Chame por Cigana


Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 51 minutos

  Subia o elevador carregando uma grande refratária pesada.
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  Micaela insistiu até o filho preparar um pavê de chocolate para Kalisto como forma de agradecimento assim que a irmã chegou do mercado na parte da manhã com uma sacola cujo conteúdo era o material para o doce.
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  Portanto, como sexta-feira era feriado e não foi trabalhar e nem para a faculdade por consequência disso, às sete da noite passou no apartamento do moreno para lhe entregar.
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  O cenário era, no mínimo, caótico.
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  Pela porta estar destrancada de imediato invadiu o apartamento ao ouvir as vozes exaltadas – até mesmo alguns miados e frases como “dá um jeito nesse bicho, Kalisto” eram proferidas.
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  Antes Rafael não tivesse ido – é claro, para a infelicidade da mulher. Para a sorte do advogado, completamente alheio, havia mais alguém ali quem poderia lhe tirar daquele conflito.
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  Seu sangue ferveu de ódio ao ver a cena e não hesitou em interferir na situação.
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  Uma mulher com trajes religiosos – vestido longo, cabelo preso em coque, sem maquiagem e sapatilhas – gritava com Kalisto lhe apontando o dedo. Estava sentado numa cadeira melancólico sem rebater as ofensas.
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  Aproveitou que ambos estavam ignorantes à sua presença para colocar a refratária na mesa mais próxima junto com a sua mochila preta.
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  - Eita, que agora temos crente querendo ditar como cada um pode viver a sua própria vida. – batia palmas aos berros se aproximando deles, que lhes fitaram assustados – Nem fodendo gostoso vou deixar você vai falar com ele assim, sua arrombada. Quero dizer, nem isso você é, minha filha! Quem iria querer transar com isso?
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  Foi quando o pandemônio começou.
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  A irmã de Kalisto gritava com o mais novo, quem rebatia à altura em puro tom de deboche. O coitado do morador chegava a segurá-la por detrás. Se debatia com violência, o obrigando a se esforçar para a impedir de alcança-lo.
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  Desbocado, irônico e debochado, usava do humor para rebater os ataques verbais. Por ver que as suas falas começaram a arrancar risos do moreno, descobriu que aquele era o caminho devido para seguir por lhe tirar do estado anterior de aflição.
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  - Se estivesse gozando bem gostoso no pau do seu homem, querida, não estaria amargurada ao ponto de arranjar confusão com quem sequer conhece. Olha a minha pele de porcelana. – passou os dedos de leve no rosto – Sabe por que está impecável? Passo um pouquinho de ódio e estresse, é claro, mas também é graças à época quando esse gostoso aí me comia. Me fodia tão bem que minha pele sente os efeitos até hoje.
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  O advogado desviou de uma cotovelada rindo.
  - Você está do lado de quem, irmão? – a mulher forçava o corpo pra frente.
  - Sinceramente? De quem me faz rir. – deu uns solavancos para trás a puxando consigo – Sossega no lugar, cacete!
  - Viu? Até ele me apoia. Meu bem, você é mal fodida, isso, sim! – em cima do sofá para ficar na altura da religiosa, lhe apontava o dedo na cara enquanto o outro tentava tira-la de lá.
  - Eu não preciso me rebaixar como você, não. – irada, se debatia nos braços masculinos se mantendo no lugar – Sou muito bem criada e casada! Não vivo na imundície do pecado como vocês.
  A discussão prosseguiu por mais alguns segundos até que, por fim, o advogado se exasperou:
  - Já é o suficiente, Antonieta!
  - Antonieta? Seu marido é o Osvaldo? – o ruivo tinha os olhos arregalados.
  - É. – pela primeira vez não gritou – Como sabe disso?
  - Sâo da Assembléia de Deus?
  - Sim.
  - Por Deus! Onde quer chegar com essas perguntas? – o homem mantinha as mãos na cintura da irmã quando se acalmou minimamente, apenas por segurança.
  - Esse mundo é pequeno demais. O seu marido é enrustido, menina!
  Kalisto esperava tudo, menos aquela resposta. Era de se imaginar o quanto começou a rir.
  - O que? – estava estupefata.
  - É, sim. Um amigo meu tem um caso com ele. Até me contou que o pau do cara é fino e torto pra direita.
  - É mentira! Você quer destruir o meu casamento! O Diabo está falando pela sua boca.
  - Então garanto que tio Lú está me pedindo pra te avisar que a ausência do seu marido na última semana não foi pra cuidar da mãe aparentemente adoentada, mas sim pra viajar com o meu amigo.
  - Desgraçado!
  Tentou mais uma vez partir pra cima de Rafael furiosa pelas informações baterem, quem, impaciente, apenas rolou os olhos com ar enfadonho enquanto ia ligar para o porteiro.
  Em menos de dois minutos os seguranças responsáveis por tirar a mulher de lá entraram.
  - Diferente de você, meu bem, seu irmão me come direitinho. Por isso tenho essa pele de pêssego. – parou na frente do advogado inclinando o tronco pra frente numa posição bem sugestiva – Procura um outro cara pra meter bem gostoso porque o seu gosta de pau tanto quando nós dois aqui. – virou de frente para o homem ainda capaz de ouvi-la sendo arrastada – Vai pra puta que te pariu, mal amada do caralho.
  Assim que a porta foi fechada, Kalisto indagou com humor:
  - A história do marido foi invenção sua?
  - Pior que não. O Victor realmente está saindo com o Osvaldo.
  Kiara passou se esfregando nas pernas do dono e seguiu para seu pote de comida, onde foi se alimentar em paz.
  - Tá que pariu. Só você pra me fazer rir numa situação de merda dessa. Aliás, que está fazendo aqui? – o puxou pelo pulso para se sentarem no sofá.
  - Minha mãe me pediu pra te trazer um agradecimento pela festa. – apontou para a mesa – É pavê de chocolate com leite ninho.
  - Valeu. – deu um sorriso triste – Sinto muito por ter presenciado isso. – se desculpou com a cabeça direcionada para o chão.
  - Relaxa. – conteve a vontade de se acomodar no colo do moreno como antes, restando apoiar o queixo no ombro – Eu nem deveria ter me metido, mas não ia permitir que aquela filha da puta continuasse agindo daquela maneira contigo. – acariciou o rosto sentindo a barba rala.
  - Obrigado. – o toque diminuiu um pouco o peso das palavras carregadas de homofobia cuspidas pela mulher antes da intromissão do mais novo.
  - Afinal, quem é essa doida? – ainda com o queixo apoiado no ombro, o olhou ficando a centímetros de distância do rosto alheio.
  - Minha irmã. Quando aparece aqui é pra chorar as pitangas pelo casamento fracassado ou pra me pedir dinheiro. Não trabalha, então vive às custas do marido.
  - Olha, pelo o que vi nada a impede de procurar um emprego e largar o traste. Percebemos que se comunica muito bem e que não tem nenhum tipo de dificuldade para se locomover.
  - Ela insiste em se manter casada. Costuma dizer que é dever do marido sustentar a esposa.
  - Então a manda pra puta que a pariu, ué! Com aquela roupa horrorosa é sustentada pelo marido? Nem aqui e nem no cú da China. Look feio da porra! O Victor ganhou uma camisa infinitamente mais bonita e cara comparado àquele vestidinho chinfrim e brega.
  Soltou uma risada anasalada pela maneira engraçada como o ex falou.
  - É que não me sinto bem a afastando da minha vida. Apesar dos pesares, gosto da minha irmã.
  Vê-lo cabisbaixo sempre incomodou o ruivo, até porque o estado emocional ainda o atingia – compreendeu que aquela característica não mudara ali, mesmo com quatro anos de separação. Portanto, buscou lhe causar mais tranquilidade por meio do contato físico e do tom sereno quando voltou a falar o observando.
  Abaixou as destras para colocar a de Kalisto entre as suas. Fitou a imagem daquela união com ternura, surpreso pela atitude.
  - Você tem todo esse direito, mas cada um é responsável pela sua própria vida. Se escolheu isso pra si, nada mais justo que lidar com as consequências, independentemente de serem positivas ou negativas. Por mais que a ame, cada um carrega o próprio fardo. Não é de sua responsabilidade lidar com isso. É dela. – murmurou.
  Por um momento manteve-se em silêncio processando as palavras.
  Suspirou pesaroso. Entrelaçou a mão pequena na sua num movimento fluído para, então, erguê-las e beijar os dedos alvos.
  - Você sempre sabe como me ajudar. – o encarou cheio de meiguice afagando a região onde repousou os lábios – Obrigado por... Sei lá. Existir.
  As palavras eram carregadas de doçura, causando forte impacto no coração do rapaz, quem pestanejou sem esperar ouvi-las.
  Mais uma vez refreou outro desejo: quebrar a mínima distância para, enfim, beijá-lo.
  Kalisto, aos poucos, diminuiu o espaço ainda hesitante em direção a boca rosada. Rafael queria, desejava e ansiava por aquilo. Porém, Kalisto foi precipitado. Na realidade, havia se deixado guiar pelos sentimentos. Internamente tinha plena certeza que, caso acontecesse algo entre eles, era Rafael quem precisava dar o primeiro passo. Era o outro quem avançaria.
  Por causa disso que nas vezes quando tiveram momentos de maior intimidade não se direcionava na direção da boca convidativa.
  Quando estava montado, com Princess era diferente. Era sua drag quem comandava – drag essa cuja personalidade era bem distinta. Ela flertava sem timidez ou pudor. Deu-se a liberdade de cruzar aquela tênue linha quando estavam no Uber – principalmente porque lhe incentivou o tempo todo.
  Por outro lado, foi importante para o rapaz o ver tomar tal atitude desde que se encontraram na faculdade como professor e aluno.
  Foi graças a toda essa situação que o cantor desviou minimamente a cabeça.
  - Por que não me acompanha hoje? – murmurou numa voz rouca.
  O moreno fechou os olhos frustrado.
  - Pra onde?
  - Conhecer uma amiga. – o pequeno polegar deslizava pela bochecha sutilmente – Você vai gostar. Até porque será bom pra se distrair um pouco.
  Ao abri-los compreendeu o quanto Rafael desejava que aquele beijo acontecesse.
  E só por causa disso concordou em ir.

  Quando os dois chegaram ao lugar, a morena de fartos cabelos negros logo se aproximou para recebe-los com uma mão na cintura.
  - Boa noite pra quem é de boa noite. – carregava um cigarro entre os dedos e um amplo sorriso de satisfação quando se posicionaram diante de si – Agora entendo melhor porque não se esqueceram. São formosos demais juntos e o laço é forte.
  - Moça. – choramingou Rafael com o rosto avermelhado.
  Antes do advogado se pronunciar, o calou com o dedo em riste:
  - Nem adianta tentar mentir pra mim. Sei muito bem o que carrega aqui. – bateu no peito musculoso escondido pela blusa azul – Vejo também que precisaremos conversar, mas não será agora. Vão, vão se divertir. Aproveitem pra deixar o coração falar mais alto que a porra dessa mágoa. Aqui dentro quero felicidade. Qualquer problema, é só conversar comigo pra eu ajudo a resolver.
  Às nove e meia da noite Kalisto o observava cheio de tranquilidade sentado numa cadeira. Rafael dançava alegre com algumas mulheres com amplo sorriso.
  Era incrível a capacidade de deixa-lo em estado de serenidade depois da discussão com a irmã há poucas horas.
  Estava lindo em meio a risos e carregado de alegria enquanto as pessoas cantavam os pontos.
  - Ainda bem que admitiu pra si que ainda o carrega no coração. É meio caminho andado para se acertarem.
  Se assustou por não perceber a presença da mulher com vestido vermelho.
  - Eu não...
  Ergueu uma sobrancelha o desafiando.
  - O que eu falei sobre não mentir para mim?
  Pela linguagem corporal notou quando o homem aceitou a realidade e soltou sua típica estrondosa gargalhada.
  - Como deu pra perceber?
  Se acomodou ao lado dele na outra cadeira.
  - Só um cego não veria. Fará algo a respeito?
  - Não.
  - Por que?
  - Não é necessário.
  O encarou por prolongados segundos com um olhar profundo e analítico.
  - Por isso o traste te passou a perna tão fácil. – deu um trago no cigarro – Seu orgulho fala mais alto que seu raciocínio. – soltou a fumaça pelas narinas.
  - Do que está falando?
  - Seja esperto. Você jogou quem ama nos braços de um lobo em pele de cordeiro à troco de nada. Cuide de si e de quem ama. O seu orgulho é o seu maior inimigo junto com aquele filho da puta. Só te digo isso. – falou séria antes de se levantar para conversar com outras pessoas.
  Uma hora mais tarde o homem com trajes do típico malandro carioca puxava pontos de cunho amoroso cujas letras mexeriam aos poucos com os corações de Rafael e de Kalisto.

  “Dói, dói, dói, dói, dói
  Um amor faz sofrer
  Dor de amor faz chorar
  Te dei amor
  Te dei carinho
  Te dei a rosa
  Ganhei espinhos”

  As escolhas eram propositais para sensibiliza-los cada vez mais.
  O advogado ainda o observava dançando quando a moça se juntou ao ruivo.
  O de terno branco e chapéu puxou encarando Kalisto, satisfeito pelas feições estarem se tornando mais pesarosas:

  “Eu menti pra ela, Zé
  Disse que não gostava dela, Zé
  E que ela podia ir que não ia doer
  Falei que não íamos dar certo
  E seria bem melhor para ela assim

  Eu a fiz chorar, seu Zé
  Também achei que ela não fosse embora, Zé
  E quando me virou as costas eu só sabia chorar

  Oh, Zé
  Oh, Zé
  Nunca vi um malandro chorar por uma mulher”

  A canção trazia à tona sentimentos guardados e escondidos. Ao ver que surtia efeito, a morena voltou a gargalhar quando o ruivo pestanejou para afastar as lágrimas.
  - Não lute contra, meu filho. Vocês têm muito a resolver.
  O segurou pela mão. O girou duas vezes até impulsioná-lo em direção ao advogado, quem já estava de pé respirando pesaroso devido às fortes emoções emergirem, incapaz de escondê-las. Ficaram naquela posição vendo suas próprias sensações nos olhos do outro ao ouvirem a próxima música na voz da mulher.

  “Vinha caminhando na rua
  Quando eu encontrei uma linda morena a chorar
  E tinha uma rosa vermelha
  Em seus lindos cabelos que era de se apaixonar
  As lágrimas caíam no rosto
  E molhavam sua pele
  Que brilhavam ao luar

  Pra que chorar?
  Pra que chorar?
  Não chore, Dama da Noite
  Que seu homem vai voltar
  Não chores mais
  Pra que sofrer?
  É que eu sei, Dama da Noite
  Que ele ainda ama você”

  Aquilo foi demais para o mais novo.
  Lutando contra o pranto entrou para o interior do lugar, onde estava vazio, longe dos olhares curiosos.
  Kalisto o acompanhou preocupado pelos olhos marejados. Quando o ruivo parou de braços cruzados, se aproximou dele lentamente. Já perto o suficiente, o segurou pelo ombro.
  Rafael sabia quem era – ou melhor, conhecia aquele toque. De imediato se virou segurando o choro.
  - Por que? Por que?
  Indagava em voz baixa com a face avermelhada e um nó na garganta.
  - Porque vocês foram enganados.
  A voz feminina fez o advogado se virar na direção de sua origem, se deparando com a mulher de vestido vermelho quebrando a distância entre eles.
  - Aqui não é o momento e nem o lugar para discutirem isso. Vão. A noite vai ser longa e se tiverem juízo terão muito a conversar.

  Uma e meia da manhã Rafael continuava acordado.
  Farto de rolar na cama numa tentativa infrutífera de dormir impedida pela intensidade das emoções, deu-se por vencido e foi para a sacada com o cobertor. Vestia apenas uma blusa preta de Kalisto de mangas largas cobrindo até o cotovelo. As pernas estavam desnudas pela peça ir somente até o meio das coxas.
  Na noite fresca a vista era espetacular do último andar. Os prédios estavam com as luzes desligadas, então a Lua era ainda mais impressionante, iluminando o ambiente junto com as estrelas.
  Acomodara-se numa das cadeiras de praia com as pernas encolhidas.
  O peito pesava com a carga emocional vasta e forte para lidar. Precisava extravasá-las de alguma maneira para ter uma noite minimamente tranquila.
  O fato de Kalisto evitar comunicar-se nas horas seguintes aumentava a aflição de maneira a tornar-se quase insuportável. Falou apenas o necessário, como quando lhe entregou a roupa para tomar banho junto com o carregador para o celular. Foi para seu quarto com um “boa noite” murmurado procurando se afastar do contato visual.
  Havia muito a ser discutido. Diversas perguntas, diversas explicações que aumentaram ainda mais a proporção à medida que as músicas eram tocadas antes de saírem do lugar onde estavam para retornarem ao apartamento.
  Não compreendia, inclusive, a insistência do outro de leva-lo para sua residência ao invés de deixa-lo na porta de casa assim como qualquer pessoa sensata faria.
  Uma pessoa sensata não tentaria se reaproximar do ex como o moreno estava fazendo. Menos ainda organizaria um aniversário maravilhoso para quem deveria permanecer no passado e nem o abrigar por duas vezes – a mais recente sem motivo plausível.
  O ruivo não era burro. Sabia que as ações eram motivadas por outra coisa além do desejo. Tesão nada combinava em alegrar a outra pessoa sem pedir nada em troca e se manter nas sombras para não ser descoberto.
  Não é o tesão que traz o seu melhor amigo quem mora em São Paulo para comemorar o seu aniversário surpresa.
  Não era tesão que o aconselhava sobre André e lhe acariciava ao invés de agredir ou repreender.
  Não era tesão que o obrigara a pular o muro de sua casa no meio da madrugada apenas porque Rafael não foi recebido em seu apartamento antes de sequer saber de sua presença.
  Todas essas questões estavam emboladas em seu íntimo transformando-se numa angústia sem igual – e devido à impetuosidade delas tinha dificuldade para externalizá-la.
  E foi motivado a isso que colocou músicas para ouvir em seu fone de ouvido. O intuito era elas a ajudarem a aliviá-lo um pouco para se aquietar. Do contrário, corria o risco de ter uma crise de ansiedade ou amanhecer no dia seguinte com alguma ferida no corpo – e não poderia se dar ao luxo de adoecer como antes novamente.
  Quando Penhasco começou a tocar a iniciou cantando baixinho, sem perceber que aumentaria a voz à medida que a música fluía.

  Kalisto não conseguia dormir pelos mesmos motivos.
  Porém, dessa vez, tinha uma companhia.
  A gata deitara em seu abdômen relaxada e entregue de olhos fechados aos afagos no pelo macio há cerca de uma hora. O pelo macio aquecia a região por não vestir nenhuma regata, imerso em pensamentos conflituosos.
  Identificou a voz melancólica antes do dono. Curiosa, ergueu a cabeça em direção a porta.
  - Que foi?
  Ela o encarou com um miado suave.
  - Que foi, Kiara?
  Após um ronronar, o felino pôs o dedo do moreno entre os dentes, o puxando.
  - Qual o problema?
  Sentou na cama para observá-la quando saltou para o chão. Com o rabo agitado voltou a miar. Pôs as patas dianteiras na cama para voltar a abocanhar a calça larga de moletom na altura do tornozelo para puxá-la.
  - Tudo bem, estou indo.
  Levantou para acompanha-la.
  Com a patinha arranhou a porta, então não hesitou em abri-la. Imediatamente saiu, mas, ao dar-se conta de que não era acompanhada, retornou.
  O tutor já voltava para a cama, entretanto se virou ao senti-la lhe dar mordidinhas suaves no calcanhar.
  - Qual o problema?
  Kiara o levou até a sacada, agora sendo capaz de ver e ouvir a cena.
  Rafael cantava Penhasco a plenos pulmões.
  - E eu não sinto raiva. Não sinto nada além do que você já sabe. Pior é que cê sabe bem, meu bem, o tanto que eu tentei.
  A voz transmitia o sofrimento, a angústia e a confusão que sentia. Isso era claro até para a pessoa mais leiga.
  Era um momento íntimo e particular, porém o moreno foi incapaz de deixa-lo sozinho. Era fácil retornar para o quarto, contudo seus pés o impediam o prendendo no mesmo lugar. Mesmo pela luz fraca do ambiente via o quanto estava emocionado com o rosto avermelhado e as lágrimas descendo.
  - Eu tive que desaprender a gostar tanto de você. Por que cê faz assim? Não fala assim de mim. E eu sei que chora. – prolongou a nota num puro som carregado de dor – E eu sei que chora. Não finge que não viveu toda a nossa história. Meu Deus, eu pedi tanto pra não ir embora, mas tenho que seguir meu caminho agora. Cê sabe bem quem eu sou. Sabe que se chamar eu vou.
  Kalisto compreendeu que Rafael transmitia em palavras os sentimentos que ainda carregava por ele. Para não o assustar e sensibilizado, caminhou até o rapaz, quem, sentado, abraçava os joelhos em choro silencioso.
  Sem se anunciar, passou uma perna no espaço atrás dele, sentando-se com as mãos nos ombros.
  - Desculpa. Eu não queria te acordar. – secou a face sem encará-lo.
  - Não se preocupa. – deu pequenos beijinhos pelas região da cervical – Você está bem?
  - Sim. – soltou o ar por completo.
  - Pois não parece. – murmurou.
  - Essa música mexe comigo. É só isso. – fungou.
  Esfregou o nariz no pescoço arrepiado pela brisa.
  - Tem certeza que é só isso? – murmurou contra a pele
  Rafael não esperava que tais palavras saíssem de sua boca após uma careta de desdém jamais vista pelo moreno.
  - Por que eu estou aqui? – a voz era clara, longe de qualquer vestígio de tristeza.
  O questionamento o fez se afastar alguns centímetros.
  - Bem, um dia, o seu pai e a sua mãe...
  - Não. Não me vem com ironias. – se virou o fitando com olhos marejados – Por que eu estou aqui? Por que me trouxe pro seu apartamento duas vezes, a segunda sem nenhuma desculpa plausível? Por que perdeu seu tempo organizando uma festa de aniversário pra mim e tirou do seu bolso pra isso? E por que pagou a passagem de avião do Bruno, meu melhor amigo, pra ele estar presente naquela noite? E por que... – soluçou antes de finalizar com a voz embargada – Por que age como se me amasse?
  Kalisto não conseguiu manter o contato visual.
  Numa expressão impassível, mordeu o lábio inferior encarando a vista antes de se levantar em silêncio.
  - É sério que vai fugir? – inconformado, o observou se afastar adentrando no apartamento.
  Um minuto e meio se passou achando que o outro havia se encaminhado pro quarto.
  - Hey.
  Direcionou o corpo na direção da voz. Kalisto estava descalço e carregava uma garrafa de vinho que acabara de abrir.
  - Algumas conversas precisam acontecer com a ajuda de uma bebida. – ergueu a garrafa – Vem pra cá.
  O acompanhou até se sentarem nas pontas do sofá, ombros recostados e com as pernas encolhidas.
  - A resposta, meu menino, é porque sou um perfeito exemplo de burrice quando o assunto é você. – iniciou após tomar um prolongado gole do gargalo – Eu deveria, mas não consigo ver o cara quem me traiu com o imbecil do atual namoradinho sofrendo.
  - Eu nunca...
  - Ah, por favor. – havia puro rancor na fala e pôde detectar o misto de tristeza e asco nas feições – Eu estava lá, Rafael. Eu vi o que aconteceu.

  Há quatro anos Kalisto estava parado em seu carro em total estado de choque.
  A alguns metros de distância, parado no engarrafamento, enxergava Rafael ao longe. Porém, não estava sozinho.
  André chegara há poucos minutos. Parecia estar levemente alterado pela bebida, mas nada de preocupante. Apenas alegre demais. Conversava com Rafael, quem ria, lhe dando total atenção.
  Perto demais, André quebrou a distância e o beijou num abraço.
  Daquela distância não percebeu que o apertara tanto ao ponto de o ruivo não conseguir se afastar, o prensando contra si naquele abraço.
  Era bem mais alto com maior porte, então foi fácil roubar um beijo contra a vontade do outro.
  Ao abrir os olhos, os direcionou direto para Kalisto. Estava gélido naquele momento dentro do carro.
  Numa expressão cínica e vitoriosa, percorreu o pescoço com a língua para lhe enviar um beijo antes do moreno ter forças para sair dali.

  - Antes de entrar no carro pra te buscar eu tinha encontrado a Kiara na rua ainda filhote. – completou após contar a sua recordação sentindo um sabor amargo – Mesmo depois de quatro anos é uma merda falar sobre isso. – desgostoso, tomou um gole do gargalo.
  - Você entendeu tudo errado. – sem acreditar em seus ouvidos, passava as mãos no rosto com um olhar desesperado – O André me obrigou. Eu não tinha nada com ele.
  - Conta outra.
  - Kalisto, acorda. – controlando-se pra não soar histérico, sentou no colo alheio o segurando no rosto com as duas mãos para se certificar que se fitariam na tênue luz do luar – Olha pra mim. Sou eu, seu menino. Você conviveu comigo por mais de um ano. Conheceu a minha família, entrou na minha casa e foi apresentado aos meus amigos. Eu tenho cara de quem seria capaz de trair alguém, principalmente você? Desde que o conheci só tenho olhos pra você.
  O advogado tinha um raciocínio veloz, então não foi difícil deduzir o óbvio. Porém, antes de verbalizar suas suspeitas, Rafael prosseguiu em tom decepcionado:
  - Você quis me dar o troco, né?
  Kalisto não podia estar mais carregado de culpa por ferir conscientemente o único homem quem amou. Homem esse inocente quem jamais o traíra.

  Rafael chegou ao apartamento com um largo sorriso. Aguardaria o namorado sentado no sofá assistindo algo na televisão ou lendo pelo celular. Entretanto, seus planos mudaram ao ouvir um som vindo do quarto.
  Amedrontado pelo o que veria, caminhou a passos vagarosos até a porta do quarto entreaberta.
  Pela fresta viu algo que jamais conseguiria esquecer.
  Kaliato recebia beijos no pescoço de um loiro quem estava só de cueca. Sorria o puxando ainda mais pra si soltando um gemido.
  O rapaz cambaleou para trás sentindo for física pelo baque emocional. A barriga doía e sentia sabor de sangue. Numa tentativa de controlar o grito, tampou a boca para não sair nenhum som – e então compreendeu o motivo do porquê o porteiro tentar impedir a sua subida.
  Quantas vezes Kalisto subira com aquele homem?
  Quantas vezes o traíra?
  Será que havia outras pessoas?
  Como pôde entregar o seu coração para alguém?
  Os questionamentos permeavam a mente em questão de segundos de tão atordoado.
  Sem pedir nenhuma explicação, apenas arrancou o colar num puxão o quebrando. O pôs sobre o primeiro móvel antes de ir embora batendo a porta.

  Kalisto não estava feliz.
  Chamara quem sequer conhecia – ou melhor, contratara os serviços – para o seu apartamento.
  Planejou tudo e o manteve em suas vistas até receber a mensagem de Rafael avisando que chegaria lá dentro de dez minutos.
  Ao receber uma mensagem de um dos funcionários quem subornou para avisá-lo sobre a chegada do até então namorado, arrastou o loiro para o quarto mantendo a porta entreaberta de propósito.
  Queria passar somente tempo necessário naquela encenação com o loiro. Nenhum minuto a mais.
  Não sentia prazer. Era indiferente às carícias por não chegarem nem perto do efeito causado pelo ruivo sobre si.
  Ao ouvir a porta da sala batendo audivelmente, separou-se do garoto de programa. Em seguida, lhe pagou o valor e o mandou embora.
  Não conseguiria dormir bem por cerca de vinte dias por causa dos últimos acontecimentos.

  Se recebesse um soco no nariz o quebrando certamente doeria menos. Consideravelmente menos.
  - Rafael... – balbuciou carregado de culpa.
  Se tivesse perguntado sobre o beijo de André, sem dúvida não teriam passado quatro anos separados e nem o teria ferido como feriu.
  Deveria ter desconfiado no contexto – principalmente na presença do outro ali justamente naquele momento, onde todos sabiam que Kalisto o buscava lhe dando uma carona.
  Deveria, sim, confrontar ao invés de se calar e orquestrar um plano onde iria ferir o homem quem amava. Porém, era orgulhoso demais – e foi o orgulho o responsável por cegá-lo.
  Tentou tocá-lo, mas o rapaz desviou, partindo ainda mais o coração.
  - Estou esperando a sua resposta.
  O silêncio prosseguiu, então obteve sua resposta.
  - Ótimo.
  Levantou para retornar para a sacada, onde ficaria sozinho nas próximas horas. Entretanto, a passagem foi bloqueada por um musculoso braço.
  - Me perdoa.
  O pedido dito com tamanho arrependimento foi demais para ele, quem rompeu em prantos.
  - Me perdoa, Rafael.
  O ruivo não era o único quem chorava.
  Com o braço o conduziu de volta para o seu colo, onde inicialmente apenas enterrou a face molhada no vão entre o ombro e o pescoço.
  - Por favor, me perdoa. – soluçou o abraçando.
  Aos poucos, em movimentos, bem lentos, o ruivo retribuiu o abraço. Foi quando Kalisto teve a certeza de que existia, sim, a possibilidade de reatarem devido àquele simples gesto.
  Graças ao abraço puderam sentir o quão feridos foram. Kalisto respirava pesadamente em arfadas onde soltava o ar em agonia. Rafael sequer conseguia falar.
  O apertando contra si em meio a afagos e soluços, dizia:
  - Eu precisava do seu abraço, Rafael. Precisava de você, meu menino.
  Por longos minutos foi o som predominante naquele apartamento – o lamento de duas almas sofridas. Dois homens que, graças à falta de comunicação mútua e ao orgulho de uma das partes, foram mantidos distantes graças a uma armação de quem desejava lhes separar pois queria o ruivo sob o seu domínio devido a um amor doentio que se transformaria em relacionamento abusivo no futuro, já que quem é doentio é completamente desqualificado para manter um relacionamento saudável.
  Choraram até as mágoas se dissiparem, a voz falhar e o corpo tremer em meio a um saudoso abraço apertado.
  Secando o rosto, Rafael encontrou forças para se distanciar o suficiente para encará-lo.
  - Perdoar não tenho certeza. – fungou num fio de voz.
  - Tenta. – suplicou igualmente abalado se agarrando a blusa – Por favor.
  - Agora que sei o que aconteceu talvez eu consiga um dia. Mas esquecer... – balançou a cabeça – Não dá. Simplesmente não dá.
  - Eu sei.
  Sem pronunciar nada, se acomodou no sofá. Sentou de costas para Kalisto encostado no homem quem continuava lhe abraçando.
  - Você o ama?
  Murmurou se referindo ao André.
  O segurava pelo tronco com uma mão. Com a direita entrelaçava a dele, onde lhe beijou as costas.
  - Não.
  - Por que está com o filho da puta, então? – murmurou contra a pele da destra antes de abaixá-la.
  - Não sei. Carência. Tentativa de te esquecer. Depois daquele dia era o André quem sempre estava ao meu lado. Eu precisava de um apoio naquela época, então... Quem melhor do que ele? – deu de ombros.
  - Amor... O que exatamente aconteceu contigo durante o período em que estivemos separados? Você nunca conta.
  - Só merda. Espero não voltar a viver aquele inferno.
  - Como assim?
  Erguia um dedo à medida em que relatava.
  - Três meses depois do nosso término, meu pai morreu vítima de uma bala perdida. Minha mãe sofreu um acidente que a impediu de continuar trabalhando. Tivemos graves problemas financeiros, então saí da faculdade pra ajudar em casa. Como minha família não sabia sobre o nosso namoro por causa do meu pai, não iria contar sobre o nosso término, então, nesse aspecto, suportei em silêncio. Enfim. Continuamos apertados. Não falta nada, mas também não sobra.
  - Por que não...
  - Recorri a você? – o encarou recebendo um aceno afirmativo – Não iria pedir ajuda ao homem quem me traiu.
  - Eu não iria negar. Além disso, tenho te ajudado desde que nos reencontramos.
  - Por escolha exclusivamente sua. Não te pedi nada.
  Recebeu um aperto na cintura pela resposta direta.
  - Ai! É verdade, ué!
  Mordiscou a nuca lhe arrancando risos.
  - Faz cosquinha. – se encolheu em risinhos baixos.
  Afagou a coxa torneada um pouco mais aliviado por lhe trazer um momento mais tranquilo depois de tantas revelações e descobertas.
  - Sinto muito pelo que aconteceu. Não era pra passar por tudo isso longe de mim.
  - Esquece. O importante é que hoje estou melhor. De nada vale remoer o passado. Esteve com alguém durante esse tempo?
  - Ninguém significativo. Não era o mesmo que isso o que temos. Nem mesmo naquele dia. Só me concentrei em te atingir, mas não senti nada. Desculpa. – o apertou contra si para enfatizar.
  - Chegou a beijá-lo naquela hora? – foi impossível não perguntar.
  - Não. Foi basicamente o que viu. E você? Esteve com alguém além do pau no cú?
  - Não. Mesmo com o André era vazio. Sabe aquele ditado, depois de você os outros são os outros? Pois é.
  - Não sabe como é bom ouvir isso. – esfregou o nariz nos cabelos macios – Você acha que... – talvez fosse cedo demais para questioná-lo sobre o tema, então interrompeu a fala.
  - Que?
  - Temos chances de reatar?
  Kalisto jamais ficara tão apreensivo pelo silêncio de alguém na vida.
  - Só o tempo vai responder essa pergunta, meu amor. – acariciou a barba rala o fitando – Não quero me precipitar, mas também não quero ficar longe de você.
  Recebeu um beijo estalado na bochecha.
  - Obrigado, bebê. Obrigado.
  - Ainda tem a questão do André...
  - bebê, eu não quero falar desse filho da puta essa noite. – o interrompeu numa voz suave – Nem ouvir o nome dele.
  - Por que?
  - Me dá raiva porque suspeito de uma coisa, mas não vou falar sobre agora. Amanhã eu conto porque quero aproveitar essas horas contigo.
  - Como?
  - Se conseguir esquecer o que eu fiz, garanto que ignoro também o que vi há quatro anos. Finge que não existe um amanhã, mas sim só nós dois. Apenas. Como você passaria as próximas horas na minha companhia?
  Kalisto imaginava que Rafael preferiria virar a noite entre carinhos e afagos pelos quatro anos que passaram separados.
  Por sorte, o ruivo tinha outros planos em mente.
  Recuerdame – La Quinta Estación
  Se virou para ficar de frente para o homem cujas mãos continuavam na cintura. Sentou no colo para, em seguida, realizar o seu maior desejo naquele momento desde que o vira atravessando a porta em seu primeiro dia de aula – beijá-lo ardentemente.
  O beijo era quente, voluptuoso, carregado de paixão, tesão, saudade e amor. Rapidamente sentiram-se endurecer e a carne queimar enquanto as línguas travavam uma batalha nas bocas entre gemidos graves e surpresos.
  Percorreu com a língua uma trilha até alcançar o pescoço, onde deixou lambidas provocativas o segurando pela nuca.
  - Caralho... – o moreno jogou a cabeça para trás, porém fora impedido por agarrá-lo mais forte pela nuca limitando o movimento.
  Numa voz carregada de ar, pediu:
  - Me fode, meu querido.
  Não foi preciso repetir.
  Kalisto segurou a barra da blusa a retirando de uma vez o deixando pelado. Impulsionou o corpo para frente o carregando junto até acomodá-lo no espaçoso sofá. Rafael abrira as pernas automaticamente para acomodá-lo, saudoso do corpo do amante sobre o seu.
  Agarrou-se a almofada quando Kalisto desceu os lábios úmidos pelo seu tronco, demorando-se por tempo demais nos seus pontos mais sensíveis – orelha, pescoço, mamilos e na região próxima ao baixo ventre.
  Quando o homem mordiscava o rosado mamilo, agora endurecido pelo prazer, o rapaz arqueava as costas o incentivando com arranhões onde suas unhas pudessem alcançar. Ofegava quase perdendo a capacidade de falar tamanha a intensidade do prazer.
  Tê-lo novamente consigo daquela maneira tão entregue aumentava as sensações. Era a prova de que não foi esquecido e provavelmente foi homenageado inúmeras vezes antes de dormir ou no banho.
  Enquanto se ocupava de dar total atenção àquela pele delicada, sentia-o lhe beijando o topo da cabeça e na testa.
  Deslizou a língua em movimentos de vai e vem com rapidez, o obrigando a tampar a boca para conter os sons produzidos. Percebendo isso, a afastou dali mordiscando o mamilo – sabia que aquilo produziria mais barulho ainda.
  O puxou para si novamente, ávido pelos lábios contra os seus.
  Rafael tentava abaixar a calça de algodão, então o outro se pôs de pé em sua frente, quem se sentou com os pés tocando o chão, a abaixando. A afastou para o lado com o calcanhar antes de ser segurado pelos quadris para, então, ser abocanhado.
  - Porra... Rafael. – balbuciava delirando de prazer.
  Porém, os toques com a língua na glande eram lentos demais.
  Graças à luz do luar podiam se encarar, então logo percebeu o real desejo do ruivo pelas íris travessas – provoca-lo sem deixa-lo gozar.
  Se afastou dando um passo para trás para, em seguida, trazê-lo para si pelo braço.
  O prendeu contra si num beijo duro sem lhe dar espaço para mexer o tronco. Deslizou os dedos pelas costas até alcançar os cabelos, onde o puxou pelas mexas até a cabeça ir para trás.
  - Quer que eu te coma com gosto? – sussurrou ávido na orelha.
  Por obter apenas um gemido baixinho, deu um tapa forte na bunda.
  Serviu para Rafael arquejar e rebolar o seu pau contra o dele. Arfaram por não terem roupas, gerando um choque de prazer do contato pele com pele.
  - Responde. Quer que eu te coma bem gostoso? – repetiu com a voz mais firme – Hein?
  - Quero.
  - Então me chupa direito.
  Gostava de ser dominado – e Kalisto sabia como dominá-lo quando transavam.
  Não havia delicadeza nem lentidão assim que voltou a se sentar no sofá para chupá-lo. Eram duas pessoas dando vasão aos sentimentos e ao tesão acumulado de anos. Queriam deixar marcas pelo corpo alheio, algo onde as pessoas vissem nos dias seguintes e logo constatariam que tinham donos e não era pra nenhum suposto concorrente chegar perto. Em consequência arranhou as laterais dos quadris de Kalisto sem cortar o contato visual.
  Sentindo o prazer aumentar, apoiava a mão na parte detrás da cabeça a impulsionando para frente até sentir a glande no tecido macio da garganta. O permitia recuar após alguns segundos aproveitando a sensação. Sabia que o outro aproveitava também pelo olhar cheio de luxúria. O sufocamento era breve produzindo lágrimas. A boca quente e úmida o envolvia prendendo a respiração e, ao se afastar, a saliva estava presente ao redor dos lábios.
  Perto de alcançar o ápice, pediu em voz entrecortada:
  - Agora fica quietinho, bebê.
  Sabia o que viria a seguir, então não se surpreendeu quando foi segurado enquanto Kalisto fodia sua boca em movimentos precisos.
  - Ah, amor... – arfava em puro delírio – Minha putinha da boca gostosa.
  Rafael o tocou em carícias leves nas bolas usando da própria saliva para excitá-lo com os dedos.
  - Safadinho.
  Murmurou com um sorriso, quase delirando pela visão do pau penetrar aquela boca e por encará-lo faminto durante o processo.
  O peito subia e descia com a respiração pesada tomado pelo êxtase.
  - Ah, caralho...
  O pau pulsou em sua boca uma vez.
  - Ahhh...
  Duas vezes.
  - Rafael...
  Três vezes.
  - Ahhhhh!
  O sabor salgado dominou seu paladar. O tomou sem derramar uma única gota. Prolongou as carícias pelo tronco até finalizar com um beijo na glande grossa.
  Kalisto não hesitou em ajoelhar-se para, em seguida, começar o oral. Explorava a área até alcançar o períneo e a entrada. Retornava para o membro rijo sem demorar-se no local onde invadiria minutos depois. O sugava causando um pouco de pressão e intensificando ainda mais as sensações do outro, quem recostara as costas no sofá gemendo.
  Quando recorreu ao auxílio da destra quase levou-o à loucura, indo e vindo com a cabeça incessantemente sem se importar em respirar. Pausava em questão de instantes para prosseguir com o trabalho adorando ser o responsável pelos audíveis gemidos do outro, quem gozou em sua garganta agarrando-se trêmulo ao móvel.
  Não lhe deu tempo de se recuperar, o beijando nos lábios por prolongados minutos.
  Ofegante, Rafael se pôs de costas para ele sobre o sofá com a bunda empinada, apoiado no revestimento de veludo negro.
  kalisto deu mais dois fortes tapas causando um formigamento prazeroso, aumentando o sorriso no ruivo. Subiu de joelhos no móvel, acomodando-se atrás dele.
  Encaixou o pau perfeitamente entre as bandas, grunhindo pelo rebolado do outro.
  - Minha puta está ansiosa pra ser comida, é?
  Explorou o lóbulo e a clavícula com a língua, lhe arrancando profundos suspiros e arrepiando-o.
  - Pra caralho.
  Voltou a atenção para a nuca, outro ponto erógeno. Vê-lo quase sem controle do corpo por sua causa era de uma satisfação sem tamanho.
  Com a ponta da língua desceu pelas costas vagarosamente até, ajoelhado no chão, encontrar a convidativa entrada.
  Sem conseguir o devido apoio do estofado, escorregou o tronco até deitar, completamente entregue e submisso às vontades do amante. O homem a circulava precisamente, de vez em quando o penetrando com ela.
  - Amor... – conseguiu dizer com um esforço absurdo – Na minha mochila tem lubrificante. Aiiin... – se agarrou na almofada.
  Demorou para se afastar dele com um tapa estalado.
  - Preparado como sempre.
  O homem foi a passos largos até a cadeira na sala, de onde retornou com o tubo.
  - Aprendi que, quando estou contigo, é melhor carregar um lubrificante comigo.
  E era verdade. Até porque já chegaram ao ponto de transarem na rua, dentro do estacionamento do prédio e no carro.
  Voltou para a posição anterior despejando o conteúdo nele. Espalhando beijinhos entre a lombar e a bunda, inseriu o dedo indicador centímetro por centímetro até...
  - Ah!
  Soltou um agudo gemido quando a próstata foi massageada – e Kalisto não teve pressa alguma.
  O dedo mexia em movimentos sutis gerando diferentes reações no outro. Ora gemia, ora arfava, ora se contorcia, ora apertava a almofada.
  - Preciso de você dentro de mim. Por favor.
  A quinta sinfonia de Bethoveen não era tão agradável aos seus ouvidos como aquela frase.
  Sentou na bunda arrebitada que tanto gostava. Era consciente de seu tamanho e grossura, então despejou mais um pouco do lubrificante em si antes de começar a penetrá-lo. Devido à dor inicial encolheu os ombros. Em consequência, o moreno se inclinou beijando a nuca alva até relaxar para a invasão acontecer da forma menos dolorida possível.
  Afastou dele para iniciar o vai e vem lentamente para se acostumar com o preenchimento do espaço – e como o ruivo gostava daquilo.
  Em busca de maiores sensações, foi inevitável perguntar:
  - Sabe foder que nem macho, não?
  O advogado parou ainda em seu interior, lhe dando mais um tapa forte pela provocação. O segurou pelos pulsos acima da cabeça com uma mão deitando o tronco nas suas costas.
  O sorriso diabólico surgiu.
  - Você não deveria ter dito isso.
  Rafael agradeceu pela almofada sob sua cabeça.
  Os gritos de prazer seriam ouvidos pelo prédio caso não fosse o auxílio dela para abafá-los. Kalisto o penetrava com destreza e rapidez usando o próprio corpo para imobilizá-lo, deixando a experiência ainda mais febril. Os corpos começavam a suar, o som do quadril se chocando preenchia o ambiente e os gemidos eram audíveis. À mercê do mais velho, era estimulado nas zonas erógenas ao alcance, quem não hesitava em lamber, mordiscar ou beijar – não necessariamente nessa ordem.
  O vendo usar o travesseiro para abafar a voz, libertou seus pulsos para afastá-la a jogando pra longe.
  - Assim vão me ouvir. – pronunciou entre dentes.
  - Foda-se. Quero que ouçam a quem a minha putinha pertence.
  - AH!
  O gritinho escapuliu por socar fundo rebolando antes de voltar a penetrá-lo no ritmo anterior.
  Pôs os braços por debaixo do tronco para pressionar as palmas nos ombros para mantê-lo no lugar.
  - Ele te comia bem? – murmurou contra a orelha.
  - Não.
  - Quem sabe te foder direito?
  - Você.
  - Quem vai ser o único a foder o seu cuzinho gostoso depois de hoje?
  - Você.
  - Repete.
  - Ai, você quem vai foder o meu cú. Caralho, que delícia.
  - Porque é minha putinha. Só minha. E eu sou o único capaz de te fazer gozar com o meu pau, como a boa puta que é.
  - Então me faz gozar bem gostoso, amor.
  O diálogo esquentava ainda mais os corpos, ambos aproveitando cada uma daquelas estocadas.
  Sentir o pau em contato com o sofá não era o suficiente. Ansiava por um estímulo duplo.
  Quando o outro o viu pressionar débil as mãos no assento, parou dentro dele. Se impulsionou para cima agarrando-se ao estofado antes da penetração prosseguir como antes.
  De imediato o membro foi agarrado pela grande palma áspera para ser masturbado.
  - Puta que pariu, amor... – ofegava buscando ar, o rosto rubro na escuridão – Me fode. Isso. Mete em mim até o talo.
  - Era isso que queria, né? – passava a língua pelo lóbulo.
  - Hum hum. – conseguia forças para rebolar apertando o estofado até os nós dos dedos embranquecerem – Ain... Assim. Continua.
  - Que cuzinho apertado. Lindo. Meu putinho lindo. – o segurava pelo pescoço passando a língua pela lateral da região.
  - Sou seu putinho, é?
  - É.
  - Então goza dentro de mim. Me enche com sua porra.
  O pedido serviu para Kalisto meter com mais rapidez, ambos já trêmulos e perto de gozar.
  - Me marca como sua putinha, amor. Enche meu cú de porra.
  Sentiam os corpos perderem as forças com o orgasmo se aproximando cada vez mais.
  - Isso, amor. Não para. Não para. – suplicava sôfrego de olhos entreabertos e o rosto com marcas de expressões na testa e na região ao redor dos lábios – Não para até me encher com a sua porra.
  - Quer a porra do seu homem? – mordiscou o lóbulo o puxando entre os dentes – Quer a porra do seu macho, é?
  Quase incapaz de reproduzir um som meramente coerente, apenas acenou com a cabeça.
  Recebeu mais um tapa na bunda quando Kalisto retirou o pau quase por completo antes de voltar a meter.
  - Me responde. – exigiu entre dentes.
  - Eu qu... AH! Quero.
  O ruivo levou uma mão para trás o agarrando pela nuca.
  - Me fode, amor. – ofegava não aguentando mais tanto tesão – Isso.
  - Quer a porra do seu macho no seu cú? – indagava quase sem forças e ofegante.
  - Quero. Caralho, Kalisto... Por favor. E... Eu vou... – guinchava num fio voz se contorcendo.
  - Goza. Goza com a porra do seu macho dentro de você.
  O grito de Rafael quebrou o silêncio da noite enquanto Kalisto esporrava dentro dele e o sentia molhar a mão com a própria ejaculação quente.
  Apoiou a testa no ombro para recuperarem o fôlego pelo orgasmo violento, onde o preencheu com seus jatos quando gozaram juntos. Devagar saiu de dentro dele, ambos cansados.
  O levando consigo, sentou no sofá para o outro se ajeitar no seu colo, o lugar mais confortável do mundo para Rafael. Abraçaram-se até normalizarem as respirações, apenas aproveitando aquela união característica de duas pessoas apaixonadas após transarem. Passaram os minutos seguintes daquela maneira sem pronunciarem palavra alguma, relaxados em perfeita comunhão nos braços um do outro.
  Aproveitaram os carinhos sem teor sexual por minutos afora em silêncio até pedir:
  - Se segura em mim, bebê.
  Primeiro o mais novo tateou o sofá em busca do tubo para apanhá-lo, o encontrando em demora.
  Ao senti-lo com os braços firmes em seu largo pescoço, impulsionou o pé no chão para levantar. O segurando pelas coxas lhe dando apoio foram até o quarto, onde fechou a porta antes de se deitarem, logo ficando por cima do rapaz, quem pôs o lubrificante sob o travesseiro.
  Passaram incontáveis minutos daquele jeito – permitindo-se serem amados mutuamente e de maneira recíproca. Ora se abraçavam, ora se admiravam, percorrendo com os dedos os respectivos corpos, ainda sensíveis.
  Aproveitavam o toque assim como os beijos meigos completamente dispersos, sem a menor vontade de se separarem um mísero centímetro. Foi tempo demais de separação para não se darem aquele luxo.
  Não totalmente saciados, ainda com fome do um do outro, Rafael rolou por cima do moreno, colocando os joelhos ao lado dos quadris. Devagar até demais, o beijo doce transformou-se, tonando-se lascivo, mas sem a urgência anterior. Almejava aproveitar aquele segundo momento entre eles sem pressa.
  O toque suave produzia um prazer mais brando, percebeu Kalisto se perdendo nas sensações que apenas o ruivo era capaz de produzir nele.
  Gemeu baixinho na orelha do menor quando a carne do pescoço passou a ser castigada pela língua macia o agarrando pelos cabelos da maneira que era prazerosa para o mais novo. Estava tomado por uma áurea mais tranquila cuja irradiação chegava ao advogado, se deleitando com o ritmo vagaroso e igualmente voluptuoso.
  - Ah... – gemeu de olhos fechados e o cenho franzido quando os paus roçaram – Bebê.
  Desceu os lábios centímetro por centímetro até alcançar o lugar de destino, segurando a base para mantê-lo ereto.
  Perdón – Camila.
  Usou a ponta da língua para brincar com a glande, onde apenas distribuía beijinhos ou roçava com o tecido úmido da boca. Envolveu a cabeça fazendo movimentos circulares enquanto concentrava a boca naquela região inicial. O ouviu arfar na expectativa de gozar novamente no fundo da garganta – expectativa essa que não seria alcançada.
  A luz do luar iluminava a cama através da janela, então era capaz de ver o responsável por deixa-lo à beira da loucura nitidamente.
  Encostou os dedos no belo rosto, sussurrando em admiração:
  - Você fica ainda mais lindo assim, sabia?
  O olhar desejoso serviu para arquejar, de tão sensível que seu corpo estava com os estímulos.
  Depois da deliciosa tortura, dirigiu-se para o períneo numa masturbação lenta o suficiente para Kalisto não atingir ao ápice.
  Demorou-se por talvez tempo até demais ali, onde, com a boca, se ocupava com o períneo e a sua entrada e com a mão o manuseava.
  Kalisto era versátil, mas, geralmente, preferia penetrar ao invés de ser penetrado. Essa característica somente foi descoberta anos atrás com Rafael por sentir-se confortável ao ponto de se colocar vulnerável daquela deliciosa maneira. Não permitiu que mais nenhuma outra pessoa o tivesse assim, tão relaxado ao ponto de ser explorado nas áreas mais escondidas do corpo. Apenas alcançou esse grau de confiança com o rapaz sem o outro sequer pedir. Aconteceu naturalmente no decorrer da relação deles.
  Usando da própria saliva para lubrificação, molhava o dedo indicador para deslizar pela glande formando círculos quando cessava a masturbação sem se afastar da entrada.
  - Amor, vem aqui. – conseguiu gemer agarrando-se ao travesseiro.
  Assim que o corpo foi escalado da mesma forma, por meio de beijos e carícias prolongadas, o beijou desejoso.
  Rolou para o lado, os colocando deitados frente a frente. Acomodou o braço esquerdo no espaço entre a cabeça e o colchão para segurá-lo na posição pelo ombro. Desceu a mão direita pelo tronco até agarrar o pau de Rafael, quem, pela sensação, separou-se momentaneamente dos seus lábios.
  Por sua vez, não hesitou em tocá-lo igualmente.
  Rafael era quem ditava o ritmo e a velocidade. Começaram extremamente devagar sem quebrar o contato visual. Os gemidos baixos, a pele escorregadia pelo suor e as expressões de prazer intensificavam ainda mais as impressões. Kalisto tinha o queixo trêmulo puxando o ar pesadamente. Rafael franzia o cenho com a boca entreaberta formando um pequeno O. Às vezes encostava a testa no peitoral moreno em estado febril em meio às lamúrias mútuas de prazer. A demora era proposital para prolongar ao máximo o prazer, então, ao gozarem, soltaram gemidos roucos e agudos bem audíveis.
  Trêmulo beijou o advogado até as respirações acalmarem, sentindo-se pertencentes novamente um ao outro.
  Suavemente rolou no colchão grande e macio, ficando por cima de Rafael. Apanhou o lubrificante sob o travesseiro e logo se sentou na cama. Posicionou as pernas alvas, afastando uma para o lado e a outra apoiando em seu ombro. O lubrificou devidamente antes de penetrá-lo em deslize fácil.
  O quadril mexia no vai e vem característico, sentado com os joelhos sob o colchão o tocando na coxa. Roçava os lábios pela área, dando beijos leves.
  Após os minutos iniciais, Rafael esticou a mão para ele, quem a segurou. Foi puxado até deitar sobre o outro, por ansiar pelo contato físico.
  - Melhor, querido?
  Acenou um sim gemendo antes de beijá-lo sôfrego.
  Se amaram intensamente numa lentidão deliciosa.
  Se abraçavam, beijavam e encaravam. Quando Kalisto castigava a pele do pescoço ou da orelha, recebia arranhões como resposta, o incentivando a prosseguir.
  Gotículas de suor se formavam na testa do ruivo cujos fios começaram a grudar completamente úmidos. A escuridão iluminada pela luz fraca do luar tornava tudo mais misterioso e romântico, os isolando em sua bolha particular com apenas a existência do amor recíproco sendo demonstrado em cada arfar, gemido, sensação e toque. Aquilo era suficiente.
  Abraçado, murmurava ofegante no ouvido, como se compartilhasse um segredo apesar de estarem sozinhos:
  - Por favor, amor. Continua. – cravou as unhas nas costas largas por Kalisto ir bem fundo – Isso está tão bom. – gemeu manhoso.
  Se afastou apenas para encostar a testa suada na do outro, quem fechara os olhos.
  - Vamos. Olha pra mim.
  Ao enxergar as brilhantes íris, o advogado sussurrou com a voz rouca:
  - Promete que não vai me deixar. Promete que vai ficar comigo.
  Depois das últimas descobertas e de se entregarem naquela noite, como seria capaz de negar isso para o seu homem?
  - Prometo. Prometo, meu amor. Só meu. – respondeu com dificuldade lutando para soar compreensível – Enquanto... Ah! Enquanto me quiser cont... – arqueou o tronco por Kalisto rebolar – Contigo é ao seu lado onde... Aiinnn... Onde vou ficar. – segurou o rosto moreno pelos dois lados – Eu te amo.
  Mesmo com as sensações à flor da pele abriu um sorriso pela resposta, a feição tornando-se mais aliviada por meros instantes.
  - Eu também. – sussurrou sôfrego – Eu te amo... – arfou – Desde a primeira vez que eu te vi.
  Os corpos esquentaram ainda mais com as declarações, não demorando para gozarem abraçados sem quebrar o contato visual, totalmente unidos em todas as dimensões da palavra. Rafael arranhara as costas lentamente pressionando as unhas com força, desde a altura dos ombros até a lombar.
  Permaneceu deitado nele depois de se retirar de seu interior. Acariciavam e beijavam onde alcançavam, sentindo os corações batendo fortes e as peles diminuindo a sensibilidade gradualmente.
  Apesar da exaustão, Kalisto sentou puxando-o, quem resistiu.
  - Vem tomar banho comigo, bebê.
  - Estou cansado, amor.
  Pôs um joelho na cama esfregando os lábios nos cabeços.
  - Eu também, mas você detesta dormir sem banho e na única vez que isso aconteceu acordou puto da vida no dia seguinte porque eu não tinha te colocado debaixo do chuveiro e permiti que dormisse bêbado. – havia um tom de humor pela lembrança.
  - Hum... – se pôs de pé com dificuldade – Você tem razão.
  Abraçando-o por trás por precaução, Kalisto o conduziu para o banheiro.
  Na água morna se banharam.
  Com certeza as costas do mais velho estava em carne viva em alguns pontos específicos pela ardência em contato com a água, mas não se importou.
  Rafael apoiou as costas no peito firme de Kalisto, quem o ensaboava com as mãos.
  Arregalou os olhos segurando o riso quando o viu duro novamente.
  - Amor, você gozou quatro vezes hoje. – beijou os cabelos molhados – Já está assim?
  - Fiquei muito tempo longe de você.
  - Eu sei.
  Grunhiu quando foi segurado novamente, deslizando facilmente a mão devido ao sabão.
  - Me deixa cuidar de você. – murmurou guardando o sabonete para masturba-lo.

  Retornaram para o quarto secos e com os cabelos levemente úmidos.
  Kalisto o colocou deitado na cama. Acendeu o abajur para procurar um creme, sem demorar a acha-lo.
  Sentou na bunda de Rafael o massageando, admirando as marcas deixadas. Algumas áreas estavam avermelhadas e provavelmente estariam mais doloridas no dia seguinte caso não fossem cuidadas. Deslizava as palmas numa massagem agradável por todo aquele pequeno corpo. Ao final, passou um creme nas áreas marcadas ou em alto relevo para não gerar incômodo no dia seguinte.
  O rapaz relaxava cada vez mais sob o cuidado das mãos.
  Lutava para continuar acordado porque não queria adormecer sem senti-lo ao seu lado.
  Guardou o creme junto com o lubrificante após passar o creme na bunda por estar rosada devido aos tapas fortes. Apagou a luz, ligou o ar-condicionado e pegou o cobertor felpudo para cobri-lo. Em seguida se acomodou sob o cobertor. Logo sentiu o calor emanando do corpo de Rafael quando se aninhou eu si de imediato.
  De olhos fechados deu um último selinho.
  - Eu te amo, meu amor. Boa noite.
  - Também te amo, meu menino. Muito.
  Adormeceram às quatro da manhã abraçados com a certeza de que tudo se ajeitaria nos próximos dias.
  Só não imaginavam que em questão de semanas Bruno desapareceria, acarretando uma série de eventos os quais dariam bastante trabalho para Kalisto, o homem com trajes do típico malandro carioca e a mulher de vestido vermelho.

Capítulo 10
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