Chame por Cigana


Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 56 minutos

  Rafael deveria receber um prêmio por exercer a sua paciência de uma forma tão tranquila e ponderada. A família não parava de levantar questionamentos acerca do motivo de Kalisto leva-lo pra casa e de onde surgiu a comida com as sobremesas. Contou o motivo – não com todos os detalhes. A resposta foi bem superficial, frisando que era seu professor e a relação aluno-professor não abria espaço para sentimentos, principalmente quando ambas as partes não sentiam nada mais pela outra – o que não era o caso.
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  Apenas especificou que havia passado mal por não comer durante o dia, então resolveu trazê-lo para casa após Rafael comprar algumas quentinhas de uma barraquinha de comida do lado de fora da faculdade – e essa parte ambas não acreditaram pela qualidade dos alimentos ser superior a qualquer comida de rua ou de bairro.
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  Após aquela noite a interação entre os dois havia melhorado um pouco. Embora não se falassem, a energia permeada neles tornara-se mais branda. Existia um quê de algo mais tranquilo, como se mais um muro de cada lado desmoronasse, tirando parte da carga emocional que carregavam. A cada aula os olhares ficaram mais aprazíveis e confortáveis na presença um do outro.
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  Na instituição de ensino não poderiam conversar para não levantar boatos. Entretanto, quando se viam ou se esbarravam nos corredores, as interações, por mais sutis que fossem, eram mais leves. Davam sorrisinhos, acenavam com a cabeça ou trocavam olhares interessados.
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  Uma vez, quando a aula terminou mais cedo, Rafael foi lanchar com um grupo de colegas estudantes na lanchonete. Kalisto mudou seus planos ao avistá-lo. Comprou uma porção de salgadinho frito e uma latinha de refrigerante. Em seguida, se posicionou numa mesa de frente ao ruivo, onde poderia observá-lo. Se comunicaram de forma não verbal disfarçadamente, onde, num ar carregado de humor, comentavam sobre o lanche.
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  Imediatamente, quando um loiro encostou momentaneamente a cabeça no ombro do colega, o advogado fechou o semblante sem esconder o desgosto. A reação do outro foi simplesmente rir e dar de ombros ao responder um comentário irônico. Rolou os olhos ainda incomodado. Por fim, o mais novo começou a cantar, já que a letra encaixava tanto no teor da conversa quanto na conduta do outro.
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  - Amizade. – encarou o colega ao lado – Juntos até o final. – fitou o ex – Amizade. – voltou-se para a mulher na sua frente – Juntos nós estamos. – encarou o outro – Amizade!
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  Demonstrou não se dar por convencido com uma expressão sarcástica a qual foi retrucada com uma careta.
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  No final da tarde da semana seguinte, Rafael o vira ao longe sair do carro com um homem pardo. Escondera-se atrás de uma grande árvore para observá-los.
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  Dialogavam com certa intimidade relativamente próximos. Quando Kalisto colocou a mão sobre o ombro do desconhecido e a manteve ali, seu coração apertou. Não revelaria seus sentimentos para o ex jamais, portanto não comentaria sobre aquilo. Ao se despedirem com um abraço prolongado os olhos encheram de lágrimas contidas.
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  Sempre pedira a toda e qualquer força divina existente para, caso se deparasse com Kalisto, não vê-lo na companhia de um namorado ou affair. Suportaria a distância como a vinha suportando. Entretanto, seu coração calejado sofreria. Não estava totalmente curado. Haviam remendos, esparadrapos e band-aids para fechar as feridas abertas, além das cicatrizes protuberantes. Já se acostumara com a presença dele e até permitia certo abeiramento. Todavia, ainda não estava pronto para vê-lo tão íntimo de alguém além dele – de novo, mesmo sem estarem num relacionamento.
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  Para não se torturar mais o ruivo atravessou o espaço metros atrás do homem pardo apressadamente, já que havia chances maiores de não ser avistado por Kalisto.
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  O professor, infelizmente ou felizmente, o viu passando a mão nos olhos de cabeça baixa durante o trajeto. Em seguida, pela faculdade ser naturalmente meio vazia naquele horário de fim de tarde, o procurou na sala e no banheiro sem encontra-lo, já que estava em outro andar. Cogitara a ida de Kalisto até ele, então se fechou numa sala de andar diferente do que estudava.
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  O comportamento do rapaz causou estranheza no ex por dar todos os indicativos de que algo o incomodava seriamente no decorrer de três semanas.
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  Apesar de continuar chegando cedo, sentava nas últimas cadeiras, distante das vistas atentas do moreno e dos recentes colegas. O semblante, outrora mais alegre, agora estava angustiado, carregando uma tristeza não verbalizada. Nas poucas vezes que conseguiu fita-lo, não passavam de meros instantes. Pestanejava desviando o olhar ou abaixava a cabeça para mexer no celular ou fazer anotações.
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  Almejava e até tentava falar com o mais novo. Só existia um problema. Rafael sabia ser escorregadio quando queria. Na menor menção da tentativa de aproximação, apressava os passos e conseguia desviar das pessoas com agilidade e destreza usando seus fones de ouvido para dificultar de Kalisto contatá-lo – afinal, teria de encontrar uma desculpa plausível para gritá-lo em meio aos estudantes.
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  Por fim, farto da situação, o aguardou chegar atrás de uma árvore na área externa da faculdade obrigatória para a saída e entrada dos estudantes. O seguiu sem ser percebido até chegarem ao banheiro, onde trancou a porta.
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  Ao se virar, sobressaltou por não esperar Kalisto ali.
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  - Que susto, cacete! – retirou os fones de ouvido.
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  - Teria me ouvido nos últimos dias caso não usasse isso. – apontou com o queixo para os fones que estavam sendo guardados na mochila.
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  - Eu gosto de ouvir música. – deu de ombros colocando a mochila na bancada de mármore.
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  - Pode me falar qual o problema?
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  - Problema? – retirava os produtos de maquiagem e para limpar a pele da mochila sem encará-lo.
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  - Sim. Você está estranho e não é de hoje.
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  - Impressão sua. – colocava pasta na escova para escovar os dentes.
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  - O cacete. – retrucou se esforçando para manter a voz baixa – Aconteceu alguma coisa com sua família?
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  Acenou que não.
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  - Seu namoradinho aprontou de novo contigo?
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  Foi impossível não revirar os olhos.
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  - É o emprego?
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  Balançou a cabeça em negativa lavando a boca.
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  - Inferno, o que é? Fala qual é o problema, Rafael! – exasperou-se inquieto.
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  - Não é porra nenhuma! – pela primeira vez o mirou já irritado, falando um pouco mais alto do que deveria graças a firmeza na voz – Satisfeito agora? Não é nada.
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  - Não porque é óbvio que aconteceu alguma coisa, mas você não quer contar o que é.
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  Voltava a juntar seus pertences na mochila de qualquer jeito para sair do banheiro o mais rápido possível.
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  - Foda-se, então, porque, além de não ser da sua conta, tenho mais o que fazer. – fechou a mochila e a colocou no ombro – Agora, se me dá licença, vou terminar de me arrumar na sala, já que a sua presença aqui não está sendo agradável.
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  Ao passar pelo advogado foi impedido de sair.
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  O homem o segurou pelo braço e o obrigou a caminhar para trás à medida que avançava numa expressão decidida. Sentiu a gelada parede nas costas e o ar lhe faltou momentaneamente pelo moreno colocar ambas as mãos em cada lado da sua cabeça. Curvou de leve o tronco em sua direção o encarando de maneira bem intensa. O coração disparou por tê-lo tão próximo de si ao ponto de as coxas roçarem e sentir a respiração dele contra a pele.
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  - Se é verdade – prosseguiu murmurando com o rosto a milímetros de distância. Com uma das mãos o segurou pelo rosto acariciando a bochecha com o dedo – fala isso olhando pra mim desse jeito. Sei que não vai hesitar caso não esteja mentindo.
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  Pestanejou demonstrando fragilidade quando o entreouviu percorrer o dedo no lábio inferior. A respiração pesada expunha o nervosismo e, ao segurá-lo pelo pulso sob o tecido do terno preto, a palma estava fria.
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  - O que foi, meu menino? – fitou os lábios rosados, já com o a calça ficando desconfortável pelo excesso de volume ali formado.
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  O advogado, num movimento lento, quebrou o mísero espaço ali existente, colando completamente os corpos antes de deslizar a outra não pelo tronco até chegar na cintura, onde a repousou possessivo. De fato, era uma das áreas do ruivo que mais apreciava, inclusive apertá-la. Sucumbindo à tentação o fez, se deleitando com um arquejo surpreso de Rafael, quem pressionou a pélvis de forma automática. Imediatamente Kalisto percebeu que não era o único excitado.
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  Dando um meio sorriso lascivo, deixou-se levar pelo magnetismo de sensualidade entre eles. Num movimento mínimo encaixou o dedo entre os dentes. Em seguida fechou os lábios esfregando a ponta da língua na área. O sugou com a pressão exata pra faze-lo dar um longo suspiro. Desceu a outra destra até encontrar a cintura do mais velho. Aos poucos, sem perceber e na expectativa dos movimentos seguintes do rapaz, girou o mais velho para inverterem o lugar.
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  Encheu-se de coragem para dizer:
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  - Eu só estou puto porque me senti traído por um filho da puta da pior espécie.
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  Deu de costas para se afastar. Só aí Kalisto conseguiu compreender a situação. Mordeu o lábio inferior para esconder o sorriso encarando o chão ao decifrar o mistério.
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  - Sabe quem entrou em contato comigo esse mês e até dei carona pra cá, já que o ponto de ônibus é perto? Um primo meu.
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  A confissão obrigou o ruivo a parar, o incentivando a prosseguir colocando as mãos nos bolsos da calça.
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  - Ele estava brigado com a família. Se afastou há quase dez anos por não o aceitarem ser trans. Passou a maior parte da tarde comigo desabafando e contando sobre seus sucessos e derrotas. Falou que queria retomar a amizade que tínhamos e dei abertura pra isso. Já consegui explicar o mal-entendido?
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  - Não pedi por nenhuma explicação. – retrucou numa voz fria se mantando de costas.
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  - Foda-se se pediu ou não. O que me interessa é se você vai ficar melhor sabendo disso. Nos vemos na aula, então?
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  O rapaz se afastou em silêncio.
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  A resposta viria cerca de uma hora depois, assim que passasse pela porta da sala de aula. O veria em seu local de costume, mas com os braços cruzados e um biquinho sutil.
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  Ao término, Rafael seria o último aluno a passar pelo professor, já que estava ouvindo áudios de Victor, Morgana e Nichole sobre seu próximo show. Seria diferente dessa vez, mas, já que as agendas estavam batendo e o público era diferente, seria bom para Princess tornar-se mais conhecida, tanto por público quanto por cantores distintos.
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  Com a mochila nas costas lhe lançou um olhar fulminante quando ouviu a palavra sair da boca de Kalisto num murmúrio humorado ao passar ao lado do homem com a postura altiva:
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  - Pinscher.
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  Kalisto chamou Gustavo, Miguel e Sérgio para curtirem um evento de samba na quadra da Portela. Estavam acomodados na área superior, onde, sentados numa das mesas, degustavam de petiscos jogando conversa fora. Na verdade, apenas três dos homens conversavam.
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  Kalisto não falava quase nada desde sua chegada. Na verdade, há cerca de trinta minutos mantinha-se em total estado de silêncio. Apenas tomava goles pontuais da cerveja com um vago olhar sério para além dos amigos porque não conseguia tirar uma pessoa em mente – ou melhor, um determinado ruivo cujas circunstâncias teimavam em acelerar o processo de achegar.
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  A interação com Rafael estava se reestruturando. Não se imaginava retomando o relacionamento devido à mancha que ficara para ambas as partes. Por outro lado, o sentimento começava a aumentar novamente – ou era isso o que preferia acreditar por nunca ter deixado de amá-lo da mesma intensidade.
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  Perguntava-se dia pós dia o motivo do porque o reencontrou, além das casualidades extremamente inesperadas para tais interações acontecerem. Eram sempre contextos onde Rafael precisava de ajuda – e por piores que tenham sido os erros no passado, jamais, sob nenhuma hipótese, negaria socorro ao seu único menino.
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  Simultaneamente, descobria ser o ser humano mais burro na face da Terra por não se satisfazer em vê-lo passar dificuldades. Outras pessoas indubitavelmente ririam ou se sentiriam vingadas com a notícia de seus respectivos ex passarem por adversidades das mais diversas. Entretanto, ele foi o responsável por auxiliar na melhoria de vida do mais novo, quem acabou com seu coração ao ponto de ainda não estar completamente recuperado.
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  Então, por passar meses sem expressar o que lhe acontecia e pela necessidade de externalizar suas inquietações num desabafo com pessoas confiáveis, as seguintes palavras saíram de sua boca:
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  - Acho que fiz e ainda estou fazendo merda.
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  A atenção do trio voltou para o moreno.
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  - Falei que você estava escondendo algo. É nítido. – Gustavo tomou da cerveja.
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  - Anda. Desembucha. Qual o problema? – o negro de corte militar mastigava uma porção de batata frita.
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  - Sabem o Rafael?
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  - O seu ex? – perguntou Sérgio curioso, sem compreender como o rapaz se encaixava na história.
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  - Sim.
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  - O que tem ele? – Miguel, diferente dos demais, era o único quem tomava refrigerante por não gostar de álcool.
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  - É meu aluno.
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  Sérgio engasgou com a comida e Gustavo cuspiu sua bebida.
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  - Quem é o que de quem!? – Gustavo quase caiu da cadeira.
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  - O Rafael é aluno dele. – explicou Miguel rapidamente enquanto o moreno confirmava com um aceno da cabeça e o careca instruía o mais velho a pôr os braços para cima para respirar mais facilmente – Me tira uma dúvida aqui, rapidinho, meu querido. – cruzou os braços na mesa com certo grau de ironia – Como isso, em nome do Santo Cristo, foi acontecer?
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  Essa parte não revelaria.
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  - Só descobri quando entrei pra dar aula.
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  - E como você está com isso? – Sérgio conseguiu dizer entre as tosses.
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  - Fodido. – desviou o olhar passando a mão no rosto se sentindo cansado.
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  Em poucas palavras resumiu a situação dos últimos meses sem esconder a noite quando o abrigou e revelando a amizade em comum com Débora.
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  Sérgio caiu numa estrondosa gargalhada.
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  - Você ri? Estou fodido e tudo o que você faz é rir?! – reclamou o amigo levemente zangado.
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  - Qual é a outra reação que esperava? O contexto em si é uma merda. – secava uma lágrima de tanto rir – É cômico por ser trágico.
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  - Bem, definitivamente merda você está fazendo. – Gustavo tomou a frente da conversa – É óbvio. A pergunta certa pra ser respondida é: No que acha que essas interações vão levar?
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  A indagação lhe atingiu como um soco no estômago – e infelizmente seus amigos eram capazes de confrontá-lo ao ponto de tocarem na ferida.
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  A sua real vontade era a esperança de ter algo mais palpável além dessa camada frágil que voltava a se formar entre os dois. Seus desejos envolviam permitir-se ser enredado pela nítida e inegável atração ainda existente, mesmo com as mágoas do passado sendo explícitas. Porém, conseguiria compreender o quão difícil seria isso, quiçá impossível. Não perdoaria nunca o erro do ruivo – até porque a quebra de confiança não poderia ser reconstruída na sua concepção. Havia assuntos os quais não queriam tratar e nem desejavam desabafar para não correrem o risco de se expor ou de demonstrar fraqueza perante o outro.
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  - Não sei. Não sei o que fazer, não sei o que pensar... Não sei. – ansioso, colocou o cotovelo na mesa para pousar a mão trêmula na boca. – Simplesmente não sei.
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  A confissão espantou os amigos, principalmente a sua visível angústia.
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  Kalisto era um homem decidido. Por ser muito mental, sempre soube como caminhar pela vida, assim como estabelecer com convicção o que queria para si em todos os âmbitos. Portanto, vê-lo perdido sobre qual caminho percorrer daquela maneira era, no mínimo, intrigante.
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  - Mais cedo ou mais tarde vai precisar chegar numa decisão. Do contrário serão enredados pelo que quer que seja. – pontuou Miguel.
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  - Concordo. Até porque o garoto não parece ter se esquecido de você. – assegurou Gustavo.
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  - Bobagem. Quem ama de verdade não faz o que ele fez comigo.
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  - Amigo, me ouça. – Miguel se recostou na cadeira cruzando a perna – Todos nós víamos a maneira como o Rafael te olhava. Havia amor. Não era só paixão. Era bem mais profundo. Pode até mentir pra si pra diminuir um pouco a dor e trazer justificativa para o comportamento dele, mas não se deixe enganar. O cara te amava. Demais.
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  - Me amando ou deixando de amar, não muda nada. Causou um dano terrível. – a voz saiu fria e inexpressiva.
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  - E você? Está em paz em causar dano nele?
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  A pergunta de Gustavo lhe arrancou uma profunda aflição latente, a trazendo para a superfície e o fazendo quase engasgar pelo desconforto.
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  - Não me orgulho pelo troco que dei, mas foi impossível não pagar com a mesma moeda. – pela primeira vez não gostou do sabor da cerveja ao descer pela garganta.
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  Se continuasse naquele ritmo não conseguiria se alimentar mais.
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  - Finalmente admitiu que fez merda! – Miguel aplaudiu – Quantas e quantas vezes o aconselhei a não tramar aquela armação?
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  - O Rafael mereceu! – aumentou o tom de voz – Eu não seria o único a choramingar pelos cantos e sofrer igual um filho da puta nessa história.
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  - E por acaso gostou de ferir quem ama até hoje? – Sérgio soou tranquilo, destoando da gravidade do questionamento.
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  O silêncio não poderia ser mais pesado.
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  - A gente avisou que não valia a pena. – o careca comentou.
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  - Eu avisei por experiência. – contou Sérgio – Você era apaixonado pelo Rafael e ainda o é. Duvido que tenha gostado de feri-lo como o fez.
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  - Meu temperamento é forte demais para não ter feito nada.
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  - Cara, coloca uma coisa nessa sua cabeça teimosa e orgulhosa. – sem paciência, Sérgio firmou a voz – Não interessa o que fez ou deixou de fazer. Independentemente de qualquer coisa, quando realmente amamos uma pessoa, jamais devemos magoá-la. Sabe por quê? A ideia dela sofrendo por nossa causa é uma tortura. Aprendeu nada comigo, não?
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  - Não porque as circunstâncias foram diferentes. A Aline não cravou uma faca nas suas costas como o Rafael fez comigo.
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  - Nisso você tem razão. – Miguel ponderou.
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  - Ainda não respondeu minha pergunta. – insistiu se recostando na cadeira e passando as falanges nos cabelos grisalhos – Está satisfeito com os seus atos?
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  - Não. – precisou passar por cima do orgulho para admitir e era claro o quão irritado estava por isso.
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  - Bem, agora que finalmente você admitiu algo que vem negando há uns quatro anos, eu já volto. – Gustavo levantou – Preciso encontrar alguma coisa pra comemorar esse momento, nem que eu peça um bolo pelo iFood pra essa confissão histórica.
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  Se distanciou dos demais, mas não foi muito longe.
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  No andar debaixo avistou um quarteto peculiar o qual já vira uma vez. A drag estava muito bonita e sendo bem recebida pelos demais, os quais gravavam em seus celulares ou a cumprimentavam com acenos e abraços animados. De imediato retornou ao grupo de amigos.
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  - Kalisto, seu homem lindo, fofo, cuti e orgulhoso do meu coração. – não poderia soar mais bem humorado – Me tira umas dúvidas? – seu tom de voz chamou a atenção demais.
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  - Claro.
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  - Você jogou pedra na cruz?
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  - Não. – quis rir pela pergunta inesperada.
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  - Cometeu algum crime hediondo em outra vida?
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  - Quê? – os três falaram juntos.
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  - Defendeu um cliente quem cometeu um crime e ele não pagou pelo crime?
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  - Não.
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  - Gusta, fala logo qual é o problema. – quis saber Miguel segurando o riso.
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  - O cara deve ter algum karma que está pagando nessa vida. Não há outro motivo plausível. Venham os três comigo, por favor.
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  - Todos nós? – indagou Sérgio com uma careta com preguiça de levantar.
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  - É claro. Há coisas que é importante serem presenciadas ao-vivo.
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  Os levou num ponto onde nitidamente conseguiriam ter a visão completa do ambiente. Um homem subia ao palco para mexer em seus instrumentos de trabalho, os quais foram colocados numa pequena mesa.
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  De imediato o queixo do advogado caiu e os outros dois se entreolham confusos.
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  - O que tem? – Miguel coçava a cabeça sentindo-se perdido.
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  - Meu caro amigo que carrega o karma de quem crucificou Cristo. Poderia, por favor, contar para eles quem é aquela maravilhosa com a boina roxa?
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  Ao pronunciar o nome, as reações dos amigos foram distintas. Sérgio terminou de tomar num gole só a cerveja antes de colocar, pesaroso, uma mão companheira no ombro do advogado em sinal de apoio, Miguel xingava todos os palavrões conhecidos pela humanidade enquanto os enchia de perguntas e Gustavo caía na gargalhada.
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  - Rafael.
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  Princess estava lindíssima no look inspirado no início dos anos 2000. Era um misto de Britney Spears com Christina Aguilera.
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  Se surpreendera com a recepção acalorada. Pela primeira vez fazia show num espaço daquele para um público tão divergente do qual se habituara. Além disso, sua performance com Victor e as bailarinas foi encaixada de última hora, já que os músicos demorariam para chegar. Logo, tudo foi resolvido às pressas e até mesmo a sua montagem foi corrida, precisando do auxílio de Victor para pentear os cabelos das meninas enquanto Princess terminava de se vestir e elas se maquiavam.
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  Ao subir no palco o show foi maravilhoso. A energia era surreal e, como já era de se esperar, seu talento e magnetismo envolveram a plateia, chamando a atenção de todos os presentes. Dançava, rebolava e tomava conta daquele ambiente mesmo com um metro e sessenta de altura. Se performando parecia maior, capaz de preencher um palco enorme com a competência de sua arte.
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  O talento era inegável, assim como a paixão por esse lado artístico que tanto amou explorar. Interagia com o público usando de seu carisma a seu favor. Era atrevida, flertava com alguns homens e chegara a ganhar uma rosa vermelha de presente.
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  - Gente, agora quero saber de vocês. Quem aqui já se apaixonou por um lindo mentiroso? – indagou antes de tomar um gole de água.
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  Todos ergueram a mão – inclusive ela própria.
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  - Pode não parecer, mas até eu já passei por isso.
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  O comentário arrancou risos da plateia.
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  - Essa música é nossa, meus queridos. Se até a rainha Beyoncé e a maravilhosa Shakira já sofreram nas mãos desses lindos mentirosos, quiçá nós, meros mortais. Beaultiful Liar.
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  Princess cantava com a alma conquistando ainda mais as pessoas com a sensualidade das amigas e a sua própria. Aprenderam movimentos de dança do ventre apenas para aquela música, então não destoou da proposta original do clipe das cantoras internacionais, já que a dança do ventre estava atrelada à canção.
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  Ela ainda não percebia, mas, a poucos metros de distância, Kalisto sequer piscava enquanto a admirava em completo estado de encantamento.
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  Os cantores subiram ao palco ao final do show de Princess, quem foi ovacionada por quase cinco minutos.
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  Inicialmente cantaram várias músicas de pagode das antigas.
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  Princess retornou para juntar-se a eles quando iniciaram as letras de Sorriso Maroto. Ao finalizar Não Tem Perdão, falou ao microfone:
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  - Gente, quem vai aos meus shows sabe que eu não tenho esse discurso, mas... Galera, namoral, quem estiver triste por um ex ou até mesmo aquele ficante feio da desgraça, não se preocupa em chorar, não. Chora. Esse é o momento pra isso. Sorriso Maroto tem sorriso é no nome, mesmo, porque é só lágrima que a gente derrama. É impossível a gente dar sorrisinho mixuruca ouvindo isso.
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  O homem com o pandeiro quase cuspiu a água que bebia por querer rir do discurso. Atenta ao que acontecia, apontou para os que compunham o restante da banda.
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  - Aí! Até eles concordam comigo!
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  E era verdade. Os músicos concordavam rindo ou meio introspectivos. Um deles chegou a derramar uma lágrima pesarosa.
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  - Escutem, depois que essa tristeza da desgraça passar, quero todo mundo aqui sambando horrores, beleza? Troço triste da porra, viado!
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  Lucas, o charmoso cantor negro, falou:
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  - Até o Nilsinho está até chorando aqui atrás.
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  O pobre coitado, cujo pandeiro descansava no colo, secava as lágrimas com a camisa.
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  - A mulher me largou há seis meses, velho. E eu já tinha perdoado chifre daquela rapariga.
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  - Nilsinho, meu bem. – a drag o olhava compadecida – Respira, porque ainda faltam umas músicas pra irmos pro samba. Sofre o que tiver que sofrer aqui porque ela não te merece, não. – se voltou pra plateia – Quem se candidata pra ser a próxima namorada fiel dele?
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  Várias mãos foram erguidas.
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  - Pronto. Já arranjei umas futuras candidatas. Se tiver casamento me convidem para ser a madrinha, por favor.
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  O homem, desolado, voltou a tocar com os demais.
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  Os primeiros acordes de Futuro Prometido foram ouvidos antes do cantor recitar a letra. Princess se juntou a ele quando chegou ao refrão. A união de vozes era harmônica e pareciam, de fato, um casal.
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  Realmente, a plateia fez o que Princess pediu. Vários ali se deixaram levar pelas emoções. Uns eram consolados por amigos. Outros tomavam cerveja com os olhos marejados cantando a plenos pulmões.
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  A drag começou a percorrer o palco interagindo com o público e percorrendo o olhar pelo ambiente.
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  - E você, não sei. Nem vi. – ao fitar um ponto específico no segundo andar, precisou se concentrar para não errar o tempo da música enquanto encarava o advogado – E o futuro prometido eu vim cobrar – cantava sem quebrar o contato visual – Você jurou me amar e me fazer feliz.
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  Cantou o refrão com Lucas contendo a emoção. Decidiu transformar seu sofrimento em arte, apenas reafirmando o quão profissional era. Deixou tudo fluir em sua expressão corporal, na voz, nos gestos e na expressão facial. O conjunto tornou-se mais intenso sem perder a harmonia com o outro, quem brilhava tanto quanto.
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  Os olhos se encontraram novamente. Kalisto estava debruçado no parapeito, imóvel e a observando.
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  - Sem mágoas. Seguirei em paz. Mas não vou dizer não amarei nunca mais. Porque o coração ele é sempre capaz de amar.
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  Voltou para o cantor, quem ia em sua direção. Na última repetição do refrão cantou encarando Kalisto, quem permanecia com uma expressão impassível.
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  Agradeceu internamente quando o samba começou. De fato, naquele momento percebeu que o problema do pagode era quando a letra fazia sentido.
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  A primeira música tocada foi Quando a Gira Girou. O ambiente tornou-se mais leve, sem aquele ar de pesar em virtude das músicas anteriormente.
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  Os amigos curtiam o pagode com sorrisos enormes no rosto – e, de fato, a letra falava basicamente sobre o quanto aquele trio contribuíra para Diego e o crescimento profissional de cada um.
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  - Na hora que a gente menos espera no fim do túnel aparece uma luz. – se agachou no palco fitando os amigos – A luz de uma amizade sincera pra ajudar a carregar a nossa cruz. Foi Deus quem pôs vocês no meu caminho na hora certa, pra me socorrer. Eu não teria chegado sozinho a lugar nenhum – estendeu a outra mão na direção deles – se não fossem vocês.
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  Enviou vários beijinhos contendo as lágrimas.
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  Só Deus sabia o quão importante o trio era para Diego e como o socorreu por meio de trabalho, amizade, risos e brincadeiras.
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  No decorrer da hora seguinte Princess aproveitou bem alegre com os amigos, os quatro extasiados pelo sucesso da performance e pela atenção recebida pelos demais, com quem conversavam eventualmente. Entretanto, algo incomodava a drag.
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  Kalisto não tirava os olhos dela.
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  Pra onde quer onde fosse o notava a observando – e isso a deixava quase louca.
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  - Nick, me faz um favor. – pediu para a amiga, quem diminuía o ritmo do samba para prestar atenção – Vê se é loucura da minha cabeça ou se o Kalisto realmente não para de me encarar.
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  - Pera, aquele seu ex está aqui? – Morgana bebericava a cerveja.
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  Os outros dois se juntaram para participar da conversa, embasbacados com a notícia.
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  - Sim. Lá em cima, perto do parapeito.
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  - Será que sabia da sua apresentação aqui? – Victor encaixou a boina perfeitamente na drag, que, até então, carregava consigo após apoderar-se da peça – É uma puta coincidência.
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  - Eu não faço ideia, mas já volto. Vou comprar uma água pra gente.
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  - Amigo, relaxa. – ajeitou a boina na cabeça – Eu já estava indo.
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  Nichole imediatamente segurou o braço magro para mantê-lo no lugar.
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  - Vai lá. Deixa comigo. – assegurou afastando alguns fios colados no rosto pelo suor.
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  Haviam outros lugares vendendo água, porém foi em um na extremidade do lado esquerdo do salão. Ao retornar com três garrafinhas, ouviu da mulher:
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  - Ela já nos explicou tudo e a resposta é sim.
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  - Que loucura é essa, viado? – Victor segurava o riso.
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  Princess já estava farta daquela situação. Não gostava de chove não molha. Ou fodia ou saia de cima. Não suportava indecisão e tamanha subjetividade sem um cunho específico já estava lhe tirando a paciência.
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  Vendo a expressão decidida da outra enquanto refletia com as mãos nos quadris, Morgana indagou:
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  - O que você vai aprontar?
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  - Fiquem aqui. Já volto.
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  Por sorte Sérgio escolheu aquele momento para puxar Kalisto para uma conversa, então, segundos depois, o xingou baixinho por ser o responsável por perde-la de suas vistas.
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  Apenas não imaginava quem apoiaria a mão no parapeito:
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  - Um passarinho me contou que entre vocês há um fã meu.
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  O quarteto virou para Princess sem reação.
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  - Quem é? – prosseguiu.
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  Precisou segurar o riso ao ser encarada por quatro pares de olhos chocados.
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  - O que foi? O gato comeu as suas línguas? Já que ninguém se revela, serei obrigada a adivinhar.
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  Foi até Miguel em passos preguiçosos, quem encarou o advogado num pedido de desculpas.
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  - Por acaso seria você? – o segurou pela gola da camisa de leve – A descrição bate com a dada pelo Victor.
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  - Casado.
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  A tosse forçada não poderia soar mais falsa.
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  - Ah, então eu não quero. – o rejeitou com uma careta – Talvez eu já tenha a minha resposta. – se virou para o ex, cuja mentira servira para afastá-la dele – É você, certo? – com uma destra na cintura, apontou para o moreno com o dedo indicador da mão esquerda, o avaliando de cima abaixo em aprovação.
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  - Não. Acho que se enganou.
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  - Faça-me o favor. – desdenhou bem dona de si – Homens costumam se proteger quando o assunto é traição. Não conheço nenhum cara que entregaria o amigo assim tão fácil.
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  Gustavo, Miguel e Sérgio observavam a cena se entreolhando com vontade de rir, fascinados pela audácia dela.
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  - É. Agora perdi o argumento. – Kalisto refreou a vontade de tacar alguma coisa na cara de Sérgio. Pela leitura labial fora chamado de “gado” pelo de cabelos grisalhos.
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  - Não fique sem graça. Até porque ainda não fomos apresentados formalmente. Princess, queridos. – virou para todos com um sorriso.
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  Cada um disse seu nome e Kalisto foi o último após alguns segundos de espera.
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  - Meninos, aqui está meio tranquilo demais. Por que não descem pra passarmos as próximas horas com a minha equipe? Garanto que será divertido.
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  - Seria uma ideia maravilhosa. – Gustavo claramente provocava o advogado.
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  - É claro, menina! Por que negaríamos? – Miguel soou irônico.
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  - Certeza que iremos nos divertir bastante. – Sérgio adorava pôr lenha na fogueira nessas situações mais delicadas.
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  Projetou o tronco para o outro, quem se mantinha calado, com um sorriso estampado no rosto e as mãos cruzadas para trás.
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  - Só faltou você, querido. Aceita?
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  - Eu... Eu acho que...
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  Permitiu-se ser quase hipnotizado por ela enquanto se aproximava. O segurou pelos ombros para, então, roçar o maxilar marcado no dele enquanto o moreno inclinava o corpo em sua direção.
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  - Pelo menos assim, bebê, ao invés de me secar como tem feito desde a hora que subi ao palco, eu possa te proporcionar um pouco de diversão.
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  A segurou pela firme cintura para murmurar:
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  - Eu não estou te secando.
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  - Ah, é? Então o que significa isso?
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  Sem aviso, deslizou as mãos para as laterais dos quadris onde o empurrou contra si, conseguindo sentir a ereção. Kalisto precisou se recordar que estavam em público. Para disfarçar a sensação, apenas a apertou na cintura.
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  - Pode até tentar mentir pra mim, mas seu pau duro te entrega, amor. – o beijou no pescoço deixando uma marca de batom antes de se afastar – O que me diz?
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  Mais uma vez o contraste estava ali. O olhar lascivo com a expressão facial inocente.
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  - Tudo bem. – a voz saíra rouca.
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  Com um olhar vitorioso para os outros num pedido velado para os acompanhar, segurou a mão de Kalisto com um sorriso orgulhoso para descerem enquanto os demais seguiam o casal.
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  Quando chegasse em casa Kalisto decidiria se era trouxa, idiota, sonso ou apenas burro. Durante as horas seguintes? Se contentaria a desfrutar da companhia de Princess.
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  A drag de Rafael era fascinante. Parecia uma versão mais intensa do rapaz. Era comunicativa, atrevida, engraçada, autoconfiante, sensual. Não tinha vergonha em flertar e era bem corajosa quando provocada. Curiosamente, apesar de tantas características voltadas para o individual, era carinhosa e gentil.
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  Certo momento a ouvira recusar um flerte com as seguintes palavras:
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  - Não vai rolar, querido. Para o azar de alguns não estou sozinha hoje, mas não fique triste. O seu interesse por mim só mostra um ótimo bom gosto. Garanto que vai conseguir uma foda ou uns beijinhos legais com alguém daqui.
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  Encostou dois dedos nos lábios e os pressionou de leve nos do rapaz.
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  Para provocar o moreno numa tentativa de lhe tirar alguma reação, começou a dançar com Sérgio.
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  Não havia necessariamente um ar de sensualidade ou de cunho sexual entre eles. Entretanto, se divertiam, riam e conversavam o tempo todo enquanto Kalisto os observava meio carrancudo de braços cruzados.
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  De maneira intencional, abraçava o de cabelos grisalhos após ouvir uma história engraçava. Ainda no abraço, se virou, ficando com as costas no peitoral do homem e de frente para o advogado.
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  Ao vê-lo se corroendo de ciúmes, não evitou de pronunciar:
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  - Se está incomodado, vem logo me pegar.
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  Não foi necessário repetir.
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  Sem quebrar o contato visual, caminhou na direção de ambos a passos lentos e decididos. Num sorriso duro, encarando o amigo, segurou os braços num toque sem pressão para afastá-los do tronco de Princess, quem foi puxada pelo cós da saia jeans para si em seguida.
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  - Realmente achei que você não faria nada. – pôs as mãos nos largos ombros.
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  - Digamos que eu esteja fugindo da sensatez hoje. Amanhã me preocupo em ser prudente. – de maneira possessiva, a segurou pela cintura da forma como sabia que ela gostava – Bem melhor agora, não acha?
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  - Não imagina o quanto. – respondeu num sussurro lascivo.
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  Pela primeira vez desde que o reencontrara se deu ao luxo de agir como realmente queria por achar que o homem desconhecia sua identidade.
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  Esteve ao lado dele nas horas seguintes sem se afastar. Caso recebesse algum sinal de descontentamento, o menor que fosse, é claro que se distanciaria. Para sua alegria, não foi o caso. O outro estava igualmente à vontade na presença de Princess, quem era vista recebendo carícias dele no decorrer das horas – seja ficar de mãos dadas, beijos no ombro ou na têmpora ou mordidinhas de leve nas costas. Riam, brincavam, dançavam, conversavam entre si e se divertiam na companhia dos amigos – grupo esse que não deixou de compreender as investidas carinhosas.
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  Por causa disso, vez ou outra recebia olhares de Gustavo, quem claramente achava cômico o envolvimento do amigo.
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  Era visível como se harmonizava com Princess. Fazia questão de tocá-la e flertar com ela, quem, atrevida, flertava descaradamente com um sorriso malicioso nos lábios. Entretanto, a sensualidade não era a única predominante entre eles. Era clara a compatibilidade de gênios, além de compartilharem o mesmo senso de humor e gostos.
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  Kalisto, por exemplo, não se importou em dividir um espetinho de churrasco – o que arrancou caretas dos amigos. O moreno era do tipo de pessoa quem só dividia comida caso a pessoa fosse importante para si – e aquela pequena demonstração inconsciente apenas demonstrou e reafirmou como se harmonizava com o ex.
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  Observando Morgana, a drag conseguiu se soltar no samba. Princess sambou e não demorou para ser acompanhada pelo convidado, quem se juntou a ela alegremente.
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  O advogado sabia que Rafael não sabia sambar. Então, vê-la aprender de última hora após observar a amiga disfarçadamente por alguns minutos apenas para agradá-lo, lhe trouxe um aconchego ao coração. Foi impossível não abrir um sorriso.
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  Por fim, pouco antes das nove da noite, estavam do lado de fora pedindo Uber pelo celular.
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  Princess carregava consigo uma quentinha com churrasco e outros petiscos pra família comer naquele horário, assim como suas bailarinas e Victor – quentinhas essas cuja conta foi por parte da Portela.
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  Sérgio, Gustavo e Miguel já haviam ido embora em seus respectivos carros, mas Kalisto, quem não fora para lá com seu veículo, aguardava também um Uber – só quando o carro preto parou para os amigos entendeu o motivo de alguns risinhos e olhares de crianças travessas da equipe de Princess.
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  O motorista rodava apenas com um urso de pelúcia enorme no banco da frente do passageiro, obrigando a terem, no máximo, três pessoas no banco detrás.
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  - Pri, você pode dividir um Uber com o Kalisto. – avisou Morgana.
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  Graças a quantidade de maquiagem não transpareceu como a drag empalideceu pelo medo de ser descoberta.
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  - Tudo bem por você? – Kalisto logo indagou.
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  - O Uber me levando por último e sendo solicitado pelo meu celular, sim. – deu um sorriso um pouco grande demais devido ao nervosismo já pegando o celular.
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  - Tudo bem.
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  Se despediu dos três com abraços onde os chamou de “vacas” pela armação.
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  Pela janela, Nichole avisou bem-humorada:
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  - Você sabe que a gente te ama.
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  - Imagina se não amassem. – ralhou completamente irônica.
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  - Qual o problema, princesa? – para não correr o risco de chama-la de “sua menina”, obrigou-se a apelida-la de outra maneira.
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  - Digamos que... – refletiu sobre até qual ponto poderia revelar para o ex sem levantar suspeitas – Tenho planos futuros. E para eles darem certo, nem fodendo gostoso pra caralho posso correr o risco de descobrirem quem é o cara por debaixo dessas roupas.
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  - Vai parar com os shows, não, né? – soou alarmado.
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  - De jeito nenhum! As duas profissões é que não podem se juntar e nem a outra ser associada à minha imagem como drag.
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  - Entendi. – pôs-se ao lado dela para, em seguida, a segurar pela cintura – Porque seria um desperdício. Você é talentosíssima para ficar longe dos palcos.
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  O elogio a pegou de surpresa. O encarou de queixo caído demonstrando uma pontinha de insegurança na face.
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  - Você acha?
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  - Tenho certeza. – por odiar o tom de insegurança de Princess, assegurou a tocando de leve no queixo – E idiota é quem disser o contrário.
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  Gostou de fazê-la voltar dar um risinho tímido com os olhos brilhando.
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  - Tenho que concordar.
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  Pegou o celular e solicitou o Uber após Kalisto lhe dar o endereço do apartamento.
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  Durante a espera continuaram conversando num clima leve. Estavam abraçados, com os quadris encostados e aproveitando para se admirarem sem receios.
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  Podia perceber as grandes mãos lhe acariciando a lombar hesitantes. Obviamente desejava aprofundar a carícia, mas mantinha-se sem ultrapassar nenhuma linha. Não saberia dizer se aceitaria ser tocada de maneira mais íntima, então contentou-se com o que poderia lhe oferecer naquelas condições.
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  Antes de entrar o Uber, portanto, lhe sussurrou:
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  - Pensei que você fosse fazer algo mais interessante além de me abraçar. É uma pena, porque eu estava disposta a te fazer gozar na minha boca.
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  O pau pulsou dentro da calça pelo efeito da frase em si.
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  Já dentro do veículo, a drag deixou a quentinha ao chão. Retirou os calçados para deitar a cabeça no colo de Kalisto quando Na Sua Estante começou a tocar.
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  - De longe um dos melhores travesseiros que tem. – encolheu as pernas no banco bem mais confortável.
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  - Me fala mais de você. Como começou a cantar? – pediu tocando os dedos dela com os seus.
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  - Hum... Foi literalmente por causa do desespero. – enrugou o queixo com um biquinho.
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  A frase inesperada gerou um riso curioso.
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  - Como assim?
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  - Ah... – desviou o olhar para a janela em sua frente – Estava passando por um dos piores momentos da minha vida. Em síntese, uma amiga me incentivou a mostrar o meu dom. Em seguida conheci as pessoas certas e voalá. Hoje estou aqui.
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  - Mas está melhor comparada a antes?
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  - Não como realmente gostaria, mas posso dizer que sim. – olhou para as mãos que estavam numa íntima brincadeira onde não se uniam completamente, mas também não paravam de se tocar entrelaçando os dedos de vez em quando – E você? Me contaram que não é a primeira vez que veio no meu show.
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  Demorou-se para replicar sem quebrar o contato visual. Não existia nada ali de perigoso ou dissimulado, numa tentativa de lhe retirar informações. Era somente uma conversa entre duas pessoas.
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  - Eu te acompanho nas redes sociais. Há uns meses a vi na The Home. Fui, mesmo, só pra te ver.
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  - Essa notícia chegou até mim também. – acariciou a barba rala – Soube também que parecia meio melancólico. – havia uma inegável preocupação na voz.
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  - Sim.
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  - Se sente confortável comigo em contar o motivo?
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  Após segundos de um prolongado silêncio, começou:
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  - É que eu estava pensando numa pessoa do meu passado naquela noite.
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  - Não estão mais juntos?
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  A música do ambiente mudou para Melhor Sozinha da Luísa Sonza.
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  - Não. – soltou todo o ar na palavra.
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  - Ainda o ama? Ou a ama, no caso. Não sei se é gay, bi ou pan.
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  - Sou gay. – soltou um risinho se divertindo com a forma como ela fingia não saber sobre sua sexualidade – Sim. O amo. E nem sei dizer se isso é bom ou ruim.
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  Não acreditou quando a revelação saiu de seus lábios num sussurro dolorido.
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  - Por que não conversa abertamente com ele? É claro, se for recíproco. Do contrário, meu bem, não jogue fora sua dignidade por causa de quem não te ama, não.
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  Entrelaçou as mãos aos poucos antes de falar.
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  Deus, como sentia saudade daquela sensação. Era tão bom tê-lo novamente consigo, mesmo num contexto onde não poderia intensificar as carícias como desejava. Deleitou-se ao compreender que a drag estava tão mexida quanto ele quando a viu pestanejar ao puxar as destras para si até deixar um prolongado beijo nas costas alvas. Por fim, as pousou no peitoral de Princess, quem tinha um olhar amoroso cuja retribuição era igualmente carregada de afeto de forma inconsciente por Kalisto.
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  - Ele me ama, sim.
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  - Talvez consigam se acertar se houver a possibilidade. Eu, particularmente, prefiro me arrepender do que fiz do que daquilo que não fiz. É menos pior.
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  - Acho pouco provável, mas talvez eu ouça ao seu conselho. E você?
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  - O que quer saber sobre mim? – as feições tornaram-se curiosas, tomando o ar de uma criança arteira.
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  - Sei lá... Está solteira ou num relacionamento?
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  - Interessado, é? – com um sorriso travesso, o tocou delicadamente com a ponta do outro dedo no nariz.
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  - Talvez.
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  - Bem, eu estou solteira. O homem por debaixo dessas roupas, não. Comprometido.
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  - Então como faço pra te conhecer melhor?
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  - Aí, meu bem, terá de conquistar minha outra versão e fazê-la desistir de continuar com quem não é bom pra ele.
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  - Então por que está num relacionamento?
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  O questionamento trouxe a sombra de uma antiga tristeza na bela face cuja maquiagem ainda era intacta. Pela primeira vez desviou o olhar, observando a paisagem passar através do vidro. O moreno aguardou paciente até ela decidir se contaria ou não sem a pressionar. Por fim, a voz saíra conformada e, por detrás disso, existia certo grau de melancolia.
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  - Porque não é tudo que podemos ter nessa vida. Nem amor, nem respeito e nem fidelidade. Infelizmente.
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  - Não se sente solitária com esse pensamento?
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  - Não, porque... “Eu sou bem melhor sozinha, sabe? Mas talvez tem um cantinho e cabe um pouco, quase nada. Eu não sou de fazer sala, então pensa. Então tenta.”
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  Começou a cantar a letra da música sem quebrar o contato visual. Gesticulava, o acariciava, segurava a sua mão ou o rosto moreno. Transmitia todas as suas emoções em perfeito equilíbrio transmitindo pela letra da música e a intenção colocada na voz o seu real estado de espírito em relação aos seus sentimentos por Kalisto.
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  Deixou-se levar ao ponto de os olhos marejarem e lutar contra as lágrimas sem deixar de fita-lo, carregada de emoções não verbalizadas.
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  Kalisto, por sua vez, sentiu o coração apertar devido ao teor da canção.
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  Apesar dos pesares, Rafael foi uma pessoa maravilhosa para si. O apoio, a paixão, o amor, a cumplicidade e o respeito mútuos caminharam lado a lado em todos os momentos enquanto estavam juntos. As memórias eram carregadas de afeto e não havia uma única vez sequer que não fora olhado com ternura. Os gestos eram carinhosos e buscava meios de agradá-lo – mesmo sem pedir.
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  Talvez esse seja o motivo do porquê não conseguira esquecê-lo. O relacionamento era ótimo e até invejável. Só carregava recordações boas. Mesmo nas desavenças buscavam ceder e admitiam quando estavam errados, passando por cima do orgulho e da teimosia – principalmente por parte do moreno.
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  Se perdeu naquele rosto tão lindo sendo tomado pela saudade. E pela primeira vez, segundos antes do carro chegar ao destino, quebrou seu próprio código de conduta.
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  Tomado pelo impulso, se inclinou num movimento fluído até alcançar os lábios de Princess. De tão surpresa, arregalou os olhos para se certificar que, de fato, estava sendo beijada. O segurou na face sentindo a barba rala roçar na palma antes de fechar as pálpebras para aproveitar a sensação maravilhosa daquela união.
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  Porém, o selinho durou exatos cincos segundos. O carro parou, obrigando-o a erguer-se para verificar que, de fato, havia chegado.
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  Princess sentou no banco para o outro se mover, quem fez questão de fechar a porta. Apesar da fraca iluminação, pôde perceber os olhos marejados dele. A tocou de leve na bochecha lhe lançando um olhar intenso antes do homem se virar e entrar no prédio.
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  Quando o motorista voltou a dirigir, secou uma lágrima solitária que fugiu.
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Capítulo 8
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