Chame por Cigana


Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 15

Tempo estimado de leitura: 116 minutos

  Rafael demorou a se acostumar em ser seguido. Os dois policiais estavam em todos os lugares onde frequentava – faculdade, o salão de beleza, os caminhos onde percorria... Apesar de ser necessário, o incomodava porque gostava de se sentir livre, não preso como um pássaro numa gaiola. Detestava o excesso de olhos sobre si.
0
Comente!x

  Micaela e Mia não foram avisadas da situação por não querer gerar preocupações excessivas nelas. Afinal, o alvo era ele, não as duas.
0
Comente!x

  - Será que são moradores novos? – a mãe o questionava no mercado – Não paro de vê-los pelos arredores.
0
Comente!x

  É claro que as figuras dos homens de porte grande não passariam despercebida pela mulher.
0
Comente!x

  - Talvez. Vamos, vamos ver outras coisas.
0
Comente!x

  Tentava a todo custo redirecionar a atenção da mãe quando ela tocava no assunto.
0
Comente!x

  Nem mesmo escapou deles numa ia ao cinema com Kalisto.
0
Comente!x

  A sessão começava às nove da noite de um sábado. Foram assistir a uma comédia para dissipar um pouco daquela tensão. Os policiais estavam com uma expressão tão tediosa na fileira abaixo da deles que o ruivo não conteve a risada.
0
Comente!x

  Como o pudor era a menor preocupação do casal, o advogado aproveitou que a fileira estava vazia – e a escolha pelos lugares no canto não foi coincidência. Não demorou para aproveitarem o momento para se beijarem, passeando as mãos pelo corpo um do outro desejosos.
0
Comente!x

  Por querer assistir ao filme, dividia a atenção – adorando os toques do moreno e sem recusar os beijos, é claro. Tomava cuidado para não fazer nenhum barulho, então os únicos sinais de prazer eram as reações corporais e as expressões faciais. Agarrado a Kalisto pela pele do pescoço ser castigada com a língua macia, enxergou quando um dos policiais levantou. Provavelmente iria ao banheiro, porém, após se dar conta sem querer das atividades na fileira superior por virar a cabeça objetivando supervisioná-los, achou mais prudente manter-se sentado.
0
Comente!x

  Rafael segurou o riso quando o companheiro fez menção de levantar, mas foi impedido pelo outro, quem, estrategicamente, o segurou pela nuca para evitar ver o que acontecia atrás.
0
Comente!x

  Quando as mãos deslizaram até encontrar o cós do short e desabotoa-lo, sussurrou:
0
Comente!x

  - Estamos em público, amor.
0
Comente!x

  - Foda-se.
0
Comente!x

  Foi a resposta antes de toma-lo em sua boca – não foi a única vez naquelas duas horas e meia a gozar e nem o único, já que o advogado também atingiria o clímax em poucos minutos na sua mão com os lábios rosados sugando a cabeça.
0
Comente!x

  Jonathan não estava bem desde o acontecimento com o primo.
0
Comente!x

  Quando viu o episódio do sequestro compreendeu que aquele era o objetivo de André ao pedir para encontrar com o primo, especificando algumas vezes o horário e o local exatos.
0
Comente!x

  Ligara para o homem pedindo por explicações, preocupado com a vida do familiar. Não obteve nenhuma resposta relevante além do “Foi pro bem dele. Não posso explicar nada agora. Se serve de consolo, você fez uma boa ação para protege-lo, mesmo que não compreenda essa situação.”
0
Comente!x

  Faltando menos de duas semanas para entregar a mala cujo conteúdo não se atrevia a conhecer no aeroporto, agindo devido ao medo de se afundar como o outro se afundava, ligara para o primo, marcando um encontro com ele. Avisou que não poderia conversar pelo telefone pelo assunto se referir a André. Só não esperava que o endereço enviado pelo ruivo fosse numa delegacia.
0
Comente!x

  Ao adentrar no lugar foi direcionado para o gabinete de Miguel, onde encontraria Rafael, Kalisto, Cauã e o delegado.
0
Comente!x

  - Oi! – correu para abraça-lo aliviado por não detectar nada de diferente – Você está bem? Fizeram alguma coisa contigo? – se separou para averiguá-lo.
0
Comente!x

  - Não. Estou bem, sim. Eu consegui fugir.
0
Comente!x

  - Como? Rafa, eram quatro caras naquele carro! Como...
0
Comente!x

  - Digamos que a história seja longa demais. – Kalisto se pôs ao lado do ruivo o segurando pela cintura – O importante é que não lhe aconteceu nada de ruim.
0
Comente!x

  - Temos algumas coisas para tratar contigo. – Cauã se aproximou com a mão estendida num comprimento – Cauã. Sou primo do Bruno.
0
Comente!x

  - Jonathan. – não compreendeu porque sentiu-se acuado ali – Olá. – apertou a mão estendida.
0
Comente!x

  - Miguel. – o advogado pontou para o amigo estava atrás de sua mesa observando a cena – Agora com todos devidamente apresentados, podemos, por favor, conversar sobre o tema principal?
0
Comente!x

  - Primeiro, gostaria de te ouvir, Jonathan. Qual a sua relação com André? – o delegado tinha olheiras não muito profundas, sinais do cansaço por causa do caso.
0
Comente!x

  - É um colega. Nunca fomos tão próximos.
0
Comente!x

  - Pelo o que descobri na minha investigação, te entrega uma mala pra ser guardada por você.
0
Comente!x

  As palavras o empalideceram.
0
Comente!x

  - Eu não...
0
Comente!x

  - Nem tenta mentir. Descobri essa informação por meio do celular do André.
0
Comente!x

  - Como é que... – não conseguia entender a situação com as peças faltando.
0
Comente!x

  - Da última vez que esteve lá em casa, o André acabou esquecendo o celular. – Rafael tratou de lhe sanar a dúvida.
0
Comente!x

  - Ninguém esquece um celular assim hoje em dia.
0
Comente!x

  - Depois de tentar me desfigurar com uma faca e do Kalisto o surrar em consequência o impedindo, vá por mim, dá pra esquecer.
0
Comente!x

  O advogado tratou de abraça por trás. Se a lembrança o incomodava, sem dúvida gerava angústia maior no outro, quem fora vítima das atrocidades.
0
Comente!x

  - O quê? Como assim?
0
Comente!x

  - O cara não é uma boa pessoa. – contou Kalisto sem afastar-se de Rafael, quem encarava o chão tomado pelas memórias – E um namorado pior ainda, se é que dá pra chama-lo assim devido às merdas que o Rafa sofreu nas mãos daquele filho da puta.
0
Comente!x

  - André está envolvido com algumas coisas digamos... Não muito corretas.
0
Comente!x

  - O Bruno está envolvido nisso? É por isso que me chamaram? – Cauã não poderia soar mais apreensivo.
0
Comente!x

  - De certa forma, sim. Jonathan, sabemos sobre as malas entregues pelo há um pouco mais de um ano. O que faz com a maconha que recebe?
0
Comente!x

  Durante a fala, os joelhos do rapaz fraquejaram. Pararia facilmente na cadeia – inclusive por ser um homem negro num contexto como aquele. Sabia que se fosse branco, loiro, de olhos azuis e endinheirado não teria tantos problemas – e não era a sua realidade.
0
Comente!x

  Notando a fragilidade, o mais novo o encaminhou para a cadeira, onde se sentou com as mãos trêmulas. Amedrontado, buscou pelo olhar dele.
0
Comente!x

  - Está tudo bem. Confia em mim. Nada de ruim acontecerá contigo. – assegurou o segurando pelos ombros para lhe transmitir força.
0
Comente!x

  - É pro meu filho. O menino é autista e tem uma série de comorbidades. Quando era mais novo tinha várias crises. Era horrível. A gente não dormia por várias madrugadas, a minha esposa precisou desistir do trabalho pra cuidar dele, quando sai de casa é só pra leva-lo pra fazer os tratamentos, eu só chego em casa pra dormir de tanto trabalhar... A situação era insustentável. O coloquei para fazer uso de forma medicinal. Só assim as crises pararam. Ele fez grandes avanços depois disso.
0
Comente!x

  Por detrás da fachada séria, Miguel escondia a compaixão ao ouvir o discurso. Numa troca de olhares rápida com Kalisto, o amigo notou. A profissão do delegado era bem desgastante, lhe exigindo uma série de características desafiantes, além de esconder outras não muito apreciadas no trabalho – e uma delas definitivamente se apresentou ali, como a compaixão.
0
Comente!x

  - Sabe qual é o conteúdo das malas?
0
Comente!x

  - Não. Nunca me atrevi a abrir ou sequer perguntar. O trato era pra mim guarda-las em troca da maconha. Nada além disso.
0
Comente!x

  - O que acha de nos ajudar a sair dessa enrascada ileso, sem passagem pela polícia e sem voltar ter contato o André de forma segura para não te atormentar?
0
Comente!x

  - O meu filho...
0
Comente!x

  - Posso ajudar com isso. – Kalisto se prontificou ao interrompendo – Não é bem a minha área, mas consigo a autorização necessária para o menino continuar o tratamento com a cannabis. Posso conversar com uns colegas os quais não farão objeção alguma em lhe prestar esse auxílio.
0
Comente!x

  - Também conheço alguns profissionais sérios que atuam aqui no Rio de Janeiro com crianças autistas. – Cauã avisou de braços cruzados – Não sei qual é a situação financeira de vocês, mas eles costumam fazer um trabalho voltado para o público de baixa renda. Talvez seja uma proposta interessante para avaliar com a mãe da criança.
0
Comente!x

  - Acho que todas as suas dúvidas foram sanadas, primo. – o ruivo tinha um sorriso de agradecimento no rosto para os dois ao encostar a cabeça no ombro do moreno.
0
Comente!x

  - Podemos contar com a sua ajuda, então?
0
Comente!x

  - Podem, sim.
0
Comente!x

  Com algumas informações recolhidas sobre André após explicarem a real dimensão do caso para Jonathan, quem quase caiu da cadeira com a notícia, o delegado não demoraria a planejar um meio de fazer uma emboscada no aeroporto quando a mala com drogas fosse entregue antes de ser enviada pro exterior.
0
Comente!x

  - Só me responde uma coisa, Jonathan. – solicitou o advogado quando foram dispensados, impedindo a saída dos demais pela sua fala – Por que não avisou para Micaela sobre o sequestro? Afinal, se viu tudo, era de se esperar contar para ela.
0
Comente!x

  - Amor... – Rafael lhe segurou o braço preocupado com o que aconteceria a seguir dependendo da resposta.
0
Comente!x

  - Rafa... – a culpa era tamanha que os olhos encheram de lágrimas embaçando a visão – Me desculpa. O André me chantageou dizendo que, caso eu não me encontrasse contigo naquele endereço, iria parar de me entregar a cannabis.
0
Comente!x

  Kalisto se obrigou a conter sua ira. O mais puro ódio o tomou, confirmando suas suspeitas. Cauã se pôs atrás dele apenas por precaução ao acompanhar a mudança no semblante do outro. Rafael aumentou a pressão exercida do aperto no braço numa tentativa de contê-lo caso avançasse sobre o primo.
0
Comente!x

  Diferente do que os demais esperavam, foi furioso até a mesa do amigo. O movimento foi brusco ao ponto de carregar o menor consigo aos tropeços. Apanhou a caneca de porcelana do amigo sobre a mesa, se virou para os outros e a arremessou contra a parede. Cauã precisou se abaixar para não ser atingido.
0
Comente!x

  - Porra, Kalisto! – gritou revoltado, já que a havia ganhado de presente.
0
Comente!x

  - Desconta em mim, não. – reclamou Cauã, quem sentiu a peça atravessar os cabelos de tão rente – Tenho porra nenhuma a ver com a história, cacete!
0
Comente!x

   – Ai, cara... Minha caneca favorita. – frustrado, o delegado foi na outra extremidade da sala para catar os pedaços de porcelana no chão.
0
Comente!x

  - Ou era isso ou eu tacava nele. – apontou para o outro.
0
Comente!x

  - Querido, calma. – parou na frente dele o segurando pelo rosto – Aquilo já passou. Acabou. Além do mais, o Jonathan não tem culpa de nada. Eu acho.
0
Comente!x

  - Eu não sabia o que iria acontecer. – soava quase histérico – Primo, por favor, me desculpa. – cruzou as mãos rente o queixo – Eu juro, juro que não sabia.
0
Comente!x

  O moreno puxou o ar para soltá-lo pelas narinas devagar. Com a voz grave pelo esforço em controlar o temperamento, se dirigiu ao depoente:
0
Comente!x

  - A sua sorte é que sou um homem justo e ponderado. Reconheço que é tão vítima quanto o Rafael. Embora eu quisesse demais, não vou bater em você. – o tom era gélido – Até porque os três não seriam suficientes para te arrancar das minhas mãos.
0
Comente!x

  E era verdade.
0
Comente!x

  Uma vez, na companhia dos amigos, fora vítima de homofobia. Sérgio, Gustavo e Miguel precisaram da assistência de uma outra pessoa para contê-lo, o afastando do homofóbico, quem já tinha o queixo quebrado, assim como o nariz – e mesmo assim não foi um processo simples, já que tinham as faces roxas de tanto esforço físico.
0
Comente!x

  - Será que adianta colar? – desolado, Miguel colocava os fragmentos na mesa.
0
Comente!x

  - Ih... Acho que foi perda total. – por estarem próximos a mesa, o ruivo averiguou – Desculpa.
0
Comente!x

  - Me fala o valor por mensagem, Mike. Depois te mando o Pix pra comprar uma nova.
0
Comente!x

  Faltando menos de quinze dias para a operação ser efetuada pela equipe de Sérgio, Bruno passou pela porta do quarto de hotel onde aconteciam os encontros em estado de palidez.
0
Comente!x

  - O que foi? Machucaram você? – o sentou na cama tomado pela inquietação por vê-lo abalado.
0
Comente!x

  - Vão. Ou melhor, uma pessoa vai. – cruzara as pernas sobre o colchão amedrontado.
0
Comente!x

  - Como assim?
0
Comente!x

  - Acabei de ser avisado que aquele empresário maníaco quer me ver de novo. – estava aterrorizado.
0
Comente!x

  As marcas no corpo já começavam a melhorar e detestava a ideia de se deparar com elas vívidas em sua pele novamente. Cada arranhão, cada golpe, cada tapa, cada choque fora registrado pela sua alma. Ao ouvir que não tardaria em se reencontrar com o cliente, a notícia o fez vomitar tamanho o seu repúdio pela figura do empresário cuja máscara de cidadão de bem escondia o ser desprezível, sádico e doentio quem realmente era.
0
Comente!x

  - Quando vai ser isso?
0
Comente!x

  - No final do mês. Não posso ficar com ele de novo. Não posso. – dizia desesperado balançando a cabeça, molhando a face com o choro.
0
Comente!x

  O policial, compadecido, o abraçou importando-se somente em consolá-lo. O rapaz deixou sair parte das lágrimas as quais guardava desde a sua chegada ao Egito. O medo, o desespero, a sensação de perda de tudo o que conhecia e quem amava, e o temor pela segurança de sua própria vida eram expressas ali sem elaborar uma única palavra nos braços do único capaz de acolhê-lo genuinamente no país cuja cultura, sociedade, culinária, comportamento e idioma destoavam de sua identidade e real realidade.
0
Comente!x

  - Eu não vou deixar isso acontecer. – se separou apenas para encará-lo o segurando pelo rosto.
0
Comente!x

  - Como? Você não pode impedir. – nem soube como o outro foi capaz de compreender de tanto que soluçava.
0
Comente!x

  - É só me passar seus dados. Sabe de cabeça seu RG e CPF?
0
Comente!x

  - Sim.
0
Comente!x

  Foi até o armário de onde retirou seu celular. Se sentando na cama, entrou no bloco de notas.
0
Comente!x

  - Digita pra mim junto com o seu nome completo.
0
Comente!x

  Teve certa dificuldade para digitar devido às destras trêmulas.
0
Comente!x

  - Pra que isso?
0
Comente!x

  - Vou mandar fazerem um passaporte pra você.
0
Comente!x

  - Gato, vai demorar.
0
Comente!x

  - Hey. – beijou ao testa – Sou policial. Acredite, tenho meios para o seu passaporte chegar rapidinho até mim. – o segurava pela nuca.
0
Comente!x

  - Tem certeza?
0
Comente!x

  - Totalmente. Eu não vou permitir o filho da puta de chegar perto de você. É uma promessa.
0
Comente!x

  Horas mais tarde se reuniria com sua equipe numa chamada de vídeo com Miguel para anteciparem a operação. Não revelaria o motivo da alteração, porém ela daria ótimos resultados, inclusive o retorno de Bruno para o Brasil simultaneamente com a prisão de André.
0
Comente!x

  Por ler as informações no celular do traficante e aliciador, além de grampear o número novo, Miguel já conhecia como funcionava o esquema.
0
Comente!x

  Havia um homem dentre os funcionários do aeroporto quem facilitava o processo de envio das drogas para o exterior ao trocar rapidamente as malas. A vazia retornava com André para casa enquanto a outra era exportada. Já tinha os dados necessários, assim como fotos e áudios para comprovar o envolvimento deles no esquema.
0
Comente!x

  Apenas não esperava que André continuava em busca de Rafael, o encontrando no aeroporto.
0
Comente!x

  Nunca agradeceu tanto por ser ator.
0
Comente!x

  Jamais pensou que o seu talento no campo artístico salvaria a sua vida.
0
Comente!x

  Bruno caminhava na rua movimentada em companhia de um dos homens responsáveis por levar os traficados para se prostituírem evitando, assim, a fuga. Na calçada do hotel avistava metros à frente um carro preto estacionado com apenas o motorista quem retirou os óculos – o sinal que precisava segundo o combinado com Sérgio.
0
Comente!x

  Ao nota-lo cambaleando à beira de perder a consciência, o criminoso o segurou pelo pulso:
0
Comente!x

  - Você está bem?
0
Comente!x

  - Não sei. – puxava o ar com dificuldade, aparentemente sem foca-lo como deveria enquanto envolvia o pulso magro com os dedos – Eu acho que...
0
Comente!x

  O puxou com força para si dando um passo para o lado abrindo espaço para correr. Como o loiro não esperava pela ação, caiu no chão úmido pela chuva de poucos minutos antes. Bruno desviou das pessoas com agilidade até chegar ao veículo, onde abriu a porta e se jogou no interior.
0
Comente!x

  Quando o bandido se levantou, já o havia perdido de vista, assim como o carro já havia saído.
0
Comente!x

  - Bruno é o seu nome, né? – o motorista indagou.
0
Comente!x

  - Sim. – ofegante pela adrenalina, estava até com a boca seca.
0
Comente!x

  - Nessa mochila há algumas mudas de roupas, assim como o seu passaporte e dinheiro suficiente para chegar ao Brasil.
0
Comente!x

  Durante as instruções, o ator aproveitou para abrir a mochila preta e avaliar o conteúdo.
0
Comente!x

  - Fui instruído para leva-lo para o aeroporto. Tudo o que precisa para a viagem está aí.
0
Comente!x

  Ao agarrar o passaporte, chegou a beijá-lo por ser a porta de saída daquele inferno, assim como o seu documento de identidade.
0
Comente!x

  - Indico aproveitar para trocar de roupa durante o caminho. É mais seguro.
0
Comente!x

  Antes de descer com a mochila nas costas quando o carro parou no aeroporto, pediu:
0
Comente!x

  - Por favor, agradeça ao Sérgio por mim. Não sei se conseguirei falar com ele novamente, então...
0
Comente!x

  - Se quiser, vai, sim. – estendeu um pedaço de papel – O Sérgio me pediu também para lhe entregar isso. É o número de telefone dele. Quando chegar no Brasil, lhe envie uma mensagem. Só não demora porque ele mudou planos importantes para um senhor caralho pra sua fuga.
0
Comente!x

  Rafael estava muito animado caminhando pelo aeroporto do Rio de Janeiro.
0
Comente!x

  Acompanhava Débora e Antônio porque iriam juntos para São Paulo passar as férias com a família dela.
0
Comente!x

  Kalisto estava junto, quem segurava a pequena mão na sua. O casal recente estava extremamente feliz quando se despediram a caminho de entrarem no avião – então não presenciaram a cena de minutos depois.
0
Comente!x

  Rafael e Kalisto aproveitaram o horário para lanchar num clima agradável enquanto Bruno descia pelas escadas rolantes. Ao avistá-los, sua primeira atitude foi de se aproximar. Porém, em seguida se deparou com o loiro quem o aliciou. Retirou o boné do cós da calça para colocá-lo com a aba mais baixa, tampando parte do rosto.
0
Comente!x

  Apesar da distância, foi capaz de ver o exato momento onde o aliciador se encontrou com uma futura vítima – uma mulher de vinte e seis anos. Se sentiu um pouco mais aliviado quando um funcionário os abordou, os encaminhando para uma sala em outro andar onde a prisão seria efetuada.
0
Comente!x

  André já havia trocado a mala com o funcionário quem facilitava o processo de tráfico humano e de drogas. Por dar as costas e ir para outra direção, não veria o comparsa ser interceptado por dois policiais, o encaminhando para uma sala diferente da do aliciador loiro.
0
Comente!x

  Ao retornar, se deparou com Rafael e Kalisto juntos na fila do McDonald’s. Não perderia a oportunidade, então se dirigiu para eles.
0
Comente!x

  Bruno não compreendeu a expressão tão obstinada e raivosa de André enquanto se aproximava do casal, mas seus instintos lhe avisavam que boa coisa não era. Tentava se desviar das pessoas da melhor forma como poderia para alcança-los, entretanto não conseguiria ser mais rápido que o outro. O fluxo intenso o atrapalhava de avançar, atrasando seus indispensáveis segundos os quais fariam a diferença.
0
Comente!x

  - Rafael!
0
Comente!x

  Lhe restou apenas gritar pela falta de alternativa melhor. Infelizmente, o tiro saiu pela culatra.
0
Comente!x

  Como ambos se viraram para a origem do grito, o ex aproveitara a oportunidade para agarrar o braço do ruivo quando passou por trás do pequeno corpo. O arrastou consigo rapidamente em passadas largas.
0
Comente!x

  Preciosos instantes mais tarde Kalisto deu-se conta do desaparecimento de Rafael, vasculhando o lugar ao redor com os olhos.
0
Comente!x

  - Kalisto!
0
Comente!x

  Ao se deparar com Bruno no campo de visão, não poderia parecer mais atordoado.
0
Comente!x

  - Bruno?! O que está fazendo aqui?
0
Comente!x

  Sem cerimônia, o agarrou pela pulso o puxando em outra direção.
0
Comente!x

  - Vem, vamos!
0
Comente!x

  Saiu tropeçando nos próprios pés aos solavancos sem compreender a gravidade da situação.
0
Comente!x

  - Pra onde? O que está acontecendo? O Rafa...
0
Comente!x

  - André o pegou.
0
Comente!x

  - Quê?!
0
Comente!x

  - Tentei avisar, mas passou por detrás de vocês e o levou. Vem comigo porque vi por onde passaram.
0
Comente!x

  Só havia uma possibilidade para o rival estar no aeroporto – o tráfico de drogas ou o tráfico de pessoas.
0
Comente!x

  Miguel lhe dera a data quando ocorreria a operação – e não seria naquele dia em específico. Portanto, o coração apertou pela sensação ruim de apreensão devido ao andamento dos acontecimentos dos últimos minutos.
0
Comente!x

  - A gente precisa correr. – o avisou passando ao seu lado no mesmo ritmo de caminhada.
0
Comente!x

  - Não há necessidade.
0
Comente!x

  - Tem, sim!
0
Comente!x

  Bruno não gostou do olhar carregado lançado por Kalisto.
0
Comente!x

  - Corre. Agora!
0
Comente!x

  Atravessaram o aeroporto correndo com o advogado seguindo o antigo traficado, quem sabia o caminho percorrido pelo outro. Notaram que havia algo de errado quando pessoas andavam apressadas e totalmente assustadas para o lugar de onde a dupla estava até então, se afastando de algo. O coração apertou ao detectar uma movimentação atípica mais à frente, com policiais portando armas.
0
Comente!x

  Correu ainda mais rápido até ser barrado por um dos membros da equipe de Miguel, quem tentou impedi-los de ultrapassar aquele ponto. O coração batia forte, a tensão aumentava e, ao ver a cena, foi capaz de se desvencilhar por causa da adrenalina, puxando Bruno consigo para se aproximarem.
0
Comente!x

  André usava Rafael, quem estava aterrorizado, como escudo humano para evitar dos policiais o prenderem ou atirarem. Agarrava o ruivo abraçado com um braço e segurava uma lâmina afiada na outra, cuja pressão exercida sobre o pescoço já começava a deixar a pele avermelhada.
0
Comente!x

  - Solta ele. Isso não vai adiantar de nada. – Miguel tentava dialogar com uma arma nas mãos.
0
Comente!x

  - Não! Do que adianta ele continuar por aí se vão pegá-lo? – visivelmente estava drogado.
0
Comente!x

  - Que droga, Miguel! Atira logo! – exigiu a vítima entredentes.
0
Comente!x

  - Amorzinho, ele não vai correr o risco de ferir o amado do amiguinho dele. – beijou a têmpora.
0
Comente!x

  - Foda-se se for isso, Miguel! Quanto mais tempo passo com o André aqui pior é porque corro mais risco. Larga de ser frouxo e atira!
0
Comente!x

  - Diz oi pro seu amorzinho. – murmurou o ex com globos dilatados no advogado – Ele está ali, olha.
0
Comente!x

  Apontou com o queixo para onde o homem estava ao lado de Bruno.
0
Comente!x

  - Amor... – formou o apelido nos lábios sem som com os olhos marejados por não querer que fosse visto daquela maneira.
0
Comente!x

  - Amor, calma. – pediu tentando lhe passar tranquilidade – Vai ficar tudo bem.
0
Comente!x

  Apreensivo, Bruno tampara a boca com as palmas temendo pela vida do seu melhor amigo.
0
Comente!x

  - SÓ VAI FICAR TUDO BEM QUANDO ATIRAREM NELE, CARALHO! COLOCA JUÍZO NA CABEÇA DA PORRA DO SEU AMIGO!
0
Comente!x

  - Se atirar levo o Rafaelzinho junto. – pressionou a lâmina ainda mais contra a pele alva, causando um leve corte para enfatizar a veracidade de suas palavras.
0
Comente!x

  Encolheu os ombros pela súbita dor.
0
Comente!x

  - André! – Bruno deu alguns passos à frente – Não vai acontecer nada com o Rafa. Essa merda toda já está acabando. Do contrário, eu não estaria aqui.
0
Comente!x

  Alterado, balançava a cabeça de um lado pro outro com o olhar injetado.
0
Comente!x

  - Não, não, não, não. – nervoso, esfregou o rosto no braço – O que você está fazendo aqui?
0
Comente!x

  - Eu fugi. Por favor, por favor, não faça nada com o meu amigo. – suplicou.
0
Comente!x

  - Cala a boca! Estão tentando me enganar, mas não vão.
0
Comente!x

  - Deixa de ser burro, seu desgraçado de merda! – o advogado deu um passo à frente – Se fizer qualquer coisa com o Rafael vai ser pior pra você. Usa a sua cabeça pelo menos uma vez na vida. Pense nas consequências dos seus atos. Só vai se ferrar se continuar o usando como refém.
0
Comente!x

  Durante a discussão, se lembrou da navalha guardada no bolso a pedido da responsável quem a entregou, conhecida como Maria Navalha. Aproveitou a oportunidade da distração de André conversando com os policiais, Bruno e Kalisto para apanhá-la devagar torcendo intimamente não chamar a atenção do outro sobre si. Num único movimento, a cravou na mão cuja lâmina pressionava a garganta. Como foi pego de surpresa, afrouxou o aperto e, em consequência do ferimento, a deixou cair no chão. E, então, pôde fugir para os braços de Kalisto enquanto André era algemado para ser preso.
0
Comente!x

  - Graças a Deus! – o advogado o apertava num abraçado carregado de alívio – Graças a Deus você está bem. – beijava os cabelos contendo as lágrimas.
0
Comente!x

  - Amor... – puxou o ar com os olhos fechados sentindo o seu perfume característico – Nossa, como é bom estar contigo agora.
0
Comente!x

  Se separou do rapaz para averiguar a tênue ferida no pescoço. Bruno estendeu o boné para o estancar o sangue do corte superficial, o qual logo foi apanhado por Rafael.
0
Comente!x

  - Meu Deus! Bruno! – gritou se jogando nos braços dele – Como você veio parar aqui?!
0
Comente!x

  - Amigo... A história é longa, mas só digo uma coisa. Nada como estar de volta na minha terra. – chorava de tanta emoção.
0
Comente!x

  - Cuidado pra não se sufocarem, gente. – Kalisto falou em meio a risos pelas faces tornarem-se arroxeadas.
0
Comente!x

  O momento seria bem mais bonito caso não fossem os gritos cheios de ameaças proferidas por André ao fundo, quem se debatia dificultando o policial de leva-lo. Sem um pingo de paciência, o moreno foi até o delegado, de quem retirou a arma na cintura. Parou rente ao criminoso e, sem pestanejar, atirou no pé, causando um susto em todos. Não faria grandes estragos, mas facilitaria o processo da prisão – além de descontar um pouco da raiva que sentia por ter sido enganado por ele há quatro anos e as agressões num sentido completo da palavra feitas tendo seu menino como vítima, é claro.
0
Comente!x

  André imprecou sentenças desconexas sendo arrasto pelo policial, deixando um rastro de sangue pelo piso.
0
Comente!x

  - Está louco, cacete?! – Miguel apanhou a arma de volta.
0
Comente!x

  - Eu só fui sensato. Dei um motivo real pro filho da puta reclamar e ainda facilitei o seu trabalho. Não sei porque está reclamando. Deveria me agradecer.
0
Comente!x

  Em questão de horas Sérgio invadiria os lugares espalhados pelo Oriente Médio e a Espanha envolvidos naquele esquema de tráfico, libertando as vítimas e prendendo os criminosos.
0
Comente!x

  André viveria seu inferno pessoal a partir daquele momento. Em sua primeira audiência, após os policiais descobrirem seus atos, deixaria o lugar alguns minutos atrasado depois de passar no banheiro. Entrara intacto e saíra de lá cambaleando com diversos ferimentos, inclusive faltando dois dentes.
0
Comente!x

  - Que houve com o meu cliente?! – questionaria o advogado ao ver seu estado deplorável.
0
Comente!x

  - Caiu vindo pra cá. – contou um dos amigos de Miguel limpando a farda de uma sujeira escura. Encarava o moribundo com desprezo.
0
Comente!x

  - Ele só foi ao banheiro! – reclamou o advogado.
0
Comente!x

  - Ele caiu muitas vezes pelo caminho. – outro policial cujos punhos estavam avermelhados reforçou a mensagem.
0
Comente!x

  Rafael apenas contou para a família sobre os últimos acontecimentos envolvendo André e Bruno passados exatos sete dias. Imaginava os mais diversos cenários sobre como seria a reação da mãe ao tomar conhecimento da história. Entretanto, infelizmente, sua imaginação não pôde elucidar sobre o que realmente aconteceria.
0
Comente!x

  Enfurecida, Micaela tentava perseguir o filho pela casa mancando. Rafael desviava de algumas almofadas arremessadas por ela ao chegarem na cozinha, onde a irmã assistia à cena segurando o riso saboreando um doce de leite preparado horas antes ainda na lata de alumínio.
0
Comente!x

  - Mãe, eu estava te protegendo! – colocou uma cadeira entre eles formando um obstáculo.
0
Comente!x

  - Protegendo é uma ova! – tacou mais uma almofada, dessa vez acertando o alvo no rosto – Acha que fico feliz em saber dessas coisas só agora, Rafael Siqueira?!
0
Comente!x

  - Eu não queria te preocupar. Além do mais, a senhora não está tão nova assim... Pode afetar o coração e...
0
Comente!x

  Se interrompeu ao ver a feição irada da mãe. Definitivamente fez a escolha errada de palavras.
0
Comente!x

  - Espera, calma! Não estou te chamando de velha! É... Só... O o s-seu co-r-ração pode ficar fragilizado, mãezinha.
0
Comente!x

  - Está me chamando de velha, menino?
0
Comente!x

  - Não!
0
Comente!x

  - Sim.
0
Comente!x

  Os irmãos responderam simultaneamente.
0
Comente!x

  - Mia. – estendeu a outra almofada pra filha – Toma. Eu posso não correr atrás do seu irmão, mas as suas pernas estão em ótimo estado.
0
Comente!x

  - Mãe, eu não posso bater no Rafa, tadinho.
0
Comente!x

  - Ou é isso ou a deixou sem celular por três meses.
0
Comente!x

  Cedendo ao comando da mãe sem alternativa, tomou a última colherada do doce antes de segurar a almofada redonda.
0
Comente!x

  - Desculpa, Rafa.
0
Comente!x

  Não hesitou em bater nele, quem se desvencilhava até correr pela casa fugindo da pequena.
0
Comente!x

  A mãe se acomodou no sofá aguardando o momento propício. Quando o rapaz passou em frente a genitora, jogou o chinelo segurado estrategicamente na mão direita.
0
Comente!x

  Só quando o calçado o atingiu nas costas, pediu:
0
Comente!x

  - Já chega.
0
Comente!x

  A menina foi até Micaela ao mesmo tempo que o irmão tentava massagear a área dolorida.
0
Comente!x

  - Você é uma boa filha, Mia.
0
Comente!x

  - Estou sempre aqui pra te dar orgulho. – beijou a testa da mãe em meio a risinhos pela careta de dor do irmão.
0
Comente!x

  Às nove horas da noite de sábado, Rafael fora puxado pela mão para uma área mais vazia pela morena com vestido vermelho.
0
Comente!x

  - Vai deixar mais quanto tempo aquele perna de calça esperando por você? – apontou pro moreno com o queixo, quem pegava alguns pedaços de churrasco para comer.
0
Comente!x

  - Ah, moça... Não sei. Fico com medo de tomar a decisão errada.
0
Comente!x

  O avaliou com um sorriso de quem tinha as informações necessárias para alterar o rumo das coisas, embora jamais fosse revela-las.
0
Comente!x

  - Sabe o que ele e o traste tinham em comum? – retirou o maço de cigarro entre os seios apanhando um.
0
Comente!x

  - Não.
0
Comente!x

  - Poder e dinheiro. – o pôs nos lábios guardando o maço no seu lugar de origem.
0
Comente!x

  - Como assim?
0
Comente!x

  O acendeu com o isqueiro guardado no mesmo lugar e deu um trago em seguida.
0
Comente!x

  - Os dois tiveram poder e dinheiro. – soltou a fumaça pelas narinas o prendendo entre os dedos – O moço quem você ama faz uso de forma devida. É justo. Não prejudica ninguém. O outro? Apenas trouxe desgraça pra ele e respingou em você. O Kalisto não mudou em nada de sua personalidade, diferente do traste, quem se revelou, inclusive te descendo o cacete. Um quase foi o responsável pela sua ruína. O outro, pela sua vitória. Nós dois já sabemos que retornou para os braços daquele perna de calça quem carrega no coração há anos. Não demore pra decidir tornar pública a união dos dois. Não há mais nada os separando. Quer ser feliz, filho?
0
Comente!x

  - Sim.
0
Comente!x

  - Então se permita. Não vai demorar pra chegar aos seus ouvidos algumas coisas feitas pelo moço na surdina. Você ainda não sabe de tudo.
0
Comente!x

  Minutos mais tarde, uma moça de saia branca longa, camisa vermelha e um chapéu do típico malandro carioca, parou ao seu lado.
0
Comente!x

  - Se está aqui hoje é sinal de que me deu ouvidos e fez bom uso da minha navalha. – estendeu mão com a palma pra cima num pedido velado para devolvê-la à sua dona.
0
Comente!x

  - Olha, nem sei como agradecer. – entregou a navalha com um sorriso tímido – Não sabe como me ajudou.
0
Comente!x

  - Realmente, eu não sei, mas ele estava lá. – apontou para o homem de trajes do malandro carioca, quem dançava com a bengala – Me contou os detalhes mais importantes. Não imagina o orgulho que sentimos de você pela sua bravura, filho. – guardou o objeto cortante no cós do sutiã – E tem uma maneira de me agradecer, sim.
0
Comente!x

  - Como?
0
Comente!x

  - Sendo feliz. – acariciou a bochecha macia com um sorriso gentil – Estando bem. Cercado de quem te ama. Curado aqui. – pousou a mão no peitoral sentindo o coração bater – É o suficiente para nós. E se quiser trazer uma cachacinha pra eu tomar não irei negar.
0
Comente!x

  Nas férias de julho, Rafael pôde, finalmente, descansar. Ou melhor, foi obrigado a isso.
0
Comente!x

  A família não o permitia estudar durante aquele período. Até mesmo Nichole foi a responsável por esconder os livros do amigo em seu apartamento a pedido de Micaela, quem seria capaz disso, sim, com orgulho para o filho descansar durante aquele período. Portanto, quando não estava no salão, cuja carga horária diminuiu durante aquele período, estava ou descansando ou desfrutando de momentos relaxantes na companhia de quem amava.
0
Comente!x

  Ao chegar no início da noite após passar a tarde na casa de uma amiga assistindo filme, a irmã ouviu a parte final uma conversa do irmão com Victor, Morgana e Nichole pela vídeo-chamada. Comentava sobre Kalisto e que ainda estava receoso sobre o retorno do relacionamento, então ainda não se decidira se reataria. O medo o travava de tomar uma decisão, embora o advogado não o pressionasse. Por conseguinte, devido a algumas informações as quais o irmão ainda não tinha acesso, decidiu não manter tudo o que sabia no sigilo.
0
Comente!x

  - Rafa... – insegura, abriu a porta quando o escutou se despedir deles – Posso falar contigo rapidinho?
0
Comente!x

  - Claro. – acenou para ela entrar.
0
Comente!x

  Se acomodou na cama de pernas cruzadas.
0
Comente!x

  - Eu não deveria te contar isso porque prometi a mamãe, mas é melhor saber de uma vez.
0
Comente!x

  - Aconteceu alguma coisa, Mia? – preocupado pela seriedade incomum, se ajoelhou em frente a ela – Fizeram algo com vocês?
0
Comente!x

  - Não, não. É que... Se nós ainda temos uma casa, é por causa do Kalisto. E se voltou pra faculdade é também por causa dele.
0
Comente!x

  - Como? – realmente achou ter ouvido errado.
0
Comente!x

  - Então, no início do ano fui com a mamãe no mercado. Lá passou mal depois de ler uma mensagem no celular. Por sorte o Kalisto nos encontrou. Foi ele quem a socorreu e nos levou pra almoçar em seguida num restaurante bem chique. Nos tratou super bem, aliás. Foi tão bonzinho que pagou a nossa comida com direito a sobremesa. Achei bem estranha essa história do desmaio justamente depois de mexer no celular, então aproveitei uns dias depois pra descobrir. Vasculhando o cel dela, li algumas mensagens com o proprietário da casa e com o Kalisto. Estávamos devendo mais de três meses de aluguel. Seríamos despejados. Esse foi o motivo do desmaio. Quem pagou esse valor foi o Kalisto. Fez a transferência sem a nossa mãe pedir. Li também que foi ele quem deu um jeito de te colocar de volta pra estudar Direito. Mamãe me pediu pra não te contar nada, mas... Acho melhor você saber porque estou cansada de guardar esse segredo.
0
Comente!x

  Jamais se passaria pela cabeça do advogado o quanto aquela tarde quando encontrou Micaela e Mia seria fatídica, capaz de mudar completamente o rumo de sua vida e da vida da família Siqueira. Os ajudou sem segundas intenções. Não havia interesse por detrás das suas ações. Apenas não suportava a ideia de que eles ficassem desamparados sem ter pra onde ir – mesmo e apesar dos problemas envolvendo a origem obscura da separação do casal na época.
0
Comente!x

  Para o rapaz aquilo foi bem mais significativo, principalmente o esforço de manter a situação velada. A ideia de o homem preocupar-se consigo ao ponto de ajuda-lo para retomar os estudos e socorrer a sua minúscula família foi a chave que faltava para retornarem oficialmente o relacionamento. Foi o responsável por salvá-los de um problema o qual, talvez, não seria solucionado caso fossem despejados.
0
Comente!x

  E foi assim, numa decisão caridosa de meses anteriores, ainda movido pelas boas lembranças com aquelas pessoas, utilizando de seu poder aquisitivo e influência perante os professores e coordenadores do curso de Direito em prol de quem ainda amava sem lhe contar, independente do mal-entendido com o ruivo, movido pelo seu bom coração, que, sem imaginar, ganharia o “sim” de Rafael para reatarem.
0
Comente!x

  Ao ter o conhecimento sobre esses detalhes, foi de imediato para o apartamento de Kalisto após avisá-lo por uma mensagem de texto. Não o confrontaria com o assunto, mas nada o impediria de dar ouvidos ao seu coração. Permaneceria o restante da noite em sua companhia.
0
Comente!x

  Sentado em seu colo e sentindo plenamente a derme um do outro por não estarem vestidos, compreendeu a existência de algo escondido pelo ruivo por aparentar mais alegria e afeição que o normal. Além de adorar vê-lo naquele estado – sorriso bobo nos lábios junto aos olhos brilhantes era uma combinação adorável – se alegrava por não haver mais nenhuma sombra da presença de André.
0
Comente!x

  - Menino curioso. – num clima leve mordiscava a pele coberta pela barba rala quando o advogado lhe questionou se escondia algo – Na hora certa você vai saber. E vai gostar bastante da descoberta. – murmurou antes de beijá-lo suavemente.
0
Comente!x

  Dias depois viajou com sua equipe e Kalisto para São Paulo. Gravaria um clip com Alya, outra drag amiga sua, durante a madrugada de sexta-feira. Na manhã de domingo, também em terras paulistas, teria o ensaio de uma sessão de fotos.
0
Comente!x

  A gravação era pra ser tranquila, mas foi o total oposto. O caos se instaurou porque caíra uma chuva torrencial a noite inteira. Alteraram diversos planos, já que, inicialmente, teriam várias externas, então adaptaram vários trechos. Além disso, um dos bailarinos estava no hospital com intoxicação alimentar.
0
Comente!x

  Em síntese? Não restara quase nada da ideia original além do tema inspirado nos anos 80.
0
Comente!x

  Enquanto Nichole, Victor e Morgana debatiam sobre a situação, Alya e Princess observavam Kalisto indo buscar algo para tomar.
0
Comente!x

  - Amiga... – Princess cruzava os braços com um olhar clínico – Qual é a altura do bailarino, mesmo?
0
Comente!x

  - Um e oitenta e cinco.
0
Comente!x

  - Hum... Interessante esse detalhe. – batia o indicador no queixo pensativa – A diferença de altura é de dois centímetros.
0
Comente!x

  - O seu boy sabe dançar?
0
Comente!x

  - Tem uma certa malemolência. O gingado existe. – gesticulava com as mãos.
0
Comente!x

  - Coordenação motora?
0
Comente!x

  - Ótima.
0
Comente!x

  Trocaram um olhar cúmplice.
0
Comente!x

  - Está pensando o mesmo que eu? – afastou as mechas loiras dos olhos com as lentes.
0
Comente!x

  - Definitivamente, sim.
0
Comente!x

  Princess se dirigiu para a equipe.
0
Comente!x

  - Meninos, solução encontrada. Situações desesperadas exigem medidas desesperadas.
0
Comente!x

  - Victor, querido, pode emprestar isso daí? – pediu a ruiva.
0
Comente!x

  O rapaz de óculos lhe entregou o megafone.
0
Comente!x

  - Amiga, o boy é seu. É contigo.
0
Comente!x

  O estendeu para Princess, quem o pôs rente aos lábios.
0
Comente!x

  - Kalisto! Vem pra cá!
0
Comente!x

  O grito foi estridente ao ponto de tomar um susto, derrubando parte do café que havia despejado no copo de isopor para continuar acordado.
0
Comente!x

  Enquanto retornava, Alya chamou Lucas, o primeiro bailarino que estava nas suas vistas.
0
Comente!x

  - Lu, vou te dar três opções e só pode escolher uma. – o avisou assim que ele parou em sua frente – A primeira é sim, a segunda é sim e a terceira é sim. Qual a sua resposta?
0
Comente!x

  - Sim. – desconfiado pela situação inusitada, coçava a cabeça confuso.
0
Comente!x

  - Obrigada!
0
Comente!x

  Kalisto se pôs ao lado da cantora.
0
Comente!x

  - Kalisto, Lucas. Lucas, Kalisto. – Alya os apresentou.
0
Comente!x

  - Pronto. Temos o novo bailarino quem vai substituir o Gabriel. – avisou a loira.
0
Comente!x

  - Quem é? – os dois indagaram.
0
Comente!x

  - O Kalisto. – apontou para o amado.
0
Comente!x

  - Como é?!
0
Comente!x

  - Amor, é contigo. Vai ser o jeito. – dava tapinhas no ombro para incentivá-lo.
0
Comente!x

  - Lucas, passe as sequências para ele e o ensine o que precisa fazer. – pediu a de longa lace ruiva.
0
Comente!x

  - Quem vai fazer o quê? – o advogado não poderia estar mais perdido.
0
Comente!x

  - Você dança? – questionou o bailarino.
0
Comente!x

  - Sim.
0
Comente!x

  - É claro.
0
Comente!x

  - Não.
0
Comente!x

  As cantoras e o mais velho responderam juntos.
0
Comente!x

  - Ele aprende rápido. – o empurrou para Lucas – Vai!
0
Comente!x

  Kalisto não sabia se ria ou se chorava com a substituição.
0
Comente!x

  Enquanto pegava a coreografia com Lucas – sempre em público e nas vistas de Princess, é claro – Nichole dava os últimos ajustes na roupa, já que haviam algumas medidas corporais as quais não batiam com o novo integrante do corpo de baile.
0
Comente!x

  - É só esse trecho, né? – secava o suor na testa ao passar pela terceira vez a sequência coreográfica do refrão.
0
Comente!x

  - Piada boa. – Lucas conseguiu dizer em meio a risos carregados de desespero.
0
Comente!x

  - Tem mais?
0
Comente!x

  - Tem.
0
Comente!x

  - É devagar, lenta e pequena como essa, né?
0
Comente!x

  Nichole, quem se aproximava com o figurino ajustado, ouviu o trecho da conversa. Junto com Lucas os dois caíram em estrondosas gargalhadas.
0
Comente!x

  A experiência em si não foi ruim. Na verdade, acabou se tornando o momento alto da noite de maneira positiva em meio ao caos.
0
Comente!x

  Por ser advogado, não poderia mostrar o seu rosto. Assim, Victor tomou os devidos cuidados para esconder a face – e isso foi motivo de piada interna entre a equipe por dias, inclusive por manter a cabeça baixa em diversos momentos, arrancando diversas gargalhadas genuínas do advogado e das cantoras pelo cenário cômico.
0
Comente!x

  Até pra Victor sobrou.
0
Comente!x

  Enquanto Kalisto ensaiava com Lucas, a drag gravava um trecho sentada num banco usando collant e patins. O amigo ficou escondido numa posição desconfortável abaixado junto com a cantora para ela não desiquilibrar por não haver apoio e o banco estar bambo.
0
Comente!x

  - Quem foi a pessoa surtada quem teve essa ideia de merda? – Victor massageava a lombar dolorida.
0
Comente!x

  - Você. – a amiga respondeu rindo por vê-lo reproduzir caretas desgostosas.
0
Comente!x

  - Da próxima vez que eu tiver uma ideia de merda como essa, me avisa.
0
Comente!x

  - Nem adianta porque são as melhores. Fiquei uma grande gostosa com uma raba enorme.
0
Comente!x

  - Se a raba fosse a do Osvaldo Enrustido de Igreja, eu ficaria mais feliz.
0
Comente!x

  Depois daquelas horas Victor precisaria fazer algumas sessões de pilates.
0
Comente!x

  Princess não poderia estar mais orgulhosa pelo esforço exercido por Kalisto para ajudá-la, principalmente porque não existia a possibilidade de gravarem outro dia. Se não finalizassem naquela noite, não havia outra oportunidade.
0
Comente!x

  Encerraram as gravações às sete da manhã. Não registrou um segundo sequer a sua identidade, sempre montada e maquiada.
0
Comente!x

  Na única vez quando aparecia como Rafael, a câmera focava somente na silhueta e no tronco. Jamais na face.
0
Comente!x

  No período antes da sessão de fotos o casal aproveitou para passear. Por ser a primeira viagem para fora do Rio de Janeiro, desfrutou de cada segundo da melhor forma com Kalisto – tanto em público quanto à sós. Batiam fotos, riam e aproveitavam da melhor maneira.
0
Comente!x

  Na manhã da sessão de fotos, acordou mais cedo para se montar. Após tomado banho, apanhou todo o necessário para se maquiar na sala. Nichole chegou quando já finalizava o batom, ajudando a artista com a roupa.
0
Comente!x

  Deu um beijinho na testa do moreno adormecido antes de sair.
0
Comente!x

  No meado da sessão, Kalisto chegou apressado no prédio onde elas aconteciam. Havia pedido para ser avisado para acompanha-las, mas acabou demorado para acordar por terem ido descansar durante a madrugada – a cantora o achou tão adorável adormecido que não se atreveu a chama-lo.
0
Comente!x

  Ao adentrar no espaço, agradeceu pela escolha da calça jeans mais larga. Princess estava divina. A lace loira ornava com o conjunto preto. As tiras finas tampavam parcialmente o dorso. A saia justa que ia até os joelhos modelando as pernas permitia ser erguida para explorar a sensualidade. A maquiagem, a luva e os acessórios? Não poderia estar mais excitado.
0
Comente!x

  - Toma. – Nichole, quem se colocara ao seu lado comendo alguns salgadinhos, lhe estendera um guardanapo – É pra baba. Já está escorrendo.
0
Comente!x

  Durante a sua permanência ali acompanhou o ensaio com orgulho pela cantora, quem já havia lhe explicado sua trajetória na noite passada. Aproveitou para lanchar acomodado em um confortável sofá bem em frente onde ela posava. Não poderia haver mais amor no semblante.
0
Comente!x

  Ao final, Princess conversava com Kalisto. A brisa balançava os cabelos e, mesmo sem perceberem, trocavam frequentes toques. O fotógrafo, devido principalmente à química harmoniosa entre os dois, aproveitou para tirar fotos extras, as quais seriam enviadas por e-mail sem cobrar nada com uma mensagem.
0
Comente!x

  “Sou um amante da arte. Fotos posadas explorando o cenário com photoshop e ângulos certos envolvem minha profissão. Aqui? Só enxerguei o perfeito equilíbrio entre sentimentos mútuos, cadência e respeito. Essa, sim, é a verdadeira arte – e não cobro por isso. Apenas proporciono quando a encontro – vá por mim, é difícil de ser registrada tão bem quanto foi com vocês.”
0
Comente!x

  Ao chegarem no quarto do hotel onde se hospedaram, de mãos dadas, permitiu que caminhasse na sua frente enquanto permaneceu no lugar. Só quando os braços estavam esticados, a puxou para si para beijá-la.
0
Comente!x

  - Pensei que iríamos sair pra almoçar. – o segurando pela nuca, murmurou quando os lábios dele se dirigiram para seu pescoço
0
Comente!x

  Kalisto deslizou as palmas pelas costas até alcançar a bunda, onde segurou para pressioná-la contra si. Por sorte estava de luvas, então a pele não seria castigada.
0
Comente!x

  - Tudo o que quero comer agora está bem na minha frente.
0
Comente!x

  Gemeu, tanto pelo tesão quanto pela calcinha ter se tornado tão apertada, gerando um aperto incômodo.
0
Comente!x

  A pegou no colo, quem circulara as pernas na cintura, para irem para a cama de casal. A drag se assegurava de lhe causar arrepios por deslizar a língua macia pela orelha durante o caminho. A deitou na cama com cuidado. Em seguida, já bagunçando os lençóis antes arrumados por Kalisto, com a cabeça no travesseiro, o acompanhou com o olhar ao percorrer com os lábios o tronco até afastar a tira do tecido do mamilo rosado. O tomou na boca com suavidade, dando total atenção a área.
0
Comente!x

  Sensível às carícias, se remexia na cama agarrada nele de olhos fechados. Quando a fitou, havia um discreto sorriso na boca delineada. Apenas para tortura-la, passou a ponta do dedo pelo mamilo enrijecido pela excitação, aproveitando da própria saliva para deslizá-lo.
0
Comente!x

  - Não sabe como fiquei com vontade de fazer isso desde que a vi posando ainda pouco. – quebrou o silêncio com as íris escuras. Ou melhor, o seu silêncio, já que ela gemia baixinho.
0
Comente!x

  O puxou para mais um beijo sôfrego sem o outro cessar o toque.
0
Comente!x

  - Então mata a sua vontade, amor. – pediu contra a boca dele – Continua.
0
Comente!x

  De fato, prosseguiu – por incansáveis longos minutos, os quais o som predominante no quarto eram os sons produzidos ao dar total atenção àquele pequeno pedaço da carne rosada junto às lamúrias dela.
0
Comente!x

  Ofegante, o viu explorar seu corpo com devoção descendo cada vez mais, demorando-se nos lugares onde lhe geravam alguma reação. Ao alcançar as pernas, primeiro retirou as botas de cano alto para, em seguida, percorrer as pernas com a ponta dos dedos até adentrar na saia. Subindo um pouco mais pelas coxas torneadas, encontrou a calcinha preta, a livrando do aperto desnecessário nas atuais circunstâncias da peça rendada.
0
Comente!x

  A cantora continuou com as pernas entreabertas. Pela saia ter sido suspensa, revelava boa parte das pernas lisas, deixando a parte pulsante entre elas escondida. Sem cortar o contato visual, retirou as luvas, as deixando cair no chão ao lado da cama.
0
Comente!x

  Ajoelhado, se livrou da blusa para, em seguida, abrir a calça.
0
Comente!x

  A admirou num suspiro, se deparando com um sorriso doce. Se deitou sobre ela afagando a bochecha.
0
Comente!x

  - Minha princesa. – sussurrou admirado, absorto pela beleza dela – Linda. – deu um selinho rápido a sentindo percorrer as costas com as pequenas mãos. Como adorava o toque dela – Tão linda.
0
Comente!x

  Aquela foi uma das raras vezes onde Princess não o dominou. Pelo contrário. Não existia dominação ali. Apenas duas pessoas se entregando ao amor compartilhado sem títulos ou rótulos. Exploravam os corpos um do outro carregados de afeto. Sussurravam declarações, demonstravam a paixão por meio do prazer, atentos em proporcioná-lo da forma devida, com intensidade e dedicação. Trocavam sorrisos meigos, abraços doces e diversos carinhos em meio a volúpia, transformando o momento em algo além de simples orgasmos. Havia uma sensualidade velada que ultrapassava o erotismo, atiçada pelos gestos carinhosos, como o simples entrelaçar de mãos ou os beijinhos espalhados pela face.
0
Comente!x

  Sentada de costas pro advogado, quem direcionava o tronco para o lado de modo a assisti-la, Princess subia e descia movendo somente os quadris. Estava apoiada com os pés no colchão. Como o tronco estava inclinado para trás, apoiara também as mãos no colchão. Aos poucos Kalisto a ajeitou até coloca-la ajoelhada em seu colo a abraçando, onde ou rebolava ou mexia os quadris num vai e vem delicioso pelo pau atingir sua próstata.
0
Comente!x

  Castigava a pele branca com sua língua, adorando ouvi-la soltar gritinhos agudos ao receber carícias no pescoço.
0
Comente!x

  Um pequeno O se formava em sua boca à medida que o clímax se aproximava. Com as pálpebras baixas e as várias marcas de expressões no rosto, se entregava ao prazer mútuo de maneira genuína cujas sensações eram potencializadas pela segurança emocional transmitida pelo moreno tanto na cama quanto fora dela, assim como os sentimentos compartilhados.
0
Comente!x

  - Está perto, né, princesa? – murmurou numa voz grave mordiscando o lóbulo.
0
Comente!x

  - Estou. – sem controle do corpo, apoiou a cabeça no ombro largo rebolando no seu local preferido.
0
Comente!x

  - Continua assim, rebolando bem gostoso no pau do seu homem. – o hálito tocava a pele sensível enquanto jogava as mechas loiras pra um lado, abrindo espaço para beijar o pescoço convidativo – Eu quero a minha pequena gozando bem gostoso no meu pau.
0
Comente!x

  Bastou mais alguns movimentos para Kalisto sentir os primeiros tremores dela.
0
Comente!x

  - Isso. – a incentivou quando viu os primeira jatos – Isso, minha menina.
0
Comente!x

  A cantora continuou até o advogado se desfazer dentro de si a imobilizando num abraço possessivo.
0
Comente!x

  Ainda ofegante, se acomodou virada para ele para beijá-lo até as respirações voltarem ao normal.
0
Comente!x

  - Amor... Posso te pedir uma coisa? – a cantora pediu com um brilho diferente no olhar.
0
Comente!x

  - O que quiser.
0
Comente!x

  - Fecha os olhos e só os abra quando eu pedir.
0
Comente!x

  Apesar da curiosidade acentuada pela expressão travessa dela, acatou ao pedido.
0
Comente!x

  A drag foi até sua mala rapidamente com o vestido curto tampando o sexo. Ao abri-la, retirou de lá duas embalagens pequenas. Uma delas pôs o conteúdo em si no caminho de volta para cama, carregando a outra entre os dentes. Sentou atrás do moreno, quem sentiu uma textura fina envolver seu pescoço.
0
Comente!x

  - O que é isso?
0
Comente!x

  Ia levar a mão para a região, mas foi impedido por ela, a abaixando com gentileza.
0
Comente!x

  - É uma surpresa.
0
Comente!x

  Dando pulinhos de felicidade, parou na frente do outro. O segurou por ambas as mãos para guia-lo pelo aposento até ficarem de frente para o espelho.
0
Comente!x

  - Pronto. Pode abrir.
0
Comente!x

  Pestanejou por ver sua imagem refletida, assim como a dela. Havia apenas uma diferença: tinham colares dourados no pescoço. O pingente de Princess era da letra K e de Kaisto da letra R.
0
Comente!x

  - Amor... – começou se sentindo tímida o encarando pelo espelho, mesmo estando radiante – Eu acho que a gente merece essa oportunidade porque... – pestanejou afastando as lágrimas. Mexia as mãos uma na outra, parecendo inocente mesmo após terem transado há minutos – A gente se ama. Quero recomeçar contigo. Volta pra mim.
0
Comente!x

  Sem avisá-la, Kalisto a segurou pela parte detrás das coxas e a pôs em seu colo com um enorme sorriso.
0
Comente!x

  - Eu vou continuar contigo de onde paramos, bebê. Não deixei de te amar um dia sequer.
0
Comente!x

  O beijo não poderia estar carregado de maior felicidade.
0
Comente!x

  Minutos mais tarde, por alterarem os status de relacionamento nas redes sociais, receberiam inúmeras mensagens de amigos e parentes pelos celulares. Entretanto, estariam ocupados demais aproveitando o retorno do relacionamento de maneira oficial da melhor forma como poderiam: juntos.
0
Comente!x

  Na última semana de férias, Rafael chamou Bruno para passar na sua casa.
0
Comente!x

  O rapaz estava meio abalado pelo ocorrido, porém ingressara de imediato no tratamento psicológico para se recuperar logo.
0
Comente!x

  Foram passar a tarde de sexta-feira numa resenha na casa de Débora, quem já retornara da viagem com o namorado – inclusive, carregando consigo um deck de Baralho Cigano.
0
Comente!x

  - Amigo... Sabe se ela chamou algum amigo do Kalisto? – perguntou para Rafael deitado no colchão do chão ao lado da cama do ruivo antes de dormir assim que soube do convite.
0
Comente!x

  - Não.
0
Comente!x

  - Hum...
0
Comente!x

  Apesar da voz baixa, notou a existência de certo desapontamento.
0
Comente!x

  - Por que está tão interessado nos amigos dele?
0
Comente!x

  - Por nada. Mas... Assim... Eu quase não tenho contato com o seu boy e nem com a Débora. Acha que ele levaria um amigo em particular a pedido seu, é claro, sem meu nome ser citado na conversa? Ela se chatearia caso uma pessoa quem não fosse convidada ou sequer conhecesse aparecesse do nada?
0
Comente!x

  - Me dá o nome pra eu desenrolar isso.
0
Comente!x

  E foi graças àquela conversa que Sérgio chegou desacompanhado na casa de uma pessoa quem nunca vira na vida para passar a tarde na companhia de quem nem sabia da existência, exceto o amigo e talvez um certo rapaz mais novo de olhos azuis – não que havia ficado interessado quando Kalisto comentou que Bruno também estaria presente, é claro.
0
Comente!x

  Só porque se atrasou ao demorar pra escolher a roupa mais adequada para reencontrá-lo não significava nada. Também era insignificante o fato de não parar de pensar nele desde a última vez que se viram. Eram fatos de pouca relevância – pelo menos era isso no que tentava acreditar.
0
Comente!x

  - Está se sentindo bem?
0
Comente!x

  Rafael lhe tocou o braço o despertando dos devaneios. Na sacada com os amigos, incluindo Luana, há minutos encarava o policial perdido em seus pensamentos, quem estava de costas para ele.
0
Comente!x

  Desde a sua chegada, não havia se aproximado. Apenas lhe acenou com a cabeça num comprimento discreto. Isso o angustiara porque imaginava que talvez pudesse haver mais emoção ali.
0
Comente!x

  - Sim, estou sim. Só tenho um assunto pra resolver primeiro.
0
Comente!x

  Entregou a latinha de cerveja pra Rafael antes de se aproximar do mais velho de maneira decidida.
0
Comente!x

  Ao enterrar os dedos nos cabelos teve a resposta esperada. O homem se virou para ele.
0
Comente!x

  - Pensei que conhecidos se falavam. Não estou no Egito e você não está trabalhando. Então... – deu de ombros com um sorrisinho.
0
Comente!x

   - Bruno. Oi. Eu não quis atrapalhar.
0
Comente!x

  - Você não atrapalha, gato. Tirando, é claro, nos últimos minutos.
0
Comente!x

  - Como assim?
0
Comente!x

  - Desde a hora que passou por aquela porta não chegou perto de mim. Por quê?
0
Comente!x

  - Bruno... – por um momento fechou os olhos umedecendo os lábios – Gostei de te conhecer. Mais do que deveria, pra ser sincero. Mas não sei se...
0
Comente!x

  - Não pensa. – o interrompeu soando meigo – Eu sei que ficou interessado por mim. Eu também estou afim de você.
0
Comente!x

  - Escuta, eu sou mais velho. Tenho uma cabeça diferente da sua. Nem moramos no mesmo Estado.
0
Comente!x

  - E daí? Eu quero te conhecer. Não há nada de errado nisso. Além do mais, não havia nenhum motivo para aceitar o convite de hoje, já que eu e o Kalisto são as duas únicas pessoas quem conhece daqui. Veio por causa do seu amigo?
0
Comente!x

  - Não.
0
Comente!x

  - Veio pra me ver, né?
0
Comente!x

  Soltou um risinho pelo quanto o rapaz era direto.
0
Comente!x

  - Sim. Vim por sua causa.
0
Comente!x

  - Hum... – o avaliou satisfeito pela resposta – Por que ao invés de ignorar as minhas mensagens passa a conversar comigo? E principalmente. – estendeu a mão na direção do outro – Me acompanha com uns amigos aqui na sacada. A vista é linda.
0
Comente!x

  Trocaram um sorriso cúmplice quando Sérgio aceitou entrelaçando as mãos.
0
Comente!x

  Ambos ainda não sabiam, porém, em dois meses Bruno receberia uma proposta de trabalho no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde trabalharia com certa frequência, o obrigando a se mudar definitivamente. Em seguida, firmaria um relacionamento com Sérgio, onde moraria com ele num apartamento pequeno e muito acolhedor.
0
Comente!x

  Pela primeira vez teria uma família, já que o único componente da sua quem se importava consigo era Cauã, o responsável por indica-lo para a terapeuta. Diferente dos membros de sua família, os de Sérgio não apenas aceitavam o policial gay, mas também ficaram encantados com Bruno ao conhece-lo num almoço de domingo na casa da matriarca.
0
Comente!x

  Meses mais tarde Princess estava na casa de Nichole com Kalisto, Morgana e Victor. Já pronta, aguardava os amigos terminarem de se arrumar enquanto abria uma live para responder perguntas dos seguidores. O namorado mantinha-se longe da câmera. Apesar de evitar expor sua identidade, alguns questionamentos eram direcionados a ele.
0
Comente!x

  - Rola a gente ficar depois do seu show? – a drag ria, se divertindo imensamente – Meu bem, infelizmente, pra você, é claro, não vai rolar. Essa gostosa quem vos fala está comprometidíssima! Não fique triste, não, porque só de me enviar a mensagem é sinal de que é um cara corajoso e tem um puta de um bom gosto.
0
Comente!x

  Sentado na cadeira ao lado, Kalisto respondeu com a voz de um personagem criado que se mantinha no armário.
0
Comente!x

  - Os tempos de solteira dessa linda aqui acabaram. Larguei os contatinhos tudo com quem ficava na surdina pra desfilar com essa maravilhosa. – acariciou o ombro desnudo dela ao invés do rosto para não borrar a maquiagem.
0
Comente!x

  Aquela foi a maneira como encontrou de participar da vida da artista. Como não apareceria nos vídeos, aproveitou das habilidades vocais de reproduzir diferentes vozes para criar alguns personagens. Dessa forma, era capaz de interagir nos vídeos dela sem riscos – além de se fazer presente, é claro.
0
Comente!x

  - Por que eu e o boy não mostramos nossos rostos? – leu em voz alta – Vocês são muito curiosos, meus queridos! Basta a mãe aqui, não, e o pai ao meu lado? – gesticulava com várias caras e bocas – Então, vamos lá. O boy aqui atua numa área a qual não é vinculada com as artes. Eu pretendo segui-la também porque simplesmente amo. Em consequência, nem com reza podemos nos revelar. Adoraria viver num mundo sem preconceitos, onde poderia rebolar a raba de noite e durante o dia trabalhar no meu segundo emprego. Não rola. Aí preferimos evitar problemas.
0
Comente!x

  - Tia, é que aquele pessoal chato do trabalho não aceita a gente rebolar até o chão ou eu sarrando nela. – completou com a voz a voz de uma criança arteira.
0
Comente!x

  - Binho, estão perguntando aqui se você está solteiro ou não. – avisou Princess dando a língua pra tela do celular.
0
Comente!x

  - Eu era solteiro, cheio de meninas atrás de mim. Poxa, hoje elas ficam tristes quando digo que não. Só tem uma menina na minha vida, que é essa princesinha aqui. E eu sou um menino muito fiel.
0
Comente!x

  - Você é terrível. – implicou a drag segurando a riso.
0
Comente!x

  - Gostosa.
0
Comente!x

  Gargalharam alto com as brincadeiras antes dela fechar a live para ir com sua equipe e seu namorado para o show.
0
Comente!x

  O tempo não favoreceu André em nada.
0
Comente!x

  O castigo por ser o responsável por mortes, tráfico e tudo o que engloba as violências sofridas pelas vítimas de tráfico humano era sentido em cada célula de seu corpo. Perdera o brilho de outrora. Agora, ao invés do tom bronzeado naturalmente pelo sol, a derme era acinzentada e macilenta. O sorriso branco dera lugar a dentes amarelados. A coluna ereta transformou-se, tomando uma postura voltada para baixo de tanta culpa. O cabelo era ralo e opaco. Perdera três dentes quando recebeu uma surra combinada entre os presos ao descobrirem o motivo de estar na cadeia.
0
Comente!x

  Estava sozinho no mundo e destruído emocionalmente. Num período de oito meses parecia ser outra pessoa pelo seu estado tão deplorável.
0
Comente!x

  Uma noite em particular tivera um sonho um tanto quanto peculiar.
0
Comente!x

  Estava trancado em sua cela abarrotada de homens – o normal. Sentado encolhido no chão com as costas apoiadas na parede, ouviu uma canção entoada por uma melodiosa voz feminina a qual jamais ouvira a letra antes acompanhada do som de algo como madeira batendo no chão.
0
Comente!x

  “Bem que eu lhe avisei   Que você não jogasse essa cartada comigo   Você parou no valete   E eu parei na dama  Amigo, você não me engana   Pombo-Gira é Cigana   Mas é Exú de fama”
  Uma linda mulher com vestes vermelhas atravessava o corredor da prisão acompanhada por um homem com trajes de malandro carioca, transmitindo elegância com seu terno impecável, chapéu e bengala de madeira. Diferente dele, quem usava sapatos pretos lustrosos, estava descalça. Os cabelos desciam em cascata pelas costas e carregava um cigarro aceso preso entre os dedos.
0
Comente!x

  Iam em direção à cela onde André se encontrava. O canto, assim como a postura imponente, afastava os demais criminosos dali os quais abriam caminho sem incomodá-los.
0
Comente!x

  Ao entrarem os homens presentes saíram perante o olhar frio de Zé Pilintra.
0
Comente!x

  - Está satisfeito com as consequências dos seus atos, moço?
0
Comente!x

  Ergueu a cabeça se deparando com os dois na sua frente ao escutá-la.
0
Comente!x

  - E nem adianta choramingar pro nosso lado porque avisado você foi.
0
Comente!x

  E era verdade.
0
Comente!x

  Iniciou o relacionamento com Rafael quando já começava a frequentar o outro lugar. Uma noite, de tanto exercer comentários positivos acerca do ambiente agradável, aceitou acompanha-lo.
0
Comente!x

  A conversa com seu Zé não foi agradável. O malandro sabia no que se envolvera. O alertara sobre as consequências daquilo, principalmente sobre a importância de reparar a armação responsável pela separação do casal. Infelizmente, os atos do antigo namorado do advogado foram o total oposto do aconselhado por pelo malandro. Por teimosia, ego, mau-caratismo e um toque de desespero porque os boletos se acumulavam sem efetuar o pagamento, se afundara cada vez mais no mundo obscuro de tráfico humano, golpes, tráfico de drogas e de órgãos até ser preso.
0
Comente!x

  - Eu tentei protege-lo. – falou como se aquilo fosse amenizar suas ações.
0
Comente!x

  - O sequestrando? – Zé Pilintra rebateu – Isso só traria mais problemas. Sabe o que fariam com ele caso não fosse pela nossa interferência?
0
Comente!x

  - Fiz o melhor que pude pra...
0
Comente!x

  O calou estendendo a bengala na direção de André, a deixando a centímetros do rosto.
0
Comente!x

  - Não mente pra mim. – a abaixou no chão – Se servisse de alguma coisa, jamais teria destratado o rapaz e pisado nele como fez. O seu melhor não é aceitável em lugar nenhum porque aqui – bateu no próprio peito – você é podre. Ao invés de cuidar de si como deveria, se preocupou em arranjar alguém pra comer e tirar vantagem. Por isso nunca deu certo com ninguém. Se não consegue ser bom pra si, como vai ser pra quem estiver ao seu lado?
0
Comente!x

  - No fundo sabe que não o merece. – completou a moça com uma mão na cintura soltando a fumaça pela boca com as palavras – Sempre se sentiu inferior, o invejou por ter tudo aquilo o que você era incapaz de construir porque não se acha merecedor.
0
Comente!x

  - Eu o amava! – gritou trêmulo por ser confrontado com o que não queria enxergar – Só queria uma oportunidade com o Rafael, mas... Mas as coisas saíram dos trilhos. Eu não era ruim pro Rafa no começo.
0
Comente!x

  - O seu amor é um amor doente. Doente porque você o é. – rebateu Zé – Quantas pessoas já destruiu o coração? Hoje está descobrindo o quanto é bom virar um trapo humano, assim como deixava os pernas de calça e as pernas de saia quando entravam na sua vida.
0
Comente!x

   - Se realmente o amasse, não seria o pivô daquela separação. – argumentou a moça com a voz serena – Talvez descubra o real significado de amar numa próxima vida. É claro, se tiverem misericórdia da sua alma. Agora? É hora de pagar pelos seus crimes. E isso vai demorar muito tempo, moço.
0
Comente!x

  Antes de saírem, aos prantos e quase em estado de choque, os parou com uma pergunta:
0
Comente!x

  - Eu já estou pagando pelos meus crimes. Por que se deram ao trabalho de virem até aqui?
0
Comente!x

  - Porque está fodido. E se tiver um pingo de juízo na cabeça, ao invés de se martirizar, vai considerar essa prosa como uma aprendizagem. Do contrário, acredite, esse lugar é bonito comparado pra onde vai caso siga com esse orgulho inútil.
0
Comente!x

  A frase foi capaz de fazê-lo sentir frio na coluna por saber a veracidade por detrás das palavras de Zé Pilintra.
0
Comente!x

  Definitivamente, Kalisto estava cansado.
0
Comente!x

  Nunca na vida pensou que poderia se cansar tanto numa festa de Dia das Crianças.
0
Comente!x

  Aceitara ajudar junto com Rafael na comemoração. Levaram alguns doces para colaborar, dentre eles balas, paçocas, brigadeiros e um bolo de chocolate para o lugar responsável pelo restabelecimento do ruivo – e também o reencontro dos dois, além de influenciarem de maneira indireta para a união.
0
Comente!x

  - Oi, tio! – uma menina com a boca suja de bolo de chocolate parou na frente dele, quem, inocentemente, pensou que poderia sentar por míseros dez segundos para descansar.
0
Comente!x

  - Oi. – abriu um sorriso com o semblante cansado.
0
Comente!x

  - Eu sei um segredo seu, sabia? – tomou um gole do refrigerante de guaraná na caneca que levava consigo.
0
Comente!x

  - Ah, é? E qual seria?
0
Comente!x

  - Eu sei que você e o outro tio querem uma coisa, mas não sabem como falar isso. Por quê?
0
Comente!x

  Era verdade. Depois de três anos de casados, aos poucos emergia cada vez mais em si a vontade de ser pai. Entretanto, sabia que o mundo não era um conto de fadas. Princess estava no auge da carreira, onde corria com gravações, ensaios, entrevistas e apresentações. Fora no seu trabalho na firma, onde atuava em casos de agressões dentro do seio familiar. Era comum também se deparar com casos de violência matrimonial ou oriundos de um relacionamento abusivo, quando a mulher estava em vulnerabilidade social, já que dependia do “companheiro” para sobreviver. E, sem dúvida, era excelente em seu trabalho. Logo, a agenda era igualmente cheia.
0
Comente!x

  Filho exigia inúmeras demandas, dentre elas atenção – uma das mais importantes. Como daria a dedicação necessária para uma criança com uma carga horária tão pesada de ambas as partes?
0
Comente!x

  - Pergunta difícil, menina. – tomou um pouco do guaraná oferecido por ela antes de entregar a caneca – Bem, não sei se teremos como cuidar devidamente.
0
Comente!x

  - Hum... – pensativa, bebericou mais do refrigerante – Aceita, então, eu dar um presente pra vocês?
0
Comente!x

  - Qual?
0
Comente!x

  - É segredo, tio. Vocês não podem saber.
0
Comente!x

  - Tudo bem. Aceitamos.
0
Comente!x

  A menina deu diversos pulinhos em comemoração.
0
Comente!x

  - Tio, os presentes são muito legais! Vão gostar bastante!
0
Comente!x

  Desconfiou do ar travesso da menina, quem saiu saltitando pra brincar com um grupo de crianças.
0
Comente!x

  15 dias mais tarde, Kalisto e Rafael estavam naquele mesmo lugar onde fora seu refúgio nos tempos mais difíceis.
0
Comente!x

  Nunca pensou de a vida mudar tanto.
0
Comente!x

  Com o auxílio da terapia, conseguira curar e sarar todas as feridas deixadas por André – é claro, não sem a ajuda da moça.
0
Comente!x

  - Por que não vai naquelas putas com quem vocês vão conversar pra tratar desses assuntos? – disse numa madrugada pouco depois de voltar a namorar com Kalisto.
0
Comente!x

  - Psicóloga?
0
Comente!x

  - Como é? – a moça de vestido vermelho fez uma careta.
0
Comente!x

  - Psicóloga.
0
Comente!x

  Após alguns segundos de silêncio, rebateu:
0
Comente!x

  - Vou continuar chamando de puta porque é mais fácil de falar. – soltou a fumaça do cigarro pela boca – Por que não vai numa pra resolver essas pendengas de uma vez?
0
Comente!x

  - Ah, moça... Não sei se é necessário...
0
Comente!x

  - Não é necessário é o caralho! Eu não passei esse tempo todo trabalhando igual uma filha da puta pra você não querer resolver essas pendengas, não. Se não procurar uma dessas putas por bem, vai procurar por mal.
0
Comente!x

  Rafael parou na terapia menos de 30 dias mais tarde porque as crises de ansiedade aumentaram absurdamente de frequência. De fato, assim como a moça falou, ele iria – independente da vontade do rapaz, é claro.
0
Comente!x

  Em consequência, retomou a sua autoconfiança de antes, se curando e se fortalecendo cada vez mais. Num período de dois anos recebeu alta, já sem nenhuma sequela do passado em seu íntimo para assombrá-lo ou gerar gatilhos.
0
Comente!x

  Naquela noite especificamente descansava um pouco escorado na parede. Estava ofegante de tanto dançar com as pessoas dali. Kalisto dialogava ao longe com o homem quem travejava as típicas vestes do malandro carioca. O semblante de ambos era tranquilo, estampando sorrisos discretos porque era elogiado pela paciência e pela postura tida com Rafael, o auxiliando quando a vida do rapaz ainda era meio instável e também por adotar um comportamento irrepreensível com o rapaz, facilitando, mesmo de maneira inconsciente, a sua recuperação.
0
Comente!x

  - Boa noite, moço. – a morena parou ao seu lado com um mão na cintura.
0
Comente!x

  Diferente das outras vezes quando conversaram, havia um ar de divertimento e até certa travessura ao seu redor.
0
Comente!x

  - Oi.
0
Comente!x

  - Chegou aos meus ouvidos que o seu perna de calça aceitou o presente de uma criança.
0
Comente!x

  - É. Comentou comigo, mas ainda não nos chegou nada.
0
Comente!x

  - Vai chegar. E não demora. Só me deixa confirmar uma coisa.
0
Comente!x

  Fez um gesto silencioso pedindo para o ruivo estender a destra. A apanhou para, em seguida, virá-la para vasculhar a palma. A gargalhada feminina transmitia pura alegria.
0
Comente!x

  - Não vai ser só um presente, não. Serão dois. – contou batendo o indicador na palma.
0
Comente!x

  - O que é, afinal?
0
Comente!x

  - Já, já vão descobrir.
0
Comente!x

  Na primeira sexta-feira após aquela conversa, saía de um hospital público onde fora para conversar com uma de suas clientes. Se recuperava de uma tentativa de feminicídio do marido, mas não desistia em hipótese alguma de se divorciar dele.
0
Comente!x

  Enquanto saía com os documentos necessários do hospital para usar como prova, uma moradora de rua adentrava no local. Foi vítima de uma brutal violência. De tão agredida, mal se aguentava em pé. Carregava consigo uma bebê de três anos, quem não deixou de segurar a mão enquanto ambas caminhavam para chegar até a instituição de saúde. Se apoiava nas paredes trêmula e, como a vista era turva e Rafael ajeitava a papelada na pasta preta sem prestar atenção no que acontecia ao redor, esbarrou nele.
0
Comente!x

  - Moça, você... – ao ver o estado da desconhecida cujo rosto estava desfigurado, se espantou – Socorro! Por favor, alguém ajuda! – gritou sobre o ombro a segurando para não cair.
0
Comente!x

  - Qual... Qual o seu nome? – balbuciou com a voz enrolada.
0
Comente!x

  - Sou Rafael.
0
Comente!x

  - O senhor é uma pessoa boa? – se agarrou ao paletó sentindo-se fraca na tentativa de equilibrar o corpo.
0
Comente!x

  - Sim.
0
Comente!x

  - Me promete uma coisa. – lágrimas desciam pela face antes de gemer devido a contração, levando uma das mãos para a barriga – Por favor.
0
Comente!x

  Uma equipe de enfermeiros chegou com uma cadeira de rodas, onde a colocaram sentada.
0
Comente!x

  - Por favor, me promete.
0
Comente!x

  Foi agredida demais. Sabia que seu corpo não suportaria mais tempo, mas não deixava de pensar nas crianças. Não desperdiçaria um segundo sequer. Não se importava com a dor. As lesões não a afetavam. A sua preocupação era direcionada apenas para as duas crianças.
0
Comente!x

  - Promete que vai cuidar dos meus filhos. – pedia aos prantos o encarando com as pálpebras baixas incapaz de focar nele – Por favor. Não os deixe desamparados. Eu... Não... Não...
0
Comente!x

  O desmaio a tomou.
0
Comente!x

  A equipe composta, inclusive, por uma amiga de Rafael quem ouviu a conversa, correu com a mulher para a sala de cirurgia, já que a moradora de rua estava em trabalho de parto.
0
Comente!x

  - Eu posso ir com a mamãe?
0
Comente!x

  A voz infantil o sobressaltou. Sequer notou a presença da menina. Usava roupas sujas e grandes para o seu tamanho. Indefesa, estava rente à parede, o olhando com medo.
0
Comente!x

  - Oi, meu amor. – sentou no chão de pernas cruzadas colocando a pasta ao lado para ficar na altura dela – Qual o seu nome?
0
Comente!x

  - Luciana.
0
Comente!x

  - Oi, Luciana. Meu nome é Rafael.
0
Comente!x

  - Quelo ir com a mamãe, tio. – falou com feição triste de cabeça baixa.
0
Comente!x

  - Então, Luciana... Agora você não pode ficar com a mamãe.
0
Comente!x

  - Por quê?
0
Comente!x

  - Bem, a sua mãe está machucada. Aí estão cuidando dela pra melhorar. Você viu o que houve?
0
Comente!x

  A menina loira acenou um sim.
0
Comente!x

  - Batelam nela. – murmurou segurando o choro com as laterais dos lábios caídas.
0
Comente!x

  - Eu sei, Luciana... – secou uma lágrima do rostinho bochechudo – Quer um abraço?
0
Comente!x

  Coçando o olho, balançou a cabeça em afirmativa enquanto jogava o pequeno corpo magro no tronco de Rafael, quem a envolveu num abraço acolhedor.
0
Comente!x

  Passou a última hora cuidando dela. Por presenciar uma cena tão dolorosa, mantinha-se quietinha sem se afastar.
0
Comente!x

  Levantou mantendo Luciana em suas vistas quando a amiga, Bárbara, se aproximou. Não precisou questionar nada. A notícia estava estampada no rosto da enfermeira.
0
Comente!x

  - Tia, e a mamãe? – a pequena se escondera atrás das pernas do advogado.
0
Comente!x

  - É... Luciana...
0
Comente!x

  Num movimento fluído a tomou no colo se esforçando para não transmitir tanta tristeza pela perda da criança.
0
Comente!x

  - Então... Luciana, a... A sua mãe... – respirou fundo para se controlar – Deus, como vou dar essa notícia? – sussurrou para si – Bebê. – engoliu em seco antes de fita-la – A sua mãe não vai poder voltar.
0
Comente!x

  - Por quê?
0
Comente!x

  - Porque ela está lá no céu agora.
0
Comente!x

  - A mamãe me deixou?
0
Comente!x

  - Não, querida. Nunca. É que machucaram muito o corpinho dela. Aí ele não aguentou, mas ela continua aqui. – tocou o peito onde o pequeno coração batia – E aqui também. – tocou a testa – Sabe por quê?
0
Comente!x

  - Por quê?
0
Comente!x

  - Porque você, Luciana, veio dela. Por causa disso a carrega dentro de você.
0
Comente!x

  Pela primeira vez um sorriso discreto se formou nos lábios da criança.
0
Comente!x

  - Amigo. – Bárbara o tocou no ombro para ele se virar – Tenho uma notícia.
0
Comente!x

  - Qual?
0
Comente!x

  - A mãe dela estava grávida. O bebê está descansando na ala infantil.
0
Comente!x

  - A gente pode ir lá vê-lo?
0
Comente!x

  - Claro.
0
Comente!x

  Foram para a maternidade, onde pararam podendo visualizar o menino pelo vidro, profundamente adormecido.
0
Comente!x

  - Por que está sem nome na plaquinha dele? – o ruivo indagou, ainda com a bebê no colo.
0
Comente!x

  - A mãe não teve tempo de dar o nome escolhido.
0
Comente!x

  Ao ouvir a frase, a menina sussurrou na orelha dele como se contasse um segredo:
0
Comente!x

  - A mamãe ia chamar o meu irmãozinho de Gabriel.
0
Comente!x

  - É? – perguntou se direcionando para ela, quem afirmou com a cabeça.
0
Comente!x

  - Bárbara, a mãe ia chama-lo de Gabriel. A Luciana me contou.
0
Comente!x

  - Já escrevo na plaquinha dele.
0
Comente!x

  - Então, Luciana. Conheça o seu irmãozinho. Gabriel.
0
Comente!x

  Balançou a mãozinha para ele dando um tchau.
0
Comente!x

  - Bárbara, me tira uma dúvida. O que vai acontecer com eles?
0
Comente!x

  - Bem, geralmente são enviados pra uma instituição. Não temos nenhuma informação acerca da identidade da mãe, quiçá da família. O recém-nascido ficará essa noite por precaução por ter nascido um pouquinho só antes da hora.
0
Comente!x

  - Correm o risco de serem separados?
0
Comente!x

  - Sem dúvida. Dificilmente irmãos são adotados juntos.
0
Comente!x

  Mesmo contra a sua sensatez, dando ouvidos ao seu coração, questionou:
0
Comente!x

  - E se eu ficar com eles enquanto você recolhe essas informações? Perderam a mãe agora e essa menina sofreu um trauma terrível.
0
Comente!x

  - Isso não está no protocolo, mas eu autorizo por conhece-los. Primeiro pegarei a autorização. Depois pode leva-los.
0
Comente!x

  No caminho de casa Rafael passou numa loja para comprar roupas novas. Assim que chegou, deu um banho nela. Separou as vestes antigas numa sacola para jogar no lixo em seguida.
0
Comente!x

  - Pronto. – terminou de passar a toalha nos fatos cabelos ondulados – Melhor?
0
Comente!x

  - Eu tô cheirosa, tio. – comentou sorrindo.
0
Comente!x

  Rafael a vestira com um macacão confortável por estarem no começo de julho, quando o inverno adentrava. A calçou com chinelos ao invés de meias para evitar de escorregar.
0
Comente!x

  - O que acha de lancharmos? Está com fome?
0
Comente!x

  - Tô, sim.
0
Comente!x

  - Então, vem. – estendeu a mãe pra ela, quem logo a apanhou para saírem do banheiro – Vou preparar alguma coisa pra gente.
0
Comente!x

  Aquele apartamento era maravilhoso, mas era pra pessoas solteiras – e a cozinha não era segura pra uma bebê de três anos.
0
Comente!x

  Recolheu todas as almofadas do sofá para acomodá-la no chão enquanto preparava o mais rápido que podia uma salada de frutas com as encontradas na geladeira – maçã, uvas, caldo da laranja, manga e mamão – sem tirá-la de suas vistas. A única que não era gelada era a banana. Adoçou com um pouco de açúcar sem adicionar mais nada por não saber se crianças da idade dela poderiam ingerir produtos industrializadas como creme de leite. Portanto, optou pelo mais natural possível.
0
Comente!x

  Despejou o conteúdo em duas tigelas de plástico antes de irem para a sala. Fez duas viagens para levar as almofadas consigo.
0
Comente!x

  - Já viu algum desenho?
0
Comente!x

  Se sentaram no sofá. Colocara uma almofada nas pernas dela para apoiar a tigela e um pano de prato pra evitar manchar o tecido preto.
0
Comente!x

  - Não. – falou de boca cheia segurando a colher vazia.
0
Comente!x

  - Vou colocar um pra assistirmos. Tudo bem?
0
Comente!x

  Quando chegou no apartamento Kalisto se perguntou se havia aberto a porta correta.
0
Comente!x

  Às oito da noite havia uma menina pulando no seu sofá. Por sua vez, o marido se divertia dançando com ela músicas de samba enredo da década de 90 e início dos anos 2000. Vestia o macacão do Stich de anos atrás.
0
Comente!x

  Ao vê-lo parado, com o queixo caído, a cabeça pendendo pro lado direito e o cenho franzido, foi até o advogado.
0
Comente!x

  - Amor! – se pendurou no pescoço para lhe dar um selinho.
0
Comente!x

  - Oi, tio!
0
Comente!x

  Retribuiu quase em câmera lenta o tchau dado pela pequena, quem continuava pulando.
0
Comente!x

  - Meu amor.... – o segurando pela cintura com uma das mãos, pestanejava atordoado – Assim, longe de mim querer estragar o clima, mas... – a ironia contida na voz arrancou uma risada divertida do ruivo – Tem alguma coisa importante que esqueceu de me contar hoje? Sei lá, um detalhe que deve ter uns três ou quatro anos de idade, talvez? E que eu nunca vi na vida.
0
Comente!x

  - A história é longa. Prometo contar quando a colocarmos pra dormir.
0
Comente!x

  Era onze da noite quando a criança pegou no sono na cama deles. O casal fez o que pôde para deixar o chão confortável com o colchão inflável. Não iriam deixa-la passar a noite em um local indevido – a cama seria toda pra ela.
0
Comente!x

  - Calma aí. – sussurrava Kalisto com Rafael deitado sobre si – Por que prometeu isso pra moça?
0
Comente!x

  - Amor, é difícil de explicar. – pousou a bochecha no peito – Fiquei morrendo de pena. A mãe da Lulu estava...
0
Comente!x

  - Quem?
0
Comente!x

  - A Luciana. – nem percebeu como a chamara por um apelido. Nem notara a tamanha amabilidade na voz.
0
Comente!x

  - Bebê, você já está dando apelido.
0
Comente!x

  - Qual o problema disso?
0
Comente!x

  - É capaz de estar se apegando.
0
Comente!x

  - Ah... – deu de ombros enquanto era apertado pelo outro – Quem não se apegaria? Ela é adorável.
0
Comente!x

  - Pois é.
0
Comente!x

  Olhou para o lado, se deparando com um bracinho solto fora da cama.
0
Comente!x

  Deslizou no colchão, então o moreno pôde levantar para ajeitá-la. Já no centro da cama grande demais para o seu pequeno porte – e com todas as almofadas da sala ao redor para evitar acidentes graves caso caísse – a cobriu até os ombros. Estava deitada de bruços, com a boquinha entreaberta num sono pesado.
0
Comente!x

  Quando abriu um sorriso, descobriu que não era o único quem talvez começasse a se apegar à menina.
0
Comente!x

  - É. A Lulu é adorável.
0
Comente!x

  Se deitou novamente no chão, recebendo o marido aconchegado sobre si para dormirem.
0
Comente!x

  Às quatro e meia da manhã, Kiara desferia diversos golpes no rosto ao miar. Deu mordidas nos queixos para, finalmente, despertá-los. Só quando ouviram a voz infantil os chamando notaram a cama vazia.
0
Comente!x

  - Tio!
0
Comente!x

  Correram para a origem do som. Ao chegarem no banheiro, não acreditaram nos próprios olhos.
0
Comente!x

  A menina havia caído no vaso. Se segurava nas bordas do vaso sanitário enquanto o quadril afundara no interior, a molhando por toda a região. As perninhas balançavam no ar com o short do pijama nos tornozelos. Aguardava o resgate por não ter conseguido sair dali sozinha – e não foi por falta de tentativa.
0
Comente!x

  - O que houve aqui, meu Deus? – a tirou de lá enquanto Rafael apenas tampava a boca com a mão segurando o riso enquanto ia para o quarto.
0
Comente!x

  O mais velho se manteve agachado para conversar.
0
Comente!x

  - Eu queria fazer xixi. – contou num bocejo.
0
Comente!x

  - Ai, minha linda. – beijou o topo da cabeça – Quando quiser fazer xixi, fala pra gente. Está bem?
0
Comente!x

  - Está bem.
0
Comente!x

  - Amor. – retornava com uma muda de roupas – Ela vai precisar tomar banho agora.
0
Comente!x

  - Eu sei.
0
Comente!x

  Se apressaram em banhá-la para voltarem a dormir.
0
Comente!x

  Após o almoço de sábado o trio foi para o hospital para ter notícias sobre Gabriel.
0
Comente!x

  Na maternidade, Kalisto estava sentado numa cadeira acolchoada com o bebê nos braços. Era moreno num tom de pele mais intenso de Kalisto com cabelos crespos. O colocaram numa roupinha azul.
0
Comente!x

  Dialogavam com Bárbara sobre o estado dele, quem havia se recuperado. Não havia família além da irmã, eles estavam sozinhos no mundo e sem nenhum responsável. A situação o compadeceu enquanto ouvia sobre o que lhes aconteceria ao serem enviados para o orfanato. Luciana se distraía sentada no chão com alguns brinquedos proporcionados pela enfermeira.
0
Comente!x

  Não era justo para as figuras indefesas onde sequer sabia se receberiam os devidos cuidados, atenção e afeto ter um destino incerto. Elucidava observando ou a menina brincando ou o bebê nos seus braços. O olhar era sério, tomado pelos seus devaneios.
0
Comente!x

  Seu lado paternal, assim como o do marido, aflorava cada vez mais devido ao tempo passado com os órfãos. Talvez tivessem horas reduzidas de sono, precisassem abastecer a geladeira com uma maior quantidade de comida, preencher uma parte dos armários com roupas infantis. Além de existir a forte possibilidade de lidar com brinquedos espalhados pela casa. Em resumo? Nada que não pudesse lidar bem, com responsabilidade e amorosidade.
0
Comente!x

  A experiência de ter uma criança no apartamento não fora ruim. Pelo contrário. Trouxe mais vida pro lugar, além de um brilho diferente surgir nos olhos do marido. É claro, o apartamento não era o adequado para crianças pequenas por ser construído pensando em somente moradores adultos serem os inquilinos.
0
Comente!x

  Havia a probabilidade de passarem por uma mudança? Sim.
0
Comente!x

  Seria um problema? Não.
0
Comente!x

  Além disso, o amor compartilhado com Rafael era grande o suficiente para ser estendido até atingirem futuros filhos. Eram independentes financeiramente, bem-resolvidos, meláveis, carinhosos, flexíveis, pacientes para lidar com menores de idade e saudáveis – tanto emocional quanto fisicamente. Portanto... Qual problema haveria?
0
Comente!x

  - E se ficarmos com eles?
0
Comente!x

  Antes de se dar conta, a frase saiu da boca em voz alta. O detalhe mais relevante não foi necessariamente a frase, mas sim a certeza embutida nas palavras, como se, de fato, se tornassem os pais adotivos dos irmãos.
0
Comente!x

  Três rostos se viraram para ele e dois deles se calaram por cinco segundos o encarando.
0
Comente!x

  - Amor...
0
Comente!x

  - Estou falando sério. – o fitou num semblante onde não existia sombras de dúvidas – Somos capazes de cria-las. Temos estabilidade financeira, as nossas famílias são funcionais, não somos mais estranhos pra Lulu, já pensamos em ter filhos... Por que não?
0
Comente!x

  - Amiga, a gente só precisa conversar sobre isso primeiro. Amanhã sem falta te damos a resposta.
0
Comente!x

  Retornaram pra casa com as duas crianças. Rafael carregava Gabriel nos braços no banco traseiro, quem fora enrolado numa manta macia. Dormia profundamente num sono tranquilo. Luciana se acomodara ao seu lado com as mãos no seu braço. Kalisto dirigia de volta pro apartamento tomando cuidado para não balançar demais o carro visando não atrapalhar o sono do bebê.
0
Comente!x

  A enfermeira os ensinou na maternidade a como trocar fraldas, preparar o leite devido para o recém-nascido, banha-lo e outras coisas importantes.
0
Comente!x

  Saíram de lá para comprarem todo o material para os cuidados de um bebê, como lenços umedecidos, sabonete, roupas e outros materiais. Luciana estava muito satisfeita com a presença do irmão. Demonstrou isso com os diversos carinhos delicados e beijinhos espalhados pelo rosto.
0
Comente!x

  Os quatro se acomodaram no chão para dormir durante a noite.
0
Comente!x

  O mais velho arrastara a cama até encostá-la na parede enquanto o outro segurava Gabriel nos braços, quem adormecera há alguns minutos. Retiravam o colchão para as crianças se acomodarem com eles, ambos ficando nas laterais com os pequenos no meio. Em qualquer eventualidade poderiam despertar rapidamente – e evitar de encontrar, por exemplo, a menina literalmente dentro do vaso sanitário.
0
Comente!x

  - Será que a gente não está se precipitando, amor? – se observavam na escuridão, atentos a qualquer movimento dos irmãos.
0
Comente!x

  - Talvez, mas só digo isso porque ninguém está preparado totalmente pra ser pai. Estou em paz em assumir esse papel de paternidade nas atuais circunstâncias. Afinal, qual é o seu medo? – estava deitado de lado, com o tronco erguido para vê-lo – Eu sei que quer ser pai assim tanto quanto eu apesar de nunca termos nos aprofundado no assunto. Se abre comigo.
0
Comente!x

  - Fico preocupado porque a nossa rotina é bem corrida. Ainda tenho os shows em alguns finais de semana durante a madrugada. Será que daremos conta de uma menina de três anos e um recém-nascido? Ao mesmo tempo... Poxa... Olha pra eles. – os encarou com encanto.
0
Comente!x

  Com a ponta do dedo Kalisto acariciou o tecido da roupa do menino de bruços. Não queria lhe interromper o sono.
0
Comente!x

  - Bem, nossas famílias de origem são funcionais e saudáveis. Tirando minha irmã, ninguém traz sérios problemas.
0
Comente!x

  - Minha mãe já me perguntou se pensávamos em ter filhos. – comentou o ruivo com um sorriso.
0
Comente!x

  - A minha adora crianças e é doida pra ser avó.
0
Comente!x

  - Minha mãe diz que na família dela tem um bom tempo que não nasce nenhuma criança e que sente falta disso. Segundo ela, seria interessante começar a renovar com uma nova geração.
0
Comente!x

  - Mia tem alguns tempos livres e se sai bem nos estudos, certo?
0
Comente!x

  - Então isso é...
0
Comente!x

  - Um “sim” pra nós dois sermos pais? – ergueu as sobrancelhas alegre pelo consenso.
0
Comente!x

  - Sim.
0
Comente!x

  Deram as mãos com os braços esticados para se alcançarem selando o acordo. Pela escuridão não viram os olhos marejados. Antes de pegarem no sono, não se surpreenderam ao sentir o cheiro de perfume feminino.
0
Comente!x

  No dia seguinte Rafael enviou uma mensagem de áudio para sua mãe e Kalisto conversava com a dele pelo celular numa chamada de voz.
0
Comente!x

  “Mãe, deixa eu te perguntar. Se... Vamos supor o seguinte cenário. Eu e o Kalisto adotamos duas crianças. Pensou nele? Então. Eu poderia contar contigo e com a Mia para ficarem com elas durante o dia enquanto trabalhamos?”
0
Comente!x

  Fora a mensagem de áudio deixada por Rafael.
0
Comente!x

  “Oi, mãe! Qual a sua opinião sobre se tornar avó?”
0
Comente!x

  Fora uma das frases de Kalisto.
0
Comente!x

  Só não esperavam receber visitas delas já que ouviram, ao fundo, a risada infantil de Luciana correndo pela casa de fralda com Rafael atrás dela segurando um celular com uma mão e uma blusa rosa estampada para vesti-la, preocupado de se resfriar devido ao clima mais frio.
0
Comente!x

  Foi a cozinha preparar uma vitamina de banana pra Luciana enquanto Kalisto ficava com o bebê sentado no chão. Varreram o piso antes, estendendo um cobertor para se acomodarem, protegendo a menina de não ter contato com a friagem. Finalmente aceitara se agasalhar – pelo menos no dorso. Retirou a calça menos de cinco minutos depois de vestir, reclamando de calor. Kalisto inicialmente insistiu para estar agasalhada, porém, ao notar as gotículas de suor na testa, desistiu.
0
Comente!x

  As primeiras a chegar foram Micaela e Mia.
0
Comente!x

  Entregou a vitamina pra menina na mamadeira pra atender as visitantes inesperadas ao ouvir a campainha.
0
Comente!x

  - Cadê meus netos? – a senhora entrou na sala sem cerimônia carregando a sua bolsa marrom no pulso.
0
Comente!x

  - É sério que serei tia, Rafa?!
0
Comente!x

  Se jogou nos braços do irmão num abraço capaz de fazê-lo cambalear. Apesar dela ser mais nova, já o ultrapassara no quesito altura.
0
Comente!x

  Kalisto estava sentado no chão dando mamadeira pro neném com Luciana brincando distraída com uma boneca a meio metro de si tomando vitamina na mamadeira rosa.
0
Comente!x

  - E quem é essa princesinha?
0
Comente!x

  Deixou a bolsa na mesa, se dirigindo a criança com um enorme sorriso. Virou o rosto para Micaela quando foi pega no colo.
0
Comente!x

  - Luciana. – murmurou com o bico da mamadeira na boca.
0
Comente!x

  - É um lindo nome, sabia? – Mia, agora com dezesseis anos, fez cosquinha no pescoço lhe arrancando gostosas gargalhadas.
0
Comente!x

  Lisandra chegou minutos depois com sacolas de alimentos como frutas, doces, leite e pães.
0
Comente!x

  - Bem, eu não sabia a idade das crianças, então foquei em trazer comida. A geladeira vai começar a esvaziar rapidamente.
0
Comente!x

  Avisou da cozinha, já guardando as compras. Em seguida, se juntou aos demais, encantada pelos novos membros da família.
0
Comente!x

  - Vou pedir pro seu pai comprar fraldas para recém-nascido. – retirou o celular preso na alça do sutiã – Ficou no mercado terminando de comprar alguns itens indicados por mim.
0
Comente!x

  - O bebê já tem nome, filho?
0
Comente!x

  Micaela se acomodara no sofá com o bebê no colo enquanto a avó paterna batia fotos, fazendo os primeiros registros em diversos ângulos.
0
Comente!x

  - Gabriel. – se ajoelhou para acariciar a bochecha do menino, quem despertara e, de olhos arregalados, observava o redor.
0
Comente!x

  - Gente, junta aí pra bater uma foto. – pediu a adolescente e sorriu após ver a linda selfie pelo celular.
0
Comente!x

  O marido de Lisandra chegou com sacolas enormes de roupas e várias outras coisas de uso para bebês. Foi necessário fazer quatro viagens para esvaziar o carro.
0
Comente!x

  - Nem acredito que serei a tia quem ensina as coisas erradas pros sobrinhos! – Mia não poderia estar mais empolgada brincando de correr com Luciana – Mal posso esperar pra te ensinar a sambar.
0
Comente!x

  De fato, quando o casal precisasse trabalhar, teria à disposição suas mães, o pai de Kalisto e a irmã de Rafael sem pestanejar para ficarem com seus filhos.
0
Comente!x

  Meses mais tarde Luciana teve um curioso sonho durante a madrugada o qual jamais esqueceu.
0
Comente!x

  Brincava num campo florido com outras crianças. Corriam sentindo o vento balançar os cabelos e o Sol estava numa temperatura agradável.
0
Comente!x

  Ao longe, uma figura feminina a observava carregada de emoção.
0
Comente!x

  Lúcia morrera no trabalho de parto. Teve uma vida muito difícil para quem apenas completara seus dezoito anos dias antes de falecer.
0
Comente!x

  Foi vítima dos mais diversos abusos do pai durante o período de infância. A mãe, uma pessoa desprezível com traços de psicopatia, sentia ciúmes da filha por causa disso, então a castigava e agredia, a responsabilizando pelos abusos. Aos quinze anos foi expulsa de casa depois de dar à luz por ter engravidado de um dos amantes da mãe – não de forma consensual.
0
Comente!x

  Na rua deu o seu melhor para cuidar da filha, Luciana. A libertação de seu sofrimento veria naquela tarde fatídica, onde encontraria Rafael no hospital. Em seu íntimo a certeza da morte era inegável, então buscou, mesmo tão machucada, encaminhar os filhos para terem uma vida melhor comparada àquela capaz de proporcionar.
0
Comente!x

  Ainda não estava completamente reestabelecida. Quando o estivesse, trabalharia para ajudar as meninas vítimas daquilo tudo que a própria passou ainda em vida. Atuaria, principalmente, no lugar onde se tornara o refúgio do ruivo. Chegaria quando começassem a cantar um canto que contava parte de sua trágica história. Receberia o nome Menina da Estrada para ocultar a sua verdadeira da identidade – inclusive, porque, durante um tempo, fora obrigada a se prostituir em troca de dinheiro para alimentar filha.
0
Comente!x

  “Eu sei que ainda sou menina
  E nunca quero ser mulher
  Comigo só brincava criança
  E eu, sozinha, fui pro cabaré
  Meu pai me usou quando era menina
  Minha mãe na minha palavra não creu
  E hoje vou perambulando
  Na rua da amargura e você não vê”
  De tão absorta, nem percebeu quem parou ao seu lado.
0
Comente!x

  - Por que não vai falar com a sua filha?
0
Comente!x

  A morena de vestido vermelho indagara com um olhar gentil.
0
Comente!x

  - Ah, moça... Não acho que seja necessário.
0
Comente!x

  - Por quê?
0
Comente!x

  - Vai ser melhor pra ela. É melhor não carregar nenhuma memória minha. Ela viu uma cena horrível. Não quero que se lembre.
0
Comente!x

  - A menina não precisa se lembrar daquilo. – a tocou no ombro num aperto reconfortante – A culpa não foi sua.
0
Comente!x

  Deu uma risada amarga mordendo o lábio inferior e segurando o pranto. Afinal, nada mudaria o impacto causado nela ao assistir a mãe sofrer tamanha brutalidade.
0
Comente!x

  - Não sei que problema é esse de vocês teimarem em se responsabilizarem pelos erros dos outros. Manda o “e se” pra puta que pariu. Você fez o seu melhor pra protege-la. Aqueles malditos não têm coração e a hora deles de pagar pelo seu sofrimento já chegou.
0
Comente!x

  - Tem certeza de que ela não se lembrará de nada de ruim? – incerta, afastou os cabelos do rosto.
0
Comente!x

  - Não. Só se recordará do mais importante. O seu amor de mãe. O deixe chegar nela, moça. Não perca a oportunidade de proteger a sua família da mesma forma como eu e Zé não deixamos de proteger os novos pais dela. Assim como você tem ligação com a sua menina, nós temos ligação os perna de calça, mesmo que eles não se lembrem de nós.
0
Comente!x

  Lúcia tomou coragem ao puxar o ar com força pela mensagem reconfortante antes de começar a caminhar para o grupo de crianças.
0
Comente!x

  Correndo, Luciana a avistou. Parou de supetão com o cenho franzido, como se duvidasse de seus olhos. Então, ao notar quem era, abriu um enorme sorriso. De imediato correu o mais rápido que suas perninhas eram capazes de se movimentar para os braços da mãe, quem se abaixou para recebe-la.
0
Comente!x

  - Mamãe! – a abraçou com força.
0
Comente!x

  - Minha menina linda. – chorava de emoção sem conseguir se conter – Que saudade de você. Muita, muita, muita! – beijou o topo da cabeça diversas vezes.
0
Comente!x

  - Você vai voltar?
0
Comente!x

  A filha se acomodou em seu colo, quem se sentara de pernas cruzadas, com espaço no meio perfeito para o corpinho caber.
0
Comente!x

  - Não vou poder, neném. – acariciou o rosto inocente – Escuta, preciso que me prometa umas coisinhas, tudo bem?
0
Comente!x

  Acenou um “sim” com a cabeça várias vezes.
0
Comente!x

  - Me promete que vai ser boa com os tios com quem está agora. Vão ser seus novos papais.
0
Comente!x

  - Então vai deixar de ser minha mamãe?
0
Comente!x

0
Comente!x

  - Não, não, meu anjinho. – beijou a testa – Acontece que como a mamãe não pode estar por perto, eles vão cuidar de você e do seu irmão pra mim. Esses dois amam vocês demais. Agora terá dois papais.
0
Comente!x

  - Está bem.
0
Comente!x

  - A outra coisa é que... – olhou para o céu para a voz não sair embargada – Promete que não vai esquecer da mamãe, tá? Eu te amo, meu anjinho. Você e seu irmão são quem mais amo nesse mundo. Se precisarem de qualquer coisa, por menor que seja, podem conversar comigo. Onde quer que estejam estarei ouvindo. Tudo bem?
0
Comente!x

  - Tá.
0
Comente!x

  - Não imagina como os amo, meu anjinho.
0
Comente!x

  Segurou a mão da genitora a puxando para acompanha-la.
0
Comente!x

  - Brinca comigo, mamãe. – pediu animada.
0
Comente!x

  Lúcia encontrou o olhar da moça, quem acenou um sim em aprovação. Em seguida, se levantou para brincar com a filha.
0
Comente!x

  No dia seguinte ao sonho de Luciana, Rafael e Kalisto foram para o lugar responsável por uni-los novamente, além de salvar suas respectivas vidas, restaurar o relacionamento e formar sua família.
0
Comente!x

  - Gostaram dos presentes, filhos? – Zé falou atrás deles segurando a sua bengala.
0
Comente!x

  O casal se virou ao sentir a baforada de charuto.
0
Comente!x

  - Quais presentes? – Rafael não poderia estar mais confuso.
0
Comente!x

  A figura elegante soltou uma risada com charuto na boca.
0
Comente!x

  - Não tem dois pequenos dormindo agora nas suas camas? – se dirigiu para o moreno – A avó e a tia vão cuidar bem deles. Não se preocupe.
0
Comente!x

  - Foi você, então, quem nos entregou eles?
0
Comente!x

  - Quem aceitou presente de criança aqui foi você, filho. – segurou o charuto com dos dedos o retirando dos lábios – Não deixem esse medo do futuro atrapalhar nada, não. O par de calça e a par de saia vai ficar com vocês, sim. Qualquer problema, sabem com quem conversar pra pedir ajuda.
0
Comente!x

  Como se fosse uma deixa, a mulher de vestes vermelhas começou a cantar ao som do atabaque os fitando:
0
Comente!x

  “Tú chamou por mim numa madrugada
  Eu te respondi numa encruzilhada
  Tú chamou por mim numa madrugada
  Eu te respondi numa encruzilhada
  Eu te dei conselho
  Filho, não te engana
  Não ande sozinho
  Chame por Cigana
  Eu te dei conselho
  Filho, não te engana
  Não ande sozinho
  Chame por Cigana”
Capítulo 15
0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (0)
×

Comentários

×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x