Chame por Cigana


Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 40 minutos

  Rafael chegou em casa chateado. Não permitiu que as lágrimas escorressem pelas palavras escutadas. Já chorou até demais pelo homem no decorrer daqueles anos. Era questão de amor próprio não desperdiçar seu tempo com melancolia e nem lembranças de um passado infrutífero que de nada lhe serviu além de alimenta-lo de ilusões.
0
Comente!x

  Ignorou as mensagens enviadas pelo moreno – se surpreendeu que o ex ainda tinha seu número de telefone. Supunha ter excluído seu contato – ou, no mínimo, vasculhou a Internet até encontrar uma maneira de contatá-lo. Na quinta ligação e na décima mensagem ignoradas o bloqueou na rede social – não sem antes admirar a foto de perfil, onde estava de sem camisa observando o pôr do Sol na varanda do apartamento.
0
Comente!x

  Aproveitou a companhia da irmã e da mãe durante a tarde sábado. Apesar do cansaço corporal e da lentidão para elaborar pensamentos devido a permanecer mais de 24 horas sem dormir, preparou um pavê de abacaxi para o dia seguinte, já que Débora convidou alguns amigos para uma resenha em sua casa, num prédio de cinco andares.
0
Comente!x

  Passou a tarde assistindo animações como Irmão Urso, Viva, a Vida é uma Festa, A Bela e a Fera, Pocahontas e O Rei Leão com a até a noite, o que lhe ajudou a sentir-se melhor depois dos últimos acontecimentos.
0
Comente!x

  Assim que acordou após dormir por dez horas, se apressou para se arrumar, pois André o buscaria dentro de uma hora e meia para irem junto com Luana, amiga de Débora e Rafael.
0
Comente!x

  Quando chegaram se encontraram e conversaram com os demais. Todos se conheciam e interagiam como os colegas que eram.
0
Comente!x

  Como era de se esperar, André dissimulou bem quem realmente era na presença dos convidados de Débora. Seu sorriso fácil, a beleza padrão e a simpatia escondiam sua personalidade ao ponto de Rafael testemunhar a mudança de comportamento a caminho da casa da amiga para busca-la. A sós, o namorado aproveitava para soltar uma crítica ou outra acerca do outro disfarçada de piada, quem começava a desanimar durante a viagem. Por sorte a mulher era uma tagarela, cheia de piadas e histórias carregadas de humor, então ergueu o ânimo dele sem notar.
0
Comente!x

  Conversava com Luana quando o último convidado adentrou. Quando a amiga viu quem era quase cuspiu a caipirinha. Exalando preocupação e choque falou após vasculhar o ambiente para certificando-se que André ainda estava no banheiro:
0
Comente!x

  - Amigo, a gente pode ir embora se quiser, tá?
0
Comente!x

  - Ué, menina. – terminava de tomar sua latinha de cerveja segurando o riso pela expressão feminina – Qual o problema?
0
Comente!x

  - Não vai acreditar quem chegou.
0
Comente!x

  - Quem? – por estar de costas para a porta não viu a cena.
0
Comente!x

  - Kalisto, aquele seu ex.
0
Comente!x

  - É piada isso, né? – as feições foram tomadas por total desespero – Por favor, me fala que é uma brincadeira sua.
0
Comente!x

  - Eu lá vou brincar com uma merda dessa, Smurfette? – ralhou.
0
Comente!x

  Num pesado suspiro avisou:
0
Comente!x

  - Amiga, eu aguento. Acho. – engoliu em seco – Até porque não é a primeira vez que me deparo com ele.
0
Comente!x

  - Oi? – ergueu as sobrancelhas.
0
Comente!x

  - O cara é meu professor. – sussurrou entredentes.
0
Comente!x

  - Puta merda! – xingou alto o bastante para outras pessoas a encararem – Como isso é possível?
0
Comente!x

  - Juro explicar pra te colocar a par da situação, mas não agora por causa do André. Escuta, vou precisar da sua ajuda. Promete, por favor, que não vai sair do meu lado. Caso eu segure a sua mão e a aperte encare como o sinal claro para irmos embora.
0
Comente!x

  - Relaxa. Não vou deixa-lo. Não vou ser a única ao seu lado, não. O André também não vai desgrudar. – a última frase saiu com um ponta de irritação – Infelizmente.
0
Comente!x

  E assim a mulher realmente fez.
0
Comente!x

  Kalisto não esperava encontrar Rafael. Na verdade, nem imaginava que Débora e ele fossem amigos.
0
Comente!x

  Era amigo de infância da mulher. Apesar das personalidades serem completamente opostas, mantiveram uma boa relação no decorrer dos anos. Ele era lógico e racional, desde a fase de escola. Pisciana nata, Débora era voltada para questões mais etéreas. Tinha sua cartomante de confiança, entendia de signos, tinha uma capacidade de intuição admirável e não era difícil ler uma pessoa em minúcias. Além de, é claro, descobrir uma informação ou outra relevantes em sonho, sendo confirmado num período de semanas.Foi ela quem esteve ao lado do advogado para enfrentar a família paterna quando assumiu-se gay, já que seus parentes eram evangélicos ou católicos.
0
Comente!x

  Kalisto tinha redes sociais, mas era completamente low profile. Não postava nada acerca de sua vida íntima, nem de Rafael. Não queria mantê-lo escondido, entretanto, reconhecia como seus familiares paternos podiam ser cruéis. Não permitiria jamais que o rapaz sofresse algum ataque, independentemente da gravidade. Até porque o relacionamento deles era pra ser leve e agradável, não o oposto.
0
Comente!x

  Portanto, foi uma surpresa se deparar com aquele seu menino, quem estava acompanhado por Luana e André.
0
Comente!x

  O três demonstraram o descontentamento pela sua chegada. Rafael o ignorava ao ponto de sequer olha-lo. André o encarava zangado e marcava território sem se afastar de Rafael. Luana usava de deboche e, quando passou por ele uma vez a caminho para o banheiro, sussurrou:
0
Comente!x

  - O dia tinha tudo para ser bom. Pena que a chegada de uns e outros estragou isso.
0
Comente!x

  A adulta de vinte e cinco anos não sabia o que aconteceu entre eles. Por outro lado, para afetar ao amigo após quatro anos, considerava ser grave.
0
Comente!x

  Kalisto se enturmou com as pessoas rapidamente. Já conversava com vários dos convidados, então não era como se fosse um estranho. Com sua regata vermelha, calça branca e tênis da mesma cor era uma figura agradável na visão dos outros.
0
Comente!x

  Tentou aproximar-se de Rafael algumas vezes sem sucesso. Ou o rapaz se distanciava quando percebia a intenção ou era puxado pela amiga em outra direção. Frustrado não teve outra alternativa além de posicionar-se no ambiente de maneira a ficar de frente para o ex ao conversar com os convidados. Aproveitou para observar mais atentamente o comportamento de André com o menor. O homem não fez nada de errado, pelo menos à primeira vista. Era cordial e respeitoso – exceto por um único instante.
0
Comente!x

  As pessoas estavam ocupadas ou distraídas, então não viram nada. Rafael argumentava algo com o namorado sem chegar a uma conclusão num canto discreto da varanda. Quando ia se afastar o atual segurou a pequena mão a esmagando com a sua e o puxou com brutalidade para retornar ao seu lado. Inclinou para sussurrar no ouvido sem soltá-lo. Usou de força excessiva, aumentando o aperto até a ponta dos dedos do ruivo avermelharem. Era notório como se esforçava para não demonstrar a dor.
0
Comente!x

  - Está tudo bem? – Débora indagou ao ver como o semblante do advogado foi tomado pela ira.
0
Comente!x

  - Sim. Não é nada.
0
Comente!x

  Queria e podia interferir, porém não deveria. Além de provavelmente causar problemas futuros, Rafael não iria gostar da intromissão, além da possibilidade de sair como o errado da história ou de se formar um mal-entendido. Por isso foi para a cozinha à procura de Luana. A encontrou separando salgadinhos em um copo de plástico e pavê de abacaxi em um pratinho.
0
Comente!x

  - O Rafael está te procurando. – anunciou próximo a ela.
0
Comente!x

  - Avisa que já estou indo. – distraída comia um pastel.
0
Comente!x

  - Você não está entendendo. – a contornou parando em sua frente com voz séria – Ou você vai até seu amigo agora ou em meio minuto alguém sairá desfigurado numa maca.
0
Comente!x

  Não conseguiu identificar o que havia de errado para soar tão agressivo. A frase não foi proferida como se fosse direcionada a ela. Fora o término Rafael não reclamava nada em relação ao ex e nem relatou situações abusivas.
0
Comente!x

  - Se eu me intrometer vai dar merda. Anda, garota. Agora!
0
Comente!x

  Como era de se imaginar, imediatamente a mulher se juntou ao casal e, sem ter a consciência, impediu que o amigo sofresse maiores agressões.
0
Comente!x

  As palavras de Kalisto reforçaram a hipótese de que havia algo de errado com o ruivo. Assim como outros amigos de Rafael, Luana não gostava do namorado dele. Apenas o suportavam por não haver outra alternativa. Não lhes agradava pelo fato de haver certo nível de hostilidade, como se não hesitasse em usar da força física para subjuga-lo com o intuito de alcançar seus objetivos, fossem quais fossem. Em sua concepção, o moreno teve a mesma leitura do relacionamento dos dois e provavelmente presenciara algo. Afinal, não lhe transmitiria a mensagem à toa.
0
Comente!x

  Com o olhar mais atento acerca da conduta do rapaz, percebeu que ele não usava a mão esquerda e tentava mantê-la sempre baixa – algo, no mínimo, estranho, pois naturalmente gesticulava bastante para se expressar.
0
Comente!x

  Desconfiada, lhe enviou uma mensagem pelo celular:
0
Comente!x

  - Qual o problema com a sua mão?
0
Comente!x

  A resposta veio rapidamente.
0
Comente!x

  - Nada, não. Só a bati aqui no parapeito. Aí está meio dolorida.
0
Comente!x

  Notou o quanto Kalisto acompanhou André com o olhar quando se afastou para buscar água. As narinas infladas, as pálpebras arregaladas e semicerradas e a postura rígida eram sinais claros que algo no namorado de Rafael o incomodava. Tinha plena certeza que se controlava para não avançar contra André tamanha a raiva – e isso apenas salientava a ideia de que talvez tenha presenciado uma cena, no mínimo, bem descortês e desagradável.
0
Comente!x

  Às quatro e meia da tarde André foi embora sozinho por, segundo o próprio, ter compromissos que exigiam sua atenção. O namorado aprendeu da pior maneira que não era para lhe questionar algumas coisas, então aceitou a saída com um voluptuoso beijo bem em frente a Kalisto, quem achou o momento bem propício para encarar o chão.
0
Comente!x

  Minutos antes da retirada de André teve a visão de Débora passando com uns incensos pelo apartamento em cada cômodo, principalmente na varanda onde o trio estava. Durante o processo cantarolava uma canção onde a letra dizia “quem for bom bota pra dentro e quem não for deixa lá fora”. Não demorou para o namorado do amigo passar pela porta para não retornar nunca mais.
0
Comente!x

  Assim que o Uber estava chegando e André se retirou, Rafael correu para o banheiro. Trancado lá retirou do bolso da calça verde um par de brincos discretos, lápis preto, rímel, delineador e o gloss. Poderia levar sua maquiagem numa das bolsas, porém não queria discussão. O outro não gostava quando usava produtos considerados femininos pela sociedade, então, quando saíam juntos, carregava a maquiagem nos bolsos por precaução para caso o namorado ir embora mais cedo caso surgisse a oportunidade de se embelezar – e aquele era o caso.
0
Comente!x

  Enquanto se maquiava ouviu os primeiros trechos de Thinking of You da Katy Perry. Amaldiçoou quem teve a brilhante ideia de escolher uma música cuja letra era sobre manter-se num relacionamento com a segunda opção enquanto continuava completamente apaixonado pelo ex, quem era o exemplo de homem ideal para se ter um namoro – não apenas pela forma como o anterior tratava a pessoa, mas também pelo intenso amor mútuo que os unia.
0
Comente!x

  - Pra que colocar um troço triste da porra como esse justamente hoje? – resmungou finalizando o gloss.
0
Comente!x

  Deu uma risada irônica de como as coisas estavam acontecendo. Lembrou da previsão da moça ao realizar a quiromancia. Torcia para que ela não estivesse se referindo a Kalisto, principalmente porque não era de seu desejo reencontra-lo – e, para a sua infelicidade, não era isso o que estava ocorrendo há cerca de um mês.
0
Comente!x

  Saindo de lá cantou em voz alta a música, dando o dedo do meio com os braços erguidos:
0
Comente!x

  - Não sei quem foi o filho da puta quem escolheu essa porra para tocar, mas aqui está o meu agradecimento. 'Cause when I'm with him I am thinking of you.
0
Comente!x

  Parou ao lado de Luana incapaz de controlar suas emoções. Os últimos acontecimentos mexeram em demasia consigo, então tudo o que queria naquele momento era ir pra casa e não precisar ver o rosto de Kalisto pela visão periférica. Até pensou em segurar a mão da amiga e apertá-la, porém a mulher foi mais rápida.
0
Comente!x

  O notando cabisbaixo, começou a cantar a música de uma maneira extremamente cômica. Fazia caretas exageradas, tornando a interpretação da letra dramática em algo hilário pelas suas ações. Pegou uma rosa branca artificial na mesa ao lado e puxou o cantor para seus braços simulando um tango desajeitado. No trecho “you’re like an Indian summer in the middle os winter like a hard candy with a surprise center” retirou o caule da boca fazendo com a mão gestos que, em sua concepção, traduziam o significado da letra. Ao final do trecho orgulhou-se de lhe arrancar uma risada genuína pela encenação lembrar utilizando um boquete com a mão e a língua.
0
Comente!x

  O vendo alegrando-se novamente continuou a brincadeira até que, em função disso, se juntou a ela. Por fim, ambos encenavam como se fossem duas pessoas apaixonadas, colocando as destras sobre o coração teatralmente, as usando para tampar a boca, dentre outros dos mais diversos gestos possíveis, exagerando bastante na expressão facial e corporal. Em alguns momentos não aguentavam e começavam a rir das palhaçadas, tornando o ar de ambos carregado de companheirismo e cumplicidade, principalmente quando a amiga improvisou e usou a rosa branca como se fosse um microfone.
0
Comente!x

  Quando chegou ao trecho “now, now the lesson's learned I touched it, I was burned” o ruivo não teve vergonha alguma ao cantá-lo encarando Kalisto, quem, parado atrás de Luana, o observava impassível à parte do conteúdo da conversa de quem o cercava por não desviar a atenção do objeto de sua ansiedade e infortúnios, onde, por detrás do sofrimento, escondia o amor. Voltou para a amiga, quem desafinava tentando controlar o riso.
0
Comente!x

  Por fim, terminaram abraçados e com as gargantas doendo.
0
Comente!x

  - Obrigado. De verdade! – murmurou ainda envolvido pelos braços femininos.
0
Comente!x

  - Pode contar comigo sempre, minha Smurfette. – beijou a bochecha o erguendo momentaneamente do chão.
0
Comente!x

  Rafael foi para a cozinha em seguida para lanchar rapidamente. Comia alguns salgadinhos bebericando o refrigerante num copo de plástico enquanto mexia no celular distraído enviando uma mensagem. Uma voz o mostrou que não estava sozinho.
0
Comente!x

  - Já passou da hora de conversarmos, não acha?
0
Comente!x

  Detestou o fato de os fones de ouvido estarem em casa.
0
Comente!x

  Kalisto Descobriu que não seria tão fácil falar com o outro quando o rapaz não se moveu um centímetro se quer, agindo como se ele não estivesse ali.
0
Comente!x

  - Alô. Estou falando contigo. – o pressionou.
0
Comente!x

  Não obteve nenhum êxito além de irrita-lo ao ponto de as narinas inflarem e lutar contra a vontade de tacar uma faca nele.
0
Comente!x

  - É sério que vai continuar nessa postural infantil?
0
Comente!x

  O ruivo apenas separou um pouco do pavê num prato de plástico e se encaminhou para a saída da cozinha, mas foi impedido. Kalisto estendeu o braço ao lado para bloquear a passagem, o antebraço envolvendo a cintura do outro.
0
Comente!x

  - Por que não respondeu minhas mensagens? Rafael, eu não vou chegar perto de você, não vou tocá-lo e nem fazer nada contigo que não aprove. Apenas quero conversar, como antes. A minha companhia foi tão ruim assim quando esteve na minha casa pela última vez? Juro, não farei nada condenável. Apenas preciso dialogar. Mais nada.
0
Comente!x

  Havia certa súplica na voz difícil de ignorar.
0
Comente!x

  Os segundos se passaram e o ar entre eles tornou-se denso. A vontade de Rafael era de deixar-se levar pelo impulso de agredi-lo, mas tinha plena consciência de que isso não resolveria nada – pelo menos na situação deles. As coisas precisavam ser expressas por meio de palavras, não ações. Por outro lado, seria necessário deixar-se ser guiado pelas emoções, abrindo-se para permitir-se ser acessado pelo homem quem lhe destruíra o coração. Era por esse motivo que não consentiria jamais em dialogar sobre o tema. Da última vez que se abrira para Kalisto, quem era de sua confiança na época quando estavam juntos, foi de longe o pior erro já cometido por colocar-se numa posição de vulnerabilidade. Enquanto não há nada de errado no relacionamento, não há problema. O obstáculo era quando poderia ser ferido emocionalmente – e esse foi o caso. E não voltaria a cometer tal erro.
0
Comente!x

  Em virtude dos sentimentos reprimidos a remota ideia do mais novo ter uma concepção ruim sobre si o constrangia. Logo, ansiava por resolver o mal-entendido – esse em particular, não o anterior, que era crucial e de extrema relevância.
0
Comente!x

  - Por favor, querido. – o advogado sussurrou movimentando os dedos contra a pele firme.
0
Comente!x

  A sutil carícia com os dedos na lateral da fina cintura foi capaz de fazê-lo erguer os ombros e perpassar a sombra de algo similar a martírio pela doce face que logo se dissipou, tornando-se novamente fria.
0
Comente!x

  Não gostou do presunçoso sorriso dado por Rafael em seguida, quem ainda não o fitava olhando para frente e longe de suas íris escuras.
0
Comente!x

  - Sabe o engraçado? É a primeira vez que nos encontramos após esses anos e em questão de semanas errou comigo ao ponto de precisar se desculpar, no mínimo, duas vezes. Isso sem mencionar quando tentou me insultar quando estávamos no banheiro e aquele diálogo maravilhoso ao fim da sua aula. Sabe qual o problema disso? No decorrer do tempo desculpas costumam não valer de nada por tornarem-se corriqueiras e vazias.
0
Comente!x

  Pela primeira vez o encarou. Não havia expressão em seu rosto impassível com o queixo erguido. Era notável como as palavras o atingiram, até porque o leve afago cessou.
0
Comente!x

  - Simplesmente não tenho nada a tratar contigo. – finalizou ríspido – Agora, faça o favor de soltar.
0
Comente!x

  Franziu o cenho desaprovando a resposta.
0
Comente!x

  Num sussurro carregado de ar o avisou aproximando bem os rostos:
0
Comente!x

  - Eu não estou te segurando. Apenas bloqueando a sua passagem. Você sai daqui quando bem entender.
0
Comente!x

  Com a resposta, empurrou rudemente o braço para passar.
0
Comente!x

  Ao cair da noite o grupo começou a jogar “eu nunca”. Foi um momento divertido, carregado de risos leves e histórias picantes das mais diversas. Teoricamente era para o humor de Rafael estar melhor, entretanto não era o caso.
0
Comente!x

  Lucas explicitamente flertava com Kalisto. O ruivo perdera a conta de quantas vezes o viu passar a mão em seu peito ou descansa-la em seu ombro numa intimidade até então inexistente. O advogado não se esquivava das investidas, mas também não as incentivava. Mantinha uma postura neutra apenas por teimosia, já que Rafael não baixava a guarda para dialogarem e lhe dar espaço para explicar o que aconteceu na madrugada de sábado – exceto a parte de quando estavam deitados no sofá, é claro.
0
Comente!x

  O rapaz concluiu que o ex não se importava consigo. Caso tivesse o menor respeito ou consideração jamais deixaria Lucas esfregar-se em si, independente de conhecer os sentimentos alheios ou não. Afinal, coração é terra onde ninguém pisa. Era impossível ter a plena certeza de se ainda o amava ou não – e apenas a possibilidade de feri-lo deveria ser capaz de impedir Kalisto dar prosseguimento ao flerte descarado.
0
Comente!x

  Quando chegou sua vez, para alfinetá-lo, Rafael disse, ouvindo os primeiros acordes da música Estranho Jeito de Amar:
0
Comente!x

  - Eu nunca fiz ciúme para um ex.
0
Comente!x

  A maioria bebeu a sua respectiva bebida, inclusive Kalisto.
0
Comente!x

  Para o moreno era óbvio como André era o parceiro incorreto para Rafael. Era visível o quanto o rapaz ficava tenso na presença do atual. Assim que o outro foi embora, passou sua maquiagem, colocou um par de brincos, conversou com as pessoas falando alto de vez em quando como de costume e dançou rebolando, inclusive até o chão ao som de É o Tchan e funks antigos. Já suspeitava que o relacionamento não era dos melhores desde o princípio pela má impressão que tinha do homem quando o conheceu. Apenas não imaginava que isso se estendia a agressão física.
0
Comente!x

  Foram todas essas contestações que o dissuadiram a proferir as seguintes palavras:
0
Comente!x

  - Nunca deixei de ser quem sou para me enquadrar num relacionamento onde cheguei a aceitar agressões do namorado.
0
Comente!x

  A contragosto Rafael bebericou do vinho recebendo um olhar de esguelha do moreno, de Débora e de Luana.
0
Comente!x

  O ruivo sentia raiva. Raiva pelo ciúme que o corroía. Raiva por Kalisto não se afastar de Lucas. Raiva por Kalisto permitir a insistência do outro. Raiva por André preferir ir embora ao invés de permanecer ao seu lado, assim como qualquer namorado afável e amoroso faria. Raiva de si por ainda carregar sentimentos pelo ex, o responsável por destruir sua autoestima e amor-próprio, o fazendo questionar sobre a sua importância na vida de quem o cercava e se as pessoas realmente o apreciavam ou se apenas o suportavam.
0
Comente!x

  Entrou numa paranoia onde, por medo e trauma, mantinha seus futuros possíveis interesses amorosos ou sexuais longe de seu círculo social. Não gostava da ideia se se esconder ou esconder outras pessoas, mas obrigou-se a fazê-lo pelo receio oriundo das inseguranças e baixa autoestima. Não confiava mais em si e nem nos demais. Só naquele momento dava os primeiros passos para voltar a se abrir e interagir como antes – conquistas alcançadas graças a moça de vestido vermelho e Princess.
0
Comente!x

  Portanto, prosseguiu em alfinetá-lo:
0
Comente!x

  - Eu nunca feri de maneira covarde a pessoa quem eu dizia amar.
0
Comente!x

  Rolou os olhos com certo deboche ao vê-lo ingerir um generoso gole da cerveja.
0
Comente!x

  Débora era uma mulher intuitiva, então não demorou a notar que havia algo acontecendo entre esses dois desde a chegada do amigo de infância. De propósito falou quando chegou na sua vez:
0
Comente!x

  - Eu nunca tive sentimentos guardados pelo meu ex.
0
Comente!x

  Compreendeu totalmente a situação quando ambos tomaram suas bebidas.
0
Comente!x

  Rafael aguardou o copo esvaziar para segurar a mão de Luana e a apertar de leve.
0
Comente!x

  - Bem, meu povo... Eu sei que a partida é dolorosa, mas temos que ir. – avisou a loira pondo-se de pé – Amanhã eu e o Rafa acordaremos cedo.
0
Comente!x

  Se despediram dos colegas rapidamente. De propósito Kalisto se colocou ao lado da porta, por onde o ex passou sem sequer desviar o olhar. Desejava pelo menos um “tchau” murmurado seco ou que apenas o fitasse. Por não receber nenhum dos dois, foi movido pelo impulso quando em questão de instantes ultrapassou a porta num rompante.
0
Comente!x

  - Amigo, já estou pedindo o Uber aqui. – avisou enquanto passavam pelo corredor do prédio.
0
Comente!x

  Teria respondido caso não fosse segurado pelo ombro por outra pessoa.
0
Comente!x

  - Rafael, precisamos conversar sobre ontem. Querendo ou não teremos essa conversa.
0
Comente!x

  Kalisto anunciou urgente.
0
Comente!x

  A insistência já o havia tirado a paciência, então não optou pela serenidade ao confrontá-lo.
0
Comente!x

  - Sobre o que exatamente quer conversar? – se desvencilhou do toque lutando para não perder a cabeça e estrangulá-lo – O quanto sou burro? O boquete que recebi no meio da madrugada no seu apartamento? A sua maneira maravilhosa de se referir a mim a sabe-se lá Deus com quem? Ou o quanto adorou aquele filho da puta do Lucas se esfregando em você na minha presença?
0
Comente!x

  O advogado nunca o vira tão zangado e dono de si. As palavras o obrigaram a cambalear para trás quase tropeçando nos próprios pés, principalmente pela forma como lhe atingiram no íntimo.
0
Comente!x

  Apesar da baixa estatura o cantor aparentava ocupar mais espaço que o usual e não tinha mais problemas em se envolver em conflitos como no passado.
0
Comente!x

  - Esse último não foi nada que você já não tenha feito, Rafael. – acusou retomando a sua postura altiva.
0
Comente!x

  Emoções antigas que imaginava já estarem enterradas começaram a vir para a superfície como o limo surge quando a água é agitada. Era incômodo, desgastante e tinha vontade de bater em algo até extravasar tudo aquilo.
0
Comente!x

  - Mais uma vez essa história, cacete?
0
Comente!x

  - E eu não tenho nada com o Lucas. Aquilo não foi nada...
0
Comente!x

  Ele e Rafael terminaram há quatro anos, mas, mesmo assim, sentiu-se na obrigação de avisa-lo isso.
0
Comente!x

  A explicação foi interrompida:
0
Comente!x

  - Ah, não? – com as mãos simulou a forma como o outro acariciava Kalisto, falando em tom de escárnio – Isso aqui não significa nada, não? Me poupe! Já estava vendo a hora de se trancarem na porra de algum quarto ou irem para o motel barato mais próximo.
0
Comente!x

  - E você também estava bem à vontade com o seu namoradinho, né?
0
Comente!x

  - Eu estou namorando, Kalisto. Nem fiz nada hoje com o André, diferente do que aceitou do Luscas. Pelo amor de Deus, não precisavam ser tão explícitos. Estavam cercados de gente.
0
Comente!x

  - Isso nunca foi um problema pra você. – deu de ombros – Aliás, estou solteiro. Não tenho porque me preocupar com isso.
0
Comente!x

  - E eu estou comprometido. Não tem motivos para reclamar se eu beijo o meu namorado ou não.
0
Comente!x

  Luana, quem mantinha-se alternando o olhar entre o celular e os dois, surgiu atrás do ruivo e indagou para o amigo:
0
Comente!x

  - Prefere que eu te tire daqui enquanto o Uber não chega ou prefere discutir?
0
Comente!x

  - Hoje quero ver é sangue.
0
Comente!x

  - Continuem aí, então. – deu três tapinhas no ombro – Qualquer coisa é só me chamar. – parou a uma distância de dois metros.
0
Comente!x

  Kalisto quebrou a distância o encarando.
0
Comente!x

  - E você é bem feliz com o seu namoradinho, né?
0
Comente!x

  Usava a palavra como se fosse um xingamento com cara de nojo.
0
Comente!x

  - Claro. Ele é maravilhoso comigo.
0
Comente!x

  - Conta outra. O desgraçado não te respeita, Rafael, e ainda é violento.
0
Comente!x

  Para o descontentamento do ruivo a amiga ouviu bem as palavras.
0
Comente!x

  - Do que ele está falando, Rafa?
0
Comente!x

  - Foi por isso que a chamei quando estava na cozinha. – revelou o moreno sem desviar o olhar – Já que eu não poderia intervir, você, pelo menos com sua presença, evitaria disso se repetir, enquanto estivessem aqui. Não dá pra eu controlar quando os dois estão sozinhos e sabe-se lá Deus se o filho da puta já bateu nele ou não.
0
Comente!x

  O mais novo deu mais um passo para frente e o confrontou, numa voz ressentida e lutando contra o nó na garganta:
0
Comente!x

  - Você fez muito pior comigo no passado. – o tom era baixo e acusatório – Não sabe nem um terço do que aguentei sozinho por sua culpa durante a nossa separação e acha plausível querer tirar satisfação comigo sobre meu relacionamento? Eu deveria saber que você não mudou em nada quando não se desculpou assim que os alunos saíram daquela sala na sua primeira aula. Isso só demonstra que nunca se importou de verdade comigo e o errado fui eu por permitir a sua entrada na minha vida, mesmo após me abrir contigo sobre meus maiores medos.
0
Comente!x

  As palavras o fizeram baixar as pálpebras devido ao tanto de ressentimento no rosto de seu menino. Pela primeira vez, na frente do ex, transpareceu o sofrimento que ainda carregava consigo. Fosse pra onde fosse estava ali, mesmo que mascarado de raiva. Aliás, por detrás da ira sentida por Kalisto, existia a mágoa. A fúria servia para esconder a profunda tristeza, responsável pela sua estadia no hospital há quatro anos. Porém, finalmente voltando a ter contato e certo nível de convivência com o rapaz, era impossível ignorar tais emoções, mesmo lutando contas elas e usando dos mais diversos artifícios e ferramentas para elas não atingi-lo.
0
Comente!x

  Ao erguer as pálpebras haviam lágrimas, desconcertando completamente o ruivo. Embora soubesse que tinha razão, sim, em cada palavra dita, não gostava de vê-lo em qualquer estado de martírio que fosse, independentemente dele merecer ou não.
0
Comente!x

  Kalisto não era de chorar facilmente. Pelo contrário. Para chegar ao ponto da tristeza ser elevada demais culminando em entrar numa guerra contra o pranto era porque as palavras o machucaram. Bastante.
0
Comente!x

  E Rafael tinha consciência disso.
0
Comente!x

  - Foi tudo consequência dos seus atos, querido. – a voz saíra embargada e entrecortada, lutando no íntimo para compreender as palavras – Eu não seria o único a sofrer com a mesma dor nessa história. – segurou-lhe o rosto com as mãos, a face a centímetros do dele e as íris escuras, carregadas de emoções ainda não totalmente elaboradas – E me recuso a me desculpar por isso.
0
Comente!x

  Revelou numa voz sem emoção.
0
Comente!x

  O silêncio entre eles foi quebrado pela mulher, quem avisou:
0
Comente!x

  - Rafa, vem. Faltam dois minutos pro motorista chegar.
0
Comente!x

  O amigo a acompanhou, deixando o advogado atordoado. Foi necessário para o homem alguns instantes no corredor para se recuperar antes de retornar para a resenha.
0
Comente!x

  Kalisto não pediu para tocar Thinking of You sem propósito. Seu intuito era observar qual seria a reação de Rafael ao ouvir a letra para tirar dúvidas das quais o rapaz jamais lhe responderia caso fosse questionado – ou, no mínimo, mentiria.
0
Comente!x

  Desde a primeira aula na faculdade o ex demonstrava deseja-lo, não necessariamente amá-lo. As provocações enquanto lecionava, a cena do banheiro e em seu apartamento eram exemplos perfeitos disso. Não conseguia distinguir se existia algo além da volúpia. Devido aos próprios sentimentos sua mente poderia lhe pregar uma peça onde enxergaria situações que queria que fossem reais, mas não necessariamente elas o seriam. Portanto, achou de melhor tom instiga-lo – e isso seria fácil até demais.
0
Comente!x

  O conhecia bastante, então sabia como mexer com o cantor. Além da escolha propícia da música, permitiu a aproximação de Lucas, quem não lhe despertou excitação em grau algum – e fez questão de estar no campo de visão do ex a todo o momento. Foi o suficiente para fazê-lo ter uma crise de ciúme no corredor. O estranhamento foi devido ao fato de ter sido fácil demais para reagir. Imaginou que fosse porque atingiu o seu limite. Não imaginou a existência de mais nenhuma hipótese cuja consequência foi gerada pelo ato de vingança elaborado e executado por Kalisto anos atrás.
0
Comente!x

  Queria ver se despertava algum sentimento motivado pela presença dele no mesmo ambiente e a letra da canção cuja letra poderia facilmente se encaixar na situação deles.
0
Comente!x

  Kalisto era o homem exato para se ter um relacionamento longo e saudável. Não desrespeitava a pessoa, não ultrapassava os limites e sequer abria espaço para dúvidas em relação a qualquer coisa, principalmente à sua fidelidade. Rafael sempre teve acesso ao seu celular e às senhas de suas redes sociais, mesmo sendo low profile. Prezava pelo prazer do cantor, além de funcionarem maravilhosamente bem na cama e dialogarem sobre os mais diversos assuntos. Sempre tiveram espaço para se abrirem devido a segurança emocional mútua. Quando não acontecia por ser um tema difícil de ser tratado – assim como quando conversaram sobre o medo do ruivo de rejeição – respeitava e lhe oferecia as únicas coisas capazes de diminuírem a aflição: compreensão, acolhimento, atenção e carinho.
0
Comente!x

  Era óbvio que com André o relacionamento não era dessa maneira. O homem impunha sua vontade e, caso não fosse persuasivo, optava pela subjugação, onde, através da força física, obrigava-o a ceder perante suas vontades. E isso deixou Kalisto perigosamente perto de cometer a loucura de se atracar com o homem, acarretando uma briga de proporções preocupantes caso fosse levado pelos impulsos.
0
Comente!x

  E foi perdido nesses pensamentos que Débora o encontrou apoiado no parapeito da varanda pelos antebraços, alheio aos acontecimentos e às pessoas.
0
Comente!x

  De tão absorto ao redor não a viu se posicionando ao seu lado.
0
Comente!x

  - Deixa adivinhar. Esse Rafael é aquele Rafael com quem namorou e têm assuntos bem mau-resolvidos, né?
0
Comente!x

  Débora não conhecera e nem vira nenhuma foto de Rafael na época quando namoravam, então imaginava que era o ex de seu amigo.
0
Comente!x

  - Ficou tão óbvio assim?
0
Comente!x

  - Pra mim, sim. Matei a xarada quando falei sobre os sentimentos guardados pelo ex.
0
Comente!x

  Em falso tom de reclamação, constatou:
0
Comente!x

  - Mas você também não deixa passar nada, menina.
0
Comente!x

  - Escuta, me desculpa. Se eu soubesse que o Rafael era aquele Rafael eu não...
0
Comente!x

  - Deb, relaxa. – fez um movimento com a mão como se não desse importância – Águas passadas.
0
Comente!x

  - Certeza?
0
Comente!x

  O prolongado silêncio respondeu a indagação.
0
Comente!x

  Aproveitou a momentânea brisa noturna refrescar a pele admirando o céu estrelado e iluminado por uma magnífica Lua Cheia.
0
Comente!x

  - Por que não conversam? – sussurrou, mesmo sozinhos naquela sacada.
0
Comente!x

  - Ele nem me deixa chegar perto. Tentei várias vezes hoje e nada, principalmente com a presença da Luana e aquele filho da puta do namoradinho dele.
0
Comente!x

  - A Lua obviamente protegia o amigo. O André... Bem, é o André.
0
Comente!x

  Detectou o desconforto na pronúncia do nome.
0
Comente!x

  - Tem algo conta o cara? – pela primeira vez virou a cabeça na direção dela.
0
Comente!x

  - Não gosto dele. Na verdade, ninguém gosta. Me passa uma sensação estranha. – esticou o braço e apoiou a mão no parapeito de mármore.
0
Comente!x

  - O Rafael sempre fala bem do relacionamento dos dois.
0
Comente!x

  - É mais fácil eu dar o meu cú sem lubrificante na encruzilhada daqui na esquina em plena segunda-feira ao meio dia pro primeiro Kid Bengala que passar se isso for verdade.
0
Comente!x

  Débora era a pessoa capaz de dizer as coisas mais absurdas numa conversa séria – e isso sempre arrancava risadas do advogado.
0
Comente!x

  - Ele tenta se convencer de que o relacionamento é promissor. É bem diferente de o ser, de fato. – concluiu contente por notar o semblante do outro mais leve.
0
Comente!x

  - Então o que faço pra conversar com o Rafael?
0
Comente!x

  - Comece admitindo os seus erros. – afastou os cabelos do rosto com a outra palma – É claro que um ainda mexe com o outro. A conexão entre vocês deve ser forte pra continuarem envolvidos depois de quatro anos. Devem ser almas gêmeas ou chamas gêmeas.
0
Comente!x

  - Na verdade, não foi erro. Foi um mal-entendido. – focou o assunto nesse tópico numa tentativa de se desvencilhar de qualquer coisa acerca dos seus sentimentos – Falei uma merda pro Gustavo e o Rafael acabou escutando.
0
Comente!x

  - Vamos fingir que foi só isso. Vai aos poucos, como se fosse uma escala, até chegarem ao tópico principal.
0
Comente!x

  - Deb, eu contei a história só pra você, o Gustavo, o Lobato e o Miguel por um único motivo. Tratar do assunto uma única vez pra nunca mais. É doloroso até hoje de lembrar.
0
Comente!x

  - Sei. Concordo e até dou razão. Entretanto... Mais cedo ou mais tarde o tema virá à tona. Duvido que vocês tenham se reencontrado aqui sem motivos.
0
Comente!x

  - Amiga, eu dou aula pra ele na faculdade, tivemos uns momentos bem intensos e o abriguei no meu apartamento quando choveu pela última vez. Dormiu lá naquela noite. Isso tudo no decorrer desse mês.
0
Comente!x

  - Volto a repetir, há uma razão pra esse reencontro. Não há dúvidas. Tente conversar com o Rafa aos poucos lembrando de admitir os seus erros. No momento certo irão abordar o motivo pra sua vingança idiota.
0
Comente!x

  - Não foi...
0
Comente!x

  - Você errou em não explorar a situação mais a fundo. – pontuou – Não era pra colocar os pés pelas mãos. Se for pra acontecer, as coisas se configurarão para o que eu falei rolar. Até lá? Nada que incensos, um banho de canela ou de arruda, álcool e a companhia de uma adorável doidinha conhecida como a maluca do Baralho Cigano e duendes, vulgo euzinha, não dêem jeito.
0
Comente!x

Capítulo 4
0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (0)
×

Comentários

×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x