantaria, não custava avisar.
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  Uma das lojas em que foi era a “House’s Montain” onde eram vendidos os artigos esportivos para os turistas. Seu foco era vender para alguém de fora e aquilo até lhe parecia muita sujeira porque ninguém deveria viver ali, mas o que ela faria? %Luna% caminhava em direção ao seu carro, quando o homem misterioso do outro dia surgiu saindo da corretora.
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  “Então ele realmente decidiu ficar?”, ela pensou. Aquilo seria um problema. Na indecisão de entender se aquilo era um problema ou não, %Luna% percebeu o quão distante parecia a ideia de ele ser um vampiro. Não a havia atacado, estava andando à luz do dia tranquilamente. E para uma leitora de Lord Byron, aquilo era estranho. Não era aquela a imagem que ela tinha de um vampiro, e nem mesmo era a imagem que ela leu na internet sobre “os frios”. Por mais insano que parecesse pensar que Jacob houvesse se enganado, algo não se encaixava. %Luna% então decidiu tratar aquele homem como um andarilho invasor de obras abandonadas que passaria uma estadia em Forks. Decidiu também que pesquisaria mais sobre os frios.
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  Ele atravessava a rua após conversar com o corretor na calçada da loja, %Luna% o observava de dentro do seu carro. Ele, como se soubesse disso, virou bruscamente seu rosto na direção da moça. Os olhares deles se cruzaram. Ao encarar seus olhos tão ferozes daquele jeito, um arrepio passou pela coluna da bióloga. %Luna% deu partida no carro saindo do alcance visual do homem. Que sensação absurdamente desconfortável aquele homem lhe causava, era perturbador estar próxima dele, mas ao mesmo tempo, atraente. E com esta atração descontrolada, %Luna% deu a volta com o carro indo até ele.
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  O que ela estava fazendo?  Era como se não fosse ela dirigindo! Sua cabeça dizia uma coisa, seu corpo fazia outra. Então, bruscamente, %Luna% freou. Nada entendeu, mas ela tinha o controle dos seus passos, entretanto, por que era tão tentada a ir até ele? O homem sorriu sarcástico subindo em sua motocicleta. Ele sabia que ela se aproximaria dele e %Luna%, com o carro lento, parou ao seu lado. Ele ajeitava suas luvas e olhou para o lado, encarando-a pela janela do carro.
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  — Ei, docinho. Você de novo?
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  — Decidiu ficar na cidade?
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  — Isso a deixaria feliz?
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  — Depende. Se você estiver interessado em comprar um imóvel. — Ele passou a língua pelo lábio inferior e ao ouvir a fala dela, parou a língua num gesto entre os dentes.
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  Cada movimento dele era cautelosamente lento, e os olhos da mulher percorreram seus gestuais, ávidos. O homem encarou %Luna% imóvel, com olhos semicerrados, indagativos.
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  — É. Eu estou sim.
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  — Gostou da minha casa?
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  — Você vem junto com ela?
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  — Eu não estou interessada em estreitar mais a nossa comunicação.
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  — Não é o que tem parecido.
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  — Foi você que apareceu no meu território.
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  — E desde então você tem aparecido nos meus — ele rebateu. %Luna% silenciou. Era totalmente coerente para ele pensar daquela maneira.
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  Com uma mão pousada no volante e o braço na janela, %Luna% desviou o olhar para a frente. Tamborilou os dedos no volante de seu carro e soltou de uma só vez:
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  — Escuta. Eu quero vender aquela casa. O lugar é ermo, como você mesmo disse e ninguém na cidade se interessa. Eu irei a uma corretora em outra cidade, mas você chegou agora e não custava te oferecer, principalmente porque eu quero vender logo.
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  — Quanto quer pelo imóvel?
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  — 60 mil. Eu reformei ela recentemente. E você não vai encontrar uma casa pela Maine’s Empreendiment com um valor desse, e em boas condições.
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  — Por que quer vender? Tem algum problema na região?
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  — Além de eu estar afastada de tudo? Eu moro com meu namorado, agora. E também preciso do dinheiro.
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  — Eu posso dar uma olhada?
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  — Você já não conhece o imóvel? — %Luna% disse irônica.
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  — Não o suficiente para comprá-lo.
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  — Certo. Quer ir agora?
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  — Eu te sigo. — %Luna% balançou a cabeça positivamente e dirigiu até a sua casa antiga.
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  O que ela estava fazendo? Só poderia ter perdido a sanidade em acompanhar aquele cara, até o Kalil – o cemitério inóspito.
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  Estacionou na entrada, pegou as chaves em sua bolsa e logo o estranho apareceu atrás dela em sua varanda. Encostado no batente da porta, de frente a ela, o homem a encarou de cima a baixo aguardando-a abrir a porta.
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  — A propósito, eu me chamo Mark — disse estendendo a mão.
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  — %Luna% — respondeu pegando sua fria mão e entrou.
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  Ele entrou em seguida, e ela mostrou todos os cômodos para ele. O medo palpitava em seu peito junto às batidas de seu coração. Os dois retornaram à sala após ela lhe mostrar o quintal dos fundos.
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  — E aí, Mark? O que achou?
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  — É… A quem devo fazer a transferência?
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  — Direto e decidido. — %Luna% sorriu desafiadora. — Gosto disso!
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  %Luna% pegou um papel e anotou seus dados bancários. Ela sabia – na verdade, ela pressentia – que aquele negócio deveria ser feito para ele desde o momento que o viu sair da corretora, e não sabia explicar de onde aquela certeza vinha. Esticou as anotações para o homem, ele as pegou e leu.
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  — Fará um bom negócio, Mark. O lugar é ótimo para alguém como você.
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  — Alguém como eu? — perguntou se aproximando, e %Luna% pôde reviver a cena do outro dia, com os olhos invasivos dele a centímetros dos seus.
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  — Sim… — sussurrou ela, paralisada. — Alguém desprendido.
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  — Claro. — Se afastou lento até a mesma mesinha onde %Luna% fizera as anotações e rasgando um papel do bloquinho, anotou seu telefone. Voltou predador até ela, que ainda se mantinha estranhamente paralisada, e depositou o papel dobrado na palma de sua mão. — E o seu namorado? Não vai me perseguir de novo por causa disso, não é?
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  — Não, até porque ele não precisa saber disso.
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  Mark se aproximou ainda mais do rosto de %Luna%, a encarando profundamente nos olhos. Colocou uma mexa do cabelo dela para trás e acariciou o rosto da mulher, sorrindo com sarcasmo:
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  — Um segredinho nosso? — %Luna% manteve-se em silêncio, sentia que queria sair correndo, mas algo não deixava. — Acho que vamos nos dar muito bem.
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  E dito aquilo, ele se aproximou mais numa tentativa de a beijar de novo, mas %Luna% reuniu suas forças e o empurrou. Com toda a força que ela tinha, conseguiu se mexer naquele ato rápido de impedi-lo.
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  — Vamos embora! Eu vou aguardar a compensação do dinheiro em minha conta e aí esvazio a casa.
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  — Como quiser.
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  Eles saíram, %Luna% trancou a casa e entrou no carro apenas acenando séria para ele, deu a ré e pegou a estrada na direção oposta. Afundou o pé no acelerador. Havia deixado uma garrafa de água no seu carro ao lado do carona, pegou-a e, embora quente, bebeu todo o líquido. %Luna% passou da entrada da reserva, estava tão nervosa que queria dirigir somente, e não poderia voltar para casa naquele estado de pavor. Mark não mexeu nem um pouco com seus hormônios, ele mexia com um instinto muito pior: o instinto de sobrevivência. Era horrível a sensação de não conseguir se defender quando estava próxima dele. Na verdade, %Luna% percebeu que tinha medo de Mark. Então por causa de quê, ela era tão atraída até ele?
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  Estava quase na saída de Forks, quando avistou o galpão onde seria a oficina de Jacob. Fechado. Um homem saía por uma portinhola lateral. %Luna% parou ali, se recordando do dia que Jacob lhe mostrara o lugar antes do seu passeio de moto. Recordou que ela havia pensado em pagar o conserto de seu carro, investindo na reforma com ele. Então, ela desceu do veículo e o velhote gordo que passava um cadeado na pequena porta, parou o que fazia, a olhando curioso.
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  — Boa tarde. Este imóvel pertence a Jacob Black, certo?
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  — Sim. Algum problema?
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  — Não, não. Ele me falou deste lugar, eu sou namorada dele.
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  “Eu sou namorada dele”. Um sorriso imenso quis se formar em seu rosto ao dizer aquilo, mas ficou apenas no seu interior, pois o velhote a olhou desconfiado. E não era para menos, Jacob Black não tinha uma namorada, ou não apresentara nenhuma para ninguém.
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  — Ele me pediu para vir olhar o lugar para ele por um tempo.
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  — O que houve com a reforma que iria ser feita? Achei que já estaria quase pronto.
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  — Ele parou. Na verdade, pelo tempo que tem, já teria até mesmo inaugurado e estaria em funcionamento agora.
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  — Há quanto tempo o senhor tem olhado o galpão?
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  — Já faz alguns meses, moça. E se a senhorita me dá licença, eu preciso ir.
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  — Tudo bem, não quero o atrapalhar. Obrigada.
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  — Disponha.
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  — Ei, o senhor vem com qual frequência?
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  — Desculpe, moça, mas eu não a conheço e o senhor Black é um pouco sistemático…
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  — É, eu sei, afinal, como eu disse, eu sou namorada dele. Não se preocupe. Eu só quero dar procedimento às reformas, mas eu mesma falo com ele. Me desculpe.
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  %Luna% se despediu do homem que só deixou o local após a sua saída. Deve ter sido bem estranho para ele. %Bedingfield% voltou para a reserva focada em falar-lhe sobre isso, sobre a oficina e ajudar na construção de sua cabana. E assim foi. Eles não comentaram nada sobre a sua empreitada em vender a casa para Mark. Black contou que parou as reformas devido à situação de Embry e também porque recebeu muitas encomendas da marcenaria, e como havia feito as entregas naquela manhã, poderia retomar a oficina. %Luna% falou a ele que o ajudaria, já que havia o prometido isso há tempos. Ele não fez cerimônia.
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  Era noite, %Luna% estava sentada na cama com o computador aberto em seu colo e pesquisando sobre os frios. Jacob atravessou a porta com seus cabelos molhados, secando-os com a toalha. Sorriu quando viu a mulher concentrada e lhe beijou em um selinho carinhoso.
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  — Cheirosa.
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  %Luna% apenas sorriu, sem perder a atenção nas leituras, fazendo Black notar a sua concentração, ele sorriu curioso e, logo após se vestir, saiu do quarto e voltou com um copo de suco e uma fatia de bolo. Sentou-se ao lado de %Luna%, observando a tela do computador.
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  — Coma, Mani. Já está aí desde que saiu do banho.
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  Só então, ela percebeu o lanche ao seu lado. %Luna% apertou a perna dele em agradecimento, em um breve carinho. Black puxou o computador do colo dela e o colocou mais afastado na cama. Enquanto %Luna% comia, ele a encarava, e ela sorriu com aquele olhar admirado dele.
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  — O que foi?
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  — Você é linda — disse sorrindo, sem perder os olhos.
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  — É, eu sei. Mas você também é.
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  — Obrigado. Por que estava pesquisando aquilo tudo?
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  — Estou curiosa em relação àquele homem.
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  — Curiosa como?
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  — Curiosa. Você estranhou o fato de ele ser um vampiro que ainda não foi notado por nenhum de vocês.
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  — É, mas meu pai já me explicou que isso pode acontecer. Há mais de um tipo de frios.
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  — Ah, é? Então tudo que eu li sobre vampiros a minha vida inteira pode ser real?
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  — Depende. — Jacob riu fraco. — O que você leu?
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  — Byron. Drácula. Criaturas sombrias, sugadoras de sangue que não saem à luz do dia porque podem queimar, e que são irrevogavelmente sedutoras e atraentes.
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  Jacob riu baixinho, não como se zombasse dela, mas como se achasse engraçado as histórias.
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  — Não sei se Byron teve algum embasamento real. Acredito que ele pode sim ter tido lá as suas inspirações, mas Drácula é apenas uma história. Em geral, o que sabemos e conhecemos nestas gerações todas de lobos é que os frios sugam sangue sim. Qualquer fonte de sangue, humano ou animal. Mas o sangue humano é a melhor dieta para eles. E, bem… Eles podem andar entre nós como se fossem um de nós, sem serem notados. Andar pela luz do dia que nada lhes acontece, ou no caso dos Cullen… — começou a gargalhar zombeteiro ao se relembrar —  não podem porque eles brilham ao Sol.
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  — Brilham? Como paetês e purpurina?
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  — Tipo isso. — Jacob riu da expressão incrédula de %Bedingfield%.
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  — O que mais vocês sabem?
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  — São sedutores, sim. É a arma que tem para atrair suas presas. São muito atrativos e despertam a curiosidade humana. Tem poderes individuais, alguns são paranormais psíquicos, outros, mutantes físicos… etc.
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  — Os Cullen, como eram?
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  — Edward lia mentes, Alice previa o futuro. Emmet era extremamente forte, o Jasper... Ele tinha algo, eu não lembro. Alguns deles não desenvolvem paranormalidade. Embora, só o fato de existirem já seja uma anormalidade.
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  — E… E ela?
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  — Está falando da Bella?
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  — Sim.
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  — Ela era imune a qualquer dom. E parece que isso era bem valioso para eles.
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  — Hm…
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  — Meu pai disse que aquele homem, o frio que estava na sua casa, é dessa… Espécie, se assim posso chamar, que é facilmente confundido com humanos. E por isso, mais perigoso. — %Luna% engoliu em seco. — Ele por acaso te procurou de novo?
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  — O quê?
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  — Você está bem curiosa com isso.
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  — Eu sou curiosa, Black. Você sabe.
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  — Não quero que me esconda nada se ele a procurar.
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  “E se eu procurar por ele?”, ela pensou.
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  — Como foi o seu dia? — A mudança de assunto deixou Jacob desconfiado.
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  — Fiz as entregas e trabalhei na sua cabana. E só. E o seu?
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  — Erick voltou com a Jessica. Almocei com Seth, depois fui à corretora ver as condições de compra do terreno que olhei esta semana…
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  — Por que não me contou que estava olhando terrenos para o seu laboratório?
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  — Ahn… Não sei, eu só fui tentar resolver.
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  — Eu gostaria de participar.
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  — Tudo bem. — Sorriu.
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  — E onde fica?
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  — Na Collins.
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  — Bom local… E quais as condições de compra?
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  — Vendendo a minha casa dou entrada no financiamento.
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  — Bem, vamos ter que vender para alguém de fora. Dificilmente alguém daqui vai comprá-la.
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  — É, mas eu acho que consegui vender.
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  — O quê? Para quem?
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  — Céus, eu acho que você não vai gostar. — %Luna% não poderia mentir, e não acreditava que tinha dado o mole de falar para ele.
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  — %Luna%. Para quem você vendeu a sua casa?
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  Ela se levantou da cama, andando de um lado a outro no quarto. Não podia acreditar que depois de um dia inteiro evitando escapar aquele assunto, ela havia soltado daquele jeito a bomba.
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  — Mark. Mark soube que eu estava querendo vender a casa e me procurou quando eu saía da corretora. E Mark é o nome do homem que invadiu a minha casa.
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  — VOCÊ VENDEU A SUA CASA PARA UM FRIO? — Black estava de pé à sua frente, extremamente nervoso. — E por que você aceitou a aproximação dele se sabia o que ele é? E como ele soube? Simplesmente soube!? E… Eu não acredito que isso está acontecendo outra vez — Black disse e saiu do quarto.
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  %Luna% foi atrás dele, na cozinha. Ele virava água gelada num copo e a olhou desacreditado.
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  — Black, não é bem assim. Eu não sabia o que ele era. Ele me pareceu um homem comum, um doido que invade casas, e eu fiquei com medo sim de fazer a coisa errada, mas ele estava interessado. E com dinheiro na mão, e eu preciso comprar o terreno, e preciso ainda mais me livrar daquela casa. Não me importo se vou vender para o Joseph, pra Marie ou para o Mark.
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  — Você entregou a um frio, de mãos beijadas, toda uma população!
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  — Não, eu não meti os pés pelas mãos desse jeito. Vocês caçam frios, eu dei a vocês a gaiola perfeita para acabarem com eles. Vocês conhecem muito bem o Kalil. Vocês vão acabar com eles, e disso eu não tenho dúvidas.
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  — Okay, %Luna%. — Suspirou pesado. — E… Como foi que um estranho recém-chegado descobriu que logo você queria vender a casa?
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  — Vários estabelecimentos da cidade estão sabendo.
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  Jacob colocou o copo na pia e saiu novamente para o quarto. Olhou furioso para ela quando passou por %Luna%, e a mulher voltou para o quarto junto a ele.
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  — Ei, Black… Eu fiz algo tão ruim assim?
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  — Não quero você perto dele. Não só pelos riscos, mas porque eu não vou perder você para ele!
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  — Você… — %Luna% sorriu discretamente e um tanto surpresa com a novidade. — Você está com ciúmes do Mark?
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  — Argh! Para de chamar ele assim?
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  — É o nome dele.
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  — Estou! Estou com ciúmes! Eu poderia aceitar você e o Erick por aí, você e o Scott, você e qualquer um. Mas você e um frio não é algo que eu vá aceitar nem em um milhão de anos.
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  — Não terá que se preocupar com isso. — %Luna% o abraçou na tentativa de acalmá-lo e o beijou. Os dois voltaram a sentar na cama. — Inclusive, acho que você deveria contar a todo mundo que agora tem uma namorada, para que ninguém me ache uma maluca — %Luna% falou de forma a amenizar o assunto anterior.
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  Black acariciou os cabelos dela, ainda nervoso, e a olhou profundamente quando ela disse aquilo. Retirou o computador da cama, e %Luna% já estava imaginando que ele diria: “Não quero que ninguém saiba de nós”, tamanho o mistério em falar alguma coisa após ter escutado ela. Então Black virou-se de lado para ela, acariciou seu rosto e iniciou um beijo apaixonado.
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  A medida que eles aprofundavam o beijo, Jacob se colocou por cima de %Luna% e fazia carinhos em seu rosto enquanto eles se beijavam. Até que os dois ouviram batidas na porta. Black bufou e falou alto: “entre”. Era Sue, que chamava por %Luna% para falar com Seth. Ela ficou extremamente desconcertada, e só então, notando a cara descontente de Jacob, pediu desculpas dizendo que não era nada sério, e que pela manhã %Luna% poderia falar com Seth. Sue se retirou e Black e a sua então namorada, voltaram os carinhos de onde tinham parado.
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Lelen

Por um momento, quando a Leah tava lá sentada, toda preocupada e falou “O Seth contou para nós sobre o ocorrido”, eu pensei que ele tivesse contado sobre o imprinting dele, não me pergunte por quê 🤷🏻‍♀️
Mas enfim… finalmente os dois assumiram a responsa desse relacionamento, né. E fico feliz que o Scott seja maduro o suficiente para continuar com a amizade (mas se precisar, eu ainda estou aqui 😂 😂 😂 😂 ) com a Luna.
O Seth, como sempre, continua um precioso e eu cada vez mais quero apertar esse rapaz ♥ (e mesmo quando adolescente, vou dizer que sempre achei ele um menino sensato :D)
Agora com a vinda do tal Mark eu fico pensando se vai ter aparição dos Cullen na história ou se a suposta vingança da Bella foi só um alarme falso 😂
Quero ver como essa história toda vai terminar, e ainda tem o negócio dos lobos fora de controle pra resolver também SOCORROOOO

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