Chame por Cigana


Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 69 minutos

0
Comente!x
  Quando chegou em casa entrou silenciosamente para não acordar a mãe e nem a irmã, ambas dormindo em seus respectivos quartos. Deixou a sacola com pães comprados na padaria na mesa e rapidamente preparou um café para elas.
0
Comente!x

  Foi para o seu quarto e fechou a porta. Antes de se desmontar, encarou seu reflexo no espelho do armário e gostou do que viu.
0
Comente!x

  Princess era linda. Atraente. Forte. Sensual. Ousada. Atrevida. Dona de si. Virtudes essas que Rafael ainda não encontrara em si quando estava como ele mesmo – e era por causa disso que adorava Princess.
0
Comente!x

  Aproveitou para bater uma foto e mandar para André na esperança de que o homem se acostumasse com a sua imagem de drag.
0
Comente!x

  Estou gostosa assim, amor?
0
Comente!x

  O namorado foi o único quem não concordou com a sua persona artística. Era preconceituoso sobre o assunto.
0
Comente!x

  No começo foi bem difícil para Rafael porque era algo importante e poderia, sim, dar bons frutos e ajuda-lo economicamente, então não desistiria de ao menos tentar. O resultado? Os conflitos com o atual foram vários. André não aceitava ter um namorado Drag Queen. Argumentava que as pessoas iriam rir da montagem, que seria vergonhoso, seria dinheiro jogado fora com maquiagem e figurino... As brigas foram tão feias que, uma vez, empurrou Rafael, quem precisou se segurar numa estante para não cair.
0
Comente!x

  O celular vibrou quase imediatamente mostrando a chegada da mensagem. Ao lê-la perguntou-se porque ainda buscava a aprovação dele.
0
Comente!x

  Ridículo.
0
Comente!x

  Engoliu em seco voltando a sentir-se inseguro, envergonhado, triste, humilhado, desinteressante e sem valor nenhum – sentimentos esses que surgiram juntos pela primeira vez na última vez quando esteve no apartamento de Kalisto e o incentivaram a fugir dali.
0
Comente!x

  Respirou fundo como maneira de lutar contra as lágrimas. Elas não combinavam com Princess. Apenas lhes dava a permissão de caírem quando não estivesse montada – e assim aconteceu, deitando-se para dormir naquela manhã de domingo.
0
Comente!x

  O restante daquele mês correu muito bem para Rafael, embora os compromissos tenham sido vários. Com a mudança de rotina graças ao retorno da faculdade aproveitou os intervalos entre um compromisso e outro para estudar. No salão de beleza, enquanto não surgia algum cliente, se dedicava aos estudos fazendo anotações e lendo o conteúdo das aulas anteriores nos cadernos. Não tinha muita diversão – exceto quando assistia às aulas de Kalisto.
0
Comente!x

  Por vezes foi necessário segurar o riso pelas reações do homem mediante suas provocações. O ruivo sabia que era atraente e lindo – duas características distintas capazes de caminharem juntas. Graças a isso usou seus atributos para provocar o advogado incentivado pelo que Victor lhe contou sobre a conversa com o ex no último show. Rafael não era burro e nem ingênuo. Sabia, sim, que atraía os olhares de Kalisto desde quando se conheceram. Porém, os anos se passaram e não tinha certeza se ainda causava o mesmo impacto sobre o moreno como no passado, então resolveu testar aos poucos.
0
Comente!x

  Na segunda aula usou um de seus shorts jeans curtinhos que o outro particularmente apreciava. Na época costumava admirá-lo em pura volúpia quando os trajava, então a escolha pela peça não foi acidental.
0
Comente!x

  Teve suas dúvidas sanadas ali, logo na entrada de Kalisto para lecionar. O olhar demorou-se em suas pernas cruzadas – pernas essas que, embora não soubesse, fizeram a mão do professor coçar para agarrar com firmeza – e por um momento o homem pareceu esquecer de como usar as cordas vocais, principalmente quando os olhares dos dois se encontraram. Havia uma expressão específica feita por Rafael capaz de intrigar o mais velho. Era uma linha tênue entre a safadeza transmitida pelo seu magnetismo natural e o olhar lascivo e a inocência nos traços faciais. Aquilo era capaz de enlouquece-lo – e o aluno sabia como atiça-lo.
0
Comente!x

  Oportunidades não faltaram de inflamar o desejo do outro.
0
Comente!x

  Uma vez aproveitou que a roupa justa deixava um volume bem interessante entre suas pernas. Quando Kalisto entrou e o encontrou ali sentado na primeira cadeira com as pernas entreabertas teve a bela visão dele lambendo aos lábios sempre que encarava a região – e isso aconteceu várias vezes durante a aula.
0
Comente!x

  Na outra vez deixou cair propositalmente um pouco de líquido na sua fina blusa nude enquanto bebia água de sua garrafinha de Harry Potter. O tecido imediatamente colou em seu peitoral, mostrando as novas curvas e sua pele, já que a região molhada ficou transparente. Pôde jurar identificar uma frase como “filho da puta gostoso” pela leitura labial enquanto ele mesmo se direcionava para detrás da mesa, de onde não saiu até o final da aula. Rafael demorou a juntar seus pertences para ser o último a sair da sala e confirmou suas suspeitas antes de ir para o corredor. Mesmo sentado foi impossível não identificar o generoso volume naquela calça – o único lado negativo de ser bem-dotado era não poder esconder quando estava excitado.
0
Comente!x

  Por fim, teve a certeza de que o enlouqueceria quando aproveitou uma conveniência que parecia ter lhe sido entregue pelo Universo. Sua caneta caíra e parara bem embaixo de sua carteira. Agachou-se no chão para pegá-la. Num movimento rápido encostou por um instante o peitoral no piso e esticou o braço para apanhá-la, ficando de quatro – uma das posições que Kalisto mais gostava na cama por ter a visão completa de sua bunda. Durante aqueles segundos estranhou o fato de não ouvir a voz rouca do homem. Ao sentar-se novamente segurou a risada ao se deparar com um Kalisto de queixo caído e olhar vago para onde Rafael havia se agachado.
0
Comente!x

  - Perdão... Sobre o que eu estava falando?
0
Comente!x

  O ruivo tampou a boca com as mãos para não mostrar o sorriso.
0
Comente!x

  Numa sexta-feira, como de costume, o rapaz chegou no período da tarde na faculdade, às cinco da tarde. Especificamente nas sextas-feiras, ao ser liberado do salão, ia direto para a instituição de ensino. Aproveitava o tempo para estudar o conteúdo do curso na sala que, naquele horário, sempre estava vazia. Porém se encaminhou primeiro ao banheiro para melhorar a sua aparência, já que estava na rua desde às sete e meia da manhã trabalhando.
0
Comente!x

  Kalisto estava estressado. Bastante. Entretanto, não havia ocorrido nada de ruim em sua semana. O seu stress era consigo. Não era possível que seu corpo o traía tão facilmente. Não era algo que pudesse ignorar. Deveria demonstrar para Rafael que a sua presença não o afetava. Infelizmente, para o seu próprio desgosto, não era esse o caso.
0
Comente!x

  Se fosse seguir os seus desejos o trancaria consigo naquela sala na última aula, arrancaria as roupas com as grandes mãos, o chuparia como nunca antes e se enterraria tão fundo dentro daquele corpo que seu antigo menino jamais se esqueceria dele devido aos gritos de prazer que sabia ser capaz, sim, de ser o responsável. Isso no decorrer da noite até Rafael, já completamente mole, o abraçaria ofegante lhe acariciando as costas e distribuindo beijos por onde os lábios alcançassem.
0
Comente!x

  Poderia fazer isso? Sim – principalmente porque, se o rapaz era capaz de provoca-lo conscientemente, era um sinal claro de que o corpo dele ainda se lembrava do mais velho e lhe despertava reações quando ambos estavam no mesmo espaço.
0
Comente!x

  Queria fazer isso? Absurdamente – até porque nunca passou tanto tempo de pau duro no decorrer de um mês graças a alguém.
0
Comente!x

  Deveria fazer isso? Jamais – não depois de parar no hospital há quatro anos devido ao forte abalo emocional causado por Rafael, apesar do ruivo não ter noção desse detalhe.
0
Comente!x

  Ainda havia solenidade em sua índole – embora o tesão estivesse sobrepujando-a ao ponto de perguntar-se se ela era tão importante assim na vida de uma pessoa.
0
Comente!x

  E era justamente com o objetivo de relaxar que se fechou numa cabine do banheiro para fumar – hábito adquirido há anos e que só era exercido em momentos de forte stress que foi intensificado no dia seguinte ao sair do hospital na fatídica noite. Aproveitou os instantes sozinho para relaxar, mas não duraria muito tempo o sossego. Quando ia sair ouviu uma voz bem conhecida. Conhecida até demais para o seu gosto.
0
Comente!x

  Rafael acabara de entrar no banheiro cantarolando uma lenta música latina.
0
Comente!x

  Kalisto sucumbiu à vontade de observá-lo num contexto onde o outro agia normalmente sem a presença dele, então abriu a porta menos de cinco centímetros. Havia colocado a mochila na bancada de mármore. De fones de ouvido lavava o rosto. No mínimo estava bonito usando um short larguinho, tênis branco, regada com pedras e o casaco branco. Pela primeira vez teve a oportunidade de admirá-lo e deixar transparecer o afeto que ainda carregava no coração pelo cantor. As feições tornaram-se mais suaves e um leve sorriso desenhou o rosto. Até mesmo a respiração se tranquilizou, ficando mais serena.
0
Comente!x

  A letra da música saía de sua boca de uma maneira lindíssima. Após lavar o rosto começou a dançar sem notar da plateia composta por uma única pessoa, o corpo respondendo aos anos de aulas de dança de balé e jazz. Se arriscava em piruetas atittude e coupe, além de realizar cambré em diversas finalizações. Explorava o espaço se deixando levar pela melodia. Uma característica de sua personalidade que se estendia para a dança era a expressividade – e o rapaz a usava naturalmente a seu favor quando dançava.
0
Comente!x

  Satisfeito e mordendo o lábio inferior, parou numa pirueta atittude na meia ponta com os braços em allongé antes de puxar uma quarta posição para se dirigir a pia e terminar o seu trabalho.
0
Comente!x

  Para a sua surpresa, enquanto passava um discreto brilho labial após fazer um delineado nas pálpebras, o aluno disse:
0
Comente!x

  - Sabe uma das minhas melhores qualidades? Sou bem intuitivo. Não faço idéia de quem seja, mas sei bem que não tira os olhos de mim.
0
Comente!x

  E sim, Kalisto esqueceu dessa pequena característica – e se amaldiçoou por isso.
0
Comente!x

  - Vou te dar duas opções. – pegou o rímel e começou a aplica-lo nos cílios – Ou você mantem a dignidade e se revela ou serei obrigado a abrir cada uma das cabines até te achar.
0
Comente!x

  O advogado reprimiu um xingamento. Ainda havia esperança dele não passar por aquilo – embora, conhecendo Rafael, sabia que sua dignidade seria jogada no lixo em poucos segundos.
0
Comente!x

  - Bem, já que escolheu o caminho mais difícil...
0
Comente!x

  Para o seu azar o ouviu abrir a porta de todas as cabines. Quando estava se aproximando da sua, respirou fundo e saiu mantendo o pingo de dignidade que ainda restava.
0
Comente!x

  - Não lembro quando se tornou tão ousado e convencido assim. – o moreno caminhou até ficar de frente para o outro.
0
Comente!x

  - Isso foi bem recente, querido. Gostou? – indagou o acompanhando pelo reflexo.
0
Comente!x

  - Caso esteja se referindo ao seu comportamento durante as aulas. – encostou as costas na parede a três metros – Nem um pouco.
0
Comente!x

  - Algum problema? Não lembro de ter feito nada de errado. – mais uma vez aquele contraste entre a safadeza e a inocência estava presente.
0
Comente!x

  - Por favor – olhou para o lado desdenhando da mentira –, até parece que você se comportaria daquela forma sem motivo nenhum.
0
Comente!x

  - Em primeiro lugar, não estou te provocando. Em segundo, a culpa não é minha se você ainda fica de pau duro na minha presença.
0
Comente!x

  O advogado soltou uma risada irônica.
0
Comente!x

  - Você não tem mais esse efeito sobre mim, Rafael.
0
Comente!x

  - Não? – se virando pra ele, ergueu as sobrancelhas o desafiando numa expressão bem cínica.
0
Comente!x

  - Há muito tempo. – soou orgulhoso.
0
Comente!x

  Em passos lentos o ruivo caminhou até o advogado quebrando a distância e sem quebrar o contato visual. Estendeu as mãos e o segurou pelo pescoço sentindo o calor da pele.
0
Comente!x

  - Então quer dizer que não repara em mim quando entra na sala?
0
Comente!x

  Durante o murmúrio, engoliu em seco, perdido por instantes naquela coloração verde dos globos.
0
Comente!x

  - Nem um pouco. – olhou para o espelho para sustentar a mentira e não ser denunciado pela fisionomia.
0
Comente!x

  Suavemente o menor o segurou pelo queixo e virou a cabeça até se encararem.
0
Comente!x

  - Não gostou nem de como o meu short marcava a minha bunda? – o segurou pelos pulsos e colocou as ásperas mãos em sua cintura por debaixo da regata lambendo os lábios.
0
Comente!x

  - Eu nem me importei com isso. – não se deu conta de que pressionara ainda mais as destras naquela fina cintura demonstrando a dissimulação nas palavras.
0
Comente!x

  - É, mesmo? – murmurou adorando ver as pálpebras dele se abaixarem, sinal inconsciente de que estava excitado – Se tudo isso que está me falando é verdade, então por que está me segurando com tanta firmeza nesse estado? – deslizou as palmas pelo terno até encontrar o pau entumecido.
0
Comente!x

  - Porque geralmente essa é a reação que as putas causam nas pessoas. – rebateu com raiva se afastando.
0
Comente!x

  Compreendeu de imediato que tudo foi um joguinho sujo para testá-lo e seu corpo lhe entregou.
0
Comente!x

  Por sua vez, o ruivo jogou a cabeça para trás soltando uma sonora gargalhada.
0
Comente!x

  - Puta. Mil vezes puta, meu amor, tanto na cama quanto fora dela. – respondeu fechando um punho e o descansando na cintura – Pra mim isso é elogio e você sabe há um bom tempo. – terminou estalando os dedos para enfatizar.
0
Comente!x

  Para a sua surpresa Kalisto havia chegado ao seu limite com a provocação. Rapidamente o mais velho o segurou e, num único movimento, o colocou sentado na bancada de mármore, não hesitando em se acomodar entre as pernas dele. O ruivo não imaginava aquela reação, então, sua expressão, que antes era divertida, transformou-se de súbito. Tornou-se intensa, com o cenho franzido, o queixo caído, os olhos levemente arregalados e as mãos repousadas nos ombros do advogado por instinto. Devido à pouca distância conseguia sentir a respiração contra a pele que logo se arrepiou.
0
Comente!x

  Apesar das mágoas e de todos os sentimentos reprimidos e carregados de ressentimentos, era como no passado, quando estavam sozinhos e podiam se entregarem ao amor e ao prazer. A tensão entre ambos era palpável e Rafael não se agarrava a ele apenas para se apoiar, mas sim porque queria aquela proximidade dos corpos. Ansiava por ela há tempo demais. Era a presença do ex que almejava, assim como os toques. Kalisto sabia aonde, como e com qual intensidade investir nas carícias para deixa-lo ofegante e fazê-lo gozar. Ele se esforçava, se aprimorava e se deleitava com o resultado – um Rafael quase sem voz, sem controle algum dos músculos e das articulações que lhe agarrava implorando por mais antes de inverterem as posições para o menor deixa-lo tão enlouquecido quanto.
0
Comente!x

  Pestanejou confuso quando o moreno abaixou o fino casaco branco pelos braços, deixando-o ainda mais exposto. Kalisto descansou a testa no vão entre o ombro e o pescoço e relaxou num forte e prolongado suspiro, permitindo-se receber ali as carícias de Rafael com a ponta dos dedos – dedos esses que envolviam sua nuca e adentravam sem pressa por dentro da gola da camisa. Puxou o ar com força, sentindo o cheiro característico da carne alva.
0
Comente!x

  Com as respirações intensas e os corações batendo forte, não pronunciou palavra alguma enquanto descia as palmas pela lateral do corpo menor até encontrar a lombar, onde, sem aviso, segurou e a puxou contra si.
0
Comente!x

  O ruivo arfou fechando os olhos quando as ereções se chocaram. O advogado aproveitou para distribuir beijos pelo pescoço se deixando levar pelo momento, o que gerou no outro os arquejos inesperados, além de fazê-lo cravar as unhas em sua nuca. Não compreenderia como e se repreenderia naquela madrugada, mas encontrou o lóbulo da pequena orelha e a envolveu com os seus lábios, passando a língua de uma maneira que sabia que deixaria o menor se contorcendo em seu abraço – e foi o resultado.
0
Comente!x

  Precisou crispar os lábios e, dando-se conta de que não seria suficiente, pressionou a boca contra o ombro do homem enquanto o agarrava fervorosamente com os dedos para abafar os gemidos. O mais jovem se remexia, de vez em quando jogando a cabeça para trás e buscando aproximar ainda mais o quadril do ex com as pernas para aliviar a pressão do pau pulsante. A epiderme toda se arrepiava devido ao prazer. Arrepio, esse, que apenas serviu de incentivo para Kalisto, quem lhe castigava o pescoço com a língua.
0
Comente!x

  Os dois não produziam uma única palavra com medo do momento se quebrar devido às questões mal resolvidas. Ali eram duas pessoas desesperadamente desejosas uma da outra, com tesão reprimido que, após quatro anos, se deparam com a oportunidade perfeita para começar a se esvair – inclusive porque com outras pessoas não sentiam nem um terço do prazer de quando estavam juntos.
0
Comente!x

  E aquele era só o começo.
0
Comente!x

  Deveria imaginar que Kalisto não aguentaria aulas seguidas sem nenhuma reação ao seu comportamento e presença. Kalisto Andrade tinha uma libido absurdamente alta – e o cantor não passava longe. Além disso não era adepto a apenas observar de longe sem poder tocar. Não via a menor graça. Isso tudo aliado ao temperamento mais forte? Era óbvio que reagiria de alguma maneira. Rafael só não imaginava que fosse acontecer tão cedo.
0
Comente!x

  Finalizou mordiscando a região.
0
Comente!x

  Ainda abraçado com o mais novo cujo corpo ainda tinha os músculos contraídos, constatou com a voz grave:
0
Comente!x

  - Pelo visto o seu corpo ainda reage ao meu, meu menino.
0
Comente!x

  Frisou o final da frase com um quê de audácia e sedução porque sabia como aquilo o atingiria – e o gemido agudo confirmou a convicção. Era o único quem chamava Rafael daquela maneira, principalmente quando estavam sem roupas – e isso não mudaria.
0
Comente!x

  O ruivo responderia caso a mente não estivesse anuviada pelo tesão e caso as suas mãos não tivessem entrado em contato com uma fina corrente.
0
Comente!x

  Ofegante pelo recente prazer recebido, abriu rapidamente os dois primeiros botões do colarinho e pôde jurar que o coração errou uma batida ao ver o pingente dourado em formato de R.
0
Comente!x

  Num fio de voz e totalmente consciente de suas ações agora, indagou, distanciando-se o suficiente para fita-lo:
0
Comente!x

  - Por que você ainda tem isso, Kalisto?
0
Comente!x

  Se dando conta de que foi descoberto, o advogado se afastou, fechando novamente a camisa para esconder o pingente que carregava consigo há quatro anos, desde que o encontrou no chão em frente a porta do seu quarto.
0
Comente!x

  - Rafa... – esfregou os olhos com os dedos visivelmente abalado.
0
Comente!x

  - Por que você carrega isso contigo? – a pergunta foi mais urgente enquanto descia da bancada.
0
Comente!x

  Não tinha o direito de carregar aquele pingente, principalmente na presença do rapaz. Isso o confundiu completamente. Imaginava que o mais velho havia jogado fora pois era a prova da presença do até então namorado em sua casa naquela tarde.
0
Comente!x

  O ruivo ganhou um colar em seu aniversário com o pingente da letra K, quando já namoravam. Amara o presente e costumava usá-lo sempre que saía. Quando completaram um ano de namoro, Kalisto recebeu um colar parecido, porém no pingente tinha a letra R. Para eles os presentes eram símbolos concretos de seu relacionamento. Portanto, foi um choque para o menor se deparar com aquele pingente escondido sob o terno do ex.
0
Comente!x

  - Kalisto, me responde...
0
Comente!x

  - Eu não sei! – explodiu – Está satisfeito agora? Eu não sei.
0
Comente!x

  Ao encará-lo se deparou com Rafael carregado de um misto de tristeza e raiva, bem diferente do que estava cantando animado minutos antes e logo em seguida o seduzindo. E a imagem lhe destroçou o coração. A face estava rosada e lágrimas começavam a se formar. Cruzara os braços como se tentasse se proteger – e essa foi a parte que mais lhe desestruturou. O advogado nunca encostaria nele para agredir e ambos carregavam plena certeza disso. Entretanto, essa proteção era voltada para o âmbito emocional, não físico – e o moreno não havia se dado conta.
0
Comente!x

  - Ah, sabe. Sabe, sim. Você só não quer falar porque é um covarde de merda. Não tem o direito de carregar isso contigo e sabe muito bem disso, Kalisto.
0
Comente!x

  - Ah, faz favor! O único covarde aqui é você! Não se faça de santo porque você não é. – rebateu já nervoso.
0
Comente!x

  - Não fui eu que joguei um relacionamento maravilhoso no ralo, meu bem. A culpa foi sua. – terminou apontando para ele com o dedo indicador.
0
Comente!x

  - Mais uma vez, não se faça de santo porque você não é. – a amargura na voz era notável, assim como o tremor nas mãos, um sinal claro para quem o conhecia de que reprimia as emoções ao ponto delas o deixarem trêmulo.
0
Comente!x

  - Se você insiste em não me explicar porque está me falando isso, eu que não vou pressionar.
0
Comente!x

  - Você sabe bem as suas ações, inclusive tudo o que culminou no nosso término. Já passou da idade de culpar a todos ao redor ao invés de se responsabilizar pelas consequências dos próprios atos.
0
Comente!x

  Frustrado, o ruivo enterrou os dedos nos cabelos. Respirou fundo de olhos fechados numa tentativa vã de se acalmar. Os abriu e, em profunda decepção, respondeu numa voz de indiferença:
0
Comente!x

  - Eu já fiz merda nessa vida, mas de longe a pior delas foi ter me envolvido contigo. Não volte a desenterrar assuntos do passado se não tem a mínima capacidade de assumir os seus erros.
0
Comente!x

  Pegou a mochila e saiu do banheiro.
0
Comente!x

  Só quando Kalisto não ouviu mais os passos do ex pôde extravasar. Com a mão fechada em punho, socou a parede frustrado e dolorido pela frase direcionada a ele.
0
Comente!x

  - Inferno. – a socou novamente, com a testa encostada nela e o outro braço apoiando o corpo – Por que eu te reencontrei, meu menino?
0
Comente!x

  Atormentado, virou de costas e deslizou até sentar no chão com as costas apoiadas na parede. Apanhou o maço de cigarro no bolso da calça, o abriu e retirou um, colocando-o entre os lábios. Achou o isqueiro no bolso do terno e o usou para acende-lo.
0
Comente!x

  Ao todo precisou de meia hora ali e cinco cigarros para se acalmar até as mãos pararem de tremer.
0
Comente!x

  Tentava se concentrar no conteúdo do caderno sozinho na sala de aula, mas seu cérebro não captava nenhuma sílaba sequer. A discussão com o ex o consumiu, o deixando confuso e revoltado. Tentava compreender as acusações sem concluir nada. Tinha a plena certeza de que a sua postura foi a mais correta possível quando estavam juntos anos atrás. O tratava bem, o respeitava, era sincero, funcionavam bem na cama, não escondia nada... Bem, pra ser franco havia apenas uma única coisa que omitira de Kalisto, mas apenas para não gerar brigas ou desentendimentos desnecessários entre ele e André, quem passava por grandes problemas na época.
0
Comente!x

  Foi com essas reflexões perpassando a mente do ruivo que Kalisto abriu a porta. De tão distraído não percebeu o barulho. Apenas ergueu a cabeça quando ouviu:
0
Comente!x

  - Arrume suas coisas e vá pra casa.
0
Comente!x

  - Como?
0
Comente!x

  - A chuva. – apontou para a janela com o queixo – A faculdade havia recebido ontem alerta vermelho devido à chuva intensa prevista pra hoje, mas ignorou. Estamos tentando esvaziar a faculdade para ninguém correr risco nas horas seguintes e pedindo para os estudantes espalharem a notícia nos grupos de Whatsapp.
0
Comente!x

  Quando o ruivo olhou para a janela se deparou com fortes nuvens escuras. Naquele horário, cinco e vinte da tarde, não era normal e nem comum estar escuro daquela maneira e nem ventando tanto.
0
Comente!x

  - Merda! – rapidamente guardou seus pertences.
0
Comente!x

  - Precisa de carona? Se quiser eu...
0
Comente!x

  - Não! – o interrompeu num rompante, soando mais enfurecido do que esperava – Eu chamo um Uber enquanto espero no ponto de ônibus. Um dos dois terá de passar.
0
Comente!x

  - Tem certeza que...
0
Comente!x

  - Me deixa em paz. – se encaminhou para a saída com a mochila nas costas – Você já fez o suficiente por hoje.
0
Comente!x

  O moreno o viu se distanciar pelo corredor até sua imagem desaparecer descendo as escadas.
0
Comente!x

  O plano de esperar o Uber no ponto de ônibus a dois quarteirões de distância da instituição de ensino superior era bem prático. Só não imaginava de a chuva cair torrencial no meio do caminho com direito a trovoadas, relâmpagos e um vento capaz de derrubar árvores de tão violento.
0
Comente!x

  Abrigou-se embaixo da marquise do ponto – como se adiantasse de algo. A chuva de vento o molhava ao ponto de ficar ensopado. Numa tentativa inútil colocou a mochila na frente para mexer no celular e chamar um Uber. Para seu azar nenhum motorista aceitava a corrida há quase vinte minutos e a preocupação começava a crescer. A rua estava deserta, escura, poucos carros passavam e a chuva intensa tendia a prosseguir por algumas horas. Pra piorar a rua começava a alagar, então a água estava chegando até a calçada onde ele estava.
0
Comente!x

  Um carro preto parou onde o rapaz estava e a porta dianteira do banco do passageiro foi aberta.
0
Comente!x

  - Entra. – Kalisto gritou com as mãos no volante.
0
Comente!x

  Não se arriscaria de deixar o mais novo na chuva daquele jeito, então o procurou pelos pontos de ônibus que conhecia até encontra-lo.
0
Comente!x

  - Não preciso de ajuda.
0
Comente!x

  - Como é? – realmente achou que seus ouvidos o enganaram quando ouviu a escolha de palavras do ruivo.
0
Comente!x

  - Não se preocupe comigo. Eu sei me virar. – passou as mãos no rosto afastando um pouco a água.
0
Comente!x

  - Não é possível.
0
Comente!x

  Desceu do carro zangado e o alcançou molhando-se rapidamente.
0
Comente!x

  - Não vai demorar pra essa rua encher pelo menos um metro. – avisou sentindo os pés umedecerem.
0
Comente!x

  - Que bom porque não ficarei completamente submerso. – agarrava-se a mochila contra o peito para proteger o celular de pifar por molhar. Não teria dinheiro para comprar outro caso isso acontecesse.
0
Comente!x

  - Está recusando a minha ajuda por orgulho?
0
Comente!x

  - Estou recusando a sua ajuda porque você é um idiota filho da puta. – gritou.
0
Comente!x

  - Estou me fodendo pra sua opinião sobre mim.
0
Comente!x

  - Caguei pra isso.
0
Comente!x

  - Garoto teimoso! Eu não vou te deixar pegar a porra de uma pneumonia e morrer. Não sairei daqui sem você e me recuso a não passar as próximas horas abrigado num lugar seco e quente, então trate de entrar no caralho desse carro ou te enfio nele.
0
Comente!x

  - Você não faria isso. – zombou num meio sorriso de desprezo.
0
Comente!x

  - Duvida?
0
Comente!x

  Quando o mais novo sentiu uma mão em suas costas e a outra na parte detrás dos joelhos, berrou.
0
Comente!x

  - Está bem, cacete! Eu vou contigo. Satisfeito?
0
Comente!x

  A contragosto adentrou no veículo fazendo questão de molhar o interior o máximo que podia antes de Kalisto se acomodar ao seu lado e voltar a dirigir. Secou as palmas no estofado do banco e, com a mochila no colo, colocou o celular no ouvido pra ouvir a mensagem de áudio enviada pela irmã há poucos minutos.
0
Comente!x

  - Que merda. – sussurrou.
0
Comente!x

  - Qual o problema?
0
Comente!x

  - A minha rua está alagada.
0
Comente!x

  - Entrou água na sua casa? – a pergunta saiu carregada de aflição.
0
Comente!x

  - Não. O proprietário fez uma obra há anos pra levantar a o terreno, então não há perigo. Pode me deixar em qualquer lugar que vou ficar bem.
0
Comente!x

  - Quantas vezes preciso repetir? Nem fodendo vou te deixar debaixo dessa chuva, muito menos sozinho.
0
Comente!x

  - Pra onde vai me levar então, carai?
0
Comente!x

  - Não é óbvio?
0
Comente!x

  - Não porque não tenho nenhum Baralho Cigano comigo para abrir as cartas e descobrir.
0
Comente!x

  - Você vai comigo pra minha casa.
0
Comente!x

  - Puta que o pariu. – reclamou.
0
Comente!x

  O apartamento de Kalisto no último andar continuava da mesma forma. O ambiente amplo, claro, limpo, organizado e com os móveis bem distribuídos para se caminhar livremente pelo espaço não mudara em nada. Logo, Rafael não teve nenhuma dificuldade em se localizar.
0
Comente!x

  O moreno trancou a porta com uma sensação um tanto quanto nostálgica. Haviam tantas lembranças dos dois ali que por um momento o ar chegou a faltar nos pulmões, sendo necessário puxá-lo com força. Foi até seu quarto e trouxe uma toalha para enrolar o hóspede trêmulo de frio. O envolveu com ela antes de apanhar a mochila.
0
Comente!x

  - Anda, tira o tênis e vai tomar um banho quente antes de mim.
0
Comente!x

  A caminho da cozinha, perguntou retirando o paletó:
0
Comente!x

  - Está com fome?
0
Comente!x

  - Sim.
0
Comente!x

  Quando o menor chegou à cozinha o viu tirar duas panelas e uma refratária da geladeira e depositá-las sobre a mesa. Sua mochila estava em cima de uma das cadeiras, assim como o paletó de e a sua gravata. Acendeu o fogo para pôr uma delas para ferver.
0
Comente!x

  - O que ainda está fazendo aí parado? – de costas para o menor o mais velho abria a porta de um armário para pegar uma pequena refratária redonda, onde começou a despejar com a ajuda de uma colher o arroz que estava dentro da outra panela vermelha – Vai pro banho pra se esquentar.
0
Comente!x

  - Eu só tenho essa roupa.
0
Comente!x

  - Sabe onde é meu quarto. Pode escolher qualquer peça confortável. – colocou a refratária redonda com o arroz no micro-ondas e o ligou.
0
Comente!x

  - Eu não acho que isso seja necessário.
0
Comente!x

  O ex se virou e falou soando completamente honesto e cordial:
0
Comente!x

  - Não estamos na faculdade e nem na sala de aula. Aqui não é uma relação de professor e aluno. Se considere um convidado meu. Além disso, eu te conheço. Não vai fazer nada de errado no meu apartamento. Pode ir no meu armário buscar uma roupa enquanto preparo a comida pra gente.
0
Comente!x

  Sem alternativa caminhou até o quarto cuja porta estava fechada. Quando a mão pousou na maçaneta foi incapaz de empurrá-la para baixo. Já esteve naquele exato lugar antes. Da última vez sentiu tanta dor emocional que o ar lhe faltou quando conseguiu distinguir a origem dos sons e teve as piores sensações da sua vida. Sentiu a garganta se fechar e se distanciou dali, retornando para a cozinha, claramente atordoado e com os ombros encolhidos.
0
Comente!x

  - Kalisto, pega pra mim, por favor?
0
Comente!x

  A aguda voz causou estranheza no homem, quem logo percebeu que havia algo de errado.
0
Comente!x

  - Aconteceu alguma coisa? – franziu o cenho apreensivo sem compreender a situação.
0
Comente!x

  - Não. Nada. – abaixou a cabeça com marcas de expressão oriundas da aflição no rosto – Eu só... – ansioso, balançou a cabeça em negativa antes de erguê-la – Só pega pra mim. Por favor.
0
Comente!x

  Após um momento de silêncio onde constatou o quão abalado Rafael estava, foi para o seu quarto e retornou com um short perto puído e uma camiseta cinza.
0
Comente!x

  - Obrigado.
0
Comente!x

  Ao vê-lo se dirigir para o banheiro, falou:
0
Comente!x

  - Tem material aqui pra você preparar uma sobremesa quando eu tomar banho, se quiser.
0
Comente!x

  A frase o fez parar e virar-se para ele, quem o encarava.
0
Comente!x

  - Kalisto, aí já é demais. Não posso mexer nas suas coisas assim.
0
Comente!x

  - A gente transou incontáveis vezes em cada cômodo desse lugar, isso sem contar os móveis como essa mesa, uma dessas cadeiras, o sofá, o chão da varanda em duas madrugadas e essas paredes. Fazer uma sobremesa que eu sei que você gosta é o menor dos problemas, não acha?
0
Comente!x

  Quando saiu do banheiro Kalisto há havia separado dois pratos, seus respectivos talheres e dois copos de vidro sobre a mesa. A cheirosa comida do dia anterior fez Rafael salivar e aumentar ainda mais a fome. O homem, quem estava sentado numa das cadeiras mexendo no celular, ergueu a cabeça para encará-lo, abrindo um largo sorriso imediatamente. A imagem do rapaz lhe aqueceu o coração e sentiu quase como quando estavam juntos. A cena era a mesma. Sua camisa virou um vestido no ruivo, indo até a metade das coxas.
0
Comente!x

  - Escuta, não deu pra colocar o short. – se aproximou entregando a peça – Ficou grande demais em mim.
0
Comente!x

  - O tempo pode ter passado, mas você continua o mesmo baixinho.
0
Comente!x

  Não esperava soar tão carinhoso, então o pegou desprevenido. O mais novo abriu um sorriso tímido e o olhar tornou-se meigo.
0
Comente!x

  - Os baixinhos são sempre as melhores companhias. – comentou divertido.
0
Comente!x

  - Disso eu sei. – levantou com sua muda de roupa no ombro – Pode ficar à vontade pra preparar a sobremesa. – se encaminhou pro banheiro.
0
Comente!x

  - Prefere qual doce?
0
Comente!x

  - Me surpreenda.
0
Comente!x

  - Escuta, onde coloco minhas roupas pra secar?
0
Comente!x

  - Por sorte a minha geladeira é das antigas. Têm umas grades nela. Pode colocar ali pra secar. Ou, caso prefira, deixa em cima de uma dessas cadeiras.
0
Comente!x

  Quando Rafael ouviu o barulho do chuveiro foi se aventurar pra descobrir qual material teria para preparar a sobremesa após colocar suas vestes atrás da geladeira. Decidiu preparar uma palha italiana. Naquele momento ignorou de maneira consciente de que aquela era a sobremesa favorita do homem e que a cozinhava em ocasiões especiais como aniversário ou para comemorarem algo no passado.
0
Comente!x

  Antes de iniciar o preparo pegou seu celular e a bateria móvel devidamente secos. Os conectou e colocou músicas para ouvir enquanto cozinhava.
0
Comente!x

  Quando saiu do banheiro vestindo apenas uma folgada calça de algodão e chinelos, se deparou com a imagem de um Rafael alegre cantando enquanto cozinhava. A visão lhe contentou porque a sugestão para o preparo da sobremesa não foi sem motivos.
0
Comente!x

  Sabia que cozinhar doces melhorava o humor de Rafael, além de ser algo que lhe agradava.
0
Comente!x

  Em outra época chegaria por detrás arrastando os chinelos para não o assustar e o abraçaria por trás, depositando um beijo no ombro ou no pescoço. Rafael o pediria manhoso para não distraí-lo enquanto cozinhava, mas ambos já sabiam que isso não iria acontecer. O maior o provocaria de vez em quando no processo até finalizar o preparo da sobremesa. Só então ou Rafael o puxaria para si pelo braço para beijar lascivamente ou Kalisto o puxaria pela cintura para beijá-lo enquanto as mãos deslizariam pela bunda arrebitada.
0
Comente!x

  Porém, assim como as estações do ano passam, Kalisto sabia que as coisas entre eles jamais retornariam a ser como antes. Aquela época de risos leves, sorrisos bobos, piadinhas internas, carícias, gemidos intensos, confiança e companheirismo mútuos havia passado, restando apenas as saudosas lembranças de um tempo leve e bem colorido na vida dos dois.
0
Comente!x

  Num silencioso suspiro resignado, foi colocar seu terno na máquina e retornou para a cozinha.
0
Comente!x

  - Qual é o quitute da vez? – foi até a geladeira e retirou uma garrafa de água.
0
Comente!x

  - Palha italiana. – respondeu sorrindo.
0
Comente!x

  - Ai, adoro! – derramou a água no copo e pôs a garrafa na geladeira – Tem tempo que não como isso.
0
Comente!x

  - Vai comer hoje! – misturava o brigadeiro no biscoito maisena já quebrado na panela – Isso aqui vai ficar divino.
0
Comente!x

  Antes que pudesse responder depois de beber a sua água, um miado desviou a atenção do ruivo. Virou para a origem do som e se deparou com um gato branco o encarando com seus olhos azuis. Sendo apaixonado por animais como era, foi impossível não abrir um enorme sorriso e se abaixar quando viu o animal. Por sua vez, o felino se aproximou e aceitou ronronando o carinho embaixo da mandíbula.
0
Comente!x

  - Ai, meu deusu! Que criança linda. Qual o nome dele?
0
Comente!x

  - Ela. É fêmea. Acho que gostou de você. – comentou com um ar de riso a vendo esfregar a cabeça na barriga de Rafael, quem havia sentado no chão.
0
Comente!x

  - A pegou há muito tempo? É muito lindinha e mansa.
0
Comente!x

  - À primeira vista parece um amorzinho, mas vai demorar pra dar comida quando está com fome pra ver a merda. Vira no Jiraya e só sossega depois de comer. – se esquivou de responder a pergunta.
0
Comente!x

  - Igualzinha a você, né? – o fitou.
0
Comente!x

  - Igualzinha a nós dois. – reforçou – Até hoje não esqueço daquela tarde quando você passou o dia inteiro com a cara emburrada. Até eu descobrir que era fome e comprar um lanche já tinham se passado quase três horas.
0
Comente!x

  A lembrança fez o rapaz rir pela primeira vez na presença de Kalisto, sinal de que começava a relaxar.
0
Comente!x

  - E eu quebrando a cabeça pra descobrir o que eu havia feito de errado. – terminou observando a interação dos dois.
0
Comente!x

  - Em minha defesa ninguém fica bem com fome. Nem pra transar dá certo. – respondeu de bom humor com a gata nos braços.
0
Comente!x

  - Isso tenho que concordar.
0
Comente!x

  - Vem cá, e qual é o nome dessa criança?
0
Comente!x

  - Cristal, mas não atende por esse nome.
0
Comente!x

  - Por quê?
0
Comente!x

  - Quando a peguei na rua a chamava por outro nome. Quando decidi trocar ela não atendia.
0
Comente!x

  - E por qual motivo iria mudar o nome da gata, gente?
0
Comente!x

  A pergunta era simples, o total oposto da resposta. Poderia mentir sem problemas. Porém, sabe-se lá o motivo, e talvez tivesse a ver com a leve fragrância de um perfume doce que sentiu, optou por contar a verdade.
0
Comente!x

  Portanto, encarou o chão antes de replicar:
0
Comente!x

  - Inicialmente eu a chamava de Kiara.
0
Comente!x

  O a pronúncia do nome fez o menor fita-lo assombrado. O breve momento de silêncio entre ambos se passou e o único som presente era o da chuva e do ronronar da gata.
0
Comente!x

  Há quatro anos Rafael havia comentado que seria bom para Kalisto ter um animal de estimação para lhe fazer companhia por morar sozinho. De vez em quando insistia no assunto porque o achava solitário vivendo sem ninguém naquele apartamento. Comentou que, caso fosse adotar, o nome Nala ou Kiara combinaria com um animal, principalmente se fosse um gato devido a uma de suas animações favoritas, O Rei Leão.
0
Comente!x

  - E... Quando foi que a pegou? – murmurou pestanejando.
0
Comente!x

  Tudo que o advogado fez foi manter o contato visual por alguns segundos num pesado silêncio antes de falar.
0
Comente!x

  Rafael jamais imaginaria o quão igualmente complicada era a resposta para o questionamento. Não havia chegado ao seu conhecimento o que o ex vira dentro do carro às nove da noite a caminho de busca-lo na faculdade – e nem que o homem fora hospitalizado.
0
Comente!x

  Essa parte em especial decidiu manter oculta porque, além de ser humilhante, não demonstraria essa fraqueza perante o ruivo, quem o encarava claramente confuso e carregado de expectativa.
0
Comente!x

  Portanto apenas andou até ele e estendeu-lhe a mão num convite silencioso para se levantar.
0
Comente!x

  - Vem, vamos comer. Se não terei de esquentar o arroz e o strogonoffe de novo e estou cheio de fome.
0
Comente!x

  Aceitando a esquiva no sanar de sua dúvida, segurou a destra passados quase dez segundos onde ponderou se seria prudente ou não. Por fim, lembrou que estava de volta ao apartamento do moreno e com nada além de uma camisa para cobrir a nudez. Não seria um pecado mortal ou uma idiotice total caso aceitasse aquele gesto.
0
Comente!x

  Assim que se tocaram descobriu que seria uma tolice, sim.
0
Comente!x

  Deu-se conta de quanto tempo não recebia na pele o toque daquele homem. A vontade de abraça-lo como antes foi forte, principalmente de beijá-lo. Atinou que pior do que lidar com um término era conviver tão perto do ex quando ainda o amava. Essa, sim, era uma verdadeira tortura – principalmente num contexto onde os obrigava a interagir.
0
Comente!x

  A união das mãos, de fato, foi bonita. Por encarar de relance a imagem delas juntas não conseguiu evitar o suspiro ao se pôr de pé, parando bem próximo do outro. Talvez próximo até demais. Menos de cinco centímetros os separavam e nenhum quebrou o contato visual e nem o físico.
0
Comente!x

  Não souberam quem iniciou a movimentação, porém, aos poucos, numa lentidão carregada de expectativas de ambos os lados, hesitantes e com os corações palpitando, as pontas dos dedos se entrelaçaram. Kalisto só percebeu o que estava acontecendo quando sentiu a outra mão do menor pousar timidamente em sua cintura, o que lhe gerou um impulso para se afastar quando ouviu um mio da gatinha, quem os observava sentada.
0
Comente!x

  - É melhor eu dar comida pra ela primeiro. – anunciou num murmúrio – Do contrário dentro de dez minutos estará berrando. – foi até o armário, de onde tirou um sachê que logo despertou o interesse de Kiara, cujo miado foi mais empolgado dessa vez – Pode ir se servindo, se quiser.
0
Comente!x

  Rafael dissimulou a insatisfação puxando uma conversa leve e sorrindo. O mais velho despejava o sachê pra gata no pote dela enquanto o outro colocava uma quantidade comida no prato.
0
Comente!x

  - O cheiro disso está ótimo! – a boca salivava.
0
Comente!x

  - Puxei a mão boa da minha mãe na cozinha. – buscou seu prato para se servir.
0
Comente!x

  - Ai, nem fala. A comida da tia é ótima. – passou a colher do arroz pra ele, lado a lado – Não esqueço de uma lasanha maravilhosa que ela fez quando a conheci. Estava divina!
0
Comente!x

  Kalisto replicou, mas não prestou atenção nas palavras. Subitamente a ação de colocar o almoço trouxe à tona alguns comentários de André.
0
Comente!x

  “Daqui a pouco engorda e fica feio. Aí, sim, você vai ver que ninguém além de mim vai te querer comendo desse jeito.”
0
Comente!x

  O mais velho notou a sombra de algo que não soube identificar perpassando pelas feições do ex quando o próprio recuou com a segunda colher ainda cheia de estrogonofe para a panela.
0
Comente!x

  Antes de irem para a sala com seus pratos com estrogonofe, arroz, salada de legumes bem temperada e suas respectivas canecas de refrigerante, Kalisto interpelou vendo a quantidade de comida que o outro pôs para si enquanto o menor guardava a panela com palha italiana na geladeira:
0
Comente!x

  - Você almoçou hoje?
0
Comente!x

  - Não.
0
Comente!x

  - Está fazendo alguma dieta?
0
Comente!x

  - Também não. Por quê?
0
Comente!x

  - Nenhum adulto saudável que conheço come só isso.
0
Comente!x

  Sem aviso, o ex pegou seu prato e adicionou uma grande colherada do conteúdo das panelas e da refratária.
0
Comente!x

  - Agora, sim. O prato que o pisciano merece. – o entregou – Aqui não precisa se fazer de rogado, não.
0
Comente!x

  - É que tenho medo de engordar e ficar feio. Sei lá. – deu de ombros aparentando um misto de vergonha e melancolia.
0
Comente!x

  - E quem foi o filho da puta que te falou tamanha imbecilidade? Isso nunca foi um problema pra você.
0
Comente!x

  - Ninguém em especial.
0
Comente!x

  Tudo nele demonstrava o contrário. O olhar voltado para o chão, os ombros caídos e a voz embargada evidenciavam a insegurança e até mesmo a baixa autoestima desenvolvida há algum tempo. Apesar de não compreender a situação, Kalisto deixou seu prato na mesa e pegou o de Rafael, colocando-o ao lado do seu.
0
Comente!x

  - Escute-me bem. – parou em sua frente e ergueu o queixo com o indicador para fita-lo, demorando-se um segundo a mais para detectar os detalhes daquela bela face, inclusive as pequenas sardas discretas no nariz e embaixo dos olhos – Eu não sei quem é o filho da puta que está te enchendo de inseguranças dessa maneira, mas tenho certeza que merece manda-lo para o quinto dos infernos. Você merece bem mais do que isso.
0
Comente!x

  O sorriso dado por Rafael em agradecimento pelas palavras iluminou seu rosto. Sem pensar, encostou por um momento a testa no peitoral do mais velho, quem aproveitou o breve instante para lhe afagar a nuca. Aos poucos o contato transformou-se num abraço, onde um acolheu ao outro e Rafael sentiu-se amado novamente – sensação bem distinta de quando os braços de André o envolviam – assim que o ex enlaçou sua cintura e o puxou suavemente até os corpos encostarem. Em resposta, o cantor pousou as palmas no peito do homem.
0
Comente!x

  Não iriam revelar esse fato, porém, naquele abraço, sentiam-se em casa – amados e protegidos. Rafael não tinha constrangimento pela sua aparência e nem por quem era e Kalisto sentia-se impregnado de amor novamente.
0
Comente!x

  Aproveitou para beijar os cabelos lisos antes de inclinar-se em sua orelha para sussurrar:
0
Comente!x

  - Queria ser estraga prazeres, não, mas essa comida vai esfriar.
0
Comente!x

  A frase lhe arrancou uma audível gargalhada.
0
Comente!x

  - É a segunda vez que me fala isso em questão de minutos.
0
Comente!x

  - Estou com fome. – reclamou com ar de riso enquanto pegavam seus pratos – Aí, falou pra sua mãe onde estava?
0
Comente!x

  - Sim. – se dirigiram para a sala – Avisei pra minha irmã que estou na casa de um amigo quem mora mais perto da faculdade.
0
Comente!x

  - Não está de tudo errado. Me apresentou pra sua família como amigo seu, mesmo.
0
Comente!x

  - Só não citei nomes.
0
Comente!x

  - Por motivos óbvios. – sentaram no sofá.
0
Comente!x

  Usaram uma almofada no colo para apoiar o prato e os braços do sofá para descansarem as canecas, deixando um vão entre eles. O moreno alcançou atrás de seu corpo o controle da TV, a qual ligou e conectou direto a Netflix.
0
Comente!x

  - Quando a chuva abaixar eu volto pra casa.
0
Comente!x

  - Tudo bem. – o entregou para Rafael, quem selecionava Naruto para assistirem – Vem cá, como anda a sua vida? – tomou um gole do refrigerante.
0
Comente!x

  - Ah, está bem. – respondeu distraído encarando a abertura do anime – Eu e o André...
0
Comente!x

  - Hã, hã. – largou a caneca no braço do sofá – Reformulando a pergunta. Como está a sua vida, seu namoradinho a parte.
0
Comente!x

  O hóspede rolou os olhos antes de responder.
0
Comente!x

  Em suma, o almoço foi estranhamente agradável. Se inteiraram de como estava a vida de cada um, com exceção da área afetiva.
0
Comente!x

  Contou que era advogado criminalista e sua história com Mike Doidão da Favela, quem precisou defender cinco vezes, e algumas das histórias que vivenciou, como o episódio em que levaram seu celular no assalto, porém o mesmo surgiu misteriosamente em seu escritório três horas depois com o bilhete:
0
Comente!x

Perdoa aí, meu cumpadi. Os cria estão tudo novo na área. Ainda não sabem quem é protegido e fechamento meu. Eu lá quero que fodam com o meu advogado? Se não fui em cana foi por tua causa, rapá. Qualquer problema é só entrar em contato comigo que damos um jeito de aliviar aí pro teu lado.
0
Comente!x

  Quem fora o responsável pelo roubo e pela entrega? Jamais saberia. Entretanto, apenas por arrancar risos do mais novo havia valido a pena.
0
Comente!x

  O ruivo contou como era o trabalho no salão e em como Cacá o ajudou. Não deixou de notar a mudança de expressão de Kalisto quando citou o cabelereiro. Quando o nome surgiu fechou a cara enciumado.
0
Comente!x

  Não revelou as situações trágicas pelas quais passou, como a morte do pai, o acidente de Micaela, as dificuldades financeiras e nem as crises de ansiedade. Optou por manter aquele momento mais leve, concentrando-se em temas mais engraçados e divertidos. Seus últimos quatro anos não haviam sido assim, mas continham histórias alegres e suaves com Victor, Nichole e Morgana – trio responsável pelo seu recomeço e que lhe salvou do fundo do poço.
0
Comente!x

  Era visível que a chuva não iria parar. Pelas notícias recebidas nos aplicativos várias áreas alagaram e Rafael obrigou a mãe a enviar um vídeo para assegurar de que a casa estava intacta e sem uma gota sequer de água no interior.
0
Comente!x

  Kalisto conseguiu disfarçar o contentamento. Quando Rafael lhe contou sobre o que acontecia, o homem falou com um discreto sorriso que poderia, sim, dormir ali. Portanto, foram para a cozinha, onde lavaram suas respectivas louças em meio a brincadeiras onde o mais velho implicava com ele, o levando até a dar uma leve mordida no braço por ser chamado de poodle pela animação alheia e também da baixa estatura.
0
Comente!x

  Por fim, por ambos serem amantes de filmes de terror, assistiram Olhos Famintos e Invocação do Mal no decorrer da noite com as luzes apagadas e lanchando pão de queijo esquentado no forno, refrigerante e palha italiana. Inicialmente começaram os filmes cada um numa ponta do sofá. No decorrer dos filmes eles se aproximaram sem notar até que toda a lateral do corpo estava em contato.
0
Comente!x

  - Jeepers Creepers. Where’d you get those peepers?
0
Comente!x

  Cantarolava o advogado quando Olhos Famintos terminou.
0
Comente!x

  - Essa música assusta. – ralhou Rafael batendo nele com a almofada.
0
Comente!x

  - Esse filme não tem nada de demais, poodle. – levou uma colherada da palha italiana a boca.
0
Comente!x

  - Não tem porque era mais velho quando o assistiu. O vi com uns oito anos. Essa porra assusta, viu? – com as pernas cruzadas e a almofada apoiando a tigela onde, agora, apenas restava alguns milhos não estourados que Kalisto ainda comia, deitara a cabeça no ombro do homem.
0
Comente!x

  - E a Micaela te deixava assistir terror nessa época?
0
Comente!x

  - Na verdade, não. Eu via escondido. – descansou a nuca no sofá, o encarando enquanto conversavam – Ela só descobria quando eu pedia pra dormir com ela porque o cagaço era maior que o sono.
0
Comente!x

  - E não mudou muito, né? Você continua sentindo medo depois.
0
Comente!x

  - É um prazer culposo! Que posso fazer?
0
Comente!x

  - Não se preocupe porque te protejo. Não vou deixar nenhum Creeper te assombrar hoje, não.
0
Comente!x

  Embora a frase fosse para soar divertida, não foi o caso. Pelo contrário. Foi quase uma promessa, como se Kalisto quisesse que Rafael soubesse que, consigo, ele ainda estava, sim, protegido, e não havia temores.
0
Comente!x

  - Ah, tá! Até parece.
0
Comente!x

  - Duvida, então, por exemplo, que eu fique te fazendo companhia até dormir?
0
Comente!x

  - É claro. – mastigava o doce – Gente, isso ficou muito bom. Mas relaxa. Precisa, não.
0
Comente!x

  - Certeza? – indagou cheio de incerteza.
0
Comente!x

  - Sim.
0
Comente!x

  - Tudo bem, então. Posso levar as coisas ou terminou de comer?
0
Comente!x

  - Pode levar.
0
Comente!x

  Foi para a cozinha, onde lavou a louça e guardou a sobremesa. Ao retornar o encontrou encolhido no sofá com as pernas cruzadas imerso ao começo de Invocação do Mal. Sentou ao seu lado silenciosamente.
0
Comente!x

  - Rafael, você pode...
0
Comente!x

  Sequer chegou ao final da frase. Pelo ruivo não reparar na sua chegada, sobressaltou com as mãos na boca. O susto arrancou risos audíveis de Kalisto, principalmente quando o baixinho respondeu:
0
Comente!x

  - Tudo bem, aceito a sua companhia até eu adormecer.
0
Comente!x

  E foi o que aconteceu. Enquanto Rafael se banhava para dormir quase duas da manhã, Kalisto arrumou o sofá cama para ele se acomodar. Trouxe de seu quarto dois travesseiros baixos, uma colcha e um cobertor.
0
Comente!x

  Quando Kalisto em seguida saiu do banho com um short folgado e uma regata da mesma cor, encontrou-o acomodado com a camisa branca e coberto com a colcha mexendo no celular.
0
Comente!x

  Havia bastante espaço para ambos pelo móvel ser um sofá cama de três lugares onde, agora, se ajeitavam em pleno conforto.
0
Comente!x

  - Já vai dormir? – sentou ao lado dele.
0
Comente!x

  - Sim. Vou acordar cedo porque tenho umas coisas pra fazer.
0
Comente!x

  - Onze da manhã é cedo pra você? – indagou com ar de riso.
0
Comente!x

  - Num feriado de sábado é. Amanhã o salão estará fechado, então quero dormir um pouco mais. Eu não gosto de acordar cedo. – coçou o olho antes de colocar o celular carregado sob o travesseiro, já se deitando – Isso é prova de amizade, sabia? Preciso adiantar alguns compromissos antes de encontrar uma amiga nesse final de semana.
0
Comente!x

  - Vindo de você, tenho que concordar. Acordar cedo é uma prova de amizade. – ironizou.
0
Comente!x

  Recebeu uma careta mostrando a língua como resposta antes de um “boa noite” educado.
0
Comente!x

  Longos minutos passaram sem Kalisto sair dali. Foi tomado cada vez mais pela vontade de permanecer ao lado do rapaz, quem, virado de costas para ele, dormia – aparentemente. A respiração calma e prolongada o enganava.
0
Comente!x

  Aos poucos o moreno deitou procurando balançar o menos possível o sofá cama. Não queria acordá-lo porque desejava usufruir nem que fosse o gostinho de como as coisas eram entre eles no passado: simples e amorosas. Adoraria adormecer abraçado aquele seu menino com o tronco encostado em suas costas e um dos braços o envolvendo na cintura. A proximidade seria tamanha que conseguiria beijar seu ombro carinhosamente antes de entregarem-se ao sono profundo sem amarras, jogos ou máscaras. Ali seriam somente eles – dois homens apaixonados e conscientes de suas emoções cujos sentimentos sabiam serem mútuos, o que lhes dava segurança para se entregarem à relação.
0
Comente!x

  Para a surpresa de Kalisto, o ruivo ainda não dormira – e descobriu isso quando ele virou para si de olhos abertos, ficando frente a frente na mesma posição.
0
Comente!x

  Rafael não conseguira dormir por sentir o carregado olhar de Kalisto sobre si. Numa decisão impensada e deixando-se levar pelas circunstâncias, optou por lhe mostrar que estava acordado.
0
Comente!x

  Nos primeiros minutos apenas permaneceram daquele jeito, calados e mirando um ao outro. Havia tanta tensão ali, tanta coisa a ser falada que o ar se tornou denso, onde estavam em sua própria bolha. Qualquer gesto não calculado, qualquer palavra ou som poderia quebrar a conexão de sentimentos, então tudo aconteceu vagarosamente e carregado de hesitação.
0
Comente!x

  Quem fez o primeiro movimento foi Kalisto por não compreender porque havia tanto receio nas feições de Rafael. Deslizou a ponta dos dedos milímetro por milímetro até roçar de forma quase imperceptível nos pelos do braço encolhido. Por não receber nenhuma recusa e por Rafael se aproximar um pouco mais, manteve a mão ali, acariciando a região.
0
Comente!x

  Em seguida foi o ruivo quem deu prosseguimento. Quando mexeu a mão de maneira que pudessem entrelaçar os dedos como inúmeras vezes no passado, identificou que algo no interior de Kalisto amoleceu. Uma barreira posta há bastante tempo entre eles caiu, permitindo que o toque chegasse ao seu coração igualmente ferido e desconfiado.
0
Comente!x

  Apenas aquele singelo ato foi suficiente para deixar mais novo duro. Entre eles havia algo além do físico desde que se conheceram. Era como se as energias combinassem e tudo se configurasse para manterem tamanha conexão ainda viva. Apesar da distância e da falta de contato ela teimava em existir entre os dois homens – talvez até mais intensa do que antes.
0
Comente!x

  O contato de Kalisto tornou-se mais íntimo à medida que escorreu a mão pelo corpo do outro até, com o braço sobre a lateral do tronco, encontrar os cabelos e afaga-los. Rafael fechou os olhos com um pequeno sorriso, aproveitando a carícia. Kalisto precisou refrear a vontade de beijar com fervor os lábios entreabertos. Quando as pálpebras foram erguidas o olhar era mais intenso, carregado de igual paixão.
0
Comente!x

  Por sua vez, o mais novo descansou a palma em seu rosto acariciando o a bochecha num terno afeto.
0
Comente!x

  Morosamente o moreno desceu a mão e, de vez em quando, a pausava em alguma região para acariciar. Nuca, meio das costas, lateral do tronco, lombar. Todas essas zonas eram afagadas timidamente, embora o notasse relaxado. Por fim, alcançou a lombar, onde a puxou para si até os corpos colarem. A princípio era apenas para o mais velho depositar um beijo na testa do outro, mas mudou de planos ao sentir algo bem duro em seu abdômen e ouvir o arquejo de Rafael quando a ereção foi pressionada em contato com a barriga definida de Kalisto.
0
Comente!x

  Com o rapaz em seus braços beijou-lhe castamente a testa antes de deslizar a coberta da cintura alheia – e não houve resistência. A nudez foi revelada em consequência da camiseta que havia subido graças aos movimentos de ambos.
0
Comente!x

  O moreno o empurrou pra deitar de barriga pra cima quase sem exercer força alguma. O fez uma vez como confirmação se era o que Rafael desejava – e a resposta veio de imediato.
0
Comente!x

  O outro acatou ao pedido e amou a sensação de quando o ex descansou a cabeça em seu peito, deslizando as pequenas mãos nas largas costas. O homem, em consequência, aproveitou para roçar os lábios no local até aquele simples gesto transformar-se em beijos que foram descendo pela carne firme. Não deixava de segurá-lo e, num anseio não verbalizado, a respiração do mais novo transformou-se, ficando mais intensa pelo o que viria a acontecer.
0
Comente!x

  Chegando ao destino não o apanhou e nem o abocanhou de imediato. Pelo contrário. Foi lento. Sem nenhuma pressa. Uma tortura deliciosa e enlouquecedora.
0
Comente!x

  Kalisto, primeiro, concentrou-se na glande rosada. Umedeceu os lábios antes passar a ponta da língua ali, saboreando a textura. Em resposta foi segurado pelos cabelos e adorou ouvir o agudo gemido. Assim permaneceu durante um tempo até Rafael, se contorcendo no sofá, suplicou por mais – súplica essa acatada prontamente.
0
Comente!x

  Para o seu contentamento, o mais velho desceu pelo pau com beijos leves e lentos enquanto massageava as bolas com as mãos. Chegando na base, subiu o lambendo na pressão correta que o fez arrepiar. Repetiu três vezes o processo antes de se concentrar no saco, colocando um após o outro na boca, acariciando-os com a macia língua.
0
Comente!x

  Era um amante nato. Gostava de explorar as zonas erógenas com devoção – e, às vezes, quando estavam cercados de uma áurea mais intensa, uma certa brutalidade. Portanto, para ele e quem quer que compartilhasse a cama, era uma experiência memorável, onde jamais sossegaria antes de deixar a outra pessoa de pernas bambas e com orgasmos pujantes.
0
Comente!x

  É de se imaginar, então, o quanto Rafael gemeu quando, finalmente, o outro o colocou por inteiro na boca e iniciou o movimento de vai e vem com a ajuda da mão e acariciando a glande com a língua em círculos incessantemente. O rapaz agarrava-se ao travesseiro gemendo e arquejando audivelmente, sem se importar se estava sendo ouvido ou não. A entrega era forte, um momento que não seria ignorado pelos dois, mas sim, aproveitado. Foi tempo demais separados – tempo esse que não obtiveram o demasiado prazer de quando estavam juntos com outras pessoas.
0
Comente!x

  O apartamento se enchia pelos sons produzidos por eles, entregues um ao outro.
0
Comente!x

  Por alguns instantes tentava manter os olhos abertos para assistir ao outro no oral, quem parecia não chupar alguém com tão afinco há anos.
0
Comente!x

  - Ai... – gemeu manhoso quando Kalisto, com ajuda da saliva, umedeceu o anelar, introduzindo nele e massageou seu ponto escondido.
0
Comente!x

  Foi questão de segundos derramar-se em sua garganta.
0
Comente!x

  O moreno o degustou e manteve-se por alguns instantes ainda no oral, cessando os movimentos aos poucos.
0
Comente!x

  Com a respiração pesada o sentiu subir em si, parando a centímetros de sua boca. Ambos respiravam ofegantes e com os corações batendo forte. Quando os olhares se encontraram havia um pequeno sorriso no rosto de Rafael, agora, pela primeira vez, deixando o medo em segundo plano. Prestes a quebrar a distância para beijá-lo se recordou de uma frase escutada há anos.
0
Comente!x

  - Jamais volte para aquilo que te destruiu.
0
Comente!x

  - Desculpa, meu menino, mas não posso.
0
Comente!x

  Num movimento brusco o moreno levantou do sofá, deu as costas e entrou em seu quarto batendo a porta numa expressão dura.
0
Comente!x

  A dor da rejeição tomou cada célula do seu corpo. Parado no mesmo lugar tentava compreender o que havia acontecido lutando contra as lágrimas formadas. Não as permitiu rolar secando o rosto numa expressão de incompreensão e dor antes de se deitar.
0
Comente!x

  Porém, ele não passaria aquela noite sozinho.
0
Comente!x

  Ouviu o miado antes do leve peso extra.
0
Comente!x

  A gata, quase como enviada, aninhou-se ao seu lado.
0
Comente!x

  - Boa menina. – murmurou com a voz embargada.
0
Comente!x

  Como consolo, o felino lambeu a ponta de seu nariz.
0
Comente!x

  Devido aos últimos acontecimentos Rafael não conseguiu dormir de tão abalado e teve a gata como companhia por vontade dela. Quando não se deitava ao seu lado, deitava em sua barriga e não recusava os carinhos no pelo.
0
Comente!x

  Um pouco antes das seis da manhã ouviu do quarto de Kalisto:
0
Comente!x

  - Gustavo, eu não podia responder antes porque estou com visita. Não, não é ninguém importante. Foi só uma caridade que fiz. Todo mundo tem que fazer uma boa ação de vez em quando, né? Depois a gente se fala porque não tive muito tempo pra dormir essa noite. Quase cometi um puta erro, mas isso é história pra outra hora. Só passando pra avisar que estou bem porque acabei de ver a sua mensagem.
0
Comente!x

  Aquilo já era demais para suportar. Ainda não era um exemplo de amor-próprio e nem de autoestima, mas não se submeteria a manter contato com Kalisto depois daquilo.
0
Comente!x

  Silenciosamente e o mais rápido que pôde trocou de roupa. Antes de sair tirou uma folha de seu caderno e escreveu algo nela, o deixando sobre o sofá antes de ir embora.
0
Comente!x

  Kalisto teve uma noite terrível. Os sentimentos estavam tão intensos e a ansiedade tão forte que sequer conseguiu dormir.
0
Comente!x

  Esperou dar nove da manhã antes de sair do quarto.
0
Comente!x

  - Rafael? – chamou procurando pelo rapaz.
0
Comente!x

  Encontrou um pedaço de papel no sofá. O apanhou e leu o que estava escrito.
0
Comente!x

  Da próxima vez não precisa fazer caridade.

  - Droga. – murmurou dando-se conta de que o rapaz havia escutado o áudio enviado para Gustavo.
0
Comente!x

  Aparentemente Kalisto não foi o único decepcionado. Zangada, a gata chegou até ele e, com uma pata dianteira, desferiu vários golpes em seu pé descalço.
0
Comente!x

  - Ai, Kiara, isso dói! – reclamou tentando se afastar dela.
0
Comente!x

  Quando achou que foi suficiente e lhe deixando alguns arranhões de presente, ela apenas miou temperamental para se afastar – foi quando, novamente, Kalisto sentiu o cheiro.
0
Comente!x

  - Quem é que passou perfume aqui, cacete?!
0
Comente!x

Capítulo 3
0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (0)
×

Comentários

×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x