Chame por Cigana


Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 60 minutos

  Kalisto acordou pelo toque do celular às cinco e meia da manhã. Descobriu terem, em algum momento durante a noite, se acomodado um de frente para o outro completamente relaxados e abraçados. O lado direito de Rafael escondia a marca pela região estar em contato com o travesseiro.
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  Num movimento acelerado desativou o despertador. Antes de se desvencilhar do toque do ruivo com cuidado suficiente para não desperta-lo, o comtemplou dormindo profundamente. Mesmo adormecido havia certa aflição nos traços. E isso o preocupou.
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  - O que houve contigo, hein? – pensou.
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  Deu um beijo leve na testa e se levantou para colocar a roupa.
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  Com seus respectivos pertences e vestido, não fez barulho para sair de lá porque encontrou a chave da casa sob uma mesa. Iria para o quintal, trancaria a porta e abriria a janela da sala para jogar a chave sobre o sofá. Pularia o muro para a rua e buscaria seu carro estacionado na calçada.
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  Pelo menos foi o planejado.
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  Não imaginava que ao atravessar a sala uma garota de doze anos se encaminharia para o banheiro. O quarto da menina ficava ao lado da sala, então passar pelo cômodo era imprescindível.
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  De imediato foi descoberto.
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  Mia cambaleava sonolenta coçando o olho. Ao vê-lo parado a encarando meio empalidecido, arregalou os olhos e puxou o ar assustada pronta para berrar. A cena de um estranho em sua casa seria assustadora, mas, naquele caso, era cômica. O moreno demonstrava pavor da menina quem ainda sequer batia no seu peito em questão de altura, menor que o irmão
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  - Grita, não! Grita, não! – suplicou sussurrando e mostrando as palmas das mãos rentes às orelhas – Pelo amor de Deus, não grita.
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  A face da filha mais nova de Micaela tornou-se confusa, já completamente desperta.
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  - Calma aí. Eu conheço você. É o ex namo, quero dizer, o amigo do meu irmão. – com os dois primeiros dedos gesticulou aspas no ar na palavra “amigo”.
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  - Isso!
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  - E o que está fazendo aqui em casa nesse horário?
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  - Olha... Pra ser sincero nem eu tenho direito a resposta pra essa pergunta.
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  - Por acaso vocês voltaram? – coçou a cabeça atordoada, entendendo a situação menos ainda.
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  - Menina, o sol ainda nem nasceu. É muita pergunta difícil pra ser respondida num horário desse. – bocejou – Acordei tem nem dez minutos e estou com as costas doloridas.
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  - Eu sei. A cama do meu irmão é bem pequena pra vocês dois.
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  - É verdade.
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  Só então deu-se conta da informação. A face de Kalisto ficou lívida e a da menina transformou-se num sorriso diabólico, com as engrenagens do cérebro funcionando rápido demais.
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  - Não conta pra ninguém que estive por aqui, ok?
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  Pediu desesperado para encerrar o assunto. Não conseguiria ler a mente alheia, porém, pela sua postura com um toque de deboche e um meio sorriso orgulhoso boa coisa não era – além de sobrar facilmente para ele.
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  - Conto nada, não.
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  Numa falsa expressão de inocência que deu calafrios ao moreno, Mia lhe deu um tchau.
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  - Ótimo! Boa noite!
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  Antes de virar a maçaneta a voz feminina o impediu:
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  - A menos que...
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  Virou-se com um frio na barriga.
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  - A menos que o que? – falou num fio de voz tão rápido que pulou uma sílaba ou outra.
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  - Você me dê algo que eu queira.
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  - E seria?
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  - Bem... Sou nova e estou começando a minha vida agora. Tem algumas coisas que eu gostaria de ter, como um batom ou uma blusa legal. Você é adulto e adultos só saem de casa com dinheiro. O que você acha de uns cinquenta reais? – estendeu a palma – Pode passar.
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  O queixo do homem caiu. Piscou uma. Duas. Três vezes até a fala do ser humano em sua frente com menos da metade do seu tamanho e certamente um terço de seu peso.
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  - É suborno do que estamos falando aqui?
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  - Não. Apenas encontrei uma maneira prática e rápida de adquirir um batom e talvez uns brincos às suas custas. – sorriu largamente – Ou um presente pra uma pessoa em especial, mas essa é outra história.
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  - Eu me recuso a fazer isso. Não vou dar dinheiro pra você em troca do seu silêncio.
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  - Se prefere assim. – deu de ombros. Inclinou a cabeça levemente para o lado – Mã...
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  - Ok! – a interrompeu, quem se calou de imediato.
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  Colocou as mãos no bolso direito, de onde retirou a carteira.
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  - Não acredito que estou sendo chantageado por uma criança. – resmungou a abrindo.
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  - Criança, não. Pré-adolescente digna de respeito – o corrigiu.
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  - Pronto. – estendeu duas notas de vinte.
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  - É só isso? Assim insulta a minha inteligência.
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  - É tudo o que tenho.
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  - Mã.
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  Dessa vez a voz soou mais alta.
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  - Deus, quando esse pesadelo vai acabar? – choramingou dando-se por vencido.
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  - Quando você deixar de ser mão de vaca e me der mais dinheiro. Parece até minha vozinha, que Deus a tenha. Ou o capeta. Não sei dizer pra onde ela foi, não. Talvez esteja até num limbo por ser impedida de entrar tanto no céu quanto no inferno.
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  - Menina! – não conteve a risada – Isso lá é jeito de se referir a sua avó?
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  - Diz isso porque não conheceu a véia. Anda, chega de conversa mole. Passa logo esse dinheiro. Quanto mais tempo parado na sala, maiores chances de ser descoberto, menos tempo de sono eu tenho e menor a possibilidade de comprar umas coisinhas pra mim. – balançou os dedos para enfatizar.
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  - Pronto. – estendeu mais uma nota de cinquenta – Satisfeita?
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  - Muito! – a apanhou agradecida – Tenha certeza que será muito bem recompensado por ajudar uma pobre pré-adolescente a adquirir umas boas comprinhas. Deus há de me abençoar a encontrar umas promoções legais.
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  - Mas foi por meio de chantagem!
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  - O Todo Poderoso sabe que tenho meus motivos. Vamos, se apresse para sair.
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  O ajudou a sair dali segurando as três cachorras que tentaram alcança-lo para brincar.
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  Durante a aula de sexta-feira Kalisto observara Rafael atentamente. O rapaz parecia um pouco melhor comparado a noite anterior. Quando entrou na sala o viu conversando com os colegas de classe. À primeira vista estava apenas um pouco mais quieto. Entretanto, existia certa áurea de melancolia que o cercava. Quem não o conhecia há tantos anos jamais a notaria. Kalisto não era uma dessas pessoas e não demorou para notar a farsa.
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  Rafael tinha sardas no nariz e na região inferior perto dos olhos. Elas não estavam visíveis graças a uma camada de maquiagem. Estranhou a mudança de seu comportamento base, pois nunca usara nada para esconde-las no passado e nem no decorrer daquele mês quando se depararam na faculdade. Além disso, quando encostava na parte do queixo e da bochecha produzia duas reações corporais: ou contraía os ombros ou fazia uma careta de dor.
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  Todos esses fatores asseguram-no ainda mais a existência de outro motivo para passar a base.
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  Ao término da aula lhe enviou rapidamente uma mensagem o avisando que gostaria de falar com ele assim que os demais alunos tivessem saído. Quando o ruivo lançou um olhar indagador de esguelha mexendo no celular foi o sinal do recebimento do texto.
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  - Olha, eu não posso demorar. – encaminhou-se para a mesa do professor, onde o outro o aguardava sentado na cadeira – O que foi? – de braços cruzados e com a mochila nas costas parou em frente a Kalisto assim que a sala esvaziou.
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  - Nada. Queria saber como está depois da noite passada. Acordou melhor? – levantou descansando as palmas na mesa, o único objeto que os separava.
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  - Sim. Bastante.
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  Semicerrou os olhos numa expressão firme onde claramente não aceitara a mentira.
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  - Ok, não tanto quanto gostaria. – optou pela franqueza dando-se por vencido.
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  - Agora estamos falando o mesmo idioma. – sorriu em aprovação pela escolha de contar a verdade – Precisa de ajuda em alguma coisa? Conselho, desabafar... Sei lá.
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  - Não, tudo bem. Consigo resolver sozinho. Mais alguma pergunta?
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  - Sim. Para ser franco, seria uma um pedido.
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  - Qual?
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  Contornou a mesa sem cortar o contato visual. Com ambas as mãos descruzou os braços dele e, pela blusa, o puxou para si. O abraçou, certificando-se que o lado direito do menor tocasse no tecido escuro de seu terno sem pressionar a área.
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  Automaticamente retribuiu o abraço, relaxando nos braços do outro e o envolvendo pela cintura. Permaneceram assim por alguns instantes antes de se separarem e Kalisto conseguir a última peça para completar o quebra-cabeça.
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  Não foi sem motivo que o abraçou.
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  No terno ficou uma parte da maquiagem, revelando a marca arroxeada no rosto alvo. As pálpebras arregaladas do ruivo junto com a mancha no lado onde encostou o rosto no peito do advogado foram os sinais para fitar o paletó, vendo resquícios de maquiagem
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  - O nome. – pediu numa voz fria – Me passa o nome que eu resolvo esse assunto.
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  - Isso não foi nada. – alarmado tampou o machucado com uma das mãos – Eu só fui desastrado.
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  - Quer mentir pra mim? Melhor do que ninguém conheço uma clara marca de violência, inclusive as reações das pessoas. Sei bem o que aconteceu e não adianta mentir.
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  Era verdade. Na infância uma de suas tias casou com um homem quem não demorou a agredi-la. Em várias memórias ela estava com diferentes lesões frutos da violência doméstica espalhadas pela pele.
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  - Eu juro que não foi nada de demais.
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  O silêncio desconfortável pesou entre eles. Com o quadril encostado na mesa, o advogado sequer piscava. Os olhos transmitiam ódio genuíno, a voz era gélida e a expressão dura.
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  - Foi seu namoradinho quem te deixou esse presente?
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  A pergunta o fez fechar os olhos e crispar os lábios. Ao abri-los não conseguiu encara-lo, voltando a visão para o lado.
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  - Eu gostava mais do seu rosto como era antes. – quebrou a distância entre eles. Com as costas do dedo indicador acariciou o arroxeado. A gentileza era tamanha que Rafael não sentiu dor porque mal chegou a ser tocado – Não é pra deixar abusarem de você assim, meu menino. – pela primeira vez a voz demonstrou compaixão.
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  - Foi só uma vez. Não vai repetir.
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  A frase o fez deslizar os dedos pelo braço e segurá-lo pelo pulso, onde afagou a pele. O suor presente na região lhe mostrou o quanto a agressão o impactou e buscava controlar as reações para não evidenciar isso.
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  - Quem bate uma vez só para quando termina em morte.
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  - Ele me prometeu que nunca mais encostaria em mim assim.
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  E era verdade. Tivera uma conversa com André sobre o ocorrido. O namorado lhe prometeu que não voltaria a acontecer, além de presenteá-lo com um ursinho de pelúcia e passarem algumas horas juntos num grau de amorosidade atípica.
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  - Você é gentil demais, mas não é ingênuo ao ponto de beirar a burrice. Pelo menos revide.
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  - Eu não gosto de violência.
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  - Mas serve pra ser feito de saco de pancadas?
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  A pergunta retórica o pegou desprevenido. Encolheu-se em virtude do peso das palavras, pestanejando para afastar as lágrimas.
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  - Eu tenho um compromisso agora e não posso me atrasar.
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  De fato, porém não era devido ao compromisso que estava indo embora, mas sim porque queria fugir daquele confronto.
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  Inicialmente se afastou, entretanto Kalisto não o soltou. Aguardou até ambos os braços estivessem esticados e o corpo de Rafael voltado para a saída para, então, puxá-lo para si. As costas encostaram no tronco do moreno, quem descansou as mãos na cintura fina. Pressionou os dedos suavemente como um lembrete para si de que haviam limites entre eles os quais não deveriam ultrapassar – e em nada tinham a ver com a relação aluno x professor, mas sim englobavam o âmbito emocional.
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  Abaixou até alcançar a pequena orelha, onde mordiscou o lóbulo e o sugou, vendo o corpo de Rafael reagir. Soltou o ar pela boca, o hálito quente entrando em contato com a pele desnuda do pescoço branco.
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  - Você é doce demais para ficar com um cara como o seu namoradinho. – sussurrou em sua orelha – Ele não é adequado pra você.
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  Repousou a cabeça nas vestes alheias de olhos fechados, apreciando o toque mais do que deveria.
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  - Quem, então, serviria para mim?
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  - Alguém que... – um braço circulou a cintura e o outro subiu pelo abdômen até encontrar o rosto, onde acarinhou – Seja bom pra você. – deixou os lábios roçarem na orelha, provocando arrepios nele por antecipação – Carinhoso. – chupou o lóbulo, arrancando um gemido do ruivo, quem o segurou na nuca o incentivando – Te ame como merece. – ao esfregar a ponta da úmida língua no pescoço, Rafael, em resposta, mordeu o lábio inferior numa tentativa de impedir um segundo gemido de escapulir – E te coma tão gostoso ao ponto de deixar as suas pernas bambas e não conseguir pensar em mais nada além de simplesmente sentir todo o prazer proporcionado.
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  - Eu já tive um homem assim ao meu lado. – resfolegou.
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  - É? E o que aconteceu?
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  Rafael distanciou o rosto o suficiente para fita-lo.
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  - Não valeu de nada além de me magoar. E não sabe como me odeio por ter entregado meu coração pra um filho da puta. Não é, Kalisto?
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  Kalisto sabia sobre o que e quem Rafael falava – até porque carregava consigo a prova em seu pescoço no formato de pingente com a letra R.
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  A única prova que denunciava a ida do ruivo em seu apartamento era o pingente, do qual passou a carregar consigo desde então junto com o seu próprio.
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  O motivo? Nem ele tinha a resposta para essa resposta. Por outro lado, não conseguia jogá-lo fora.
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  O rapaz engoliu em seco se afastando para longe dele.
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  Antes de alcançar a porta a voz do ex o parou:
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  - Amanhã aquela boate The Home vai abrir. Ainda tem ingressos à venda e eles são baratos. A inteira está por trinta reais. Por que não chama uns amigos pra irem? Pelo menos assim vai conseguir se distrair e levantar seu ânimo. Eu vou, mas não hesite em me ignorar se preferir. Pode até fingir que não me conhece. Só não deixe de sair pra se distrair. Seu bem-estar é mais importante que a minha presença por lá.
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  Atravessou a porta com as costas eretas ponderando sobre a proposta.
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  Rafael estava em seu refúgio no terreiro, cercado por pessoas com quem não demorou a fazer amizade pelo tempo que frequentava o congá. A brisa balançava as mechas de quem tinha cabelo longo e algumas pessoas dançavam.
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  Ao longe um homem o encarava sério metros à frente. Trajando roupas clássicas da figura do malandro carioca, fumava o observando antes de cantar para ir embora.
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  “Vou descendo o morro dizendo um velho ditado
É melhor andar sozinho do que mal acompanhado
Esse é irmão desse
É um conselho que eu te dou
Não confie em qualquer um
Que qualquer um é falador
O mato tem dois olhos
A parede dois ouvidos
A pior da traição é quando vem de um amigo
Eu vou-me embora pra cidade do além
Vou-me embora dessa casa sem dever nada a ninguém
Eu vou-me embora, mas prometo aqui voltar
Só não volto nessa casa se a dona não deixar”

  Sem perceber, a moça se posicionou ao seu lado fumando.
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  - Demorou hoje, filho. Posso saber por quê? – soltou a fumaça pelas narinas.
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  - Uma pessoa quis tratar de um assunto comigo. Nada de demais.
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  - Assim como está tratando de esconder esse machucado na sua fuça? – soou bem irritada.
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  Inconformado, abaixou a cabeça com um sorriso triste.
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  - Não consigo esconder nada de você, né?
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  - Já era tempo de saber que não. Fez nada a respeito?
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  - Pra que? Não adiantaria de nada. – deu de ombros.
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  - Como não? Da última vez que um perna de calça levantou o braço pra mim, antes de me atingir, peguei uma faca e rasguei o braço de fora a fora. Antes ele ter o braço cortado do que eu com um olho roxo.
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  - Matou ele?!
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  - Não! Só não permiti que me machucasse. Na mesma hora o expulsei da minha casa e queimei todas as roupas do infeliz junto com os pertences. Dei as costas sem pestanejar. Sabe por que?
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  Acenou um não.
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  - Porque amor, meu filho, não bate. Não fere a carne. E principalmente. Eu me amava tanto, mas tanto, que jamais permiti ser destratada por homem nenhum. No dia que você se amar assim, moço, não vai deixar te encostarem pra ferir, não. Pra safadeza, sim. E se não for das boas joga fora também porque ninguém merece ser mal fodido.
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  Riu pela fala desbocada.
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  - Eu não tenho essa força, não. – mexia nas unhas sem fita-la. Carregava vergonha no íntimo pelo ocorrido.
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  - Vai adquirir. Aliás, eu iria resolver esse assunto pra você, mas alguém falou comigo primeiro. Não tirarei o gosto dele, até porque sabe o que faz. Esse traste quem insiste em se manter do lado há de pagar caro pelo o que fez com vocês.
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  - Vocês? – franziu o cenho virando-se para a robusta mulher negra de fartos cabelos crespos.
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  - Não foi só uma pessoa quem ele desgraçou, não, mas isso é história pra outra hora. O que tanto proseou para demorar pra chegar aqui?
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  - Ah, uma pessoa descobriu o que aconteceu. Aí me chamou pra sair numa tentativa de me distrair. Não sei se vou, não.
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  - Só um jumento não aceitaria.
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  - Moça! – ultrajado, virou pra ela.
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  - É verdade! Até porque esse, sim, parece se preocupar contigo, ao contrário do outro que lhe dá bordoada.
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  - O André não foi sempre assim. No começo era muito bom. Passava por várias dificuldades, mas nunca descontou em mim. Pelo contrário. É só uma fase.
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  A entidade gargalhou audivelmente antes de cantarolar.
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  - Sou fingida porque um homem acabou com a minha vida.
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  Deu um trago no cigarro antes de indagar:
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  - Quer que um par de calça acabe com a sua vida?
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  - Não.
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  - Então saiba diferenciar quem gosta de você de verdade pelas ações. Palavra não serve pra merda nenhuma além de iludir. Atitude, sim, é importante. Do contrário, nem a gente poderá te ajudar quando se foder por escolher o filho da puta errado para estar do seu lado. A gente pode ajudar, sim, mas não fazemos milagres.
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  Na noite seguinte estava na boate com um grupo de amigos.
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  Seguiu o conselho de Kalisto, então estava naquele momento num dos pequenos palcos de pole dance na lateral do segundo andar da boate lotada. Dançava de forma bem sensual arriscando alguns movimentos na barra aprendido com uma amiga há alguns anos. Rebolava sem pudor ao ponto de ficar de quatro ali ignorando os olhares lascivos – exceto um em particular.
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  O advogado o observava em meio à multidão encostado na bancada onde pedira uma tequila. A tomava admirando o homem quem usava um colete preto desabotoado com os braços de fora, um short preto colado bem curto e coturno também preto. Esperava se esconder entre as pessoas para não ser descoberto enquanto o encarava desejoso.
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  O viu chegar com um grupo há cerca de uma hora, porém não se aproximou. Optou por manter distância para não contrariá-lo e nem trazer problemas, embora Débora estivesse em sua companhia. Adoraria contar os avanços para amiga, entretanto aquele não era o melhor cenário para a conversa. Portanto, manteve-se no anonimato, apenas acompanhando a vida do rapaz a distância – assim como vinha fazendo nos últimos quatro anos através de páginas fakes nas redes sociais.
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  Quando Rafael se pôs ao seu lado para comprar água com o barman, o moreno virou o rosto. Iria se afastar, porém a voz do ruivo o impediu.
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  - Segui seu conselho. Não pensei que fosse fugir de mim quando eu me aproximasse. – gritou para ser ouvido. De frente para a multidão, apoiou o cotovelo na bancada.
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  - Não estou fugindo. Só achei que não iria me querer por perto.
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  - Pelo amor de Deus. Estamos num local público. Não tem porque me evitar.
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  - De certa forma tenho, sim. Seu namoradinho veio junto e você já teve problemas suficientes antes de ontem. Sabe que a ideia inicial era você vir sem ele, né?
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  - A gente namora. É difícil não me acompanhar pra algum lugar. Não pude evitar.
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  - E onde está esse anjo de candura? – não disfarçou o tom ácido ao se referir a André.
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  - Sabe que o nome dele é André, né? – pela primeira vez se virou para o ex.
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  - E o que o cú tem a ver com as calças?
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  - Por que nunca o chama pelo nome?
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  - Porque é isso o que ele é: seu namoradinho. Eu não gostava dele antes. Não é agora que serei simpático com o filho da puta, principalmente pela forma como te trata.
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  - E isso te interessa? – soava curioso ao invés de contrariado.
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  - Se você me der o nome completo, sim.
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  - Como assim?
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  - Porque se ele te bater de novo será a última vez que seu namoradinho terá mãos.
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  A frase arrancou uma estrondosa gargalhada do ruivo.
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  - Está assistindo muito Game of Thrones.
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  - Khaleesi nunca esteve errada.
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  A água lhe foi entregue. Antes de toma-la, falou num tom leve:
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  - Agora entramos num consenso.
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  Brindaram sorrindo.
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  - Hum. – engoliu o líquido – Perguntando pelo André, ele está ali com aquele cara.
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  Kalisto arregalou os olhos em choque. O homem claramente flertava com um outro enquanto dançavam de forma bem sugestiva. Fitou o ex assombrado, quem apenas se hidratava sem se importar com a cena metros à frente.
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  - Pensei que fosse fiel a você. Não está incomodado?
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  - Estamos numa relação aberta. – coçou o ombro.
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  - Pelo que me lembro não era algo que você curtia. Quando mudou de ideia assim?
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  - Quando aprendi que não se pode ter tudo nessa vida, nem mesmo amor ou fidelidade total.
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  - Chumbo trocado não dói.
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  Antes de Rafael abrir a boca para contestar a frase, Luana o segurou pelo braço lhe chamando a atenção:
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  - Amigo, escuta... – então viu com quem conversava – Ai, que merda! – exclamou numa careta desgostosa – Agora entendi porque o André está possesso.
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  - É um prazer vê-la também, Luana. – ergueu a cerveja para cumprimentá-la.
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  - Se eu dissesse o mesmo, querido, estaria mentindo. – o avaliou de cima abaixo com cara de nojo antes de se dirigir ao ruivo – Escuta, o André está vindo pra cá puto da vida e desconfio que tenha cheirado uma coisinha meio diferente. Não está puro de tudo, não.
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  Mau sinal. Geralmente o namorado se tornava bastante instável quando se drogava e, dependendo do caso, meio agressivo.
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  - Kalisto, por tudo que é mais sagrado, não o provoque e nem o conteste. – pediu Rafael com o cenho franzido quando viu quem vinha atrás do moreno.
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  Num movimento brusco o atual o segurou pelo ombro e virou. A força foi tamanha que o moreno precisou controlar o tronco para não se desequilibrar.
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  - Está tentando voltar com ele, é?
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  Visivelmente o namorado de Rafael estava alterado. Pupilas dilatas, olhar vago, um leve tremor e veias saltando no pescoço confirmava isso.
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  - Não vai adiantar, não, sabe por quê? – o agarrou pela nuca o puxando para si para sussurrar em seu ouvido – Essa cadelinha agora é minha. Você lembra bem de quando nos encontrou naquela noite, né? Adorei ver a sua cara de idiota dentro do carro. Quem ri por último, amigo, ri melhor. E já tem quatro anos que gargalho da sua cara, porque, segundo você eu jamais seria alguém. Agora, olha pra mim. Além de ter o meu dinheiro estou com o seu macho.
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  Em outra ocasião Kalisto com certeza revidaria. Não apenas por trazer dos recônditos da sua mente uma memória especialmente dolorosa, mas também por agredir o ruivo no dia anterior, quem estava ao seu lado numa expressão de medo genuína junto a amiga.
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  Caso não corresse o risco de prejudicar Rafael, sem dúvidas partiria para a agressão física, onde desferiria golpes certeiros no oponente, quem, em desvantagem pelo uso da droga, seria facilmente desfigurado caso não interferissem. Despejaria nele a raiva de Rafael sofrer nas mãos do atual, a frustração pela incapacidade de fazer algo mais significativo para defende-lo e também sentimentos que surgiram graças a ativação da memória citada por André.
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  Por Rafael, não por si. Para não piorar a situação do namorado de André, o advogado reuniu toda a sua força interna e autocontrole para proferir as seguintes palavras:
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  - Está certo. Você é um alguém e eu um merdinha.
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  O homem se afastou batendo no peito com os punhos antes de segurar a mão do namorado e sumir entre a multidão.
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  Com as mãos trêmulas, virou para o barman e pediu:
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  - Eu pago o preço que for, mas me traz qualquer coisa que tiver aí sem álcool e com uma quantidade excessivamente extra de maracujá.
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  - Está estressado hoje, é? – pela primeira vez Luana não se dirigia a ele com raiva, deboche ou desprezo.
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  - Com o namoradinho do seu amigo tem como não se estressar? – virou a cabeça para ela, quem refletia a mesma posição: os cotovelos descansados na bancada do barman e o tronco inclinado para frente.
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  - Impossível. Aliás, queria conversar contigo.
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  - Sobre?
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  - O que me falou no prédio da Débora sobre o André. É verdade?
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  - O Rafael te contou o motivo de não mexer direito a mão quando você chegou?
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  - Disse que bateu em algum lugar.
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  - Eu garanto que a história não foi essa.
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  - Foi qual, então?
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  - Eu queria falar, porém, caso o faça, facilmente Rafael vai discutir comigo. Vou me emputecer, talvez responder uma coisa ou outra com razão, ele vai querer voar no meu pescoço por não ter argumentos para debater comigo e voltaremos à estaca zero, onde mais uma vez pedirei desculpa. Então, acredite, prefiro ficar de fora nessa merda. Ou melhor, é mais sensato da minha parte me manter de fora pra não piorar a situação pro lado do Rafael. Do contrário sairei como o errado depois de espancar o desgraçado. Tudo o que peço é para não deixa-lo sozinho quando o namoradinho estiver por perto. – a encarou de esguelha quando a bebida com polpa extra de maracujá foi colocada na bancada para si – O que ainda está fazendo aqui?
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  - Ah, é.
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  Riu da imagem da mulher correndo para achar os dois quando começou a tomar sua bebida.
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  Débora voltava do banheiro quando, sem querer, esbarrou em um homem quem destoava um pouco dos demais devido ao seu terno.
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  - Ah, desculpa. – afastou os cabelos do rosto.
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  - Perdão. – o forte sotaque italiano era impossível de esconder.
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  - Precisa de ajuda?
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  Não conteve em perguntar já que o desconhecido parecia aborrecido.
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  - Não, obrigado. Só não estou acostumado com essas festas.
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  - Por que veio, então?
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  - Vim com um amigo. – confessou – Terminou o relacionamento há umas semanas e está mal. Aceitei acompanha-lo pra cá e nem gay sou. O Daniel deve estar por aí transando com alguém ou a caminho de um motel.
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  - Que droga. Por que não fica comigo e um grupo de amigos? O Uber está bem caro de qualquer forma.
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  - Aceito. Até porque só vou embora ao amanhecer.
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  - Me acompanha, então. A propósito, sou Débora.
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  - Ricardo.
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  Conhecer a mulher de ar jovial e traços delicados trouxe uma curiosa tranquilidade para o albino de cabelos lisos, assim como o desvelo de querer conhecer mais sobre ela. Portanto, foi de bom grado em sua companhia até encontrar o grupo.
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  Foi muito bem recebido e passou um tempo bastante agradável com eles. Riu, conversou, dançou e se divertiu – sem se afastar do lado de Débora. Os pequenos toques mútuos demonstravam que um tinha essa curiosidade acerca do outro, principalmente por não se afastarem ao sentirem-se confortáveis com aquele contato.
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  Sentiu-se bem com os ali presentes – com exceção de um em particular.
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  Não aprovou a postura de André e de imediato notou que o rosto não lhe era desconhecido. Vasculhava a memória tentando se lembrar onde o havia visto. Demorou um pouco para alcançar seu objetivo, mas só serviu para ter um comportamento mais protetor em relação a Débora. Evitava do homem se aproximar dela, sempre usando do próprio corpo para bloquear a passagem ou evitar de se esbarrarem. Suas lembranças não eram positivas. Na verdade, eram carregadas de um desconfortável incômodo, como se algo lhe avisasse que havia algo de errado apesar de não ter provas para comprovar a sua intuição.
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  Foi um alívio quando André foi embora. Protetoramente descansou as palmas nos ombros da mulher, quem, aprovando a sutileza do gesto, recostou os cabelos no peitoral.
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  Às três e meia da manhã Débora chamou Rafael, quem estava entretido dançando com Victor, Morgana, Nichole e Luana.
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  - Você viu que o Kalisto está aqui? – o albino continuava ao seu lado.
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  - Sim, eu já sabia. – meio alto graças ao efeito do álcool, acabou falando mais do que deveria.
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  - Como assim?
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  - Foi ele quem me aconselhou ontem a chama-los. Eu precisava me distrair hoje.
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  - Algum motivo em especial para isso?
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  - Estou bêbado ao ponto de ser uma boca de sacola, mas ainda não suficiente para revelar meus segredos. – terminava sua cerveja paga por Victor.
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  - Bem, aproveitando que o André já foi, por que não o chamamos para se juntar a nós?
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  - Talvez por motivos óbvios?
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  - Quais?
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  - Coração partido, lembranças, dores e a leve possibilidade de eu terminar aos prantos pela bebedeira, sendo acudido por vocês. Acredite, sou terrível quando o assunto é ex e sentimentos guardados pelo filho da puta.
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  - André não é lá grandes merdas e você o suporta, mesmo ninguém gostando do seu namorado. Por que dessa vez não mantem do seu lado alguém que realmente aparenta gostar de você, só pra variar?
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  - Credo, garota! Falou com a Pomba-Gira, por acaso?! Vaca! – olhou ao redor assustado – Vaca é ela. – apontou para a amiga – A senhora, não. É uma querida maravilhosa. – assegurou para ninguém em particular – Me deixou sem argumentos, Débora. Ok. Vai lá você. Me recuso a fazer esse convite. Ainda tenho um pouco de dignidade intacta apesar de estar bêbado.
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  Kalisto logo se entrosou com o grupo quando foi trazido pela amiga em questão de segundos. Inicialmente contestou achando que não seria uma boa ideia. A mulher, por outro lado, sabia ser bem persuasiva quando necessário – e ela sequer recorreu aos argumentos bem elaborados. O advogado se considerava um imbecil desprovido de um pingo de inteligência ou sensatez quando o assunto era o ex, então Débora precisou de apenas quinze segundos de conversa antes de conduzi-lo até os demais.
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  Se divertiram bastante nas horas seguintes. Com a saída de André e a chegada de Kalisto o ambiente tornou-se mais harmônico, já que um trazia peso pela sua instabilidade e o outro carregava uma postura mais coesa e equilibrada – e foi graças a isso que não tirava os olhos de Rafael.
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  Não revelaria que recorria à bebida para permanecer naquele estranho contexto onde o ex fora incluído – apesar da ideia ter partido do moreno. O álcool bebericado o mantinha alegre e longe de sentimentos ruins como a tristeza. Experimentava uma sensação de animação, liberdade e desinibição. Logo, não demorou para as barreiras da consciência caírem e começar a tratar o advogado como realmente queria – conversava, ria, brincava e até mesmo o provocava dançando. Com as mãos apoiadas no joelho esfregava a bunda num rebolado lascivo em seu quadril. Demorou cinco segundos para sentir o pau endurecer. Não se importou em encaixá-lo perfeitamente para prosseguir com os movimentos explícitos.
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  O ruivo tentava em vão tomar mais álcool. Era sempre impedido pelo ex, quem lhe estendia uma garrafa de água.
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  - Se hidrata que é melhor. – avisava colocando a garrafinha em sua frente.
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  - Eu só aceito porque você não me sacanearia. – sorria antes de toma-la.
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  - Aí, deixa ele beber. Você não é dono do Rafa, não. – reclamou Luana, a única quem não aprovou a presença de Kalisto.
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  - O estou protegendo de si. Da última vez que se embebedou há uns anos conheci um dos meus futuros clientes antes da hora.
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  - Que cliente, cacete?
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  - Mike Doidão.
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  - O Mike! – o ruivo abriu os braços – Tem notícias dele? Muito gente fina.
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  - Finíssima! – ironizou.
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  - Só pelo nome já sei que a história é boa. – a mulher disse – Depois conta isso daí com mais detalhes.
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  Apesar da clara desavença por parte dela, a amiga aprovou a maneira como Kalisto interagia e cuidava de Rafael – jamais o admitiria em voz alta, é claro. Mesmo para ir ao banheiro o acompanhou, o segurando pela cintura ou pelos ombros num gesto carregado de proteção. Todos perceberam isso, principalmente Débora.
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  Em dois momentos distintos Rafael conversava com outros homens com quem flertava. Quando os estranhos tentaram afastar-se com o cantor, de imediato Kalisto interferiu, os impedindo. Retornavam rapidamente segurando o ruivo pelas mãos.
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  - Hey. Deixa o Rafa curtir. – Victor tomava sua cerveja.
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  - Se fosse a Nichole ou a Morgana sendo levadas bêbadas por um desconhecido você iria permitir? – indagou vendo Rafael voltar a dançar com as meninas e Ricardo.
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  - Não.
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  - Por quê?
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  - Porque estariam bêbadas e em vulnerabilidade.
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  - Por que com o seu amigo a lógica seria outra?
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  - Ok, agora te dou razão.
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  - Eu não estou cortando o barato dele. Apenas evitando que se ferre ou faça algo que vá se arrepender amanhã.
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  O encarou por uns segundos antes de indagar:
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  - Se lembra de mim, né? Nos vemos na apresentação da Princess.
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  - Sim.
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  - Naquela noite contou que ela te lembrava alguém do seu passado. Essa pessoa misteriosa seria o Rafa?
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  Se calou por quase sessenta segundos completos enquanto o outro aguardava a resposta pacientemente. Por fim, deu um meio sorriso e um peteleco de leve na garrafinha de vidro.
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  - Por que não termina sua bebida antes dela esquentar?
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  Se juntou a Débora e Ricardo deixando Victor rindo, já que o questionamento foi uma clara resposta.
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  Às seis e cinquenta da manhã estavam acomodados numa das mesas do bar do outro lado da calçada da boate. Improvisaram um café da manhã comprando alguns itens numa padaria grande da esquina. Pelo estabelecimento estar fechado, juntaram as mesas para poderem comer. Havia bolo, pães, mortadela, queijo, manteiga, café, chocolate quente, biscoitos, pudim e salgadinhos variados.
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  - Kalisto, conta aí essa história que comentou comigo lá dentro. – pediu Luana antes de colocar um pedaço de bolo de chocolate na boca.
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  - Então... Foi basicamente o dia quando conheci o Mike Doidão por causa do Rafael aqui. – apontou para o outro com o queixo.
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  - Ah, o Mike! – o ruivo, quem, acomodado numa cadeira ao lado do ex, cochilava com a testa apoiada na mesa, subitamente levantou a cabeça ao ouvir o nome – Sabe se ele ainda vai dar alguma festa como aquela?
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  - Acredite, ele ainda faz essas festas.
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  - Pede pra te avisar quando tiver a próxima pra irmos.
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  - Ah, não. – balançava a mão freneticamente – A gente não vai de novo em nenhuma das festas dele, não. – o tom de desespero arrancou risadas audíveis dos outros.
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  - Amigo, explica isso daí logo. – pediu Débora tomando chocolate.
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  - A história é a seguinte. Uma vez fui numa balada como a de hoje com esse pingo de gente...
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  - Meu me-ni-no. – corrigiu-o com o dedo erguido separando a palavra em sílabas – Fala direito. Só você pode me chamar assim e adoro quando pronuncia essas palavras com tanto carinho.
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  Os amigos se entreolharam devido a frase pela intimidade que demonstravam.
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  - Ok, meu menino. Satisfeito? – o fitou.
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  - Bastante. – passava manteiga no pão com uma colher de plástico – Pode continuar.
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  - Lá na balada me afastei só pra ir ao banheiro. Quando voltei esse menino já tinha tomado de um tudo e estava acompanhando um cara pra sair da balada. Perguntei pra onde iriam e falou que iria com aquele doido pra uma outra festa. Tentei convence-lo a não fazer isso e nada de mudar de ideia. Resultado? A festa era na porra de uma favela.
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  - Pensem numa festa do caralho. – o ruivo mordeu o pão – Dancei pra porra.
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  - E você foi? – indagou Ricardo segurando o riso.
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  - Tive que ir! Como ia deixa-lo sozinho? – apontou para o ex.
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  - E o que rolou por lá? – Nichole cortava um pedaço do queijo.
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  - Conhecemos previamente um cliente meu chamado Mike Doidão da Favela. – Morgana quase cuspiu o chocolate quente de tanto rir – Naquela noite o amigo de vocês virou um grande amigo dos traficantes.
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  - Pêra lá! Traficantes, não. – protestou o ruivo – Eu não me associo com bandido.
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  - Os malucos estavam com fuzil!
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  - Ah, é. Mas foi só aquela vez. E eram muito gente boa. – defendeu-se – Quem iria imaginar que foram pro mau caminho?
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  - Pra melhorar trocou ideia com uma galinha e quase fez ménage com duas garotas.
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  - Mas o Rafa é gay, gente! – Morgana ria de ficar vermelha.
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  - Ele achou que fossem dois homens.
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  - Só fui perceber quando elas abriram as calças e vi buceta ao invés de pau. – explicou o rapaz colocando a perna sobre a coxa do advogado, quem pousou a mão para acariciar com afeto.
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  - Tem coisa errada aí. Bebida é capaz de tirar a inibição da pessoa. Não conheço caso onde faz alucinar. – Nichole avisou confusa.
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  - É porque depois de uma hora que chegamos ele sumiu. Quando o encontrei estava sentado numa escada com um dos traficantes. Os dois conversavam com uma GALINHA!
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  - Ah, a penosa. – Rafael falava com certo saudosismo – Ela me entendeu perfeitamente. Não era uma galinha cis. Era trans. Por isso entendeu direitinho o meu problema com o meu pai.
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  - Como é? – Débora erguia os braços acima da cabeça para melhorar do engasgo.
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  - Deb, desista de entender. – Kalisto ria – Eu cheguei num ponto naquela noite onde só aceitava e era vida que seguia. Adivinhem porque chegou ao ponto de chorar abraçado com uma galinha enquanto desabafava com ela.
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  - Ah, não. – Luana arregalou os olhos com a suspeita – Não é o que estou pensando, é?
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  - Caso esteja se referindo a brownie de maconha, então está certa. – confessou o moreno.
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  - Eu estava com fome. – Rafael encostou a cabeça no ombro do ex achando a posição confortável. Fechou os olhos ao receber um afago nos cabeça.
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  - E quem te deu o brownie com maconha? – Ricardo terminava de comer um bolo
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  - A boa alma que foi aquele menino quem conversou com a Cremilda comigo porque comentei que estava com fome. – contou completamente relaxado. Puxou o ar para sentir o perfume amadeirado do moreno.
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  - Cremilda? – Victor murmurou – Quem é essa?
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  - A penosa. – esclareceu Kalisto.
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  - E onde o ménage entra nisso? – quis saber o amigo.
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  - Foi depois de me oferecerem a danadita. – explicou pronunciando a última palavra com sotaque latino
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  - Danadita? – Nichole colocava mortadela no pão.
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  - Maconha. Achei que as garotas fossem o Kalisto. – contou Rafael sem sair da posição com voz sonolenta – Quando vi dois Kalistos pensei que tivesse ganhado na loteria. Se transar só com um é bom, imagina como seria com dois? Está maluco. Fode bem pra porra.
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  Todos caíram em estrondosas gargalhadas quando viram uma senhorinha quem passava se benzer por ouvir a frase e caminhar mais rápido com a bengala.
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  Aproveitando o momento de descontração, Kalisto roçou os lábios nas ondas macias e lhe sussurrou no ouvido:
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  - Vamos, querido. Come alguma coisa.
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  - É que estou com sono. – se aconchegou ainda mais nele pondo o braço na sua cintura.
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  - Eu sei, mas não se alimenta há horas. Come primeiro.
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  Num suspiro Rafael abriu os olhos sentindo as pálpebras pesarem devido ao cansaço. Acariciou a barba rala com a ponta dos dedos antes de murmurar o fitando com ar de meiguice:
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  - Você continua bonzinho comigo. Senti saudade disso.
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  - Eu sei.
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  Beijou a bochecha de Rafael com ternura antes do rapaz se esforçar para sentar-se ereto e terminar seu café da manhã. O rapaz não bebera tanto para ter enjoos quando despertasse. No máximo dor de cabeça e foi graças a isso o incentivo do outro para ingerir algum alimento.
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  O cuidado de Kalisto com Rafael não passou desapercebido pelos ali presentes. Era implícito como ambos funcionavam em sintonia e interagiam bem. O moreno não se afastava do toque de Rafael, quem estava completamente relaxado e confortável com o outro. Além disso, o advogado, em atitudes tão naturais quanto respirar, de vez em quando o beijava carinhosamente nos ombros, o rosto ou na mão, afagava as mechas ruivas, roçava o nariz na pele firme ou o acarinhava de alguma maneira.
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  Ao terminarem de comer, cada um juntou suas coisas para ir embora. Combinou com Victor que iria com Rafael, quem seria deixado primeiro em casa por causa da embriaguez.
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  Antes de chamarem o Uber, o advogado foi até a padaria com a amiga, onde comprou uns pães de sal, pães de queijo, mortadela, um bolo de chocolate e outro de banana.
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  - Se o Rafael perguntar, conte que foi ele quem comprou. – lhe entregou as sacolas.
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  - E se ele não tiver dinheiro pra isso?
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  - Fala, então, que foi você. Só me deixa de fora disso.
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  Era óbvio que decidira fazer aquelas compras por um impulso. Transferia o peso de uma perna para outra e com uma postura incerta. Sabia que não deveria cruzar a linha com Rafael, que o que ambos tiveram morreu no passado sem a possibilidade de retorno. Porém, haviam sentimentos ali. Sentimentos os quais achou estarem cuidadosamente adormecidos até reencontrar com o ex e eles emergirem a superfície ao ponto de quase transbordarem. Entretanto, como resultado de uma série de infelizes circunstâncias, porque jamais negaria auxílio ao ruivo, estava aos poucos voltando a ter contato com quem prometeu a si não voltar a contatar.
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  Após um momento o encarando numa expressão passível, perguntou com a voz suave:
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  - Por que insiste em esconder que ainda... – não completou a frase.
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  - O amo?
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  - Sim. Por quê?
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  - Não é tudo que ele precisa saber. Não vai adiantar em nada.
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  Débora sabia o quanto Rafael precisava de apoio – principalmente do seu amigo. A dificuldade financeira, as tragédias e os problemas emocionais consequentes eram sinais do quanto o rapaz necessitava desse amor que Kalisto ainda carregava e com certeza traria certo alívio pela carga do que vinha acontecendo.
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  Quando o conheceu Micaela estava internada, então o viu ter crises de ansiedade, desistir da faculdade, desistir da dança e apenas se preocupar em arranjar um emprego para arcar com os gastos da casa sem existir uma válvula de escape para o peso que carregava sozinho nas costas se esvair. Viu quando passou um mês longe das redes sociais porque, devido ao estresse, abrira ferida no rosto. O viu ter crises de ansiedade longe da família e até escondido para não preocupar a mãe. O viu ir para o hospital por não conseguir dormir direito durante trinta dias de tanto tossir por desenvolver sinusite por questões emocionais.
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  Quando o conheceu viu o seu brilho interno completamente apagado, principalmente ao lado de André, quem tratava de subjuga-lo.
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  A melhora era. O bastante para terminar o relacionamento? Não. O bastante para conseguir se divertir um pouco, parar de adoecer por causa do nervosismo, se impor e dormir com mais tranquilidade? Sim.
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  Deu um sorriso triste e afagou o ombro do amigo.
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  - Esteve longe por muito tempo, amigo.
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  - Amigo, espera.
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  Débora o gritou correndo para alcança-lo antes de entrar no carro.
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  - Esqueceu suas compras. – o entregou as sacolas.
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  - Isso né meu, não. Não comprei nada agora de manhã.
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  A porta traseira estava aberta. Victor, Nichole, Morgana e o motorista apenas o aguardavam para irem.
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  - Leva pra você.
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  - Por quê?
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  - É presente de uma pessoa quem gosta muito de ti.
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  - Valeu, aí! Agradeça a essa boa alma por mim.
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  O viu entrar no carro e ir embora.
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  Ricardo, antes de aguardar Débora ir embora, certificou-se de pedir o número de telefone dela, quem prontamente lhe passou.
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  A irmã de Rafael era tão noturna quanto ele. Portanto, aos finais de semana, costumava virar a noite acordada sem grandes dificuldades. Por outro lado, Micaela acordava bastante cedo, geralmente antes das oito da manhã.
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  Então, enquanto uma ia se descansar às sete e meia, a mãe estava começando a coar o café.
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  E foi por causa disso que ambas o encontraram passando pela porta de casa.
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  - Bom dia! – as cumprimentou zonzo.
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  - A noite foi boa? – de camisola, a irmã implicou o acompanhando.
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  - Uma das melhores da minha vida. – a fala era meio embolada.
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  Sentou na mesa da cozinha e a mãe logo tratou de separar remédio para a dor de cabeça numa caixa sobre a geladeira.
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  - Que sacolas são essas? – quis saber a mais velha encontrando o remédio correto antes de colocar a caixa de volta ao lugar.
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  - Sacolas? – murmurou com os olhos semicerrados as buscando na mesa – Não tem nenhuma aqui, não.
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  - Na sua mão, Rafa. – avisou Mia.
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  Ao erguer o braço, exclamou por ver as sacolas com os alimentos.
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  - Ah, é! Uma boa alma caridosa comprou isso pro nosso café da manhã. – as colocou na mesa.
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  - É muita coisa, filho! – Micaela logo tratou de retirar a comida delas e depositá-las na mesa – Quem comprou isso?
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  - Já falei. Uma alma caridosa. Sei não. – respondeu fazendo um biquinho. Em seguida deitou a cabeça na madeira.
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  - Ok. Vamos começar pelo método mais fácil. Quem estava por lá? – a garota sentou na cadeira em frente de pernas cruzadas.
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  - Lua. Victor. Nichole. Morgana. Débora. André.
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  - Esse daí que não comprou. – recebeu um tapa na nuca da mãe – Ai! Sabe que ele não compraria nada pra gente.
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  - Ricardo.
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  - Quem é esse? – Micaela jamais ouvira o nome.
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  - Conhecido da Deb. Tem um sotaque sulista. – apoiou o queixo na mesa de olhos fechados.
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  - Que Deb? – Mia começava a ficar perdida com as informações.
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  - A Débora. É que um amigo dela chegou antes da gente. Aí o filho da puta o chama assim por serem amigos de infância. Pro meu azar, é claro.
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  - E seria pro seu azar porque... – a mãe o incentivou.
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  - É ninguém mais, ninguém menos que o Kalisto. Aquele desgraçado conseguiu ficar mais gostoso depois desse tempo. Isso é injusto. Meu pobre coraçãozinho sofrido não vai aguentar por muito mais tempo.
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  - O Kalisto estava lá? Se falaram?
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  As duas compartilhavam de um sorriso largo.
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  - Sim e sim. Até contou porque prometeu não me deixar beber além da conta.
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  - E seria por qual motivo?
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  Sem conseguir focar o olhar levantou a cabeça minimamente, gesticulando e apontando pra elas:
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  - Estão espertinhas demais pro meu gosto. As melhores histórias são as que não devemos contar pra família. Por sorte não estou bêbado ao ponto de contar como conversei com uma galinha e vi chuva de M&M, então, se me derem licença, preciso tomar um banho pra dormir.
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  Quando já estava devidamente longe, Mia sussurrou:
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  - Maconha.
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  - Entendeu alguma coisa dessa conversa além de descobrir facilmente o motivo das alucinações do seu irmão por causa do M&M? – a frase soava bizarra até pra ela, quem despejava café numa xícara.
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  - Nada. Será que ele voltou a ter contato com o Kalisto?
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  - É uma suspeita. – bebericou o líquido – Existe a possibilidade porque o Kalisto está trabalhando na faculdade do seu irmão.
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  - Será que teremos Kafael de volta? – soou esperançosa.
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  Longe dos ouvidos do irmão e do pai, era assim que as duas costumava chama-los.
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  - Eu não faço ideia.
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  - Eu torço pra que sim. O André não é legal, não. O cara não compra nem um picolé pra mim. O Kalisto chegava aqui sempre com algum lanche e, quando o Rafa passava os finais de semana na casa dele, vinha com uns potinhos com algo preparado por eles.
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  - Menina, mas você é estelionatária. – Micaela ria.
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  - Sou o anjinho de candura quem você ama.
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  Foi dar um beijo estalado na bochecha da mãe para se descansar.
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Capítulo 6
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